Melbourne, Australia – Arte, arte, arte…
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Demorei a escrever esse post porque durante a conferência era impossível e ao chegar em casa estava num cansaço que não acabava nunca, mas não podia deixar de contar mais sobre a Austrália, mais especificamente sobre Melbourne (pronuncia-se algo como “Mel-ban”), cidade pela qual me apaixonei perdidamente!
Estava pensando que é muito difícil pra alguém na situação de turista (ainda mais eu, que fui “turista acidental”, estava lá mesmo era a trabalho), dar uma visão muito geral da cidade (do país, então é impossível, já que uma cidade é pouco representativa do conjunto).
Cada vez que vou a um lugar, o que eu escrevo é sobre “a cidade que eu descobri”, que pode ser muito diferente da cidade de outras pessoas que passaram por lá e mais diferente ainda da experimentada pelos que vivem no país.
Antes de tudo, é preciso dizer que nunca estive em um lugar tão amigável com os turistas. Esqueça a idéia de comprar livros caros, você não vai precisar disso, já no hotel, a quantidade de literatura sobre cada pedaço da cidade e como se mover nela era enorme.
E se não achar logo, basta ir no Melbourne Visitor Centre, que fica na Federation Square (o trem gratuito para quase na porta) e existe uma quantidade inacreditável de informação impressa, gratuita, geral ou sobre os aspectos mais específicos da cidade, tem panfleto com mapa e roteiro para os românticos, para os que se interessam por vinho, por design, por arquitetura, por pinguins, por gastronomia e muito mais. Sem falar no atendimento individual, que é excelente.
Um bom tranporte urbano é vital pra qualquer turista. É fácil ir a uma cidade e se perder nela, pulando de ônibus em ônibus ou ter que pagar uma nota por uma excursão, pra garantir que vai dar uma olhada em tudo.
Em Melbourne existem duas opções de transporte gratuitos que cobrem quase toda a cidade.
Um é o City Circle Tram que passa a cada 12 minutos, sete dias por semana (menos natal e sexta-feira santa), entre as 10 e 18 horas (e durante o verão, nas quintas, sextas e sábados, o horário se prolonga até as 9 da noite).
Cobrindo outra região (Norte/Sul), tem um ônibus, também gratuito, que para em 13 outras áreas de interesse da cidade.
Dessa forma, não tem como você não conhecer tudo, ou pelo menos dar uma boa olhada.
Pra vocês terem uma idéia, esse é o mapa da cidade, a linha em amarelo mostra o caminho que faz o trem e a linha em laranja mostra o roteiro do ônibus.
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Eu não estava muito animada pra ir a Austrália. Além de já estar cansada de viajar e querer voltar pra casa, tenho cada vez menos interesse em países europeus e países industrializados, ricos e ocidentais. Quero mesmo é conhecer mais a Africa e a Ásia.
Não desisti de ir por profissinalismo (todas minhas despesas foram pagas pela Conger”encia e a passagem já estava nas mãos), meu nome já estava impresso em todo material do evento, as minhas palestras com salas completas (engraçado como ser sul americano é exótico na Austrália), seria muita falta de respeito e teria sido um enorme equívoco perder a oportunidade de conhecer um país tão fascinante.
Tudo que eu sabia da Austrália era o óbvio: cangurus, koalas, bumerangues, Crocodile Dundee, Russel Crowel, Nicole Kidman, Kylie Minogue e, claro, INXS (que eu adorava). Eu tinha ouvido falar de uma banda alternativa “Architecture in Helsinki”, que me chamou atenção por causa do nome. Ah… e um dos melhores filmes que vi na vida, “Casamento de Muriel”, com Toni Colette, é australiano.
Mas, olhando as fotos, antes de viajar, a impressão que eu tinha era de uma cidade cheia de prédios, igual a tantas outras americanas. Esse foi meu peu primeiro erro, pura desinformação, ao contrário do que imaginava, a Austrália (ou, pelo menos Melbourne) está muito mais próxima de uma cidade européia, que americana.
