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    Taller Leñateros faz 32 anos e você pode ganhar essas gravuras

    Denise | Artes Plásticas,Blogosfera,Chiapas,Mexico | Saturday, 20 October 2007

    Fotos ampliadas aqui.

    Quando estive em Chiapas, há alguns meses, tive o privilégio de visitar um grupo que faz um dos mais belos e impressionantes trabalhos artesanais que já tive conhecimento. Trata-se do Taller Leñateros, que está completando, hoje, 32 anos!

    Fazem meses que venho adiando esse post, por uma simples razão, por mais que eu tente, não consigo encontrar as palavras pra contar pra vocês o que é o trabalho que esse grupo faz. Só vendo.

    Fundado por Ambar Past em 1975, o Taller Leñateros é formado por artesãos e artesãs tzotzil maias, indígenas e mestiços, que produzem livros de arte, cartões, cartazes, gravuras, calendários, camisetas, tudo feito do começo ao fim no atelier, desde o papel, que é reciclado de outras publicações gráficas e de plantas, muitas do próprio quintal dos Leñateros.

    Vejam as fotos que fiz do atelier aqui.

    É tudo feito com uma qualidade impressionante, não só o design é sofisticado, o acabamento perfeito, mas é tudo rico em história e cheio de surpresas, como as fantásticas dobraduras, como essa que dão vida a um tigre, e que encantam todo mundo.

    Esse livro, das fotos acima, chama-se Mayan Hearts (Corações Maias) e eu trouxe de presente pra Ted. Tem 23 cm x 28 cm x 2.5 cm, 116 páginas e faz parte da coleção permanente do Museu Nacional de Arte das Mulheres, aqui de Washington. Essa versão foi escrita em inglês e Tzotzil. Impossível encontrar um presente mais romântico que esse. (Vejam outras fotos, ampliadas, desse livro aqui).

    Esse livro de arte (todo feito manualmente, um a um) custa cerca de 100 dólares, fora correio, mas tem muitas outras coisas com preço mais accessível lá no site do Taller ou no blog, que estou fazendo pro grupo (ainda em construção :-)

    São excelentes opções para presentes realmente especiais e únicos pro natal e o envio pelo correio é mais barato do que se pensa!

    Sorteio

    Enfim, quando estive lá, a querida Ambar Past me deu um calendário (30cm X 23cm), cujas fotos ilustram o primeiro moisaco de imagens desse post, para sortear aqui no blog.

    O ano tá acabando, mas cada página desse calendário tem uma ilustração, impressa uma a uma com serigrafia ou xilogravura, em papel reciclado e assinado pel@ artista. São obras de arte preciosas que podem virar quadros em sua casa.

    Tem ainda um texto explicando como o calendário foi feito e com uma curta biografia de cada artesã(o). E na última página, um calendário de 2008.

    Pra concorrer, basta deixar um comentário nesse post. Farei o sorteio no próximo sábado, às 9 da manhã (horário de Washington). Atenção, só valem os comentários colocados nesse post.

    ___________________________

    Taller Lenatero
    Calle Flavio A.Paniagua 54
    San Cristobal de las Casas
    Chiapas Mexico
    Tel./Fax: ++ (52) (967) 678 51 74
    Email:tallerlenateros@yahoo.com.mx

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    Copper Canyon, Chihuahua, Mexico

    Denise | Chihuahua,Viagens | Monday, 27 August 2007

    Lago de Arareko, Chihuahua, México

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    Sierra Tarahumara, Chihuahua, Mexico

    Denise | Chihuahua,Viagens | Thursday, 23 August 2007

    Como vim parar aqui

    Ted recebeu um convite para fazer uma palestra em uma conferência organizada por Joel Espino, que foi seu aluno de PhD na Universidade de Uppsala, na Suécia. A idéia era, além da palestra, aproveitar pra conhecer, in loco,as escolas indígenas e o hospital onde ele, Joel, fez a sua pesquisa para tese final do PhD, orientada por Ted, cujo tema foi “Anemia por deficiência de ferro entre as mulheres Tarahumara em idade reprodutiva, no Norte do Mexico”.

