Estou aqui na Universidade de Uppsala e, enquanto Ted resolve umas coisas, achei esse computador porque eu precisava contar pra vocês que hoje é o Dia da Bandeira e Dia Nacional da Suécia.
Desde 1916, no 6 de junho é celebrado o Dia da Bandeira Sueca, mas apenas a partir de 1983 essa data tornou-se o Dia Nacional da Suécia. Durante muito tempo, a Suécia era um dos poucos países no mundo que não celebrava um dia nacional.
Segundo o site oficial sueco, a razão principal de se escolher essa data, para comemorar o Dia Nacional, foi por ser a data em que Gustav Vasa, tornou-se o rei da Suécia, em 1523. Gustav Vasa é visto como responsável pelo estabelecimento da Suécia Moderna. A partir daí, A Suécia deixava de estar sob o domínio da Dinamarca. Também no dia 06 de junho, foi promulgada a Constituição de 1809 e o “Instrumento de Governo” em 1974.
O Dia Nacional, aqui, näo é um feriado oficial, ainda, mas políticos do Parlamento Sueco anunciaram uma intenção de torná-lo feriado nacional a partir de 2005. Para que seja possível, a idéia é cancelar um feriado existente, provavelmente o de “Pentecostes”, que caiu, esse ano, no dia 31 de maio (e ninguém tem idéia do que pentecostes, aqui!). Aliás, a gente fala do Brasil, mas eu acho que aqui tem muito mais feriados…
O Dia Nacional não é muito comemorado por aqui e isso tem a ver com o crescimento de movimentos nacionalistas e nazistas. Em 1980 foi criada a organização rascista e nazista Keep Sweden Swedish (BSS), que continua crescendo e tomou o o dia de hoje como seu dia de “protesto pela pureza da raça” (arghhhhhhh)… agora mesmo, ao vir para cá, cruzamos com skinheads e jovens nazi se organizando para uma passeata… uma imagem deprimente. Qualquer dia escrevo mais sobre esse movimento, na Suécia, pra vocês.
Enfim, os suecos – que sentem-se embaraçados, com a “neutralidade” do país na Segunda Guerra Mundial, que favoreceu a Alemanha – fazem tudo para evitar a associação com esses movimentos neo-nazistas. E sair balançando a bandeira pode ser comprometedor… então, todo mundo fica em casa (ou no trabalho) “se fingindo de morto”…
Mas, problemas à parte, os suecos são apaixonados pelo seu país. Eles podem reclamar das altas taxas, do frio… entre si, mas se tem um estrangeiro por perto, eles “mudam o rumo da prosa”… mas quem não é assim, né? eu posso reclamar muito do Brasil, mas não admito que Ted fala nenhuma palavra sobre a corrupção que existe por lá, por exemplo.
A Bandeira da Suécia
A idade exata da bandeira sueca não é conhecida, mas os registros mais antigos de um tecido azul com uma cruz amarela datam do século XVII. Acredita-se que as cores foram tiradas do brasão real e a forma da bandeira da Dinamarca, que é a mais antiga do mundo (reza a lenda que a bandeira da Dinamarca caiu dos céus durante uma batalha contra a Estônia em 15 de Junho de 1219).
A Suécia adora sua bandeira, que está espalhada por tudo quanto é lado. Desde os guardanapos de festas, aos copos, quadros, aos casacos, camisetas, shorts e até em calcinha fio dental como essa ai ao lado, que pode ser comprada online e onde está escrito “I do it for Sweden” (eu ‘faço’ pela Suécia) hehehehe!
A Bandeira do Brasil
Como em quase toda casa do país, nós temos uma bandeirinha sueca no parapeito da janela. Vivendo aqui eu percebi mais do que nunca como temos uma relação quase que “envergonhada” com a nossa bandeira. Sem dúvida, isso deve-se à sua imagem tão usada e abusada no período negro da ditadura militar. Na época do “Ame-o ou Deixe-o”.
Quando tinha 9 anos (1973) lembro que tinha que acordar, todos os dias, bem cedinho porque toda a escola fazia fila pra hastear a bandeira, antes de começarem as aulas). Detestava. Olha uma foto dessa época com bandeirinhas por todo lado e com uma cara de sono!!!!
É uma pena. Mais uma coisa que os macacos militares de 1964 roubaram de nós. Quem sabe essa “onda brasileira” de roupas verde-amarela que está varrendo a Europa chegue aí no Brasil e nos faça recuperar o amor pelas cores da patriazinha???
Vale lembrar que quase todos nós, quando estamos fora do Brasil passamos a valorizar muito mais esses símbolos, que, às vezes, passam desapercebidos quando estamos “em casa”.
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Detalhe:Dêem uma olhadinha no post de final de aula do Gymnasium, ai abaixo, a primeira foto mostra o amor dos suecos, de todas as idades, por sua bandeira…
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Comentário dos comentários:
Parece que a Julia não entendeu o que eu quis dizer e antes que outras pessoas se confundam, deixa eu explicar… eu não tenho NENHUMA vergonha do Brasil, muito pelo contrário, tenho o maior orgulho do mundo de dizer que sou brasileira em qualquer lugar que eu vou, até porque nunca me senti discriminada por isso (apenas uns olhares mais assanhados, por acharem que somos as “gostosas” do planeta, mas isso eu tiro de letra!) e porque somos um povo lutador, alegre, criativo… “Viva o Povo Brasileiro!”, como diz João Ubaldo…
Em momento nenhum, disse que a nossa bandeira não é bonita, o que eu quis dizer foi que os nossos símbolos nacionais foram tão mal utilizados – especialmente na época monstruosa da ditatuda militar – que, pelo menos as pessoas que viveram esse período têm sérias restrições a empunhar esses símbolos, porque parece que nos traz péssimas lembranças… talvez eu esteja ficando velha mesmo e não tenha percebido que a “nova geração” não se sente assim… mas, não sei não…
No final, a Julia concorda comigo que “O que nos falta é contemplá-la não apenas nos joogos de futebol ou em estampa de biquini”. … eu, pelo menos, nunca vi a nossa bandeira na janelinha da casa de ninguém, ou em copos e guardanapos em dia de festa… ou será que estou errada?! podem deixar sua opinião! também estou aqui pra aprender!!!
Ah, Julia, aqui na Suécia você pode colocar a bandeira que quiser no seu jardim, não precisa ter a sueca do lado, não… esse é um país que respeita os direitos individuais.