Nova York no Inverno

















Querid@s, obrigada pelas mensagens. Tá tudo bem, de volta à Coreia, Só um resfriado chatíssimo. Vou voltando aos poucos. Por enquanto, algumas imagens da minha passagem por Nova York, recentemente.

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Querid@s, obrigada pelas mensagens. Tá tudo bem, de volta à Coreia, Só um resfriado chatíssimo. Vou voltando aos poucos. Por enquanto, algumas imagens da minha passagem por Nova York, recentemente.


Chegamos em Seul. Quando colocar a cabeça – e o corpo – em ordem e dentro do horário local, apareço por aqui. Por enquanto, ficam mais essas fotos que eu fiz por lá. Natal mais italiano, impossível.
Como vão os preparativos natalinos por aí?



Assim que puder, dou uma paradinha pra contar como viemos parar aqui.

Ontem dei de cara com o papa, não uma, mas duas vezes, no papamóvel!!!




Quando estive em Nova York, mês passado, comentei que tinha ficado num albergue baratinho e várias pessoas pediram que escrevesse sobre isso. Aí vai, então.
Nas primeiras vezes que fui a Nova York, foi a trabalho, para reuniões e lobby (contra indústrias de alimentos infantis ou por questões relacionadas aos direitos da mulher), geralmente nos prédios da ONU ou Unicef. Como ia com todas as despesas pagas, e me hospedava em hotéis escolhidos por quem me convidava, não tinha noção do quanto absurdamente caro é ficar em NY.
Quando comecei a ir a passeio, vi que se a gente não tiver cuidado, boa parte do dinheiro fica nos hotéis. Como viajo muito e não tenho nenhum dinheiro sobrando, preciso ser muito criativa.
Já há alguns anos estou me hospedando em “hostels”, que são o que se conhece no Brasil como “albergues da juventude” (ainda chamam assim?). Na Letônia, fiquei num quarto com outras 13 pessoas (a maioria adolescente). Por sete dólares foi um ótimo negócio =)
Em julho/agosto, fui duas vezes a Nova York, uma sozinha e outra com a Bia (a filha, que mora nos EUA). Quando fui sozinha, fiquei no hostel “Jazz on the Park”, dica da queridíssima Déia (do blog Animalista, da MTV), que mora em NYC.
O Jazz on the Park, como o nome diz, fica bem pertinho do Central Park e a duas quadras do metrô (bem perto, também), estação 103th St, onde passam as linhas B e C. A localização é perfeita. Esse metrô leva a gente pra todo canto, direto ou com conexões e, se você gosta de caminhar, de lá dá pra atravessar todo Central Park e ir andando pro Metropolitan Museum of Art (cuja visita é essencial!).
A entrada do albergue é bonitinha, colorida, bem moderna, e eu gostei muito do atendimento, todos foram super gentis comigo.
Quase sempre tem de fazer a reserva com antecedência, pela internet, pra garantir lugar. O site de reservas é bem fácil de usar e seguro. Com a vantagem de que não é preciso pagar nada com antecedência e é super simples pra cancelar (já desisti de ir, uma vez e não tive problemas.)

Quanto aos quartos… bom nem todo mundo encara a opção de albergue. Os quartos são pequenos, com camas duras e, geralmente, tem apenas um armário onde você pode colocar suas coisas e usar um cadeado (é bom trazer o seu) para fechar.
Quartos podem ter 4, 8 12 camas e podem ser mistos ou só de mulheres (precisa escolher antes). Na primeira noite, ao chegar minhas três companheiras de quarto já estavam dormindo, e quando saí elas continuavam dormindo, nem nos falamos. Me avisaram que eu teria que mudar de quarto na noite seguinte, sem problemas, estava só com uma mochila, mesmo. No meu segundo quarto, dormi sozinha, ninguém apareceu. Na terceira noite três garotinhas super simpáticas, da Austrália chegaram e já dei todas as dicas e deixei-as à vontade pra espalhar suas roupas por todo o quarto para secar =)
O banheiro, claro, é coletivo, geralmente um por andar. Com a quantidade enorme de pessoas circulando, e poucos funcionários, nem sempre a limpeza é perfeita (apesar de que nunca achei nada terrivel), principalmente de manhã. Sempre vou com uma sandalinha havaiana que uso no chuveiro, just in case. Paciência e bom humor. Ainda assim, pra mim, a economia diária de U$ 100 compensa, sem dúvida.

