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    Denise | China,Fotografia,Xangai | Sunday, 11 May 2008
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    As Muralhas da China – Mutianyu – Pequim

    Denise | China,Pequim | Monday, 05 May 2008

    Desde pequenininha, sonhava em conhecer as Muralhas da China e, naquela época, nem pensava que isso, um dia. seria possível. Ano passado, acabei sem tempo pra ir até lá. Mas, dessa vez, não poderia perder. Confesso que, apesar da curiosidade, tinha medo de me decepcionar, afinal, sei lá…”é só um muro!” :-)

    Mas, que nada! Isso é que é lugar de tirar o fôlego, em todos os sentidos.

    Eu sabia que as Muralhas (de 6.350 km) têm vários pontos de visitação, e pra descobrir qual o melhor, recorri à minha bíblia de viagens, o site Tripadvisor, que gosto muito, por mostrar opiniões de viajantes de verdade e não empresas de turismo. Lendo essa página, vi que o melhor ponto de visitação das Muralhas é o Mutianyu, que ainda não é tão visitado e não fica tão distante (a cerca de 73 quilômetros de Pequim).

    Dia desses, eu vi uma matéria no Globonews sobre as Muralhas e a quantidade de gente que tinha lá era de dar agonia, a jornalista deve ter caído numa roubada e foi parar no Badaling , que é pra onde quase todos turistas vão, estão até construindo hotéis por perto, é uma verdadeira multidão, todos dias, o que tira muito o charme do local.

    Como vocês podem ver nas fotos, em Mutianyu tem gente, sim, mas também muitas áreas quase vazias, muita tranquilidade, em alguns momentos, entre uma torre e outra ficamos apenas eu e ted, e olha que era domingo! Isso seria impossível no Badaling.

    A ida às Muralhas da China foi uma das coisas mais espetaculares que já fiz. Eu pensei que ia ser só uma paradinha “bate e volta”, mas, na verdade, a gente anda muito, mas muuuuuuuuuito mesmo.

    A área de Mutianyu tem 22 torres, escolhemos subir pelo “bondinho” até a torre 14 e de lá, caminhar até a torre 6 (portanto, passamos por 8 torres) e de lá descer num “tobogã”.

    Como eu sou muito descansada, comecei a demorar tirando fotos na torre 14, que é a mais alta e que tem melhores localizações pras fotos. Até que Ted me lembrou que tínhamos uma longa caminhada pela frente. Ainda bem que ele teve juízo, senão a gente ia levar muito mais tempo pra chegar lá embaixo e ia deixar todo mundo esperando.

    É uma longa caminhada, principalmente pra gente fora de forma como nós dois :-) Apesar de que, como boa parte é em descida, é cansativo, sim, mas bem menos difícil do que parece.

    Caminhamos, parando poucos minutos de vez em quando, cerca de uma hora. Pelo caminho, crianças fofíssimas e muito pequenas que fazem a caminhada com a maior energia, velhinhos devagar quase parando, muitos casais fotogrando, inclusive uma noiva super gracinha que adorou posar pra minhas fotos.

    E cada lugar, mais bonito que o outro. Inesquecível.

    A descida é uma delícia. A essa altura já estávamos exaustos e eu um pouco medrosa, pensando em como seria sentar numa coisa que parece um carrinho daqueles de descer ladeiras, e me largar montanha abaixo (nas últimas fotos acima dá pra ter uma idéia de como é).

    Mas, o carrinho do tobogã tem um freio e acelerador, que é controlado por a gente e eu fui logo avisando a quem estava trás de mim, na fila, que eu pretendia ir bem devagar. Assim, a garotada esperou bastante que eu descesse (tem só uma fileira), pra poder começar a sua “aventura”. Ted foi na minha frente, mas parou no meio pra me esperar (tem lugares que dá pra parar totalmente.)

    Quem for, pode descer sem medo, não tem perigo nenhum e muitas crianças descem com os país. Eu até dei uma acelerada e corri em algumas partes, mas, sempre que tinha uma curva ia devarzinho pro desespero dos funcionários que ficavam em cada curva gritando “corre, corre, não para” hehehehe… Uma hora, os garotos atrás de mim me alcançaram e eu comecei a gritar “para, para, olha eu aqui” hahahaha… mico.

    Com 400 ou 500 RMB (entre 95 e 115 reais) dá pra contratar um taxi pra levar até três pessoas ao local (clar que eles pedem muito mais, tem de pechinchar). Nós demoramos a organizar a ida e acamos apelando pra uma agência, sabendo que não era a melhor opção, mas no final fomos num micro ônibus bem confortável, apenas um com casal de suecos que adoramos. Ótimo papo.

    Pra vocês terem uma idéia da desorganização, nós pagamos 280RMB (R$ 66,00) e descobrimos que os suecos iam pagar apenas 200 (R$ 45,00)… tentamos discutir, mas o guia mostrou que não era culpa dele, se a gente não pagasse o combinado, ele é quem ia pagar. Xapralá…

    Como castigo por pagar quase a metade do taxi, tivemos que parar numa fábrica de Jade na ida e ouvir uma loooooooonga explicação sobre a história do jade, visitamos uma sala onde dois funcionários estavam demonstrando como fazem as peças de jade e, claro, fomos levados à loja, onde coisas absurdamente caras (algumas de 3 mil dólares) eram empurradas pra gente. Claro que não compramos nada.

    Isso não é novidade, na India tivemos que visitar muita “fábrica” até chegar onde queríamos.

    Na volda da Muralha, a parada foi uma casa de chá em um hutong, bem pertinho daquele templo tibetano (lembram?). Lá, uma chinesa muito gentil contou a história de 4 mil anos do chá na China, mostrou como é feita a cerimônia do chá, nos fez provar chás de Jasmim (que eu adoro) e mais outros 5 sabores. Contou das maravilhas dos bules de barro, das xícaras de chá e canecas que, claro, depois foram oferecidas, assim como os chás a um preço indecente.

    Eu e Ted agradecemos, mas dissemos que aqui em casa ninguém toma chá e saímos na hora. Os pobres dos suecos, ficaram constrangidos e acabaram comprando um potinho de chá a preço de ouro.

    No final, apesar de irritar a prática de nos sequestrar e levar pra essas lojas, bem que aprendemos coisas interessantes nas duas visitas (principalmente a do chá) e tivemos ótimos momentos com os amigos suecos. Mas não nos sentimos, nem um pouco, na obrigação de comprar nada de ninguém.

    galinha%20beijing.jpg

    Já ia esquecendo de comentar que, na volta, antes do chá, paramos num restaurante bem popular, na beira da estrada, para um almoço incluido no pacote da excursão. Essa galinha foi o prato principal. Imagina se alguém tocou nela?! os chineses que nos perdoem, mas era explícito demais pros nossos estômagos…

    (Essa é a foto que prometi num post anterior. Aguardem que colocarei mais fotos da comida chinesa ainda essa semana.)

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    Porque os chineses não devem levar a má fama
    do governo chinês

    Denise | China | Saturday, 03 May 2008

    jornal_tibet.jpg

    Acabei de ler um post do Gilberto Scofield sobre os boicotes e ataques à China e ele toca, de certa forma, numa coisa que eu queria falar aqui.

    É muito, muito importante que a gente não confunda essas manifestações contra as arbitrariedades e crimes do governo chinês com a China e seu povo. Existe um sentimento de preconceito e ódio crescente em relação ao país que eu acho assustador e muito triste. E bem parecido com o ódio fermentado contra os americanos, como se todos fossem responsáveis pelo Bush (que ganhou a eleição com uma margem ridícula e no roubo!).

    O povo chinês não pode ser estigmatizado e responsabilizado pelas cinco décadas de invasão do Tibet.

    Muita gente não lembra ou nem sabe, mas o Brasil já teve censura e seus meios de comunicação totalmente controlados e, nessas situações, a gente só sabe o que querem que se saiba. Nos anos 70, as pessoas estavam morrendo e sendo torturadas nos porões da ditadura, mas a maioria da classe média estava feliz e entusiasmada com o milagre econômico, comprando televisão e eletrodomésticos.

    Apesar da China ter o maior número de usuários de internet do mundo, o que eles acessam é controlado. E mesmo que não fosse, a maioria não lê outro idioma e navega mesmo nos sites de noticias em mandarim e lê o que querem que leiam.

    Todos os dias, lia o China Daily (http://www.chinadaily.com.cn/) que, apesar de ser um grande jornal, é publicado inglês, portanto lido por uma minoria de chineses. Ainda assim, é chocante o que se escreve, diariamente, sobre o Dalai Lama e os protestos de tibetanos.

    dalai_l.jpgEle é personificado como um mentiroso, diabólico, maquiavélico, que tem como missão destruir a imagem da China (e dos chineses) para o mundo e que vive por opção própria, fora do Tibet e que lá, ele não é mais considerado líder espiritual. E mais, segundo a imprensa, o que o Dalai Lama pretende é instaurar a teocracia.

    Por outro lado, os jornais mostram a generosidade do governo chinês, que apenas tenta melhorar o padrão de vida dos tibetanos e não se cansam de mostrar (foto acima), todas as “maravilhas” feitas pelo governo chinês em Lhasa (capita do Tibet):

    “Lhasa está cada vez mais bonita. Olhe a paisagem ao redor. (…) O Tibet não seria o que é se não fosse pela persistente ajuda dos cofres do Estado e da variedade de programas de ajuda (…)

    Fontes da Comissão de Reforma e Desenvolvimento da região autônoma do Tibet afirmaram que os projetos de renovação custam 87 milhões de RMB (cerca de US$12.4 milhões) (…) e nove em cada 10 RMB aplicados nessa reforma vêm do “Governo Central (Governo Chinês)”

    Não duvido que estejam mesmo investindo pesado no desenvolvimento da região. Ainda Segundo o jornal:

    “O PIB do Tibet é de mais de 12,000RMB em 2007, quase o dobro de 2002 e , pelo sétimo ano consecutivo, manteve um crescimento annual de 12%”

    No artigo “Figures and facts: five decades of Tibet’s development”, o jornal mostra as “vantagens” da ocupação do Tibet pela China.

