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    Esse blog teve
    visitantes, desde
    setembro de 2003.

    A violência contra a mulher não é tabu, nem estereótipo, é CRIME. O caso Triton e o resultado do CONAR.

    Denise | Campanhas Publicitárias,Violência | Friday, 31 December 2010

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    Resolvi fechar 2010 falando de uma “conquista” nossa, ainda que capenga e atrasada (só tive acesso ao resultado final, essa semana).

    Em setembro de 2009, a Triton lançou essa campanha aí acima, que chocou muito a mim e amuita gente que frequenta o blog. Afinal, o que passa pela cabeça de uma pessoa que cria uma peça como essa (além de falta de criatividade e plágio do que existe de pior na moda internacional)?

    Nos mobilizamos nesse post aqui, disponibilizamos o link para contato com o CONAR, que regula “informalmente” as propagandas no Brasil. Cerca de 40 pessoas reclamaram e – em maio de 2010 – a instituição decidiu “pela alteração das imagens, ressaltando que devem ser retiradas todas as cenas que reflitam desrespeito, preconceito e violência contra a mulher”.

    Vejam o resumo do caso, como publicado no site da CONAR:

    “Coleção Triton”

    Representação nº 236/09
    Autor: Conar, a partir de queixa de consumidor
    Anunciante: Triton
    Relatora: conselheira Cláudia Wagner
    Sexta Câmara
    Decisão: Alteração
    Fundamento: Artigos 1º, 2º, 6º, 14, 17, 19, 20, 21, 22, 26 e 50, letra “b” do Código

    Cerca de 40 consumidores, de diversos Estados brasileiros, reclamaram ao Conar da campanha da Triton veiculada na internet para divulgar a nova coleção da marca. O ponto fundamental das queixas é que os anúncios fazem apologia à violência contra a mulher, principalmente em relação às imagens apresentadas.

    A empresa contestou as denúncias, justificando tratar-se de uma campanha de visão artística e sem qualquer tipo de apologia à violência contra a mulher. Justifica ainda que a tendência mundial de provocar o público com imagens que brincam com tabus e estereótipos ganha as páginas das revistas de moda mais conceituadas do mundo, obtendo resultados razoáveis.

    Para a relatora, os consumidores reclamantes têm razão. Ela observa, em seu parecer, que a referida publicidade retrata cenas desprezíveis do ponto de vista ético e moral, entre elas, a imagem que mostra um homem segurando um machado enquanto uma mulher parece acariciá-lo, e a cena que exibe um rapaz demonstrando sua força bruta sobre a mulher enquanto expressa seu domínio sexual.

    A manifestação da relatora, acatada por unanimidade, foi pela alteração das imagens, ressaltando que devem ser retiradas todas as cenas que reflitam desrespeito, preconceito e violência contra a mulher.

    É muito bom que a conselheira Cláudia Wagner tenha reconhecido que uma campanha como essa da Triton reflete “desrespeito, preconceito e violência contra a mulher” e a parabenizamos pela sua decisão.

    Mas, fiquei irritada com a postura da empresa. Poderia ter reconhecido seu erro, imediatamente, ao receber tantas reclamações (que foram enviadas também ao site da Triton) e retirado a campanha do ar, sem tentar justificar o injustificável. Ao invés disso, alegou ao CONAR (como mostra o relatório acima), que era:

    “uma campanha de visão artística e sem qualquer tipo de apologia à violência contra a mulher. Justifica ainda que a tendência mundial de provocar o público com imagens que brincam com tabus e estereótipos ganha as páginas das revistas de moda mais conceituadas do mundo, obtendo resultados razoáveis.”

    Vender roupas às custas da exploração da imagem da mulher sendo morta, violentada ou agredida, não tem nada de artístico ou provocador, como querem que pareça, é somente misógino e sem imaginação.

    Sim, a Triton macaqueou uma “tendência”, imbecil, anti-ética e que, de moderna, não tem nada.  Não é novidade a imagem da violência contra a mulher em campanhas da indústria da moda. Esses são alguns exemplos, sobre os quais já falamos muito aqui  no blog:


    jimmy_choo.jpg

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    vogue_vanity1.jpg

    Não é porque a Vogue publica um editorial como esse “obtendo resultados razoáveis” (me pergunto quais e razoáveis para quem!), que vamos ser forçados a engolir essa mesma estupidez no Brasil.

    Ao contrário do que pensa a Triton (e, provavelmente, a Vogue)a violência contra a mulher não é “tabu”, nem “estereótipo”, é CRIME.