    Chihuahua

    Sei, todo mundo lembra logo do cachorrinho (que, segundo li recebeu esse nome porque foi identificado aqui, pela primeira vez), mas me deixa situar o lugar, pra vocês.

    Chihuahua é um estado enorme, que fica no Norte do Mexico. Pra mim, que adoro o México e já fui à Chiapas, que fica no Sul e à Cidade do Mexico (a capital), era uma oportunidade imperdível de conhecer um pouco mais do país.

    A cidade de Chihuahua é totalmente diferente de tudo que conhecia. É muito rica e desenvolvida. Em alguns lugares, parece uma continuação do Texas, com grandes highways, típicas lojas e junk food americanos, como Home Depot, Walmart, Domino’s Pizza etc. dizem que tem até uma certa cultura “cowboy”.

    Como fazem os nordestinos com São Paulo, os sulistas também emigram pra cá em busca de uma vida melhor ou vêem para Chihuahua para atravessar a fronteira ilegalmente, pros EUA.

    Conheci uma garota que nasceu aqui em Chihuahua e vivia em San Cristobal de las Cazas (Chiapas) e reclamava muito da vida de lá, muito calma “sem ter muito o que fazer”, agora entendo bem a diferença. É como alguém mudar de São Paulo pra Ouro Preto. Ter o que fazer, tem, mas em outro ritmo, se você não gostar do charme da cidade pequena (que eu adoro!), vai mesmo reclamar da diferença em termos de movimentação.,

    Enfim, Chihuahua é tão aparentemente americanizada, em algumas áreas, que segundo nos contou Joel, saiu nos jornais um caso de um desses “peiotes” que vinha trazendo um grupo de mexicanos do Sul, que pagarou para ser levado até o outro lado da fronteira americana. Ao chegar nessa região de Chihuahua, aqui perto do hotel, o peiote largou o grupo dizendo: “Estão vendo? Home Depot, Walmart, vocês estão nos EUA” e largou os coitados, levando seus dólares, pagos pra cruzar a fronteira, e os deixando em solo mexicano.

    Até por ser uma cidade tão “americanizada”, Chihuahua não é, exatamente, um destino turístico. Sem dúvida, pelo que vi até agora (pouquíssimo), não tem o charme de Chiapas, mas charme não pôe comida na mesa da população. Pode não ter muita graça pra gente que vem de fora, mas aparentemente, o povo vive melhor, tem mais emprego, melhores condições de saúde e educação.

    Bom, tem uns museus bacanas e, pelo que li em alguns sites, tem o que ver sim. Hoje e amanhã vou conhecer a cidade e depois conto mais pra vocês. (Ana, tem o museu de Pancho Villa, sim, vou lá amanhã)

    A viagem e a chegada

    Voltando ao começo. Aceitei o convite de Ted, na hora, juntamos algumas milhas e cá estou eu. Da última vez, quando disse que não estava disposta a ir a Austrália, recebi comentários irônicos, até de amigas. Mas, gente, viajar não é só estar em lugares maravilhosos, não. A locomoção cansa, ainda mais quando são várias viagens assim, uma atrás da outra. Continuo exausta, nem tive tempo de me recuperar ainda.

    Ted tinha um vôo direto de Washington pra Houston (a instituição onde Joel trabalha pagou sua passagem). Como viajei com milhas, tive que fazer mais uma escala em Detroit. Saí de casa de manhã cedo, viajei até Detroit e de lá peguei um vôo pra Houston, onde encontrei Ted. Chegamos aqui, em Chihuahua à noite. Pra complicar, a mala (que estava com Ted, viajamos com apenas uma), não chegou,

    E acontece que tínhamos que seguir, no dia seguinte, bem cedinho pra Sierra Tarahumara e só voltariamos no outro dia. Então, às 11 da noite, fomos parar num Walmart pra comprar calcinhas, uma roupinha a mais, shampoo e outras cositas urgentes, que a gente ia precisar em dois dias. Fomos dormir, finalmente, já às 2 da manhã e acordamos às 7 e meia. Não é moleza, não.

