Cerejeiras in Seoul


















Post publicado originalmente no dia 13 de abril de 2009. Henrique, o melhor lugar pra se ver as cerejeiras, em Seul, é Yeouido

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Post publicado originalmente no dia 13 de abril de 2009. Henrique, o melhor lugar pra se ver as cerejeiras, em Seul, é Yeouido






















Na sua tentativa de colocar a Coreia no mapa do turismo mundial (francamente, tem quem viaja 20 horas somente pra conhecer Bangkok, mas Seul é só escala), uma das ações que eu mais admiro por aqui são os “hands-on experience” ou oficinas, onde em uma ou duas horas, você experimenta algum aspecto da cultura local, pode ser tocar um instrumento, fazer lanternas de papel, bordar ou esculpir peças de cerâmica. Tenho uma lista enorme de coisas que ainda quero fazer antes de mudar daqui.
Na quarta-feira, eu, Bia e Ted fomos numa mini-excursão, oferecida pela faculdade onde Ted trabalha, aos professores estrangeiros (foram apenas três, mais as famílias) para Icheon, que é uma cidade a uma hora de Seul, conhecida pelas cerâmicas (como Tracunhaém, em Pernambuco).
O calor por aqui está de matar. Enquanto estávamos no micro-ônibus, com ar condicionado, tudo bem, mas o clima da cidade estava fazendo jus aos 350 kilns (fornos de cerâmica).
Independente do calor, o passeio foi ótimo, não só pela experiência de meter a mão no barro e até criar uma coisinha feia mas bem intencionada (essa esculturazinha de amamentação), mas pela oportunidade de conhecer outras pessoas da universidade e estreitar os laços com outras num fantástico almoço típico coreano.




Já estamos de volta a Seul. Ontem (sábado), fomos parar em Gyeongju, ainda mais ao Sul da Coreia. Lá, só tivemos tempo mesmo de visitar o Museu Nacional de Gyeongju (depois coloco umas fotos aqui) e, decidimos que, ao invés de correr pra ver mais tumbas e templos, deveríamos, dessa vez, priorizar uma experiência nova, pra gente.
Aceitamos a sugestão da guia do museu e (com ajuda dela) pegamos um taxi pra o 바루 (Baru) um restaurante tradicional, que serve comida dentro dos preceitos dos templos budistas (temple food), ponto de encontro do mundinho-monge local.
O Baru fica do lado das tumbas do King Muyeol (esses 4 morrinhos mais baixos na segunda foto, acima) e existe há mais de dez anos. Quando chegamos estava quase vazio e o ambiente era agradabilíssimo, mas o clima ajudou, não estava muito quente. O atendimento, como quase sempre acontece com a gente por aqui, foi excelente. Não tem muitos turistas na cidade, somos uma curiosidade a mais.




Nós já tínhamos provado temple food em Seul, mas sempre em buffet (geralmente preferimos porque a gente pode escolher somente o que quer), então, não tínhamos nem idéia do que nos esperava. No geral, além de, obviamente não ter nenhuma carne, a temple food não tem alguns ingredientes que podem atrapalhar a concentração, como alho, alho-poró, cebolinha, cebola e uma erva muito usada aqui que se chama dhalae (ou rocambole selvagem).

Uma explicação para a comida de templos coreana:
“O livro sagrado Mahaparnirvana Sutra afirma que ‘comer carne e peixe destrói as sementes da compaixão’, já o Lankavatara Sutra explica que pássaros e animais podem ser a re-encarnação de seus pais, irmãos e amigos, de vidas passadas. Também, esses ‘intoxicantes’ distraem nossos sentidos e atrapalha o caminho para a sabedoria, o que pode resultar em ações equivocadas e muitos erros. Essas são as principais razões para essas proibições. Além do mais, no Surangama Sutra está escrito que esses cinco vegetais (citados acima) com sabor apimentado, quando frescos, afetam nossa capacidade de pensar e nos levam a pensamentos obcenos e, quando cozinhados, estimulam nossa raiva. Todos esses obstáculos podem atrapalhar a prática (da meditação). A princípio, a comida de templos parece ser a mesma de qualquer alimento vegetariano, apenas excluindo os cinco elementos. A maior diferença é que a comida de templo é considerada um importante meio para encorajar a prática espiritual.
ps.: acho que o que experimentamos não era tão ortodoxo, porque acho que vi umas cebolinhas no prato. Vai ver, tem opções para seguidores e não-seguidores.


