Copper Canyon, Chihuahua, Mexico
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Lago de Arareko, Chihuahua, México
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Ouça Comigo:


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Lago de Arareko, Chihuahua, México
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Como vim parar aqui
Ted recebeu um convite para fazer uma palestra em uma conferência organizada por Joel Espino, que foi seu aluno de PhD na Universidade de Uppsala, na Suécia. A idéia era, além da palestra, aproveitar pra conhecer, in loco,as escolas indígenas e o hospital onde ele, Joel, fez a sua pesquisa para tese final do PhD, orientada por Ted, cujo tema foi “Anemia por deficiência de ferro entre as mulheres Tarahumara em idade reprodutiva, no Norte do Mexico”.
Chihuahua
Sei, todo mundo lembra logo do cachorrinho (que, segundo li recebeu esse nome porque foi identificado aqui, pela primeira vez), mas me deixa situar o lugar, pra vocês.
Chihuahua é um estado enorme, que fica no Norte do Mexico. Pra mim, que adoro o México e já fui à Chiapas, que fica no Sul e à Cidade do Mexico (a capital), era uma oportunidade imperdível de conhecer um pouco mais do país.
A cidade de Chihuahua é totalmente diferente de tudo que conhecia. É muito rica e desenvolvida. Em alguns lugares, parece uma continuação do Texas, com grandes highways, típicas lojas e junk food americanos, como Home Depot, Walmart, Domino’s Pizza etc. dizem que tem até uma certa cultura “cowboy”.
Como fazem os nordestinos com São Paulo, os sulistas também emigram pra cá em busca de uma vida melhor ou vêem para Chihuahua para atravessar a fronteira ilegalmente, pros EUA.
Conheci uma garota que nasceu aqui em Chihuahua e vivia em San Cristobal de las Cazas (Chiapas) e reclamava muito da vida de lá, muito calma “sem ter muito o que fazer”, agora entendo bem a diferença. É como alguém mudar de São Paulo pra Ouro Preto. Ter o que fazer, tem, mas em outro ritmo, se você não gostar do charme da cidade pequena (que eu adoro!), vai mesmo reclamar da diferença em termos de movimentação.,
Enfim, Chihuahua é tão aparentemente americanizada, em algumas áreas, que segundo nos contou Joel, saiu nos jornais um caso de um desses “peiotes” que vinha trazendo um grupo de mexicanos do Sul, que pagarou para ser levado até o outro lado da fronteira americana. Ao chegar nessa região de Chihuahua, aqui perto do hotel, o peiote largou o grupo dizendo: “Estão vendo? Home Depot, Walmart, vocês estão nos EUA” e largou os coitados, levando seus dólares, pagos pra cruzar a fronteira, e os deixando em solo mexicano.
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Até por ser uma cidade tão “americanizada”, Chihuahua não é, exatamente, um destino turístico. Sem dúvida, pelo que vi até agora (pouquíssimo), não tem o charme de Chiapas, mas charme não pôe comida na mesa da população. Pode não ter muita graça pra gente que vem de fora, mas aparentemente, o povo vive melhor, tem mais emprego, melhores condições de saúde e educação.
Bom, tem uns museus bacanas e, pelo que li em alguns sites, tem o que ver sim. Hoje e amanhã vou conhecer a cidade e depois conto mais pra vocês. (Ana, tem o museu de Pancho Villa, sim, vou lá amanhã)
A viagem e a chegada
Voltando ao começo. Aceitei o convite de Ted, na hora, juntamos algumas milhas e cá estou eu. Da última vez, quando disse que não estava disposta a ir a Austrália, recebi comentários irônicos, até de amigas. Mas, gente, viajar não é só estar em lugares maravilhosos, não. A locomoção cansa, ainda mais quando são várias viagens assim, uma atrás da outra. Continuo exausta, nem tive tempo de me recuperar ainda.
