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    Viva 2013 como se fosse Maio de 68

    Denise | Comportamento | Thursday, 03 January 2013

    150241_315760531876345_613691039_n

    “Abaixo a sociedade de consumo.”
    “Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo.”
    “A ação não deve ser uma reação, mas uma criação.”
    “O agressor não é aquele que se revolta, mas aquele que reprime.”
    “Amem-se uns aos outros.”
    “O álcool mata. Tomem LSD.”
    “A anarquia sou eu.”
    “As armas da crítica passam pela crítica das armas.”
    “Parem o mundo, eu quero descer.”
    “A arte está morta. Nem Godard poderá impedir.”
    “A arte está morta, liberemos nossa vida cotidiana.”
    “Antes de escrever, aprenda a pensar.”
    “A barricada fecha a rua, mas abre a via.”
    “Ceder um pouco é capitular muito.”
    “Corram camaradas, o velho mundo está atrás de vocês.”
    “A cultura é a inversão da vida.”
    “10 horas de prazer já.”
    “Proibido não colar cartazes.”
    “Abaixo do calçamento, está a praia.”
    “A economia está ferida, pois que morra!”
    “A emancipação do homem será total ou não será.”
    “O estado é cada um de nós.”
    “A humanidade só será feliz quando o último capitalista for enforcado com as tripas do último esquerdista.”
    “A imaginação toma o poder.”
    “A insolência é a nova arma revolucionária.”
    “É proibido proibir.”
    “Eu tinha alguma coisa a dizer, mas não sei mais o quê.”
    “Eu gozo.”
    “Eu participo. Tu participas. Ele participa. Nós participamos. Vós participais. Eles lucram.”
    “Os jovens fazem amor, os velhos fazem gestos obscenos.”
    “A liberdade do outro estende a minha ao infinito.”
    “A mercadoria é o ópio do povo.”
    “As paredes têm ouvidos. Seus ouvidos têm paredes.”
    “Não mudem de empregadores, mudem o emprego da vida.”
    “Nós somos todos judeus alemães.”
    “A novidade é revolucionária, a verdade, também.”
    “Fim da liberdade aos inimigos da liberdade.”
    “O patrão precisa de ti, tu não precisas do patrão.”
    “Professores, vocês nos fazem envelhecer.”
    “Quanto mais eu faço amor, mais tenho vontade de fazer a revolução. Quanto mais faço a revolução, mais tenho vontade de fazer amor.”
    “A poesia está na rua.”
    “A política se dá na rua.”
    “Os sindicatos são uns bordéis.”
    “O sonho é realidade.”
    “Só a verdade é revolucionária.”
    “Sejam realistas, exijam o impossível.”
    “Tudo é Dadá.”
    “Trabalhador: você tem 25 anos, mas seu sindicato é de outro século.”
    “Abolição da sociedade de classes.”
    “Abram as janelas do seu coração.”
    “A arte está morta, não consumamos o seu cadáver. ”
    “Não nos prendamos ao espetáculo da contestação, mas passemos à contestação do espetáculo. ”
    “Autogestão da vida cotidiana”
    “A felicidade é uma ideia nova.”
    “Teremos um bom mestre desde que cada um seja o seu.”
    “Camaradas, o amor também se faz na Faculdade de Ciências.”
    “Ainda não acabou!”
    “Consuma mais, viva menos.”
    “O discurso é contra-revolucionário. ”
    “Escrevam por toda a parte!”
    “Abraça o teu amor sem largar a tua arma.”
    “Enraiveçam-se!”
    “Ser rico é se contentar com a pobreza?”
    “Um homem não é estupido ou inteligente: ele é livre ou não é.”
    “Adoro escrever nas paredes.”
    “Decretado o estado de felicidade permanente.”
    “Milionários de todos os países, unam-se, o vento está mudando.”
    “Não tomem o elevador, tomem o poder.”

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    O que vocês acharam do vestido de carne da Lady Gaga?

    Denise | Comportamento,Música | Wednesday, 15 September 2010

    Andei fora de circulação, primeiro preparando a casa pra receber a filha. Depois, corujando muito. Agora, ela e Christian seguiram viagem pra China (depois Hong Kong, Tailândia,  Cambodia, Laos e Vietnam) e a minha vida volta ao normal.

    O que vocês acharam do modelito todo feito de carne (pelo que eu li, carne mesmo, de vaca) que a Lady Gaga usou na entrega de prêmios de videos da MTV?

    Eu A-DO-RO a música da Lady Gaga  =)  depois de madonna foi a melhor coisa que apareceu pra malhar. E ela (ou sua equipe, não sei) é um gênio na autopromoção, depois da sua aparição, ninguém falou em mais ninguém na entrega do VMA, mas sei lá… achei de um tremendo mau gosto.

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    INCRÍVEL: UNIBAN expulsa garota
    que foi estudar de minissaia e acabou quase linchada

    Denise | Comportamento | Saturday, 07 November 2009

    unitaliban

    Gente, estou passada – e esgotada – com a notícia de que a Geisy se transformou, oficialmente, em GENI. Agora, a UNIBAN resolveu, também, jogar pedra na Geni.

    Passamos algumas horas discutindo o caso no Twitter. Aqui, o que eu escrevi. Aqui e aqui, o que se escreveu no Twitter sobre a UNI-tali-BAN.

    Francamente, bateu um desânimo, uma tristeza…

    UNIBAN para, numa catarse moralista e monstruosa, por causa de uma minissaia

    (Post publicado no dia 29 de outubro)

    (Gentchy, estou em Olinda!!! Cheguei de surpresa, minha mãe quase teve um troço. Por isso tive que enrolar no blog, no post abaixo dizendo que só viajava no dia 09  =)  Estou sofrendo com um jet-lag miserável, depois conto mais sobre minha viagem, que foi bem interessante.)