    O caminho pra Sierra Tarahumara

    Se alguém me dissesse, um dia, que eu iria viajar cerca de 12 horas numa caminhonete sem ar condicionado, dessas que só têm lugar pra três pessoas na frente (sendo que no meio – lugar revezado por mim e Ted – não tinha onde colocar as pernas, porque ali ficava a marcha e tinha que viajar de bandinha), tudo isso num sol de rachar e sem música… eu diria que seria impossível. Não foi.

    Pausa pra uma explicação: eu não tenho muitas frescuras, mas tenho trauma de viagens de ônubus ou carro. Quando eu tinha 10 anos viajamos de ônibus de Recife pra Imperatriz do Maranhão, onde vivemos cerca de um ano. Foi terrível, enjoei o tempo todo, vi acidentes horríveis pelo caminho, desde então, nunca mais tinha feito nenhuma viagem tão longa, na estrada (a não ser trens europeus, que são outra conversa).

    Existe um ditado americano “no pain, no gain”, muito sensato. Algo como “sem dor, sem compensação”, À base de muito Dramamine, muita paciência e vontade de conhecer os Tarahumara, fomos nós.

    Os povos Tarahumara

    tarahumara_india.jpgO que aprendi sobre esse povo foi com Joel e pelo que li em alguns sites, listados abaixo. Claro que não dá pra perceber muita coisa em algumas horas, a nao ser a enorme timidez do povo e suas roupas maravilhosas, coloridíssimas.

    Os Tarahumara se mantêm afastados do resto do país. Não pode-se dizer que a sua cultura é totalmente preservada porque sofreram influência dos missionários católicos e têm uma mistura de suas crenças ancestrais com doses de cristianismo, mas eles mantém muitas das suas tradições.

    Vi, ontem, na televisão, por exemplo, um índio a dizer que Cristo está muito distante deles, que ele cultua os deuses maia. o sol, as forças da natureza.

    Como eu disse, Chihuahua não é um destino turístico comum e os Tarahumara ficam ainda mais distantes da cidade, algumas vezes vivendo em cavernas feitas de pedras no meio das montanhas ou em casas de madeira de difícil acesso. Essa a ausência de contato mais constante com estrangeiros – ou mesmo com mestiços mexicanos – ajuda a preservar sua cultura.

    São cerca de 50 mil pessoas, que vivem do milho, de feijões e da criação de animais em currais, para subsistência.

    De acordo com a lenda dos antigos habitantes da Sierra Madre, o mundo foi criado por Rayenari – o Deus Sol – e por Metzaka – a Deusa Lua – e, em sua honra, até hoje, os Tarahumara dançam, sacrificam animales e bebem “tejuino” (uma bebida fermentada de milho). Além do Tejuíno, os Tarahumara tomam o famoso peyote.

    O escrtor e teatrólogo francês Antonin Artaud viveu com os Tarahumara e, em 1945, escreveu o livro “Os Tarahumara ou a Dança Peyote”, onde descreve suas experiências alucinógenas com o grupo, depois disso, escreveu diversas vezes sobre suas experiências com a tribo.

    __________________________________

    As fotos da primeira e terceira tabelas foram feitas em Creel, cidade que fica no caminho pra o Copper Canyon (a uns 170km de Chihuahua). A tabela do meio tem fotos do centrão de Chihuahua, com a celebração hiper-kitsch da independência.

    Copper Canyon

    onde.jpg

    onde2.jpg

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    O povo e a arte de Chiapas

    Denise | Chiapas,Viagens | Monday, 30 April 2007

    O post sobre os zapatistas e o sorteio dos bonequinhos eu JURO que ainda vão sair, mas ando muuuuuuuuuuuuuuuuito ocupada, sem tempo pra dar os arremates finais no post, que já tá quase pronto. Enquanto isso, lembrem que todos que comentarem nos posts sobre Chiapas estarão concorrendo aos bonequinhos cujo sorteio será… em breve…

    Preferi levar uma camerazinha pequena, discreta (Samsung S700, 7 megapixels), sem muitos recursos técnicos, porque os chiapanecos, a maioria indígena, detesta ser fotografada e a Cannon iria chamar muita atenção, com essa fazia a foto e botava logo no bolso da calça.

