
Atendendo a vários pedidos, vou contar sobre minhas experiências de compras na China. Pega um cafezinho que o post é longo… (importante: 1 dolar vale 7.5 rmb – ou yuan)
Antes, deixa dizer que, no geral, a China é, sim, um país barato. Pode-se comer bem com pouco dinheiro, com uma boa negociação, as diárias de hotéis podem ser bem baratas e o taxi e metrô são quase de graça. Às vezes, existem passagens de NY pra Beijing por 400 dólares, sei que na Europa também tem boas promoções.
Quem puder ir, vá. Acho que vale mais do que a pena, por que, se você gastar pouco na passagem, a viagem tá garantida, é possível ficar lá gastando pouquíssimo, por dia e ainda renovar o “guarda-roupa”.
Mas, claro que isso é pra quem sabe se descolar e buscar as coisas e lugares certos. Como em todas grandes cidades do mundo, existem lojas carésimas. Se a pessoa for mané de fazer compras na Guess, H&M, C&A, Sephora, Victoria Secret…. aí vai pagar o que se paga no mundo todo, tem que sair do circuito mainstream…
Eu viajei com a ilusão de que conseguiria comprar pouquísismo, já que estou com pouco dinheiro e já tínhamos gastado demais com minha passagem (por ser 3 cidades diferentes na China) e meu espírito estava para descobrir o país, não sacolar. Mas, conseguir manter esse comportamento anti-capitalista, na China, é maya, ilusão… hehehehehe…
Guangzhou (Cantão)
Cada cidade, foi uma experiência diferente, mas todas têm uma coisa em comum: os contrastes. Em Guangzhou (Cantão), a rua de pedestres, Xiajiu Lu e mais Beijing Lu e Changsou Lu, formam a principal região de compras, outdoors luminosos e telas gigantes dão um tom meio “times square”, com lojas por todo lado, com esculturas espalhadas pela praça, representando vendedores e personagens de século passado.
Adorei essa região da cidade. Foi onde eu fiz essas fotos que vocês viram, hiper coloridas, lembram? são dezenas de prédios com vários andares de lojinhas, em corredores minúsculos lotados de jovens.
Como essa não é uma cidade turística, os produtos são feitos pro público local, tudo pequenininho e de um gosto bem duvidoso, pra mim. Não me interessei por nada. As jovens,seguem uma linha meio anime, meio boneca (que Bia já gostou, mas agora, aos 20 anos ela já está adulta demais) e as mulheres mais velhas, todas usam uma blusinha estampada meio sem graça.
Aí, o que eu encontrei mais interessante foram relógios. Chanel, Prada, Guess, Louis Vuitton, Omega, Swatch etc. Já vi muita cópia, mas nunca tinha visto tanta variedade (alguns lindos mesmo), tão perfeitos e baratésimos (não vou contar quanto porque trouxe vários para dar de presente, né?!).
No mais, em Guangzhou, comprei apenas uns baralhos e jogos de tabuleiro pro meu irmão (que coleciona) e uma boneca chinesa pra minha mãe. Fora os relógios, os preços não eram muito bons e não tinha nada tão interessante, pelo menos por onde eu andei. Como tive que descobrir as coisas sozinha, posso ter perdido bons lugares.
Shanghai
Shanghai é totalmente diferente de Guangzhou. É muito maior, mais rica, mais sofisticada, mais cara e, na minha opinião, menos interessante.
Mas, o contraste também está lá. Talvez até maior. Todas essas fotos aí acima foram feitas em um shopping center, Super Brand Mall, que fica na frente do nosso hotel e onde íamos, de vez em quando, por ser mais prático mesmo.
A minha foto preferida é essa primeira, que mostra uma propaganda luminosa enorme da Sephora, que é uma hiper loja de cosméticos americana, com a imagem de uma mulher ocidental com enormes olhos azuis e, à frente, o pequeno altar budista.
Muitas pequenas lojas, na China (como em outros países asiáticos), têm esses altares, geralmente pequenos, pobrezinhos, e foi bem interessante ver – como sempre – o contraste do que eles consideram modernidade, da invasão ocidental, do capitalismo e a resistência cultural representada pelo altarzinho, que tava lá, marcando ponto.
Ao contrário de Guangzhou, Shanghai é uma cidade turística, muito rica, com muitos lugares sofisticados e caríssimos. Nesse shopping, Ted queria uma comprar uma camisa de manga curta e, numa loja que entramos, ela custava 300 dólares. Fui, rapidamente, a outro shopping com a esposa do nosso amigo chinês e as lojas eram todas Versace, Chanel, tudo original e incrivelmente caro. Obviamente, não compramos nadinha por lá.
