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    Esse blog teve
    visitantes, desde
    setembro de 2003.

    “Eu sou playboy, filhinho de papai, me afundo nessa b…
    até não poder mais”

    Denise | Discriminção,Vídeo | Friday, 05 November 2010

    Mais atual que nunca.

    Dois comentários excelentes, que devem ser lidos por todo mundo:

    “Eu compartilho do nojo, da vontade de vomitar, de tudo isso. Mas o que me chama a atenção é a opinião de algumas pessoas aqui, que acham esse tipo de coisa MUITO NATURAL, afinal, se as pessoas do vídeo “trabalharam honestamente, têm direito a gastar o dinheiro como bem quiserem”. Não é bem assim, sorry.

    Esse mundinho não é NADA natural. Essas pessoas só podem torrar (literalmente, como o cara do caruto) esse dinheiro todo porque há muito mais pessoas morrendo de fome. É um problema sério de distribuição de renda, não é nem um pouco natural.

    Muito bem sacada a pergunta “quanto vc paga à sua empregada?”

    Comentário deixado por Mariana, no dia 18 de abril de 2009.

    Perfeito, Mariana. Odeio relativismos deste tipo. As pessoas acham que tudo pode ser relativizado e ser jogado na esfera de ação meramente individual. Logo, o comportamente individual não é da conta de ninguém…isso é uma das falácias que sustenta essa ideologia do consumo extravagante. É da conta de todos, sim, porque nós vivemos em sociedade, e as ações do “andar de cima” tem consequências para as do “andar de baixo”.

    As consequências econômicas que você citou se desdobram na classificação dos seres humanos de acordo com o seu poder de compra, porque a exploração só se torna possível quando o explorado é construído como um ser desprovido de humanidade, de direito de existência. Para quem defende o direito dessas pessoas de rasgarem dinheiro ou de só quererem ir para uma festa “de gente selecionada e bonita”, eu queria saber se defendem também o tratamento que essas pessoas dispensam àqueles que não fazem parte do seu estrato social. Sim, porque que aqueles assassinos que queimaram o índio “porque pensaram que ele era mendigo” ou aqueles playboys que espancaram uma empregada doméstica que esperava seu ônibus para ir para casa porque “pensaram que ela era uma prostituta” não acharam essas desculpas em qualquer canto. Esse tipo de ambiente que eles vivem e que frequentam e no qual pagam 300 “paus” por uma garrafa de vodca constrói e reifica essa percepção de uns que são “mais e melhores” e outros “menos”.

    Vai ver como eles tratam seus empregados? Aqui na Suécia, onde a diferenças de classes são quase inexistentes se comparadas ao Brasil, todo mundo recebe o mesmo tratamento. Porque os suecos são seres superiores? Não, porque a estrutura socio-econômica da sociedade deles não permite que esse tipo de ideologia acima se desenvolva, e caso isso aconteça ela é muito mal vista. Não é festejada rasgando dinheiro.”

    Comentário deixado por Daniela, no dia 06 de novembro de 2010

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    O “ataque” português a Maitê Proença foi um caso de misoginia?

    Denise | Celebridades,Discriminção | Monday, 19 October 2009

    mp2Mesmo moderando os piores comentários, apagando os que tinham as palavras mais grosseiras, no post sobre o vídeo da Maitê Proença, falando de Portugal, é assustador o ódio, espalhado em boa parte dos 360 comentários, na maioria escritos por portugueses.

    Resolvi autorizá-los, porque (1) se o caso fosse com brasileiros, tenho certeza de que os impropérios seriam os mesmos, como já vimos em vários casos. Basta falar algo vagamente contra o Brasil e a invasão é imediata. (2) Apesar de barulhentos, obviamente essas pessoas não são a maioria dos portugueses, mas não deixa de ser interessante ler o que dizem, pra tentar entender a complicada relação de portugueses e brasileiros. (3) Também tem brasileiros lá, dando seu contraponto.

    Não vou entrar na questão da xenofobia e preconceitos contra brasileiros em Portugal, isso é assunto pra um post inteiro, no futuro, mas queria falar um pouquinho sobre o machismo dos comentários.

    Duas leitoras escreveram:

    “(…) Assim quero repor a justiça e dizer que de facto os portugueses são misóginos e, neste caso, cobardes, pois se aproveitam de tudo isto para derrubar uma mulher e assim mais uma vez a Mulher é sacrificada e nem lhe perdoar as ofensas são capazes como tão católico país se apregoa (…)” Arttemia Arktos

    “(…) e um número ainda maior de comentários ataca a questão de gênero da pior maneira, chamando a mulher em questão de prostituta, devassa, afirmando a dominação sexual masculina (…)” Ana

    Pensei em fazer esse post, ao ler esse papo da Arttemia e Ana lá na página de comentários do post (tem mais, desculpem, não sei colocar links pros comentários, esses estão lá no final da página).

    O machismo de alguns comentários é detestável. As agressões vão sempre pra sua vida pessoal, reforçando, principalmente:

    • Sua idade. Muita gente “acusou” a Maitê Proença  de estar velha e até comentou que já “viu menopausas melhores”.
    • Sua sexualidade. Um eventual caso com um escritor português rendeu as maiores baixarias, segundo alguns ela tá precisando é de um “homem português” pra resolver o “problema” dela. Nessa área as grosserias foram tantas que muitas nem foram autorizadas a publicação.
    • Sua beleza. Bonita, mas burra, estúpida etc.

    Isso não é novidade e nem precisa ser uma atriz linda e famosa pra ser escrachada com o eterno “mulher mal-amada”. Mulher não pode nem ser idiota por ser (como tantos homens são também). Ela é idiota porque não encontra um homem que a satisfaça sexualmente. Como se um bom membro português fosse resolver o seu “problema”.

    Ainda assim, tenho dúvidas se Maitê Proença foi mais agredida por ser mulher. Há pouco tempo, um humorista fez uma piada racista e isso rendeu muito. Não acompanhei, mas ouvi falar de uma reação em diversos blogs e vi muitos tweets indignados.

    Posso estar enganada, mas acho que a intensidade do ataque seria o mesmo, só mudaria o foco. O que vocês acham? Maitê foi mais agredida por ser mulher? seria diferente se fosse exatamente o mesmo programa com, digamos,  Antônio Fagundes?

    Eu continuo achando que a Maitê Proença foi incrivelmente arrogante e preconceituosa naquele vídeo. Não acho que é humor, nem é bobagem se chatear com isso. Acho que os portugueses têm toda razão de estar revoltados e espero e que esse seja um bom exemplo de que é preciso ter mais responsabilidade – não só a atriz, mas também a emissora.

    Já são mais de 4.000 comentários raivosos no blog da atriz.

    A sabedoria popular diz que: “Quem fala o que quer, ouve o que não quer”.

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    Maitê Proença e seu show de grosseria
    no Saia Justa Portugal

    Denise | Discriminção,Televisao | Monday, 12 October 2009

    Gente como Maitê Proença me mata de vergonha, fora do Brasil. Vejam só o showzinho de falta de educação e preconceito devidamente televisados. E a turminha de mulheres imbecilizadas ainda faz piadinhas no final. Tudo é um NOJO. Portugal deveria proibir a entrada da Maitê em terras lusas.

    Os comentários que essa criatura tem recebido de portugueses são tão ruins e preconceituosos quanto o que ela disse, mas fico só imaginando o que diriam os brasileiros, se fossse o oposto. Igualzinho. D. Maitê só veio reforçar e estimular o ódio e os piores preconceitos que já existem contra brasileiros em Portugal.  Well done, Maitê.

