O “tornado” em St. Louis
Bom, na verdade, as coisas foram bem menos emocionantes do que vocês podem imaginar, eu não cheguei nem perto de me sentir a Helen Hunt, nem consegui nenhuma foto sensacional… mas bem que, na hora, foi um susto enorme!
Chegamos em St. Louis no dia 19, à tarde. O calor era infernal, muita humidade, sol e céu azul. Tomamos banho e saímos pra casa de Dave, único irmão de Ted que vive na cidade e nosso “anfitrião” na reunião de família (objetivo da viagem). No caminho, paramos em uma livraria para comprar um livro pra mandar pra Kasper, outro filho de Ted, cujo aniversário é essa semana.
Quando estávamos quase saindo, a luz apagou e voltou rapidamente algumas vezes. Quando olhamos pra fora, o céu estava com nuvens muito carregadas, uma ventania enorme e as pessoas correndo pros carros ou pra dentro da livraria. Impressionante como o tempo muda rápido!
Corremos pro carro, ligamos pro irmão de Ted e ele falou que havia um aviso de que um tornado podia estar se aproximando. O céu estava impressionante, com partes claras, mas com muitas nuvens muito, muito grandes e escuras. Nem acredito que fiquei tão nervosa que não fiz nem uma fotinha de nada… humpf! :-/
Mesmo sob protestos da garotada, Eu e Ted decidimos voltar correndo pra dentro da loja. Conversamos com as pessoas que estavam lá e uma mocinha me disse: “Se fosse vocês, não saia daqui de dentro, afinal, aqui vocês estão protegidos”.
Começou a discussão. Eu disse que ninguém me tirava lá de dentro, de jeito nenhum, que era responsável por mim e Bia e não queria correr nenhum risco. Eu já me imaginava dentro do carro, com ele voando em espiral pelos céus da cidade….
Finalmente, apareceu alguém que disse que o perigo era apenas quando as nuvens estavam “esverdeadas” (claro que, àquela altura Ted já via alguns tons de verde no céu… hehehehe…) e que daria tempo da gente chegar até à casa do irmão de Ted, que ficava só a uns 10 minutinhos dali.
Chegamos lá inteirinhos, mas nada de ar condiconado na casa. A cidade estava num black-out total e apenas grandes lojas (como a livraria) e hotéis tinham gerador. Dave (que é maravilhoso) estava fazendo um “churrasco” de hamburguer e cachorro quente (nada mais americano!) pra gente lá fora, com ventania, escuridão e tudo.
Descemos para o “abrigo”, com velas e “candeeiros de bateria”. Ficamos lá torcendo pro Dave não ser carregado pelo tornado.
Algum tempo depois voltamos pra jantar na sala, ainda à luz de velas (a eletricidade só voltou três dias depois) e, pra complicar ainda mais, ao som de uma sirene que anunciava o perigo de um tornado se aproximando e avisava que tínhamos que descer pro abrigo.
AMEI. Adoro novidades e foi tudo muito emocionante, principalmente a escuridão, as velas e a sirene que deram um charme especial ao jantar.
No final das contas, não teve tornado, mas foi uma tempestade com muitos raios e trovões. No dia seguinte, de manhã, vimos mais uma tempestade se aproximar, pela televisão. Interessante a exatidão. Na horinha que, segundo a TV, ela estava passando pelo hotel saímos e eu tentei fazer umas fotos, mas não teve nada de emocionante, nenhum carrovoando e, claro, não consegui flagrar nenhum raio.
Mas, eu adoro essas manifestações da natureza, adoro trovões, relâmpagos, e só não fui pra chuva porque ia ser muito mico, eu sozinha lá fora com o hotel inteiro olhando pela janela.
O lado ruim é que as cidades da região ficaram um caos. Muita gente teve suas casas danificadas, árvores cairam em cima de telhados e carros. Conversando com as camareiras do hotel, vi nelas o medo da chuva que têm as mulheres que vivem nas favelas do Recife. Elas torciam pras suas casas ainda estarem de pé. É dureza ter de trabalhar com essa insegurança e dúvida. Essa foi uma das piores tempestades da história da região.
Claro que isso tudo atrapalhou um pouco nossos planos, também. O trânsito estava um horror, sem sinais (semáforos, faróis) funcionando. Por causa do calor, as pessoas passavam o dia na rua e nos shopping centers, por que não tinham ar condicionado em casa.
As lanchonetes e lojas menores não tinham eletricidade e fecharam, todas. O hotel tinha gerador, portanto, não fiquei sem ar condicionado (Deus me livre!), mas não tinha conexão de internet (até que aguentei direitinho a abstinência
Enfim, uma aventura. Mas, conseguimos sobreviver a ela com muito bom humor e paciência. Eu, pelo menos, me diverti muito com tanta novidade!











Fomos parando pelo caminho, entrando numas cidades bonitinhas, pontos históricos e mirantes. Em cada posto de gasolina, mais um lanchinho (imaginem o regime espartano que preciso começar a fazer…).
Depois de muitas horas de viagem, decidimos parar pra dormir em um hotel que encontramos no caminho. Eu ADORO esses motéis (que aqui são hotéis mesmo) decadentes das estradas americanas, não têm o memso conforto de um Holliday Inn, mas tem muito mais personalidade e lembram filmes como “Psicose” ou “21 Gramas”. Hehehehehe…