    Essa informação filtrada é o que os chineses recebem.

    estudantestibetanas.jpgNão sei o quanto esses dados econômicos são reais, mas como incrível crescimento da China, não acho impossível. De qualquer forma, a informação controlada é sempre difícil de checar, claro que o desenvolvimento da região, sendo real, é uma boa estratégia para tentar manter o povo tibetano satisfeito com o domínio chinês.

    Por isso, a minha impressão (na minha curtíssima temporada, talvez alguém que vive ou viveu lá possa falar mais) é que os chineses, em geral, não entendem o porquê do ataque mundial à China, que está apenas “trazendo desenvolvimento ao Tibet”.

    O Dalai Lama, por sua vez, afirma que não está buscando a independência para o Tibet, mas autonomia em relação à China e pede apenas que sejam respeitadas as tradições e a cultura do povo, que estão se perdendo com o imperialismo chinês na região.

    Enfim, claro que eu defendo a posição do Dalai Lama e, sabendo do efeito devastador da colonização chinesa em países como Vietnam, dá muita pena pensar que, em pouco tempo, não saberemos mais o que era o Tibet. Mas, o povo chinês não deve ser atacado por isso.

    É preciso evitar botar tudo num pacote como se o inimigo fosse “a China”. Não, eles são tão vítimas quanto os tibetanos, pela ignorância, censura a desinformação em que vivem.

    Veja (e ouça) também:

  • Ouça relato do repórter Caio Vilela sobre o Tibete
  • Lhasa, a capital do Tibete, é hoje uma cidade “chinesa”

    Fotos: (1) Jornal China Daily, (2) Dalai Lama e (3) estudantes tibetanas recebendo a tocha em Lhasa.

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    Cidade Proibida – Pequim – China

    Denise | China,Pequim | Friday, 02 May 2008

    Volto com mais fotos e conversas, assim que puder, agora tá difícil… vão vendo aí o cenário do Último Imperador (sem a produção de Bertolucci, acho que fica bem sem gracinha, mas o povo dá o tom!).

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    China – Pequim & Xangai 2

    Denise | China,Pequim,Viagens,Xangai | Tuesday, 29 April 2008

    china_2008_a.jpg

    Apesar de ter como mantra a ideia de que que reclamar nao adianta de nada e vale a pena tentar viver seja la’ onde for, aceitando as diferencas e tentando se irritar o minimo possivel, devo dizer que entendo o pessoal que mora em um pais tao diferente e nao para de reclamar, viver num pais que parece outro planeta nao e’ facil mesmo.

    Entre uma coisa e outra, consegui botar na telinha algumas das minhas reflexoes e conclusoes sobre a China e os chineses. Nao se esgota aqui, claro. Em breve colocarei mais fotos e, se voce tiver alguma duvida, basta perguntar.

    Como eles sao

    IMG_1398.jpg

    Ainda nao consegui identificar “o povo chines”, e desconfio que com bilhoes de pessoas de diversas culturas, costumes, etnias, rural e urbana, rica e pobre, e’ impossivel defini-los homogenicamente. No geral, acho que os chineses sao amigaveis, mas nao se engane, podem ser quase violentos na rua, se nao quiserem ser fotografados (apesar de ser raro, no geral, posam pras fotos ou as ignoram).

    Dizem que, com a politica de filhos unicos, sao todos uns bebezoes mimados. Nao sei se e’ verdade, mas que os pais morrem de orgulhos dos seus filhos, isso ta’ na cara e, ao contrario de outros paises ocidentais – onde o pavor em relacao a pedofilia faz com que fotografar criancas pareca algo perigosissimo – eles adoram quando voce pede pra tirar fotos de suas crias (que sao as coisas mais fofas do mundo!).

    Existem enormes diferencas entre Xangai e Pequim, mas nao concordo com tudo que li no meu livro guia das cidades. La’, dizem que os habitantes de Pequim sao mais arredios e em Xangai o povo e’ mais cordial, quase submisso aos turistas, por ser uma cidade mais moderna e mais direcionada ao lucro e perceberem a importancia do turismo.

    Nao sei porque, mas minha impressao foi o oposto, achei o pessoal em Pequim muito mais gentil e os xangainenses mais arrogantes, mais duros, as poucas situacoes em que senti alguma animosidade foi em Xangai, nao em Pequim.

    De qualquer forma, a briga Pequim x Xangai rende. O mais engracado e’ quando voce provoca, perguntando a um e a outro, quais as vantagens de sua cidade… um de cada vez, claro.

    Mas, resumindo, minha experiencia com chineses e’ otima, a questao e’ tentar entender o povo com seus olhos, nao os nossos, eles podem parecer rispidos, desconfiados, ou extremamente gentis e atenciosos, como o pessoal com que eu estou trabalhando e o pessoal da equipe de Ted. Acho que, sao mesmo e’ diferentes da gente. So’ isso.

    Historinha sobre privacidade

    IMG_1350.jpg

    A questao da falta de privacidade e’ bem interessante. Um dia, ao descer para o cafe’ da manha, fomos levados pela hostess – em um restaurante quase vazio – para uma mesa colada a outra onde estavam duas senhoras americanas, gentilmente pedi pra nos indicar outra mesa, pra alivio das duas.

    Ai Ted contou uma historia de uma aluna de doutorado, que ele orientava em Estocolmo, que entrou num metro completamente vazio e sentou na cadeira ao lado de uma sueca que, obviamente, deve ter entrado em panico e desceu na proxima parada… hehehehe… nao posso pensar em duas culturas mais opostas, a “zona de conforto” sueca e’ enorme, quanto mais longe, melhor.

    Para os chineses, isolamento nao e’ opcao, e’ quase castigo.

    O ritmo deles

    IMG_1325.jpg

    Nao sei porque, mas, dessa vez, o ritmo chines, nas ruas, me incomodou mais. Nao e’ que sejam mais lentos, como a gente pensa, e’ um ritmo totalmente individualista, que cria um caos numa rua entupida de gente. Apesar dos chineses estarem sempre acompanhados, a ideia de pensar nos seus movimentos em termos de “coletivo” parece desconhecida por aqui.

    As pessoas andam na sua frente numa lentidao de matar (nada me irrita mais nas ruas). Por outro lado, se tiverem pressa, passam por cima de voce, sem do’ nem pena. Ando muito mal acostumada com a enorme cordialidade dos americanos (sim, eles tem virtudes, tambem!) nos lugares publicos, onde dizem “excuse me” ate’ se voce encostar o cabelo neles. Aqui, tenho sido arrastada pra um lado e pro outro e isso me da’ nos nervos.

    Hierarquia

    IMG_1096.jpgChineses sao seriamente hierarquicos – coisa dificil pra mim – e reverenciam as autoridades. Na nossa tour para as Muralhas teve um momento daqueles inesqueciveis. Ted perguntou ao nosso guia:

    - Quem foi mesmo o cara (guy) que construiu a Cidade Proibida?

    A gente viu os olhinhos apertados do chines dando mil voltas e uma fumacinha de incompreensao saindo da sua cabeca, antes dele responder:

    - Nao foi um “cara”…

    Na pausa que ele fez pra respirar antes de continuar solenemente, Ted disse que pensou: “Como assim? foi uma mulher??”

    O guia continuou, com toda pompa:

    “- …foi um imperador!!!”

    Gente, foi o momento mais fofo dessa viagem!

    Turistas chineses

    sm_IMG_0649.jpgQuando a gente le sobre evitar horarios de pico nas principais atracoes das cidades, por causa da enorme quantidade de turistas na China, pensa nos americanos de camisa florida e camera fotografica pendurada no pescoco.

    Bom, e’ verdade que e’ preciso evitar o meio da tarde, senao a gente nao consegue nem andar. Mesmo tendo uns ocidentais aqui e ali, esse mundo de gente que invade Pequim e Xangai (pelo menos fora do periodo das Olimpiadas) e’ todo chines mesmo!

    Sao centenas, milhares de chinesinhos, muitos deles bem velhinhos, geralmente vestidos todos com um colete e bone da mesma cor. A/O guia empunha uma enorme flor de veludo colorida, que deve ser seguida, para que nao se percam (nao sei como diferenciam a flor de um guia da flor de outro, ja’ que esse instrumento de identificacao e’ vendido nas ruas, a quem quiser e nao sao muitas as opcoes…

    sm_IMG_0640.jpgOs turistas chineses, em si, sao uma atracao, se voce tiver boa vontade e paciencia. Principalmente porque nas duas vezes em que pude observa-los, estava de saida e eles estavam chegando, portanto nao me incomodaram nada. Achei bonito de ver a admiracao e emocao do velhinho chines, que parece bem pobrezinho e deve ter vindo de uma vila distante, diante do trono do imperador na Cidade Proibida.

    Nos somos iconoclastas, sacaneamos com o museu do imperio la’ em Petropolis, e contamos historias de arrepiar da nossa familia real (claro, ela nem era nossa, por isso a diferenca…), os ingleses fazem piada da rainha, mas na China, a historia e’ reverenciada, mesmo apos a revolucao Cultural que tentou apaga-la (ou exatamente por causa disso). A visita dos chineses a Cidade Proibida e’ um espetaculo a parte, na minha opiniao.

    Transporte publico – Metro

    IMG_1179.jpg

    E’ possivel e baratissimo andar de metro pra quase todo lado, por aqui. A estrutura de metro em Xangai e Pequim (assim como em Guangzhou) e’ boa, em Pequim, a malha foi renovada, algumas linhas sao excelentes, sofisticadas, ar condicionado agradavel (pra mim) e muito, muito barato. Vai mudar, mas agora, com 2 RMB (1 US$ = 7 RMB) pode-se ir pra todo lado.