No Jazz on the Park, a diária (que pode ser de até menos de 30 dólares, dependendo da temporada) inclui café da manhã. Nada demais, somente pão branco, geléia, manteiga, cereais, ovos cozidos e laranjas. Acho tem também café, leite e chá mas como não tomo, não lembro com certeza. As laranjas ajudam a ter um pouco de saúde, antes de sair =)
O café da manhã fica numa área comum, no térreo, onde as pessoas se reúnem, e fica aberto 24 h. Lá tem WIFI livre pra quem levar o laptop e uns quatro computadores com internet (não usei, não sei se são gratuitos). Quando estive lá, tinha muitos europeus, muitos jovens, o lugar ficava bem animado à noite.

O albergue tem 4 andares (sem elevador) onde ficam os quartos, mas se você tiver malas pode deixar na portaria (US$ 4.00 por dia) e subir somente com a bagagem de mão devidamente preparada com o que você vai precisar mais urgentemente.
Transporte do aeroporto
Eu cheguei de Seul no aeroporto JFK. Através do próprio site do Jazz on the Park, tinha feito uma reserva de transporte com a Airlink (van) que, por U$ 20.00, me deixou na porta do hotel. recomendadíssimo, o motorista foi super gentil e fácil de encontrar (basta avisar na central de atendimentos que fica na sua frente, bem no desembarque, que tem uma reserva, eles ligam pra lá e avisam que você chegou.
É um transporte coletivo e como, geralmente, os outros hotéis ficam antes do Central Park (que fica no Uptown), a gente leva cerca de uma hora e meia pra chegar. Ao invés de reclamar, resolvi encarar como tendo uma “tour” gratuita, já que a van passa pelas principais áreas de Downtown e Midtown =) tudo é uma questão de perspectiva.
Central Park Hostel
Quando fui com Bia, umas três semanas depois, ficamos em outro hostel, porque o Jazz on the park estava lotado.
O Central Park Hostel fica bem pertinho do outro, na verdade a localização é ainda melhor, fica na mesma rua da estação de metrô da foto acima, há poucos metros dela.
Como estava com Bia, valia mais a pena ficar numm quarto privado que custou US$108.00 já que as duas em quarto coletivo seria cerca de US$90. por isso, acho que, no geral, hostel vale mais a pena quando estamos sozinhas. Ainda assim, por esse preço, os hotéis deisponíveis não tinham uma localização tão boa quanto essa.
O quarto era minúsculo mas tinha até uma mesinha (mas sem armários). O WIFI era gratuito apenas na área comum que ficava numa espécie de sala no underground. Acho que não tinha café da manhã incluído, nem lembro. No geral, achei o clima do outro bem melhor, esse era mais escuro, o pessoal não tão simpático, mas era seguro e prático, e eu ficaria lá, novamente, sem problemas.
Enfim, é isso. Não é pra todo mundo, mas eu adoro ficar em albergue, a gente passa o dia todo na rua mesmo, hotel é só pra dormir, não preciso de luxo nenhum. Desculpem a demora para postar, mas Bia está chegando aqui em Seul em poucos dias e eu estou super ocupada, por isso tá difícil de escrever mais. Mas, se tiverem perguntas, escrevam e responderei assim que der.




Na foto abaixo, o Central Park, visto da varanda do meu hostel.