    Mesmo caindo de sono, tenho de comentar isso com vocês. Recebi o link pra um post no Boteco Sujo sobre esse vídeo abaixo e fiquei PASSADA. Vejam que absurdo:

    Uma estudante de Turismo cometeu o crime de ir para faculdade vestindo apenas uma blusinha que mal chegava até suas coxas. Quando a garota começou a subir uma das rampas da universidade, oferecendo uma vista privilegiada das suas redundâncias, provocou um levante entre marmanjos que provavelmente nunca haviam visto uma mulher sem roupa desde que foram desmamados. Os estudantes começaram a cercar a moça, com gritos e galanteios de pedreiro, e foram se empolgando até que ameaçaram estuprá-la. Ela, então, correu e se trancou numa sala.

    Foi aí que todos os alunos abandonaram as aulas e se aglomeraram numa multidão que ameaçava invadir a sala onde a garota havia se escondido, aos gritos de “puta, puta!”. Homens e mulheres se juntaram para xingá-la. Foi preciso que um grupo de policiais militares entrasse no prédio para evitar que a menina se tornasse a protagonista de um gang bang forçado.

    Veja o post completo no Boteco Sujo.

    Não é de morrer de raiva? que vergonha.

    Nesse outro vídeo, a imagem da moça saindo escoltada pela polícia.  Fiquei tão passada com a história que me deu uma taquicardia, de raiva. Eu já vi muito machismo, muita cretinice, mas nada com essa violência. Foi um estupro emocional, que não deve ficar por isso mesmo.

    Como discutimos no Twitter, a faculdade paulista UNIBAN não é culpada pela atitude canalha dos estudantes, mas é responsável por não ter controlado a situação e ainda deixar a menina ser humilhada ao sair, escoltada pela polícia. Se fosse minha filha, processaria e exigiria milhões de indenização por danos morais.

    Detalhe. A moça era bem gordinha. Será que isso teria acontecido se fosse uma modelo magérrima?

    Queria comentar mais, mas estou caindo de sono, nem sei se o post está fazendo sentido, vou cair na cama e, assim que der, eu volto pra comentar mais com vocês.

    Vejam também:

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    Fidelidade é “sorte”?

    Denise | Comportamento,Familia, Familia | Sunday, 17 May 2009

    feedingbabies

    Eu estava separando umas fotos da nossa  última viagem à Suécia, pra mandar pro pessoal, e encontrei essa aí acima que achei muito linda. Ted e Kasper, alimentando Lea e Elsa numa vez que saímos para um parquinho que fica dentro de uma loja. Os dois são dois superpais e companheiros maravilhosos. Aí lembrei de comentar uma coisa aqui, com vocês.

    Conversando com Agne, a nora de Ted, comentei que nós temos “sorte”,  porque Ted e Kasper são tão companheiros e fiéis. Sou acostumada com homens brasileiros que não podem ver um rabo de saia e tem de dar a “conferida”. Nas vezes que saí com Ted – e seus filhos, Kasper e Felix – nunca os vi olhando pra outras mulheres, dessa forma, e olha que prestei muita atenção. Sei que isso não quer dizer muito, mas é uma indicação e, pelo que eles conversam com Ted, eles nem pensam em outras mulheres, são mesmo muito comprometidos com seus relacionamentos, apesar de jovens (e muito bonitos).

    A reação de Agne foi interessante, e mostrou o quanto nós somos condicionadas pela sociedade em que crescemos, por mais que a gente queira remar contra a maré.  Ela ficou surpresa e disse: “como assim? mas nós estamos casados, temos um compromisso, uma família, é o que eu espero dele, não é sorte, é natural que se comportem assim, o contrário é que iria surpreender”.

    Ainda que eu saiba que infidelidade existe em qualquer país – e, em algumas situações é quase inevitável e não faço julgamento moral de ninguém-, a verdade é que esses compromissos muitas vezes são tão desvalorizados no Brasil, que a gente inverte as coisas e ter um companheiro que leva o casamento e fidelidade a sério vira “uma sorte”.  Pois é.

    Estou fora do Brasil há anos e, na verdade, como fiquei casada 15 anos, não tive tanta experiência com vários namorados, mas vocês acham que as coisas estão melhorando, tá na mesma ou até pior? vocês acham que, no Brasil, a fidelidade num relacionamento é norma ou exceção?

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    Nada a ver com o post, mas não resisti a corujar um pouquinho nossas “netinhas” bochechudas. Como já contei aqui, ambas, foram exclusivamente amamentadas ao seio por seis meses e continuam mamando, com um ano e três meses   :-)

    Hoje, “conversamos” com elas pelo Skype, com vídeo, e elas olhavam pra gente com uma cara engraçadíssima, de surpresa. Adoro as duas. Esperamos viver um tempo na Suécia, daqui a alguns anos, para conviver mais com elas.

    Veja também:

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    Simplicidade

    Denise | Blogosfera,Comportamento,Dicas da Blogosfera | Friday, 10 April 2009

    Aprenda com a Maffalda.

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    Marido gringo…

    Denise | Comportamento | Wednesday, 24 September 2008

    … é feito criança, quando está tentando falar português.

    Agorinha, eu soltei um “Meu Deeeeeeeeeeeus!!!”, assim em português mesmo (porque acabei de chegar em casa SUPER cansada).

    Aí Ted pergunta: “- Por que é assim no plural? DeuS? por quê não é DEU?” hehehehe…

    Outro dia, quando eu explicava pra ele que existe um nome pra mim: “beijoqueira”, porque eu gosto de beijar, ele ficou confuso… “- Mas, então, não deveria ser beijogosto ao invés de beijoquero?”.

    Ah e ele acabou de me lembrar que não entra na cabeça dele que eu não sou sua “marida”. hehehe… FOFO!

    Marido gringo diz cada uma… e você tem alguma gracinha pra contar, do seu, também?

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    Madrid Fashion Week – Spring 2009

    Denise | Comportamento,Moda | Wednesday, 24 September 2008

    Que coisa mais terna…

    Via NYP

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    A nova Moranguinho a as meninas do século XXI

    Denise | Auto Estima,Cartuns,Comportamento | Tuesday, 17 June 2008

    Uma bela lembrança que eu tenho é de Bia brincando com sua Moranguinho e todas as amiguinhas (abacaxizinho, banananinha, laranjinha etc.) de cabelos enroladinhos e bem coloridos. Eu adoro brinquedos e curti muito essas bonecas com minha filha, lá pelo final dos anos 80, começo dos 90. Pena que não guardamos nenhuma delas.