    No mês passado, a UNESCO declarou que a violência contra a mulher está tomando dimensões epidêmicas, “uma em cada três mulheres no mundo foi objeto de violência física, manteve relações sexuais forçadas ou foi vítima de maus tratos em sua vida”.

    No Brasil, mais de 2 milhões de mulheres são espancadas por ano, ou seja uma cada 15 segundos. A referência à violência contra a mulher, em outdoors, sites e revistas, para vender produtos não pode, jamais, ser considerada “brincadeira” ou “provocação”, como quis a Triton.

    Repito, que bom que o CONAR reconheceu que estávamos cert@s de reclamar. Mas, francamente, de que adianta a proibição da propaganda oito meses depois? àquela altura, a empresa já tinha veiculado as imagens à vontade, pelo tempo que planejava, e deu sua contribuiçãozinha pra a glamourização da mulher sendo assassinada (primeira foto), agredida e violentada.

    Vamos continuar cobrando do Conar uma posição, a cada vez que nos deparamos com uma propaganda racista ou misógina, como foi o caso acima, vimos que é um caminho viável. Mas é necessário que esses processos sejam agilizados, senão, a credibilidade da instituição também fica seriamente abalada.

    Da minha parte, farei sempre boicote à Triton.  Tem tantas opções, pra quê escolher uma que explora irresponsávelmente e não leva a sério algo tão importante para as mulheres brasileiras?

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    Pro mundinho fashion, mulheres assassinadas são “in”

    Denise | Campanhas Publicitárias,Moda,Violência | Friday, 27 August 2010


    “O acessório perfeito pode ser a diferença entre parecer ‘blah’ ou ‘de morrer’”, Michael Kors.


    “Morte por um stiletto (sapato)? não posso imaginar melhor forma para morrer”, Brian Atwood.

    Não é novidade. Já falamos disso, várias vezes, aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

    É a glamourização da violência contra a mulher. Essas fotos são da revista Haaper’s Bazaar de setembro, que é a edição mais importante da moda, nos EUA.

    O ensaio mostra a “consultora de estilo” Rachel Zoe sendo morta por vários estilistas famosos.  ”De morrer pela moda”. Sim, entendi o contexto e  deve ter gente que acha muito “moderno”. Eu continuo achando que, dentro de um contexto maior, as imagens são de extremo mau gosto.

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    Como conter a violência no trânsito
    (Debate no “Entre Aspas”)

    Denise | Televisao,Violência | Saturday, 24 July 2010

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    O que o machismo faz…

    Denise | Violência | Thursday, 08 July 2010

    Não lamente a desilusão do seu filho com o ídolo.
    Ensine a ele o que o machismo faz: bate, estrangula, mata,
    desossa e dá pro cachorro comer

    @maiselena

    É tudo tão perverso, que nem tenho vontade de dizer nada, agora. Mas, deixo a história aí, se vocês quiserem desabafar ou comentar. E pior é que histórias como essa acontecem todos os dias, no Brasil. A gente é que não fica sabendo.

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    O caso dos jovens estupradores filhos de poderosos,
    que a Globo tenta ignorar.

    Denise | Televisao,Violência | Wednesday, 07 July 2010

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    Prende a filha de 11 anos, estupra por 16. Ela engravida 7 vezes. Agora ele tenta abusar de uma filha/neta.

    Denise | Violência | Friday, 11 June 2010

    CHO-CA-DA

    Ana Paula Portela, feminista que trabalha com a questão da violência contra a mulher escreveu no meu Facebook:

    “Denise, a situação aqui é tão grave, que se a imprensa desse atenção a todos os casos que aparecem, não iria fazer mais nada. Nos últimos meses tem crescido o número de denúncias e prisões e todos os dias, todos os dias, há pelo menos um caso nos jornais. É impressionante. Não são situações excepcionais. Lamentavelmente, são rotineiras.”

    Gente, quando a gente reclama da OBJETIFICAÇÃO da mulher não é conversa de feminista, picuinha contra propaganda de cerveja, implicância. É que a mulher, no Brasil, é vista tanto como uma propriedade, uma mercadoria, que perde-se a noção de humanidade. O cara acha que com a filha, a esposa, a vizinha,  a funcionária, pode fazer o que bem quiser.

    Eu lembro quando foi divulgado aquele caso da austríaca encarcerada pelo pai, foi um escândalo (aliás, a Globo fez muito mais alvoroço que agora, com essa notinha) e teve gente que disse que só aconteceria num lugar “frio” como a Europa, que no Brasil todo mundo sabe o que se passa na casa da vizinha. É verdade, sabe, mas não denuncia.