Sim, o calor está de matar.Exatamente como eu temia. A vantagem é que o hostel em que estou é baratinho, mas tem ar condicionado funcionando perfeitamente bem nos quartos e nas áreas comuns. Anteontem dormi umas três horas e passei o dia ontem meio zumbi, mas hoje dormi muito bem e já estou saindo com toda disposição.
Ontem, fui dormir às 3 da manhã e acordei às 7. Tomei café da manhã (incluído a diária! depois conto tudo sobre o hostel) e fui caminhar no Central Park (que é enorme), fui andando até o Metropolitan Museum of Art e passei a manhã toda por lá, maravilhoso. Depois mostro umas fotos. Encontrei muitas pinturas e esculturas que vão aumentar nossa Galeria de Arte da Amamentação (está em reforma!).
Do museu peguei um ônibus e fui dar uma volta no Fashion District, procurando material para produção de bijouterias e jóias (esse era um dos meus objetivos aqui). Algumas lojas estavam fechadas, mas deu pra ver que nós temos material bem melhor e mais diversificado na Coreia =)

À noite, minha queridíssima Rita Carvalho veio me ver aqui no albergue. Mas foi tão bom encontrar com ela, colocamos tantas conversas em dia, temos muitas coisas em comum, ela é uma das pessoas mais legais que conheci via blogs. Agora falta a Deia, eu ia pra um brunch com ela, mas todsa vez que venho aqui quero ir ao MET e fiquei com medo de acabar não indo mais uma vez, mas hoje a gente se encontra!
Quase não tiro a foto com a Ritoca, porque vocês podem imaginar meu estado após um vôo de 14 horas, tendo dormido apenas 3 horas e depoisn de andar o dia todo. Estava, oficialmente, um zumbi. Mas, no final, achei que foto ficou até engraçada. Eu estou de olhos fechados, mas juro que só bebi suco de laranja =) percebam meu travesseiro inseparável ao lado. (o cabelo está ENORME, preciso cortar, mas a preguiça que me dá parar em salão de beleza… acho que agora só em Washington).
Agora, vou comer umas laranjas e sair pra bater perna (morrendo de medo do calor que deve estar lá fora).






Já estou no aeroporto esperando a hora de embarcar pra NY. O vôo é direto e dura 14 horas, moleza pra quem está acostumada a fazer mil escalas =)
O aeroporto de Seul é fantástico, bonito e confortável, mas o que eu mais gosto é esse “centro de experiências da cultura coreana tradicional”, onde você pode, enquanto espera o vôo fazer um leque, uma caligrafia, um bordado ou costura, tudo com material e orientação gratuita.
Vejam na foto 4, uma mesa com QUATRO HOMENS pintando leques. Dois amigos adolescentes, que estavam sozinhos e um pai (ou avô) e o filho (ou neto). Não é bacana? claro que os brasileiros que vivem aqui, com toda sua sensibilidade, acham que aqui “só tem gay” =/


Sala de descanso e sala de cinema e TV


CHUVEIRO! isso mesmo, banho de graça! e sala pras crianças.