    Fiquei muito triste ao ver a nova versão, “repaginada” da Strawberry Shortcake.

    Não, não foi nostalgia, nem Síndrome do Ninho Vazio (tudo indica que Bia vai morar sozinha, no campus da faculdade para onde ela vai ser transferida, mas fico feliz ao vê-la batendo as asas). O que dá pena é ver o quanto cada vez mais as meninas vão perdendo preciosos anos da sua infância.

    Vejam o que diz a matéria do New York Times (em portugues, aqui):

    Moranquinho, parte de uma linha de bonecas perfumadas, agora prefere fruta fresca a jujuba, usa um pouco de batom (mas não rouge), e passa seu tempo falando ao celular, ao invés de escovar seu gato, Mostarda”

    Medo… muito medo… agora, olhem bem as duas bonecas e me digam o que vocês percebem? quais as diferenças (e o que elas significam) entre a versão dos anos 80 e a criada agora, pela American Greetings, proprietária dos direitos da boneca, para – como diz a empresa – “acompanhar as mudanças na geração de crianças do século XXI”?

    Vão pensando e comentando e eu já volto, pra terminar esse post.

    Esse é outro personagem bem tradicional, por aqui – que eu não conhecia – a Angelina, Baliarina, que também foi vítima de um “extreme makeover”… vejam bem, o primeiro desenho é da versão antiga, o de baixo, da mais atual…

    Além do óbvio emagracimento, não acham que a primeira ratinha parece mais simpática e a segunda tem um arzinho meio pedante e mais “adulta”?

    Fonte: Beloved Characters as Reimagined for the 21st Century (NYT).

    Dia 18/06

    Isso foi combustão espontânea?

    Então… muito interessantes os comentárias de tod@s vocês, que perceberam que a Moranguinho:

    • Está com a imagem mais magra (apesar de que a bonequinha, em si, não o desenho, era mirradinha, lembram? mas uma magrinha com jeito de criança)
    • Fez chapinha, ou escova progressiva de chocolate, nos lindos cabelos encaracolados
    • O cabelo cresceu, deve ter colocado as extensões da Paris Hilton
    • Fez um peeling, tirando as sardas
    • Cresceu, ficou alongada
    • mais adolescente, menos criança
    • Fez uma plástica, afinando o nariz batatudinho
    • Passou a usar roupas mais coladinhas no corpo
    • Agora está numa pose mais “sensual” e menos infantil
    • Virou mangá
    • Trocou o bichano por um celular!!!!

    (Esqueci alguma coisa?)

    Bom, agora, deixa eu dizer algumas coisas que eu acho desse “makeover”:

    1. Concordo com tudo que vocês disseram.

    2. A Moranguinho é uma bonequinha-criança.

    Sim, eu brinquei com a Suzi e as meninas, depois de mim, brincaram com a Barbie.

    Mas essas eram bonecas-adultas e a gente sabia disso. Elas eram como um estágio do que a gente gostaria de ser quando crescesse (tive uma Suzi Espanhola, que me fascinava, porque desde pequena, queria conhecer o mundo).

    (Aliás, a Susi era uma mocinha bem normal, com um corpo proporcional. Fiquei impressionada quando, ao pesquisar quais bonecas as crianças têm no Brasil, pra fazer esse post, encontrei essa Susi magérrima. Que horror!)

    3. Mas eu também brinquei com várias bonequinhas-criança, que eram como eu. Imperfeitas, rechonchudas, banguelas, bochechudas, barrigudas, pequenas (ainda que, claro, quase todas caucasianas, mas isso é papo pra outro post). Eram bonecas com as quais a gente se identificava, como a Beijoca ou a Amiguinha.

    3. O problema é que a Moranguinho, também é uma boneca-criança, e quando ela passa a ser vendida como um protótipo de “peruazinha”, não é a mesma coisa da perua-mor (Barbie). É um estímulo a um comportamento que, na minha opinião, está transformando a infância no paraíso dos pedófilos.

    5. Abrindo um parêntesis:

    Acho que já comentei aqui que, uma vez, fizemos uma festa da Semana Mundial da Amamentação numa das comunidades em que trabalhávamos. As pessoas da comunidade se apresentavam, num palco enorme. Aí, um grupo de três meninas, que eram como “artistas” do bairro, foram se apresentar com shortinhos minúsculos e maquiagem… dançando na boquinha da garrafa.

    Eu comecei a ficar muito incomodada e prestei atenção no monte de homens que estavam ao redor do palco, juro a vocês, literalmente babando pela mexida frenética de quadris daquelas menininhas de10 anos de idade, imitando as caras e bocas da Carla Perez. (Agora seria a Mulher-Melancia?).

    Tiramos as meninas do palco o mais rápido possível.

    fecha parêntesis.

    6. Claro que a “boquinha da garrafa” é um extremo, mas eu fico impressionada, quando vou ao Brasil, com a “sensualidade” das crianças.

    Eu sei que crianças são seres sexuais também. Meninas podem ser provocantes e sempre gostaram de testar sua sensualidade, mesmo sem perceber isso. Mas nem preciso dizer que criança não está preparada para ter relações sexuais e cabe à sociedade e aos pais o controle disso.

    Mas, ao invés de desestimular, o que a gente vê é um incentivo de um comportamento inadequado pras meninas tão novinhas .

    Vejam o desenho da menina no site de um salão de belezas de São Paulo (acima), que está oferecendo – além de maquilagem e unhas artística – a primeira depilação… pelo desenho dá pra se ter uma idéia da mensagem subliminar sobre a idade das meninas que terão sua primeira depilação.

    MUUUUUUUUUUUUUUITO MEDO!