    So’ tem um problema… os chineses. Sinto muito a afirmacao tao preconceituosa, mas nao existe outro momento em que eu tenha menos paciencia com os chinseses que no metro. Eles nao respeitam a fila pra comprar os tickets, correm pra passar na sua frente, nao esperam voce sair pra entrar no trem.

    Por outro lado, mesmo quem nao vai descer do trem, nem tao cedo, prosta-se na frente da porta e nao arreda o pe’, quando a porta abre. Nao adianta dizer um inutil “excuse me” ou dar a entender que precisa descer, tem que fazer como eles e passar por cima (coisa que me deixa muito constrangida!).

    Alem disso, tem mais dois probleminhas, o cheiro de alcool e’ absurdo. Nunca tinha percebido antes, mas num trem lotado o odor de bebida e’ quase insuportavel. E mais, eles escarram no metro. A palavra e’ meio dura, mas o que eles fazem nao e’ bem “assoar o nariz”, e’ escarrar mesmo, com todo barulho possivel. Vi garotas de 17 anos fazendo isso no metro. Campanhas estao sendo feitas pra evitar que cuspam nas ruas, mas pelo jeito esse habito de milenios nao vai ser maquiado nessas olimpiadas.

    A delicada relacao motorista de taxi e passageiro

    IMG_1425.jpgComo em qualquer lugar do mundo, pegar um taxi e’ uma aventura. Eu e Ted viemos em voos separados, ele chegou algumas horas antes de mim. Chegamos no mesmo aeroporto e fomos pro mesmo hotel. Assim que eu entrei no taxi pedi, com firmeza que ele ligasse o taximetro (gesticulando). Ele fez cara feia, enrolou, eu fiz que ia descer. Ele ligou o meter. Eu pague 79RMB. Ted pagou 450RMB. Que meu maridinho me perdoe, mas em taxis, “mane’ e’ mane’ e malandro e’ malandro”.

    Ainda assim, em Hanoi, peguei um taxi com um taximetro tao enlouquecido que pedi pra descer antes da hora. Tem tambem, claro, a estrategia de dar mil voltas, o que eu faco e’ abrir um mapa na cara do motorista e tento – ou dou a entender que estou – identificando onde estou… enfim, acho essa relacao tao estressante que, ainda que o taxi seja baratissimo (ontem fui do hotel ao centro historico por 19RM), acabo preferindo metro.

    Pra quem pretende ir a China e andar de taxi (ou mesmo se for de outros meios), a dica e’ SEMPRE ter os nomes dos lugares pra onde quer ir em chines. Naqueles sinais locais mesmo, nao adianta de nada dizer que quer ir pra “Forbidden City”, muito provavelmente, ninguem vai entender o que voce quer dizer. Mesmo nos taxis que ficam em frente aos melhores hoteis.

    Eu nao falo ingles, posso ir pra China?

    IMG_1219.jpgSem duvida nenhuma. Pensa bem, se eles nao falam ingles quase nenhum, qual a diferenca? Eu fui ao Nepal ha’ 12 anos atras, com um ingles pobrinho e estava sozinha, fiz uma tour num carro com dois nepali que me levaram pra Kathmandu, Bakhtapur e Phokara. Eles nao me contaram nada da historia do pais, mas eu tambem nao ia entender :-) eu diria que e’ quase menos estressante ir pra China sem falar ingles do que ir pra Inglaterra. Definitivamente, e’ muito mais facil do que ir pra Franca, sem falar frances.

    O unico problema e’ ter em maos, sempre, os enderecos de onde voce pretende ir em mandarim (como dise ai acima, procure nos sites e imprima direto de la’). Eu deixei de ir a dois mosteiros aqui porque nao teve jeito de encontra-los.

    Comida para quem precisa

    IMG_1294.jpg

    Como ja’ devo ter dito aqui, da ultima vez, nem pensem que vai ser moleza porque voces “adoram comida chinesa”. Nada mais equivocado, a comida chinesa no Ocidente foi totalmente adaptada aos sabores locais, o que a gente tem aqui e’ uma coisa – pra mim – muito dificil de engolir. Claro que, nos grandes centros, tem restaurante de todo canto (inclusive varias churrascarias brasileiras), mas se voce esta’ no meio da rua, num Hutong ou centro historico, se nao quiser se render as McDonalds (as vezes, nao tem nem isso), nao tem muitas opcoes.

    Na volta da Muralha da China, paramos em um restaurante ainda mais original, com comidinha totalmente tipica da regiao. Estavamos eu e Ted e um casal de suecos. Quase morremos de rir, porque a unica solucao, com a mesa cheia de pratos diferentes, foi comer muito arroz com molho de soja e uma verdura verde mais identificavel. A foto ao lado (em breve) mostra a galinha que nos foi servida. Por sorte, esqueceram nosso porco, imagina se viesse assim tao, er… digamos “explicito”!

    Tentei, mais uma vez, comer os famosos e badalados dumplings. O primeiro foi suportavel, apesar de ter um recheio de porco doce. No dia seguinte, fui sorteada com um recheio de peixe pavoroso.

    Enfim, nao sou a pessoa mais sofisticada em termos gastronomicos, mas mesmo os nossos amigos suecos, refinadissimos nao conseguiram comer nem o famoso pato laqueado.

    Nesses dias, comemos muito no hotel, fazemos nosso farnel no supermercado, o trivial pao e queijo, biscoitinhos e nozes. Comi galinha ao curry, pizza, comida tailandesa, desisti da chinesa de vez. A boa surpresa foi um picole’ de leite com pedacos de fruta com um desenho de uma vaquinha na embalagem. Comi a primeira vez na Cidade Proibida e agora estou viciada.

    Hoje, vamos a um jantar oferecido pelo pessoal (chines, claro) com quem estou trabalhando. Nessas horas, apelo pra “sou vegetariana”, assim, ao menos escapo das carnes esquisitas. na ultima vez, nos levaram a um restaurante vegetariano que mimetiza todas as comidas carnivoras. Assim, comemos pato ‘a Pequim totalmente vegetariano. Melhor assim.

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    Patriotismo

    Denise | China | Tuesday, 29 April 2008

    bandeiras_china.jpg

    Acabei de ver no blog da Juliana, aqui de Pequim (queria tanto ter ligado pra ela, mas dessa vez, nao deu pra encontrar ninguem, tenho compromissos o tempo todo), sobre essas bandeiras espalhadas nos dormitórios dos estudantes do Instituto de Tecnologia de Pequim (que fica aqui perto). Esta’ explicado porque o dia amanheceu com bandeiras por todo lado e esse moco ai, todo enfatiotado, parou um pouco pra descansar antes de espalhar mais um pouco de patriotismo pela cidade.

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    Pequim & Xangai 2008

    Denise | China,Pequim,Viagens,Xangai | Monday, 28 April 2008

    Estou super ocupada. Apenas umas fotinhas, pra voces terem uma ideia do que andei vendo por aqui, assim que puder, escrevo mais.

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    Templo Tibetano em Beijing

    Denise | China,Diversos | Thursday, 24 April 2008

    Nao estava muito animada pra vir pra ca’, dessa vez. Ando cansada, com muito trabalho que acumula quando eu viajo, precisando cuidar mais de mim, malhar, fazer regime de verdade, criar uma rotina. Alem do mais, essa situacao Tibet X China, que nao e’ novidade, mas piorou com os ultimos incidentes, me deixou ainda um pouco mais “melancolica” pra vir pra ca’. Mas, em chegando aqui, fiquei felicissima da vida. Eu adoro a Asia.

    Vai ver que, pra compensar, o primeiro passeio que fiz aqui em Beijing, foi a um Templo Tibetano, que nao tive tempo de ver da ultima vez. Esse foi um lugar que de uma paz tao grande, que foi como um recarregador de baterias para os dias que tenho pela frente.

    Yonghégong – Templo Lama da Harmonia e da Paz

    Tem muita coisa que nao tive tempo de ver na viagem anterior, por isso fiquei feliz com a nova oportunidade. Comecei devagarinho, com um dos maiores e mais importantes templos tibetanos fora do Tibet, o Yonghégong, que fica a apenas tres estacoes de metro do nosso hotel e cuja passagem custou CNY 2 (Yuan Renminbi) ou R$ 00,47.

    O templo comecou a ser construido em 1694, durante a Dinastia Qing, inicialmente era moradia de principes e imperadores, mas em 1744, se tornou um “lamasterio”, uma escola de monges Geluk (de chapeu amarelo), uma linha do budismo tibetano (seguida pelo Dalai Lama cuja foto, por motivos obvios nao esta’ em nenhuma das suas paredes).

    Tambem conhecido como o Palacio da Harmonia e da Paz, foi fechado, mas escapou da destruicao durante a Revolucao Cultural (que definia os “quatro velhos”, “velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e velhos habitos”) e foi reaberto ao publico em 1981. Hoje, vivem cerca de 70 monges por la’.

    Com 480 metros (de norte a sul) e 20 saloes (que nao podem ser fotografados por dentro), o templo e’ belissimo Cada salao tem um nome daqueles so’ os asiaticos sabem dar, como Yongyoudian (Salao da Protecao sem Fim), Falundian (Salao da Roda da Lei) e Wanfuge (Pavilhao das Dez Mil Felicidades)

    Esse ultimo, tem tres mezzaninnos e dezenas de milhares de estatuas de Buda. E’ onde fica uma estatua de Buda de 23 metros, com uma plaquinha do Guiness Record ao lado, atestando que e’ a maior escultura de Buda do mundo feita de madeira de uma unica arvore, sandalo branco (trazida do Tibet!). Mesmo sem ser permitido, nao resisti e fiz essa fotinha ao lado, pra voces terem uma ideia da grandiosidade desse Buda.