Ted tinha um vôo direto de Washington pra Houston (a instituição onde Joel trabalha pagou sua passagem). Como viajei com milhas, tive que fazer mais uma escala em Detroit. Saí de casa de manhã cedo, viajei até Detroit e de lá peguei um vôo pra Houston, onde encontrei Ted. Chegamos aqui, em Chihuahua à noite. Pra complicar, a mala (que estava com Ted, viajamos com apenas uma), não chegou,
E acontece que tínhamos que seguir, no dia seguinte, bem cedinho pra Sierra Tarahumara e só voltariamos no outro dia. Então, às 11 da noite, fomos parar num Walmart pra comprar calcinhas, uma roupinha a mais, shampoo e outras cositas urgentes, que a gente ia precisar em dois dias. Fomos dormir, finalmente, já às 2 da manhã e acordamos às 7 e meia. Não é moleza, não.
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O caminho pra Sierra Tarahumara
Se alguém me dissesse, um dia, que eu iria viajar cerca de 12 horas numa caminhonete sem ar condicionado, dessas que só têm lugar pra três pessoas na frente (sendo que no meio – lugar revezado por mim e Ted – não tinha onde colocar as pernas, porque ali ficava a marcha e tinha que viajar de bandinha), tudo isso num sol de rachar e sem música… eu diria que seria impossível. Não foi.
Pausa pra uma explicação: eu não tenho muitas frescuras, mas tenho trauma de viagens de ônubus ou carro. Quando eu tinha 10 anos viajamos de ônibus de Recife pra Imperatriz do Maranhão, onde vivemos cerca de um ano. Foi terrível, enjoei o tempo todo, vi acidentes horríveis pelo caminho, desde então, nunca mais tinha feito nenhuma viagem tão longa, na estrada (a não ser trens europeus, que são outra conversa).
Existe um ditado americano “no pain, no gain”, muito sensato. Algo como “sem dor, sem compensação”, À base de muito Dramamine, muita paciência e vontade de conhecer os Tarahumara, fomos nós.
Os povos Tarahumara
O que aprendi sobre esse povo foi com Joel e pelo que li em alguns sites, listados abaixo. Claro que não dá pra perceber muita coisa em algumas horas, a nao ser a enorme timidez do povo e suas roupas maravilhosas, coloridíssimas.
Os Tarahumara se mantêm afastados do resto do país. Não pode-se dizer que a sua cultura é totalmente preservada porque sofreram influência dos missionários católicos e têm uma mistura de suas crenças ancestrais com doses de cristianismo, mas eles mantém muitas das suas tradições.
Vi, ontem, na televisão, por exemplo, um índio a dizer que Cristo está muito distante deles, que ele cultua os deuses maia. o sol, as forças da natureza.
Como eu disse, Chihuahua não é um destino turístico comum e os Tarahumara ficam ainda mais distantes da cidade, algumas vezes vivendo em cavernas feitas de pedras no meio das montanhas ou em casas de madeira de difícil acesso. Essa a ausência de contato mais constante com estrangeiros – ou mesmo com mestiços mexicanos – ajuda a preservar sua cultura.
São cerca de 50 mil pessoas, que vivem do milho, de feijões e da criação de animais em currais, para subsistência.
De acordo com a lenda dos antigos habitantes da Sierra Madre, o mundo foi criado por Rayenari – o Deus Sol – e por Metzaka – a Deusa Lua – e, em sua honra, até hoje, os Tarahumara dançam, sacrificam animales e bebem “tejuino” (uma bebida fermentada de milho). Além do Tejuíno, os Tarahumara tomam o famoso peyote.
O escrtor e teatrólogo francês Antonin Artaud viveu com os Tarahumara e, em 1945, escreveu o livro “Os Tarahumara ou a Dança Peyote”, onde descreve suas experiências alucinógenas com o grupo, depois disso, escreveu diversas vezes sobre suas experiências com a tribo.
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As fotos da primeira e terceira tabelas foram feitas em Creel, cidade que fica no caminho pra o Copper Canyon (a uns 170km de Chihuahua). A tabela do meio tem fotos do centrão de Chihuahua, com a celebração hiper-kitsch da independência.