    Algumas vezes puxei conversa, brinquei com meu portunhol e toparam fazer a foto, outras eu tive que fotografar de muito longe (com pouco zoom, mas com alta resolução) e recortar a pessoa que eu queria registrar, por isso, algumas vezes a imagem está um pouco “borrada”, mas não tinha pretensões artísticas, queria mesmo era registrar pra vocês e pra que eu nunca mais esquecesse, as imagens desse povo tão maravilhoso, tao sofrido, mas também combativo e forte. Lembra muito o nosso povo sertanejo.

    Aqui vocês podem ver mais fotos do artesanato (algumas vezes, clicando em “Get Original Uploaded Photo” vocês podem ver a foto bem ampliada). Dêem uma olhada nessa aqui, que eu acho particularmente interessante (clique nela, para ver enorme, com todos detalhes do tecido. Eu achei impressionante.).

    Nesse album estão algumas fotos que tirei das pessoas, pela cidade. Essa é a minha favorita, as cores, os desenhos da igreja e a roupa do velhinho me lembraram o Movimento Armorial pernambucano. Senti muita pena desse velhinho. Aliás, os idosos sempre me comovem mais, eles não têm nem expectativa de um final de vida decente.

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    Minha experiência em Chiapas e a democratização do acesso aos instrumentos da internet

    Denise | Chiapas,Trabalho | Thursday, 26 April 2007

    reuniao_chiapas.jpg

    Minha relação com Chiapas começou em 1993, quando conheci Marcos Arana – como eu, um membro da IBFAN ( Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar) – numa reunião em Montevidéu.

    Marcos (que não é o subcomantante!), sempre me pareceu um exemplo de combatividade, com muita ética e profissionalismo. Em 2005, ele recebeu o Prêmio Sasakawa, oferecido pela Organização Mundial da Saúde para as pessoas ou organizações que se destacaram pelo seu trabalho em desenvolvimento para a saúde pública.

    Há alguns meses comecei a produzir um site para a organização da qual ele faz parte, mas não é fácil produzir, à distância, um site para uma instituição que tem mais de 20 anos, vários projetos e uma história complexa, com várias ramificações.

    Além do mais, acho que minha contribuição vai mais além do site, mais importante que produzir um site moderno e sofisticado, acho que é ajudar a criar uma cultura de uso da internet na equipe e produzir, coletivamente, um site que possa ser atualizado sempre, pela própria equipe, sem nenhuma dependência externa e, para ajudar nisso, acho que só pessoalmente.

    Por isso, Marcos me convidou a ir para San Cristobal de las Casas por 10 dias para trabalhar com o pessoal. Primeiro, tivemos algumas reuniões mais ampliadas, nas quais discutimos o que a equipe esperava do site, como ele deveria ser estruturado, nome, domínio, quem iria fazer o quê, conversamos sobre as muitas possibilidades do site, muitas coisas que eles nem imaginavam ser possível fazer.

    Depois dessa primeira fase, tivemos um período de trabalho apenas com as cinco pessoas (todas mulheres espertíssimas) que vão ficar responsáveis pelo site (como informação é poder, brinquei que elas vão ser, agora, as poderosérrimas da instituição).

    Além de ensinar a atualizar o site, que foi feito usando uma plataforma de blog adaptada para virar um “gerenciador de conteúdo”, levei vários programas freeware para edição de imagens, envio de arquivos com FTP e outros. Expliquei como colocar o material multimídia no site, criamos albuns de fotos e um dos vídeos já está no You Tube do grupo. E, de quebra, ainda instalei o Limewire em todos computadores ;-)

    Acho que mais do que o aspecto técnico, meu trabalho é de sensibilização, de mostrar a importância das ONGs utilizarem todos recursos gratuitos da internet de uma forma eficiente, reafirmar o quanto todo mundo pode fazer isso, como é simples e acessível, basta se “empolgar” e se interessar por esses instrumentos que estão ao alcance de tod@s.

