O blog Korea Beat traduziu essa matéria (em coreano), sobre a proliferação das bonecas infláveis, que fazem companhia a muitos homens, pelo mundo afora.
O programador freelancer coreano, “Mr. A”, comprou uma real doll, a princípio para ser sua parceira sexual, já que, “além de ser caro, ele sentia-se envergonhado” de ir a bordéis. Mas, segundo ele, a boneca tornou-se sua amiga e depois sua amante, ele lhe deu um nome, Bo-mi, a vestiu e criou histórias para os dois.
Esse é um mercado em expansão. Ele poderia até ter escolhido uma mulher inspirada em histórias em quadrinhos, à venda no Boy Toys.
O americano, de Detroit, Davecat tem um blog onde conta sua vida com a companheira Sidore. Sua relação vai além do sexo: “mesmo que nossa conversa seja de mão única, eu me sinto agradecido a ela”.
Na Coréia e no Japão já existem locais de encontro com bonecas infláveis anatomicamente perfeitas . Chega a ser engraçada essa matéria, de dois anos atrás, em que as autoridades coreanas se questionavam se esses estabelecimentos se enquadravam na lei anti-prostituição do país. Não sei o que concluíram.
“Relacionamentos amorosos “com ”real dolls” já foram mostrados no filme Lars and the Real Girl que – apesar do ótimo Ryan Gosling – eu achei insuportável e não aguentei nem ver até o fim.
Isso tudo me deprime. Pra mim, essa “tendência” tem a ver com:
- claro, muita solidão, que está por toda parte (mas não esteve sempre?);
- a dificuldade que os homens têm de se relacionar com mulheres de verdade e expressar sentimentos (o que não é culpa deles, é uma longa história). Não é sintomático que, segundo a matéria acima, existam também bonecos masculinos, mas eles sempre são adquiridos por outros homens?;
- a imagem que se tem das mulheres (de verdade) nos meios de comunicação é tão irreal, manipulada e robotizada que muitos homens, até sem perceber, já estão sonhando e desejando bonecas, não gente de carne e osso.
Dia desses, tava lendo uma discussão muito interessante em um dos meus blogs preferidos (Photoshop Disasters), nesse post, sobre uma campanha da Victoria Secret, com foto da nossa lindíssima Adriana Lima (que não precisa de nenhum retoque!).

O grupo se dividia entre os que não viam nada de errado na foto (confesso que era um deles até ler os comentários) e os que percebiam toda a manipulação digital, com destaque pra forma dos seios e o braço e cotovelo da esquerda.
Aí alguém disse algo que é de fazer pensar, não consegui encontrar o comentário, agora, mas a idéia era que é um triste mundo esse, em que a manipulação da imagem já é tanta que não conseguimos mais nem diferenciar gente de verdade, de figuras anatomicamente inviáveis.
Isso é assustador mesmo. Lembro que quando o abuso do Photoshop começou, a gente identificava isso, muito mais. Hoje em dia, a artificialidade da pele, a ausência de rugas e imperfeições, já estão tão incorporados em nossos subconscientes, que apenas quando é uma aberração, é que a gente percebe.
Creepy.