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    As redes sociais vão às ruas. Como aproveitar melhor tanta energia? Marcha das Vadias e Mamaço.

    Denise Arcoverde | Feminismo | Monday, 20 June 2011

    Daqui da minha janelinha virtual, tenho observado um fenomeno interessante e, só ele, pra me fazer vencer a preguiça de escrever. Vocês perceberam como, ultimamente parece que as redes sociais estão fazendo as pessoas, finalmente, se apropriarem das suas causas, sem passar por grupos organizados? acho que isso é uma grande mudança, que introduz mais um desafio aos movimentos sociais. Como lidar com isso?

    Estou fora do Brasil há 9 anos, mas a minha historia é de ativismo em defesa dos direitos da mulher e, mais especificamente, da amamentação. Como muitas amigas, atuei numa época em que a divulgação das nossas ideias e nossos eventos era feita ainda por correio ou telefone. A simples chegada do fax, foi um avanço difícil de se compreender, hoje em dia. A comunicação era difícil e, consequentemente, a participação e as decisões acabavam sendo mais centralizadas.

    Em 1996, quando começamos a usar a internet, percebi, imediatamente, o potencial que essa ferramenta teria pros movimentos sociais. Nos organizamos em grupos virtuais e criamos nosso primeiro site, Amamentação Online, que está fora do ar, mas ajudou a milhares de mães por mais de 10 anos. Nessa época, também fiz várias palestras para ONGs sobre o uso da internet e dizia que todo mundo tinha que entrar, porque é o tipo de brincadeira que só tem graça, se a gente brinca junto.

    Hoje, ainda que a situação não seja o ideal – sim, ainda existam muitas pessoas excluidas digitalmente – o cenário é muito diferente do que eu vivi e as facilidades na comunicação não deixam muita brecha para que grupos ou pessoas se considerem don@s dos movimentos. Daqui de longe, percebo muita gente com vontade de participar, opinar, refletir e essas pessoas encontram nas redes sociais como Facebook ou Twitter, o canal que escoa toda essa energia.

    Por causa da minha história, dois eventos me chamaram atenção, recentemente. Os “Mamaços” e as “Marchas das Vadias”.

    Mamaço


    O primeiro Mamaço aconteceu em São Paulo, quando um grupo de mulheres foi dar mamar no Espaço Itau Cultural, em apoio a uma mãe que havia sido impedida de dar o seio ao seu bebê no local, dias antes. (Nem quero falar sobre o absurdo que é a restrição da amamentação em locais públicos no Brasil, coisa que eu não via há 9 anos atrás, quando vivia aí, porque isso é assunto para outro dia).

    Depois de São Paulo, o Mamaço se espalhou pelo Brasil, no Recife, Rio de Janeiro e outras cidades.  O que eu achei SENSACIONAL mesmo foi tudo ter partido de pessoas não vinculadas a nenhum grupo ou rede de amamentação, mas de mulheres que vivem ou viveram essa experiência de alguma forma e queriam se reunir para dar sua mensagem.

    Já aconteceram eventos de “amamentação coletiva” no Brasil, organizado por grupos ou insituições médicas, mas essa foi a primeira vez (que eu saiba) que o evento aconteceu de forma completamente espontânea e ainda se reproduzindo em várias cidades.

    É dificil alguém questionar o Mamaço, ou ser contra a amamentação. De uma forma geral, as reações foram as melhores, somente os idiotas do CQC fizeram seus comentários misóginos de sempre. Também, não dá pra se esperar nada melhor de um grupo que acha moderno ser racista, sexista, homofóbico e anti-semita… só não assistindo mesmo.

    Marcha das Vadias


    Como quase todo mundo já deve saber, a Slutwalk surgiu no Canadá, como uma resposta a um policial que foi pra televisão dizer que, para prevenir o estupro, as mulheres deveriam evitar se vestir como “vadias” ( “women should avoid dressing like sluts”).  A velha tendência de culpar a vítima. Indignadas, as canadenses foram às ruas, em protesto, e acabaram arrastando, espontaneamente, marchas na Inglaterra, Australia, EUA, India e no Brasil. Fora as que ainda vão aparecer.

    No movimento feminista, nem todo mundo concorda com essa estratégia de se “ressignificar” e de se apropriar da palavra “vadia” (“slut”). Eu não tenho certeza mas, a princípio, gosto da idéia. Acho que é irônico e funciona bem. Mais ainda como uma estratégia de marketing, quantas marchas de protesto contra machismo são feitas todos os anos, sem ter nem um pouco da repercussão que essa está tendo?  Pelo menos, nunca se viu tanto – pelo mundo todo – cartazes com essas mensagens:

    As redes sociais tiveram um papel fundamental pra mobilização da Marcha, em todo mundo. E eu acho que meio que pegaram até as militantes do movimento de mulheres de surpresa, em alguns lugares.

    No Recife, por exemplo, a Marcha foi organizada por duas pessoas que não têm histórico de participação em eventos feministas. Pra complicar, um deles é homem – chamado de Jesus e vestido a caráter – que (como soube depois) foi o portavoz do movimento, dando entrevistas e depoimentos.  Fiquei curiosa pra ver no que isso ia dar.

    Nada contra ter homens em ações feministas, muito pelo contrário. Mas, não deixa de ser estranho o protagonismo de um deles numa marcha que visa denunciar o machismo como o verdadeiro culpado pela violência contra a mulher.

    Com essa Marcha, foi apresentado às  feministas o desafio a que me refiro, nesse post, e que deveria ser discutido pelas amigas nas próximas reuniões do Fórum. Como lidar com a rapidez com que ações como essa se multiplicam na internet? qual nosso papel neles? como não comer mosca e, ao mesmo tempo, respeitar a expressão espontânea de apoio a uma causa que, afinal, não é somente nossa?