Tem o charme e a sofisticação do design e arquitetura sueca, sem a postura rigida dos suecos e tem os cafés com mesinhas na calçada chiquérrimos, como os de Paris, sem a chatice (excuse-moi) dos parisienses.
As pessoas são gentis, agradáveis, solícitas, educadas.
E o melhor de tudo, pra mim, foi que existe arte, muita arte, de todo tipo, e acessível a todo mundo. Os museus e a Galeria Nacional de Arte, ao contrário de Washington, são pagos, mas bem mais baratos que Nova York, numa faixa de 10, 15 dólares no máximo.
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Os preços, claro são proibitivos. O namorado de Bia, Simon é Simon Guggenheim e eu pensei em levar uma camiseta de presente pra ele… custava 50 dólares. Lojinha de museu em Melbourne é pra olhar. Só isso.
E o meu lugar preferido foi a Federation Square, praça construída para celebrar os 100 anos da Austrália (enquanto atual nação). A praça é a primeira foto desse post (lá em cima), lá ficam diversos museus e galerias de arte, e o que eu mais gostei (e onde voltamos várias vezes) foi o ACMI (Australian Centre for the Moving Image).
É fantástico. Pra quem vive lá, o ACMI tem vários cursos gratuitos, eventos, exibições, mas eu aproveitei mesmo foi o Memory Grid, um espaço de exibição de curtas interativo e com uma decoração ma-ra-vi-lho-sa e pode exibir seus curtas por lá, também.
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No Memory Grid você senta em almofadões ou em caixas (que parecem casulos), muito bem bolados e pode escolher os curtas que quer assistir. Tem também um espaço pra brincar de “movimento virtual”, como Ted na foto aí acima. Ele é filmado por uma câmera fazendo movimentos que são reproduzidos num personagem engraçadinho. Divertido pra adultos e crianças.
E tem o Game Lab que estava mostrando uma série de games que ganharam um festival que é o “Sundance” dos games, de 2007, nos EUA.
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Os games são ÓTIMOS. São vários computadores, alguns conectados em telões (dos quais eu fugi, claro, imagina meu péssimo desempenho reproduzido num telão gigante? hehehehe… ). Lembrei do meu irmão, Mabuse, que trabalha no C.E.S.A.R., Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, instiuição que foi a primeira a produzir jogos em 3D para celulares, no Brasil
Eu sempre adorei games, sou da geração Atari, incentivei Bia a jogar e só não jogo mais porque sei bem que ia ficar viciadíssima e já tem muito trabalho pra fazer com muitos vícios a me atrapalhar.
Esses games “alternativos”, que estavam lá no Game Lab de Melbourne são geniais porque usam criatividade, têm uma estética moderna e sofisticada e não têm os objetivos tradicionais de competitividade e violência.
Eu me apaixonei por Acquaria (apesar do nome, que lembra Sandy & Junior hehehe), que acalma, relaxa, é bem psicodélico. Sempre que podia, ia lá jogar mais um pouquinho, mas como sou muito perdida, a pobre Naija smepre voltava pro mesmo lugar…. mas não faz mal, não, o prazer era navegar com ela, nas cores e botá-la pra cantar.Delicioso. Foi o jogo que ganhou o festival, mas só nao compro porque não ia fazer mais nada da vida
Veja o trailer aqui.
Outro jogo que gostei muito, nao pela “ação”, mas pela estética, caricatura e ironia com a violência no futebol, foi a série The Ball of Bastards, que se joga com um óculos de 3d (por isso a qualidade da foto, aí abaixo, não é tão boa) entre eles, meu preferido é o Wall of Justice (dá pra jogar online, melhor ainda se você tiver um daqueles óculos de 3d com lente verde e vermelha), que consiste apenas em meter a bola na genitália ou na cara de uma das figuras (só identifiquei Beckham e Ronaldinho). A arte é ótima, vale dar uma olhada.