Internet, claro é rápida e gratuita em wifi e numa sala com 12 computadores. Tem ainda uma linda galeria de arte tradicional.
Tudo isso é de graça! é melhor que muita sala vip que já vi pelo mundo afora.
Tem ainda manicure (nail art) e massagem, num spa lindíssimo e super barato, e as famosas lojinhas que todo mundo adora.
Bom, agora tô indo que já começou o embarque. Gosto de ser a última a entrar no avião, já que o assento (péssimo, diga-se de passagem!) já foi reservado, mesmo e não preciso ficar esperando naquele calor a barulho =)
ps.: No caminho pro aeroporto (uma hora e meia de ônibus especial que para quase na minha porta!) assisti ao The Cove (vi traduzido no Brasil para “A Cova”). Fantástico! assistam!
ps2.: O vôo está completamente lotado e uns 80% dos passageiros são menores de 16 anos. Sério. Será um longo vôo. Ainda bem que não tem escalas.
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Post publicado originalmente no dia 07 de abril de 2008.
As lindíssimas cerejeiras em flor marcam a chegada da primavera, em Washington, DC. Elas estão espalhadas por toda cidade. Em 2006, fomos a Kenwood, uma espécie de condomínio de casas com cerejeiras plantadas em todas as ruas, que quase fecham a área numa redoma cor de rosa.
Mas o lugar mais bonito é mesmo o famoso Tidal Basin (enseada) que fica no centro da cidade, bem pertinho dos monumentos mais conhecidos, museus e outras atrações de DC. Mais de 3.700 cerejeiras estão espalhadas na beira da enseada, presente do Governo japonês ao povo americano, em 1912.
Sakura
Em japonês, cherry blossom (ou cerejeiras em flor) é sakura (claro, palavra ocidentalizada dos símbolos japoneses). A observação da sakura é uma tradição japonesa que remonta o final dos anos 700.
Por causa da sua curtíssima duração (cerca de duas semanas, com apenas três ou quatro dias de pico), a floração das cerejeiras ou sakura tem um forte simbolismo relacionado com a natureza transitória da vida e tem sido inspiração para diversas formas de arte, no Japão, como música, pinturas, anime, mangás.
Na Segunda Guerra Mundial, os pilotos japoneses pintavam sakuras nos aviões ou levavam ramos delas em missões suicidas. O Governo usava essa tradição e incentivava os soldados a acreditar que suas almas de guerreiros reencarnariam nas cerejeiras em flor.
Mas, esse simbolismo depende do ponto de vista de quem vê. Como os oficiais Japoneses costumavam plantar cerejeiras para determinar sua área de domínio, nos países colonizados por eles, na Coréia, por exemplo, elas são um símbolo de dominação e as cerejeiras do Palácio Gyeongbok foram cortadas, no aniversário de 50 anos de independência do Japão.
Elas duram bem pouco mesmo, pra vocês terem uma idéia, chegamos no Tidal Basin mais ou menos às 11 da manhã, era o pico da floração. Às 4 da tarde, quando saímos, uma ventania tinha já derrubado muitas das frágeis petalazinhas e, certamente em poucos dias, não haverá mais sakuras por lá. Ano passado, nem chegamos a ir até lá porque um temporal fez com que desaparecessem logo.




Então, mesmo sem nenhuma disposição pra escrever (vocês vão saber o porquê), vou fazer uma forcinha e contar como estão as coisas por aqui.
Visitar a Suécia uma vez por ano é, para Ted, o mesmo que é para mim visitar o Brasil. Apesar dele ser americano, viveu aqui em Estocolmo por mais de 20 anos e, além de adorar a cidade, é aqui que mora um dos filhos, Kasper, com a mulher Agne e as duas filhinhas gêmeas e LINDAS Lea e Elza. Em breve, chega mais um menininho que está na barriga da mãe =)
Cheguei do Brasil em dezembro e não estava muito entusiasmada com a idéia de viajar novamente, mas eu e Ted somos muito “grudados” e não queríamos ficar mais tempo separados, então, cá estou eu, corujando as netinhas dele que, de certa forma, são minhas também =)
Como ficaríamos muito tempo aqui e eu detesto ser inconveniente, planejei duas viagens para o meio da estadia. Iria para Berlim no dia 4, voltaria dia 6 e no dia 8 eu e Ted iríamos pra Riga e Talin. Era minha foma de dar um descanso pro casal, afinal ninguém gosta de visitas tantos dias assim.

