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    Educação – O Brasil no Rumo Certo

    Denise | Brasil,Eleições,Escolas & Educação | Saturday, 02 October 2010

    Reitores de universidades federais brasileiras divulgaram um manifesto intitulado “Educação – O Brasil no Rumo Certo”, defendendo o governo Lula como “aquele que mais se investiu em educação pública”.

    “Foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens”, diz o documento.

    Veja a íntegra do manifesto:

    EDUCAÇÃO – O BRASIL NO RUMO CERTO

    (Manifesto de Reitores das Universidades Federais à Nação Brasileira)

    Da pré-escola ao pós-doutoramento – ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional – consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.

    Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.

    Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.

    Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.

    Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.

    (Continue lendo aqui)

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    T.E.D. – Ken Robinson: Escolas matam a criatividade?

    Denise | Escolas & Educação,Vídeo | Friday, 19 December 2008

    Ótimo. Com legenda em português. Vejam a parte 2, aqui.

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    Lambendo a cria

    Denise | Escolas & Educação,Familia, Familia | Thursday, 24 May 2007

    bia_premio.jpg
    Bia recebendo homenagem da professora de “Estudos das Mulheres”

    Que eu sou mãe super coruja não é novidade. Não falo muito na minha Bia, nem posto muitas fotos dela porque, ao contrário de mim, a moça é discretíssima. Só que, dessa vez, eu tinha que contar as novidades pra vocês (com as devidas autorizações).

    Começando do começo, Bia saiu do Brasil aos 16 anos, deixou muitos amigos, muita balada, uma vida movimentadíssima, cheia de sol e tapioca em Olinda, pra mudar pra Suécia, onde não conhecia ninguém, o frio era de matar e o sol, uma raridade. Nos primeiros meses, eu era a única pessoa com quem ela conseguia se comunicar (ela não falava inglês, não conversava nem com Ted).

    A mudança foi brutal. Um dos meus defeitos é a incapacidade de suportar o sofrimento da minha filha. Se ela não fosse mais forte que eu, nós já teríamos voltado. Nunca vou esquecer um dia em que, ao vê-la aos prantos, eu disse: “Bia, é melhor a gente voltar pro Brasil!”. Ela disse: “Mãe, por favor, não fala isso, porque fica mais difícil ainda, não me dê essa opção”.

    Quando ela começou as aulas, no Fogelströmska Gymnasium, em Estocolmo, as coisas melhoraram um pouco, ela fez alguns amigos, começou a ter uma vida social própria. Foi uma experiência fantástica que eu contei aqui e aqui. Ela teve verdadeiras aulas de tolerância e de multiculturalidade, com colegas da Turquia, Uzbequistão, Rússia, Chile, Tailândia, Somália, Chad, Polônia, Congo e por aí vai. Mas, na prática, pra vida escolar dela, foi um ano e meio aprendendo apenas sueco, com um pouco de inglês e um pouco de matemática.

    Em agosto de 2004 mudamos pra cá, pros EUA, e ela começou tudo de novo, nova escola, novos amigos. Como ela já falava um pouco de inglês e como a integração aqui é muito mais fácil, as coisas foram um pouco mais simples. Ela fez um ano de high school e se deu super bem, tendo ótimas notas e recebendo destaque por isso.

    Como já estava muito “velha” pra terminar todo o high school (aqui são quatro anos), os professores sugeriram que fizesse GED, que é como uma prova de supletivo, que ela pode fazer e pular direto pra faculdade. Mas nem isso foi preciso.

    cerimonia_bia.jpg
    Cerimônia de entrega das homenagens aos alunos e alunas

    Resumindo, ela pulou o high school e já está na faculdade, estudando principalmente matérias relacionadas com sociologia e antropologia (aqui não se decide a profissão antes de começar, como no Brasil) e acabou de terminar o segundo semestre.

    Eu nunca fui exigente com notas e sempre dei todo apoio a ela, independente do que acontecesse na escola. Sempre achei que ela devia ler bons livros, ver bons filmes, ler jornais, ter uma formação cultural sólida e a escola ela ia levando.

