As Muralhas da China – Mutianyu – Pequim
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Desde pequenininha, sonhava em conhecer as Muralhas da China e, naquela época, nem pensava que isso, um dia. seria possível. Ano passado, acabei sem tempo pra ir até lá. Mas, dessa vez, não poderia perder. Confesso que, apesar da curiosidade, tinha medo de me decepcionar, afinal, sei lá…”é só um muro!”
Mas, que nada! Isso é que é lugar de tirar o fôlego, em todos os sentidos.
Eu sabia que as Muralhas (de 6.350 km) têm vários pontos de visitação, e pra descobrir qual o melhor, recorri à minha bíblia de viagens, o site Tripadvisor, que gosto muito, por mostrar opiniões de viajantes de verdade e não empresas de turismo. Lendo essa página, vi que o melhor ponto de visitação das Muralhas é o Mutianyu, que ainda não é tão visitado e não fica tão distante (a cerca de 73 quilômetros de Pequim).
Dia desses, eu vi uma matéria no Globonews sobre as Muralhas e a quantidade de gente que tinha lá era de dar agonia, a jornalista deve ter caído numa roubada e foi parar no Badaling , que é pra onde quase todos turistas vão, estão até construindo hotéis por perto, é uma verdadeira multidão, todos dias, o que tira muito o charme do local.
Como vocês podem ver nas fotos, em Mutianyu tem gente, sim, mas também muitas áreas quase vazias, muita tranquilidade, em alguns momentos, entre uma torre e outra ficamos apenas eu e ted, e olha que era domingo! Isso seria impossível no Badaling.
A ida às Muralhas da China foi uma das coisas mais espetaculares que já fiz. Eu pensei que ia ser só uma paradinha “bate e volta”, mas, na verdade, a gente anda muito, mas muuuuuuuuuito mesmo.
A área de Mutianyu tem 22 torres, escolhemos subir pelo “bondinho” até a torre 14 e de lá, caminhar até a torre 6 (portanto, passamos por 8 torres) e de lá descer num “tobogã”.
Como eu sou muito descansada, comecei a demorar tirando fotos na torre 14, que é a mais alta e que tem melhores localizações pras fotos. Até que Ted me lembrou que tínhamos uma longa caminhada pela frente. Ainda bem que ele teve juízo, senão a gente ia levar muito mais tempo pra chegar lá embaixo e ia deixar todo mundo esperando.
É uma longa caminhada, principalmente pra gente fora de forma como nós dois
Apesar de que, como boa parte é em descida, é cansativo, sim, mas bem menos difícil do que parece.
Caminhamos, parando poucos minutos de vez em quando, cerca de uma hora. Pelo caminho, crianças fofíssimas e muito pequenas que fazem a caminhada com a maior energia, velhinhos devagar quase parando, muitos casais fotogrando, inclusive uma noiva super gracinha que adorou posar pra minhas fotos.
E cada lugar, mais bonito que o outro. Inesquecível.
A descida é uma delícia. A essa altura já estávamos exaustos e eu um pouco medrosa, pensando em como seria sentar numa coisa que parece um carrinho daqueles de descer ladeiras, e me largar montanha abaixo (nas últimas fotos acima dá pra ter uma idéia de como é).
Mas, o carrinho do tobogã tem um freio e acelerador, que é controlado por a gente e eu fui logo avisando a quem estava trás de mim, na fila, que eu pretendia ir bem devagar. Assim, a garotada esperou bastante que eu descesse (tem só uma fileira), pra poder começar a sua “aventura”. Ted foi na minha frente, mas parou no meio pra me esperar (tem lugares que dá pra parar totalmente.)
Quem for, pode descer sem medo, não tem perigo nenhum e muitas crianças descem com os país. Eu até dei uma acelerada e corri em algumas partes, mas, sempre que tinha uma curva ia devarzinho pro desespero dos funcionários que ficavam em cada curva gritando “corre, corre, não para” hehehehe… Uma hora, os garotos atrás de mim me alcançaram e eu comecei a gritar “para, para, olha eu aqui” hahahaha… mico.
Com 400 ou 500 RMB (entre 95 e 115 reais) dá pra contratar um taxi pra levar até três pessoas ao local (clar que eles pedem muito mais, tem de pechinchar). Nós demoramos a organizar a ida e acamos apelando pra uma agência, sabendo que não era a melhor opção, mas no final fomos num micro ônibus bem confortável, apenas um com casal de suecos que adoramos. Ótimo papo.