Em Berlim, eu faria uma oficina de comunicação com uma ONG de mulheres com a qual estou trabalhando via internet. Estava empolgadíssima com a idéia, porque tem horas que a gente cansa de trabalhar com as pessoas “virtualmente” e quer ter um contato pessoal, trocar idéias, falar abobrinhas.
Tinha comprado todas as passagens (não re-embolsáveis), reservado hotéis e até comprado aplicativos de guias de turismo pra essas cidades, para usar no Ipod Touch. Ainda bem que eu tenho uma capacidade enorme de me adaptar às “circunstâncias”, e não fico chorando pitangas.
Pra começar, caiu uma nevasca em Estocolmo e meu vôo pra Berlim foi cancelado. Talvez eu pudesse ir no dia seguinte mas, aí, a oficina não seria mais possível, porquê o pessoal não teria horário disponível e eu não estava morrendo de vontade de ir pra Berlim apenas pra passear dois dias e ainda por cima correr o risco de não conseguir voar de volta, se o aeroporto de lá fechasse.
Então, dançou Berlim.
Mas, ainda tinha esperança do aeroporto funcionar quando tivéssemos nosso vôo pra Riga (de lá, pegaríamos um ônibus pra Talin). Acontece que, não sei se tive uma recaída (lembram que tive gripe suína?) ou peguei outro resfriado, mas sei que adoeci, caí de cama e estou assim, bem ruinzinha até hoje. Uma semana depois.
Como também teve nevasca no Leste Europeu, a gente ficou com medo de se mandar pra lá, comigo resfriadíssima e acabar ficando mais do que pensávamos, por causa das condições do tempo. Dançou Talin, também.
Poderia ficar MUITO chateada, mas aprendi a me ajustar às realidades, não deu pra ir, não deu. Pronto. Só espero melhorar logo pra curtir mais Estocolmo.
Estou CANSADA de resfriado, tosse, dor de cabeça, moleza. Pra dizer a verdade, fui um pouquinho indisciplinada (como sempre) e mesmo doente, quase todo dia, dei uma saidinha de nada, mas que, com um frio de matar, deve ter sido suficiente pra que eu nunca ficasse boa.

Então, hoje, resolvi ficar deitada o dia TODO, pra ver se melhoro. Já faz sete dias que eu tô nessa.
Estou tomando equinácea, vitaminas C e D, cápsulas de óleo de peixe, multivitaminas, tentando me alimentar bem. Ontem à noite segui os conselhos do pessoal no Twitter e levantei pra tomar mel com limão (não encarei o alho ainda, mas se estiver assim amanhã, até isso vou tentar.. argh).
Fora isso, tá tudo bem. O marido super fofo, cuidando de mim muito bem. Comendo todas as calorias maravilhosas que tem por aqui. Assistindo Lost, House, Grey’s Anatomy, Desperate Housewives etc.. Lendo um livro de histórias curtas russas (Pushkin, Gogol etc.). Fazendo uns trabalhos quando a cabeça permite. Terminando umas bijouxs de lã feltrada que vou começar a vender numa lojinha daqui e que vou levar quando melhorar…
Queria muito contar sobre as gêmeas e a educação sueca-lituana completamente diferente da forma que criei Bia, mas muito interessante, mas isso só quando melhorar, por enquanto, mal consigo juntar as idéias pra fazer esse post =)
E por aí, tudo bem? planos pro carnaval? (não, não tenho nem um pouco de saudades de carnaval hoje em dia, quando penso no calor, me dá arrepios =)
Ah e preparem-se, em breve vou sortear a caixinha de madrepérola pros clientes do Brechó e um souvenir sueco, pros leitores e leitoras aqui do Blog. Aguardem as novidades =)
Desde que cheguei do Brasil, tenho andado super ocupada porque já tinha outra viagem marcada pra esse mês, com mil coisas para fazer, antes de viajar novamente (algumas com “prazos apertadissimos”, como sempre, não é amhygas?).
Na próxima terça-feira, eu e Ted estaremos voando pra Suécia, onde vamos ficar até 21 de fevereiro.
Aproveitando que estarei na Europa, vou ter uma reunião com um grupo de mulheres com o qual estou fazendo um trabalho, em Berlim. Vou sozinha, mas ficarei uns dois diazinhos por lá, para conhecer um pouquinho da cidade, enquanto Ted coruja as netas em Estocolmo. Depois, eu e ele vamos passar uns dias em Tallinn, na Estônia.
Enfim, estou feliz, muita coisa acontecendo, muitas novidades e muita coisa pra deixar encaminhada antes de viajar, por isso o sumiço, perdoem a falta de um post mais completo, é falta de tempo mesmo.
O ano começou MUITO bem por aqui =)






