    Alguém me disse que minha estratégia é oposta à da maioria dos consultores que têm a tendência a fazer uma cena de “eu sou fera, eu tenho a informação”, para valorizar o seu trabalho. Ao contrário, eu procuro ser apenas uma facilitadora do processo, e o bonito é a simplicidade de tudo e meu maior prazer é ver a equipe totalmente independente e confiante na sua capacidade de desenrolar, sozinha, o resto do trabalho.

    O que eu faço a mais é entregar a parte visual pronta, o template, para que possam trabalhar a partir dessa base, mas dessa vez, mesmo levando tudo quase pronto, surgiram tantas modificações ao encontrar o grupo, que decidimos que meu tempo lá seria usado mais para treinar o pessoal. Portanto, agora, estou ocupadésima, refazendo o site (que, na verdade, virou três sites) para que a mulherada maravilhosa de Chiapas possa, finalmente começar a por a mão na massa.

    Por isso, ao chegar aqui, estou ainda mais ocupada, sem tempo nem pra respirar, porque não quero que levem muito tempo antes de começar a mexer no site, pra não “perderem o embalo”.

    Tenho muito trabalho esse semestre, mas a partir de setembro criarei o meu site profissional e pretendo divulgar mais meu trabalho, se souberem de instituições interessadas, em qualquer lugar do mundo, podem dar um toque ;-)

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    Oventic – Corazón Cêntrico de los Zapatistas Delante del Mundo

    Denise | Chiapas,Fotografia | Tuesday, 24 April 2007

    Vejam aqui todas as fotos da minha visita ao caracol zapatista Oventic (ou clicando na primeira foto, dá pra ir vendo direto, uma a uma)… o post, explicando como foi tudo por lá, chega em breve. Estou incrivelmente ocupada e ainda muito cansada…

    O sorteio dos bonequinhos zapatistas será no sábado.

    Atenção:

    Vocês podem perguntar o que quiserem sobre as fotos e os zapatistas, isso vai até ajudar a escrever meu post.

    Tenho que sair pra fazer uns exames e me forçar a fazer exercícios na academia (sem vontade nenhuma!), tenho uns prazos para entregar uns trabalhos que atrasei por causa do meu tempo em Chiapas e minha fibromialgia atacou um pouquinho nesses dias, mas assim que tiver um tempo mais relaxado, escrevo mais (espero que hoje, mais tarde).

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    Voltei!

    Denise | Chiapas,Viagens | Sunday, 22 April 2007

    oventic_blue.jpg
    Eu e Marcos Arana na frente de um dos murais zapatistas, em Oventic.

    Já cheguei em casa e estou incrivelmente cansada. Hoje fiz um almoço (camarão ao côco, a única coisa que sei fazer agora hehehe… e mais arrozinho integral e vegetables curry) pra Bia, que o aniversário dela foi na sexta-feira. No dia, eu estava viajando pra cá e ontem ela ainda estava de ressaca da festa.

    Estou muito, muito, muito cansada mesmo. O trabalho em Chiapas foi maravilhoso, mas exaustivo, mais complexo do que eu imaginava e agora tenho mais coisas ainda a fazer, vai ser uma semana difícil.

    Mesmo assim, prometo que amanhã tem post novo, contando mais sobre Chiapas e mostrando minhas fotos maravilhosas (não porque eu sou uma ótima fotógrafa, mas porque a cidade e as pessoas são pra lá de fotogênicas, por lá).

    Agora, preciso ir ali deitar, agarradinha a Ted, ver filme, tentar arrumar minhas fotos e descansar mais, que estou precisando muito.

    Beijos e até amanhã!