    Mas, a coisa aqui é séria. Primeiro que ela precisa conseguir boas notas para tentar concorrer a uma bolsa integral. Além do mais, o ensino, na faculdade, exige muito, você precisa ler muito, escrever muito, pensar muito. Consciente disso, e sem nenhuma pressão da minha parte, ela conseguiu, até agora, tirar nota máxima A (GPA 4.0), em todos os onze cursos que fez!

    No primeiro semestre nós até sugerimos que ela fizesse apenas duas ou três classes, pra ir se acostumando, afinal, não ter feito high school quase nenhum faz uma enorme diferença. Aqui, se escreve muito, e existe toda uma estrutura para esses essays que se aprende na escola e ela não tinha nem idéia de como fazer, no começo.

    A falta de domínio do inglês também era uma desvantagem em relação aos outros alunos, mas ela quis bancar o máximo e eu sei bem o esforço que foi. Imaginem ler muitos livros, escrever muitos artigos, fazer muitas provas, apresentar trabalhos, tudo isso trabalhando cinco dias por semana, algumas vezes 10 horas por dia…

    Alguns dias, ela saía pra faculdade oito da manhã, de lá ia pro cinema e começava a trabalhar à uma e meia da tarde e só saía do trabalho às onze e meia da noite. A vantagem é que, como ela trabahava muitas vezes no box do cinema, vendendo ingressos, levava o livro e podia estudar entre uma sessão e outra. Além disso, ao chegar em casa, foram muitas noites estudando até de madrugada…

    Quem estuda duro assim, aqui nos EUA, é sempre recompensado. Nesse semestre, ela recebeu convites para participar de grupos de “honors students”, fraternidades e foi inscrita numa lista de melhores alunos, pelo diretor da faculdade, o que pode ajudar a conseguir uma bolsa de estudos.

    E, pra finalizar, o motivo principal desse post é que ela recebeu, essa semana, um prêmio (um diploma, também importante pro currículo) de destaque, indicado pela sua professora de Women’s Studies (Estudos das Mulheres)… imaginam como eu estou feliz e orgulhosa??!!!

    Enfim, estou mesmo, muito feliz… mas, o mais importante é o que significou pra Bia esse esforço todo. Ela acabou de fazer 20 anos, mas já é uma mulher adulta, muito, muito mais do que eu era na idade dela.

    Tem muita maturidade, responsabilidade, seriedade no que faz. Como eu sempre imaginei, ela é um mulherão. E todos os méritos são dela. Eu só faço babar e me sentir totalmente realizada por ter ajudado a botar no mundo uma pessoa tão especial.

    PS.: Detalhe, pra quem não sabe, a tatuagem no braço dela é um coração, com meu nome :-)

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    Noite Multicultural na Escola de Bia

    Denise | Escolas & Educação,Washington, dc | Saturday, 12 March 2005

    Eu já comentei com vocês, aqui, sobre as experiências interessantíssimas de Bia nas escolas do Brasil, Suécia e EUA. Tem sido maravilhoso pra ela conviver com pessoas das culturas mais diversas. Um belo exercício de tolerância!

    Na última sexta-feira, participamos da “International Night”, na Bethesda-Chevy Chase, high school onde ela estuda. Cada família foi solicitada a levar um prato (de preferência típico do país de origem) pra festa. Como eu não arrisco meus dotes culinários, comprei um bolo bem americano mesmo, pra gente levar. Mas como a maioria topou o desafio, a festa tinha comida de todo canto do mundo.

    luizacantando.jpgDepois do jantar, fomos pro auditório onde houve um desfile de roupas típicas de vários países e apresentações de dança e música, fechando com um comovente discurso de uma garota africana. O Brasil foi representado pela familia da Luisa, cantando e tocando “Asa Branca”. Lindo!

    Eu me diverti muuuuuuito, e dancei na cadeira, ao som de muita salsa, música africana e indiana. Fiquei pensando o quanto a gente é absorvido pela cultura ocidental, muitas vezes perdendo a oportunidade de saborear as músicas e danças indianas e do Oriente Médio que são deliciosas! Depois dessa noite me comprometi a ouvir mais meus discos de música indiana, africana e árabe!

    orientemedio.jpgEngraçado ver como as meninas do Oriente Médio se transformam quando começam a dançar. Uma delas estuda em uma das salas de Bia, é beeeeeeem gordinha, mal fala com alguém, mas subiu no palco e deu um show de dança que deixou todo mundo babando… e alguém ainda tem dúvida do poder cultural em pressionar as nossas meninas por um padrão de magreza? a gordinha foi lá e arrasou, se fosse ocidental ia estar sentadinha na cadeira! maravilhosa! poderosa!