    Eu não acho nada demais pintar uma unhazinha de vez em quando, botar um batom de brincadeira, são experiências, aprendizado de mulher pra mulher, mas, esse aprendizado vai muito mais alédm, como responde Joyce às perguntas da filhota:

    Oh mãe, me explica, me ensina, me diz, o que é feminina?
    não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar!”

    6. Francamente, as glamourosas acima não parecem todas iguais???

    Pra quê ainda precisam meter a mão na nossa Moranguinho e fazer dela uma cópia do padrão “Disney de qualidade”?

    Ah… já sei, é porque as empresas apenas resolveram se “adaptar à nova geração”…

    Sei… e de onde surgiu essa “nova geração” ou “demanda” ou “tendência”? teria sido combustão espontânea? as crianças – essas danadas – passaram a querer, todas ao mesmo tempo, ser magras, de cabelos lisos, nariz afilado, vestir roupinhas sensuais e largar o gato pra grudar num celular?! as empresas apenas estão se adaptando às crianças modernas. Então tá…

    Será que vocês ainda têm paciência pra me ajudar a fazer esse post? Amanhã (19), será um dia super ocupado e não vou poder continuar logo…

    Vocês podem me ajudar a responder isso?

    Por que vocês acham que as empresas precisam transformar tanto a Moranquinho pra vender? por que existe essa demanda? de onde ela saiu?

    (Antes que digam que eu sou pessimista ou que eu “levo tudo muito a sério”, já aviso que eu sei, a Moranguinho não é exatamente a coisa mais importante do mundo, mas é uma forma interessante de exercitar nossa “visão crítica”. E como um filme nunca é só um filme, um brinquedo não é só um brinquedo ;-) )

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    Vocês fumam?

    Denise | Comportamento,Corpo & Saúde | Friday, 13 June 2008

    Eu tava aqui, conversando com Ted, sobre as vantagens de não fumar. Ele, como asmático, nunca suportaria viver com alguém que fuma, o cheiro fica na roupa, no cabelo, e ele não aguenta nem ficar na calçada perto de alguém fumando.

    Já eu, acho que tenho muita facilidade pra me viciar em alguma coisa – às vezes, começo a consumir um tipo de comida e não quero mais nada (atualmente, é felafel com hummus e pitta, que compro em grandes quantidades, em Costco) – por isso, sempre evitei ao máximo beber, fumar (maconha ou cigarro) e usar medicamento em excesso.

    Tenho uma amiga que se viciou em jogos, perdeu muito dinheiro em casas de bingo, muito mesmo. Morria de pena dela. Então, acho que a melhor forma de evitar essas coisas é nem começar.

    Mas tem gente que tem prazer em fumar e, desde que não dê suas baforadas na cara dos outros, acho que é direito de cada um fazer o que quiser.

    Mas, fiquei curiosa, vocês fumam? minha impressão é que tem muito menos pessoas fumando, hoje em dia… ou será porque vivo aqui nos EUA? quando fui à China e ao Vietnam, fiquei impressionada com a quantidade de fumantes, por toda parte, e com os cigarros sendo vendidos em toda esquina.

    Aqui, tenho a impressão que é difícil encontrar cigarros pra vender, acho que só em algumas lojas especiais ou em áreas reservadas de grandes supermercados. pelo menos é minha impressão (alguém que vive nos EUA pode dizer se estou certa?).

    Ainda se vende cigarros em “fiteiros”, nas calçadas, no Brasil? ainda é fácil pra qualquer criança ou adolescente comprar cigarros como antigamente? quanto custa um maço de cigarros? quantos cigarros você fuma por dia?

    (É uma sensação muito estranha pensar que eu já não sei como é a vida, no dia a dia, no Brasil. Leio jornais diariamente, vejo a Globonews, mas quando penso nessas coisas mais cotidianas, percebo que já não sei como é por aí. Estranho.)

    E no país em que você vive? existem regras que proibem fumar em lugares públicos? muita gente ainda fuma? você sabe quanto custa um maço de cigarros?

    Conte pra gente.

    Os comentários de vocês nesse post estão interessantíssimos. Um verdadeiro estudo do caso em diversos países. Continuem escrevendo.

    Fiquei triste por saber que, no Brasil, o acesso ao cigarro continua tão fácil. Não tem campanha de saúde que resolva se qualquer criança ou adolescente puder comprar um maço na calçada de casa :-( muito triste, isso.

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    Salto alto para bebês glamourosos

    Denise | Comportamento,Moda | Friday, 13 June 2008


    Bom, já que as mulheres, adolescentes e meninas já estão convencidas de que pra ser chiques e gamourosas precisam de um salto alto, agora é hora de conquistar um público mais jovem e ampliar o mercado… apesar do nome, Heellarious, na minha opinião, ele não tem nada de engraçado.

    O sapatinho custa 35 dólares e já está esgotado em quase todas as lojas… medo, muito medo…

    Via F Word.

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    O Demônio do Meio-Dia

    Denise | Comportamento,Corpo & Saúde | Thursday, 03 April 2008

    edmunch1.jpg“A cidade enlouquece
    os sonhos tortos
    Na verdade nada
    é o que parece ser
    As pessoas enlouquecem calmamente
    Viciosamente, sem prazer..”

    Há muitos anos atrás, eu estava em uma reunião de mulheres na Vila dos Milagres, comunidade muito pobre e violenta, no Recife, já vinha percebendo alguns comportamento difíceis em algumas pessoas, aí fui puxando o papo e, pra minha surpresa, fiquei sabendo que quase todas as mulheres do grupo já tinham passado temporadas em instituições psiquiátricas.

    Quando perguntei porque elas achavam que isso tinha acontecido, Socorro, uma mulher inteligentíssima, grande liderança – e que também já tinha sido internada – me deu uma resposta que eu nunca vou esquecer.

    Ela disse: “É a fome, Denise, você sabe o que é ver seu filho chorando, gritando de dor na barriga de fome e você não poder fazer nada? não ter nada pra dar pra ele? isso deixa qualquer mulher morrendo de tristeza…”.