A bebida era chá verde, muito bom, mas confesso que sinto falta de uma bebida estúpidamente gelada nas refeições por aqui. Os pratinhos começaram a chegar, e parecia que não iam parar nunca. Difícil dizer o que comemos, muitas verduras, temperos inusitados (pra gente).




Algumas vezes, a moça que estava nos atendendo vinha explicar como a gente deveria comer, como colocar os montinhos de verdura e enrolar a mini-panquequinha verde, molhando no tempero. Ou avisava que a gente não podia comer a folha onde o arroz veio enroladinho. Dicas fundamentais para ignorantes sobre as delícias da comida budista coreana, como nós dois. Sem falar que sou um desastre pra comer com os pauzinhos,né?


Quando estávamos na quinta ou sexta rodada, houve uma parada de alguns minutos e achamos que era só. Estávamos mais que satisfeitos. Que nada. Ted pediu a conta e a moça chocada fez um sinal de que ainda tinha mais.
Aí foi que chegou o prato principal. O da penúltima foto.
Foi uma experiência que não vou esquecer nunca. No começo, a comida era um pouco estranha pra nosso paladar bitolado aos mesmos alimentos e temperos (no meu caso,curry,curry, curry), mas tinha coisas deliciosas e surpreendentes.
Ao lado, meu pratopreferido, esses bolinhos que me deram saudade de bolinho de inhame ou de macaxeira. Essa geleia em cima desse bolinho marrom era canela. Delicioso.
Saímos satisfeitos, mas leves, essa é a principal diferença de um “banquete” oriental e um ocidental, a gente não sai do restaurante se arrependendo dos excessos.
Se algum dia, alguém se aventurar por essas bandas, o restaurante fica em Gyeongju (874-3, Seoak-dong, Gyeongju-si 054-774-5378), de ônibus, fica a uma hora de Daegu e uma hora de Busan. Basta pegar um taxi na rodoviária e dar esse nome pro motorista: 바루.
A refeição para dois custou 30 mil wons (cerca de 50 reais) e o taxi foi mais uns 6 reais.

Hoje à tarde, pegamos um trem super rápido e em menos de duas horas percorremos os 300 quilômetros que separam Seul de Daegu (ou Taegu), onde Ted vai dar uma palestra sobre a dieta de imigrantes asiáticos no Ocidente num evento sobre doenças do coração.


Daegu tem uma população de dois milhões e quinhentos mil habitantes (é a quarta maior cidade da Coreia do Sul) e é a capital da província de Gyeongsangbuk-do.
A cidade é famosa pela sua indústria têxtil e só daqui, da janela do nosso quarto de hotel, já dá pra ver três outlets de roupas enormes. Em 2000, foi lançada a mascote de Daegu, Fashiony, a fadinha do desenho ao lado… hehehe… coisas da Coreia.
A gente fica aqui até o sábado de noitinha. Gostaria muito de, amanhã, ir até Andong, uma cidadezinha bem tradicional, que fica a uma hora daqui, mas não sei se é fácil conseguir transporte. No sábado, Ted estará livre e vamos visitar o templo Donghwasa e passear pela cidade. Aguardem muitas fotos.
Abaixo, chamêgo no trem e chegada no hotel (que é bem legal).






Enquanto isso, vão papeando nos posts abaixo, que seus comentários estão bem interessantes e eu estou lendo tudo, quando consigo acessar a internet.
ps.: Perceberam o tamanho da minha mala (com um chapéu de palha em cima), pra dois diazinhos? hehehe… definitivamente, nunca vou conseguir fazer malas como a Alex. Como não tem excesso de peso, trouxe tudo que poderia precisar.






No sábado de manhã, fomos – eu, Ted, Bradford (professor americano da Universidade e ótimo amigo) e Tom (americano que vive há 30 anos na Suécia, ex-vizinho de Ted) que estava hospedado aqui em casa até ontem – para a Namsangol Traditional Folk Village, uma espécie de museu-vivo, complexo de casas que mostra como viviam os coreanos e fica bem no centro de Seul, fácil acesso por metrô.
Bradford é casado com uma coreana- que ainda está nos EUA – e disse que a casa dos pais dela, no interior da Coreia, é bem parecida com essas mostradas aqui. Eu adoro sentar no chão e ter móveis baixinhos, me daria bem numa casinha dessas.