    (via @alexgamela)

    lisboa

    Lisboa, vista do Castelo de São Jorge, 2002 – Cidade MA-RA-VI-LHO-SA!


    ATENÇÃO, PORTUGUESES E BRASILEIROS:

    Entendo a irritação de ambos os lados mas, há mais de seis anos, venho me esforçando para manter o bom nível das discussões aqui no blog e espero que mantenham o respeito nesse espaço. Vou começar a moderar os comentários, se detesto a grosseria da Maitê, também abomino as agressões pessoais na caixa de comentários. Comportem-se dignamente.


    ATUALIZAÇÃO

    Depois dos mais de 260 comentários de vocês, aí vão os MEUS pitacos:

    Respeito é bom e eu gosto

    • Pra começar espero que ninguém – entre brasileiros e portugueses – discorde que a Maitê Proença foi, no mínimo mal educada, grosseira, arrogante e preconceituosa (pra não dizer canalha que é muito pesado).  Se quis “brincar”, ou não (o que, na minha opinião, não muda nada), foi uma “brincadeira” de muito mau gosto e que não deve ser relevada.
    • Desculpem-nos, amig@s portugueses, por termos uma emissora como a Rede Globo, que acha que pode tudo. Desde editar um debate presidencial de forma a prejudicar um candidato como aconteceu no Brasil, a avacalhar Portugal, mostrando seu desprezo pelo país de onde tira parte do seu sustento e que só interessa quando é pra importar suas telenovelas que, quase sempre, são um LIXO. TV é concessão pública e a Rede Globo nos envergonha tanto quanto a Maitê Proença.
    • Às vezes, eu acho que o mundo tá ficando muito chato. E não é por causa dessa “mania de politicamente incorreto (PC)”. É exatamente o contrário. Detesto ouvir essa ladainha que o “PC” acaba com o humor.  Eu sou – ou tento, ao máximo, ser –  uma mulher muito politicamente correta. Que, para mim, significa respeito em relação às outras pessoas. Não acho graça em piada sobre português, negro, mulher, homossexual, deficiente. Não acho mesmo. E nem por isso minha vida é chata, pelo contrário tenho muito bom humor e me divirto muito, mas não às custas do espezinhamento de outras pessoas.
    • Se todos –  especialmente pessoas que tem o poder de formar opiniões, com um programa de televisão – se preocupassem com o que dizem, certamente teríamos um mundo muito mais cordial. Chato não é ter de dizer “cadeirante” ao invés de “aleijado”.
      As palavras são poderosas tento usá-las de forma a não insultar ninguém. Chato não é ser PC, é a falta de cerimônia, de respeito, de gentileza que existe por todo lado.  Isso, sim acaba com qualquer possibilidade de convivência além das fronteiras (geográficas, sexuais, étnicas, de idade etc).


    “A burguesia não tem charme nem é discreta” (Cazuza)

    • Maitê Proença é representante do que existe de pior na “elite” brasileira. E que, infelizmente, é copiada por uma parcela da classe média, que tem nos ricos das novelas da Rede Globo (principalmente as pavorosas de Manoel Carlos), sua maior fonte de inspiração. É gente que, pra se sentir melhor, precisa desprezar gente. Pobre, negro, nordestino ou português. Pra quem quiser conhecer melhor essa espécie, recomendo a leitura do fantástico blog “The Classe Media Way of Life”. Quando podem, eles compram na Daslu, onde só se entra de carro. Maitê Proença é a musa e o político José Serra, o líder.
    • Tem “Maitês” por todo lado. No Brasil, em Portugal nos EUA e até aqui na Coreia. Portanto, essa guerrinha de desaforos entre brasileiros e portugueses é uma bobagem. Não somos nós, nem vocês. São eles, esse pessoal que é a escória de toda nação, ricos e mal educados. Que, para justificar seu “Classe Media Way of Life”, precisa desprezar Portugal, enquanto  paga mico de latina mal educada na Galeria Laffayette, em Paris.

    Caso Sarah Lacy X Caso Maitê Proença

    • Entendo toda ira dos portugueses porque os brasileiros fazem igualzinho. Aliás, no Brasil o pessoal adora falar mal do próprio país, mas vai um estrangeiro dizer uma palavrinha mais enviesada e a briga começa. É simples, e meu marido americano já sabe disso. Eu posso falar o que quiser do meu país, ninguém mais. )
    • Há uns meses uma jornalista americana fez um post irritado, porque não conseguiu visto de entrada no Brasil e isso virou uma crise diplomática, com quase 500 mensagens indignadas de brasileiros no site da moça e mais algumas dezenas de blogueiros brasileiros escrevendo posts apaixonados em defesa à nossa pátria e, alguns deles, com as mensagens mais grosseiras, como esse.
      O tal post, da Sarah Lacy foi ilustrado com uma bandeira do Brasil com a frase a maior falha épica” (uma brincadeira com um termo muitos usado no Twitter), no lugar do nosso “Ordem e Progresso”. Foi o suficiente pra que todo o ódio e preconceito de brasileiros contra estadunidenses viesse à tona violentamente. Um carnaval de impropérios e palavras de baixo calão contra a jornalista e os EUA (“aquele país de m…”).
      Hummmm… isso parece alguma coisa que estamos vivendo agora?

    Perdôo os excessos… mas tá bom, né?

    • Fora o Brasil eu já morei em três outros países completamente diferentes: Suécia, EUA e Coreia. E sempre acho graça quando cada um deles reclama do nacionalismo do outro. Eu detesto patriotismo, é uma praga, reforça as fronteiras invisíveis, mas vamos ser honestos… ninguém se conforma quando “pisam no calo” da terra onde nascemos.
    • Por tudo isso, consigo entender a virulência portuguesa, mas peço aos amig@s que tentem se controlar, para que toda simpatia que o povo brasileiro está mostrando em relação a vocês não se transforme em inimizade e mais distanciamento entre os dois povos.
      Na verdade, a maioria dos comentários nesse post mostra pessoas sensatas que concordam em um ponto: o que a Maitê fez foi imperdoável e acho que brasileiros e portugueses adorariam vê-la (e a Rede Globo) boicotada em Portugal.
    • Resumindo, não leva a nada chamar os brasileiros de ladrões e os portugueses de burros. Não vamos fazer o jogo de quem, como a atriz, usa do escárnio como forma de autosatisfação. Somos melhores que isso.

    O pedido de desculpas da Maitê


    Quanta vergolha alheia. Que cena constrangedora da atriz tentando explicar o inexplicável, calculando as perdas ($$$) causadas pela sua arrogância.

    E pra piorar, ela agora insulta também a nós brasileiros. Como assim, “brasileiro é brincalhão” (leia-se mal educado)? como assim é legal dizer que baiano é indolente, mineiro é introspectivo, paulista é estressado e carioca é malandro?

    E como ela não consegue se calar e esconder quem é, se sai com essa:

    “A gente brinca com a falta de formação acadêmica do nosso presidente”

    “A gente” quem, criatura????  Lula é reconhecido como o político mais popular da terra, segundo Obama, ele é o cara. Tenho é muito orgulho de ter um presidente que é um de nós, que não precisa comer sardinha e arrotar caviar como FHC, Serra e a turma psdebista da Maitê.