    No geral, acho que a Marcha foi um sucesso. Vi muitas fotos bonitas e, pra minha alegria, além da minha filha, tava todo mundo lá.

    Gostei de reconhecer muitas amigas militantes do Forum de Mulheres de Pernambuco, como Suely, Marcia, Jô, as Loucas de Pedra Lilás e muitas outras. E foi bom demais ver, juntinho a elas, uma garotada nova, instigada, carregando cartazes muito legais.

    Aqui, do outro lado do mundo, fiquei assuntando como teria sido esse encontro de gerações. Sim, porque ali tinha mulheres que podem dar aula de teoria de gênero, que têm uma bagagem de experiência no movimento que as permite ver a Marcha das Vadias com olhos bem diferentes das meninas e meninos, que estão chegando agora.

    Claro que num evento convocado pela internet tem de tudo, talvez algumas pessoas não estivessem entendendo que aquela era uma ação feminista, mas não subestimaria os meninos e meninas, não. Acho que o pessoal pode não ter a base teórica, nem entender o que é feminismo, mas teve a vontade, a disposição de ir pra rua dizer que não se pode culpar a mulher por ser vitima de estupro. Só isso, valeu a pena.

    Não li nada do que saiu nos jornais e nem vi na televisão as matérias sobre a Marcha. Não sei bem o que disse o Jesus. Claro que é uma pena que ele tenha encabeçado a Marcha. E esse é o maior desafio, na minha opinião, para os movimentos sociais. Como não “comer mosca” e tentar se integrar e participar da organização de eventos como esse, desde a origem. Pessoal, tem que ficar de olho nas redes sociais!

    Mas, o que eu achei mais bonito mesmo foi a presença do movimento de mulheres na Marcha. Provavelmente, aquela foi a primeira vez em que elas participaram de uma ação feminista como coadjuvantes, sem ter tido nenhuma responsabilidade direta no ato. E mandaram muito bem. Demonstraram maturidade para levantar a bandeira com a garotada, respeitando seu ritmo e suas iniciativas, sem atropelá-los,  ainda que tenham percebido uns escorregões aqui e ali.

    Certamente foi uma Marcha atípica pro Movimento. Além do Jesus e alguns rapazes fantasiados de mulher (o que nos pareceu muito esquisito), parece que uma das moças da organização chegou até a afirmar que não era feminista e fez duras criticas ao movimento. Bom, da mesma forma que não se nasce mulher, também não se nasce feminista.

    Pode ter faltado a ela informação, reflexão, mas existia a intenção de defender o que nós defendemos. Falamos muito aqui no blog e em outros espaços sobre os mitos em relação ao feminismo. Não podemos culpabilizar ninguém por não entender o que nós somos. Cabe à gente incluir, estimular a reflexão e respeitar os processos de transformação de cada um(a).

    Muitas vezes eu vi garotas chegarem aqui no Síndrome, dizendo que gostavam do que eu escrevia mas que ELAS não eram feministas. Meses depois começavam a entender que o feminismo não é essa coisa estereotipada que enfiam na cabeça da gente e mudaram de idéia. Sim, elas são feministas

    Eu não nasci assim, aprendi (e todo dia aprendo mais) a me tornar uma feminista. Quando era adolescente, por exemplo, minha ídola já era Pagu, mas eu era “contra o aborto”, até entender que essa é um questão muito mais complexa, e hoje sou completamente favorável à sua descriminalização.  A gente aprende. Ou não. Mas quem já está na estrada há mais tempo tem mais é que ser tolerante.

    Eu achei a Marcha das Vadias do Recife bem bacana e  um marco.

    Como estou escrevendo de fora, de longe, mas conhecendo bem as personagens, posso dizer que vi ali o momento em que o movimento historico, combativo e sedimentado se depara com a força da internet e da juventude que quer participar e, na minha opinião, se saiu muito bem. Respeitou e agregou.

    Agora é se manter ligado para que essas meninas e meninos possam estar do lado da gente. Cada um(a) no seu ritmo, cada um(a) ao seu jeito, mas sempre com respeito e participação democrática.

     

    Vídeo da Marcha das Vadias em Recife:

     

     

    Fotos:

    1 – Lula Marques/Folhapress,

    2 – Portal G1,

    3 – Guardian,

    4, 6, 7, 9 e 12 – Nilton Pereira,

    5 –  R7,

    8 e 10 –  UOL,

    11 – Suely Oliveira e

    13 –  Bernardo Soares.

    Fora as quatro primeiras fotos, todas as outras sao da Marcha das Vadias do Recife.

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    Denise | Feminismo | Wednesday, 12 January 2011

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    O Aborto na História – Dia Latino-Americano pela Legalização do Aborto na América Latina e Caribe

    Denise | Blogagem Coletiva,Corpo & Saúde,Feminismo,Sexualidade | Tuesday, 28 September 2010

    munchabortion2.jpg

    Ninguém faz um aborto por prazer. É uma decisão dolorosa, mas quase sempre irreversível, porque muito mais dolorosas seriam as consequências de uma gravidez indesejada levada a termo.

    Trabalhando em comunidades marginalizadas percebi que quando a mulher não pode ter filho, ela faz o aborto de qualquer forma, usando agulhas de tricô para perfurar o colo do útero, no banheiro de casa, ou com “curiosas” que ajudam das formas mais precárias.

    Também as mulheres que têm uma situação mais privilegiada se encontram em situações nas quais não podem levar adiante uma gestação. A diferença é que essas, muitas vezes, têm condições de pagar por serviços que não colocam suas vidas em risco.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, 20 milhões dos 46 milhões de abortos realizados mundialmente, todos os anos, são feitos de forma ilegal e em péssimas condições, resultando na morte de, aproximadamente, 80 mil mulheres, por ano, vítimas de infecções, hemorragias, danos uterinos e efeitos tóxicos de agentes usados para induzir o aborto.