    Esse templo nao estava nem no meu livro guia de Beijing/Shanghai, mas foi uma das coisas mais bonitas e interessantes que eu vi por aqui. Fiquei a tarde toda por la’, lagarteando num friozinho delicioso com um sol bem agradavel. Gosto muito de ver a fe’ das pessoas, acendendo seus incensos e se curvando diante dos saloes (nao e’ permitido levar incenso para dentro, onde ficam as imagens, entao, as pessoas reverenciam de fora mesmo).

    Os chineses do povao sao umas gracinhas, gostam de turistas, riem, alguns tentam se comunicar, me sinto muito bem em Beijing (claro que morar aqui deve ser outra coisa…)

    A entrada custa CNY 25 (R$ 6,00) e fica aberto todos os dias entre 9 da manha e quatro da tarde. O templo fica do lado da estacao de metro, ou pode ser acessado de onibus pelas rotas 13, 18, 44, 62, 116, 407 e 807.

    (Gente, a Denise continua sem acesso. Assim que, quem publicou este texto fui eu, Vanessa, que ela me mandou por e-mail).

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    Notícias da China

    Denise | China | Tuesday, 22 April 2008

    Gente, aqui é a Vanessa, do Inconfidência Mineira.

    A Denise não está conseguindo acessar o próprio blog (imaginem que angústia!) e por isso me pediu pra avisar que chegou bem, mas que não sabe quando vai conseguir publicar outro post e fotos da viagem.

    Ela espera que no domingo, já em Shanghai, as atividades do Síndrome de Estocolmo voltem ao normal.

    Por enquanto, continuem comentando no post abaixo (cujo enfoque é realmente genial).

    Beijos a tod@s!

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    Beijing – Shanghai, novamente

    Denise | China,Viagens | Wednesday, 16 April 2008

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    Lá vou eu de novo.

    No ano passado, quando estive na China, fiz alguns contatos e vinha trocando uns emails e começando um trabalho com um grupo de lá. Pra dar continuidade, precisava ter umas reuniões “ao vivo” (e vou fazer uma palestra também), mas estava esperando pra marcar uma época em que Ted também tivesse algum compromisso com a equipe dele da China pra gente ir junto.

    Então, estamos indo na próxima segunda-feira pra Beijing e Shanghai e vamos ficar pouco mais de 10 dias por lá. Depois Ted segue pra India e eu volto pra casa. Vou ter menos tempo para fazer fotos e blogar do que da última vez, mas terei dias livres e vou tentar escrever sobre o que não escrevi da última vez.

    Ia fazer uma surpresa pra vocês, só contando quando estivesse por lá, mas lembrei que seria bom avisar a quem estiver pensando em fazer algum pedido no brechó pra resolver logo porque o sábado será o último dia em que poderei colocar alguma coisa no correio.

    Por isso, ando hiper ocupada e sem poder escrever nada muito “decente” no blog, mas tenho que deixar muita coisa preparada por aqui, antes da segunda-feira!

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    Minhas últimas impressões sobre a China

    Denise | China,Viagens | Wednesday, 11 July 2007

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    O post abaixo, sobre a Austrália, foi só um intervalo, mas não conseguiria fazer nada, se não escrevesse esse post pra vocês, finalizando a minha viagem para a China, compartilhando as minhas últimas impressões e respondendo às perguntas que vocês deixaram aqui sobre a terra de Mao Zedong. Vou fazer isso em tópicos, fica mais fácíl de ler.

    Queria ter tido um caderninho comigo, onde teria anotado todas as vezes que pensei: “preciso contar isso no blog”, infelizmente, nunca tinha papel e caneta e muita coisa se perdeu, mas vou escrevendo e puxando pela memória. Na próxima, anotarei tudo.

    Um pouco de história

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    Seria muito pretensioso da minha parte escrever sobre a longa e complexa história chinesa em poucas linhas e eu acho que o mais importante é que eu escreva sobre o que eu experimentei e ouvi por lá. Então, sugiro que, quem não conhece a história do país, principalmente da Revolução Cultural (ou Revolução Maoista) dê uma lidinha antes nesse link (História Antiga) e nesse link (Revolução Cultural Chinesa), depois volte aqui.

    O que eu posso dizer é que esse é o país comunista menos comunista que já visitei. Vi muito mais símbolos do comunismo nos países ex-comunistas do Leste Europeu (Letônia e Lituânia) do que na China, mas basta uns diazinhos por lá pra perceber que é apenas aparência. O Partido Comunista continua forte e Mao ainda “existe”, e não é só nas bolsas e bugigangas vendidas para turistas.

    china_final_2.jpgConversando com meus amigos, descobri que os jovens mal sabem quem foi Mao Tse Tung (ou Mao Zedong).

    Segundo ele, os jovens se interessam muito pouco pela Revolução Cultural, mas Deng Xiaoping, apesar de ter sido responsável pelo massacre na Praça da Paz Celestial, é visto como [idolo, por ter sido responsável pela abertura econômica do país. É dele a frase: “Pouco importa qual é a cor do gato, o importante é que ele pegue os ratos.”. Veja também: “China: 50 Anos da Revolução”.

    Lembram umas fotos que fiz no Templo Celestial, onde aparecem algumas mulheres de meia idade comigo? tudo começou quando eu estava fotografando algumas delas fazendo tai chi chuan, nos jardins.

    Depois, fui sentando perto, rindo pra elas e elas apontaram para minha bolsa com a imagem de Mao e riram muito, demonstrando aprovação. Eu me aproximei e ficamos amigas (lá embaixo conto mais sobre isso), o que foi interessante, foi ver que entre os mais velhos, os símbolos da Revolução Cultural ainda são vistos com admiração.

    Mesmo se a gente não se depare com imagens comunistas, no dia a dia – muito pelo contrário, a tentação de consumo é o está espalhado por toda cidade – aos poucos a gente vai percebendo a presença do Estado, principalmente na falta de liberdade de expressão.

    Presenciamos uma situação nem emblemática, na Praça da Paz Celestial. Na frente da Praça fica a Cidade Proibida (aquela mesma do filme de Bertolucci), já tínhamos – junto com uma multidão – atravessado o grande portão, que é esse onde fica aquela foto de Mao, e alguns minutos depois, ouvimos uns 10 tiros, nos viramos e vimos uma multidão correndo. Corremos pro lado e ficamos quietinhos por uns 3 minutos, até que todo mundo parou e fomos lá, ver o que tinha acontecido.

    china_final_3.jpgAo chegar no portão, já tinha uma tropa de soldados impedindo a nossa passagem de volta para a Praça.

    Como já era muito tarde e a Cidade Proibida estava fechada, na verdade, ficamos ilhados numa área fechada (bem grande) entre a Praça e os portões da Cidade e nem sabíamos por quanto tempo. Tínhamos mesmo é que relaxar e fomos passear, observando as familias enormes que fazm excursões pra visitar o local e inem-se em grupos pra descansar debaixo das árvores..

    Estávamos, pacientemente, tomando um sorvete e esperando a abertura do portão, quando um batalhão começou a circular entre a gente, e seguir para praça. Uma óbvia demonstração de força.

    Uns 30 minutos depois saímos pela lateral para Hutong, área pobre que fica do lado da Cidade Proibida.

    Como os jornais não podem noticiar, ninguém falava inglês e se falasse, dificilmente contaria alguma coisa, nunca nunca saberemos o que aconteceu. Mas, conversando com um australiano, que estava lá fotografando, ele lembrou que aquele era o dia de comemoração da devolução de Hong Kong aos chineses e pode ter sido alguma demonstração nesse sentido. Ele contou sobre uma tentativa de jogar um coquetel molotov na foto de Mao, meses atrás. Os manifestantes nunca mais foram vistos.

    Essa falta de liberdade de expressão e a demonstração de poderio militar (ainda que, confesso que me parece meio engraçado porque eles são tão pequenininhos e franzinos, mas não é bom arriscar nenhu confronto hehehehe) é o que nos lembra que estamos num país comunista.

    Infelizmente, o comunismo chinês só aparece nessa repressão, o governo não tem programas sociais, como bolsa-escola ou merenda escolar, não existe distribuição de alimentos, nenhuma ação “compensatória”, o serviço de saúde gratuito é inexistente e existe mais proteção aos cidadãos até nos EUA do que na China. Muito, muito triste isso, considerando os milhões que vivem em situação de miséria, abandonados á própria sorte.

    Mas, acho que as coisas estão mudando também nessa área e acredito que a abertura da China também vai trazer alterações nos programas sociais. Ontem, vi uma notícia sobre uma lei que deve melhorar as condições de trabalho dos chineses (e os americanos e europeus não estão nada satisfeitos com ela, depois faço um post sobre isso).

    Criminalidade

    china_final_8.jpgA gente sempre repete que o motivo da alta criminalidade no Rio é a tensão social criada pelo contraste entre pobres e ricos que vivem juntos e a revolta dos que descem o morro e vêem as criaturas que pagam 1000 reais numa bolsa Louis Vuitton ali do lado.

    Como os contrastes, na China, são ainda maiores, fiquei curiosa pra saber como é a criminalidade por lá. Oficialmente, me disseram que não existem dados. Como o Estado controla toda informação, ninguém tem idéia do que acontece no país e tira conclusões pelo que ouve falar, o que não é exatamente científico.

    Aparentemente, claro, existem regiões de alta criminalidade, gangs, mas eu não vi nada disso (mas também, pelo que viu em Recife, Simon achou uma cidade muito segura… hehehehe…). Ainda assim, apostaria que Guangzhou é bem mais seguro que Shanghai e Beijing.

    Me avisaram para, sempre segurar bem minha bolsa. Eu tive cuidado, mas não me senti insegura. Diria que é uma cidade que dá pra uma mulher visitar sozinha, sem nenhuma preocupação, apenas sendo cuidadosa, claro.