    Naquela época internava-se as pessoas nesses “depósitos de pessoas que pensam e agem diferente” com a maior facilidade. Fico imaginando quantos desses casos não eram depressão, que é uma doença, sim, mas longe de ser considerada caso de internamento

    Hoje, o estigma da depressão parece estar diminuindo, existem diversas formas de tratamento mas a depressão continua marginalizando e causando enormes danos à vida de milhões de pessoas.


    “A maior expressão da angústia
    Pode ser a depressão
    Algo que você pressente
    Indefinível
    Mas não tente se matar
    Pelo menos essa noite não”

    A depressão não escolhe ninguém pela classe social, etnia, gênero ou idade. Nem é preciso estar vivendo numa situação extrema como a miséria dessas mulheres ou a perda de uma pessoa amada para adoecer.

    edmunch2.jpgConfesso que gosto de poder escolher entre a pílula azul ou vermelha e resolver logo a dor. Por isso, morro de medo das “doenças da alma”, para as quais a solução é sempre mais demorada e complexa.

    Comprei o O Demônio do Meio-Dia – Uma Anatomia da Depressão, de Andrew Salomon porque queria entender o que é a depressão e me preparar pra não me deixar cair nela.

    É um ótimo livro, não só pela utilidade na busca da compreensão dessa doença, mas porque ele consegue escrever sobre algo tão árido, de uma forma muito poética.

    Sobre a depressão, Solomon começa afirmando que: “Quando ela chega, degrada o eu da pessoa e finalmente eclipsa sua capacidade de dar ou receber afeição. É a solidão dentro de nós que se torna manifesta e destrói não apenas a conexão com outros, mas também a capacidade de estar apaziguadamente apenas consigo mesmo. Embora não seja nenhum profilático contra a depressão, o amor é o que alcochoa a mente e a protege de si mesma. Medicamentos e psicoterapia podem renovar essa proteção, tornando mais fácil amar e ser amado e é por isso que funcionam.”


    “As cortinas transparentes não revelam
    O que é solitude, o que é solidão
    Um desejo violento bate sem querer
    Pânico, vertigem, obsessão”

    Ninguém deve ter vergonha de estar doente e a depressão é uma doença, que precisa ser tratada. O preconceito em relação à depressão – e principalmente em relação ao uso dos medicamentos – é ainda mais doloroso e só faz retardar a possibilidade de melhora. Se tem de tomar remédio, que se tome sem vergonha, nem culpa. Como se toma um medicamento pra baixar a pressão. Acho um crime sugerir que um chazinho de camomila ou “uma lavagem de roupa”, como disse a Sue nos comentários, vai resolver…

    Resolvi escrever sobre isso porque alguém me pediu.

    edmunch3.jpgUma pessoa, que visita sempre o blog, me escreveu um email emocionante falando sobre sua mãe, portadora de transtorno bipolar, com crises terríveis de depressão e me falou das diversas vezes que presenciou o sofrimento da sua mãe e a incompreensão das outras pessoas.

    Ela acredita que, ao compartilharmos experiências e refletirmos sobre o assunto, estaremos ajudando outras pessoas a entender melhor o que é a depressão. Não é a mesma coisa que tristeza. Todos nós temos as nossas desventuras, momentos de desespero, mas isso não é, necessariamente, depressão.


    “A maior expressão da angústia
    Pode ser a depressão
    Algo que você pressente
    Indefinível
    Mas não tente se matar
    Pelo menos essa noite, não”

    A depressão pode ser suave e ir se instalando aos poucos, gradualmente, minando “as pessoas como a ferrugem enfraquece o ferro”, como diz Solomon, que continua: “tal depressão toma posse do corpo nas pálpebras e músuclos que mantém a coluna ereta. Fere o coração e o pulmão, tornando a contração dos músculos involuntários mais dura do que precisa ser”.

    Ainda segundo ele, “a grande depressão é a matéria dos colapsos nervosos. Se imaginarmos uma alma de ferro que se desgasta de dor e enferruja com a depressão suave, então a depressão grave é o assustador colapso de toda uma estrutura”.

    Eu sei que, em alguns casos, não tem nada que impeça que a depressão se instale, mas acredito que, para muitas pessoas, é possível lutar contra ela. Não sou uma pessoa com tendências à depressão, mas ainda assim, sempre que sinto que estou sendo “derrubada”, luto pra segurar a minha onda. Não me entrego. Ouço algo mais animadinho (nunca Elis Regina!); vou fazer uma bela caminhada, fotografar a cidade, ler um belo livro, tomar um sorvete e, principalmente, espanto os pensamentos que me afligem.


    “Tá sozinha, tá sem onda, tá com medo
    Seus fantasmas, seu enredo, seu destino
    Toda noite uma imagem diferente
    Consciente, inconsciente, desatino”

    edmunch5.jpgNão é fácil definir a origem da depressão, aparentemente, algumas pessoas estariam mais vulneráveis, quimicamente, a sofrer desse mal, mas ainda existe muito a se aprender sobre isso. Uma coisa é certa, poucas pessoas conseguem sair sozinhas da depressão. Todas precisam de ajuda de psicoterapeuta e muitas vezes de medicamentos, além, claro de muito amor e compreensão dos que estão ao seu redor.

    Para superar a depressão, Andrew Salomon sugere,também que você “ouça as pessoas que amam você. Acredite que vale a pena viver por elas, mesmo que você não acredite nisso. Busque as lembranças que a depressão afasta e as projete no futuro. Seja corajoso, seja forte, tome suas pílulas. Exercite-se que isso lhe fará bem, mesmo que cada passo pese uma tonelada. Coma, mesmo quando sente repugnância pela comida. Seja razoável consigo mesmo quando você tiver perdido a razão. Esse tipo de conselhos são lugares-comuns e soam bobos, mas o caminho mais certo para sair da depressão é não gostar dela e não se acostumar com ela.”

    Salomon conclui que “O oposto da depressão não é a felicidade, mas a vitalidade, e minha vida, enquanto escrevo isto, é vital, mesmo quando triste (…) A cada dia, às vezes combativamente e às vezes contra a razão do momento, eu escolho ficar vivo.”

