Com ou sem véu?
Como tava todo mundo curioso (eu também) tentei descobrir mais sobre essa máscara de metal, “assuntando” por aqui e pesquisando na internet, mas não consegui descobrir muita coisa sobre essa máscara, não.
Só que ela se chama burga (não é burca, é burga mesmo) e o máximo que me disseram foi que “é uma tradição” e parecer ser bem rara, hoje em dia.
Obviamente, na origem, é mais uma forma de opressão feminina, mas eu acho que é importante a gente aprender a relativizar um pouco. Claro que eu não acho, por exemplo, que extrair o clítoris das meninas é uma questão cultural e que a gente não pode interferir. Acho que é papel de todo mundo ajudar as mulheres vítimas de violência, seja onde for, mas também é importante também tentar ouvir e respeitar o que elas desejam, sem tentar impor nossos valores.
Essa mulher, que está usando a tal burga, parece muito orgulhosa dela. Segundo me disseram, ela não é obrigada a usá-la (devem existir pessoas que o são, em regiões mais isoladas do país), mas para essa mulher, a burga é como mais um penduricalho, como os aneis, brincos, como as tatuagens e a roupa.
Como muita gente sabe, especialmente depois da invasão do Iraque pelos EUA, existe um sentimento muito forte de orgulho e recuperação dos símbolos orientais, até como uma forma de resistência cultural. Cada vez mais mulheres aqui – e as que vivem em países ocidentais – querem usar o véu.
Não é a mesma coisa da opressão e violência no Afeganistão, mas em vários países muçulmanos, o véu é uma escolha e por mais que a gente ache machista (e é mesmo!), não me sinto em condições de criticá-las.
Na revista da Qatar Airlines tinha uma matéria sobre a Dubai International Fashion Week e uma das estilistas, que fazia roupas bem curtinhas, usava uma burka como essa aqui.
Na conferência que participei, as mulheres têm burkas e véus produzidésimos, com logos da Chanel, Versace e Louis Vuitton, muito bordado, muito dourado e, principalmente, olhos lindíssimos super maquiados.
Sei que é difícil pra gente entender, também me choca a imagem das mulheres, aparentemente, sem sua identidade visual (tenta achar uma delas no grupo…), mas também deve ser chocante pra muitas delas delas saber que nós injetamos toxina botulímica no rosto e fazemos lipoaspiração (que, infelizmente, já chegaram por aqui, também, para as mais abastadas).
E assim é esse mundão, cada uma com seu cada qual e a gente tentando aprender mais sobre tolerância, diferenças culturais e os limites entre a solidariedade e o etnocentrismo. Nada fácil. Pra dizer a verdade não sei se eu aprendi alguma coisa, mas vou tentando.


Resolvi reeditar esse post, que foi parte dessa série, que escrevi quando fui a Dubai, porque coloquei o pirulito aí acima por pura curiosidade (é sim, machista e de péssimo gosto), mas ficou parecendo que eu condeno o uso do véu e quero deixar claro que respeito as traduções muçulmanas.
Em Dubai, conversei muito com as colegas que usavam véu e até burka. Fomos ao banheiro feminino, elas tiraram as burkas, tiramos fotos, rimos, elas se mostraram super vaidosas e defenderam, ferrenhamente, o direito de usar o véu ou a burka, se quiserem.
Lembrei das muçulmanas feministas que conheci em reuniões internacionais ou até as lutadoras pelos direitos das afeganistãs, do RAWA – Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (foto acima e ao lado), quase todas usavam o véu e eram mulheres combativas e conscientes da importãncia de lutar pelos direitos das mulheres em seus países.
Elas não usavam a burka (que cobre quase todo corpo), mas não abriam mão do véu, não como forma de “proteção”, mas como identidade cultural.
Esses símbolos que nos parecem (e, convenhamos, muitas vezes são mesmo) opressores, se tornam parte da tradição do povo e se intrometer nessa cultura pra mudar o que a nós parece absurdo, mesmo com as melhores intenções, pode ser uma certa arrogância.
Vejam o que a Barbrinha, escreveu:
Sou brasileirissima, e me converti ao islamismo.
Moro no Egito ha dois anos, nao usava hijab no Brasil e assim que cheguei aqui coloquei, mas lhe digo, soh uso o hijab NO EGITO, pq??????
Pq aqui “virou moda” o uso do veu, e quem nao usa eh totalmente discriminada nas ruas e muitas vezes ofendida. Uma vez estavamos eu e uma amiga brasileira na rua e no inverno, entao estavamos com roupas de frio, e cuspiram nela. Claro que isso nao acontece com todos, mas andar sem veu aqui eh muito ruim, e como quero ter uma vida tranquilo, coloco o meu.
O hijab no islamismo significa que uma “protecao a mulher”, vc o coloca para que fique protegida nas ruas, pois o cabelo eh algo sexy, e mostra-lo nas ruas atrai olhares de outros homens que nao seja seu marido.
Eu acho valido essa ideia, mas EU a utilizo de outra forma, ja que o hijab serve para me “proteger”, eu o uso aqui e saio livremente, e qdo vou a qualquer outro pais eu o tiro, pois passo ser o centro das atencoes e essa nao eh a concepcao de usar ou nao o veu.
Muitas muculmanas e muculmanos acham que eu estou errada, que uma vez colocado o veu, nunca mais vc podera tira-lo. Mas eu sei que quem decide se coloco ou nao sou eu e isso eh algo entre Eu e Deus, mais ninguem.
Sobre a propaganda do pirulito, eu ainda nao a vi por aqui, assim que aparecer eu te aviso.
Faco um convite a vcs que visitem o meu blog e vejam que islamismo nao eh como a gente encontra em livros, filmes e noticias ocidentais…..eh muito mais que isso, e se tiver afim, vcs todos serao muito bem-vindos.
Aproveite e saborei por la uma xicara de cha preto e uns biscoitinhos de tamara….
Segue o link:
http://barbrinha.wordpress.com/
Soh um parentesis….
Para nao acharem que todo mundo aqui ofende ou agride alguem que nao usa veu…deixo claro que….existe fanatico religioso em qualquer religiao, e tambem existe aquele que acha que a religiao escolhida eh a melhor de todas e quem nao pertence a mesma nao tem credito nenhum…..Claro que a religiao que se escolhe eh a melhor, mas eh a melhor pra vc e nao precisa necessariamente ser a melhor para os outros…..
Eu sou a primeira a mostrar que os arabes nao sao como pintam por ai….mas procuro sempre mostrar os dois lados da moeda…..
No Libano, quem usa ou nao veu, nao tem problema nenhum….outros paises arabes vc tem que nao soh colocar o veu como tambem uma abeya, aquele vestido longo e muitas vezes preto das muculmanas……
Beijos e fiquem com Deus
Barbrinha”



















































































Amanhã, o grupo convidado do evento vai fazer um “
Podia estar super feliz, mas dei uma bobeira tão grande, que nem consigo ficar animada, como estava há alguns dias…
Isso tirou um pouco da minha alegria pela viagem. Ted vai ficar dois dias lá sem mim e eu vou ficar mais um, e sempre tentamos ficar o máximo possível juntos. Também, vamos viajar sozinhos, o que é muito mais estressante.