    Internet na China

    Ao contrário de outros países, não vemos Lan Houses (ou internet café), espalhadas pelas cidades. Na verdade, não vi nenhuma. O acesso é de ….. Nos hotéis, tínhamos sempre internet de banda larga, pela qual pagávamos cerca de 10 dólares por dia ou era gratuita (mas tinha que levar laptop enão era sem fio). Como esses hotéis têm estrangeiros, eles não podem bloquear demais e sabem que isso seria um problema para atrair visitantes, ainda assim, são muitos sites bloqueados.

    Em todo país o Blogspot é bloqueado. Me contaram que tudo por causa de um blogueiro que escrevia em inglês horrores sobre a cultura local, inclusive dizendo que os homens não prestavam, por isso as chinesas procuravam tanto estrangeiros. Em Guangzhou, eu conseguia acessar meu blog sem problemas, mas além do Blogspot, todos sites do WordPress estavam bloqueados, assim como as fotos do Google Images e do Google News.

    Na verdade, não são apenas questões políticas que preocupam as autoridades, mas me parece que incomoda muito a sexualidade e comportamento ocidental. Alguns sites americanos (testei em um de fofocas, tipo esse) que tinham palavras como bikini, seios, não estavam bloqueados, mas as fotos não entravam,

    No primeiro hotel, em que ficamos apenas uma noite, em Shanghai, meu blog – e quase tudo – estava bloqueado. Mudamos para aquele moderníssimo, dos globos, que foi criado dentro de um centro internacional de convenções e meu blog entrava (Blogspot e WordPress continuavam fora), até que no último dia em Shanghai, meu blog não entrava mais de jeito nenhum. Isso, eu achei muito interessante. Mostra que a censura dos sites é algo feito quase que “artesanalmente”, devem existir pessoas que vigiam e analisam o que está sendo visto nos hotéis e decidem o que deve ser bloqueado.

    Apesar de haver uma clara perseguição aos blogs, os feitos no UOL ou Terra ainda não estão acesspiveis, mas deve ser uma questão de tempo.

    Os chineses, as chinesas e os narcisos

    maispequim%20053.jpgEstar na China, para um ocidental, é um enorme exercício de paciência, tolerância e respeito. Um pouco como na India, mas acho que ainda pior, porque se é verdade que ambos têm uma cultura totalmente diferente da nossa, os indianos, no entanto, nos parecem mais gentis (ou mais subservientes) e os chineses parecem mais duros e mais grosseiros, até na maneira de falar. Claro que não é nada disso, mas é a nossa primeira sensação em contato com eles. É dfícil entender sua cultura e é aquela história de que “Narciso acha feio o que não é espelho”. Ainda mais o Narciso brasileiro.

    E é muita gente, MUITA gente, em todo canto, por todo lado, prepare-se pra nunca estar sozinho. Eu e Ted morríamos de rir nos elevadores porque parecia aquelas provas de programas de televisão pra ver quantas pessoas podiam ser colocadas dentro de um carro. E eles não paravam de entrar.

    No metrô, na hora do rush, tinha uma funcionária empurrando, literalmente, o povo pra dentro dos carros, como sardinhas, pra caber o maior número de pessoas possível. Aquela área virtual de espaço individual entre uma pessoa e outra – que vai aumentando daqui do Brasil até a Escandinávia – é inexistente na China.

    Você sempre tem alguém encostado em você. Confesso que cansa, mas isso é um problema nosso, não deles.

    china_final_1.jpgAliás, esse é o maior problema de brasileiros e estrangeiros ocidentais na China. Entender que nós estamos no país deles e que não é nossa tarefa mudar o comportamento de um bilhão e trezentos milhões de pessoas para o que nós achamos que é o “certo”. Ao contrário do que disse nossa amiga Rosana, num comentário d eum post anterior, não é verdade que “verdade é verdade e mentira é mentira” (frase antológica).

    Vi, sim, coisas que me chocaram um pouco. No Mercado de Pérolas (que tem banheiros públicos e gratuitos), estava passando por uma escada e vi uma mãe numa posição estranha, olhei direitinho e ela estava acocorada, segurando a filhinha de uns dois anos pelas perninhas, embaixo dela tinha um jornal e ela tinha feito xixi e estava fazendo cocô. Ali mesmo na escada, na passagem das pessoas. Achei fascinante´, mas não tive nenhum julgamento do tipo “esse é um povo sujo”. Esse é um povo que até hoje, aos milhões, não tem saneamento básico em suas casas. Para ela, essa é a forma que, por gerações e gerações, as pessoas fizeram suas necessidades fisiológicas. Certamente ela nem sabia que tinha banheiro no local. Ou tinha vergonha de ir até ele.

    Outra coisa que escandaliza muita gente é essa privada que é um buraco no chão. Mas ninguém percebe, por exemplo, que além de mais higiênico, é muito melhor para a saúde da mulher. O hábito de ficar acocorada fortalece a região muscular pélvica, o que melhora o prazer sexual, facilita o parto, evita problemas de queda de bexiga, tão comuns entre as ocidentais. A posição vista até como “animalesca” por ocidentais (principalmente brasileiros), na verdade é muito mais inteligente e se não tivéssemos importado os hábitos europeus e mantivéssemos a sabedoria indígena, teríamos muito menos cirurgia de reconstrução de períneo.

    china_final_11.jpgPor falar em mulher, a situação delas, claro, é das piores, como em muitos outros países. Existem tentativas de modernização, mas muitas práticas vistas em livros como “As Boas Mulheres da China” (presente da minha querida Tia Leda), ainda existem, especialmente nas áreas rurais, como sequestro de meninas para casar com homens mais velhos. Mesmo entre chineses muito educados que conheci, no geral as mulheres mais velhas falam pouco, são claramente submisss aos maridos.

    Já as jovens chinesas urbanas estão espoletadas. Como em qualquer país em que as meninas não têm expectativa de ser independentes, estudar, ter um bom trabalho, uma carreira profissional, as chinesas investem em procurar um homem que as sustente. Os gringos parecem alvos preferenciais – solteiros ou casados, para ira das mulheres estrangeiras, principalmente as brasileiras de sangue quente… hehehehehe…

    A coisa é tão séria que eu soube, de duas fontes, que as empresas multinacionais estão tentando proteger as esposas, oficialmente. Parece que esse “fenômeno” é particularmente grave entre os alemães, que enloquecem com a aparente submissividade das lindas e jovens chinesas e abandonam suas esposas alemãs, ao ponto da Volkswagen ter em seu contrato uma cláusula que informa que, se o funcionário se separar da sua esposa, será enviado de volta à Alemanha, imediatamente.

    china_final_13.jpgBom, alguma coisa temos em comum com a China. Discuti com uma amiga que dizia que as chinesas são umas “p….”, lembrando que aqui no Brasil a coisa não é muito difrente, não. Num mundo em que o corpo da mulher é mercadoria, e o poder público não oferece a elas condições de se desenvolver e ter uma carreira e independência financeira, é o copro que elas têm para sobreviver e isso não tem nada a ver com falta de caráter, mas com falta de comida no prato mesmo. É mais raro ver uma sueca ou americana nessa situação, não porque elas tenham mais caráter, mas porque elas tiveram mais oportunidade.

    Enfim, fora isso, tem muita coisa que se diz dos chineses, que são “enrolões”, que querem tirar vantagem de tudo, que querem se aproveitar dos estrangeiros… teve até uma amiga querida que, no calor da discussão, disse que “não tem um que preste!” . Reconheço que viver no país não é o mesmo que passar uns dias, como eu. Mas acho importante não perder de vista que além de ter questões culturais aí, tem o fato de que os turistas e estrangeiros, em todo canto são mesmo vistos como fontes de crescimento pro país.

    Tinha uma amiga americana, californiana, meio hippie, gente muito legal, que mudou pra cá deslumbrada com o Brasil. Era louca pelo país, pelas pessoas tão alegres, calorosas, generosas… depois de dois anos, ela tinha sido tão explorada, tinha sido tão enrolada, tão passada pra trás que estava traumatizada e só pensava em voltar pros EUA. É bom a gente sempre olhar o próprio rabo, antes de julgar os outros.

    china_final_12.jpgEu não tive más experiências com chineses. Houve um momento, numa negociação, uma barganha por um preço mais baixo em uma bolsa que a chinesa começou a gritar comigo e eu disse que já estava de saco cheio dela e de todas no mercado porque elas pediam um preço irreal pelos produtos e depois ainda ficavam brigando com a gente. Aí ela disse: “eu não estou brigando, isso é jeito de chinês falar”. E é verdade….

    Enfim, conversando com uma americana sobre as impressões de alguns brasileiros sobre os chineses ela dizia que sempre achou que eles são super gentis, na no tratamento com ela, até demais, que ela se sentia, sempre, como se fosse uma convidada especial. Acho que existe gente de todo tipo em todo canto, quando se trata de gente, não dá pra generalizar, mesmo.

    Respondendo a alguns de vocês, os chineses, na rua, olhavam pra gente, mas acho que muito menos que na India, Nepal ou Bangladesh, onde, em alguns lugares eles param você na rua, riem, pegam em seus cabelos. Os chineses olham, meio disfarçadamente, mesmo em Guangzhou, onde eu achei que eles quase tentavam ignorar minha existência (eu não vi um único turista nas ruas de lá). Mas não é nada desagradável, me senti bem nas ruas.

    E ainda teve o caso das amigas que arrumei no Templo Celestial, em Beijing. Nos aproximamos, tiramos fotos, elas riam muito e uma delas falava algumas palavras de inglês e só apontava pra mim e dizia “beautiful, beautiful”… hehehehe… fui embora, mas voltei pra mostrar o mapa do templo que é um complexo enorme com muitos pequenos templos e jardins e aí duas delas quiseram ir comigo. Muito bonitinho, potrque não falávamos nada, só ríamos uma pra outra, mas memso com gestos consegui dizer que eu tenho uma filha grande e descobri que elas também tinham filhos adultos… no final, elas escreveram algo pra mim em mamdarim, que ainda preciso descobrir o que é, na despedida, me beijaram e abraçaram com muita força (coisa totalmente incomum entre chineses), uma experiência inesquecível.