    Leia mais:

    Trechos do livro O Demônio do Meio-dia – Uma Anatomia da Depressão, de Andrew Solomon.

    Mulheres maravilhosas, vítimas do Demônio do Meio-Dia.

    clarice lispector

    “Peço perdão por não ser uma “estrela” ou o “mar”
    Ou não ser alegre, mas coisa que se dá.
    Peço perdão por não saber me dar nem a mim mesma.
    Para me dar desse modo eu perderia minha vida se fosse preciso!”
    Clarice Lispector, escritora brasileira, (1920-1977)

    sylvia Plath

    “Eu não conseguia reagir. Sentia-me muito quieta e muito vazia, como o olho de um furacão deve se sentir, movendo-me inane em meio à algazarra em torno” Sylvia Plath, escritora americana (1932–1963)

    virginia woolf

    “Ah, está começando, está vindo – o horror – fisicamente, como uma onda dolorosa, inchando sobre o coração – atirando-me para cima. Estou infeliz, infeliz!” Virginia Wolf, escritora inglesa (1882–1941)

    _______________________________________________

    Uma das explicações para a origem do termo Demônio do Meio-Dia, nesse contexto, vem de teólogos medievais, para os quais esse era o primeiro fundamento da tristeza, desânimo, depressão. Também conhecido como acídia. (Walter Benjamin, Teses sobre o conceito da história, 1940)

    Música: “Essa Noite, Não” de Lobão, Bernardo Vilhena, Ivo Meirelles e Daniele Daumérie. Com Lobão.

    Imagens: Todas de Edvard Munch, artista norueguês. (1) Madonna, 1895; (2) Auto retrato com cigarro queimando (1895); (3)Charlotte Corday, 1930 e (4) Candle.

    _____________________________________

    ATENÇÃO

    Alguém no Orkut me pediu pra escrever sobre depressão. Lembrei que fiz esse post em 2005 e achei que seria bom re-editá-lo. Vai como está, sem revisão. AMO essa música de Lobão e ela ilustra muito bem o post, clique no letra em azul para ouvir enquanto lê ou veja o vídeo aqui.

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    Continuo defendendo Henry Sobel

    Denise | Comportamento | Wednesday, 04 April 2007

    “Só vos peço uma coisa: se sobreviverdes a esta época, não vos esqueçais! Não vos esqueçais nem dos bons, nem dos maus. Juntai com paciência as testemunhas daqueles que tombaram por eles e por vós. Um belo dia, hoje será o passado, e falarão numa grande época e nos heróis anônimos que criaram a História. Gostaria que todo mundo soubesse que não há heróis anônimos. Eles eram pessoas, e tinham nomes, tinham rostos, desejos e esperanças, e a dor do último de entre os últimos não era menor do que a dor do primeiro, cujo nome há de ficar.” Testamento sob a Forca – Júlio Fuchik Ed. Brasil Debates, 1980

    herzog_morte.jpgHoje, meu trabalho está mais atrasado que nunca. Mas preciso escrever esse post porque já recebi tanta crítica por ter apoiado o rabino Henry Sobel, que acho que tá na hora de responder.

    Um pouco de História

    Gente, eu nasci em 1964. Nasci em agosto e, há quase exatos 42 anos, minha mãe estava super grávida, queimando os livros do meu pai e falando com o gerente do Banco do Brasil onde ele trabalhava, pra que não considerassem as idéias do meu pai muito “comunistas”. Ela tinha muito medo.

    Quando eu tinha uns 10 anos, e já conseguia entender um tiquinho do que acontecia ao meu redor, o Brasil estava no auge da sua ditadura militar. Lembro de ver cartazes com as fotinhas dos “procurados terroristas” nos pontos de ônibus da Encruzilhada. Lembro da música pesada, de ouvir minha mãe e meu pai falarem no Teatro Opinião e da cara de agonia das pessoas. Nesse período moramos em Imperatriz do Maranhão por um ano, e eu ouvia algo sobre aviões, Araguaia, tudo dito na surdina e com muito medo.

    Como já disse aqui, aos 14 anos, eu fui sozinha, e ainda de farda da escola, num comitê de campanha política do MDB (na Sete de Setembro) pedir panfleto pra distribuir. Apesar da eleição ser legal, era tudo meio clandestino e, em 1978, ninguém se sentia seguro pra falar em política. Fui crescendo assim, tendo respeito pelas pessoas que enfrentaram essa ditadura militar. Depois da anistia, namorei Marcelo, que tinha ficado nove anos preso político. Nove anos.

    Conheci muitos presos políticos que voltaram depois da anistia e, claro, ninguém é perfeito, muitos cometeram erros depois, alguns pecaram por arrogância, outros se desviaram de um caminho de busca por uma sociedade igualitária, mas continuo tendo respeito por eles, pelos anos de juventude que perderam, defendendo o país.

    Estou dizendo isso tudo porque acho que todos nós esquecemos da história muito fácil e é preciso resgatá-la, de vez em quando, e entender porque devemos respeito ou pelo menos crédito às pessoas que ajudaram a mudar nossa história.

    sobel_brasil.jpgComo bem lembrou Renato e muitos outros blogueiros, o rabino Henry Sobel, foi responsável por uma atitude que foi considerada um marco no começo da derrocada da ditadura militar.

    Ao ter coragem para enterrar o jornalista Wladimir Herzog (na foto acima) num local onde não poderiam, segundo a religião judaica, serem enterrados “suicidas”, o rabino fez uma declaração silenciosa de que, como todo mundo, não acreditava na tese de suicídio, mas que o jornalista tinha sido assassinado.

    Foi um ato de extrema coragem, histórico e que contribuiu mais para abrir caminho para a democracia no país do que o silêncio de milhões de brasileiros que falavam nosso idioma perfeitamente, mas não tinha coragem de arrebentar os portões militares.

    O rabino também ajudou o arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns a reunir toda a documentação da ditadura militar brasileira, que resultou na publicação do livro “Brasil: Nunca Mais”, em 1985, um outro marco na história dos direitos humanos no país, expondo fatos sobre a tortura na ditadura militar.