    Bom, aqui tem mais fotografias da “Noite Internacional”, com imagens dos stands de cada país, apresentações culturais e Bia (agora ruivinha), com os amigos de diversos países.

    __________________________________________________

    Algumas respostas:

    Sobre o fato de ter muitos estrangeiros na escola… Adoro Washington por ser uma cidade extremamente multicultural. É aqui onde ficam as embaixadas e consulados, sede do Banco Mundial, FMI (onde trabalham pessoas do mundo todo), além de toda outra forma de imigração, claro.

    Mas, na verdade, acho até que essa escola tem muito poucos alunos estrangeiros (gostaria que tivesse mais), apesar de representar 55 países. Segundo o site da escola, o total são 1,675 alunos e são apenas 109 alunos no ESOL, que é o programa para estrangeiros. Considerando que alguns podem ter saído do programa, mas continua na escola, digamos que deve ter uns 200 alunos estrangeiros… não achei esse valor exato no site.

    Bia, ao contrário de mim é super “low profile”, discretíssima. Ambas somos muito tímidas, só que a minha forma de enfrentar a timidez é falando muito. Bia detesta chamar atenção, por isso está sempre na platéia.

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    Filhos e escolas – Brasil, Suécia, EUA – Parte II

    Denise | Escolas & Educação | Sunday, 12 December 2004

    bcc.jpg

    Pois é. Como eu ia dizendo, aí abaixo, eu sempre fui muito preocupada com os valores e a metodologia usada nas escolas onde Bia estudou. Faltou, apenas, dizer que o Zab tem um ensino construtivista, baseado nas idéias de Paulo Freire.

    Enfim… chegamos nos EUA e fomos à procura da escola (pública). Aqui, os alunos têm que estudar numa escola próxima à sua casa, não podem ir para bairros afastados, então, decidimos onde morar, de acordo com o lugar onde tivesse a melhor escola e tivemos ótimas referências da Bethesda-Chevy Chase.

    A primeira coisa foi fazer a inscrição, num lugar, tipo “secretaria de educação de Montgomery County”. Fomos super bem atendidos. Bia fez um teste pra avaliar seu inglês e tirou uma boa nota. Passou direto pro nível 3 em 5.

    Aqui, nos EUA existe o programa ESOL – English for Speakers of Other Languages , que pretende ser uma transição dos alunos que estão emigando para os EUA e que ainda não têm condições de acompanhar todas as aulas na sala normal do High School.

    Ao contrário da Suécia, onde os alunos ficavam num departamento completamente separado (até porque não tinham noção absolutamente nenhuma do idioma sueco, claro). Aqui eles já começam tendo algumas aulas com os americanos. A idéia de estarem misturados é boa. Bia tem amigos americanos e eles não demonstram nenhum preconceito, isso favorece a integração.

    Mas o ESOL é uma coisa na teoria, outra na prática. Nos primeiros dias fiquei chocadíssima. Os alunos são jogados, de qualquer forma, nas salas de aula, sem que exista nenhuma tentativa de integrá-los, nenhuma socialização. Essa foi a nossa primeira experiência com a dura realidade do american way of life: “Cada um por si”.

    O primeiro mês foi muito difícil. Ela reclamava que não tinha tempo nem pra respirar; que não conseguia fazer amigos, porque o tempo fora da sala de aula era mínimo e detestava o clima de “medo” dos alunos, em relação aos professores, dentro da escola. Os professores não tinham nenhuma atenção especial para os alunos e se tivessem dificuldades tinham que se virar sozinhos. Eu fiquei revoltada.

    Mas, o que eu mais detestava, mesmo, era o clima de estímulo à competitividade, completamente contra todos meus princípios… são cartazes, espalhados pela sala, mostrando a graduação dos alunos, quem está em primeiro, segundo e terceiro lugares… o fim!