Na Korean House, que fica bem do lado da Namsangol Village, e por onde a gente entrou, estava sendo esperado um casamento de verdade (tem uma encenação de um, na Village como vocês vão ver abaixo), e convidados e parentes chiquérrimos circulavam pelo local (se bem que, no geral, coreanos adoram andar de terno e gravata, com ou sem casamento).
Tive a sorte de encontrar os noivinhos tirando as tradicionais fotos nos jardins, eles foram super fofos, posaram com muitos risos e dedos em “V” pra mim. Toda felicidade pros dois!










A Folk Village tem uma área para crianças, com brincadeiras e jogos tradicionais. Bem bacana. As crianças são centro da família aqui, apesar de ser um país muito machista (ou, eu diria, mais explicitamente machista que os outros), a gente vê muitos pais brincando e cuidando dos filhos.
Lembrei do meu irmão, que coleciona jogos de tabuleiro e é um superpai.
Percebam o super sol e “calorão” que já chegou aqui. O sol estava tão forte, com tanta luz que consegui pegar algumas fotos interessantes, como as varetas soltas no ar na foto maior (Yut) e a menininha pulando na gangorra.
















Essas fotos são da encenação de um casamento da época da dinastia, que acontece todos os dias, às 2 da tarde (entrada gratuita!). Apesar da narração resumida em inglês, em alguns momentos foi um pouco monótono, mas valeu a pena esperar (foi logo depois que assisti àquela dança de leques abaixo). E mais um show de percussionistas que não consegui fotografar, mas ainda volto pra filmar tudo.
Após o casamento, a dança e a percussão, tem uma parada, todo mundo segue os noivos até a avenida principal (onde estavam meus três companheiros de passeio que não viram nada e prefeririam ficar fazendo uma boquinha na Paris Baguette).
Foi um super sabadão. No domingo, não consegui sair de casa, exausta, mas com as energias recarregadas.
Boa semana pra todo mundo!














Agora, há pouco, na Namsan Hanok Folk Village. Para ver essas e outras fotos ampliadas, clique aqui.






Aqui, já é 2009 e já estamos em casa. Fomos jantar e depois esperamos pela contagem regressiva numa cafeteria no canal Cheonggye. Foi lindo, apesar das saudades da família, a gente estava tão feliz. A essa altura, já tenho quase mil fotos, pra separar, mas estou exausta, assim que der, mostro algumas pra vocês.
Fiz esse micro-vídeo acima (19 segundos!), do exato momento em que comemoramos a passagem de ano (alguém sabe porque ficou com essa faixa verde e como retirar? fiz a edição no Windows Movie Maker consertei! mas está sem som, por enquanto
).
FELIZ ANO NOVO PRA TODO MUNDO!!!!!!!!!!!!!!!! wooooohooooo!!!!
ps.: Obviamente, todas essas peles dos casacos e gorros são FALSAS. Mas o frio, esse sim era bem verdadeiro… -8
(Mamãe e Bia, vou dormir agora – são 3 da manhã-, mas vou colocar o despertador pra acordar às 23:50h, hora do Brasil, pra desejar, mais uma vez, um lindo 2009 pra vocês.)

Do outro lado do mundo…

Bia, mais olindense, impossível.
E vocês, o que fizeram na passagem de ano?

Faltam menos de 8 horas pra acabar 2008, por aqui. E eu já estou saindo pra encontrar meu marido querido, meu companheiro, o homem que me fez mais feliz que nunca, nesse ano que passou, e com quem eu quero celebrar a mudança pra um ano novo.
Mas, queria escrever umas coisinhas, antes de sair:
Pra mim, eu desejo paz de espírito e que, em 2009, eu consiga ser a melhor pessoa possível, principalmente para Bia, Ted, minha mãe, meu irmão e sobrinhos e todos amigos queridos (também espero conseguir aprender a lidar melhor com o pouco tempo que eu tenho pra poder blogar melhor, trocar mais, compartilhar mais).
E desejo que o ano seja exatamente como cada um de vocês espera que seja. Quando não for, que tenham, ao mesmo tempo, leveza e força pra fazer dele o melhor possível.
Obrigada a todo mundo que me fez companhia, aqui no blog, em 2008. Posso não ter respondido sempre, mas acredite que eu lembro de cada um(a) de vocês