Conseguimos comprar algumas coisinhas interessantes e mais baratas naquela water town que fomos, lembram? ela tinha várias ruazinhas, cheias de todo tipo de tranqueira. Os preços eram razoáveis, mas era preciso pechinchar, sempre, e o calor estava terrível, nosso amigo tinha um compromisso com hora marcada e não dava pra passar o dia discutindo cada preço.
Ted comprou umas moedas “antigas” e várias gravatas de seda, a um dólar cada, para dar de presente; eu comprei minha sombrinha vermelha linda por 3 dolares; uma bolsa quase igual a da Cameron Diaz (preferi uma com a imagem de Mao, ela foi mais discreta, levando a da estrela e, mesmo assim, parece que irritou os peruanos), que diz “Serve the People”, por 4 dólares… acho que só.
Quando fomos a Puxi (eu, Bela e Simone), área antiga e hiper turística de Shanghai, deu pra ver que lá deveria ser o lugar ideal pra fazer compras de bugigangas. Mas eu queria mesmo era conversar com as meninas, dei uma olhada rápida nas coisas e decidi que, no dia seguinte, voltaria com Hi, a minha amiga chinesa, pra tentar conseguir uns precinhos melhores. Ficamos horas no Yu Garden papeando, o que é priceless… (não tem preço!)
Bom, acontece que, no meu último dia por lá, eu disse a Hi que queria comprar um vestido chinês pra Bia, mas ela não entendeu bem o que eu queria e me levou pra uma espécie de shopping de confecções, muuuuuuuuuito longe, onde quase tudo era ocidental e ou era bem feinho, ou era minúsculo.
Meu vôo era no mesmo dia, então desisti de comprar qualquer coisa em Shanghai e voamos pra Beijing com a mala bem levinha.
Beijing
Como sempre, ao chegar em Beijing, planejei minha programação. Mas, no primeiro dia, estava tão exausta que só fui sair do hotel quase às 5 da tarde, como já contei aqui. O templo, que acabei visitando depois, estava fechado, então, resolvi visitar o “Pearl Market” (Mercado de Pérolas), que fica do lado (bom, uma maneira de dizer, porque tive que andar uns 15 minutos, arrodeando o muro do templo até chegar lá).
No meu imaginário romântico, o tal Mercado de Pérolas era um lugar ao ar livre, onde as pessoas vendiam sedas, pérolas e artesanato. Confesso que tive um certo choque ao ver que era um prédio enorme, de vários andares e, ao entrar, dei de cara com centenas de estandes vendendo todo tipo de bugugangas eletrônicas.
Passei direto pelos iPod “falsiê”e caí numa verdadeira visão do paraíso… hehehehe… centenas de barraquinhas vendendo roupinhas chinesas e scarves (xales, cachecóis, lenços) de pashmina, mas uma pashmina como nunca tinha visto, nem na India, lindos e de uma qualidade incrível (pelo menos até a primeira lavagem… a dica é não lavar). Aí foi quando eu tive meu primeiro contato com o que é pechinchar na China.
Eu já pechinchei muito, em muitos países, mundo afora, no Peru, na India, na Malásia, na Tailândia… geralmente todos têm o mesmo sistema. A vendedora (que não fala – ou fala pouco – inglês), digita um preço estratosférico numa calculadora e lhe entrega a calculadora pra você aí digitar o seu preço… é um jogo que pode durar séculos (especialmente se o calor for de matar).
Mas, nunca vi nada igual à China, em termos de variação no preço. Um exemplo, na minha primeira compra, um belo scarf de pashmina preto, ela me pediu 350 RMB. Eu disse que só dava 35 (US$ 4.5), ela reclamou, eu me virei pra sair, ela concordou na hora. Eu saí com a impressão de que o preço real devia ser uns 20 RMB. Depois disso, entendi o sistema.
Lá, eu comprei o tal vestido chinês pra Bia. Como em todo lugar, a idéia é que elas não querem deixar você ir embora sem comprar, porque sabem que, mais à frente, outra pessoa vai concordar em lhe vender pelo preço que você pedir. A negociação começou com a moça dizendo (nesse mercado, quase todas falam um pouco de inglês): “eu gostei de você, se você fosse americana eu iria cobrar (aí mostra na calculadora) 2.800 RMB pelo vestido. Mas como tô vendo que não é, vou cobrar somente 1.200 RMB”… eu dou uma gargalhada e já vou saindo. Ela me puxa (literalmente) pelo braço e pergunta qual o meu preço.
