

Eu subestimei a capacidade dos coreanos de fazer uma SUPER festa de rua, que me fizesse aguentar das 10 da manhã às 9 da noite. Só fui, no domingo, à uma da tarde e me arrependi profundamente, mesmo que eu tivesse chegado lá de manhã cedo, ainda teria muita coisa pra ver e pra fazer.
Ted e Bradford (nosso amigo americano) ficaram corrigindo provas e se juntaram a mim somente à noite, para a Parada. Eu cheguei lá mais ou menos uma e meia da tarde, vi que tinha festa na rua, mas fui direto para o templo, onde tinha sido armado um palco e estavam acontecendo apresentações de gente de toda idade.
Destaque pras crianças, claro, sempre super fofas, meio envergonhadas, mas abalaram; para a cerimônia do chá, com uma bailarina ao fundo (ok, kitsch, mas é a Coreia… hehehe) e umas senhorinhas de meia idade a cantar uma música que é sucesso aqui e que gruda na cabeça da gente como chiclete (juro que estou até agora tentando me livrar dela).












Saindo do templo, passei por uma barraquinha com livros budistas (em coreano, claro) pela metade do preço e uma fila quilométrica para conseguir um autógrafo de um monge que deve ser uma celebridade local. Fiquei boba com a quantidade de estandes, eram mais de cem, com uma variedade enorme de atividades.



Tinha tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que eu nem sabia por onde começar. Mas me empolguei tanto fotografando, que passei de duas da tarde às sete da noite pulando de estande pra estande, sem parar em nenhum, porque não conseguia parar de fotografar.
Acima, a primeira foto dá uma idéia geral da rua; na segunda, mulheres se preparam pra ensinar como é a cerimônia do chá e na terceira foto, algumas estrangeiras fazendo lanternas. Só aí, eram 12 estandes, com 50 pessoas que se inscreveram com antecedência pela internet, era um tipo de “concurso” de lanternas só pros imigrantes (existem muitas iniciativas governmentais pra facilitar a integração de quem vem de fora, por aqui). Eu não sabia, mas no próximo ano, eu não perco. Detalhe, tudo, inclusive o material, era gratuito.
Os outros estandes eram coordenados por ONGs que atuam na defesa de direitos humanos ou eram de ordens budistas coreanas ou de outros países como Bangladesh, Sri Lanka e Tibete. Para participar das oficinas, pagava-se um valor quase simbólico, um,dois dólares, com todo material gratuito.



Nas fotos acima, meninos e meninas aprendem a fazer bijouteria (pulseira ou colares budistas). Olhem o tamanhinho da mão daquele menininho da foto da direita, tentando colocar uma conta num fio de nylon. Não é lindo demais? e não é super bacana que a criançada tenha essa oportunidade?


Como a arte em cerâmica é muito tradicional e uma parte importante da cultura, aqui na Coreia, tinha vários estandes onde meninos e meninas (e adultos, se quisessem,claro) podiam fazer peças de barro. Nas fotos, mães e avós babando nos meninos e esse “benzadeus coreano” era uma gracinha, superpaciente com a garotinha. benzadeus.



Acima, mãe e filhos aprendem os passos de uma cerimônia de chá. Centenas de pessoas, como essas duas moças acima, fizeram as suas lanternas nos estandes, para carregar na parada, que começaria em algumas horas. Tinha um estande enorme em que era tudo completamente gratuito, com material de várias cores. Não, infelizmente, eu não tive tempo de fazer a minha, porque não consegui parar de fotografar (não parei nem pra comer, foram cinco horas batendo perna nessa rua!). Na foto da direita a coreana fofa fazendo um boneco de barro.


Claro que eu adorei essa foto da esquerda, meninos e meninas, coreanas e estrangeiras costurando e bordando. Na outra foto, dois monges fazendo uma mandala de areia colorida. Esse é um dos ensinamentos mais difíceis do budismo, pensar que nada dura e que essa obra de arte vai voar pelos ares com poucos minutos… ouch…


Essas fotos são o máximo. E olha que a sociedade coreana é machista, mas o que diríamos da latina? ainda bem que, pelo menos,por aqui eles estão muito pouco preocupados com os tradicionais estereotipos de gênero ocidentais. Na primeira foto, um menininho empenhadíssimo na produção de um boneco de pano e na segunda, um pai e seu filho fazem um chaveirinho todo decorado com micro pedacinhos de flores secas.


Na primeira foto, mais peças de barro. E aminha preferida detodas, apesar da má qualidade técnica da foto. Um casal está fazendo colares e pulseiras junto, enquanto a filhinha dorme nas costas da mãe. Adoro a forma como carregam as crianças aqui, antes que remetam ao “peso nas costas da mãe”, digo logo que já vi homens com as crianças jogadas nas costas também. Filhos aqui são integrados “organicamente” à vida cotidiana.



Uma gracinha o garoto distribuindo panfletos, hein? e na segunda e terceira foto, coreanos (e alguns estrangeiros) penduravam papeizinhos com seus desejos de boa sorte nesses fios amarrados a um balão.


Claro que tinha artes marciais


E alguns estandes de medicina oriental, onde você podia se consultar (desde que tivesse um tradutor de coreano!) e o medicamento era feito e entregue na hora. Nesse estande, umtratamento com pedaços de cera queimando, colocado nas mãos dos corajosos. Parecia pedacinhor de cigarro ainda acesos… ui…



Fazendo chapéus de palha. Menininha ganha um brinde por responder uma pergunta corretamente (em coreano) e o stand da Ashoka tinha café moído e preparado na hora. Divulgando projetos de comércio justo.
Música






A música tradicional coreana é,basicamente, de percussão. Eu A-DO-RO, é tribal, dá aquele transe de repetição e me lembra maracatu, Olodum. Esse grupo era de Samul Nori. Samul significa “quatro instrumentos” e Nori, “tocar”. São eles: kkwaenggwari, jing, janggu e buk. Alguns dos passos dos músicos chegam a lembrar o frevo, dê uma olhada nesses vídeos aqui, aqui e aqui.

Essa mocinha também mandou ver muito bem no janggu.
Resumindo:
Não, a Coreia não é um paraíso e nem tudo é perfeito por aqui – como também não é no Brasil, nem na Suécia, nem nos EUA – mas se a gente abre bem os olhos pra ver o que tem de bom nesse país, dá pra se divertir MUITO.
I HEART KOREA
obs.: Ainda falta contar sobre a super organização de tudo e,principalmente da parada, volto em breve, agora preciso cuidar da vida!
Ah e assim que puder, coloco todas essas fotos e muitas outras em tamanho ampliado, no meu album do Flickr. Aguenta aí!
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E atenção, tem SORTEIO!
Pegando o embalo, pra gente celebrar o niver de Buda, aqui no blog também, decidi sortear um kit com uma lanterninha cor de rosa, uma pulseirinha e um botton do festival, entre as pessoas que deixarem comentários nos três últimos posts. O sorteio será domingo e amanhã coloco uma foto dos presentinhos.
Atualização:
FINALMENTE, FIZEMOS O SORTEIO! A ganhadora foi a Vivien Morgato do blog A Casa da Mãe Joana, mais detalhes e fotos, em breve.