    Ted foi professor de escola elementar quando era bem jovem e disse que os professores, aqui, ao contrário da Suécia, se interessam pelos bons alunos, os que têm chance de tirar boas notas, os que são “troublemaker”, que gostam de bagunça, que são difícieis de adaptar, que têm problemas de aprendizado, esses, nenhum professor quer.

    Detesto isso.

    Por outro lado, o ensino daqui é muito mais fácil que no Brasil. Enquanto temos uma quantidade de absurda de assuntos, em nosso currículo, aqui os professores concentram em menos, mas repetem muito mais, o que eu gosto muito.

    Acho que a gente tem um currículo ridículo, completamente fora da realidade, no Brasil. Assunto demais que ninguém tem condição de absorver tudo aí vira “decoreba”, pra passar no vestibular..

    Enfim… o tempo foi passando, e Bia foi se enturmando, encontrando novos amigos, compreendendo melhor como a escola funciona… e hoje, pra minha surpresa, ela tira as maiores notas que tirou em toda a vida. Está estudando tão sério que só tem A, em quase todas as matérias, especialmente matemática, onde virou assistente da professora!

    Como, aqui nos EUA, o histórico escolar pesa muito na hora de entrar na faculdade, ela está indo muito bem. A professora disse que, se ela mantiver o nível de notas, atual, ela poderia entrar até em Harvard!

    Outra coisa que me surpreendeu foi o quanto a escola, ao contrário do que eu imaginava, especialmente nos primeiros dias, está sempre presente e com um acompanhamento detalhado do aproveitamento do aluno, junto aos pais. Todos meses recebemos cartas dizendo como estão as notas dos alunos, se ele está fazendo as tarefas de casa ou não, e avisando se tiver faltas ou atrasos.

    Tem também um site “web grade”, onde os pais podem acompanhar as notas em cada quesito (provas, quiz semanais, tarefas de casa etc.)., além de informar a média da sala e qual a posição do filho em relação aos outros. Alguns professores mandam emails pros pais avisando que, em tal dia, os alunos vão ter prova.

    Cada aluno tem uma “conselheira”, com o qual pode conversar, reclamar, fazer solicitações relacionadas à escola. Eu estive, algumas vezes com a conselheira de Bia, uma pessoa muito interessante e que tem ajudado, sempre que preciso.

    Enfim, fui vendo que, como todas as outras escolas, onde Bia estudou, essa também tem seu lado positivo, não são apenas reclamações…

    Aí, dia desses, Bia estava aqui em casa com Sofia (uma amiga da escola, francesa) e nós conversávamos sobre esse sistema tão competitivo na escola, eu perguntei o que elas achavam. Não é que elas disseram que gostam, que acham esse sistema muito mais desafiador, que todo mundo quer tirar boas notas, se destacar, por isso elas estudam tanto…

    Bom, minha cabeça deu um nó, né? não tem nada a ver com tudo que eu sempre esperei em termos de educação formal… mas só posso afirmar que Bia nunca estudou tanto na vida… continua questionadora, faz críticas coerentes aos professores, cobra deles, mas está, também, muito mais responsável e disciplinada.

    Está preocupada, pela primeira vez na vida, em se preparar pra vida adulta. A escola, não é como no Brasil, onde o objetivo é decorar o máximo possível para passar no vestibular. Aqui, cada tarefa de casa que ela não faz pesa negativamente na entrada dela na universidade. O currículo tem um peso enorme.

    Enfim… essa tem sido mais uma lição para que eu esteja sempre aberta a rever meus conceitos…a gente precisa, sempre, ser flexível e se adaptar às novas realidades. Temos os nossos pré-conceitos e fazemos nossas avaliações a partir deles, mas sempre é importante estar abertos para novas experiências e tirar delas o melhor.

    Talvez a minha “fórmula”, acidentalmente, tenha funcionado bem… na primeira infância, quando sua personalidade estava em formação, Bia passou por uma experiência que a levou a não aceitar tudo sem pensar antes…

    Hoje, talvez, esse mergulho na realidade do país onde vai viver esteja sendo o melhor que ela poderia ter. E a base que ela adquiriu há mais de 10 anos, vai ajudá-la sempre e vai ser um alicerce seguro para sua nova realidade, que ela vai incorporar e se adaptar a ela, mas sempre questionando e com uma visão crítica do mundo.