    Francamente, pessoas de Portugal, não acreditem numa palavra que ela diz. “Brasileiro” não sai por aí “brincando” (escrachando) com todo mundo. Quem faz isso é um tipo de gente com a qual eu não tenho nada a ver e que não responde pela nação. Como eu disse, pensem bem, gente do tipo tem aí em portugal, também.

    Dito isso, vamos aproveitar o momento pra conversar mais amigavelmente e trocar figurinhas sobre coisas que realmente valem a pena.  Sejam benvindos à blogosfera brazuca.

    _____________________________________________

    ps.: Ia esquecendo de comentar… as outras três que ficaram rindo no final, principalmente a Monica Waldvogel, com sua piadinha infame, são tudo farinha do mesmo saco.  Pelamordedeus, gente, vocês não vão mais assistir a essa Saia Justa, não né????  isso sim, seria burrice. Boicote nelas!

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    Amapô – Documentário sobre a violência contra homossexuais

    Denise | Discriminção,GLBTS,Vídeo,Violência | Tuesday, 05 May 2009

    Documentário | De Kiko Goifman | 2008 | 12 min

    Uma reflexão audiovisual urgente na luta pelos direitos humanos. Um depoimento emocionado sobre violência contra homossexuais e travestis no Brasil.

    Via Porta Curtas

    Ouvindo Essa Noite, Não, Lobão.

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    Resposta da Gloria Coelho, deixada aqui no blog

    Denise | Discriminção,Moda | Wednesday, 15 April 2009

    Gloria Coelho
    marketing@gloriacoelho.com.br

    Caros,

    Venho aqui esclarecer a matéria publicada no último domingo, 14 de abril de 2009, no caderno Cotidiano, do jornal Folha de São Paulo, sobre as cotas de negros na São Paulo Fashion Week.

    Fui procurada pela Folha, através do jornalista Paulo Sampaio, via celular, para expressar minha opinião sobre as cotas do desfile.

    Acho que a própria cota é preconceituosa. É um assunto que deve ser discutido com muita inteligência. Por que não fazer cota de japoneses, de árabes, judeus etc?

    O que disse ao jornalista é que não tenho problema nenhum em relação a negros e não teria problema nenhum em realizar um desfile só com negros. Já tive e tenho negras no meu casting, disse que colocaria sim mais negras, desde que as agências enviassem meninas que se adequassem ao perfil do desfile (cada desfile tem um tema).

    Quanto a preconceito, não posso ter preconceito com negros, mesmo porque tenho avô negro.

    Não acredito em cota, acredito em mérito. Se você é inteligente, você entra em uma faculdade. Se você é especial, você desfila, independente da cor.
    Peço desculpas se meu comentário foi mal interpretado e estou a disposição para maiores esclarecimentos.

    Obrigada,
    Gloria Coelho

    _________________________________

    Pelo menos, a equipe dela se dignou a tentar consertar a bobagem que ela fez. Não sei vocês, mas pra mim, a emenda foi pior que o soneto.

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    Tem de amar seu penteado afro

    Denise | Discriminção,POP,Racismo,Violência | Friday, 11 July 2008

    Black is Beautiful – Depoimento da Val

    HulisMavruk.jpg

    “Olá Denise! Há algum tempo que leio seu blog, mas nunca me pronunciei, como a maioria dos leitores, acredito eu. Cheguei por aqui quando pesquisava sobre Caio F. Abreu. E lendo esse post resolvi comentar sobre a violência sofrida pelas mulheres do Recife, os jornais de hoje contabilizam a morte de mais uma, já são 270 mulheres assassinadas apenas este ano.

    Mas não é sobre essa violência que quero falar, é sobre a que sinto na pele todos os dias quando saio de casa. Sou negra e assumo o cabelo que tenho, gosto dos meus cachos, e não seria eu mesma sem meu black. Entendo o que significa pra uma mulher, que cresceu ouvindo que seu cabelo era feio, olhar pra mim. O que não consigo compreender é porque sou tão agredida pelos homens na rua.

    Por que eles, e apenas eles, me xingam tanto? Por que eles se incomodam tanto com o meu cabelo? Como se não bastasse, esses mesmos homens, acham que tem direito ao corpo das mulheres, acham que podem falar o que quiserem e até chegar junto, tocar, como se eu fosse patrimônio público, ou a negrinha da senzala, objeto sexual de seu senhor.

    Me sinto triste de morar numa cidade tão racista, preconceituosa e machista como Recife! Eu só quero poder ser eu mesma, ser uma pessoa livre, sem precisar abrir mão da minha beleza e de quem eu sou para poder andar na rua em paz. Eu quero apenas respeito!”

    A Val deixou esse comentário, ontem, no post sobre o caso do sequestro do ônibus. Achei que valia a pena colocar aqui, pra todo mundo ler, porque as mulheres sofrem diversos tipos de violência, no Brasil, e uma das piores é o racismo e a discriminação.

    Uma vez, escrevi que as pessoas que mais sofrem com a discriminação, como imigrantes na Suécia, são as mocinhas branquinhas, bem nascidas, bem educadas do Rio, São Paulo e outras capitais do Sul/Sudeste. Porque elas não têm a pele grossa, como outras que já cansaram de sofrer discriminação no Brasil. Elas não estavam preparadas pra se tornar as “blackhead”…

    Conheci uma moça baiana, negra, na Suécia, que dizia que nunca foi tão feliz como lá, em Estocolmo, que pela primeira vez, as pessoas não a discriminavam pela sua cor. Pela primeira vez pode assumir seu cabelo “black power”.

    Não me interessa se a nossa história de escravatura é a razão para esse desprezo e racismo que eu vejo em Recife, na Bahia, em São Paulo ou no Rio Grande do Sul, em relação aos negros e negras. É inaceitável e uma hipocrisia dizer que o Brasil não é um país racista. Pra mim, é sim, e dos piores.

    Entendo muito o que a Val escreveu. Sou muito branca mas, na adolescência, vi amigas minhas sofrendo com piadinhas do tipo “cabelo de bombril”, ditas por imbecis nas ruas… eu sempre me pergunto, onde estavam os pais dessas criaturas que não viram eles se transformando nesses monstrinhos racistas?!

    Girl, put your records on

    Anteontem, fui ao cinema e o trailer era do filme Vênus, com Peter O’Toole e a música do filme era Girl, put your records on, da fofa Corinne Bailey Rae.

    Hoje, ouvindo com mais calma, prestando atenção na letra, que é bem girl power, vi que ela tem tudo a ver com o que falamos sobre o que a Val escreveu, aí acima, sobre nossas belas cabeleiras afro e os estúpidos que não gostam delas. Então, fiz uma traduçãozinha (meio vagabunda, eu sei), pra vocês:

    Girl, put your records on
    Corinne Bailey Rae

    Três passarinhos na minha janela
    E eles me disseram que não preciso me preocupar
    O verão chegou feito canela
    Tão doce
    Meninas pulam corda no concreto

    Talvez, algumas vezes, estamos erradas, mas tudo bem
    Quanto mais as coisas parecem mudar, mais elas ficam na mesma
    Não hesite

    Garota, coloque seu som para tocar, me diga sua canção preferida
    Siga em frente, relaxe
    Safiras e jeans gasto, tomara que você realize seus sonhos
    Apenas siga em frente, não se preocupe

    Você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira

    Triste como o céu, sombrio e só
    Bebendo chá, no bar ao lado da estrada
    (apenas relaxe, apenas relaxe)
    Não deixe aqueles caras te fazerem de boba
    Tem de amar seu penteado afro

    Talvez, algumas vezes, nós sentimos medo, mas tudo bem
    Quanto mais você continua a mesma, mais eles parecem mudar
    Isso não é esquisito?

