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    As Viúvas na India

    Denise | Cinema,Feminismo,India | Tuesday, 08 September 2009

    casadasviuvas1.jpg

    “Quase tudo que fazemos parece insignificante, mas é muito importante que façamos. Você precisa ser a mudança que você deseja ver no mundo.” Mahatma Gandhi

    (Post originalmente publicado em 24 de junho de 2006)

    Ontem fui assistir ao filme Water, o último da trilogia política da cineasta Deepa Mehta (os outros são Fire e Earth), sobre a vida das viúvas na india. Fiquei chocada. Já tinha ouvido falar na situação dessas mulheres, mas ainda assim, o filme é uma saculejada na gente e bota nossos problemas cotidianos na sua exata dimensão.

    Pesquisando, hoje, sobre o tema, pra escrever esse post, descobri que ontem estava sendo celebrado o “Dia Internacional das Viúvas”, instituído pelas Nações Unidas, justamente para lembrar ao mundo as crueldades cometidas contra essas mulheres (não apenas indianas, mas de muitos outros países), cujo único crime cometido foi se tornar viúva, como se pudessem se responsabilizar pela vida de seus companheiros.

    water_india.jpg“Water” não é um filme revolucionário em sua linguagem, mas é uma história muito bem contada e extremamente comovente. Ao acabar, precisei de uns bons minutos sentadinha no escuro do cinema, pra me recompor e tentar dissipar aquele nó na garganta.

    Apesar de ser uma obra de ficção, que se passa há quase 70 anos, infelizmente, essa ainda é a realidade de muitas mulheres na India. E isso é o que é mais doloroso.

    O filme se passa em 1938, na India Colonial, onde os poderosos (britânicos e indianos) vêem a ascenção de Mahatma Gandhi, com suas idéias de liberdade e de mudança das tradições arcaicas às quais os indianos ainda se agarravam. As viúvas já não eram forçadas a queimar numa fogueira, com a morte do marido, mas ainda tinham que pagar, vivendo em total ostracismo e miséria, por toda vida.

    Tudo começa com a morte do marido de Chuyia, uma menininha esperta de oito anos de idade, que nem entende que é casada.

    water_india3.jpg

    Ao se tornar “viúva”, Chuyia tem suas pulseiras quebradas, seu cabelo raspado, perde todas suas roupas e é vestida com um sari branco, que será sua única veste, para diferenciá-la, afinal, ela agora é uma pária, “impura” e não pode ter contato com outras mulheres e crianças.

    Os pais deixam Chuyia numa casa de viúvas hindu, onde deve viver o resto dos seus dias em penitência.

    Em 1938, e ainda hoje, em muitas lugares da India, a viúva é vista como um peso e como uma mulher sexualmente perigosa. A família do noivo quer vê-la distante, para poder tomar as propriedades do seu marido, e não tem interesse em assumir a responsabilidade de sustentá-la. Sua própria família, após o seu casamento, sente-se livre de qualquer responsabilidade em relação a ela.

    Por todo preconceito e superstições que cercam uma mulher viúva, ela também não consegue trabalho para se sustentar e acaba tendo mesmo que viver nessas Casas de Viúvas (prédios centéntários, caindo aos pedaços), por toda vida. Para se “purificar”, precisa abandonar qualquer vínculo com prazer e viver em sofrimento. Dorme no chão, repete canções e orações seis horas por dia, e não pode, sequer, comer frituras, consideradas alimentos “quentes”. Estima-se que existam 20 mil viúvas, mendigando, apenas à beira do rio Ganges.

    casadasviuvas2.jpgAos poucos, vamos conhecendo as mulheres com quem Chuyia deverá conviver. A velhinha (foto)que está na casa desde os sete anos e cujo único sonho é comer, novamente, os docinhos que provou na sua festa de casamento (o marido morreu um mês depois). Shakuntala, a mulher de meia idade, esperta, inteligente e que sofre ao perceber que está envelhecendo e está sempre dividida entre a revolta pela sua situação e o medo por não se comportar como deveria.

    Tem a poderosa Didi, que comanda a casa e tem regalias que as outras não têm, e a belíssima Kalyani. Aos 17 anos de idade (está lá desde os oito), ela é a única mulher que tem a permissão para usar cabelos longos e que, sustenta o “luxo” de Didi e a Casa de Viúvas, sendo levada de barco, no escuro da noite, pelo eunuco gulabi, para prostituição.

    water_india4.jpg

    A chegada de Chuyia, o aparecimento de um lindíssimo indiano nacionalista, o amor de Kalyani, a revolta de Shakuntala e a ascenção de Ghandi, mexem com a Casa de Viúvas… mas não existem milagres. O resto, só vendo o filme…

    A realidade atual

    widows_india2.jpg

    Segundo o censo de 1991, 8% de todas as mulheres da India são viúvas, o que significa cerca de 34 milhões de pessoas. Como o costume é o casamento das meninas muito novinhas, 50% das viúvas têm menos de 50 anos de idade.

    No grupo acima de 60 anos, 64% das mulheres são viúvas, enquanto que apenas 6% dos homens são viúvos. Essa diferença brutal de gênero existe por causa da alta incidência de viúvos que se casam novamente, enquanto que um novo casamento, na prática, continua sendo uma opção bastante improvável para as mulheres.

    Apesar dos números, sabe-se pouco sobre a vida dessas mulheres, na India. A marginalização as torna invisíveis. O que sabemos é que elas vivem em completa pobreza, desemprego, sem acesso aos meios de produção, sem educação formal e sofrendo por superstições que ainda estão bastante arraigadas na cultura indiana.