    Quando grupos apresentam-se “pró-vida”, não estão considerando a enorme quantidade de mulheres que morre todos os anos. A criminalização do aborto é cruel, porquê não muda a situação em que essas mulheres vivem, apenas as culpabiliza ainda mais e as faz correr risco de vida, especialmente as mulheres pobres.

    É importante aprender com a história, pra entender o que se passa hoje. “Verdades” que parecem absolutas vêem sendo alteradas com o passar do tempo, mudando conforme mudam as conjunturas políticas e econômicas. Tendo sempre como principal vítima, a mulher.

    O Aborto na História.

    A decisão de interromper a gravidez não é coisa de mulheres modernas, sobrecarregadas com as obrigações da maternidade, trabalho e estudos. Aparentemente, desde que o mundo é mundo, as mulheres se vêem em situações em que não desejam – ou não podem – levar uma gestação à frente. Já entre 2737 e 2696 a.C., o imperador chinês Shen Nung cita, em texto médico, a receita de um abortífero oral, provavelmente contendo mercúrio.(1)

    Também não é novidade que interesses políticos, econômicos e religiosos têm prevalecido, em relação ao direito da mulher decidir sobre o próprio corpo. Da mesma forma que se quer proibir, hoje, já se quis obrigar o aborto em diversos momentos da história.

    aphrodite.jpgNa antiga Grécia, o aborto era preconizado por Aristóteles como método eficaz para limitar os nascimentos e manter estáveis as populações das cidades gregas. Por sua vez, Platão opinava que o aborto deveria ser obrigatório, por motivos eugênicos, para as mulheres com mais de 40 anos e para preservar a pureza da raça dos guerreiros.

    Sócrates aconselhava às parteiras, por sinal profissão de sua mãe, que facilitassem o aborto às mulheres que assim o desejassem (1)

    No livro História das Mulheres – A Antiguidade, Georges Duby e Michelle Perrot afirmam que “se as mulheres desejavam limitar os partos, tinham de recorrer aos abortivos, cujas receitas são muito abundantes (…) O primeiro risco era, portanto, o da ferida de um útero ainda imaturo devido à juventude das esposas romanas; nese caso os médicos recomendavam mesmo o aborto, inclusive por meios cirúrgicos (sondas)”.(5)

    É importante lembrar que, mesmo nas sociedades em que o aborto não era tolerado, na antiguidade, não se via aí como o direito do feto, mas como garantia de “propriedade do pai” sobre um potencial herdeiro.(2)

    Mesmo no Cristianismo, o aborto não foi, sempre, uma questão tratada como nos dias de hoje, São Tomás de Aquino, com sua tese da animação tardia do feto, contribuiu para que a posição da Igreja com relação à questão fosse bem mais benevolente, naquela época. (1)

    Foi apenas em 1869 que a Igreja Católica declarou que a alma era parte do feto desde a sua concepção, transformando o aborto em crime. (3)

    No século XIX, a prática de proibição do aborto passou a expandir-se com toda força, por razões econômicas, já que a sua prática nas classes populares podia representar uma diminuição na oferta de mão-de-obra, fundamental para garantir a continuidade da revolução industrial.

    postersovietico1.jpgEssa política anti-aborto continuou forte na primeira metade do século XX, com exceção da União Soviética onde, com a Revolução de 1917, o aborto deixou de ser considerado um crime. Mas, na maioria dos países europeus, por causa das baixas sofridas na Primeira Guerra Mundial, o aborto continuava não sendo tolerado.

    Na verdade, com a ascensão do nazifacismo, as leis antiabortivas tornaram-se severíssimas nos países em que ele se instalou, com o lema de se criarem “filhos para a pátria”. O aborto passou a ser punido com a pena de morte, tornando-se crime contra a nação, a exemplo do que ocorreu em certo momento no Império Romano.

    Após a Segunda Guerra Mundial, as leis continuaram bastante restritivas até a década de 60, com exceção dos países socialistas, dos países escandinavos e do Japão (país que apresenta lei favorável ao aborto desde 1948, ainda na época da ocupação americana) (1)

    Na década de 60, em muitos países, as mulheres passaram a se organizar em grupos feministas que começaram a exercer uma pressão no sentido de permitir à mulher a decisão de continuar ou não uma gravidez.

    A primeira conquista histórica aconteceu nos Estados Unidos, há exatos 34 anos (por isso a blogagem do Naral, hoje, em celebração à data). O julgamento do caso Roe x Wade (ROE v. WADE, 410 U.S. 113 [1973]) pela Suprema Corte Americana que determinou que leis contra o aborto violam um direito constitucional à privacidade, que a interrupção da gestação no primeiro trimestre apresenta poucos riscos à saúde materna e que a palavra ‘pessoa’ no texto constitucional não se refere ao ‘não nascido’. Essas decisões liberaram a prática do aborto na América. (4)

    Hoje em dia, 26% dos países não permite o aborto legal, justamente os que têm maior número de mulheres pobres e marginalizadas. No Brasil, existem leis que garantem o direito ao aborto em casos especiais, mas sabemos que o processo é tão longo que, muitas vezes, as mulheres desistem de esperar e acabam recorrendo ao aborto clandestino.

    No gráfico abaixo, podemos ter uma idéia da situação legal do aborto no mundo, atualmente:

    mapadoabortonomundo.gif
    Fonte: Center for Reproductive Rights (2007)

    Percebam que os países do Norte, a maioria mais industrializados, têm uma legislação muito menos restritiva e nem por isso existiu nenhum aumento no númro de abortos nesses países.

