São Longuinho, me ajude!!!!!!!!!!!
Eu admiro as pessoas que são bem centradas. Não sou assim, vivo com a cabeça nas nuvens e, se estou feliz, então, aí é que me desconcentro mesmo. Estou sempre perdendo tudo: o controle remoto, celular, documentos, cartões de crédito, remédios, passaportes.
Cansei de perder carteiras de identidade, no Brasil. Dinheiro, nem se fala. Meu ex-marido costumava dizer que eu só sou viável na prática, na teoria seria impossível.
Mas, sempre fui assim. Quando fiz 15 anos, ganhei vários colares de ouro, jóias. Era meio riponga, não dava valor nenhum a jóias e resolvi usar como bijouteria (pelo jeito a gente ainda não se preocupava tanto com ladrões, na época, pelo menos, eu não).
No dia seguinte, tive uma aula de “educação física”, sabe-se lá porque, mas desconfio que por pura rebeldia, coloquei todos colares que eu ganhei na noite anterior, ao mesmo tempo, devia ser uns cinco, seis (naquela época a gente usava uns colares hippies assim, aos montes). Fiz a ginástica e fui tomar banho, deixei tudo no banheiro. Nunca mais vi, claro. Podem imaginar como minha mãe ficou, né?
Já tentei fazer o que todo mundo diz: “ter lugar pra tudo”, fazer um “check list” na hora da saída, conferir se está tudo na bolsa… o diabo é que sempre estou atrasada e saio às pressas e as coisas saem do lugar e não voltam. Cansei de sair de casa e voltar porque a carteira não estava na bolsa. Aliás, trocar de bolsa é fatal, pra mim.
Mas, até que, pra gravidade do meu quadro, São Longuinho tem me ajudado. Na Suécia, deixei a carteira, com dinheiro, cartões, tudo, numa loja. Voltei e estava lá, tudo direitinho. Outra vez, já vivendo aqui em Washington, deixei minha bolsa no trem do metrô, com tudo dentro (tenho mania de carregar todos cartões, greencard, etc.), até falei sobre isso aqui no blog, encontrei algumas estações depois. E teve mais uma vez, aqui em DC, que deixei minha câmera digital Canon EOS 20D (é uma câmera grande!) numa loja, voltei e estava lá… ou seja, eu tenho dado muito trabalho ao santo…
Tanto que, dia desses, a Marcinha, lá no blog da Vanessa escreveu: “Denise peloamordedeus! De novo você perdeu esse cartão, ahahah! Assim nem São Longuinho aguenta “. Hehehehe… pois é, Marcinha, acho que dessa vez ele me abandonou…
A história é a seguinte… ontem, eu estava muito, muito feliz. Encontrei Ted no metrô, fomos jantar num ótimo restaurante indiano, depois assistimos um filme, daqueles que dá vontade de aplaudir no final, Art School Confidential (depois falo nele, pra não dispesar!), do cinema, fomos pra livraria Barnes and Noble, onde comemos um cheescake divino. Sabe aquela sensação de “This is such a perfect day”? só faltava ouvir Lou Reed ao fundo…
Estávamos morrendo de rir, porque pedi pra Ted comprar uma revista pra mim, que estava em promoção por 25 centavos. Eu disse que não ia entrar na fila pra pagar 25 centavos, ia morrer de vergonha…
Ele, como bom americano e prático, não só pagou, como ainda apresentou seu cartão fidelidade, pra receber 3 centavos de desconto. O caixa disse que nunca vendeu nada tão barato na loja. Fomos pro metrô morrendo de rir e eu disse que faria um post sobre isso e ia botar uma foto dele com a revista de 23 centavos…
Eu tinha um cartão de metrô eletrônico na certeira e, como só íamos ter uma estação, e ia precisar passar o cartão na roleta, novamente, ao chegar no destino, resolvi não botar a carteira de volta na mochila, mas deixar na sacolinha da livraria, com a tal revista de 25 centavos porque era mais fácil de pegar.
Sentamos pra esperar o metrô e eu tirei a revista, pra folhear, enquanto esperávamos. Como já era meia noite, e a gente ia andar uns 10 minutos pra chegar em casa, meu médo atávico brasileiro, me fez tirar uma grossa pulseira de ouro, que minha mãe me deu e coloquei na mochila, “só pra garantir”.. Por isso, minha atenção ficou toda voltada pra não deixar a mochila no banco.