    Por reconhecer o que isso significou, beijarei a mão do rabino, independente de qualquer erro que cometa hoje.

    O Dudu, me sugeriu a leitura de um post, que foi o que me incentivou a escrever agora. Nele, a autora (de quem eu gosto muito, diga-se de passagem) diz:


    “Fosse o tal Rabino um negro, uma dona-de-casa, ou apenas um anônimo filho de Deus a meter a mão nessas mercadorias, não haveria bondade humana interessada em desculpá-lo. Mas, como se trata de um homem religioso, alguma explicação extra-terrena deve haver para que ele tenha, em surto, cometido o ato.”

    Não existe nenhuma “explicação extra-terrena”, nem defendemos o rabino por ele ser branco e muito menos por ele ser religioso, mas é preciso conhecer a história e levar em consideração a contribuição ao país, antes de fazer um julgamento tão “seguro” e que vai destruir sua biografia. Acho que devemos isso a ele.

    Da mesma forma, aliás, que sempre defendemos que qualquer acusado tenha um tratamento justo, isso se chama luta pelos “Direitos Humanos”, que, diga-se de passagem, costuma ser execrada por muitos dos que criticam o rabino, agora.

    Sobel e a Neurologia

    Quem leu os livros de Oliver Sacks (sou super fã, li quase tudo) sabe que existem as mais diversas e surpreendentes formas de distúrbios neurológicos, como o homem que não conseguia distinguir sua mulher de um chapéu.

    Nem precisa ir tão longe, as pessoas que têm fibromialgia (que também é um problema neurológico) e sofrem de dores pelo corpo todo e extremo cansaço, são consideradas preguiçosas. Outras que sofrem de depressão, uma reação que pode ser puramente bioquímica, são estigmatizadas.

    Quantas pessoas, antes do Mal de Alzheimer ser diagnosticado, têm seu comportamento julgado, por se tornar violento, por mentir, por se comportar de forma estranha?

    Será que não é hora de revermos todos nossos conceitos em relação às pessoas que podem estar apresentando disfunções neurológicas? ninguém está garantido contra esses problemas, e entendê-los é um primeiro passo pra não ser preconceituoso e injusto.

    “Pacientes com sinais de “transtorno de humor”, como o rabino Henry Sobel, internado no Hospital Albert Einsten, na Zona Sul de São Paulo, desde sexta-feira (30), tendem a apresentar comportamento social inesperado, como praticar pequenos furtos e até mesmo tirar a roupa em público. Segundo a neurologista Joci Ribeiro, especialista em medicina do sono do Hospital São Paulo e integrante da Academia Brasileira de Neurologia, quem sofre desse tipo de transtorno ‘perde a noção do certo e do errado’.”
    (Leia mais aqui)

    A única coisa que nós queremos é que essa possibilidade seja considerada e as pessoas, antes de ter certeza da imoralidade do rabino, lembrem o que ele fez pelo Brasil e aguardem antes de fazer um julgamento precipitado e injusto.

    Da mesma forma que as pessoas dizem que “se fosse um pobre estaria na cadeia”, me parece que existe uma certo sadismo e prazer em ver uma pessoa famosa, religiosa, que está em boa situação financeira – e é judeu – sendo acusado de ser um ladrão vagabundo.

    Eu fico impresssionada como todo mundo vira tão honesto, moralista, infalível e acima do bem e do mal, pronto pra jogar o homem na fogueira. Pra mim, nem interessa o motivo do deslize, seja qual for, por tudo que ele fez, eu continuarei respeitando o rabino.

    Sugestão de leitura:

  • Movimento Tortura Nunca mais
  • O post Poderia Ter Acontecido com Você! escrito pelo Dr. Alexandre Feldman.

    Atualização:

    Camila (e mais “Roberto”, “Carolina” e “Renata”), você deve ser muito nova na blogosfera pra não saber que quando você deixa um recado vem junto o seu IP, que é como um ID da sua conexão, portanto, deixar quatro comentários, como se fossem de quatro pessoas diferentes, é de uma ingenuidade imensa, além de falta de educação e do que fazer.

    Se você não concorda com minha opinião, basta deixar seu recado, como você fez (mesmo com o assassinato da língua portuguesa, que eu perdôo), mas querer forçar a barra, porque não encontra ninguém, aqui, que escreva as coisas no mesmo nível seu, aí é demais.

    Comporte-se e aprenda a respeitar a opinião dos outros.

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    Você é beijoqueir@?

    Denise | Comportamento | Monday, 12 March 2007

    beijo

    Eu sou muito beijoqueira, chameguenta, gosto de ficar abraçadinha, na cama, no sofá, no cinema, na escada rolante, no elevador, no metrô, na rua, onde estiver, se não for uma ocasião especial, de trabalho, não tenho hora pra beijar…

    Ted, americano, que foi casado com uma sueca por 20 anos, nunca ganhou tanto beijo na vida. Sem exagero, ele diz que se juntar todos os beijos que ganhou na vida até me conhecer (e olha que ele já tinha quase 50 anos), não é a mesma quantidade de todos os beijos que eu dei nesses anos em que estamos juntos… hehehehe.. e claro que ele ADORA!

    Como não somos mais jovenzinhos, às vezes tem uns olhares atravessados (mas, quase sempre, não prestamos atenção em olhar nenhum). Uma vez num supermercado aqui no Sul dos EUA uma senhora soltou um “get a room” (algo como procurem um quarto!) e, depois do choque inicial, morremos de rir.

    Às vezes saimos com amigos e ficamos de mãos dadas no restaurante, damos beijinhos, e percebemos que NINGUÉM faz isso, acho tão estranho…

    Acho que as pessoas não estão muito acostumadas a ver pessoas maduras apaixonadas e beijoqueiras… deve ter quem acha de uma pieguice enjoativa, mas imagina se vou ligar pra isso, que achem… eu quero é beijar rmuito!!!

    E já tivemos também muitos olhares de aprovação do tipo “quero ser assim quando crescer”.