    Garota, coloque seu som para tocar, me diga sua canção preferida
    Siga em frente, não se preocupe
    Safiras e jeans gasto, tomara que você realize seus sonhos
    Apenas siga em frente, relaxe

    Você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira

    Mais do que eu pude suportar, piedade pela piedade
    Algumas noites não me deixaram dormir, achei que eu fosse mais forte
    Quando você vai perceber, que você não precisa mais ficar tentando
    Faça o que você quiser fazer

    Garota, coloque seu som para tocar, me diga sua canção preferida
    Siga em frente, não se preocupe
    Safiras e jeans gasto, tomara que você realize seus sonhos
    Apenas siga em frente, relaxe

    Você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira

    Detalhe:

    A expressão “let your hair down”, que é repetida no refrão da música (Girl, put your records on, tell me your favourite song, you go ahead, let your hair down) significa, relaxe, se desiniba, mas, literalmente, seria algo como “deixe seu cabelo solto”… nada mais apropriado…

    Pintura: Angels of the Lord, de Hulis Mavruk.

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    Um Filme Nunca é só um Filme

    Denise | Cinema,Discriminção | Wednesday, 11 June 2008

    Sei que ninguém aguenta mais falar sobre Sexy and the City, mas o Antônio, deixou esse recado brilhante aqui e virou meu blogueiro convidado. Clap, clap, clap…

    Esse é o tipo de texto que as “glamourosas” deveriam ler, pra entender que pensar e ver o mundo criticamente não tem nada de chato ou infeliz. Como já disse, é divertido, é estimulante e até é sexy.

    Aposto que a namorada do Antônio tá muito feliz com ele… bem mais que as carrietes com seus bofes ricos, egoístas e embotados.

    Olá Denise,

    Não leio teu blog, mas minha namorada o adora. Acabei acompanhando toda a polêmica sobre o filme Sexy and the city. Terrível. Terrível e terrificante.

    Alguns comentários que lí são de dar medo e se quem os fizeram o fizessem em público seriam, certamente, presas por disseminação de preconcieto e racismo, dois males sociais que faz muito tenta-se erradicar e que devem ser punidos, mas, atras de um visor, todos podem tudo impunimente. Eis um dos males da internet.

    Não vi o filme. Nem preciso. Não tenho mais necessidade de enfiar o dedo na tomada para saber que dá choque, é desnecessário. O que me deixa intrigado é o que leva uma multidão ao cinema para ver um filme que elas já conhecem.

    (Continue lendo aqui)

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    SATC – Sex And The City – Parte II

    Denise | Cinema,Discriminção | Sunday, 08 June 2008

    Como escrevi no post aí abaixo, a mulherada que acredita que Carrie + Miranda + Charlotte + Samantha são símbolo máximo de glamour e intocáveis, está invadindo meu blog, indignada com minha crítica ao filme Sex and the City (SATC).

    Sobre essas (que estão obcecadas, escrevendo longuíssimos comentários, que eu nem leio mais, antes de deletar), já falei o bastante no post aí abaixo. Agora, quero refletir um pouco mais sobre as críticas mais coerentes que algumas pessoas deixaram aqui e que vi por aí.

    Aliás, a discussão no post abaixo está FANTÁSTICA, se tiver um tempinho, não deixe de ler os mais de 80 comentários interessantíssimos que vocês deixaram sobre o “causo” e o que vocês cham que é “glamour”.

    Dá até um certo alívio, uma esperança de que nem todo mundo está com o cérebro botocado, hoje em dia.

    Primeiro, deixa dizer que não sou contra a “existência” do filme, tem gosto pra tudo e gente pra fazer dinheiro com ainda mais. Não critico nem um poucoquem foi e gostou. O fato de você gostar não lhe iguala às peruas do filme. Muitas vezes a gente vê um filme distraída e nem percebe as baboseiras que ele passa.

    Eu não gostei e acho que tenho direito de dar minha opinião no meu blog. Sintam-se à vontade para discordar, concordar, comentar. Mas sempre com muita “crasse”, hein, meninas? baixou o nível, com agressões gratuitas, eu não libero e você só perde seu tempo, nem continuo lendo.

    Enfim, o que andei ouvindo, sobre SATC:


    1. O filme é só diversão, para desopilar, relaxar etc.

    Esse é o principal argumento de quem gosta do filme.

    Ao contrário do que as trollettes escreveram, tudo que não sou é “amarga”. Bia (que acorda querendo matar quem passa na frente) costuma se irritar com meu bom humor e energia às sete da manhã . Sou uma pessoa quase sempre de bem com a vida, aconteça o que acontecer.

    E não tenho nenhum problema com filme besteirol (tanto é que tenho a série SATC completa e vi todinha). Alguns exemplos de filminho despretensioso que gostei muito são Corações Apaixonados, Letra e Música ou Feitiço do Tempo. São bobinhos, mas divertem sem precisar apelar para a pobreza intelectual de SATC.

    O negócio é que

    a) eu não consigo desligar os nerônios e simplesmente “aproveitar”, porque eu não acho graça nenhuma em preconceito, não fico relaxada, fico irritada. Me sinto insultada.

    b) tem filme que não é lá essas coisas, mas dá pra assistir e tem filmes insuportáveis, ruins de doer. Esse é o caso de SATC. Mesmo se tirasse todo racismo, machismo, xenofobia que estão subentendidos, ainda assim, seria um filme oco, com roteiros totalmente sem originalidade e sem graça nenhuma. Não consigo me divertir com uma coisa tão ruim.

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    SATC no Mexico – Abuchean a Sex and the city por racista

    Denise | Cinema,Discriminção | Sunday, 08 June 2008

    Salvador Franco Reyes (EXOnline, jornal mexicano)

    El público mexicano se quejó amargamente de las insinuaciones racistas y despectivas que muestra la cinta contra el país

    Sex and the city: La película recibió este fin de semana sus primeros abucheos a escala mundial. Pero no se debieron a la narrativa fílmica o al final feliz que plantea la historia, sino a los comentarios racistas y antimexicanos que se escuchan en el filme protagonizado por Sarah Jessica Parker.

    Y es que en dos ocasiones, uno de los personajes del filme pronuncia diálogos que lastimaron la sensibilidad de los espectadores mexicanos, quienes no toleraron que la versión fílmica de su serie favorita ofenda a su país y a su gente.

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    Só pra vocês terem idéia do nível da criatura… e da blogosfera.

    Denise | Discriminção | Sunday, 08 June 2008

    paularruda@uol.com | 66.215.101.156

    Voce nao podia mesmo gostar do GENIAL DIOGO MAINARDI, e so podia ter feito sociologia na Federal ( curso tipico de bicho grilo) e so podia torcer pelo negro Obama…teu negocio e a senzala de onde voce saiu e devia voltar

    Surtou de vez!

    Mas, por incrível que pareça, tem coisa que eu ainda acho pior que a trollete, que pelo menos deu a cara a tapa e surtou, expondo todo seu preconceito.