    O movimento feminista brasileiro tem se organizado para garantir o direito das mulheres ao aborto legal há décadas, especialmente através da Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos, que tem tido as suas ações potencializadas pelas Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.

    Para isso, entre muitas outras coisas, precisamos ainda, sim, e muito, do movimento feminista, que não é anacrônico, como ouvimos algumas vezes, mas que está atuando junto às questões vitais para as mulheres.

    É preciso acabar com a hipocrisia. Mulheres estão morrendo e a única forma de acabar com isso é através da descriminalização do aborto, que apenas possibilita as mulheres o acesso aos cuidados de saúde que elas merecem e necessitam. Isso é lutar pela vida.

    (1) O Aborto: Um Resgate Histórico e Outros Dados, Néia Schor e
    Augusta T. de Alvarenga, Faculdade de Saúde Pública de São Paulo.
    (2) Contraception and Abortion from the Ancient World to the Renaissance, John M. Riddle, Harvard University Press, 1992.
    (3) Abortion in History, Sunshine for Women
    (4) Roe x Wade, Suprema Corte e Brasil, Roberson Guimarães.
    (5) História das Mulheres – A Antiguidade, “A Política dos Corpos: entre procriação e continência em Roma”, Georges Duby e Michelle Perrot, pp.364-366.

    Outras leituras importantes:

    ______________________________________________________

    Palavra de Mulher

    “Foi um sofrimento terrível, que vivi, pois a hipocrisia, que ronda este universo do aborto, é que não tolero. Os médicos, alertavam, que eu não sobreviveria, mas tambem, não podiam opinar, por ser ilegal.

    Tentei, então, procurar especialistas, que me encaminhariam, a um hospital, já que eu não queria morrer aos 21 anos de idade, e com uma criança, pra criar.

    Todos os médicos fugiram…pra não se comprometer. Teve um famoso aqui…que usou esta expressão: ‘você está assim…se correr o bicho pega, se deixar o bicho come’.

    Eu estava sozinha, pois meu ex-marido, tomou uma posição passiva, de que eu teria que decidir. E eu decidi, ir fazer o aborto, numa clínica no Rio de Janeiro. Todos, com muita frieza, e claro que eu tambem corria riscos, pra fazer esta agressão….que é um aborto.

    Então, desde lá, penso, que deveria ser legalizado em vários casos…como o meu, em caso de estupros…e tantos outros, que convem a mulher decidir…”

    Juci

    _______________

    Esse post foi publicado, a primeira vez, no dia 28 de setembro de 2005, como parte da blogagem coletiva organizada pelo Nós na Rede. E está sendo re-publicado pela terceira vez. Não pude revisá-lo, avisem se tiver algum dado equivocado ou ultrapassado.

    _______________

    Imagem: (1) Edvard Munch, “Consolação”, 1907, óleo sobre tela, 89×108 cm. Munch-museet, Oslo. (2) Afrodite (Vênus) de Doidalsas (Paris, Louvre) meados do século III AC (3) Poster de propaganda soviético “What the October Revolution has given to working and peasant women”, 1920, litografia, 106×73 cm, na imagem, uma mulher mostra uma biblioteca, um clube de trabalhadores, uma escola para adultos e uma casa para mãe e bebês e (4) gráfico do Center for Reproductive Rights.

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    O Marido como Capital (Mirian Goldenberg)

    Denise | Feminismo | Thursday, 03 June 2010
    No Brasil, as mulheres experimentam o envelhecimento como um período de perdas ainda maiores

    NO BRASIL, o corpo é um capital. Certo padrão estético é visto como uma riqueza, desejada por pessoas de diferentes camadas sociais.
    Muitos percebem a aparência como veículo de ascensão social e como capital no mercado de trabalho, de casamento e de sexo. Para aprofundar essa discussão, estou fazendo um estudo comparativo com mulheres brasileiras e alemãs na faixa de 50 a 60 anos.
    Já nas primeiras entrevistas, constatei um abismo entre o poder objetivo que as brasileiras conquistaram e a miséria subjetiva que aparece em seus discursos.
    Elas conquistaram realização profissional, independência econômica, maior escolaridade e liberdade sexual.
    Mas se preocupam com excesso de peso, têm vergonha do corpo, medo da solidão.
    As alemãs se revelam muito mais seguras tanto objetiva quanto subjetivamente.
    Mais confortáveis com o envelhecimento, enfatizam a riqueza dessa fase em termos de realizações profissionais, intelectuais e afetivas.
    A discrepância entre a realidade e a miséria discursiva das brasileiras mostra que aqui a velhice é um problema muito maior, o que explica o sacrifício que muitas fazem para parecer mais jovens.
    A decadência do corpo, a falta de homem e a invisibilidade marcam o discurso das brasileiras. De diferentes maneiras, elas dizem: “Aqueles olhares e cantadas tão comuns sumiram. Ninguém mais me chama de gostosa. Sou uma mulher invisível”.
    Curiosamente, as brasileiras que se mostram mais satisfeitas não são as mais magras ou bonitas. São aquelas que estão casadas há anos. Elas têm “capital marital”.
    Em um mercado em que os homens disponíveis são escassos, principalmente na faixa etária pesquisada, as casadas se sentem poderosas por terem um “produto” raro e valorizado. Aqui, ter marido também é um capital.
    No Brasil, onde corpo e marido são considerados capitais, o envelhecimento é experimentado como uma fase de perdas ainda maiores.
    Já na cultura alemã, em que diferentes capitais têm mais valor, a velhice pode ser uma fase de realizações e de extrema liberdade.
    Como ressaltou Simone de Beauvoir, “a última idade” pode ser uma liberação para as mulheres, que, “submetidas durante toda a vida ao marido e dedicadas aos filhos, podem, enfim preocupar-se consigo mesmas”.


