O ataque da Coreia do Norte visto por uma brasileira em Seul

Antes que minha mãe entre em pânico com o alarmismo da imprensa, vou contando logo que hoje (terça), às 2 e 34 da tarde, fomos informados pelo governo da Coreia do Sul que a Coreia do Norte disparou cerca de 200 mísseis contra águas sul-coreana e a ilha Yeonpyeong (que tem cerca de 1.300 habitantes, veja mapa). A Coreia do Sul teria, então, revidado, numa “batalha” que durou uma hora.
Até o momento (8:00h em Brasília), sabe-se da morte de dois soldados e 17 feridos (alguns muito gravemente). Três civis também foram atingidos no ataque e a ilha ainda está em chamas, com segundo informações, sabe-se de 80 casas atingidas e a população está sendo evacuada em barcos pesqueiros.
Lembrando que quando a gente fala dos mortos e feridos, se refere apenas à Coreia do Sul, não existe informação do que aconteceu com as tropas do Norte.

O mapa acima mostra a ilha, que fica bem perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte.
Aparentemente, o ataque foi um “aviso” da Coreia do Norte contra um treinamento de guerra (conhecido como Hoguk, um dos três maiores treinos de defesa anuais) que o exército sul coreano começou hoje, com 70 mil participantes.
De manhã, antes do ataque, o governo Norte coreano mandou uma mensagem pedindo para que a Coreia do Sul interrompesse seus exercícios de guerra tão perto de suas fronteiras e avisando que, se não parassem, “haveria consequências”.
Todos os anos, esses treinamentos causam frisson nos vizinhos. Mas, pensem bem. Os dois países continuam, na prática, em guerra. Aí, um deles faz exercícios com munição de verdade e 70 mil homens coladinhos à fronteira. Sem julgar a qualidade do governo norte coreano, dá pra entender a sua preocupação…
Sem falar que, o contexto é complicado, com a sucessão na Coreia do Norte e a recente divulgação que eles construiram mais uma usina nuclear.
De qualquer forma, esse foi é um dos piores incidentes desde o tratado de paz, em 53. Segundo o presidente sul-coreano Lee Myung-bak, o importante agora é “frear o tiroteio e a escalada de um conflito maior”. Pois é.
Qual o efeito desse ataque à vida na Coreia do Sul?






Mas a morte não foi seu último escândalo. A notícia que li ontem é chocante.
A primeira reunião em um ano, entre a Coreia do Norte e do Sul acabou agora há pouco. Os sulcoreanos chegaram às 8 e 45 da manhã, mas os dois lados ficaram se bicando até as 8 e 35 da noite, discutindo o local da reunião, a agenda e quem estaria presente.