    Esse, post que eu achei hoje, por pura coincidência, por exemplo:

    E o povo discutindo quão politica e socialmente correto é este filme? Que chatice, minha nossa! Tudo precisa ser levado tão a sério? Alíás, essa gente que SE leva tão a sério é um porre. E os que vêem tudo sempre pela mesma lente mais ainda!
    O povo acha Sex and the City elitista, machista e preconsceituoso (sic) mas acompanha novela da Globo. Piada!”

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    Sex and the City – A reação das Carrie wanna be

    Denise | Cinema,Discriminção | Saturday, 07 June 2008

    satcbaaaaaaaaaaad

    Houaiss
    glamour
    • substantivo masculino
    atração, charme pessoal; encanto, magnetismo

    Michaelis
    glamour
    • (glâmur) sm (ingl) Encanto, fascínio, charme.

    O que é glamour para você?

    intervalo

    Sex and the City – um dos piores filmes que eu já vi

    Hoje cedo, percebemos que Sex and the City (que estreou ontem) está passando em um cinema aqui pertinho de casa, que tem salas com telões enormes, muito confortáveis, mas quase sempre vazias.

    Não estava morrendo de vontade de ver o filme porque já imaginava que não ia gostar muito, mas é aqui perto, e tinha uma sessão às 10 da manhã, que sabia que não ia estar muito cheia (na verdade, o cinema estava quase vazio), acabei ficando curiosa e lá fomos nós (quando saímos, a próxima sessão já tinha uma multidão esperando)

    Estou muito cansada agora, mas amanhã vou escrever mais, explicando porque o filme me enojou. Não é só imbecilmente elitista, mas também racista, xenofóbico, machista, nunca vi tanto merchandising junto, esteticamente feio e muito, muito, muito RUIM.

    Por enquanto, só uma coisinha… detesto esses gritinhos da mulherada quando se encontra (sabe como é? aaaaaaahhhhhhhh!!!! todas ao mesmo tempo…), mas quando elas passaram dos 30, aí é absolutamente insuportável.

    Então, continuando…

    Eu confesso que gostava muito da série. Como quase todas as outras, antes de mudar pra cá, comecei a assistir já em DVD, acho que nunca acompanhei pela TV. Vi um episódio depois do outro, por sugestão de Bia, que adorava (hoje, ela detesta), quando tinha uns 15 anos. Até Ted assistiu tudo comigo.

    Claro que sempre achei previsível, elitista, caucasiano, um pouco ridículo e uma peruagem sem fim. Mas me divertia assim mesmo, relevando o que me desagradava, porque gostava de algumas coisas que Carrie dizia, tinha cenas engraçadas e até inspiradoras (eu sei que é muito mais fácil dar a volta por cima in their shoes, cheia da grana, vivendo glamurosamente em NYC, mas eu dava um desconto).

    O seriado era fácil de ver, bom pros momentos em que a gente não quer pensar muito, e o que eu achava péssimo, era mais diluído. Mas quando vi as fotos de Carrie de noiva, na promoção do filme, já vi que ia detestar. E, realmente, o filme parece uma concentração de tudo que eu abominava na série, sem nada do que me agradava.

    Eu até que tenho alguma paciência pra filme ruim. Há poucos dias, vi um filme na TV a cabo que não só era ruinzinho, mas também era com Jim Carrey e eu gostei. Bia e Simon pegaram no meu pé. Mas Sex and The City, o filme, não é apenas ruim, é constrangedoramente preconceituoso.

    Vou escrevendo aqui enquanto der pra falar sem estragar as “surpresas” do filme, quando não der, passo pra página “escondida” do post.

    1. Racista, machista, xenofóbico,

    Não dá pra explicar muito, veja o link lá embaixo pra ler os detalhes, se não se incomodar com os spoilers, mas o filme é tão absurdamente preconceituoso que me deixou enojada e fico pasma que as pessoas assistam sem se indignar e, provavelmente, sem nem perceber.

    Na série, por ter muito mais tempo, pelo menos colocaram uma latina (Sônia Braga) e um afro-americano (o médico que namorou a Miranda) em posições menos subalternas (ainda que tenham sido raríssimos em dez anos), mas no filme, o preconceito é concentrado.

    Quanto ao machismo, nem preciso falar muito, né? é o filme todo. Uma cena que não vai interferir no conjunto e acho que posso contar aqui é da Samantha fazendo um sushi e se deitando numa mesa nua com o sushi espalhado pelo corpo (como fazem em alguns restaurantes) esperando o namorado. O fim.

    Aliás, como na série, mesmo que o discurso seja um, na prática, a mulherada do filme precisa mesmo é de um homem pra chamar de seu.

    2. Merchandising

    Primeiro, o desfile de marcas no filme é indecente. Eles devem ter feito mais dinheiro promovendo Dior, Lacroix, Louis Vuitton, Manolo Blahnik e Vivienne Westwood do que a fortuna que vai render a bilheteria (Mais de 56 milhões de dólares só nos três primeiros dias).

    Sei que a série sempre teve merchandising, mas não era tão concentrada e nem prestava atenção nela. No filme, achei que as marcas chegavam a ofuscar as pessoas, sem falar que uma das bolsas Louis Vuitton era uma das coisas mais horrendas que já vi, não pagaria nem cinco dólares por ela.

    3. Os gritinhos

    Gente, tá bom, né? esses gritinhos são perdoáveis aos 15 anos de idade (se bem que Bia nunca fez isso, nem aos 12), mas aquelas senhoras – Miranda, Carrie e Charlotte – tendo aquelas convulsões a cada vez que Samantha (que está vivendo em Los Angeles, lembram?) aparecia em NYC era constrangedor.

    4. Figurino

    Sei que a idéia deve ter sido fazer algo meio “fantasioso”, mas achei que erraram na mão. Tava lendo essa matéria no New York Times e concordo com tudo, essa coisa de combinar a roupa das quatro com o cenário ficou ultra brega. E, pra mim, a maioria das roupas era feia e previsível. Fora o vestdo de noiva da Vivienne Westwood, que é lindo mesmo. Se bem que eu nunca quis vestir um na vida (nem aos 13 anos de idade!) e na idade da Carrie então, eu acho totalmente “nada a ver” (ainda que respeite as que gostam, afinal se você vai ficar feliz, vale tudo).

    5. Trilha Sonora

    Fraquinha, fraquinha. Com destaque apenas pra The Look of Love (Nina Simone) e How Can You Mend A Broken Heart, que é divina, mas já foi trilha de Notting Hill.

    6. SJP

    Eu gosto da Sarah Jessica Parker, parece uma mulher bacana, dá ótimas entrevistas, pé no chão, não é deslumbrada e sempre gostei dela ser a Carrie por não ser linda, perfeitinha (uma revista masculina até a escolheu a mulher menos sexy do mundo, esse ano, ridículo mas esperar o que desse tipo de mídia?), mas ela irrita fazendo aquele jeitinho meio menina, meio fazendo biquinho, sei lá, já cansou, né?

    A partir de agora, vou escrever sobre detalhes do filme, quem quiser ler, clique aí abaixo.

    (Continue lendo aqui)

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    Contra a Mutilação Genital Feminina

    Denise | Corpo & Saúde,Discriminção,Feminismo | Saturday, 19 January 2008

    genitalmutilation.jpg

    Campanha da Anistia Internacional sueca, para conscientização contra a mutilação genital. Com uma enorme emigração de países como Somãlia, onde a extirpação do clítoris é cultural, esse é um grave problema de saúde pública e é um procedimento ilegal no país.Muitas famílias levam as meninas para fora do país pra mutilá-las.