Pra vocês terem uma idéia da desorganização, nós pagamos 280RMB (R$ 66,00) e descobrimos que os suecos iam pagar apenas 200 (R$ 45,00)… tentamos discutir, mas o guia mostrou que não era culpa dele, se a gente não pagasse o combinado, ele é quem ia pagar. Xapralá…
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Como castigo por pagar quase a metade do taxi, tivemos que parar numa fábrica de Jade na ida e ouvir uma loooooooonga explicação sobre a história do jade, visitamos uma sala onde dois funcionários estavam demonstrando como fazem as peças de jade e, claro, fomos levados à loja, onde coisas absurdamente caras (algumas de 3 mil dólares) eram empurradas pra gente. Claro que não compramos nada.
Isso não é novidade, na India tivemos que visitar muita “fábrica” até chegar onde queríamos.
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Na volda da Muralha, a parada foi uma casa de chá em um hutong, bem pertinho daquele templo tibetano (lembram?). Lá, uma chinesa muito gentil contou a história de 4 mil anos do chá na China, mostrou como é feita a cerimônia do chá, nos fez provar chás de Jasmim (que eu adoro) e mais outros 5 sabores. Contou das maravilhas dos bules de barro, das xícaras de chá e canecas que, claro, depois foram oferecidas, assim como os chás a um preço indecente.
Eu e Ted agradecemos, mas dissemos que aqui em casa ninguém toma chá e saímos na hora. Os pobres dos suecos, ficaram constrangidos e acabaram comprando um potinho de chá a preço de ouro.
No final, apesar de irritar a prática de nos sequestrar e levar pra essas lojas, bem que aprendemos coisas interessantes nas duas visitas (principalmente a do chá) e tivemos ótimos momentos com os amigos suecos. Mas não nos sentimos, nem um pouco, na obrigação de comprar nada de ninguém.

Já ia esquecendo de comentar que, na volta, antes do chá, paramos num restaurante bem popular, na beira da estrada, para um almoço incluido no pacote da excursão. Essa galinha foi o prato principal. Imagina se alguém tocou nela?! os chineses que nos perdoem, mas era explícito demais pros nossos estômagos…
(Essa é a foto que prometi num post anterior. Aguardem que colocarei mais fotos da comida chinesa ainda essa semana.)





























































Chineses sao seriamente hierarquicos – coisa dificil pra mim – e reverenciam as autoridades. Na nossa tour para as Muralhas teve um momento daqueles inesqueciveis. Ted perguntou ao nosso guia:
Quando a gente le sobre evitar horarios de pico nas principais atracoes das cidades, por causa da enorme quantidade de turistas na China, pensa nos americanos de camisa florida e camera fotografica pendurada no pescoco.
Os turistas chineses, em si, sao uma atracao, se voce tiver boa vontade e paciencia. Principalmente porque nas duas vezes em que pude observa-los, estava de saida e eles estavam chegando, portanto nao me incomodaram nada. Achei bonito de ver a admiracao e emocao do velhinho chines, que parece bem pobrezinho e deve ter vindo de uma vila distante, diante do trono do imperador na Cidade Proibida.
Como em qualquer lugar do mundo, pegar um taxi e’ uma aventura. Eu e Ted viemos em voos separados, ele chegou algumas horas antes de mim. Chegamos no mesmo aeroporto e fomos pro mesmo hotel. Assim que eu entrei no taxi pedi, com firmeza que ele ligasse o taximetro (gesticulando). Ele fez cara feia, enrolou, eu fiz que ia descer. Ele ligou o meter. Eu pague 79RMB. Ted pagou 450RMB. Que meu maridinho me perdoe, mas em taxis, “mane’ e’ mane’ e malandro e’ malandro”.
Sem duvida nenhuma. Pensa bem, se eles nao falam ingles quase nenhum, qual a diferenca? Eu fui ao Nepal ha’ 12 anos atras, com um ingles pobrinho e estava sozinha, fiz uma tour num carro com dois nepali que me levaram pra Kathmandu, Bakhtapur e Phokara. Eles nao me contaram nada da historia do pais, mas eu tambem nao ia entender 







