    Comida

    Bom, vocês já viram que esse foi um problema pra mim e continuou toda a viagem. Não é que eu resista a comidas exóticas. Eu adorei a comida na India, Bangladesh, Filipinas (cheia de leite de coco!), Malásia… mas a comida chinesa original, não tem jeito. Sim, porque eu adoro comida chinesa americana ou chinesa brasileira. Fora da China, eles adaptam ao paladar local, tem menos gordura, menos açúcar.

    Dizem que a comida cantonesa é sofisticadíssima. Deve ser, eu é que não sou. Gastronomicamente, eu sou básica e, mais que tudo, gosto de saber o que estou comendo. Segundo minha amiga americana, nem eles sabem o que estão servindo. Os nomes dos pratos, poéticos, como “brisa suave do leste” existem pra que não se identifique mesmo a comida e se você perguntar que carne é aquela a garçonete vai dizer alguma coisa só pra lhe satisfazer, mas memso o cozinheiro, muitas vezes não sabe…

    Perguntei ao meu amigo Jack, chinês de Shanghai e ele confirmou. Come-se cachorro, sim. E muito, mesmo em cidades grandes. Existem empresas que criam os cachorrinhos para abate. O assunto era tabu e ele, que estudou nos EUA, parecia muito desconfortável ao falar nisso, e uma ligação celular o salvou da minha próxima pergunta que era: “qual a raça do cachorro consumido?”. Para seu alívio preferi ficar quieta e mudar o rumo da prosa.

    Ainda assim, eu engordei mais que podia e vou precisar malhar dobrado quando voltar (um dia!) pra casa. As únicas coisas que eu comia eram noodles fritos e uns bolinhos de camarão também fritos (até Ted me avisar que a fritura era em óleo de porco… argh…). Tentei comer os famosos dumplings mas eram bolinhos, invariavelmente, recheados com carne de porco, totalmente doce. Desisti.

    Então, tinha que me render ao que eu encontrava de ocidental e isso era sempre bolos, pizzas, hamburguers (o da McDonalds era horrivel!), chocolates…

    Comi muitas frutas, sim, e me apaixonei por, mas na rua, não dá pra comer frutas, sem lavar, tinha que esperar pelo café da manhça, quando eu me empanturrava de frutas.

    Ainda assim, devo dizer que, no último dia, fui a um restaurante que eu AMEI. Pela primeira vez, encontrei muitas coisinhas que eu gostava, tudo vegetariano. A comida chinesa é dividida em três tipos, essa é uma delas, Ted sabe qual é mas eu esqueci, depois pergunto a ele e coloco aqui.

    Sobre as fotos, percebam o sorvete com feijão (comum na Asia), as pitombas descascadas e os pastéis de belém, portugueses, que são super comuns por lá.

    Moda

    Apesar de haver um aumento preocupante na obesidade infantil (jantamos com a pessoa do governo responsável por diminuir esse quadro e que foi aluna de PhD de Ted, na Suécia), o povo ainda é, no geral, em boa forma, apesar de comer o dia todo suas coisinhas esquisitas e tomar suas sopas, sentadinhos num banco dentro das lojas ou nos parques. Vai ver que é porque tem escada pra todo lado e o hábito de centenas de pessoas de fazer exercícios, dança, meditação, tai chi, nos parques, diariamente, é uma herança positiva da revolução de Mao.

    As meninas mais jovens adoram saias balonê e saltinhos, usam muitos vestidos cinturados, algumas parecem umas bonequinhas. Como os cabrelos são super lisos, muitas fazem permanente pra ter um cabelo crespo, igualzinho ao das nossas brasileiras… hehehhee… Achei todas lindas.

    As mais velhas entram todas no mesmo esquema de uma blusa sem manga estampada horrível e uma saia no joelho ou calça lisa. Calça capri também é praga por lá, assim como pochete.

    De vez em quando aparecem umas hiper decotadas e outras com saias curtíssimas. Muitas calças jeans. Os vestidos lindos, tradicionais, que a gente conhece ficam pras festas ou pras hostess de hotéis e restaurantes.

    Claro que isso é a impressão das ruas, mas existem lojas tão milionárias em Shanghai e Beijing que deve ter as que se vestem com Versace mas, ainda bem, não foi nesse meio que eu circulei hehehehehe…

    Infelizmente, mesmo a maioria magrinha, vi muitas propagandas de spas, cirurgias plásticas e remédios pra emagrecer… tsc, tsc, tsc…

    A vida em plasma

    Chineses são obcecados por telas de plasma ou LCD, pequenas ou gigantes. Elas estão por todo lado, nos taxis, nos elevadores, nas estações de metrô, dentro dos trens do metrô e até no caminho por onde passam os trens de metrô. Nas praças e em frente fo nosso hotel. E, certamente, em muitos outros lugares que eu não fui…

    Conclusão

    Bom, existem milhões de outras coisas pra se falar sobre a China, mas nem eu tenho competência pra isso, porque estive lá apenas duas semanas, nem tenho mais tempo pra continuar escrevendo (esse post me tomou quase todo o dia!).

    Também não tenho tempo para voltar e ler cada um dos comentários em cada um dos posts da viagem. Se você tiver deixado alguma pergunta sobre a China, que eu não respondi, me desculpe, é que durante a viagem tava difícil de escrever, mas você pode deixar a pergunta novamente – ou fazer outra – aqui nesse post, e eu terei todo prazer em responder.

    Bom, resumindo, se puder, vá à China. É fascinante, é bonito, é divertido, é barato ficar lá (se conseguir uma passagem com bom preço), é relativamente seguro e dá pra ir sozinha, sem excursão, numa boa. Quem não fala inglês não tem que se preocupar, eles também não falam… de alguma forma, todo mundo se comunica.

    Quem quiser saber mais sobre esse país incrível, eu sugiro que visitem:

    Nihao Baxi – Infelizmente, não tive tempo pra conhecer pessoalmente Marcio e Mari, nos falamos por telefone, mas o tempo foi curto. Mas, o blog é sensacional e foi lá que peguei a dica do Silk Market. Vale visitas constantes e eles vão poder tirar mais dpuvidas que eu sobre a visita ao país.

    No Oriente – Blog do jornalista Gilberto Scofield Jr, que também tem um livro Um Brasileiro na China, que eu comprei anteontem e estou ADORANDO, vale a pena comprar, sem dúvida nenhuma, pra quem quer visitar a China ou pra quem quer se divertir sabendo mais sobre o país.

    Na terra do cachorro frito – Juliana Vale também é jornalista, tentamos marcar um encontro, mas ela estava em Singapura, ia chegar no dia d aminha volta, também não deu. Mas eu volto pra encontrar todo mundo. O blog dela é maravilhoso, morro de rir das suas histórias e é mais um que vai virar leitura constante.

    Made in China – Ótimo blog da fofíssima Simone Takayama, que foi uma gracinha e super gentil comigo, lá em Shanghai. Ela vaio contando, de for muito agradável, o cotidiano dela e do Leando, na China e a gente aprende muito com eles.

    Obrigada pela companhia nessa viagem fantástica e até a próxima ;-)

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    Algumas respostas a perguntas que eu lembro que vocês fizeram:

    1. Sim, tem muitos mendigos em Beijing e Shanghai. Não vi nenhum em Guangzhou.

    2. Essa foto na Praça da Paz Celestial, onde aparece uma multidão e um menininho com a bandeira do Partido Comunista Chinês foi durante a descida da bandeira, feita com toda cerimônia, no domingo, às 7 e meia da noite. Impressionante o número de pessoas reunidas pra ver altgo tão sem graça (pra gente, pelo menos!).

    3.Lembrei que voces ficaram curiosos em relação à moça lavando o cabelo de Ted, foi mesmo de matar de rir.

    Ele ia dar uma palestra numa conferência importante e resolveu fazer barba e aparar o pouco cabelo que tem. Estávamos no centro de Guangzhou e perguntamos onde tinha um cabelereiro. Fomos parar numa ruazinha, que ficava num labirinto.

    A moça começou lavando o cabelo dele com uma garrafinha de água e colocava uma coisa que não parava de espumar, Ted está rindo (e eu também) porque nossa dúvida era como ela ia conseguir tirar aquela espuma toda com a garrafinha de água.

    Pra piorar, ela não parava de fazer uma massagem na cabeça dele com umas unhas enormes e ele implorava pra ela parar e ela não entendia. Ele saiu de lá com a cabeça roxa e arranhada hehehehe… mas a espuma foi tirada no sistema ocidental.

    Cortaram o cabelo dele quase raspado (eu gostei!) e foi uma experiência inesquecível. Quase morremos de rir, o negócio é não perder a paciência e o bom humor. Pagamos 4 dólares por essa sessão de tortura (segundo Ted).

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    Atualização

    A Simone Takayma me escreve pra corrigir duas coisas, segundo ela Shanghai (onde ela vive) e Beijing são muito mais seguras que as cidades do Sul da China. A informação contrária eu recebi do colega de Ted, que vive em Shanghai e foi a impressão que eu tive lá, porque as duas cidades são tão grandes e mais movimentadas, mais pessoas “estranhas”, confesso que me senti mais insegura mesmo.

    Ela também disse que existem internet café aos montões, acho que no meio da quantidade de coisas eu perdi essa, porque não vi nem unzinho só :-)

    Aproveito pra dar a dica do blog da Simone que é um amor de pessoa, uma fofa e escreve no Made in China,

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    Compras na China

    Denise | China,Consumo,Viagens | Sunday, 08 July 2007

    hong_qiao.jpg

    Atendendo a vários pedidos, vou contar sobre minhas experiências de compras na China. Pega um cafezinho que o post é longo… (importante: 1 dolar vale 7.5 rmb – ou yuan)

    Antes, deixa dizer que, no geral, a China é, sim, um país barato. Pode-se comer bem com pouco dinheiro, com uma boa negociação, as diárias de hotéis podem ser bem baratas e o taxi e metrô são quase de graça. Às vezes, existem passagens de NY pra Beijing por 400 dólares, sei que na Europa também tem boas promoções.