    Achei a foto linda, delicada e a campanha tem toda a sutileza e elegância do design sueco.

    Via Adland.

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    Jô Soares ridiculariza mulheres angolanas e é investigado pelo MP

    Denise | Discriminção,Televisao | Wednesday, 28 November 2007

    paffaro.jpgEu não suporto Jô Soares e não é de hoje. Já lá pelos anos 80, quando ele começou e virou hype, eu detestava seu estilo arrogante, de querer aparecer mais que o entrevistado, saber mais que ele, lembrar que estudou em colégio suíço e que fala vários idiomas. Um espetáculo constrangedor de se ver (sim, vi algumas vezes, quando o entrevistado me interessava muito).

    Mas, às vezes, ele consegue ser ainda pior que o usual. Dia desses, soube que ele arrumou um medicozinho desatualizado e anti-ético pra ridicularizar que tem fibromialgia. Total desinformação e preconceito em relação a um problema que causa muito sofrimento a muitas pessoas e que é levado a sério por aqui.

    Algumas pessoas me escreveram pra assinar um documento contra o programa, mas achei que ele não valia o esforço e o melhor seria ignorar. Mas foi um equívoco, as imbecilidades que ele faz e diz tem mais é que ser divulgadas, pra acabar com sua imagem.

    A criatura tem se superado em sua grosseria e preconceitos. Há umas semanas, li no blog da Ana Lucia e vi através de um link que tinha por lá a pior entrevista entre todas as porcarias já apresentadas no tal programa.

    Nela, um tal de Rui Moraes e Castro, branquelo azedo que ninguém sabe quem é, fala sobre a vida sexual das mulheres angolas. Tudo foi um espetáculo grotesco, o entrevistado ignorante, Jô Soares sem um pingo de bom senso e o público macaqueando e rindo de tradições dolorosas para as mulheres angolanas.

    Brasileiros vivem reclamando que sua imagem no exterior é só de mulher gostosa, samba, futebol e crime, mas quando trata de mostrar a Africa, a imprensa brasileira só explora a miséria, o exótico, o inusitado. Como sempre, a gente reclama dos outros, mas não olha pro próprio rabo.

    Clique na foto abaixo pra ver o Programa na Globo.com:

    joangolanas.jpg

    Se não conseguir, tente ver no You Tube.

    A Embaixada de Angola emitiu um comunicado, com o título de “Equívocos num programa de televisão”, criticando a forma como o país foi mostrado no programa:

    “Com a manifesta conivência do entrevistador, aparentemente apostando em estimular índices de audiência, recorrendo ao primarismo do culto ao bizarro, o entrevistado deturpou e manipulou tradições culturais e costumes locais, dando-lhes colorido anormal.

    Aparentemente incentivado pela objetiva cumplicidade histriônica do entrevistador, o entrevistado, sem a sustentação acadêmica ou sequer a seriedade intelectual da simples testemunha, mergulhou na ignorância, maltratando crianças, mulheres e homens angolanos (…)

    mais uma vez, o apelo ao exotismo, real ou imaginário, foi usado como meio de marketing, para vender jornais, programas de rádio ou de televisão de má qualidade. Desconhecendo a própria geografia do país e as suas fronteiras, ao referir, com manifesta ignorância de causa, a existência de uma fronteira com a África do Sul, o entrevistado deu evidente prova de falta de credibilidade intelectual

    Neste caso, milhares de brasileiros, que porventura tenham assistido ao programa, foram atingidos pela ignorância de um entrevistado que, em linguagem exibicionista, permeada de preconceitos raciais e culturais, interpretou, de acordo com os seus próprios padrões, hábitos e costumes locais. A responsabilidade não lhe é exclusiva. O autor do programa e a sua produção, ao convidarem o entrevistado, não usaram dos cuidados próprios e necessários a quem é responsável por programas ou veículos de mídia

    Por essa e outras, não vale a pena perder seu tempo com esse programa, “ir pra cama com Jô” só dá embrulho no estômago e pesadelos.

    Leia mais:

  • Ministério Público Federal investiga programa de Jô Soares
  • Entrevista polêmica no ‘Programa do Jô’ entra na mira do MP
  • Embaixada de Angola no Brasil critica entrevista em programa televisivo de Jô Soares

    mumuilas.jpg
    Mulher e menina mumuílas

  • As mumuilas de Angola e a polêmica entrevista de Jô Soares (Excelente dica da Fernanda).

    Caricatura de Jô Soares: Paffaro.
    Foto: Marco Duarte

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    A dura vida dos imigrantes e refugiados africanos no Brasil

    Denise | Discriminção | Saturday, 31 March 2007

    cravo0.jpgAcabei de ler essa notícia sobre um incêndio criminoso em três apartamentos onde viviam estudantes de origem africana, na Casa dos Estudantes da Universidade de Brasília. Estudantes brasileiros, que também vivem na casa, cometeram esse ato abominável.

    Agência Lusa:

    O atentado ocorreu na madrugada de quarta-feira, quando indivíduos munidos de gasolina atearam fogo na porta de três apartamentos da Casa do Estudante Universitário, na UnB, onde vivem alunos de origem africana.

    O fogo atingiu mais um apartamento, mas os 14 bolsistas de origem africana conseguiram escapar ilesos graças à iniciativa de um estudante de Sociologia da Guiné-Bissau, que apagou o incêndio com um extintor antes que as labaredas se alastrassem pelo interior do edifício. (…) A UnB tem 427 alunos estrangeiros, sendo 157 africanos.

    JC Online:

    As primeiras investigações da Polícia Federal sobre o incêndio criminoso, com suposta motivação racista, dos alojamentos de alunos africanos da Universidade de Brasília (UnB), ocorrido na madrugada de ontem, apontam, além de dano ao patrimônio público, ações de racismo e xenofobia. (…)

    Em ação planejada, os agressores incendiaram as portas dos quartos enquanto os estudantes dormiam, esvaziaram os extintores de incêndio e colocaram barreiras de tijolos nas portas dos apartamentos para evitar que eles escapassem. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso. Amanhã serão tomados os depoimentos de testemunhas, seguranças da universidade, professores e alunos para chegar aos responsáveis. Segundo o senador Paulo Paim (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, o fato não é isolado.

    Essa é a segunda reclamação envolvendo hostilidade contra os africanos. Meses atrás, as portas dos alojamentos foram pintadas com cruzes vermelhas e houve discussões acaloradas entre brasileiros e africanos. Nos três apartamentos que tiveram as portas incendiadas,

    Veja vídeo feito na UNB, com depoimentos de africanos e encontro dos estudantes com o reitor da universidade..

    Detalhe:


    A secretária de Estado, Condolezza Rice, e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinaram hoje (31/03), em Washington, um memorando de entendimento na área de educação e o acordo de cooperação conjunta dos dois países para o fortalecimento da democracia em Guiné Bissau.

    Sei… avisa aos estudantezinhos brasileiros, antes, que eles têm que se comportar…

    O que aconteceu em Brasília foi vergonhoso, lamentável, mas não me surpreende. Lembrei desse post, que escrevi em 2004, e resolvi re-editá-lo, porque tem tudo a ver com essa xenofobia, que existe, sim, no Brasil, país de gente que gosta de se auto-denominar “amigável” e que acredita que recebe os estrangeiros com os braços abertos…

    _________________________________

    Quem vem sempre aqui, sabe que esse assunto de imigração, é recorrente nesse blog, porque eu sou uma imigrante e, como diz Edward Said: “O exílio nos compele, estranhamente, a pensar sobre ele”.