    Enfim, estou muito chocada com o caso, até escrevi no Twitter que a gente, às vezes, vai levando a vidinha e se esquece do inferno em que vivem tantas mulheres no Brasil e no mundo. Muita, muita tristeza. Me sinto mal por não estar podendo fazer nada em relação a isso, como fiz há anos atrás.  Pelo menos, temos esse espaço pra desabafar.

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    Autodefesa

    Denise | Violência | Sunday, 16 May 2010

    Idosas da favela de Korogocho, uma das comunidades mais perigosas de Nairóbi, praticam a auto-defesa. As mulheres idosas estão cada vez mais sendo alvo de estupradores na capital. Autoridades dizem que alguns violadores acreditam que atacar mulheres mais velhas podem curá-los da Aids, enquanto outros acham que o ato lhes trará boa sorte  (UOL).

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    Relatório divulga números de homossexuais assassinados
    no Brasil, em 2009

    Denise | GLBTS,Violência | Sunday, 07 March 2010

    Segundo pesquisa do Grupo Gay Bahia, no ano passado, foram assassinados, no Brasil,  198 homossexuais, 9 a mais que em 2008 (189 mortes) e um aumento de 61% em relação a 2007 (122). Dentre os mortos, 117 são gays (59%), 72 travestis (37%) e 9 lésbicas (4%).

    “Estes números são apenas a ponta de um iceberg de sangue e ódio, pois não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, nos baseamos em notícias de jornal e internet, uma amostra assumidamente subnotificada. O Brasil é o campeão mundial de crimes contra LGBT: um assassinato a cada dois dias, aproximadamente 200 crimes por ano, seguido do México com 35 homicídios e os Estados Unidos com 25.”
    Luiz Mott, fundador do GGB.

    Leia o artigo completo no site do Grupo Gay da Bahia.

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    Violência contra a Mulher – A velha história da morte anunciada

    Denise | Violência | Monday, 25 January 2010

    Vou aproveitar a oportunidade da minha viagem (viajo amanhã e volto dia 22 de fevereiro), para dar continuidade aos posts de “blogueir@s convidad@s”. Continuarei blogando de onde estiver, mas apenas posts curtinhos com muitas fotos =) enquanto isso, noss@s convidad@s levantarão questões importantes e interessantes pra gente ir debatendo por aqui.

    A primeira, é a xará Denise Rangel, do blog Sturm und Drang! que escreveu sobre um tema que muito nos interessa. Violência contra a mulher.

    Enquanto a Sociedade e o Governo discutem o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), que, entre outros temas prevê o apoio à implementação do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e a avaliação do cumprimento da Lei Maria da Penha com base nos dados sobre os tipos de violência, agressor e vítima; creio que é oportuno lembrar os direitos das mulheres, segundo a Organização das Nações Unidas – ONU:

      1. Direito à vida
      2. Direito à liberdade e a segurança pessoal
      3. Direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação.
      4. Direito à liberdade de pensamento
      5. Direito à informação e a educação
      6. Direito à privacidade
      7. Direito à saúde e a proteção desta
      8. Direito a construir relacionamento conjugal e a planejar sua família
      9. Direito à decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los
      10. Direito aos benefícios do progresso científico
      11. Direito à liberdade de reunião e participação política
      12. Direito a não ser submetida a torturas e maus-tratos

    O que vemos, no entanto, em pleno século 21, são atitudes machistas, motivadas por uma mentalidade retrógrada e apoiada por leis que protegem qualquer um que violar um desses direitos, principalmente se ele for um homem.

    Um caso ocorrido estes dias, e que ocupou a maioria das redes de televisão, foi o assassinato, em Belo Horizonte, de uma mulher por seu ex-marido, diante de câmeras que havia instalado em seu local de trabalho, motivada pelo medo de constantes ameaças dele .

    O que revolta muito mais do que o crime do marido, é o crime de omissão do Estado. A mulher havia procurado a polícia, cerca de oito vezes, para denunciar, com provas gravadas, que estava sendo agredida e ameaçada de morte pelo ex-marido.

    Podemos responsabilizar o Estado pelo não cumprimento da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher? Pergunta difícil de responder. As autoridades alegam que não podem prender todo homem que é denunciado por agressão. Há um procedimento a ser seguido.