    ________________________________________

    Atualização:

    Fui na escola de Bia, hoje de manhã, porque ela vai ficar mais uns dias no Brasil, e precisava justificar. Aqui, se faltar mais que 5 dias em um semestre, o aluno perde o crédito daquela matéria.

    Conversei com a professora de ESOL dela (algo como professora de Inglês) e fiquei super orgulhosa… quando ela soube que eu era a mãe de Beatriz fez um carnaval… hehehe. Disse que Beatriz não é só extremamente inteligente, participativa, interessada, responsável, mas é uma garota muito especial, com uma “visão multicultural impressionante”, que sabe discutir tudo criticamente, tem o pensamento articulado e que tem muito futuro… Ai, ai… imagina se fiquei feliz????

    Bia recebeu um “certificado” por ter tido um nível de notas (GPA – grade point average) acima de 3.40 (num máximo de 4), no primeiro período. Como ela nunca foi uma ótima aluna, antes, e está numa fase difícil de adaptação em mais um novo país, isso é uma grande conquista pra gente.

    Amanhã, teremos uma reunião com a conselheira da escola, para planejar tudo que Bia precisa fazer, visando entrar na faculdade que deseja (Relações Internacionais). Ela perdeu dois anos, no período que estávamos na Suécia e lá só estudou sueco, então tem que correr atrás do prejuízo!

    _______________________________

    Estou adorando ler sobre as experiências de vocês, aí nos comentários! como sempre, estão enriquecendo muito esse post!

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    Filhos e escolas – Brasil, Suécia, EUA – Parte I

    Denise | Escolas & Educação,Suécia | Friday, 10 December 2004

    zab3.jpg
    Bia, toda orgulhosa, na plantação de milho
    da qual fez parte, no Zab.

    Escola é coisa muito séria, pra mim. Especialmente nos primeiros anos, onde forma-se a personalidade e onde podem começar a aparecer os primeiros preconceitos, nas crianças.

    Mais do que ensino rigoroso, sempre estive à procura daquela escola que tivesse os mesmos valores que os meus. Nunca me preocupei que Bia tivesse excelente notas, mas que desenvolvesse seu senso crítico, soubesse se expressar.

    Quando ela foi crescendo, me interessava em saber se ela estava lendo bons livros, assistindo bons filmes, tendo opiniões próprias do que se destacando nas provas da escola. Não adianta decorar tudo e não entender o que se está falando.

    Nesse procura incansável, por uma boa escola, Bia estudou em onze, somente em Recife (Lubienska, Solar da Criança, Recanto, Instituto Capibaribe) e Olinda (São Bento, Luisa Cora, Objetivo, Dom Bosco, Academia Santa Gertrudes, Atual e Zab)!!!

    Em algumas delas, ela não chegou nem a esquentar a “carteira”, não estudou nem uma semana, se eu percebesse que tinha alguns sérios problemas (dentro dos meus critérios), já tirava logo. Sei bem que isso não foi o ideal, mas ela sobreviveu e acredito que isso a ajudou muito a se acostumar, hoje em dia, com o troca-troca de países e escolas… hehehe…

    zab1.jpgUma escola, destacou-se e teve um papel fundamental na formação de Bia. Foi o ZAB e foi onde ela passou a maior parte da infância. Uma escola alternativa, cujo “sub-título” era “Escola Chico Mendes”, e onde ela tinha aulas de capoeira, os alunos discutiam racismo e gênero, não usavam farda e o lanche era coletivo (ninguém podia trazer nada de casa).

    A maioria dos pais dos alunos do ZAB trabalhavam em ONGs e movimentos sociais e as festinhas da escola eram uma farra pra gente também. Pais e filhos se divertiam com festas sempre voltadas pra cultura popular. Chegamos a organizar um “Grupo de Pais e Amigos do Zab”, que tentava ajudar a escola a se manter e tínhamos nosso bloco ZAB, no carnaval.