Como eu sei bem o quanto essa lenga-lenga pode render, decidi ser radical – apesar de culturalmente isso ser uma ofensa pra elas – e dei sempre o valor máximo que aceitaria pagar. Nesse caso (que ela pediu 1.200RMB, eu disse logo que não dava mais que 80RMB). Vocês podem imaginar que, pra gente é meio estranho pedir uma redução tão brutal de preço, mas a lógica é essa mesmo e, não precisa sentir culpa, se ela nao tiver nenhum lucro, ela não vai lhe vender. Depois de muita conversa concordei em pagar 100RMB (US$ 13.30), Comprei aquela blusinha azul por 50RMB e mais uma boa quantidade de tranqueiras bem baratinhas.
O próximo mercado que fui, era bem parecido com esse, e se chama “Slik Market” (Mercado das Sedas) e é o que está nas fotos acima. Era mais organizado que o Mercado de Pérolas e tinha muito mais coisas que me interessavam. Fui uma vez sozinha e voltei depois com Ted, mais duas vezes (fica aberto de 8 às 20h).
Fazer compras no Silk Market é uma experiência difícil de transcrever aqui (quem já foi lá, pode me ajudar!), mas vou tentar. Segundo Ted, parece que você está passando por uma câmara de tortura… hehehehe… eu me acabava de de rir (e ouvi várias chinesinhas a perguntar: “porque ela está tão alegre?” hahahahahaha). Como a concorrência é braba, a agressividade de venda das moças é fisica mesmo, não sei porquê, especialmente na área das bolsas.
Ted tinha comprado uma bolsa de couro pra laptop “Giorgio Armani”, lindíssima, mas ela acabou sendo muito pequena e tivemos que voltar pra trocar. O diabo era achar a loja novamente. E como tínhamos que passar várias vezes pelos corredores tentando achar a loja, as moças achavam que éramos presa fácil, puxavam pelo braço, empurravam a gente pra dentro das lojas, puxavam pelas sacolas que estávamos carregando e eu e Ted quase morrendo de rir. Câmara de tortura… hehehehe…
Van-Van (e quase todas leitoras desse blog), por lá, iam enlouquecer… tinha todas as bolsas que vocês puderem imaginar, das marcas mais sofisticadas e modelos mais recentes, numa cópia perfeita, ainda assim, eu não conseguia gostar de nenhuma…
Interessante é que todas ficavam expostas, menos as Louis Vuitton, que eram oferecidas em catálogos. Eu tinha a incubência de comprar uma bolsa dessa marca (que eu odeio), pra minha mãe. Por causa da fiscalização seríssima que está sendo feita pela LV, a venda é uma operação secreta. Primeiro, elas mostram o catálogo, você escolhe e elas ligam pra alguém que traz numa sacola escondida. Você meio que tem que se enfiar embaixo de um balcão pra ver a bolsa e decidir se quer levar… hehehehehe… pirataria braba…. os preços cobrados, inicialmente, são ridículos, na faixa de 1000RMB, você diz que só paga 100 ou 150, vira as costas e elas concordam.
Pra mim, comprei apenas uma bolsinha e uma mochila ambas da “Diesel”, de lona, bem simplezinhas. Cheguei à conclusão que não gosto mesmo de “bolsa de adulto”, não, elas são desconfortáveis… hehehehe… cheguei a comprar uma “Chloé”, que achei super bonita, mas saí com ela um dia e detestei, achei incômoda e passei pra minha mãe.
Na seção de sapatos, comprei três fofíssimos, um Vans, pra Bia que ficou grande demais e dois tenis pra mim, bem levinhos, meio estilo “sketchers”. Cobraram 850 cada, paguei 80RMB, pouco mais de 10 dólares. Também compramos algumas calças compridas pra mim e Ted e muitas camisas masculinas pra Ted, os filhos e Simon, tudo Armani, tudo bem baratinho e, aparentemente, de ótima qualidade (vamos ver depois da lavagem).
Finalmente, comprei coisinhas como marcadores de livros, vidrinhos de perfume, leque, uma estatuazinha fofa de uma menininha budista, alguns daqueles joguinhos de chopstick, bolsinhas de seda para colocar jóias e bijouterias, enfim, um monte de coisas bonitinhas. A vontade era levar muito mais mas, mesmo baratíssimo, o dinheiro não dá e não tem mais espaço nas malas (tivemos que comprar mais duas, por lá!)