    Enquanto isto, quantas mulheres ainda viverão sob a violação ao direito de não ser submetida a torturas e maus-tratos? Até que um crime seja consumado? Se houver assassinato, o homem é preso imediatamente, certo? No entanto, e se ele, tortura, fere, violenta, espanca, ameaça de morte, não uma, mas várias vezes e por tempo indeterminado? Precisa de um inquérito para investigá-lo? Pelo menos, foi isto que afirmou a delegada responsável pelo caso.

    A impunidade de crimes praticados contra a mulher não pode mais ser tolerada! O que esperamos, ou melhor, exigimos, é a certeza de que os agressores sejam punidos com mais rigor, antes que se consumem as ameaças contra a vida da mulher. É preciso mudar esta mentalidade patriarcal que permite que o homem trate a mulher como sua propriedade.

    E não se enganem: a violência não é um problema da classe pobre e sem escolaridade. O perfil dos homens agressores é composto desde desempregados, alcoólatras, drogados e pobres, a juízes, advogados, delegados, médicos, engenheiros, e outros profissionais de escolaridade superior.

    Quando estes homens agressores de mulheres forem punidos com a privação de sua liberdade, quem sabe esta realidade de crueldade e impunidade deixe de ser o combustível para a violação dos direitos essenciais à vida da mulher. Afinal, torturas e maus tratos não são crimes? Ou o agressor só é um criminoso quando comete um assassinato?

    Imagem: daqui

    Vamos receber com carinho a nossa convidada, na pracinha.

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    Abuso sexual no local de trabalho

    Denise | Violência | Sunday, 20 September 2009

    Depois de Ler a historia da ” Mariana” Gostaria de compartilhar a minha:

    Eu tenho 21 anos, trabalho em um banco e a 3 meses estou sofrendo abusos constantes do meu gestor.

    Ele fazia graças para cima de mim e eu me fazia de desentendida, para evitar problemas .
    At’e que ontem Terça feira, subi na sala dele e ele apertou a minha coxa! sim acreditem! eu fiquei atonita e só fui capaz de dizer, “JOao” isso é abuso sexual, e ele na maior cara lavada me disse que eu não tinha como provar.(ja que na sala dele nao tem camera)

    alguns Minutos depois ele veio me questionar sobre um assunto e eu fui rispida.

    Hoje, quando cheguei ao banco, ele me chamou e disse que poderia me dar uma advertencia, pois tinha sido sem educaçao com ele, e me mostrou uma lista de todos os beneficios do banco que eu perderia caso essa advertencia ocorresse (inlcuindo minha bolsa de estudos e minha promoçao que estava por vir)

    Imediatamente intendi o que ele queria dizer e pedi minha demissão.

    Estou decepcionada, enojada, desacorçoada pois eu sofri uma agressão, e sai perdendo porque nao tenho como provar o ocorrido

    Mas o que mais me preocupa ‘e que no Brasil deve existir milhares de mulheres que passam por essa mesma situaçao ou piores e não podem fazer nada pois dependem do emprego para viver, é triste nossa realidade machista

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    Triton promove violência contra a mulher
    E nós, o que vamos fazer?

    Denise | Campanhas Publicitárias,Violência | Tuesday, 01 September 2009

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    Atualização:

    Em atenção à sua reclamação, recebida em 01/09/2009, o CONAR informa que instaurou o processo ético nº 236/09, resultante daquela queixa e referente ao anúncio “COLEÇÃO TRITON”.

    O julgamento do processo ocorrerá brevemente e, tão logo seja possível, a decisão estará disponível no site: www.conar.org.br

    - em Notícias.

    Atenciosamente

    Secretaria Executiva

    Vári@s de  nós recebemos esse comunicado que mostra que vale a pena reclamar. Vamos acompanhar o caso de perto e acho que você, que ainda não escreveu para o Conar, ainda pode fazê-lo.

    Por favor, divulguem com todos os amigos e familiares. Devemos escrever, agora, pedindo que “se agilize o andamento do processo ético 236/09 e que se  condene a Triton a retirar essa campanha do ar!”

    Primeira vitória

    A Triton tirou a primeira e segunda foto – que estavam na abertura – do site. Mas, mantém a terceira. Eu continuo achando de mau gosto, e que remete à idéia de tortura e subjulgação. Tem de ser retirada também, o que vocês acham?

    Além do mais, não é apenas a campanha online, essas fotos não deveriam estar sendo distribuídas como posters pra colocar nos quartos e nem em outros meios como outdoors, pontos de ônibus, revistas. Avisem onde vocês estão vendo a campanha, OK?