    Quem puder ir, vá. Acho que vale mais do que a pena, por que, se você gastar pouco na passagem, a viagem tá garantida, é possível ficar lá gastando pouquíssimo, por dia e ainda renovar o “guarda-roupa”.

    Mas, claro que isso é pra quem sabe se descolar e buscar as coisas e lugares certos. Como em todas grandes cidades do mundo, existem lojas carésimas. Se a pessoa for mané de fazer compras na Guess, H&M, C&A, Sephora, Victoria Secret…. aí vai pagar o que se paga no mundo todo, tem que sair do circuito mainstream

    Eu viajei com a ilusão de que conseguiria comprar pouquísismo, já que estou com pouco dinheiro e já tínhamos gastado demais com minha passagem (por ser 3 cidades diferentes na China) e meu espírito estava para descobrir o país, não sacolar. Mas, conseguir manter esse comportamento anti-capitalista, na China, é maya, ilusão… hehehehehe…

    Guangzhou (Cantão)

    Cada cidade, foi uma experiência diferente, mas todas têm uma coisa em comum: os contrastes. Em Guangzhou (Cantão), a rua de pedestres, Xiajiu Lu e mais Beijing Lu e Changsou Lu, formam a principal região de compras, outdoors luminosos e telas gigantes dão um tom meio “times square”, com lojas por todo lado, com esculturas espalhadas pela praça, representando vendedores e personagens de século passado.

    Adorei essa região da cidade. Foi onde eu fiz essas fotos que vocês viram, hiper coloridas, lembram? são dezenas de prédios com vários andares de lojinhas, em corredores minúsculos lotados de jovens.

    Como essa não é uma cidade turística, os produtos são feitos pro público local, tudo pequenininho e de um gosto bem duvidoso, pra mim. Não me interessei por nada. As jovens,seguem uma linha meio anime, meio boneca (que Bia já gostou, mas agora, aos 20 anos ela já está adulta demais) e as mulheres mais velhas, todas usam uma blusinha estampada meio sem graça.

    Aí, o que eu encontrei mais interessante foram relógios. Chanel, Prada, Guess, Louis Vuitton, Omega, Swatch etc. Já vi muita cópia, mas nunca tinha visto tanta variedade (alguns lindos mesmo), tão perfeitos e baratésimos (não vou contar quanto porque trouxe vários para dar de presente, né?!).

    No mais, em Guangzhou, comprei apenas uns baralhos e jogos de tabuleiro pro meu irmão (que coleciona) e uma boneca chinesa pra minha mãe. Fora os relógios, os preços não eram muito bons e não tinha nada tão interessante, pelo menos por onde eu andei. Como tive que descobrir as coisas sozinha, posso ter perdido bons lugares.

    Shanghai

    Shanghai é totalmente diferente de Guangzhou. É muito maior, mais rica, mais sofisticada, mais cara e, na minha opinião, menos interessante.

    Mas, o contraste também está lá. Talvez até maior. Todas essas fotos aí acima foram feitas em um shopping center, Super Brand Mall, que fica na frente do nosso hotel e onde íamos, de vez em quando, por ser mais prático mesmo.

    A minha foto preferida é essa primeira, que mostra uma propaganda luminosa enorme da Sephora, que é uma hiper loja de cosméticos americana, com a imagem de uma mulher ocidental com enormes olhos azuis e, à frente, o pequeno altar budista.

    Muitas pequenas lojas, na China (como em outros países asiáticos), têm esses altares, geralmente pequenos, pobrezinhos, e foi bem interessante ver – como sempre – o contraste do que eles consideram modernidade, da invasão ocidental, do capitalismo e a resistência cultural representada pelo altarzinho, que tava lá, marcando ponto.

    Ao contrário de Guangzhou, Shanghai é uma cidade turística, muito rica, com muitos lugares sofisticados e caríssimos. Nesse shopping, Ted queria uma comprar uma camisa de manga curta e, numa loja que entramos, ela custava 300 dólares. Fui, rapidamente, a outro shopping com a esposa do nosso amigo chinês e as lojas eram todas Versace, Chanel, tudo original e incrivelmente caro. Obviamente, não compramos nadinha por lá.

    Conseguimos comprar algumas coisinhas interessantes e mais baratas naquela water town que fomos, lembram? ela tinha várias ruazinhas, cheias de todo tipo de tranqueira. Os preços eram razoáveis, mas era preciso pechinchar, sempre, e o calor estava terrível, nosso amigo tinha um compromisso com hora marcada e não dava pra passar o dia discutindo cada preço.

    Ted comprou umas moedas “antigas” e várias gravatas de seda, a um dólar cada, para dar de presente; eu comprei minha sombrinha vermelha linda por 3 dolares; uma bolsa quase igual a da Cameron Diaz (preferi uma com a imagem de Mao, ela foi mais discreta, levando a da estrela e, mesmo assim, parece que irritou os peruanos), que diz “Serve the People”, por 4 dólares… acho que só.

    Quando fomos a Puxi (eu, Bela e Simone), área antiga e hiper turística de Shanghai, deu pra ver que lá deveria ser o lugar ideal pra fazer compras de bugigangas. Mas eu queria mesmo era conversar com as meninas, dei uma olhada rápida nas coisas e decidi que, no dia seguinte, voltaria com Hi, a minha amiga chinesa, pra tentar conseguir uns precinhos melhores. Ficamos horas no Yu Garden papeando, o que é priceless… (não tem preço!)

    Bom, acontece que, no meu último dia por lá, eu disse a Hi que queria comprar um vestido chinês pra Bia, mas ela não entendeu bem o que eu queria e me levou pra uma espécie de shopping de confecções, muuuuuuuuuito longe, onde quase tudo era ocidental e ou era bem feinho, ou era minúsculo.

    Meu vôo era no mesmo dia, então desisti de comprar qualquer coisa em Shanghai e voamos pra Beijing com a mala bem levinha.

    Beijing

    Como sempre, ao chegar em Beijing, planejei minha programação. Mas, no primeiro dia, estava tão exausta que só fui sair do hotel quase às 5 da tarde, como já contei aqui. O templo, que acabei visitando depois, estava fechado, então, resolvi visitar o “Pearl Market” (Mercado de Pérolas), que fica do lado (bom, uma maneira de dizer, porque tive que andar uns 15 minutos, arrodeando o muro do templo até chegar lá).

    No meu imaginário romântico, o tal Mercado de Pérolas era um lugar ao ar livre, onde as pessoas vendiam sedas, pérolas e artesanato. Confesso que tive um certo choque ao ver que era um prédio enorme, de vários andares e, ao entrar, dei de cara com centenas de estandes vendendo todo tipo de bugugangas eletrônicas.

    bonequinha_chinesa.jpgPassei direto pelos iPod “falsiê”e caí numa verdadeira visão do paraíso… hehehehe… centenas de barraquinhas vendendo roupinhas chinesas e scarves (xales, cachecóis, lenços) de pashmina, mas uma pashmina como nunca tinha visto, nem na India, lindos e de uma qualidade incrível (pelo menos até a primeira lavagem… a dica é não lavar). Aí foi quando eu tive meu primeiro contato com o que é pechinchar na China.

    Eu já pechinchei muito, em muitos países, mundo afora, no Peru, na India, na Malásia, na Tailândia… geralmente todos têm o mesmo sistema. A vendedora (que não fala – ou fala pouco – inglês), digita um preço estratosférico numa calculadora e lhe entrega a calculadora pra você aí digitar o seu preço… é um jogo que pode durar séculos (especialmente se o calor for de matar).

    Mas, nunca vi nada igual à China, em termos de variação no preço. Um exemplo, na minha primeira compra, um belo scarf de pashmina preto, ela me pediu 350 RMB. Eu disse que só dava 35 (US$ 4.5), ela reclamou, eu me virei pra sair, ela concordou na hora. Eu saí com a impressão de que o preço real devia ser uns 20 RMB. Depois disso, entendi o sistema.

    Lá, eu comprei o tal vestido chinês pra Bia. Como em todo lugar, a idéia é que elas não querem deixar você ir embora sem comprar, porque sabem que, mais à frente, outra pessoa vai concordar em lhe vender pelo preço que você pedir. A negociação começou com a moça dizendo (nesse mercado, quase todas falam um pouco de inglês): “eu gostei de você, se você fosse americana eu iria cobrar (aí mostra na calculadora) 2.800 RMB pelo vestido. Mas como tô vendo que não é, vou cobrar somente 1.200 RMB”… eu dou uma gargalhada e já vou saindo. Ela me puxa (literalmente) pelo braço e pergunta qual o meu preço.

    Como eu sei bem o quanto essa lenga-lenga pode render, decidi ser radical – apesar de culturalmente isso ser uma ofensa pra elas – e dei sempre o valor máximo que aceitaria pagar. Nesse caso (que ela pediu 1.200RMB, eu disse logo que não dava mais que 80RMB). Vocês podem imaginar que, pra gente é meio estranho pedir uma redução tão brutal de preço, mas a lógica é essa mesmo e, não precisa sentir culpa, se ela nao tiver nenhum lucro, ela não vai lhe vender. Depois de muita conversa concordei em pagar 100RMB (US$ 13.30), Comprei aquela blusinha azul por 50RMB e mais uma boa quantidade de tranqueiras bem baratinhas.