    MIRIAN GOLDENBERG, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de “Coroas: Corpo, Envelhecimento, Casamento e Infidelidade” (ed. Record) www.miriangoldenberg.com.br

    Fonte: http://twitter.com/socioweb
    Ilustração: Femme-Maison, Louise Borgeouis
    O que vocês acham?
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    Recife, Estocolmo, Washington e Seul
    O Dia das Mulheres nas “Minhas” Cidades

    Denise | Celebrando,Feminismo | Tuesday, 09 March 2010

    Em Recife, a Marcha das Margaridas reuniu cerca de duas mil trabalhadoras rurais ligadas à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco. Elas foram até o Palácio do Governo, onde entregaram um documento cujas reivindicações mais importantes do documento eram a criação da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, mais delegacias da mulher e 30% do programa Minha Casa Minha Vida para a zona rural. Mulheres que fizeram história no movimento sindical rural também foram homenageadas.

    Em Estocolmo, no centro da cidade, uma passeata com mais de 600 pessoas, com carrinhos de bebês cobertos de rosachoque, teve como objetivo conscientizar a população para a gravidade da altíssima mortalidade materna em países em desenvolvimento e a importância da Cooperação Internacional Sueca apoiar iniciativas que mudem esse quadro. (fonte e muitas outras fotos)

    Os primeiros dados estatísticos da mortalidade materna na Suécia datam de 1751 e revelam que, na época, 900 mulheres morriam por causas relativas à gestação ou parto para cada 100 mil bebês nascidos vivos.  Em 1900, esse número tinha baixado para 230 a cada 100 mil (fonte) atualmente, apenas 5 mulheres em cada 100 mil nascidos, morrem dessas causas na Suécia. Em Mozambique e Malawi, a mortalidade materna, hoje, é maior que o que era na Suecia em 1751 (1.100/100 mil).

    Em Washington, DC, Michelle Obama presidiu uma reunião na Casa Branca, ao lado do marido.

    Barak Obama disse que concorreu “à presidência para colocar os mesmos direitos, mesmas oportunidades e mesmos sonhos ao alcance das nossas filhas e nossos filhos da mesma forma”. Elogiou Hillary Clinton e a embaixadora dos EUA para ONU, Susan Rice, por colocar como prioridade para a política externa dos EUA as questões das mulheres, incluindo o luta contra restrição ao acesso ao planejamento familiar.

    Espertos como são, os Obamas ainda fizeram uma demonstração de sedução pública e explícita:

    Michelle: ”Eu falo primeiro, enquanto ele fica do lado, olhando. Adoro isso”

    Michelle: “Olhe pra mim, adoravelmente” (aos risos)

    Obama: “Eu posso fazer isso”

    Michelle: “Com sinceridade”  (risos)

    Aqui em Seul, as mulheres se reuniram na praça do Cheonggye, aquele canal sobre o qual já falei aqui. O tema desse ano foi “Mulheres e homens unidos para acabar com a violência contra as mulheres e meninas”.

    Na Coreia, entre 40 e 60% das mulheres casadas já foram abusadas fisicamente pelos seus maridos, 9% foram espancadas tão fortemente que precisaram de cuidados médicos. Um grupo de mulheres que apoia vítimas de violência (Korean Women’s Hot Line) revelou que 42% das entrevistadas tinham sido agredidas mais de uma vez por semana.

    O “MB Out” na máscara acima, refere-se ao presidente (Lee Myung-bak) e a ativista está dizendo “Fora Myung-bak” por causa das péssimas políticas voltadas para as mulheres trabalhadoras.

    ______________________________________________

    E onde você vive, teve alguma ação pública no 8 de Março? conta pra gente (e manda os links pra gente dar uma olhada, se tiver).

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    Os desafios da Confecom: movimento de mulheres quer debater controle público da mídia

    Denise | Feminismo | Thursday, 17 December 2009

    Artigo publicado pela Agência Patrícia Galvão:

    PLATAFORMA DAS MULHERES PARA A I CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO

    whonewsHá tempos que as entidades do movimento de mulheres organizadas vêm discutindo o direito humano à comunicação e a necessidade de democratização da mídia. Temos questionado a invisibilidade seletiva e a imagem veiculada da mulher, sobretudo das negras, indígenas e lésbicas. A falta de democratização dos meios de comunicação tem representado, na história do nosso país, o crescente monopólio do setor, cujo efeito mais danoso no cotidiano das mulheres é o papel da mídia na disseminação da mercantilização de nossos corpos e vidas e na reprodução da violência contra as mulheres.

    Questionamos a imagem deturpada e estreita da mulher na mídia – uma imagem que não reflete a nossa diversidade e pluralidade, que nega visibilidade a nossas demandas sociais e políticas, quando não as ridiculariza ou criminaliza, que nos desumaniza e usa como enfeite para vender produtos e valores que buscam conformar e manter a pasteurização e a submissão à ideologia patriarcal, aos valores de mercado e da sociedade de consumo.

    A I Conferência Nacional de Comunicação é um momento em que toda a sociedade está convidada a debater e definir os princípios e prioridades de uma política nacional de comunicação e de um novo marco regulatório para o setor. Por isso, o movimento feminista não poderia deixar de se organizar para trazer a sua visão e propostas para a Confecom. Às propostas que já vêm sendo defendidas pelo conjunto do movimento pela democratização da mídia, somamos outras, essenciais para as mulheres, construídas ao longo do último ano em seminários, debates e conferências livres realizadas em todo o país.