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    Arte em Chiapas

    Denise | Chiapas,Viagens | Tuesday, 17 April 2007

    SORTEIO

    Aceitando a sugestao, vou fazer um sorteio de uma bonequinha da Comandante Ramona e um bonequinho do Sub-comandante Marcos, quando voltar, na próxima semana. Vao concorrer todos que deixarem comentários nos posts sobre Chiapas. Primeiro sortearei o post, depois o comentário no post, entenderam?

    ATENCAO

    Aguentem ai, que vou explicar bem direitinho tudo sobre o que é o movimento zapatista e como estao organizados e ainda estou tentando conseguir uma foto do sex symbol Sub-comandante Marcos sem máscara ;-) mas isso somente quando voltar, no final de semana. Agora, o trabalho tá cada vez mais puxado e o tempo é nenhum.

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    San Cristobal de Las Casas, Chiapas, Mexico

    Denise | Chiapas,Viagens | Tuesday, 17 April 2007

    postchiapas3.jpg

    Estou sem tempo – e super cansada – pra escrever um bom post sobre o movimento zapatista, fica pra depois e, por enquanto, vou deixar algumas das minhas impressoes sobre esse lugar INCRÍVEL:

  • Vim pra cá pensando que isso aqui era o fim do mundo. Chiapas é um dos dois estados mais pobres mexicanos (o outro é Oaxaca, aqui do lado) e fica muito longe da capital (Cidade do Mexico). Nao poderia estar mais enganada.

    postchiapas6.jpg

  • Desde 1994, quando o zapatistas tomaram a cidade e estabeleceram seus caracóis (comunidades) aqui em Chiapas, a regiao tem virado um grande centro de encontro de pessoas do mundo todo que buscam uma alternativa para o estilo de vida predatório e neo-liberal. Em outras palavras, a cidade está cheia de hippies e outros grupos alternativos.

  • Como já disse aí abaixo, a cidade é incrivelmente conectada. Tem dezenas de espacos culturais, restaurantes, cafeterias, com decoracao lindissima e acesso gratuito. Basta sentar lá, tirar o laptop da bolsa e navegar pelo mundo.
  • A vida noturna é melhor que Estocolmo e Washington juntas. Em plena quarta-feira, se encontra bares e clubes abertos até muito tarde, com música pra todos gostos, gente muito bonita de todo canto do mundo, criativa, interessante. Só lembrei de Bia. Ela precisa vir aqui…
  • Com tanto movimento, diz-se que o consumo da marijuana é enorme e reza a lenda que é barata e de ótima qualidade…
  • Prefere uma substancia legal? tem uma casa de chá lindissima, com produtos do mundo todo. Chocolate? tem uma Casa de Cacau com todo tipo de chocolate. Cafeterias sofisticadas, com café barato e do bom (dizem, eu nao bebo). Doces finos, doces típicos… restaurante frances, suico, chiapaneco, mexicano, indiano… basta escolher…
  • Mas quem vai querer fondue, quando se tem esses tamales, tortillas, burritos e muito mais?’ tudo sublime e barato. Com 3 dólares, come-se muito bem.

    postchiapas4.jpg

  • A toda hora se encontra festividades populares, eventos religiosos, tudo muito original e colorido, parecendo com os maracatus de Pernambuco.
  • Uma das coisas mais bonitas que vi foi uma oficina de livros artesanais, o Taller Leñateros formado por mulheres que produzem tudo com material reciclado, como folhas de bananeira e outras plantas. Vou fazer um post somente sobre isso, quando der

    postchiapas5.jpg

  • Por aqui, tem vários centros culturais, que passam filmes de arte, excelentes. O Foro Cultural Independiente Kinoki tem uma sala aconchegante, com várias cadeiras confortáveis e um beliche com almofadas vermelhas lindas e confortáveis… além de, claro, comidinhas, bebidinhas e internet sem fio gratuita. O pessoal que trabalha lá é todo tatuado, cheio de piercing e muito, muito agradável.