    O próximo mercado que fui, era bem parecido com esse, e se chama “Slik Market” (Mercado das Sedas) e é o que está nas fotos acima. Era mais organizado que o Mercado de Pérolas e tinha muito mais coisas que me interessavam. Fui uma vez sozinha e voltei depois com Ted, mais duas vezes (fica aberto de 8 às 20h).

    bolsaslvchloe.jpgFazer compras no Silk Market é uma experiência difícil de transcrever aqui (quem já foi lá, pode me ajudar!), mas vou tentar. Segundo Ted, parece que você está passando por uma câmara de tortura… hehehehe… eu me acabava de de rir (e ouvi várias chinesinhas a perguntar: “porque ela está tão alegre?” hahahahahaha). Como a concorrência é braba, a agressividade de venda das moças é fisica mesmo, não sei porquê, especialmente na área das bolsas.

    Ted tinha comprado uma bolsa de couro pra laptop “Giorgio Armani”, lindíssima, mas ela acabou sendo muito pequena e tivemos que voltar pra trocar. O diabo era achar a loja novamente. E como tínhamos que passar várias vezes pelos corredores tentando achar a loja, as moças achavam que éramos presa fácil, puxavam pelo braço, empurravam a gente pra dentro das lojas, puxavam pelas sacolas que estávamos carregando e eu e Ted quase morrendo de rir. Câmara de tortura… hehehehe…

    Van-Van (e quase todas leitoras desse blog), por lá, iam enlouquecer… tinha todas as bolsas que vocês puderem imaginar, das marcas mais sofisticadas e modelos mais recentes, numa cópia perfeita, ainda assim, eu não conseguia gostar de nenhuma…

    Interessante é que todas ficavam expostas, menos as Louis Vuitton, que eram oferecidas em catálogos. Eu tinha a incubência de comprar uma bolsa dessa marca (que eu odeio), pra minha mãe. Por causa da fiscalização seríssima que está sendo feita pela LV, a venda é uma operação secreta. Primeiro, elas mostram o catálogo, você escolhe e elas ligam pra alguém que traz numa sacola escondida. Você meio que tem que se enfiar embaixo de um balcão pra ver a bolsa e decidir se quer levar… hehehehehe… pirataria braba…. os preços cobrados, inicialmente, são ridículos, na faixa de 1000RMB, você diz que só paga 100 ou 150, vira as costas e elas concordam.

    minhas_bolsas.jpgPra mim, comprei apenas uma bolsinha e uma mochila ambas da “Diesel”, de lona, bem simplezinhas. Cheguei à conclusão que não gosto mesmo de “bolsa de adulto”, não, elas são desconfortáveis… hehehehe… cheguei a comprar uma “Chloé”, que achei super bonita, mas saí com ela um dia e detestei, achei incômoda e passei pra minha mãe.

    Na seção de sapatos, comprei três fofíssimos, um Vans, pra Bia que ficou grande demais e dois tenis pra mim, bem levinhos, meio estilo “sketchers”. Cobraram 850 cada, paguei 80RMB, pouco mais de 10 dólares. Também compramos algumas calças compridas pra mim e Ted e muitas camisas masculinas pra Ted, os filhos e Simon, tudo Armani, tudo bem baratinho e, aparentemente, de ótima qualidade (vamos ver depois da lavagem).

    Finalmente, comprei coisinhas como marcadores de livros, vidrinhos de perfume, leque, uma estatuazinha fofa de uma menininha budista, alguns daqueles joguinhos de chopstick, bolsinhas de seda para colocar jóias e bijouterias, enfim, um monte de coisas bonitinhas. A vontade era levar muito mais mas, mesmo baratíssimo, o dinheiro não dá e não tem mais espaço nas malas (tivemos que comprar mais duas, por lá!)

    Enfim, em termos de compras, o paraíso é Beijing. Ainda bem que não comprei muita coisa nas duas cidades que fui antes, porque senão teria me arrependido.

    Claro que a gente pensa que é tudo tão barato porque tem muita mulher e criança sendo explorada na produção dessas coisas com as quais a gente se delicia. Não esqueci disso, não. O fato é que, hoje em dia, é quase impossível não comprar alguma coisa “made in china”, em Beijing, Recife ou Washington. Então, se é pra comprar, que pelo menos seja mais barato e direto do produtor.

    Além do mais, a pechincha não é exploração, ela é cultural, esperada mesmo. Os preços que eles dizem, no começo é irreal e “se colar, colou”. E eu vi muito gringo pagando a metade achando que estava se dando muito bem… hehehehe…

    Enfim, essa foi minha aventura de compras na China. Se tiverem mais curiosidades, sobre isso, basta perguntar.

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    Observação: Estou em Olinda, me empanturrando de tapioca, bolo de rolo, coxinha de galinha, pão de queijo, só descansando e batendo papo com minha mãe, meu irmão, cunhada e sobrinhos. Quando puder, volto a blogar normalmente…

    E atenção: não são só vocês, não, nem eu aguento mais ouvir falar na China… hehehehe… mas ainda vai ter um último post esclarecendo as dúvidas das amigas e amigos… depois a gente vira o disco, tem mil outras coisas que tenho pensado em comentar.

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    Trabalho escravo na China… e na Indonesia, na Suazilândia, nos EUA, no Brasil…

    realwomen.jpg

    A Isabella deixou um recado que me deu a deixa pra falar um pouco mais sobre essa questão de não comprar produtos falsificados por causa dos trabalhadores que têm péssimas condições.

    Claro que a gente não vê nada, por lá, é tudo escondido e em áreas industriais, mas todo mundo sabe que a China tem trabalhadores escravos, pessoas que vivem em péssimas condições, meu irmão até comentou sobre um navio em que as pessoas vêm da China produzindo os sapatos no caminho, é o cúmulo da exploração.

    Pensei nisso, ao chegar lá, mas cheguei à conclusão de que não comprar produtos por serem falsificados ou feitos na China (ainda mais estando na China) é uma grande bobagem. Como disse à Bella, não é só na China que existe trabalho escravo e, infelizmente, estamos sempre comprando produtos feitos por pessoas que são exploradas.

    Dia desses, vi uma matéria sobre fábricas clandestinas, em São Paulo, onde bolivianos são praticamente escravizados e produzem roupas que todo mundo usa sem culpa.


    ‘Morrer antes que viver como escravos’. Este é o lema da Bolívia, cantado no refrão do Hino Nacional do País. No entanto, é como ‘quase’ escravos que cerca de 50 mil bolivianos trabalham em fábricas de roupas em São Paulo.
    Leia a matéria aqui.

    Assisti a um filme – Real Women Have Curves (foto) – com a ótima America Ferrara, que mostra uma fábrica onde imigrantes mexicanas costuravam, dia e noite, em péssimas condições de trabalho, vestidos que eram vendidos por 10 vezes mais na Macy’s. Vocês acham que as roupas que são vendidas na Banana Republic, Gap ou H&M são feitas nos EUA, com todos direitos trabalhistas assegurados? não, mesmo.

    A questão não é nem o produto ser original. Todo mundo sabe da exploração da força de trabalho na Indonesia, por parte de grandes empresas como Nike ou Adidas.

    Se você não faz como a maravilhosa Maffalda, que decidiu reduzir drasticamente seu consumo de tudo, não tem como, hoje em dia, comprar coisas que não explorem, de alguma forma, mão de obra barata, em péssimas condições. Triste, mas é verdade.

    Enfim, de qualquer forma, eu não dou absolutamente nenhum valor, nem respeito essas Prada da vida, na verdade, desprezo algumas delas, pelo que representam. Compro uma bolsa apenas por que ela me agrada e por ser barata, sem me preocupar com marca (se bem que, algumas delas, como a Louis Vuitton eu não usaria nem que me pagassem).

    Pensando bem, talvez seja até bem mais “transgressor” comprar e espalhar as cópias pelo mundo afora, e assim ajudar a popularizar essas marcas, coisa que elas morrem de medo que aconteça…

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    Cenas da China

    Denise | China,Fotografia,Viagens | Wednesday, 04 July 2007

    Um resumo visual da nossa viagem à China, antes de viajar novamente pro Brasil daqui a algumas horinhas… assim que eu me “assentar” em algum lugar, escrevo minhas impressões finais da viagem, mas as imagens valem mais que milhões de palavras, né, não?

    Se tiverem perguntas sobre o que são as fotos, a China, minha experiência por lá etc. deixem as dúvidas nesse post aqui e responderei tudo que quiserem saber, em breve…

    Obrigada às “tomatadas” que recebi, escreverei sobre isso assim que esse blog voltar ao normal, em alguns dias.

    Beijos a tod@s!

    ps.: Ed, a arroba – @ – é usada por mim, ás vezes, justamente pra englobar os dois, masculino e feminino, se olhar direitinho, tem um O e um A ;-) esse é um blog feminista e, por isso mesmo, os homens são muito benvindos!

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    Praça da Paz Celestial

    Denise | China,Fotografia,Pequim,Viagens | Monday, 02 July 2007

    Hoje é o último dia da viagem. Estou saindo do hotel daqui a pouco. Achei que ia dar tempo de fazer o sorteio do presentinho aqui, mas estou na maior correria, fica pra quando chegar em Washington, mesmo.

    De lá, conto mais sobre como foi tudo por aqui (vou ver se escrevo um post no aeroporto e no avião. Essas fotos são da Praça da Paz Celestial, aquela mesmo onde houve um massacre de estudantes, em 1989. É um lugar emocionante, que fica na frente da Cidade Proibida (aquela mesma do filme O Ultimo Imperador).

    Mais fotos em breve, essas foram feitas ontem à tarde e eu voltei lá, hoje de manhã. Confesso que adorei a minha blusinha azul ;-)

    Bom, me desejem boa longa viagem. Ao chegar em casa escrevo mais e faço o sorteio, agora, preciso correr…

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    Dia 12 – Templo Celestial – Temple of Heaven – Tiantan

    Denise | China,Fotografia,Pequim,Viagens | Friday, 29 June 2007
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