    O conjunto dos documentos elaborados pelas mulheres está disponível para consulta no site da Rede Mulher e Mídia: www.mulheremidia.org.br

    (Continue lendo aqui)

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    Especial sobre Simone de Beauvoir
    60 anos do Segundo Sexo

    Denise | Feminismo,Literatura,Vídeo | Tuesday, 06 October 2009

    Baixe aqui o Segundo Sexo Volume I – Fatos e Mitos

    Baixe aqui o Segundo Sexo Volume II – A Experiência Vivida

    (Ambos, via CMI – Centro de Mídia Independente, Brasil)

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    As Viúvas na India

    Denise | Cinema,Feminismo,India | Tuesday, 08 September 2009

    casadasviuvas1.jpg

    “Quase tudo que fazemos parece insignificante, mas é muito importante que façamos. Você precisa ser a mudança que você deseja ver no mundo.” Mahatma Gandhi

    (Post originalmente publicado em 24 de junho de 2006)

    Ontem fui assistir ao filme Water, o último da trilogia política da cineasta Deepa Mehta (os outros são Fire e Earth), sobre a vida das viúvas na india. Fiquei chocada. Já tinha ouvido falar na situação dessas mulheres, mas ainda assim, o filme é uma saculejada na gente e bota nossos problemas cotidianos na sua exata dimensão.

    Pesquisando, hoje, sobre o tema, pra escrever esse post, descobri que ontem estava sendo celebrado o “Dia Internacional das Viúvas”, instituído pelas Nações Unidas, justamente para lembrar ao mundo as crueldades cometidas contra essas mulheres (não apenas indianas, mas de muitos outros países), cujo único crime cometido foi se tornar viúva, como se pudessem se responsabilizar pela vida de seus companheiros.

    water_india.jpg“Water” não é um filme revolucionário em sua linguagem, mas é uma história muito bem contada e extremamente comovente. Ao acabar, precisei de uns bons minutos sentadinha no escuro do cinema, pra me recompor e tentar dissipar aquele nó na garganta.

    Apesar de ser uma obra de ficção, que se passa há quase 70 anos, infelizmente, essa ainda é a realidade de muitas mulheres na India. E isso é o que é mais doloroso.

    O filme se passa em 1938, na India Colonial, onde os poderosos (britânicos e indianos) vêem a ascenção de Mahatma Gandhi, com suas idéias de liberdade e de mudança das tradições arcaicas às quais os indianos ainda se agarravam. As viúvas já não eram forçadas a queimar numa fogueira, com a morte do marido, mas ainda tinham que pagar, vivendo em total ostracismo e miséria, por toda vida.

    Tudo começa com a morte do marido de Chuyia, uma menininha esperta de oito anos de idade, que nem entende que é casada.

    water_india3.jpg

    Ao se tornar “viúva”, Chuyia tem suas pulseiras quebradas, seu cabelo raspado, perde todas suas roupas e é vestida com um sari branco, que será sua única veste, para diferenciá-la, afinal, ela agora é uma pária, “impura” e não pode ter contato com outras mulheres e crianças.

    Os pais deixam Chuyia numa casa de viúvas hindu, onde deve viver o resto dos seus dias em penitência.

    Em 1938, e ainda hoje, em muitas lugares da India, a viúva é vista como um peso e como uma mulher sexualmente perigosa. A família do noivo quer vê-la distante, para poder tomar as propriedades do seu marido, e não tem interesse em assumir a responsabilidade de sustentá-la. Sua própria família, após o seu casamento, sente-se livre de qualquer responsabilidade em relação a ela.

    Por todo preconceito e superstições que cercam uma mulher viúva, ela também não consegue trabalho para se sustentar e acaba tendo mesmo que viver nessas Casas de Viúvas (prédios centéntários, caindo aos pedaços), por toda vida. Para se “purificar”, precisa abandonar qualquer vínculo com prazer e viver em sofrimento. Dorme no chão, repete canções e orações seis horas por dia, e não pode, sequer, comer frituras, consideradas alimentos “quentes”. Estima-se que existam 20 mil viúvas, mendigando, apenas à beira do rio Ganges.

    casadasviuvas2.jpgAos poucos, vamos conhecendo as mulheres com quem Chuyia deverá conviver. A velhinha (foto)que está na casa desde os sete anos e cujo único sonho é comer, novamente, os docinhos que provou na sua festa de casamento (o marido morreu um mês depois). Shakuntala, a mulher de meia idade, esperta, inteligente e que sofre ao perceber que está envelhecendo e está sempre dividida entre a revolta pela sua situação e o medo por não se comportar como deveria.

    Tem a poderosa Didi, que comanda a casa e tem regalias que as outras não têm, e a belíssima Kalyani. Aos 17 anos de idade (está lá desde os oito), ela é a única mulher que tem a permissão para usar cabelos longos e que, sustenta o “luxo” de Didi e a Casa de Viúvas, sendo levada de barco, no escuro da noite, pelo eunuco gulabi, para prostituição.

    water_india4.jpg

    A chegada de Chuyia, o aparecimento de um lindíssimo indiano nacionalista, o amor de Kalyani, a revolta de Shakuntala e a ascenção de Ghandi, mexem com a Casa de Viúvas… mas não existem milagres. O resto, só vendo o filme…

    A realidade atual

    widows_india2.jpg

    Segundo o censo de 1991, 8% de todas as mulheres da India são viúvas, o que significa cerca de 34 milhões de pessoas. Como o costume é o casamento das meninas muito novinhas, 50% das viúvas têm menos de 50 anos de idade.

    No grupo acima de 60 anos, 64% das mulheres são viúvas, enquanto que apenas 6% dos homens são viúvos. Essa diferença brutal de gênero existe por causa da alta incidência de viúvos que se casam novamente, enquanto que um novo casamento, na prática, continua sendo uma opção bastante improvável para as mulheres.