    Já em 1956, um ato hindu estabeleceu que as viúvas devem ser consideradas iguais a todas as mulheres, mas a tradição fala mais alto.

    Por causa de todas privações que passam, as viúvas têm um índice de mortalidade 85% maior que as mulheres casadas. Apesar das péssimas condições dessas Casas de Viúvas, muitas preferem viver nelas do que ficar com a família do ex-marido, sendo constantemente abusadas sexual e fisicamente.

    widows_india3.jpg

    As Casas de Viúvas são empreendimentos mercenários, existem denúncias de que, apesar das mulheres viverem em completa miséria, os administradores fazem muito dinheiro, pedindo ajuda financeira e vendendo serviços sexuais das jovens viúvas.

    “Sem um homem ao seu lado, uma mulher não tem respeito na sociedade indiana. Isso é parte da cultura patriarcal”, afirma uma militante do movimento de mulheres.

    Parece incrível, mas isso tudo continua acontecendo hoje. Será que a gente não tem mesmo nada a ver com isso? Quando eu fui pra India, escrevi sobre a situação da mulher por lá (vejam ai abaixo), falando sobre as mulheres queimadas por causa dos dotes, e uma criatura me criticou porque eu devia me preocupar com as mulheres do Brasil.

    Não consigo estabelecer fronteiras para a humanidade. Me preocupo do mesmo jeito com minhas amigas que vivem em favelas, no Brasil as viúvas indianas e as mulheres com AIDS na Africa. Somos todas irmãs.

    O que é que a gente pode fazer? falar no assunto, procurar saber o que fazem os grupos de mulheres. Se você faz doação, considerar doar para grupos que trabalham com essas mulheres. No mais, pelo menos se sensibilizar, acho que é um bom começo.

    E o nó na garganta, continua aqui… isso é o que acontece quando a gente vê um filme que faz pensar…

    Veja mais:

  • Widows’ Rights International
  • International Widows Day – June 23
  • Trailler de “Water”
  • Site oficial de “Water”
  • Vrindavan Widows Are Still Sexually Exploited — Study
  • India’s Outcast Widows Have New Havens
  • Status of Widows of Vrindavan and Varanasi
  • Grief and Renewal
  • O risco de ser mulher na India – SdeE
  • O risco de ser mulher na India – Parte 2 – SdeE
  • Curiosidade:

    holi.jpg
    Nessa linda cena do filme, as mulheres estão celebrando o Holi, festa onde todos brincam jogando um pó super colorido, uns nos outros. Em 1999, por uma coincidência abençoada, eu estava no Nepal, no dia do Holi. Estava sozinha, mas pude aproveitar muito e ver a festa, que é uma das coisas mais lindas que se pode imaginar.

    Pitaco de vocês:

    “Uma informação boa: dirigi do interior da Bahia hoje cedo até a capital, vi um out-door com o anúncio da Festa das Viúvas. Foi um forró pé-de-serra genial no interior , para onde convergiram os pretendentes livres e um monte de viúvas que ainda querem dançar, namorar e ser feliz. Que pena que a ìndia discrima suas viúvas, que pena que as viúvas das aldeias portuguesas se condenam ao eterno negrume das vestes e que bom que se pode dançar, beber, brindar e namorar na Bahia. Embora outros problemas haja.” Alena.

    Vejam também o excelente post da Regina do blog Always por um Triz sobre o filme Water: Deepa Mehta: uma mulher de coragem.

    Fotos: Em preto e branco, são registros de uma Casa de Viúvas, feitos pelo fotógrafo Frederik Renander. As fotos coloridas são cenas do filme Water.

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    Camboja pelos nossos olhos – Fotos II

    Denise | Camboja | Friday, 04 September 2009

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    O Camboja, como nós experimentamos (fotos I)

    Denise | Camboja | Friday, 21 August 2009

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    O lugar mais agradável do mundo pra se visitar. Mais fotos em breve.

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    Camboja

    Denise | Ásia,Camboja,Viagens | Sunday, 09 August 2009

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    Estamos – eu e Bia- em Siem Reap, perto dos templos Angkor, na viagem mais fantastica que ja fizemos. Apaixonadissimas pelo Camboja (Bia quer morar aqui).

    Mas, sem tempo pra escrever, nem colocar fotos. Passamos o dia todo na rua e quando chegamos no hotel, so da’ mesmo pra fazer uma boa massagem (US$ 4.00 a hora!), jantar e dormir. Estou EXAUSTA.

    Quando voltar pra Coreia e as coisas se organizarem mais, vou contar tudo, prometo. Ja’ temos quase  2.000 fotos pra arrumar.

    Por enquanto, voces podem dar uma olhada em algumas fotos que coloquei no Twitter.

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    Mais novidades… nós e o “guiné vermelho”

    Denise | Ásia,Camboja | Monday, 03 August 2009

    angkor

    Já nem é tanta novidade, assim. Eu e Bia vamos viajar amanhã pro Camboja  e eu, além de hiper ocupada com as ultimas preparações,  estou ansiosíssima.

    Já ri muito, porque lembrei que, quando eu era pequena, ouvia falar no “guiné vermelho” (Khmer Vermelho, o partido comunista cambojano) e nunca pensei que, um dia, “fosse parar no tal do guiné”… hehehe…

    A gente ficou em dúvida em relação aos países aqui perto, Japão, China ou Vietnã. Desistimos do Japão porque é caríssimo e vamos de mochileiras, com pouco dinheiro. Bia pretende, um dia, pegar o trem pela Transsiberiana, de Moscou pra Beijing e eu já fui lá duas vezes, então descartamos a China. Eu já fui a Hanói, mas pensamos em ir a Saigon, só que ia demorar muito pra receber o visto…

    No final, acho que a decisão pelo Camboja foi a melhor possível. Queria ir a um lugar diferente, e estou aprendendo muito sobre a incrível- e triste – história do Camboja (que vou tentar ir contando pra voces, aqui).