    ______________________________________________________

    Nosso post anterior

    Apesar de acontecer a toda hora, em todo o país, somente de vez em quando, um caso de mulher morta pelo marido ou namorado e vira assunto. Aí é matéria na Globo e a sociedade se emociona e se revolta, depois esquece.

    Quanto mais machista o país, maior a violência contra a mulher. O Brasil tem avançado em tantas coisas, mas minha impressão, vendo aqui de fora, é que a situação da mulher não muda nada ou até piora.

    Essas fotos acima são da nova campanha de primavera-verão da marca Triton. Elas seriam impensáveis em muitos países que já passaram por um processo de discussão sobre o impacto da mídia na sociedade. Agora me digam, porque cargas d’água a gente tem de aceitar que uma empresa ganhe dinheiro às custas da glamurização da violência e assassinato de mulheres?

    Quando eu falo tanto, aqui no blog, sobre essas campanhas publicitárias, não é somente porque as imagens de mulheres sendo agredidas fisicamente “não me agradam”. Não é porque eu “não consigo separar a ficção da realidade” ou porque eu quero censurar a “enorme criatividade” dos nossos premiados publicitários.

    O fato é que ninguém sai impune desse bombardeio de imagens degradantes, da mulher sempre vista como parte mais fraca, vítima, submissa ao garanhão, dono do poder de vida e morte. Há poucos dias, a socióloga Luzia Azevedo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) defendeu que a maioria dos crimes contra a mulher estão relacionados ao sexismo, mesmo quando não são registrados dessa forma.

    E não me digam que é “somente uma propaganda”, não. No estudo Images of women in advertisements: Effects on attitudes related to sexual aggression, de Katherine Covell e Kyra Lanis, por exemplo, demonstraram que homens expostos a propagandas nas quais as mulheres eram usadas como objeto sexual,  posteriormente, eram mais tolerantes e apoiavam atitudes relacionadas à violência sexual. Enquanto que mulheres expostas a imagens de mulheres em uma postura mais forte  se mostraram menos tolerantes a essas situações.

    Eu não sou cliente da Triton, mas se fosse, deixaria de comprar lá, agora. Basta, né?

    O que fazer?

    Vamos escrever para o CONAR, que é o conselho “auto-regulamentador” da publicidade denunciando o abuso dessas fotos acima?  No site do Conar, tem um link (logo abaixo do banner) para reclamações. Quanto mais pessoas escreverem, mais fácil de sermos ouvidas. Por favor, divulguem esse absurdo em seus blogs, Facebook, Orkut e listas de discussão, podem copiar esse post à vontade.

    Também podemos demonstrar nossa indignação direto à  Triton. Não achei email no site deles, mas tem um Blog onde podemos deixar algum comentário.

    E, quem tem conta no Twitter, pode postar sobre isso, colocando o  id deles: @tritonlovers.

    Não dá pra fazer de conta que isso aí “não tem nada demais”, né ?!

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    Ótimo debate, sobre abuso sexual, com a ministra Nicéia Freire

    Denise | Sexualidade,Vídeo,Violência | Sunday, 23 August 2009

    Vi esse debate e gostei muito, fala sobre o quanto o machismo (com a “objetificação” da mulher) é responsável pelos casos de abuso sexual no Brasil. Tivemos uma ótima conversa no Twitter sobre o caso daquele médico. É revoltante.

    Aguentem mais um pouco, volto na segunda-feira. Colocando a vida em dia.

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    Farrah Fawcet doa parte da herança para grupos que combatem violência doméstica

    Denise | Celebridades,Violência | Tuesday, 30 June 2009

    fawcettA morte de Michael Jackson apagou as homenagens à atriz Farrah Fawcett, que morreu no mesmo dia, como todo mundo já deve saber.

    Agora, ela voltou aos noticiários por um motivo bem mais importante do que as brigas familiares pela herança de MJ. Ela deixou parte da sua  para grupos que lutam contra violência doméstica.

    A atriz nunca cansou de dizer que o seu melhor papel foi o de Francine Hughes, no filme “The Burning Bed”, sobre a história verídica da mulher que foi vítima de violência por parte do marido, durante 13 anos, até que um dia, após ser estuprada, bota fogo na casa – literalmente.

    Depois de viver a Francine, Farrah Fawcett manteve-se envolvida com o movimento contra violência doméstica até a sua morte.

    Mais conhecida pelo seriado As Panteras, a louraça belzebu foi inspiração para muitas meninas que queriam não somente sua cabeleira, mas  também sua força.