    Apesar dos números, sabe-se pouco sobre a vida dessas mulheres, na India. A marginalização as torna invisíveis. O que sabemos é que elas vivem em completa pobreza, desemprego, sem acesso aos meios de produção, sem educação formal e sofrendo por superstições que ainda estão bastante arraigadas na cultura indiana.

    Já em 1956, um ato hindu estabeleceu que as viúvas devem ser consideradas iguais a todas as mulheres, mas a tradição fala mais alto.

    Por causa de todas privações que passam, as viúvas têm um índice de mortalidade 85% maior que as mulheres casadas. Apesar das péssimas condições dessas Casas de Viúvas, muitas preferem viver nelas do que ficar com a família do ex-marido, sendo constantemente abusadas sexual e fisicamente.

    widows_india3.jpg

    As Casas de Viúvas são empreendimentos mercenários, existem denúncias de que, apesar das mulheres viverem em completa miséria, os administradores fazem muito dinheiro, pedindo ajuda financeira e vendendo serviços sexuais das jovens viúvas.

    “Sem um homem ao seu lado, uma mulher não tem respeito na sociedade indiana. Isso é parte da cultura patriarcal”, afirma uma militante do movimento de mulheres.

    Parece incrível, mas isso tudo continua acontecendo hoje. Será que a gente não tem mesmo nada a ver com isso? Quando eu fui pra India, escrevi sobre a situação da mulher por lá (vejam ai abaixo), falando sobre as mulheres queimadas por causa dos dotes, e uma criatura me criticou porque eu devia me preocupar com as mulheres do Brasil.

    Não consigo estabelecer fronteiras para a humanidade. Me preocupo do mesmo jeito com minhas amigas que vivem em favelas, no Brasil as viúvas indianas e as mulheres com AIDS na Africa. Somos todas irmãs.

    O que é que a gente pode fazer? falar no assunto, procurar saber o que fazem os grupos de mulheres. Se você faz doação, considerar doar para grupos que trabalham com essas mulheres. No mais, pelo menos se sensibilizar, acho que é um bom começo.

    E o nó na garganta, continua aqui… isso é o que acontece quando a gente vê um filme que faz pensar…

    Veja mais:

  • Widows’ Rights International
  • International Widows Day – June 23
  • Trailler de “Water”
  • Site oficial de “Water”
  • Vrindavan Widows Are Still Sexually Exploited — Study
  • India’s Outcast Widows Have New Havens
  • Status of Widows of Vrindavan and Varanasi
  • Grief and Renewal
  • O risco de ser mulher na India – SdeE
  • O risco de ser mulher na India – Parte 2 – SdeE
  • Curiosidade:

    holi.jpg
    Nessa linda cena do filme, as mulheres estão celebrando o Holi, festa onde todos brincam jogando um pó super colorido, uns nos outros. Em 1999, por uma coincidência abençoada, eu estava no Nepal, no dia do Holi. Estava sozinha, mas pude aproveitar muito e ver a festa, que é uma das coisas mais lindas que se pode imaginar.

    Pitaco de vocês:

    “Uma informação boa: dirigi do interior da Bahia hoje cedo até a capital, vi um out-door com o anúncio da Festa das Viúvas. Foi um forró pé-de-serra genial no interior , para onde convergiram os pretendentes livres e um monte de viúvas que ainda querem dançar, namorar e ser feliz. Que pena que a ìndia discrima suas viúvas, que pena que as viúvas das aldeias portuguesas se condenam ao eterno negrume das vestes e que bom que se pode dançar, beber, brindar e namorar na Bahia. Embora outros problemas haja.” Alena.

    Vejam também o excelente post da Regina do blog Always por um Triz sobre o filme Water: Deepa Mehta: uma mulher de coragem.

    Fotos: Em preto e branco, são registros de uma Casa de Viúvas, feitos pelo fotógrafo Frederik Renander. As fotos coloridas são cenas do filme Water.

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    Onde vale a pena passar no #lingerieday

    Denise | Feminismo | Wednesday, 29 July 2009

    Como voces perceberam, ando sumida, os motivos, ja’ contei um pouco por aqui, mas na verdade, o que ta’ pegando mesmo, agora, e’ vontade de aproveitar o tempo com a minha filham, que vai embora no dia 20 de agosto. E tem tambem umas coisas interessantes que eu to fazendo…  mas eu volto. Morro de saudades dos nossos papos, volto, sim!

    Por enquanto, queria sugerir a quem (ainda!) vier aqui, uma visitinha ao blog da Cynthia Semiramis que fez um otimo post sobre o #lingerieday, sim, uma babaquice machista que rola hoje no twitter.

    A confusao ta’ rendendo, mas tem seu valor. E’ sempre bom refletir sobre essas questoes. Vou colocar so’ um trechinho do post pra dar um gostinho e voces irem entendendo o bafafa’… depois, vao la’ na Cynthia ler o resto e comentar! 

    “Na última quarta-feira @morroida @gravz e @izzynobre propuseram o #lingerieday, como pode ser visto no cartaz de divulgação da campanha . @morroida também falou: Para o #lingerieday, se vc for FEIA E/OU GORDA, favor use foto fake. Ninguém quer ver vc de lingerie.

    Foi um dia bastante tumultuado. Entre diversas discussões, públicas e privadas, Ana Carolina (@anarina) fez um post no Trezentos, criticando a campanha. O teor dos comentários, alguns deles originados dos idealizadores da campanha, é tão grosseiro que foi necessário fechar o espaço para que não recebesse novos insultos.

    Divulguei o post da Ana Carolina, twittei sobre como a campanha tem a mesma lógica da campanha da Pix, e a @meninaquejoga, que havia aderido à campanha trocando seu avatar por ilustrações de sutiãs e calcinhas, me questionou sobre minhas críticas à campanha. Conversamos tranquilamente sobre o assunto.