    Vamos chegar à capital, Phnom Penh, amanhã à noite. Vamos visitar os “killing fields”, regiões onde concentrou-se o genocídio, entre 75 e 79 (lembram do filme “Gritos do Silêncio”?), também vamos ao museu de minas terrestres e vários templos budistas.

    angkor2

    No dia 6 de manhã bem cedo vamos de ônibus para Siem Reap, onde ficam os templos de Angkor (fotos acima). Ficaremos 4 dias por lá e depois seguimos pra Kampong Som (Sihanoukville), pra pegar uma praiazinha e de lá voltaremos pra Phnom Penh e chegaremos aqui no dia 12, de manhã.

    Minha maior preocupação: o calor. Vai estar muuuuuuuuuuito quente e, claro, vamos passar a maior parte do tempo no ar livre.  Meda!!!

    Vantagem de viajar agora: Ted está nos EUA desde o dia 23. Morro de saudades e durmo MUITO mal, quando ele não está aqui. Assim, com tanta novidade, a saudade pesa menos e quando chegarmos, de volta, ele já vai estar aqui, esperando por mim    :-)

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    Xangai

    Denise | China,Fotografia,Xangai | Sunday, 11 May 2008
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    As Muralhas da China – Mutianyu – Pequim

    Denise | China,Pequim | Monday, 05 May 2008

    Desde pequenininha, sonhava em conhecer as Muralhas da China e, naquela época, nem pensava que isso, um dia. seria possível. Ano passado, acabei sem tempo pra ir até lá. Mas, dessa vez, não poderia perder. Confesso que, apesar da curiosidade, tinha medo de me decepcionar, afinal, sei lá…”é só um muro!” :-)

    Mas, que nada! Isso é que é lugar de tirar o fôlego, em todos os sentidos.

    Eu sabia que as Muralhas (de 6.350 km) têm vários pontos de visitação, e pra descobrir qual o melhor, recorri à minha bíblia de viagens, o site Tripadvisor, que gosto muito, por mostrar opiniões de viajantes de verdade e não empresas de turismo. Lendo essa página, vi que o melhor ponto de visitação das Muralhas é o Mutianyu, que ainda não é tão visitado e não fica tão distante (a cerca de 73 quilômetros de Pequim).

    Dia desses, eu vi uma matéria no Globonews sobre as Muralhas e a quantidade de gente que tinha lá era de dar agonia, a jornalista deve ter caído numa roubada e foi parar no Badaling , que é pra onde quase todos turistas vão, estão até construindo hotéis por perto, é uma verdadeira multidão, todos dias, o que tira muito o charme do local.

    Como vocês podem ver nas fotos, em Mutianyu tem gente, sim, mas também muitas áreas quase vazias, muita tranquilidade, em alguns momentos, entre uma torre e outra ficamos apenas eu e ted, e olha que era domingo! Isso seria impossível no Badaling.

    A ida às Muralhas da China foi uma das coisas mais espetaculares que já fiz. Eu pensei que ia ser só uma paradinha “bate e volta”, mas, na verdade, a gente anda muito, mas muuuuuuuuuito mesmo.

    A área de Mutianyu tem 22 torres, escolhemos subir pelo “bondinho” até a torre 14 e de lá, caminhar até a torre 6 (portanto, passamos por 8 torres) e de lá descer num “tobogã”.

    Como eu sou muito descansada, comecei a demorar tirando fotos na torre 14, que é a mais alta e que tem melhores localizações pras fotos. Até que Ted me lembrou que tínhamos uma longa caminhada pela frente. Ainda bem que ele teve juízo, senão a gente ia levar muito mais tempo pra chegar lá embaixo e ia deixar todo mundo esperando.

    É uma longa caminhada, principalmente pra gente fora de forma como nós dois :-) Apesar de que, como boa parte é em descida, é cansativo, sim, mas bem menos difícil do que parece.

    Caminhamos, parando poucos minutos de vez em quando, cerca de uma hora. Pelo caminho, crianças fofíssimas e muito pequenas que fazem a caminhada com a maior energia, velhinhos devagar quase parando, muitos casais fotogrando, inclusive uma noiva super gracinha que adorou posar pra minhas fotos.

    E cada lugar, mais bonito que o outro. Inesquecível.

    A descida é uma delícia. A essa altura já estávamos exaustos e eu um pouco medrosa, pensando em como seria sentar numa coisa que parece um carrinho daqueles de descer ladeiras, e me largar montanha abaixo (nas últimas fotos acima dá pra ter uma idéia de como é).

    Mas, o carrinho do tobogã tem um freio e acelerador, que é controlado por a gente e eu fui logo avisando a quem estava trás de mim, na fila, que eu pretendia ir bem devagar. Assim, a garotada esperou bastante que eu descesse (tem só uma fileira), pra poder começar a sua “aventura”. Ted foi na minha frente, mas parou no meio pra me esperar (tem lugares que dá pra parar totalmente.)

    Quem for, pode descer sem medo, não tem perigo nenhum e muitas crianças descem com os país. Eu até dei uma acelerada e corri em algumas partes, mas, sempre que tinha uma curva ia devarzinho pro desespero dos funcionários que ficavam em cada curva gritando “corre, corre, não para” hehehehe… Uma hora, os garotos atrás de mim me alcançaram e eu comecei a gritar “para, para, olha eu aqui” hahahaha… mico.