Eu nunca tive vontade de ir a Miami. Com a maior concentração de latinos conservadores (liderados pelos cubanos), dos EUA, confesso que sempre tive um certo preconceito contra a cidade.
Acontece que, na minha escala para o Recife, de Washington, fui surpreendida por um overbooking da American Airlines. A empresa tinha vendido 18 passagens a mais que os assentos disponíveis no avião e, na sala de embarque, uma funcionária nervosa perguntava, no microfone, se alguns passageiros aceitariam ceder seus lugares no vôo, viajando no dia seguinte.
Em troca dessa gentileza, a American pagaria por seu hotel, alimentação, translado e daria um voucher de 800 dólares, para ser descontado no valor de qualquer passagem adquirida futuramente na empresa.
Claro que eu topei, na hora. Além de financiar parte da minha próxima viagem aos EUA, essa seria a oportunidade de ver alguma coisa de mais uma cidade americana.
Como teria apenas um dia, precisei escolher com cuidado o que fazer. O hotel fica muito longe da cidade, a opção de todos os outros brasileiros que ficaram comigo foi seguir para um super shopping center ou outlet. Eu fiquei entre ir a uma praia ou fazer um passeio de barco.
Fui dormir – num hotel muito confortável – e na manhã seguinte peguei um busão comum para a baia. Por sorte, estava usando um vestidinho bem leve, preparada para o calor da chegada no Brasil, porque a gente não pôde pegar as malas e o calor estava de matar.


Num caminho muito mais longo do que eu gostaria, a maioria absoluta de passageiros do ônibus era de latinos e afro-americanos. Muita gente com cara de sofrida, mas bem bonita também. Adorei a foto dessa mulher aí acima, linda.
O passeio de barco foi OK, porque num calor daqueles não tem como errar. Mas, poderia ser melhor. Fiquei empapuçada de tanto ver mansões e ouvir sobre as extravagâncias dos ricos e famosos. Não é a minha praia. Quando mostraram a casa de uma modelo e apresentadora de TV brasileña – Xuxa – pensei que o barco iria virar, com todo mundo correndo pra fotografar a casinha sem graça da loira.
Apesar da chatice das mansões, o céu estava lindo, o mar relaxa e faz a gente aguentar tudo e tinha a comida cubana… uma “vaca frita” de comer rezando.
À noite, segui pro aeroporto na esperança de ter overbooking mais uma vez. Fui direto falar com as atendentes e disse que me ofereceria pra ficar lá quantos dias eles quisessem – a US$ 800,00 cada, claro. Dessa vez, não precisaram de mim e eu dei minha experiência em Miami por encerrada, mas até que gostei da surpresa.

Sim, Nathalia, confesso que também gostei MUITO mais de Miami porque lembrei das locações de Dexter =) deu outro charme para a cidade.




Ainda estou no apartamento de Bia, mas sigo amanha bem cedinho pra Seul, com escalas em Dallas + Toquio. L-O-U-C-A pra encontrar logo o marido, que tambem nao se aguenta de saudades =)))
Os tres diazinhos aqui em Washington nao deram pra quase nada, passei o tempo todo desenrolando problemas tecnologicos de Bia e nem pude ver as queridas amigas, fica pra proxima vez (que ja’ vai ser em agosto!).
Estou terminando de arrumar as malas, entao, esse post foi so uma atualizacao rapida, mas assim que chegar e me recuperar do miseravel jet-lag, escrevo contando tudo.
Beijos e me desejem muita paciencia pra aguentar a looooooooonga viagem!
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Post publicado no Halloween de 2005, quando morávamos em Washington, DC. No Madam’s Organ, em Adams Morgan.

