
Quando vi o caso do elefante que se irritou lá no Sri Lanka e quase esmagou essa van (foto acima, da Reuters), lembrei da minha experiência de safari, na Suazilândia, sobre a qual tinha prometido falar desde que voltei de lá, e esse é um bom momento pra contar minha historinha.
Existe um medo atávico, que é passado de geração a geração, não sei se geneticamente ou culturalmente, mas que ficou muito claro pra mim nessa viagem. A diferença entre os meus medos e os medos dos meus amigos africanos.
Tivemos uma sorte incrível, nesse safari. John, nosso “guia” (ele é educador, não é guia oficial), africano e que fez dezenas de outros safaris na vida, disse que nunca tinha conseguido chegar tão perto de grandes animais como elefantes, leões e rinocerontes, como dessa vez.
O safari, mais conhecido como “Game Park”, é um jogo mesmo. Nosso grupo era muito interessante, minha amicíssima Armanda (Mozambicana), dois africanos e dois ingleses que estava em nosso hotel e pegaram uma carona.
Como um safari não é um zoológico, não existe a mínima garantia que se vai ver nenhum animal. John disse que, uma vez, levou uma moça da Noruega, que também estava trabalhando na IBFAN, passaram mais de duas horas e só viram os veadinhos (que são arroz de festa!).
É preciso que todo mundo fique de olho e tente identificar os animais, muitas vezes camuflados atrás de árvores e arbustos. Eu era sempre a última a ver… e algumas vezes tive que dizer que vi pra não sair como tonta, mas só conseguia perceber mesmo uns galhos, enquanto todo mundo identificava os bichinhos… hehehehe…
Como vocês podem ver em meu Álbum do Safari, os animais eram lindos, em seu habitat natural e chegaram muito próximo ao carro. Aí é que era engraçado. John é um homem enorme, de quase dois metros, mas ficava a-pa-vo-ra-do com os bichos. Tivemos dois momentos de tensão.
Essa do rinoceronte foi interessantíssima. Vimos que ele estava se aproximando e desligamos o carro, para ele não se assustar. Só que ele foi vindo, foi vindo e parou de frente pra gente e começou a dar aqueles coices, preparado pra atacar. Eu e John estávamos no banco da frente (e íamos ser os primeiros a levar uma chifrada). Eu não parava de tirar fotos, excitadíssima, achando tudo o máximo. John estava em pânico.
Segundo ele, um animal como aquele pode destruir o carro, derrubar, virar e matar alguém. Pra ele, isso é uma ameaça concreto, experimentada por pessoas com as quais ele conviveu. Pra mim, ser morta por um rinoceronte era tão surrealista que eu não conseguia ter nem um pingo de medo, só achava a situação super interessante.
No caso desse rino ai acima, a agonia maior era que não podíamos ligar o carro novamentre pra dar ré e ir embora, porque aí ele ia atacar, com certeza. Então, só podíamos torcer pra ele ir embora. Ficamos quietinhos e ele se mandou.

Depois, encontramos esse paraíso, onde uma família de elefantes se banhava em um lago e tomava água. Uma das coisas mais lindas que já vi. Mas meus amigos africanos se apavoraram quando o elefante maior abriu as orelhas (na foto), sinal de irritação. No entusiasmo pra fotografar, cai em cima da buzina, chamando atenção dos animais e quase provocando um enfarte em John… hehehehe…
Não sei se é que sou muito tranquila mesmo, mas não conseguia ter medo. Mas, vendo essa foto do elefante irritado no Sri Lanka, estou vendo que ele podia, mesmo, ter feito um bom estrago, como disse meu amigo.
Interessante é que os animais não me assustavam nada, mas, por mais que me garantissem que Mbabane é uma cidade segura, passei algumas situações de pânico, achando que estava sendo seguida por algum carro, principalmente ao sair tarde do cyber café, pra surpresa dos meus amigos, que asseguravam que não tinha perigo nenhum.
Quando a gente vive tantos anos num lugar tão violento como Recife, é difícil se desprogramar e, esteja onde estiver, estou sempre prestando atenção em quem está por perto, mudando de calçada e até voltando se o caminho estiver muito escuro…
Pois é, cada um com seus medos…
(Por favor, só pra evitar mal entendidos, não estou dizendo que africanos vivem correndo de leões, mas que esses animais ainda têm um papel importante em sua história e o medo do enfrentamente com um deles é algo que está muito mais próximo, historicamente, deles do que de uma urbanóide como eu. Pelo menos na Suazilândia)
Veja aqui o Álbum do Safari:
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