    Com 400 ou 500 RMB (entre 95 e 115 reais) dá pra contratar um taxi pra levar até três pessoas ao local (clar que eles pedem muito mais, tem de pechinchar). Nós demoramos a organizar a ida e acamos apelando pra uma agência, sabendo que não era a melhor opção, mas no final fomos num micro ônibus bem confortável, apenas um com casal de suecos que adoramos. Ótimo papo.

    Pra vocês terem uma idéia da desorganização, nós pagamos 280RMB (R$ 66,00) e descobrimos que os suecos iam pagar apenas 200 (R$ 45,00)… tentamos discutir, mas o guia mostrou que não era culpa dele, se a gente não pagasse o combinado, ele é quem ia pagar. Xapralá…

    Como castigo por pagar quase a metade do taxi, tivemos que parar numa fábrica de Jade na ida e ouvir uma loooooooonga explicação sobre a história do jade, visitamos uma sala onde dois funcionários estavam demonstrando como fazem as peças de jade e, claro, fomos levados à loja, onde coisas absurdamente caras (algumas de 3 mil dólares) eram empurradas pra gente. Claro que não compramos nada.

    Isso não é novidade, na India tivemos que visitar muita “fábrica” até chegar onde queríamos.

    Na volda da Muralha, a parada foi uma casa de chá em um hutong, bem pertinho daquele templo tibetano (lembram?). Lá, uma chinesa muito gentil contou a história de 4 mil anos do chá na China, mostrou como é feita a cerimônia do chá, nos fez provar chás de Jasmim (que eu adoro) e mais outros 5 sabores. Contou das maravilhas dos bules de barro, das xícaras de chá e canecas que, claro, depois foram oferecidas, assim como os chás a um preço indecente.

    Eu e Ted agradecemos, mas dissemos que aqui em casa ninguém toma chá e saímos na hora. Os pobres dos suecos, ficaram constrangidos e acabaram comprando um potinho de chá a preço de ouro.

    No final, apesar de irritar a prática de nos sequestrar e levar pra essas lojas, bem que aprendemos coisas interessantes nas duas visitas (principalmente a do chá) e tivemos ótimos momentos com os amigos suecos. Mas não nos sentimos, nem um pouco, na obrigação de comprar nada de ninguém.

    galinha%20beijing.jpg

    Já ia esquecendo de comentar que, na volta, antes do chá, paramos num restaurante bem popular, na beira da estrada, para um almoço incluido no pacote da excursão. Essa galinha foi o prato principal. Imagina se alguém tocou nela?! os chineses que nos perdoem, mas era explícito demais pros nossos estômagos…

    (Essa é a foto que prometi num post anterior. Aguardem que colocarei mais fotos da comida chinesa ainda essa semana.)

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    Porque os chineses não devem levar a má fama
    do governo chinês

    Denise | China | Saturday, 03 May 2008

    jornal_tibet.jpg

    Acabei de ler um post do Gilberto Scofield sobre os boicotes e ataques à China e ele toca, de certa forma, numa coisa que eu queria falar aqui.

    É muito, muito importante que a gente não confunda essas manifestações contra as arbitrariedades e crimes do governo chinês com a China e seu povo. Existe um sentimento de preconceito e ódio crescente em relação ao país que eu acho assustador e muito triste. E bem parecido com o ódio fermentado contra os americanos, como se todos fossem responsáveis pelo Bush (que ganhou a eleição com uma margem ridícula e no roubo!).

    O povo chinês não pode ser estigmatizado e responsabilizado pelas cinco décadas de invasão do Tibet.

    Muita gente não lembra ou nem sabe, mas o Brasil já teve censura e seus meios de comunicação totalmente controlados e, nessas situações, a gente só sabe o que querem que se saiba. Nos anos 70, as pessoas estavam morrendo e sendo torturadas nos porões da ditadura, mas a maioria da classe média estava feliz e entusiasmada com o milagre econômico, comprando televisão e eletrodomésticos.

    Apesar da China ter o maior número de usuários de internet do mundo, o que eles acessam é controlado. E mesmo que não fosse, a maioria não lê outro idioma e navega mesmo nos sites de noticias em mandarim e lê o que querem que leiam.

    Todos os dias, lia o China Daily (http://www.chinadaily.com.cn/) que, apesar de ser um grande jornal, é publicado inglês, portanto lido por uma minoria de chineses. Ainda assim, é chocante o que se escreve, diariamente, sobre o Dalai Lama e os protestos de tibetanos.

    dalai_l.jpgEle é personificado como um mentiroso, diabólico, maquiavélico, que tem como missão destruir a imagem da China (e dos chineses) para o mundo e que vive por opção própria, fora do Tibet e que lá, ele não é mais considerado líder espiritual. E mais, segundo a imprensa, o que o Dalai Lama pretende é instaurar a teocracia.

    Por outro lado, os jornais mostram a generosidade do governo chinês, que apenas tenta melhorar o padrão de vida dos tibetanos e não se cansam de mostrar (foto acima), todas as “maravilhas” feitas pelo governo chinês em Lhasa (capita do Tibet):

    “Lhasa está cada vez mais bonita. Olhe a paisagem ao redor. (…) O Tibet não seria o que é se não fosse pela persistente ajuda dos cofres do Estado e da variedade de programas de ajuda (…)

    Fontes da Comissão de Reforma e Desenvolvimento da região autônoma do Tibet afirmaram que os projetos de renovação custam 87 milhões de RMB (cerca de US$12.4 milhões) (…) e nove em cada 10 RMB aplicados nessa reforma vêm do “Governo Central (Governo Chinês)”

    Não duvido que estejam mesmo investindo pesado no desenvolvimento da região. Ainda Segundo o jornal:

    “O PIB do Tibet é de mais de 12,000RMB em 2007, quase o dobro de 2002 e , pelo sétimo ano consecutivo, manteve um crescimento annual de 12%”

    No artigo “Figures and facts: five decades of Tibet’s development”, o jornal mostra as “vantagens” da ocupação do Tibet pela China.

