Noiva da Revolução – Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte

Quando eu era casada com ele, a casa tinha livros, sobre essa época, espalhados por todos os lados e foi com ele que eu aprendi sobre a romântica revolução de 1817 e várias insurgências pernambucanas, sempre mal ou nunca mencionadas nas escolas.
Como sei da sua paixão antiga e dedicação ao tema, estou feliz ao divulgar o livro “A Noiva da Revolução”, que Paulo Santos estará lançando no próximo dia 12, sexta-feira, às 17 horas, no Museu da Cidade, que fica no histórico Forte das Cinco Pontas, palco de algumas das principais ações revolucionárias do nosso estado.
Infelizmente, a gente sabe muito pouco sobre a nossa História. Uma combinação de professores mal pagos e mau humorados, com um currículo pobre e sem recursos, e mais o usual desinteresse do adolescente por qualquer coisa que saia da sua realidade cotidiana, fazem com que muita gente entre na vida adulta sem conhecer o nosso passado.
Por isso, os romances históricos são tão importantes. Com o prazer de uma narrativa que permite concessões literárias, o pano de fundo é a história real, ótima forma de aprendemos mais de onde viemos. Portanto, esse livro é um ótimo presente para nossos jovens.
Foi com Paulo Santos que eu aprendi que nascemos em um estado revolucionário e guerreiro, o que muito me orgulha. Como pouca gente de outros estados deve saber, em março de 1817 – cinco anos antes do nosso “Dia da Independência” (o famoso sete de setembro) – o Recife se levantou contra o domínio português.
Em Pernambuco, foi proclamada uma República e por mais de dois meses, pela primeira vez os brasileiros tiveram governo próprio, constituição, exército, esquadra e até embaixadas no exterior. Além de decretar a autonomia política, proclamamos a igualdade social e a liberdade religiosa, de pensamento e de imprensa, e não só tentamos acabar com a escravidão, mas também com a discriminação contra negros…
A repressão ao nosso movimento causou cerca de 1.600 mortos e feridos um verdadeiro genocídio, considerando que o Recife tinha entre 30 e 40 mil habitantes, na época além de mais de 800 degredados. Como lembra Paulo Santos num artigo publicado ano passado:
“Apesar da magnitude desses acontecimentos, hoje em dia se sabe quem foi Tiradentes, muita gente conhece a história da bandeira de Minas Gerais, a do triângulo vermelho em fundo branco e do Libertas que Serae Tamen, entretanto, quase ninguém saberia dizer quem foi Gervásio Pires, Vigário Tenório, Cruz Cabugá, que dão nome a ruas do Recife. Tampouco faria idéia de onde veio nossa linda bandeira azul e branca, exibida por toda parte com tanto orgulho, e o que significam o sol, a estrela, o arco-íris e a cruz…
Apenas em 1917, quando transcorreu o centenário da Revolução Pernambucana, houve emissão de selo pelos Correios e a data foi comemorada. Esse dia foi feriado em todo o País. Depois a data mergulhou no esquecimento, não é relembrada sequer em nosso Estado, cujo povo é orgulhoso das suas tradições e onde o período holandês é tão conhecido e badalado.
O motivo desse apagão político e cultural, entretanto, é relativamente simples: pelas suas avançadas propostas sociais e políticas, aquele movimento foi sempre execrado por interesses poderosos.
No período colonial e no Império, louvou-se muito a bravura dos que expulsaram os holandeses, mas os revolucionários de 1817 eram tratados compreensivelmente como rebeldes anarquistas, portadores de consciências depravadas, inconfidentes malvados que transformaram num covil de monstros o teatro onde brilhara a fidelidade de Fernandes Vieira, Henrique Dias e outros tratados como heróis…
De Pernambuco, dizia-se, emana o vapor maligno da democracia!. Durante a Primeira República, de 1889 a 1930, nossa República de 1817, que tinha uma certa identidade com ela, ainda foi visto com bons olhos, mas, a seguir, no período getulista, centralizador e autoritário, novamente deixou de ser simpática, por ter defendido e apregoado o respeito à democracia, a divisão e a descentralização do poder.
(…) Apenas o interesse dos poderes públicos, dos meios de comunicação e, finalmente, dos artistas, é que poderá algum dia popularizar e dar vida à memória da Revolução Pernambucana de 1817, que foi curta, intensa, apaixonada, romântica e, se tivesse triunfado, teria dado um rumo diferente e, talvez, bem melhor ao nosso País.”
Se você estiver em Recife, no dia 12 de janeiro, sexta-feira, às 17 horas, não deixe de dar um pulinho lá no Museu da Cidade, Forte das Cinco Pontas, que eu garanto que vai ser uma festança (Bia, Simon e minha mãe estarão lá, que inveja!). A festa é parte de uma série de atividades em comemoração ao 190º aniversário da Revolução de 1817 e tem sucesso assegurado por ser organizada pela minha amiga e competentíssima produtora cultural Andréa Motta.
Daqui de longe, tenho mais orgulho de Pernambuco do que nunca. Esse livro vem resgatar esse pedaço da nossa história, emocionante, e explicar de onde vem essa nossa paixão e ímpetos revolucionários, “Sou de Pernambuco, eu sou o leão do Norte”.
Quem quiser saber mais sobre e ler alguns capítulos do livro, visite o site A Noiva da Revolução.
Leia mais:






No período colonial e no Império, louvou-se muito a bravura dos que expulsaram os holandeses, mas os revolucionários de 1817 eram tratados compreensivelmente como rebeldes anarquistas, portadores de consciências depravadas, inconfidentes malvados que transformaram num covil de monstros o teatro onde brilhara a fidelidade de Fernandes Vieira, Henrique Dias e outros tratados como heróis…