    No fim do dia, um twitt da Aline (@ateaquitudobem me chamou a atenção por associar o lingerieday à nudez: O que degrada o corpo feminino não é a nudez, mas o olhar reprovador sobre ele. #lingerieday. Respondi: mas a questão do #lingerieday não é nudez. é ter de achar “normal” uma campanha de objetificação das mulheres. Fiz isso porque imaginei que poderíamos conversar amigavelmente, como já fizemos com outros assuntos, e achei que foi “forçar a barra” associar lingerieday com nudez.

    (…  Continue lendo o post da Cynthia aqui)”

    Nem precisa dizer que concordo em tudo com a colega.

    Outros otimos posts de blogueiras que, como eu eu Cynthia, tambem criticaram a “campanha”:

    PS.:  Na proxima semana, eu e Bia partiremos para uma aventura em Phnom Penh e Angkor Wat… no Cambodja!

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    Dia Internacional da Mulher em Seul

    Denise | Celebrando,Feminismo | Sunday, 08 March 2009

    Por aqui, o Dia Internacional da Mulher já está acabando (são quase onze da noite) e essa foto acaba de ser publicada no Korea Herald.

    Já é um registro da festança que aconteceu há algumas horas, na praça Cheonggye (aquela, onde fiz umas fotos no natal), organizada pela Korean Women’s Association United (KWAU), com o tema “Homens e mulheres unidos para acabar com a violência contra mulheres e meninas”. Sim, essa questão, tão crucial no Brasil, também é grave por aqui, um país pra lá de machista.

    Pelas fotos, a gente pode ver que a concentração foi beeeeeeeeeeem diferente do que rola no Brasil… hehehehe… acho ótimo que seja um evento que reúne homens e mulheres, mas vocês não acham meio estranho esse marmanjo aí, meio de lider do grupo? isso é a foto do 8 de março na Coreia…

    E eu nunca vou me perdoar por ter perdido a muvuca. Hoje cedo, até comentei com Ted que estava com muitas saudades das passeatas das mulheres em Recife, estava nostálgica mesmo. Mas, me envolvi tanto num trabalho que preciso terminar até amanhã, que não olhei o jornal, pra checar se havia algum evento programado por aqui. Quando vi, já era tarde demais.

    Humpf  :-/    agora, só no próximo ano.

    Por outro lado, achei bem interessante uma reclamação que eu li, hoje, em outro jornal, o Korea Times:

    “Em algumas celebrações, o dia perdeu seu caráter político e se transformou apenas numa ocasião para homens expressarem seu amor pelas mulheres ao seu redor, como uma espécie de dia das mães e dia dos namorados misturado”.

    Bem sintonizado com o que eu tenho reclamado todos os anos e com o que o pessoal da comunidade Feminismo e Libertação, está alardeando (brilhantemente): DISPENSE AS ROSAS.

    Por favor, queridos, guardem as rosas e chocolates pra outro dia, nada de mais mal gosto – na minha opinião – que essas “homenagens” às mulheres no 8 de março. No Brasil, na Coreia ou em qualquer lugar do mundo.

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    Denise | Feminismo | Sunday, 08 March 2009

    Ótima iniciativa da Marjorie e da comunidade Feminismo e Libertação. Vamos lá dar uma olhada no manifesto que ela escreveu. Assino embaixo, com todo prazer: no dia 8 de março, dispense a rosa, você não quer ler e assinar também?

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    Os machistas no Dia Internacional da Mulher

    Denise | Feminismo | Sunday, 08 March 2009

    A ótima blogueira Cynthia Semiramis fez um post genial no 8 de março do ano passado. Começa assim:

    Como estou cansada de todo ano ouvir discursos machistas no Dia Internacional da Mulher, este ano preferi fazer a listinha das besteiras que eu já ouvi. Tenho certeza que vocês conhecem pelo menos alguma delas. Aproveitei também para explicar o quê está de errado nessas frases ridículas, pra ajudar os moços a entenderem que as palavras que eles acham lindas podem ser muito ofensivas. Quem sabe esses discursos entram em extinção?

    Pra ler a melhor parte, tem de ir lá…

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    8 de Março – Debate sobre Violência Contra a Mulher

    Denise | Feminismo,Televisao,Vídeo,Violência | Sunday, 08 March 2009

    Apesar de uma quantidade razoável de bobagens (que vocês vão identificar), o papo teve algumas reflexões interessantes.

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    Livros feministas (e outros) para download

    Denise | Biblioteca do Blog,Feminismo,Literatura | Wednesday, 07 January 2009


    Tietando Betty Friedan

    Outras ótimas leituras:

    Alguém tem sugestão de link de um bom livro, para download?

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    Batgirl pela igualdade salarial!

    Denise | Feminismo,Televisao,Vídeo | Tuesday, 23 December 2008

    Eu já estou indo dormir (são 3 e meia da manhã, aqui), mas alguém poderia traduzir esse vídeo (é bem curtinho) e deixar a tradução na página de comentários?

    Tradução

    bla bla bla bla
    Robin - Putz olha só é a batgirl pintando na área (hehehehe)
    BatmanDesamarre-nos antes que seja tarde demais…
    Batgirl - Já é tarde demais.
    Batgirl - Estive trabalhando pra vc por muito tempo e ganho menos que o Robin
    Robin - Putz! está insatisfeita!
    Batgirl - Mesmo serviço, mesmo empregador, significa pagamento igual para homens e MULHERES!
    Batman - Não temos tempo pra piadas, Batgirl!
    Batgirl - Isso não é uma piada!
    Robin -  Holy Act of Congress!
    Batman
    nós conversaremos sobre isso depois…
    e batgirl salvou a dupla dinâmica…
    bla bla bla bla

    Obrigada pela tradução, Jamerson!

    Via Feministe.

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