    Essa informação filtrada é o que os chineses recebem.

    estudantestibetanas.jpgNão sei o quanto esses dados econômicos são reais, mas como incrível crescimento da China, não acho impossível. De qualquer forma, a informação controlada é sempre difícil de checar, claro que o desenvolvimento da região, sendo real, é uma boa estratégia para tentar manter o povo tibetano satisfeito com o domínio chinês.

    Por isso, a minha impressão (na minha curtíssima temporada, talvez alguém que vive ou viveu lá possa falar mais) é que os chineses, em geral, não entendem o porquê do ataque mundial à China, que está apenas “trazendo desenvolvimento ao Tibet”.

    O Dalai Lama, por sua vez, afirma que não está buscando a independência para o Tibet, mas autonomia em relação à China e pede apenas que sejam respeitadas as tradições e a cultura do povo, que estão se perdendo com o imperialismo chinês na região.

    Enfim, claro que eu defendo a posição do Dalai Lama e, sabendo do efeito devastador da colonização chinesa em países como Vietnam, dá muita pena pensar que, em pouco tempo, não saberemos mais o que era o Tibet. Mas, o povo chinês não deve ser atacado por isso.

    É preciso evitar botar tudo num pacote como se o inimigo fosse “a China”. Não, eles são tão vítimas quanto os tibetanos, pela ignorância, censura a desinformação em que vivem.

    Veja (e ouça) também:

  • Ouça relato do repórter Caio Vilela sobre o Tibete
  • Lhasa, a capital do Tibete, é hoje uma cidade “chinesa”

    Fotos: (1) Jornal China Daily, (2) Dalai Lama e (3) estudantes tibetanas recebendo a tocha em Lhasa.

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    Cidade Proibida – Pequim – China

    Denise | China,Pequim | Friday, 02 May 2008

    Volto com mais fotos e conversas, assim que puder, agora tá difícil… vão vendo aí o cenário do Último Imperador (sem a produção de Bertolucci, acho que fica bem sem gracinha, mas o povo dá o tom!).

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    China – Pequim & Xangai 2

    Denise | China,Pequim,Viagens,Xangai | Tuesday, 29 April 2008

    china_2008_a.jpg

    Apesar de ter como mantra a ideia de que que reclamar nao adianta de nada e vale a pena tentar viver seja la’ onde for, aceitando as diferencas e tentando se irritar o minimo possivel, devo dizer que entendo o pessoal que mora em um pais tao diferente e nao para de reclamar, viver num pais que parece outro planeta nao e’ facil mesmo.

    Entre uma coisa e outra, consegui botar na telinha algumas das minhas reflexoes e conclusoes sobre a China e os chineses. Nao se esgota aqui, claro. Em breve colocarei mais fotos e, se voce tiver alguma duvida, basta perguntar.

    Como eles sao

    IMG_1398.jpg

    Ainda nao consegui identificar “o povo chines”, e desconfio que com bilhoes de pessoas de diversas culturas, costumes, etnias, rural e urbana, rica e pobre, e’ impossivel defini-los homogenicamente. No geral, acho que os chineses sao amigaveis, mas nao se engane, podem ser quase violentos na rua, se nao quiserem ser fotografados (apesar de ser raro, no geral, posam pras fotos ou as ignoram).

    Dizem que, com a politica de filhos unicos, sao todos uns bebezoes mimados. Nao sei se e’ verdade, mas que os pais morrem de orgulhos dos seus filhos, isso ta’ na cara e, ao contrario de outros paises ocidentais – onde o pavor em relacao a pedofilia faz com que fotografar criancas pareca algo perigosissimo – eles adoram quando voce pede pra tirar fotos de suas crias (que sao as coisas mais fofas do mundo!).

    Existem enormes diferencas entre Xangai e Pequim, mas nao concordo com tudo que li no meu livro guia das cidades. La’, dizem que os habitantes de Pequim sao mais arredios e em Xangai o povo e’ mais cordial, quase submisso aos turistas, por ser uma cidade mais moderna e mais direcionada ao lucro e perceberem a importancia do turismo.

    Nao sei porque, mas minha impressao foi o oposto, achei o pessoal em Pequim muito mais gentil e os xangainenses mais arrogantes, mais duros, as poucas situacoes em que senti alguma animosidade foi em Xangai, nao em Pequim.

    De qualquer forma, a briga Pequim x Xangai rende. O mais engracado e’ quando voce provoca, perguntando a um e a outro, quais as vantagens de sua cidade… um de cada vez, claro.

    Mas, resumindo, minha experiencia com chineses e’ otima, a questao e’ tentar entender o povo com seus olhos, nao os nossos, eles podem parecer rispidos, desconfiados, ou extremamente gentis e atenciosos, como o pessoal com que eu estou trabalhando e o pessoal da equipe de Ted. Acho que, sao mesmo e’ diferentes da gente. So’ isso.

    Historinha sobre privacidade

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    A questao da falta de privacidade e’ bem interessante. Um dia, ao descer para o cafe’ da manha, fomos levados pela hostess – em um restaurante quase vazio – para uma mesa colada a outra onde estavam duas senhoras americanas, gentilmente pedi pra nos indicar outra mesa, pra alivio das duas.