  • Existe uma grande movimentacao politica e cultural pela cidade. Todos os dias tem eventos como lancamentos de videos e livros, palestras e seminarios. Ontem, estava trabalhando em uma cafeteria quando, de repente, comecou a exibicao de um video sobre um enfrentamento do povo mexicano contra uma das arbitrariedades do governo.
  • Mesmo com extrema pobreza, San Cristobal é uma cidade tao segura que a casa do meu amigo Marcos está quase sempre aberta, sem chave. E mesmo quando se fecha com chave, as janelas sao bem faceis de abrir. O quarto em que estou hospedada fica do lado de fora da casa. As janelas nao fecham de jeito nenhum e a porta tem uma chave antiga e absolutamente inutil. Como boa brasileira (e recifense), demorei pra dormir na primeira noite e acordava com qualquer barulho, agora já me acostumei e me sinto mais segura aqui do que em Estocolmo.

    postchiapas1.jpg

  • As pessoas têm muito respeito pelo zapatismo. Mesmo que tenham uma posicao critica, que discordem de algumas coisas, consideram, sempre, que existem grande avancos e que o movimento ajudou a recuperar o orgulho de ser indigena.
  • Resumindo… eu estou apaixonada pela cidade e viveria aqui, sem dúvida nenhuma. Muita gente que está aqui veio passar umas férias e ficou. É uma cidade fantástica e tem sido um privilégio enorme poder viver essa experiencia.

    PS.: O único problema é que estou muito, muito cansada, o trabalho tem sido bem puxado e estou morrendo de saudades de Ted e Bia :-(

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    Trabajando, trabajando si…

    Denise | Chiapas,Trabalho,Viagens | Tuesday, 17 April 2007

    O trabalho está sensacional. Depois de algumas reunioes ampliadas para discutir o conteudo e estrutura do site, estou treinando essas cinco mulheres inteligentes e divertidas, para que possam atualizá-lo usando o WordPress. Elas estao aprendendo super rápido e tenho certeza que o site ficará maravilhoso, tudo feito por elas, com cada vez menos participacao minha.

    Uma coisa incrivel aqui e o acesso a tecnologia. Quase todas as meninas que trabalham nos grupos (sao 3 organizacoes) tem laptops privado ou da organizacao (nunca vi tantos juntos) e a cidade tem internet “inalambrica” (sem fio), gratuita, por toda parte, até em padaria eu vi um cartazinho dizendo que tem internet sem fio de graca. Onde voce anda tem alguem com um laptop numa bolsa. Fora isso, tem internet café a cada quadra, baratissimo. Estou impressionada.

    Além do mais, a conexao e excelente. Ando por toda parte com o laptop, basta ligar que a rede funciona rapidissimo… que diferenca do meu apartamento… e quem diria que a internet seria melhor em San Cristobal de las Casas do que em Washington, hein?

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    Pero la vida no es solamente lucha, compañer@s…

    Denise | Chiapas,Viagens | Tuesday, 17 April 2007

    Y yo me quede muy borracha con esta margarita que es la mejor y la mayor del mondo… casi como una piscina… muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuy bueno… solamente en San Cristobal de las Casas…

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    Município Autônomo Rebelde Zapatista

    Denise | Chiapas,Viagens | Sunday, 15 April 2007

    zapatistas3.jpg

    zapatistas2.jpg

    zapatistas.jpg

    zapatistas5.jpg

    Ontem, fomos ao Oventic – o maior dos cinco caracóis do Exercito Zapatista de Libertacao Nacional de Chiapas – a história completa de como tivemos que nos apresentar à junta do governo zapatista (foto) e explicar porque estávamos lá (ilustrada com mais uma centena de fotos), eu conto mais tarde. Agora vou passear que é domingo e preciso aproveitar.

    Besos revolucionários ;-)

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    Manu Chao en Chiapas

    Denise | Chiapas,Música,Pelo Mundo,Vídeo | Saturday, 14 April 2007

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    Chiapas I, II e III

    Denise | Chiapas,Viagens | Wednesday, 11 April 2007

    13 de abril – Aniversário de fundacao espanhola de San Cristobal de las Casas

    12 de abril

    Tudo muy bien por aca, solamente sofriendo mucho con mi portunhol infame y esse Windows Vista detestavel que esta nesta computadora!!!!!!!!