    Escrever sobre isso, pelo menos aqui, costuma ser mais polêmico do que falar sobre religião ou política. Portanto, já vou pedindo aos que discordam de mim, que saibam se comportar tão bem quanto os que discutiram suas crenças no post anterior.

    Eu amo o Brasil, porque nasci lá, cada vez mais me interesso pelas minhas raízes, minha cultura, adoro nossa música, e o povão é tudo de bom… mas, morando fora, descobri que não existe um lugar perfeito, nem acima, nem abaixo da linha do Equador.

    Mas, um dos mitos que tenho visto, pela blogosfera afora, é uma ladainha que “nós somos vítimas de todo tipo de discriminação e isso é uma injustiça, porque o povo brasileiro é cordial, amigo e recebe os estrangeiros de braços abertos”. Claaaaaaaaaro… principalmente se o estrangeiro for loiro e de olhos clarinhos…

    Já escrevi sobre isso, antes. Na época, questionava o que aconteceria, no Brasil, se recebêssemos, relativamente, a mesma quantidade de africanos que a Suécia recebe. Não estou falando em termos econômicos, claro que a Suécia tem muito mais recursos para receber refugiados, mas estou falando em termos de choque cultural mesmo. Com uma população de 8,878,085, a Suécia recebeu, apenas em 2003, 25.600 refugiados, sendo mais de 3000 apenas da Somália.

    Ampliando para os imigrantes, em geral, 10% da população de Estocolmo é formada por pessoas que vieram de outros países. Algo como, estatísticamente, se o Rio de Janeiro tivesse quase 600 mil pessoas vindas de fora (não estou falando de descendentes, mas de imigrantes mesmo).

    Agora, pense que a imensa maioria dessas 600 mil pessoas não é de gringos descolados e loirinhos, mas vêm das mais diferentes culturas, como a Somália, Irã, Afeganistão… com todas suas dificuldades de adaptação, e mais precisando de saúde, educação e empregos.

    Será que o povo brasileiro continuaria tão hospitaleiro?

    Refugiados no Brasil

    mcravo2.jpgA matéria do Estadão veio, apenas, comprovar o que eu já imaginava. Os brasileiros adoram gringos, mas a cordialidade brasileira depende muito da cor da pele do “estrangeiro”.

    Segundo o senegalês Alain Pascal Kaly, doutorando em Estudos Internacionais Comparados do Curso de Pós-graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da UFRJ, os “estrangeiros africanos são tratados como africanos, enquanto estrangeiros europeus são tratados com o gentílico de seu país de origem.” (1)

    Além dos refugiados, temos muitos estudantes africanos, principalmente de países de língua portuguesa como Cabo Verde e Angola. Mesmo tendo boas condições financeiras e educação, esses estudantes são tratados como criminosos no Brasil.

    Ouvi, de uma amiga, o seguinte depoimento: “Eu trabalhei na lojas C&A de roupas por um tempo e lá apareciam muitos angolanos,jamaicanos querendo fazer cartão da loja, mas eram vistos como imigrantes fugitivos…Eles mandavam a gente inventar uma desculpa pra não fazer o cartão da pessoa…era hiper chato!”. Pensa bem se isso iria acontecer com um alemãozinho, morando no Brasil.

    Mas, voltando à matéria do Estadão, ficamos sabendo que o Brasil tem, hoje, 3 mil refugiados, a maioria africanos e latino-americanos. Pelo menos mais 6 mil refugiados vivem no Brasil ilegalmente. Segundo a assistente social, Denise Orlandi Collus, que trabalha com essa questão, “O refugiado é quase sempre visto como bandido ou traficante, o que dificulta sua entrada no mercado de trabalho”.

    A matéria continua com reclamações que poderiam sair da boca de brasileiros que vivem na Europa:

    “A boa formação do refugiado acaba, às vezes, sendo um ponto negativo para a integração. Dificilmente ele consegue exercer no Brasil a profissão que desempenhava antes”.

    “A discriminação é outro problema que os Juan enfrentam. Mercedes conta que já teve de ouvir da diretora de um colégio que a prioridade seria dada “aos daqui”. Também reclama das relações pessoais. Para ela, é difícil fazer amigos. “Todos estão sempre na defensiva, ninguém quer se comprometer”, diz.”

    “Na Colômbia, trabalhava na Cruz Vermelha. No Brasil, com mulher e quatro filhas, enfrenta o desemprego e a desilusão das filhas provocada pela queda na qualidade do ensino.”

    Não estou querendo dizer que o Brasil deveria ter uma solução para uma questão que continua sendo o grande desafio desse mundo globalizado… as migrações. Claro que não. Mas não me venham dizer que o povo brasileiro recebe calorosamente os imigrantes, porque isso não é verdade. Principalmente quanto o desemprego aperta. os primeiros a sofrer com isso são os “de fora”. Aqui e lá.

    Outras fontes

    cravo4.jpgAí, pesquisando sobre o assunto, encontrei coisas interessantíssimas, na internet, cujos links divido com vocês aí abaixo, sobre a imigração para o Brasil.

    A historiadora Helena Ragusa afirma que já “Na década de 20…Na cidade de São Paulo, uma entidade com os mesmos princípios eugênicos que contextualizavam a política de alguns países do Ocidente, passou a influenciar as elites a pressionarem os poderes públicos contra a entrada de imigrantes de origem asiática, africana e judia no país.” (2)

    “Quando cheguei no país, um brasileiro me disse que eu teria que trabalhar muito mais que os brasileiros trabalham, porque dariam preferência ao trabalhador brasileiro. Isso ficou na minha cabeça até hoje”, diz Mohammed Habib.

    Hummmm… já li exatamente a mesma coisa, com nacionalidade inversa, vindo de brasileiros que vivem nos países nórdicos…

    O escritor Raduan Nassar, autor de Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera, afirma que “Nos primórdios da imigração e por décadas a fio, em sintonia com a propaganda ocidental, que difamava aqueles povos para justificar suas constantes intervenções, o preconceito contra árabes no Brasil era indisfarçável, a ponto de ter levado alguns de seus descendentes a adotar nomes de família latinizados como expediente para desobstruir suas carreiras profissionais” (3)

    Nassar escreveu esse artigo no pré-9/11 e acreditava num arrefecimento no preconceito contra os árabes… hoje eu diria que as coisas pioraram consideravelmente, mesmo no Brasil. Aliás, me choca a agressividade de alguns brasileiros que moram for ado Brasil, em relação aos povos árabes.

    Conclusão

    cravo6.jpgPor favor, não venham reclamar de que estou escrevendo “contra” o Brasil. Adoro o país, mas sei muito o quanto ele pode ser ingrato com os que não tem nada.

    Estou apenas esclarecendo a forma como eu vejo a imigração, no Brasil, que não foi e continua não sendo um processo tão simples assim. Especialmente se você não for branquinho de olhos claros.

    Estou sugerindo, com isso, que a gente deve se conformar com a discriminação nos países onde vivemos? claro que não! acho que devemos lutar por nossos direitos, nos organizar, mas sempre tendo em mente que não existe paraíso na terra e que o Brasil também não é esse paraíso de cordialidade que se diz por aí.