    Ai Ted contou uma historia de uma aluna de doutorado, que ele orientava em Estocolmo, que entrou num metro completamente vazio e sentou na cadeira ao lado de uma sueca que, obviamente, deve ter entrado em panico e desceu na proxima parada… hehehehe… nao posso pensar em duas culturas mais opostas, a “zona de conforto” sueca e’ enorme, quanto mais longe, melhor.

    Para os chineses, isolamento nao e’ opcao, e’ quase castigo.

    O ritmo deles

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    Nao sei porque, mas, dessa vez, o ritmo chines, nas ruas, me incomodou mais. Nao e’ que sejam mais lentos, como a gente pensa, e’ um ritmo totalmente individualista, que cria um caos numa rua entupida de gente. Apesar dos chineses estarem sempre acompanhados, a ideia de pensar nos seus movimentos em termos de “coletivo” parece desconhecida por aqui.

    As pessoas andam na sua frente numa lentidao de matar (nada me irrita mais nas ruas). Por outro lado, se tiverem pressa, passam por cima de voce, sem do’ nem pena. Ando muito mal acostumada com a enorme cordialidade dos americanos (sim, eles tem virtudes, tambem!) nos lugares publicos, onde dizem “excuse me” ate’ se voce encostar o cabelo neles. Aqui, tenho sido arrastada pra um lado e pro outro e isso me da’ nos nervos.

    Hierarquia

    IMG_1096.jpgChineses sao seriamente hierarquicos – coisa dificil pra mim – e reverenciam as autoridades. Na nossa tour para as Muralhas teve um momento daqueles inesqueciveis. Ted perguntou ao nosso guia:

    - Quem foi mesmo o cara (guy) que construiu a Cidade Proibida?

    A gente viu os olhinhos apertados do chines dando mil voltas e uma fumacinha de incompreensao saindo da sua cabeca, antes dele responder:

    - Nao foi um “cara”…

    Na pausa que ele fez pra respirar antes de continuar solenemente, Ted disse que pensou: “Como assim? foi uma mulher??”

    O guia continuou, com toda pompa:

    “- …foi um imperador!!!”

    Gente, foi o momento mais fofo dessa viagem!

    Turistas chineses

    sm_IMG_0649.jpgQuando a gente le sobre evitar horarios de pico nas principais atracoes das cidades, por causa da enorme quantidade de turistas na China, pensa nos americanos de camisa florida e camera fotografica pendurada no pescoco.

    Bom, e’ verdade que e’ preciso evitar o meio da tarde, senao a gente nao consegue nem andar. Mesmo tendo uns ocidentais aqui e ali, esse mundo de gente que invade Pequim e Xangai (pelo menos fora do periodo das Olimpiadas) e’ todo chines mesmo!

    Sao centenas, milhares de chinesinhos, muitos deles bem velhinhos, geralmente vestidos todos com um colete e bone da mesma cor. A/O guia empunha uma enorme flor de veludo colorida, que deve ser seguida, para que nao se percam (nao sei como diferenciam a flor de um guia da flor de outro, ja’ que esse instrumento de identificacao e’ vendido nas ruas, a quem quiser e nao sao muitas as opcoes…

    sm_IMG_0640.jpgOs turistas chineses, em si, sao uma atracao, se voce tiver boa vontade e paciencia. Principalmente porque nas duas vezes em que pude observa-los, estava de saida e eles estavam chegando, portanto nao me incomodaram nada. Achei bonito de ver a admiracao e emocao do velhinho chines, que parece bem pobrezinho e deve ter vindo de uma vila distante, diante do trono do imperador na Cidade Proibida.

    Nos somos iconoclastas, sacaneamos com o museu do imperio la’ em Petropolis, e contamos historias de arrepiar da nossa familia real (claro, ela nem era nossa, por isso a diferenca…), os ingleses fazem piada da rainha, mas na China, a historia e’ reverenciada, mesmo apos a revolucao Cultural que tentou apaga-la (ou exatamente por causa disso). A visita dos chineses a Cidade Proibida e’ um espetaculo a parte, na minha opiniao.

    Transporte publico – Metro

    IMG_1179.jpg

    E’ possivel e baratissimo andar de metro pra quase todo lado, por aqui. A estrutura de metro em Xangai e Pequim (assim como em Guangzhou) e’ boa, em Pequim, a malha foi renovada, algumas linhas sao excelentes, sofisticadas, ar condicionado agradavel (pra mim) e muito, muito barato. Vai mudar, mas agora, com 2 RMB (1 US$ = 7 RMB) pode-se ir pra todo lado.

    So’ tem um problema… os chineses. Sinto muito a afirmacao tao preconceituosa, mas nao existe outro momento em que eu tenha menos paciencia com os chinseses que no metro. Eles nao respeitam a fila pra comprar os tickets, correm pra passar na sua frente, nao esperam voce sair pra entrar no trem.

    Por outro lado, mesmo quem nao vai descer do trem, nem tao cedo, prosta-se na frente da porta e nao arreda o pe’, quando a porta abre. Nao adianta dizer um inutil “excuse me” ou dar a entender que precisa descer, tem que fazer como eles e passar por cima (coisa que me deixa muito constrangida!).