“Quase tudo que fazemos parece insignificante, mas é muito importante que façamos. Você precisa ser a mudança que você deseja ver no mundo.” Mahatma Gandhi
(Post originalmente publicado em 24 de junho de 2006)
Ontem fui assistir ao filme Water, o último da trilogia política da cineasta Deepa Mehta (os outros são Fire e Earth), sobre a vida das viúvas na india. Fiquei chocada. Já tinha ouvido falar na situação dessas mulheres, mas ainda assim, o filme é uma saculejada na gente e bota nossos problemas cotidianos na sua exata dimensão.
Pesquisando, hoje, sobre o tema, pra escrever esse post, descobri que ontem estava sendo celebrado o “Dia Internacional das Viúvas”, instituído pelas Nações Unidas, justamente para lembrar ao mundo as crueldades cometidas contra essas mulheres (não apenas indianas, mas de muitos outros países), cujo único crime cometido foi se tornar viúva, como se pudessem se responsabilizar pela vida de seus companheiros.
“Water” não é um filme revolucionário em sua linguagem, mas é uma história muito bem contada e extremamente comovente. Ao acabar, precisei de uns bons minutos sentadinha no escuro do cinema, pra me recompor e tentar dissipar aquele nó na garganta.
Apesar de ser uma obra de ficção, que se passa há quase 70 anos, infelizmente, essa ainda é a realidade de muitas mulheres na India. E isso é o que é mais doloroso.
O filme se passa em 1938, na India Colonial, onde os poderosos (britânicos e indianos) vêem a ascenção de Mahatma Gandhi, com suas idéias de liberdade e de mudança das tradições arcaicas às quais os indianos ainda se agarravam. As viúvas já não eram forçadas a queimar numa fogueira, com a morte do marido, mas ainda tinham que pagar, vivendo em total ostracismo e miséria, por toda vida.
Tudo começa com a morte do marido de Chuyia, uma menininha esperta de oito anos de idade, que nem entende que é casada.

Ao se tornar “viúva”, Chuyia tem suas pulseiras quebradas, seu cabelo raspado, perde todas suas roupas e é vestida com um sari branco, que será sua única veste, para diferenciá-la, afinal, ela agora é uma pária, “impura” e não pode ter contato com outras mulheres e crianças.
Os pais deixam Chuyia numa casa de viúvas hindu, onde deve viver o resto dos seus dias em penitência.
Em 1938, e ainda hoje, em muitas lugares da India, a viúva é vista como um peso e como uma mulher sexualmente perigosa. A família do noivo quer vê-la distante, para poder tomar as propriedades do seu marido, e não tem interesse em assumir a responsabilidade de sustentá-la. Sua própria família, após o seu casamento, sente-se livre de qualquer responsabilidade em relação a ela.
Por todo preconceito e superstições que cercam uma mulher viúva, ela também não consegue trabalho para se sustentar e acaba tendo mesmo que viver nessas Casas de Viúvas (prédios centéntários, caindo aos pedaços), por toda vida. Para se “purificar”, precisa abandonar qualquer vínculo com prazer e viver em sofrimento. Dorme no chão, repete canções e orações seis horas por dia, e não pode, sequer, comer frituras, consideradas alimentos “quentes”. Estima-se que existam 20 mil viúvas, mendigando, apenas à beira do rio Ganges.
Aos poucos, vamos conhecendo as mulheres com quem Chuyia deverá conviver. A velhinha (foto)que está na casa desde os sete anos e cujo único sonho é comer, novamente, os docinhos que provou na sua festa de casamento (o marido morreu um mês depois). Shakuntala, a mulher de meia idade, esperta, inteligente e que sofre ao perceber que está envelhecendo e está sempre dividida entre a revolta pela sua situação e o medo por não se comportar como deveria.
Tem a poderosa Didi, que comanda a casa e tem regalias que as outras não têm, e a belíssima Kalyani. Aos 17 anos de idade (está lá desde os oito), ela é a única mulher que tem a permissão para usar cabelos longos e que, sustenta o “luxo” de Didi e a Casa de Viúvas, sendo levada de barco, no escuro da noite, pelo eunuco gulabi, para prostituição.