    A questão é que, apesar de todas as leis e tratados, ainda não se descobriu uma forma de revogar uma lei natural: na hora de “dividir o pirão”, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, a tendência é começar pelos de casa.

    Leia mais:

  • Estudante africano diz que foi vítima de racismo na UnB
  • Africanos no Brasil: dubiedade e estereótipos (1)
  • A representação do judeu no discurso eugênico brasileiro
    no início do século XX (1920-40)
    (2)

  • A saga dos libaneses (3)
  • Antigas e novas facetas de uma imigração recente
  • Imigrantes sempre despertaram temor, diz acadêmico
  • Imigrantes são submetidos à escravidão em SP – Folha
  • O fenômeno migratório no Brasil

    Sugestões da Malu:

  • Gould, S.J., 1991. A Falsa Medida do Homem. Rio de Janeiro: Martins Fontes.
  • Jeffrey Lesser. A negociação da identidade nacional: imigrantes, minorias e a luta pela etnicidade no Brasil. São Paulo: Editora da UNESP (já vou comprar esse, muito bom!)

    Por curiosidade:

  • Projeto Imigrantes
  • Memorial do Imigrante

    ____________________________

    Fotos: Mario Cravo Neto

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    Big Brother

    Denise | Discriminção,GLBTS,Racismo,Televisao | Thursday, 18 January 2007

    Racismo na Inglaterra

    bbb_uk.jpg

    O Channel 4, empresa que exibe o programa, recebu um recorde de 22,000 reclamações, indianos foram pra rua protestar (foto) e a polícia investiga denúncias de racismo contra a atriz indiana Shilpa Shetty, que está sendo vítima de abuso por parte de branquelos ingleses que fazem comentários jocosos sobre o fato dos indianos comerem com a mão, dizem que ela queria ser branca, ridicularizam sua pronúncia e chegaram a chamar a bela atriz de “cachorra” (dog).

    shilpa.jpg

    Segundo o cineasta de “Bollyood”, Mahesh Bhatt, “[Big Brother] é um espelho da sociedade britânica, não é nenhuma aberração. Temos é que agradecer ao Channel 4 por revelar o preconceito escondido da Inglaterra”.

    (Leia mais, em inglês)

    Homofobia no Brasil

    felipe_homofobico.jpg

    “Para sentar e trocar uma idéia até rola, eu até tenho um amigo que é viado. Mas se for para ficar reunindo aquele grupinho de viadinhos para ficar mexendo comigo, aí leva porrada mesmo.”

    Essa foi a afirmação de Felipe, um dos integrantes do Big Brother Brasil, não apenas se mostrando homofóbico, mas também incitando a violência contra homossexuais. (Leia mais aqui)

    Welton Trindade, presidente do Estruturação, comenta polêmica envolvendo participante do BBB:

    “Queríamos o diálogo com a Globo, mas ela se comportou de forma prepotente. Primeiro, disse que não exibiu o diálogo. Depois de mostrado a ela que, sim, ela o veiculou, ela teve de admitir o fato. E agora, se recusa a pedir desculpas e a repreender o participante. Vamos agora ao Ministério Público. Diálogo parece que não funciona com a emissora. Contra o participante estamos preparando a entrada na Justiça contra ele de uma ação ordinária de reparação. Queremos ensinar a ele que, em um mundo civilizado, as coisas se resolvem na Justiça e que ele não pode em nenhum lugar, quanto mais em um programa de TV, incentivar a violência.” Veja entrevista completa aqui

    Hoje vi um jornalista de extrema direita da CNN criticar o “politicamente correto”, porque ele impede a “livre expressão” (de novo ela) e é importante que “se mostre as coisas como elas são”… e eu acho engraçado é o povo de esquerda, que se diz tão progressista fazer esse jogo de esculhambar com os que, simplesmente, acham que é fundamental se manter o respeito e tratar uns aos outros com dignidade. Isso é ser “politicamente correto”.

    Tudo começa com piadinhas racistas e homofóbicas que a garotada ouve dos pais e acha que “tá liberado”. Depois fica todo mundo chocado com a violência. Ela começa em casa mesmo.

    Quanto ao programa, declarações como essa não seriam aceitas em nenhum meio de comunicação, porque é que no BB pode?! Tem mais é que botar pra fora, imediatamente. E grupos devem entrar na justiça para punir os culpados. Racismo e homofobia são crimes e devem ser tratados como tal.

    _____________________________________________________

    Comentários sobre os comentários

    Homophobia Hurts.jpg

    Como estou incrivelmente ocupada, infelizmente, não posso comentar todos os comentários, como eu gostaria, mas vou fazer algumas observações em geral, aqui mesmo, OK?

    1. Primeiro, deixa dizer que respeito a opinião de todo mundo , ainda que discorde completamente de algumas posições colocadas aqui, mas são todas muito benvindas.

    2. Não existe nenhuma privacidade no programa, o fato dele ser “reality show” não muda nada. Se fosse um neo-nazista defendendo seus ideais, estava expulso na hora, porque defender a violência contra gays pode? sim, porque ali todo mundo sabe que está sendo filmado e ao dizer que dá porrada em gay, o tal do “Cobra” está reforçando essa conduta.

    3. O Brasil é o país do mundo que tem mais casos de violência contra homossexuais. Logo atrás, vêm o México e os Estados Unidos. Casos como o do casal gay espancado numa praia carioca, sobre o qual falamos muito, aqui no blog, continuam acontecendo e, quase smepre os agressores saem impunes. Pesquisa feita no Rio, ano passado, mostrou que 60% dos entrevistados já tinham sido vítimas de algum tipo de agressão motivada pela orientação sexual.

    gay_power.jpg4. Me desculpem, mas num país onde ainda acontecem barbaridade como essa, porque as pessoas acham que homossexual é “sem vergonha” e merece apanhar, eu fico perplexa que alguém ache que não tem nada demais um cretino como esse tal de Felipe dizer, num programa de televisão (que pode ser pay per view pela internet ou televisão, mas e daí? atingiu, no mínimo, um bom milhão de pessoas) que gay, seja por que motivo for “leva porrada” dele. Preciso lembrar que televisão é concessão pública? e que incitar a violência é crime?

    5. Tudo é uma questão de quem tem poder de lobby. Imagino o escândalo que seria se ele dissesse que negros ou judeus levariam porrada dele.

    6. E é aí onde entra o grupo Estruturação. Infelizmente, os gays e o movimento gay (como todos movimentos sociais, diga-se de passagem), têm muito pouca solidariedade e vivem numa picuinha interna que só prejudica a todo mundo. Ouvi esse papo de “promoção” e acho muito triste que se alegue isso. Claro que o grupo está usando o fato para promover seu trabalho e sua causa e qual o problema? é através de exemplos, de fatos concretos, que mostramos a homofobia brasileira e deixamos claro que ela não é aceitável. Parabéns para o Estruturação por colocar a questão em pauta!

    homofobia.jpg7. Enfim, os homofóbicos costumam ser pessoas muito mal resolvidas sexualmente, dizer que dá porrada em gays que se insinuarem pra eles, achando que isso é muito normal, é apenas uma forma de reafirmar sua macheza, de se trancar, se acorrentar dentro do armário. Eles podem dizer o que quiserem nos seus mundinhos brucutu, mas falou em um meio de comunicação que é concessão pública tem de se retratar ou então tem mais é que levar processo nas costas…

    8. E quanto mais barulho melhor… o mundo não muda nada, se a gente não fizer ondas ou marolas…

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