    Alem disso, tem mais dois probleminhas, o cheiro de alcool e’ absurdo. Nunca tinha percebido antes, mas num trem lotado o odor de bebida e’ quase insuportavel. E mais, eles escarram no metro. A palavra e’ meio dura, mas o que eles fazem nao e’ bem “assoar o nariz”, e’ escarrar mesmo, com todo barulho possivel. Vi garotas de 17 anos fazendo isso no metro. Campanhas estao sendo feitas pra evitar que cuspam nas ruas, mas pelo jeito esse habito de milenios nao vai ser maquiado nessas olimpiadas.

    A delicada relacao motorista de taxi e passageiro

    IMG_1425.jpgComo em qualquer lugar do mundo, pegar um taxi e’ uma aventura. Eu e Ted viemos em voos separados, ele chegou algumas horas antes de mim. Chegamos no mesmo aeroporto e fomos pro mesmo hotel. Assim que eu entrei no taxi pedi, com firmeza que ele ligasse o taximetro (gesticulando). Ele fez cara feia, enrolou, eu fiz que ia descer. Ele ligou o meter. Eu pague 79RMB. Ted pagou 450RMB. Que meu maridinho me perdoe, mas em taxis, “mane’ e’ mane’ e malandro e’ malandro”.

    Ainda assim, em Hanoi, peguei um taxi com um taximetro tao enlouquecido que pedi pra descer antes da hora. Tem tambem, claro, a estrategia de dar mil voltas, o que eu faco e’ abrir um mapa na cara do motorista e tento – ou dou a entender que estou – identificando onde estou… enfim, acho essa relacao tao estressante que, ainda que o taxi seja baratissimo (ontem fui do hotel ao centro historico por 19RM), acabo preferindo metro.

    Pra quem pretende ir a China e andar de taxi (ou mesmo se for de outros meios), a dica e’ SEMPRE ter os nomes dos lugares pra onde quer ir em chines. Naqueles sinais locais mesmo, nao adianta de nada dizer que quer ir pra “Forbidden City”, muito provavelmente, ninguem vai entender o que voce quer dizer. Mesmo nos taxis que ficam em frente aos melhores hoteis.

    Eu nao falo ingles, posso ir pra China?

    IMG_1219.jpgSem duvida nenhuma. Pensa bem, se eles nao falam ingles quase nenhum, qual a diferenca? Eu fui ao Nepal ha’ 12 anos atras, com um ingles pobrinho e estava sozinha, fiz uma tour num carro com dois nepali que me levaram pra Kathmandu, Bakhtapur e Phokara. Eles nao me contaram nada da historia do pais, mas eu tambem nao ia entender :-) eu diria que e’ quase menos estressante ir pra China sem falar ingles do que ir pra Inglaterra. Definitivamente, e’ muito mais facil do que ir pra Franca, sem falar frances.

    O unico problema e’ ter em maos, sempre, os enderecos de onde voce pretende ir em mandarim (como dise ai acima, procure nos sites e imprima direto de la’). Eu deixei de ir a dois mosteiros aqui porque nao teve jeito de encontra-los.

    Comida para quem precisa

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    Como ja’ devo ter dito aqui, da ultima vez, nem pensem que vai ser moleza porque voces “adoram comida chinesa”. Nada mais equivocado, a comida chinesa no Ocidente foi totalmente adaptada aos sabores locais, o que a gente tem aqui e’ uma coisa – pra mim – muito dificil de engolir. Claro que, nos grandes centros, tem restaurante de todo canto (inclusive varias churrascarias brasileiras), mas se voce esta’ no meio da rua, num Hutong ou centro historico, se nao quiser se render as McDonalds (as vezes, nao tem nem isso), nao tem muitas opcoes.

    Na volta da Muralha da China, paramos em um restaurante ainda mais original, com comidinha totalmente tipica da regiao. Estavamos eu e Ted e um casal de suecos. Quase morremos de rir, porque a unica solucao, com a mesa cheia de pratos diferentes, foi comer muito arroz com molho de soja e uma verdura verde mais identificavel. A foto ao lado (em breve) mostra a galinha que nos foi servida. Por sorte, esqueceram nosso porco, imagina se viesse assim tao, er… digamos “explicito”!

    Tentei, mais uma vez, comer os famosos e badalados dumplings. O primeiro foi suportavel, apesar de ter um recheio de porco doce. No dia seguinte, fui sorteada com um recheio de peixe pavoroso.

    Enfim, nao sou a pessoa mais sofisticada em termos gastronomicos, mas mesmo os nossos amigos suecos, refinadissimos nao conseguiram comer nem o famoso pato laqueado.

    Nesses dias, comemos muito no hotel, fazemos nosso farnel no supermercado, o trivial pao e queijo, biscoitinhos e nozes. Comi galinha ao curry, pizza, comida tailandesa, desisti da chinesa de vez. A boa surpresa foi um picole’ de leite com pedacos de fruta com um desenho de uma vaquinha na embalagem. Comi a primeira vez na Cidade Proibida e agora estou viciada.

    Hoje, vamos a um jantar oferecido pelo pessoal (chines, claro) com quem estou trabalhando. Nessas horas, apelo pra “sou vegetariana”, assim, ao menos escapo das carnes esquisitas. na ultima vez, nos levaram a um restaurante vegetariano que mimetiza todas as comidas carnivoras. Assim, comemos pato ‘a Pequim totalmente vegetariano. Melhor assim.

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    Patriotismo

    Denise | China | Tuesday, 29 April 2008

    bandeiras_china.jpg

    Acabei de ver no blog da Juliana, aqui de Pequim (queria tanto ter ligado pra ela, mas dessa vez, nao deu pra encontrar ninguem, tenho compromissos o tempo todo), sobre essas bandeiras espalhadas nos dormitórios dos estudantes do Instituto de Tecnologia de Pequim (que fica aqui perto). Esta’ explicado porque o dia amanheceu com bandeiras por todo lado e esse moco ai, todo enfatiotado, parou um pouco pra descansar antes de espalhar mais um pouco de patriotismo pela cidade.