    Do ZAB, ela foi pra escolas mais tradicionais, de freira, padre e até cursinho. Aí, o “estrago” já estava feito… hehehe… os alunos que saem do ZAB (lá só tem o primário) são conhecidos nas escolas mais tradicionais, porque são questionadores, não engolem nenhuma resposta sem uma boa explicação… ex-alunos do ZAB acabaram formando um grupo muito especial de adolescentes espertíssimos, hoje em dia!

    A experiência de escola de Bia na Suécia também foi maravilhosa. Já expliquei como a escola de sueco para imigrantes funcionava nessa página e nessa.

    A estrutura da escola era excelente, professores maravilhosos, que nasceram pra isso. Além do apoio financeiro (Bia recebia um cartão que dava direito a todo o transporte – metrô e ônibus – gratuito, material escolar e cerca de 350 reais por Mês), ela recebeu um apoio emocional que foi fundamental para superar os dificílimos primeiros meses.

    congo.jpgA convivência com alunos dos mais diversos lugares, como Tailândia, Congo (foto), Chile, Turquia, Filipinas, Grécia, Polônia, Costa do Marfim, Nicarágua, Uzbequistão e Etiópia ensinaram a ela a lição mais importante que aprendeu na Suécia… a tolerância.

    Não sei como seria o “high school” na Suécia, porque essa escola era especial para imigrantes, onde aprendia apenas sueco, um pouco de matemática e inglês, mas nessa escola, especificamente, foi uma experiência de trabalho de coletividade e respeito às diferenças…

    Por isso, ao chegar nos EUA, a experiência na escola de Bia foi meu primeiro choque. Tive que começar a rever meus conceitos, pra sobreviver ao acachapante “american way of life”…

    Mas, sobre isso… vou escrever amanhã… “to be continued”…

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    “Deitada eternamente em berço esplêndido…”

    Denise | Escolas & Educação,Familia, Familia,Suécia | Thursday, 03 June 2004

    bibinabandeira.jpg

    Bia na primavera sueca. Passeio que a escola organizou com os alunos imigrantes. Barco turístico por Estocolmo, museu e pic nic. Essa escola é o máximo. Serei eternamente grata por tudo que fizeram pela minha filha, ao chegarmos na Suécia. Esses professores são, definitivamente, pessoas muito especiais que ajudam a abrandar a saudade de casa e as incertezas que esses adolescentes têm sobre o futuro no novo país.

    barcoescola.jpg

    Engraçado é o contraste do vestido de Bia (brasileiríssimo, apesar de comprado aqui) e o véu da amiga da Somália. Vive la differénce!!!

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    Escola Multicultural

    Denise | Escolas & Educação,Suécia | Thursday, 13 May 2004

    fotoescola.jpg

    Nesse mês, acaba essa fase do curso de sueco de Bia, chamado Pré-Ivik. Vocês já me viram aqui elogiar muito o trabalho dessa escola. Os suecos são muito tímidos e as professoras quase morreram de vergonha quando fui lá e agradeci pelo carinho e atenção que estavam dedicando a Bia…

    Só eu sei a barra que ela passou para adaptação. Mas essa foi uma das coisas mais importantes que aconteceram na vida dela, tenho certeza. Estudar com pessoas do mundo todo, especialmente Africa, Oriente Medio e Leste Europeu, foi um exercício de tolerância, de compreensão e de respeito pelas diferenças. Sobre essa experiência, ela escreveu, hoje, no Fotolog dela. Fiquei muito emocionada e resolvi trazer pra vocês verem:

    “Eu só passei pra dizer q o que eu tenho aprendido nessa escola tem sido muito f…! Que por mais raiva q eu tenha as vezes de nao ter ninguem por perto p falar de uma musica, um filme ou um livro, conviver com gente do mundo todo é uma experiência EXCEPCIONAL! E quando ta p acabar q eu vejo como pode ser divertido conviver com todas essas diferencas, por mais dificil q seja!!!