Além da mochila, estava segurando várias coisas, casaco, sacola, revista e, de alguma forma, a tal sacolinha com a carteira caiu no banco. Ao entrar no metrô ainda pensei “a mochila tá comigo”… só que a sacola com a carteira, não…
Começou a novela para cancelar todos 5 cartões de crédito. Quando liguei pro American Express (do Brasil), a pessoa que achou a carteira já tinha usado o cartão, no metrô mesmo, pra comprar 107 dólares de passagem. Isso já me desanimou, porque mostra que foi alguém mal intencionad@ e que nunca vai devolver minha carteira
Não tinha quase nenhum dinheiro, talvez uns 10 dólares, eu sempre uso só cartão. Mas, o pior mesmo foi o greencard, que andava sempre comigo porque ainda não tirei uma ID aqui. Para tirar segunda via, não custa menos que 300 dólares.
Tinha também meu “social security card”, que é como um CPF, que vai ser um saco pra receber outro. Fiquei arrasada.
A minha sorte é que Ted é ma-ra-vi-lho-so e me deu todo apoio, me acalmou. Ele mesmo, vive perdendo coisas. Já cansou de deixar casacos e livros nos aeroportos, já deixou o dinheiro no caixa eletrônico, igual a mim, perde coisas o tempo todo.
Enfim, sabe aquela história de “yo no creo… pero…”? andei abandonando São Longuinho e juro que, se achar minha carteira ou qualquer outra coisa que eu perder, por aqui, vou dar meus três pulinhos. No mínimo, vai ser uma boa aeróbica diária…
Leiam também:
Fotos: (1) “Saint Longinus”, Gian Lorenzo Bernini, 1631-38, Mármore, 450 cm de altura. Basílica de São Pedro, Vaticano; (2) a revista que custou 23 centavos mas, se não fosse ela, não teria perdido a carteira… e (3) a tal carteira que já tinha sido estrela nesse post aqui.







Pois é, ontem acordei bem disposta a meter o pé na neve, como disse no post aí abaixo. Me encasaquei toda, coloquei luvas, e tudo mais, e fui pra rua.
Mas, como eu sou muuuuuuuuuuuuuuito tranquila (Pink e minha mãe iam dizer que é “leseira” mesmo…), fui lá no guichê do metrô, calmamente, falei com o responsável pela estação e pedi pra ele tentar localizar minha bolsa.
Antes de voltar pra casa, dei uma paradinha deliciosa num parquinho aqui perto, que estava cheissimo de neve, lindo de morrer, parecia coisa de filme!


Estava refletindo sobre as questões que meus últimos posts, sobre idade, beleza e Camilla, levantaram aqui. Aí pensei que, antes de tudo, não gostaria que ficasse a impressão de que sou “perfeitinha”, porque eu já tive – e até tenho – os meus preconceitos, já que o que a gente aprende ao longo da vida é muito difícil mudar completamente…
Há muitos anos, acho que em 1992, fui com uma amiga pra um congresso, no Rio de Janeiro. Numa das noites, eu, minha amiga e mais umas duas moças, caimos na balada do Baixo Leblon (quente, na época). Éramos três mulheres produzidíssimas e uma que seria o que se chama, aqui nos EUA, “tomb-boy”, cabelo curtinho, magrinha, roupa sem graça, mais super divertida, inteligente, esperta. Confesso que tinha pena dela, por ser tão desengonçada.
Há alguns anos, estávamos, eu e Ted, em um Congresso de Aleitamento Materno, como palestrantes. Ele, por vir da Suécia e ter um trabalho fantástico, era o palestrante principal do evento. Mais de 1200 pessoas assistiram à palestra dele deslumbradas. Como nosso público é formado, principalmente por pessoal de enfermagem, nutrição e medicina pediátrica, eu diria que uns 97% eram mulheres.
No finalzinho de 2001, por eu já ter dito a Ted que não mudava do Brasil de jeito nenhum, pelo menos não naquele momento (e já estava claro que não funcionaria pra ele viver em Olinda), não vimos outra saída a não ser acabar nosso relacionamento.
Leva tempo pra gente superar nossos pré-conceitos. Eles estão arraigados demais, são parte da nossa história e são lembrados à gente a cada dia, pelos meios de comunicação, pelos amigos e até pela família. A gente não tem culpa de ter conceitos equivocados, mas isso não é motivo pra não querer crescer, melhorar e aprender.
Eu durmo muito mal. Não tenho insônia, mas tenho muitos pesadelos, às vezes até apnéia e, se tiver tido um dia muito agitado, posso ser bem sonâmbula. Falo e ando dormindo desde a adolescência.