“Red red wine goes to my head
Makes me forget that I still need you so” Red Wine, UB40.
Nunca fui apaixonada por vinhos, quase nunca bebo, nunca fiquei embriagada, mas descobri que provar vinhos é uma excelente desculpa pra o que realmente interessa… rir muito, falar bobagem, pagar mico (tirando foto dentro do Jaguar de um desconhecido) e, assim, fortalecer os vínculos com uma amiga que pulou da blogosfera pro meu mundo real…
Como mulheres desestressadas que somos, pegamos a estrada tarde, antes, conversamos muito, de pijama, paparicando o Chris. Na estrada, mais conversa, ao som de Cassia Eller.
Napa Valley é a mais antiga e famosa região vinícola da Califórnia, e fica ao Norte de San Francisco. A visão dos vinhedos, nessa época do ano, é impressionante. Por causa do outono, são campos em tons de verdes, amarelos, laranjas e vermelhos.
Nossa primeira parada foi na V. Sattui, “winnery” fundada em 1885 e até hoje dirigida pela mesma família, em Santa Helena, coracão do Vale de Napa.
Pra não correr o risco de beber com estômago vazio e pagar ainda mais mico, almocamos por lá e ainda comemos esse pão maravilhoso, com queijo e alcachofras. Mas como a Leila é muito chic e disse que essa não é a melhor “winery”, depois de fazer nossa “degustacão de pães e queijos” fomos pra Beringer, provar os vinhos.
Fundada em 1876, a Beringer é a “winery” mais antiga do Napa Valley. Aí fizemos nossa primeira degustacão. No balcão, quem nos atendeu foi um mexicano muito gente fina, que não só deu todas as dicas da degustacão, como ainda tirou nossas fotos…
Eu, que sou uma total ignorante sobre o assunto, adorei aprender como pegar no copo, pela haste, pra não esquentar o vinho; que tem que fazer o copo “rebolar”, pra ver a cor do vinho no cristal; a importância de sentir o aroma (que é muuuuuuito bom!) e o mais legal… colocar o vinho na boca e deixar percorrer toda a lingua, pra atingir todos os pontos que identificam o sabor, antes de engolir. Tudo muito sexy.
Na carta de vinhos, tinha uma descricão de cada um deles, que incluia sabores de cerejas, canela, baunilha… hummmmmmm…
Cada degustacão custa entre 5 e 20 dólares e, geralmente, resume-se a três rodadas de cerca de “um centímetro” de três vinhos diferentes, cada, previamente definidos na carta.
Pra quem nunca bebe nada, como eu, foi mais que o suficiente pra ficar beeeeeeeem alegrinha… já na winery eu e a Leiloca rimos de tudo.. saímos rindo… no estacionamento, demos de cara com um Jaguar conversível lindo de morrer (somente bêbada pra eu achar um carro lindo…)
Quando estávamos nos preparando pra fazer pose de pin-up no carro, chegou o dono que percebu nosso mico e, muito gentilmente, ofereceu pra gente entrar no carro e tirar fotos… cogitamos publicar e dizer que o carro era da Leila, mas como somos mocas honestas… botamos a foto com a história real.. hehehe… agora, que nós combinamos com o carro, isso posso garantir que sim… hehehe…
Em nosso carrinho super confortável, apesar de não ser Jaguar, seguimos pra próxima parada etílica. No caminho, uma linda cidade de Santa Helena, com prédios antiguíssimos e chiquérrimos.
A próxima winery foi a Niebaum-Coppola, vinhedo adquirido pelo cineasta por 31 milhões de dólares. O lugar é incrível.
Fundado em 1880 pelo filandês, Gustave Ferdinand, tem uma casa deslumbrante, totalmente preservada, onde Coppola criou um museu do cinema, com várias lanternas mágicas, zoetropes, prêmios recebidos pelo diretor (inclusive vários Oscars), roupas do filme Dracula, a famosa prancha de surf do Apocalipse Now, assim como vários gráficos e sketchs.
Depois de bisbilhotar no museu seguimos pra winery, onde provamos um pouco do rosé da Sofia Coppola, do pinot noir e do cabernet sauvignon, o preferido da Leila. Hummmmm.. tudo sublime…
A essa altura, já mais pra lá do que pra cá.. depois de caminhar entre os vinhedos de Coppola, pegamos a estrada de volta… um lindo pôr do sol, coroando tudo.
Tem uma palavrinha em inglês que eu adoro e que não encontro muita traducão em português: “bonding”. Estabelecer “bonding” significa algo como fortalecer os lacos afetivos… é o que a mãe faz com o bebê na amamentacão. Descobri que, assim como o leite materno pra dupla mãe-bebê, não existe nada como um bom vinho pra possibilitar um bom “bonding” entre duas amigas.
Vou embora, hoje à noite, certa que o cabernet de Coppola ajudou a criar um bonding bem real entre eu e a Leila e, embora à distância, seremos sempre amigas. E tô levando um bom vinho pra lembrar dela, da sua linda família e da maravilhosa hospitalidade de Sacramento, quando estiver lá em casa.
Obrigada por essa linda experiência, Leiloca.
Leia mais sobre Napa Valley:
Basilico – Napa Valley
Enciclopédia do Vinho – História dos vinhedos na California
Acidentes acontecem: Ontem, fomos a Berkeley, onde encontramos o Alex e o Oliver. Quando fui tirar essa foto, esqueci que ainda não tinha puxado as anteriores pro computador e apaguei todas as fotos que fiz nos vinhedos. Essas que estão aí acima foram salvas porque já tinha capturado da câmera pra fazer esse post… :-/ ou seja, isso é tudo que temos da nossa aventura…