    Nunca esqueci da minha querida Silvana (tá lendo isso, amiga? lembra?), sugerindo a criação de um grupo de meninas tipo As Panteras, para defender as crianças menores da nossa rua. Tínhamos uns 12 anos e, claro, com minha enorme cabeleira, eu só brincava se eu pudesse “ser” a Fawcett.

    Clique para baixar o filme  The Burning Bed.

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    Mesmo após suicídio, atriz coreana deve pagar US$ 2.3 bi por ter APANHADO do marido

    Denise | Coreia do Sul,Notícias,Violência | Saturday, 06 June 2009

    choijinsil

    Apesar da distância geográfica e enormes diferenças culturais, todos os dias eu consigo identificar algumas semelhanças entre a sociedade coreana e brasileira (ou latina). Sendo uma das principais, uma quedinha pro melodrama e  a violência contra a mulher.

    Choi Jin-Sil foi uma garota de família pobre, que acabou se tornando uma das atrizes mais bem pagas e respeitadas da Coreia do Sul, até seu suicídio aos 39 anos, enquanto gravava o drama para TV: “O Último Escândalo da Minha Vida”.

    Ela se enforcou no banheiro, em outubro do ano passado, quando eu já morava aqui e foi só a segunda de várias celebridades que eu vi desistir da vida por causa de uma insuportável pressão pelo sucesso, comum a todos coreanos, mas que é amplificada no caso de quem está nos spotlights.  Entre outras coisas, especula-se que ela se matou por não suportar o assédio moral na internet, com milhares de pessoas a acusando de ter sido responsável pelo suicídio de outro ator, Ahn Jae-hwan.

    Mas a morte não foi seu último escândalo. A notícia que li ontem é chocante.

    Em março de 2004, a atriz foi contratada para fazer uma série de comerciais para uma empresa de construção coreana, num contrato de cerca de 400 mil dólares.  Como acontece sempre, a empresa tinha cláusulas que exigiam bom comportamento da atriz, dizendo que ela teria de pagar duas vezes o que recebeu, se prejudicasse a imagem da empresa, “danificando sua imagem moral e social por sua própria responsabilidade”.

    Acontece que, em agosto, ela foi agredida fisicamente pelo ex-marido, o jogador de baseball Cho Sung-min (ainda não tinham se divorciado, mas viviam separados desde 2002) e os urubus da imprensa de fofocas publicaram fotos dela com o rosto coberto de hematomas e até do seu apartamento em “estado caótico”.

    A empresa processou a atriz, vítima de violência doméstica, a pagar cerca de 2.3 bilhões de dólares por “quebrar o contrato”. O valor inclui multa, custos de processoe custos com a campanha publicitária.

    Numa primeira instância (antes do suicídio da atriz), uma corte a absolveu, afirmando que Choi não poderia ser responsável pela depreciação do apartamento ou da companhia já que não foi “provado que era responsável por causar a violência do ex-marido”. O que já é chocante, porque significa que existiria a possibilidade dela ser considerada reponsável pela violência contra ela mesma.

    Agora, seus filhos de seis e oito anos, que receberam a herança da mãe, foram condenados pela Suprema Corte da Coreia a pagar os US$ 2.3bi por que, segundo o juiz, o propósito do contrato era usar a reputação social da modelo para levar os consumidores a se interessar pelo produto e o “fracasso da modelo em manter uma imagem adequada constitui uma quebra de contrato”. Impressionante.

    E mais, segundo a Suprema Corte, “o conceito do apartamento que Choi estava divulgando era dignidade e felicidade, e Choi, como modelo tinha obrigação de agir de acordo.”

    A gente sabe que, muitas vezes, tenta-se fazer da vítima, o algoz, mas isso é absurdo e é chocante que os filhos que já devem ter sofrido muito com tudo isso, com a violência dentro de casa, com a perda da mãe, com o assédio da imprensa, agora tenha que pagar pelos erros do pai. 

    Shame on you, Supreme Court of Korea.

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    Amapô – Documentário sobre a violência contra homossexuais

    Denise | Discriminção,GLBTS,Vídeo,Violência | Tuesday, 05 May 2009

    Documentário | De Kiko Goifman | 2008 | 12 min

    Uma reflexão audiovisual urgente na luta pelos direitos humanos. Um depoimento emocionado sobre violência contra homossexuais e travestis no Brasil.

    Via Porta Curtas

    Ouvindo Essa Noite, Não, Lobão.

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