Enfim além do Memory Grid e do Games Lab também fomos, lá na Federation Square, à Ian Potter Centre que é a primeira grande galeria dedicada exclusivamente à arte australiana.
É uma super galeria de três andares, com arte colonial, contemporânea, indígena e o que eu mais amei foi uma exposição de roupas da designer Katie Pye (Clothes for Modern Lovers ou Roupas para Amantes Modernos) , com coisas lindas, muitas dos anos 80 e, algumas delas, totalmente usáveis!
Fiquei pensando que é a cidade ideal para ser jovem. Não que a gente não possa aproveitar depois, mas aos 20 anos, tem bem mais gente com toda essa tesão por produzir arte e em Melbourne, o governo parece investir nisso.
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Uma das características de Melbourne são suas “arcades” e “laneways”, lojinhas que ficam em pequenas galerias e de uma você vai pra outra, passando por uns beco charmosos com cafés e muito graffitte, colagem e stencil art.
É uma daquelas coisas que nem dá pra mostrar em fotos, tem que estar lá pra, realmente, sentir o que é, mas estou colocando algumas dessas imagens pra vocês terem uma idéia.
Melbourne é conhecida por ser um excelente lugar para fazer compras. Sei. Pra quem tem muito dinheiro, né? caramba, a cidade é MUITO cara! comida é cara, paguei 3 dólares por uma lata de refrigerante. Comprar roupinhas em lojas comuns, nem pensar.
No Mercado Queen Victoria, que já mostrei aqui, realmente dá pra se achar coisas australianas (made in china) baratíssimas, camisetas a 4 dólares, por exemplo. Mas, nas “arcades” e “lane ways” onde fica o comércio descolado, brechós, novos designers, eu só pude mesmo olhar e ficar perplexa com os preços. Uma camisetinha pode chegar a 240 dólares, fácil, fácil. Um colarzinho de borracha, 50 dólares. Beeeeeeeeem fora do meu orçamento.
Enfim, agora, estou cansada e preciso sair, Ted tá me esperando há horas, mas tinha que terminar esse post, senão ele não saía nunca…. perdoem a redação, podia ter sido mais caprichada mas falta inspiração, só espero que vocês possam ter tido uma idéia do que foi a “minha Melbourne” (como disse, outras pessoas poem ter visto outras coisas), charmosa, moderna, sofisticada, amigável e, principalmente, um banho de arte como em poucos lugares…
Ooooops…
Quase esqueço de comentar algo importantíssimo. Em todo banheiro público, tem uma caixinha como essa aí acima para que sejam jogadas agulhas usadas. Acho que o nível de civilidade e consciência de saúde pública de um país se mede pela sua capacidade de não jogar pra baixo do tapete os problemas que existem (viva o Baladaboa!).
Pena que, aparentemente, o governo australiano ainda precisa se preocupar em investir muito mais na saúde dos seus indígenas que vivem 17 anos a menos que um australiano não-indígena. Mas, faz tempo que descobri que nenhum lugar é perfeito.
Imigrantes
Mais uma coisa que tinha que comentar. Tem gente de todo mundo por lá, mas é interessante ver que os latinos daqui (dos EUA) são os tailandeses, chineses, malaios, filipinos. Em todo canto, o trabalho pesado é feito por asiáticos.
Aliás, no avião, vi um filme australiano muito interessante, Lucky Miles, que conta a história de imigrantes ilegais iraquianos e cambodjanos que são largados de um barco filipino, no fim do mundo (quando se fala em Austrália, fim do mundo é muito fim do mundo mesmo hehehehehe), com a promessa de que existia uma parada de ônibus por perto. O filme vai contando as aventuras desse pessoal no meio do nada, sem saber nem mesmo o que é um australiano ou como seria uma cidade do país, e ainda acreditando que serão benvindos. Muito bom.


























































