Enfim, em termos de compras, o paraíso é Beijing. Ainda bem que não comprei muita coisa nas duas cidades que fui antes, porque senão teria me arrependido.
Claro que a gente pensa que é tudo tão barato porque tem muita mulher e criança sendo explorada na produção dessas coisas com as quais a gente se delicia. Não esqueci disso, não. O fato é que, hoje em dia, é quase impossível não comprar alguma coisa “made in china”, em Beijing, Recife ou Washington. Então, se é pra comprar, que pelo menos seja mais barato e direto do produtor.
Além do mais, a pechincha não é exploração, ela é cultural, esperada mesmo. Os preços que eles dizem, no começo é irreal e “se colar, colou”. E eu vi muito gringo pagando a metade achando que estava se dando muito bem… hehehehe…
Enfim, essa foi minha aventura de compras na China. Se tiverem mais curiosidades, sobre isso, basta perguntar.
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Observação: Estou em Olinda, me empanturrando de tapioca, bolo de rolo, coxinha de galinha, pão de queijo, só descansando e batendo papo com minha mãe, meu irmão, cunhada e sobrinhos. Quando puder, volto a blogar normalmente…
E atenção: não são só vocês, não, nem eu aguento mais ouvir falar na China… hehehehe… mas ainda vai ter um último post esclarecendo as dúvidas das amigas e amigos… depois a gente vira o disco, tem mil outras coisas que tenho pensado em comentar.
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Trabalho escravo na China… e na Indonesia, na Suazilândia, nos EUA, no Brasil…

A Isabella deixou um recado que me deu a deixa pra falar um pouco mais sobre essa questão de não comprar produtos falsificados por causa dos trabalhadores que têm péssimas condições.
Claro que a gente não vê nada, por lá, é tudo escondido e em áreas industriais, mas todo mundo sabe que a China tem trabalhadores escravos, pessoas que vivem em péssimas condições, meu irmão até comentou sobre um navio em que as pessoas vêm da China produzindo os sapatos no caminho, é o cúmulo da exploração.
Pensei nisso, ao chegar lá, mas cheguei à conclusão de que não comprar produtos por serem falsificados ou feitos na China (ainda mais estando na China) é uma grande bobagem. Como disse à Bella, não é só na China que existe trabalho escravo e, infelizmente, estamos sempre comprando produtos feitos por pessoas que são exploradas.
Dia desses, vi uma matéria sobre fábricas clandestinas, em São Paulo, onde bolivianos são praticamente escravizados e produzem roupas que todo mundo usa sem culpa.
Morrer antes que viver como escravos. Este é o lema da Bolívia, cantado no refrão do Hino Nacional do País. No entanto, é como quase escravos que cerca de 50 mil bolivianos trabalham em fábricas de roupas em São Paulo. Leia a matéria aqui.
Assisti a um filme – Real Women Have Curves (foto) – com a ótima America Ferrara, que mostra uma fábrica onde imigrantes mexicanas costuravam, dia e noite, em péssimas condições de trabalho, vestidos que eram vendidos por 10 vezes mais na Macy’s. Vocês acham que as roupas que são vendidas na Banana Republic, Gap ou H&M são feitas nos EUA, com todos direitos trabalhistas assegurados? não, mesmo.
A questão não é nem o produto ser original. Todo mundo sabe da exploração da força de trabalho na Indonesia, por parte de grandes empresas como Nike ou Adidas.
Se você não faz como a maravilhosa Maffalda, que decidiu reduzir drasticamente seu consumo de tudo, não tem como, hoje em dia, comprar coisas que não explorem, de alguma forma, mão de obra barata, em péssimas condições. Triste, mas é verdade.
Enfim, de qualquer forma, eu não dou absolutamente nenhum valor, nem respeito essas Prada da vida, na verdade, desprezo algumas delas, pelo que representam. Compro uma bolsa apenas por que ela me agrada e por ser barata, sem me preocupar com marca (se bem que, algumas delas, como a Louis Vuitton eu não usaria nem que me pagassem).
Pensando bem, talvez seja até bem mais “transgressor” comprar e espalhar as cópias pelo mundo afora, e assim ajudar a popularizar essas marcas, coisa que elas morrem de medo que aconteça…