    Hoy estoy trabajando en casa… dechadita numa buena red!! vida muy, muy buena esa… nuestros desayunos y almuerzos san hechos en esta mesita muy linda que fica nos jardines de la casa… muchas tortillas, queso, frutas… hummmmm… na foto, Marcos e su hija, Valentina, nuna niña muy hermosa e inteligente.

    Ahora voy quedar me muy bela para salir a tomar vino e ouvir jazz, que no soy de hierro

    Les gustaran my portunhol?

    Besos y hasta mañana, baby!

    Atualizacion:

    Amigas, lo cabelon no esta tan bueno y el portunhol no esta tan malo quanto parece :) Tengo saudades de blogar, pero ahora esta impossible… ja vuelvo…

    11 de abril

    Cheguei ontem a tarde, apos 12 horas de viagem. Cansadissima. Estou hospedada na casa do amigo, Marcos Arana, que vive com sua filha, Valentina. A casa e linda, toda projetada por Marcos, cheia de cores e detalhes. As primeiras cinco fotos sao de la, as outras sao do escritorio onde estamos trabalhando, eu, Marcos, Elena e Margarita.

    Estou adorando tudo, a cidade e LINDA, mais bonita que eu esperava, muito colorida, com muita gente nas ruas, as pessoas sao super gentis, calorosas. O trabalho do grupo, que foi fundado em 1983, e fantastico, cheio de acoes diferentes, ainda mais interessante do que eu imaginava e o site vai ficar interessantissimo. Estou muito, muito feliz com esse trabalho, que vai ficar excelente e esta me dando muito prazer em participar.

    Conversamos muito sobre o movimento zapatista, entendo muito melhor a situacao, agora, assim que tiver tempo conto explico o que foi e como esta o movimento agora.

    O clima e agradabilissimo, nada quente, e a noite bem frio. Ontem tomei ate um vinhozinho… alias, fazer dieta e dureza, mas estou tentando me controlar porque nao quero disperdicar tanto esforco que tive, ultimamente. Minha estrategia e comer as coisas que eu absolutamente adoro, uns docinhos de vez em quando, fora isso, pego leve.

    Enfim, e isso… mais, em breve…

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    A Caminho de Chiapas, México…

    Denise | Chiapas,Trabalho,Viagens | Tuesday, 10 April 2007

    Tinha falado pra vocês que estava super ocupada com a organização de um treinamento que vou fazer, em espanhol, e prometi um post contando tudo. Infelizmente, o tempo foi pouco e não vou poder escrever muito porque viajo daqui a poucas horas.

    Estou seguindo pra San Cristobal de las Casas, no estado de Chiapas, sul do México. Vou trabalhar, durante dez dias, com o Camadds, um grupo coordenado pelo meu amigo Marcos Arana e formado, principalmente, por campesinos e indígenas, que atua nas áreas agroecologia, saúde da mulher e da criança e educação sexual e reprodutiva para jovens, entre outras coisas mais.

    Vou fazer o mesmo trabalho que fiz na Suazilândia, preparar com o grupo um site, um blog e deixá-l@s capacitad@s para atualizá-los, trabalhar com imagens, vídeo e som, usar email e listas de discussão com eficiência e discutir campanhas de captação de recursos pro grupo, online.

    Já são uma da manhã e eu saio daqui de casa às quatro… então, não dá pra contar mais sobre a história do movimento zapatista (eu chego lá no dia de aniversário da morte de Emiliano Zapata! 10 de abril!), mas aguardem posts sobre a situação dos indígenas em Chiapas, o trabalho do Camadds e a luta do Exército Zapatista de Libertação Nacional e sua “Outra Campanha”, tudo com muitas fotos.

    (Como o blog tem recebido umas invasões de “malas”, os comentários serão moderados até eu ter acesso a um computador, provavelmente amanhã à noite).

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