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    Noiva da Revolução – Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte

    Denise | História,Literatura | Tuesday, 09 January 2007

    noiva_da_revolucao.jpg

    Quando eu era casada com ele, a casa tinha livros, sobre essa época, espalhados por todos os lados e foi com ele que eu aprendi sobre a romântica revolução de 1817 e várias insurgências pernambucanas, sempre mal ou nunca mencionadas nas escolas.

    Como sei da sua paixão antiga e dedicação ao tema, estou feliz ao divulgar o livro “A Noiva da Revolução”, que Paulo Santos estará lançando no próximo dia 12, sexta-feira, às 17 horas, no Museu da Cidade, que fica no histórico Forte das Cinco Pontas, palco de algumas das principais ações revolucionárias do nosso estado.

    Infelizmente, a gente sabe muito pouco sobre a nossa História. Uma combinação de professores mal pagos e mau humorados, com um currículo pobre e sem recursos, e mais o usual desinteresse do adolescente por qualquer coisa que saia da sua realidade cotidiana, fazem com que muita gente entre na vida adulta sem conhecer o nosso passado.

    Por isso, os romances históricos são tão importantes. Com o prazer de uma narrativa que permite concessões literárias, o pano de fundo é a história real, ótima forma de aprendemos mais de onde viemos. Portanto, esse livro é um ótimo presente para nossos jovens.

    recife_1817.jpgFoi com Paulo Santos que eu aprendi que nascemos em um estado revolucionário e guerreiro, o que muito me orgulha. Como pouca gente de outros estados deve saber, em março de 1817 – cinco anos antes do nosso “Dia da Independência” (o famoso sete de setembro) – o Recife se levantou contra o domínio português.

    Em Pernambuco, foi proclamada uma República e por mais de dois meses, pela primeira vez os brasileiros tiveram governo próprio, constituição, exército, esquadra e até embaixadas no exterior. Além de decretar a autonomia política, proclamamos a igualdade social e a liberdade religiosa, de pensamento e de imprensa, e não só tentamos acabar com a escravidão, mas também com a discriminação contra negros

    A repressão ao nosso movimento causou cerca de 1.600 mortos e feridos – um verdadeiro genocídio, considerando que o Recife tinha entre 30 e 40 mil habitantes, na época – além de mais de 800 degredados. Como lembra Paulo Santos num artigo publicado ano passado:

    “Apesar da magnitude desses acontecimentos, hoje em dia se sabe quem foi Tiradentes, muita gente conhece a história da bandeira de Minas Gerais, a do triângulo vermelho em fundo branco e do Libertas que Serae Tamen, entretanto, quase ninguém saberia dizer quem foi Gervásio Pires, Vigário Tenório, Cruz Cabugá, que dão nome a ruas do Recife. Tampouco faria idéia de onde veio nossa linda bandeira azul e branca, exibida por toda parte com tanto orgulho, e o que significam o sol, a estrela, o arco-íris e a cruz…

    selo1917.jpg

    Apenas em 1917, quando transcorreu o centenário da Revolução Pernambucana, houve emissão de selo pelos Correios e a data foi comemorada. Esse dia foi feriado em todo o País. Depois a data mergulhou no esquecimento, não é relembrada sequer em nosso Estado, cujo povo é orgulhoso das suas tradições e onde o período holandês é tão conhecido e badalado.

    O motivo desse apagão político e cultural, entretanto, é relativamente simples: pelas suas avançadas propostas sociais e políticas, aquele movimento foi sempre execrado por interesses poderosos.

    freicaneca.jpgNo período colonial e no Império, louvou-se muito a bravura dos que expulsaram os holandeses, mas os revolucionários de 1817 eram tratados – compreensivelmente – como rebeldes anarquistas, portadores de consciências depravadas, inconfidentes malvados que transformaram num covil de monstros o teatro onde brilhara a fidelidade de Fernandes Vieira, Henrique Dias e outros tratados como heróis…

    De Pernambuco, dizia-se, “emana o vapor maligno da democracia!”. Durante a Primeira República, de 1889 a 1930, nossa República de 1817, que tinha uma certa identidade com ela, ainda foi visto com bons olhos, mas, a seguir, no período getulista, centralizador e autoritário, novamente deixou de ser simpática, por ter defendido e apregoado o respeito à democracia, a divisão e a descentralização do poder.

    (…) Apenas o interesse dos poderes públicos, dos meios de comunicação e, finalmente, dos artistas, é que poderá algum dia popularizar e dar vida à memória da Revolução Pernambucana de 1817, que foi curta, intensa, apaixonada, romântica e, se tivesse triunfado, teria dado um rumo diferente – e, talvez, bem melhor – ao nosso País.”

    Se você estiver em Recife, no dia 12 de janeiro, sexta-feira, às 17 horas, não deixe de dar um pulinho lá no Museu da Cidade, Forte das Cinco Pontas, que eu garanto que vai ser uma festança (Bia, Simon e minha mãe estarão lá, que inveja!). A festa é parte de uma série de atividades em comemoração ao 190º aniversário da Revolução de 1817 e tem sucesso assegurado por ser organizada pela minha amiga e competentíssima produtora cultural Andréa Motta.

    brasaope.jpgDaqui de longe, tenho mais orgulho de Pernambuco do que nunca. Esse livro vem resgatar esse pedaço da nossa história, emocionante, e explicar de onde vem essa nossa paixão e ímpetos revolucionários, “Sou de Pernambuco, eu sou o leão do Norte”.

    Quem quiser saber mais sobre e ler alguns capítulos do livro, visite o site A Noiva da Revolução.

    Leia mais:

  • A revolução pernambucana
  • História de Pernambuco
  • A Liberdade nos Trópicos: 1817
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    E pra quem está aí pela França…

    Denise | História | Friday, 14 July 2006

    … feliz Dia da Queda da Bastilha!

    bastilha.jpg

    Depois passem por aqui, pra contar como foram as comemorações!

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