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    Pequim & Xangai 2008

    Denise | China,Pequim,Viagens,Xangai | Monday, 28 April 2008

    Estou super ocupada. Apenas umas fotinhas, pra voces terem uma ideia do que andei vendo por aqui, assim que puder, escrevo mais.

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    Templo Tibetano em Beijing

    Denise | China,Diversos | Thursday, 24 April 2008

    Nao estava muito animada pra vir pra ca’, dessa vez. Ando cansada, com muito trabalho que acumula quando eu viajo, precisando cuidar mais de mim, malhar, fazer regime de verdade, criar uma rotina. Alem do mais, essa situacao Tibet X China, que nao e’ novidade, mas piorou com os ultimos incidentes, me deixou ainda um pouco mais “melancolica” pra vir pra ca’. Mas, em chegando aqui, fiquei felicissima da vida. Eu adoro a Asia.

    Vai ver que, pra compensar, o primeiro passeio que fiz aqui em Beijing, foi a um Templo Tibetano, que nao tive tempo de ver da ultima vez. Esse foi um lugar que de uma paz tao grande, que foi como um recarregador de baterias para os dias que tenho pela frente.

    Yonghégong – Templo Lama da Harmonia e da Paz

    Tem muita coisa que nao tive tempo de ver na viagem anterior, por isso fiquei feliz com a nova oportunidade. Comecei devagarinho, com um dos maiores e mais importantes templos tibetanos fora do Tibet, o Yonghégong, que fica a apenas tres estacoes de metro do nosso hotel e cuja passagem custou CNY 2 (Yuan Renminbi) ou R$ 00,47.

    O templo comecou a ser construido em 1694, durante a Dinastia Qing, inicialmente era moradia de principes e imperadores, mas em 1744, se tornou um “lamasterio”, uma escola de monges Geluk (de chapeu amarelo), uma linha do budismo tibetano (seguida pelo Dalai Lama cuja foto, por motivos obvios nao esta’ em nenhuma das suas paredes).

    Tambem conhecido como o Palacio da Harmonia e da Paz, foi fechado, mas escapou da destruicao durante a Revolucao Cultural (que definia os “quatro velhos”, “velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e velhos habitos”) e foi reaberto ao publico em 1981. Hoje, vivem cerca de 70 monges por la’.

    Com 480 metros (de norte a sul) e 20 saloes (que nao podem ser fotografados por dentro), o templo e’ belissimo Cada salao tem um nome daqueles so’ os asiaticos sabem dar, como Yongyoudian (Salao da Protecao sem Fim), Falundian (Salao da Roda da Lei) e Wanfuge (Pavilhao das Dez Mil Felicidades)

    Esse ultimo, tem tres mezzaninnos e dezenas de milhares de estatuas de Buda. E’ onde fica uma estatua de Buda de 23 metros, com uma plaquinha do Guiness Record ao lado, atestando que e’ a maior escultura de Buda do mundo feita de madeira de uma unica arvore, sandalo branco (trazida do Tibet!). Mesmo sem ser permitido, nao resisti e fiz essa fotinha ao lado, pra voces terem uma ideia da grandiosidade desse Buda.

    Esse templo nao estava nem no meu livro guia de Beijing/Shanghai, mas foi uma das coisas mais bonitas e interessantes que eu vi por aqui. Fiquei a tarde toda por la’, lagarteando num friozinho delicioso com um sol bem agradavel. Gosto muito de ver a fe’ das pessoas, acendendo seus incensos e se curvando diante dos saloes (nao e’ permitido levar incenso para dentro, onde ficam as imagens, entao, as pessoas reverenciam de fora mesmo).

    Os chineses do povao sao umas gracinhas, gostam de turistas, riem, alguns tentam se comunicar, me sinto muito bem em Beijing (claro que morar aqui deve ser outra coisa…)

    A entrada custa CNY 25 (R$ 6,00) e fica aberto todos os dias entre 9 da manha e quatro da tarde. O templo fica do lado da estacao de metro, ou pode ser acessado de onibus pelas rotas 13, 18, 44, 62, 116, 407 e 807.

    (Gente, a Denise continua sem acesso. Assim que, quem publicou este texto fui eu, Vanessa, que ela me mandou por e-mail).

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    Notícias da China

    Denise | China | Tuesday, 22 April 2008

    Gente, aqui é a Vanessa, do Inconfidência Mineira.

    A Denise não está conseguindo acessar o próprio blog (imaginem que angústia!) e por isso me pediu pra avisar que chegou bem, mas que não sabe quando vai conseguir publicar outro post e fotos da viagem.

    Ela espera que no domingo, já em Shanghai, as atividades do Síndrome de Estocolmo voltem ao normal.

    Por enquanto, continuem comentando no post abaixo (cujo enfoque é realmente genial).

    Beijos a tod@s!

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    Gloria na India

    Denise | India,Televisao | Sunday, 20 April 2008

    gloria_sari.jpgA escritora Gloria Perez vai fazer uma novela relacionada com a India (e Dubai) e esteve por lá, fazendo pesquisa. Gente, que saudades da India. Adoro ver gente escrevendo sobre esse país, principalmente quando é com muito respeito e buscando entender a cultura do povo tão absurdamente diferente da nossa.

    Confiram lá no blog dela, as fotos e os posts interessantíssimos!

    Com certeza, vai ser uma novela muito colorida :-)

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