A chegada de Chuyia, o aparecimento de um lindíssimo indiano nacionalista, o amor de Kalyani, a revolta de Shakuntala e a ascenção de Ghandi, mexem com a Casa de Viúvas… mas não existem milagres. O resto, só vendo o filme…
A realidade atual

Segundo o censo de 1991, 8% de todas as mulheres da India são viúvas, o que significa cerca de 34 milhões de pessoas. Como o costume é o casamento das meninas muito novinhas, 50% das viúvas têm menos de 50 anos de idade.
No grupo acima de 60 anos, 64% das mulheres são viúvas, enquanto que apenas 6% dos homens são viúvos. Essa diferença brutal de gênero existe por causa da alta incidência de viúvos que se casam novamente, enquanto que um novo casamento, na prática, continua sendo uma opção bastante improvável para as mulheres.
Apesar dos números, sabe-se pouco sobre a vida dessas mulheres, na India. A marginalização as torna invisíveis. O que sabemos é que elas vivem em completa pobreza, desemprego, sem acesso aos meios de produção, sem educação formal e sofrendo por superstições que ainda estão bastante arraigadas na cultura indiana.
Já em 1956, um ato hindu estabeleceu que as viúvas devem ser consideradas iguais a todas as mulheres, mas a tradição fala mais alto.
Por causa de todas privações que passam, as viúvas têm um índice de mortalidade 85% maior que as mulheres casadas. Apesar das péssimas condições dessas Casas de Viúvas, muitas preferem viver nelas do que ficar com a família do ex-marido, sendo constantemente abusadas sexual e fisicamente.

As Casas de Viúvas são empreendimentos mercenários, existem denúncias de que, apesar das mulheres viverem em completa miséria, os administradores fazem muito dinheiro, pedindo ajuda financeira e vendendo serviços sexuais das jovens viúvas.
“Sem um homem ao seu lado, uma mulher não tem respeito na sociedade indiana. Isso é parte da cultura patriarcal”, afirma uma militante do movimento de mulheres.
Parece incrível, mas isso tudo continua acontecendo hoje. Será que a gente não tem mesmo nada a ver com isso? Quando eu fui pra India, escrevi sobre a situação da mulher por lá (vejam ai abaixo), falando sobre as mulheres queimadas por causa dos dotes, e uma criatura me criticou porque eu devia me preocupar com as mulheres do Brasil.
Não consigo estabelecer fronteiras para a humanidade. Me preocupo do mesmo jeito com minhas amigas que vivem em favelas, no Brasil as viúvas indianas e as mulheres com AIDS na Africa. Somos todas irmãs.
O que é que a gente pode fazer? falar no assunto, procurar saber o que fazem os grupos de mulheres. Se você faz doação, considerar doar para grupos que trabalham com essas mulheres. No mais, pelo menos se sensibilizar, acho que é um bom começo.
E o nó na garganta, continua aqui… isso é o que acontece quando a gente vê um filme que faz pensar…
Veja mais:
Curiosidade:

Nessa linda cena do filme, as mulheres estão celebrando o Holi, festa onde todos brincam jogando um pó super colorido, uns nos outros. Em 1999, por uma coincidência abençoada, eu estava no Nepal, no dia do Holi. Estava sozinha, mas pude aproveitar muito e ver a festa, que é uma das coisas mais lindas que se pode imaginar.
Pitaco de vocês:
“Uma informação boa: dirigi do interior da Bahia hoje cedo até a capital, vi um out-door com o anúncio da Festa das Viúvas. Foi um forró pé-de-serra genial no interior , para onde convergiram os pretendentes livres e um monte de viúvas que ainda querem dançar, namorar e ser feliz. Que pena que a ìndia discrima suas viúvas, que pena que as viúvas das aldeias portuguesas se condenam ao eterno negrume das vestes e que bom que se pode dançar, beber, brindar e namorar na Bahia. Embora outros problemas haja.” Alena.
Vejam também o excelente post da Regina do blog Always por um Triz sobre o filme Water: Deepa Mehta: uma mulher de coragem.
Fotos: Em preto e branco, são registros de uma Casa de Viúvas, feitos pelo fotógrafo Frederik Renander. As fotos coloridas são cenas do filme Water.