    Hj a escola toda viajou junta p um parque natural e esse foi um dos dias mais incriveis da minha vida!!! Eu aprendi os jogos de pular corda dos turcos, fumei hookah como os iranianos (mais conhecido mesmo como bongô! Mas eu fiz igualzinho como eles fazem na tradicao la deles!) aprendi até a desenhar anime thailandes! e tivemos uma bela partida de futebol! hehehe… foi lindoooooooo!!!

    eu vou parar se nao eu choro!!! =P

    ¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤

    Da esquerda para a direita:

    1a foto sou eu com minha amiga Arlette, de Congo!
    2a foto eh o casal mais fofo q eu conheco! ela eh da Letônia, ele do Shad! o contraste da cor deles é lindo! eles sao mto lindos juntos!
    3a foto sao 2 garotas da Somalia
    4a foto é um pessoal Tailandes. Minha amiga Jiraporn ali!
    5a eh meu amigo Enis andando de costas! ele eh turco!
    6a foto eh outro casal fofissimo, John Paul das Filipinas e Beata da Polonia!)”

    Claro que a mamãe aqui chorou quando leu isso. Eu tenho muito orgulho da minha filha!

    Fotolog da Bia, se alguém quiser deixar um alô pra ela!

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    Escola de Bia

    Denise | Escolas & Educação,Suécia | Thursday, 29 January 2004

    Ontem, fomos eu, Ted e Bia para uma reunião na escola dela. Foi muito bacana. Ted, que é um fofo, foi traduzindo tudo pra mim. Outros pais e mães também tinham um tradutor do lado, contratado pela escola.

    Ela estuda no Fogelströmska Gymnasium e está em um estágio que chama-se IVIK – Slussen, que é uma introducão dos jovens imigrantes ao sueco. O curso fica em uma escola comum de 3o grau e recebe cerca de 200 alunos de vários países a cada ano.

    Na sala de Bia têm alunos da Tailândia, Congo, Chile, Turquia, Filipinas, Grécia, Polônia, Costa do Marfim, Nicarágua, Etiópia e Brasil, claro. Ela ainda chega falando de gente do Burundi, Irã, Iuguslávia… Imagina que experiência, para uma garota de 16 anos, conviver com um grupo de tantas nacionalidades e culturas diferentes! É uma aula de tolerância, importantíssima nesses tempos de guerra ao desconhecido.

    Foi informado que os jovens que vêm para a Suécia têm um background bem diversificado. Alguns, como os da turma de Bia tem uma educacão satisfatória, mais ou menos todos no mesmo nível, mas recebem também jovens que nunca foram, sequer, à escola, como é o caso de jovens do Afeganistão.

    Outra dificuldade é que alguns jovens estudaram toda a vida com outro tipo de alfabeto. Nese caso, formam uma turma à parte. Nesse momento, existe uma turma de 20 estudantes que ainda estão aprendendo o alfabeto.

    Bia está no segundo semestre e estuda sueco, matemática e inglês. Eles têm ainda a opcão de escolher uma matéria especial entre informática, esportes, turismo, matemática intensiva, Inglês, música, fotografia, artes e teatro. Ela faz fotografia, mas queria artes. infelizmente não tinha alunos suficientes interessados no tema. Nas quarta-feiras eles têm uma aula conjunta, com todas as turmas, é um momento de socializacão. Aí as professoras os levam a parques, museus, para patinacão no gelo ou outras atividades divertidas.

    Em agosto, Bia vai para outra escola, onde passa pra o IVIK ou PREVIK, onde fica mais um ano. É uma espécie de intermediário para o 3o grau, onde vai estudar em uma escola comum, e ai o sueco tem que estar bom o suficiente pra acompanhar as aulas como todos os alunos suecos.

    A escola é gratuita, ela ainda recebe todo material escolar, um cartão para entrada gratuita em todos os metrôs ou ônibus ou trens da cidade (menos final de semana e entre 8 da noite e 5 da manhã) e mais cerca de 370 reais de ajuda de custo mensal.

    Mas, não é moleza. Bia está sofrendo pra aprender sueco, é muito diferente do Português, mas está indo bem, apesar de se sentir insegura às vezes, ainda está muito no comeco. As profesoras disseram que ela é uma ótima aluna e a mãe, claro, ficou toda orgulhosa :) :) :) :)

    (Ouvindo… Chega de Saudade – Vinícius de Moraes e Maria Creuza, em minha Rádio Sindrome de Estocolmo)

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