
L’amour est un oiseau rebelle
que nul ne peut apprivoiser,
et c’est bien en vain qu’on l’appelle,
s’il lui convient de refuser!
(…)
L’amour est enfant de Bohême,
il n’a jamais, jamais connu de loi,
si tu ne m’aimes pas, je t’aime,
si je t’aime, prends garde à toi!*
Opera Carmen, de Bizet
(ouça aqui, com Maria Callas)
Vidas passadas?
A Ju me disse, ontem, que estamos quase começando o ciclo de Escorpião, segundo ela, é um mês das emoções que estão lá dentro, escondidas nas ‘frestas’, como os escorpiões, e que vêem à tona. Ela acrescenta: “Não é a toa, que se comemora o dia das bruxas, na época de escorpião, pois é o signo, que mexe com o que há de oculto nas pessoas.”
Segundo ela, como eu tenho a Lua em Escorpião, essa pode ser a razão de eu estar com os nervos à flor da pele, “são emoções que estavam escondidas e estão vindo à tona”. Nada poderia fazer mais sentido… mas acho que, agora, vou botar esses escorpiões pra dentro das frestas rapidinho… hehehe…
Então, entrando na onda de ocultismo do Escorpião, hoje, de manhã, visitando o Nectar da Juci, tivemos (eu, ela e a Horvallis) um “papo” interessante, lá na caixa de comentários, sobre magia, ocultismo e vidas passadas…
Eu já disse, aqui no blog, que minha filosofia é “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!” não tenho nenhuma religião, não penso no assunto, mas também não descarto (quase) nenhuma possibilidade e, a princípio, (quase) tudo pode ser verdade…
Às vezes acontece coisas com a gente, que parecem tanto ter tanto significado, que é difícil ter certeza se é só acaso…
Ted, acredita, completamente, sem nenhuma sombra de dúvidas, em reencarnação e vidas passadas. Eu admiro quem consegue ter tanta certeza de algo assim. Eu mal tenho certeza de quem eu sou, agora, quanto mais do que vou ser após a morte…
Mas, enfim, lá na Juci, o papo era esse. Vidas passadas. Se isso existir, eu tenho duas dicas interessantes sobre as minhas…
A roma em mim
Uma é que três pessoas, em locais diferentes me disseram, com muita “segurança”, que eu fui uma Roma (cigana**) não em uma, mas em muitas vidas passadas. Não eram pessoas que sabiam nada de mim e das minhas viagens.
Uma delas me encontrou no Rio de Janeiro, era amiga de uma amiga, muito mística e me garantiu que eu tinha sido uma Roma e dizia isso pelo meu jeito e por um brilho no olhar (bom, vamos combinar que a minha cabeleira e minhas pulseiras ajudam a despertar essas fantasias, nas pessoas, então, não levei a sério).
Outra foi uma cartomante de Recife. Era um lugar bem barra pesada, num bairro muito pobre e a casa dela cheia de imagens de pais de santo de umbanda, que me assustaram um pouco. Ela leu tarô pra mim e muito do que ela “previu”, há uns 8 anos atrás, não fez sentido nenhum hpje. Mas ela garantiu que eu era uma cigana e ainda disse que tinha uma cigana do meu lado me protegendo…
A terceira foi uma indiana, numa das minhas viagens a trabalho, não lembro em que país estávamos, mas ela disse que minha rebeldia, minha instabilidade e minha coragem pra dizer as coisas que ninguém diz vinham da minha origem cigana, em vidas passadas, na India e que, agora, eu estava aprisionada em um mundo que não me pertencia. Uau…essa, eu confesso que me impressionou muito. Principalmente por ser uma pessoa muito séria, no trabalho. Ela garantiu que eu, não só tinha sido uma roma, mas uma roma indiana.
Bom, não vou dizer que eu acredito nisso, mas adoro pensar que poderia ser verdade…
Sem dúvida, tenho uma sensação de pertencer à India ou ao Nepal, muito mais que aqui. Adoro as músicas, a dança, a comida, a sensualidade, as roupas, a cultura e me sinto extremamente feliz e em paz quando estou lá.
Também me transformo quando estou usando uma saia rodada, muitas pulseiras, cabelo solto, quando era adolescente adorava andar com uma papoula no cabelo (achei até uma foto com flor no cabelo aqui no meu album virtual).
É mais do que achar bonito, é me sentir mais “poderosa”. Adoro uma roupinha ocidental também, um terninho preto básico e chic, e, claro que, por viver aqui, é assim eu me sinto mais “à vontade”, mas tesão mesmo eu sinto por metros de babados… hehehe…
Meu amor por viagens, claro, também faz sentido com o que as moças disseram. Mal chego e já estou querendo ir embora pra algum lugar (qualquer lugar). Preciso estar sempre em movimento…
Ted não tem dúvidas em relação a isso (adoro a sua credulidade! hehehe), acabei de falar pra ele sobre ese post e ele garante que eu era uma roma indiana (e das mais assanhadas hahahaha…)
Medo de água
Outra coisa que me dá uns arrepios, só de pensar, é que eu tenho pavor a água. Já perguntei à minha mãe se houve situações em que quase me afoguei, pequena, porque é um medo absolutamente incomprensível. Principalmente, tenho medo das calmarias, que parecem anteceder alguma coisa.
Por exemplo, se estiver numa piscina, mesmo que não seja funda, ao mergulhar e ficar embaixo d’agua alguns minutos, fico apavorada. Não existe nenhum risco lógico. É pavor puro. Da mesma forma no mar, por mais rasinho que a água esteja, se não tiver ninguém por perto e eu olhar ao redor, a imensidão do mar me apavora e eu saio pra areia correndo. Fazer um cruzeiro, então, nem pensar…
Enfim, podem haver mil explicações psicológicas pra isso, que eu não descarto mas, pra algumas pessoas que eu contei isso, eu posso ter morrido afogada em outras vidas. Acho meio duro de acreditar, mas, como eu disse “las brujas hay”… então, quem sabe?
E vocês?
Acreditam em vidas passadas? Já se sentiram pertencendo a outra época ou outro país? já tiveram sensação de conhecer algum lugar como se já estivessem estado lá antes? ou acham que tudo isso é uma grande bobagem? (coisa que eu não descarto… hehehehe…)
____________________________________________________
* Tradução tosca e que, humildemente, aceita correções:
“O amor é um pássaro rebelde
que ninguém consegue aprisionar.
É em vão que o chamamos
Se lhe convém recusar…
(…)
O amor é uma criança da Boêmia
Que nunca, nunca, conheceu a lei
Se tu não me amas, eu te amo
Se eu te amo, tome cuidado!”
Carmen, Bizet.
** Roma é uma forma mais correta de se chamar os ciganos e ciganas, como o Guilherme, gentilmente, me informou, dia desses.
*** Apesar de falar em romas da India, todas essas imagens são bem européias, não consegui encontrar nenhuma outra.
**** Frestas: uma dúvida gramatical. Não encontrei essa palavra no Houaiss… mas encontrei, inclusive como título de publicação da UNESP. Alguém sabe o moitov? a palavra existe ou não existe?
Imagens: Infelizmente, as 4 primeiras achei na Internet, sem nenhum crédito. A terceira, da piscina é um detalhe de um quadro do pintor inglês David Hockney.