    Enfim, tava aqui pensando se isso é coisa de brasileira, de latinos… vocês também beijam muito? encanam com demonstrações de afeto público? acham que ninguém se incomoda com essa beijação, no Brasil? como é no país em que vivem? tá liberado? conta aí pra gente, que eu tô curiosa…

    Disclaimer: eu sei, parecem estereótipos preconceituosos, mas vivi na Suécia e sei que o povo por lá é mais tímido, não vou dizer frio, mas tímido. E tenho a impressão que no Brasil temos mais demonstrações calorosas de afeto em público, mas posso estar errada, perdoem-me a generalização.

    Fotografia: a manjadíssima Le Baiser de l’Hotel de Ville, Paris, 1950 de Robert Doisneau.

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    Ainda sobre Madonna e a onda de “adoção étnica”

    Denise | Celebridades,Comportamento | Friday, 27 October 2006

    madonna_oprah.jpgEntrevista de Madonna

    Acabei de ver, no You Tube, a entrevista de Madonna no programa da apresentadora Oprah. Quem acompanha o blog sabe que sempre adorei Madonna, mas não tem jeito, essa história não me convence.

    Ela parecia nervosa, entendo que deve estar surpresa com tanta polêmica, mas chamou as crianças de “candidatos” (à adoção), tentou justificar, rapidamente, que é assim que eles são chamados, mas não adianta, pegou mal.

    Tinha mais alguma coisa que estava me incomodando e eu ainda não tinha percebido o que era. Na entrevista, eu entendi. Quanto mais Madonna fala, pior fica. Na minha opinião, a adoção não pode ser um ato de caridade, não se adota uma criança para “salvá-la”, para que ela não morra antes dos cinco anos. Adota-se porque se quer um filho ou filha, não é um ato de generosidade, é uma troca, uma coisa extremamente privada e que diz respeito apenas à familia.

    Acho que a diferença entre a atriz Angelina Jolie e Madonna é que Angelina tratou da doação como algo totalmente privado e até parou de falar com o pai, porque ele divulgou a adoção de Maddox à imprensa. A gente a vê falando da Africa, do seu trabalho com a ONU, mas não mistura isso com a sua vida familiar.

    A impressão que a gente tem é que a cantora está usando a adoção como parte do seu marketing da tal ONG Raising Malawi (o nome, por si já é arrogante, algo como “criando o Malawi”), Na entrevista com Oprah, ela diz que foi aconselhada a adotar uma criança em outro país, que seria mais simples, mas ela “já tinha investido muito” no “Raising malawi”, por isso, queria a criança desse país

    A essa altura, devolver David não me parece uma opção, mas só nos resta torcer muito pra essa criança ser feliz na terra da rainha, mas, francamente, as perspectivas não parecem as melhores.

    Entrevista de Madonna em Oprah:

  • Parte 1
  • Parte 2
  • Parte 3

    lemnsissay.jpg“Crescendo em um
    ambiente alienígeno”

    Pulando de um link para outro, eu tive a sorte de parar num belo depoimento dado pelo poeta e escritor etíope Lemn Sissay, de 39 anos, que conta à BBC News sua experiência de criança africana, adotada por pais ingleses.

    “Quando alguém tira a criança da sua cultura nativa, em si isso já é um ato de agressão. As pessoas dirão, sempre, amor é tudo o que você precisa. Mas, isso não é verdade. Amor sem compreensão é uma coisa perigosa”.

    Sissay foi criado por uma família branca, no norte da Inglaterra. Sua mãe biológica veio, com ele, da Etiópia em 1967 e, com dificuldades financeiras, teve de entregá-lo para “adoção temporária”. Ele acabou ficando com seus pais adotivos por 11 anos.

    O escritor conta que, até os 17 anos, nunca tinha conhecido uma pessoa negra. Somente aos nove anos de idade, teve um pente especifico pro seu cabelo “afro”, até então, sua mãe usava um pente de metal, que feria sua cabeça. Nesse mesmo ano, os pais procuraram ajuda médica porque não entendiam como seu joelho estava ficando “acinzentado”. ”

    “Minha vida era um pouco como um experimento. Como qualquer pessoa olhando para trás sentiria sobre crescer em um ambiente ‘alienígeno’ – o qual o trata como um ‘alien’”.

    Sua mãe costumava dizer “Não olhe para mim com esses enormes olhos castanhos”. Certamente, diz ele, ela não fazia isso negativamente, mas ele cresceu “com medo dos próprios olhos”.

    Como seus pais eram muito religiosos, achavam que não tinha escolhido cuidar dele, mas que Deus havia decidido por eles. Lemn Sissay diz que sempre se sentiu perdido e muito confuso, buscando respostas.

    Aos 11 anos, ele foi devolvido aos cuidados do Estado. Ele tinha se tornado um “cavalo de tróia” que simbolizava tudo de demoníaco. Diziam que ele tinha trazido próprio demônio pra sua casa.

    Ele acredita que a verdadeira razão foi que eles tinham adotado outra criança, e estavam tendo dificuldades finaceiras para sustentar toda familia. Disseram que não iriam escrever e nem vê-lo novamente, mas ele sempre achou que um dia voltaria.

    _42197292_lemn1967_203.jpg

    “Para pais de paises industrializados, que querem adotar uma criança, eu diria que dinheiro não é tudo. Riqueza não interessa. Não me diga que você está adotando uma criança para possibilitar a ela uma vida melhor. A criança vai ficar lhe devendo algo? o quê? vcocê vai esperar que ela lhe pague, de volta, com emoções?”

    E acrescenta, sabiamente:

    “Sua visão de outras culturas e do quanto elas são pobres é a sua visão – isso mostra mais sobre você, do que sobre o lugar onde você está indo para buscar uma adoção.

    Você quer uma criança porque você quer uma vida melhor para você mesmo(a)?”

    Eu não estou invalidando o amor que você quer dar, mas estou colocando os interesses da criança em primeiro lugar.

    Compreenda que é a sua própria experiência que leva você a querer tirar uma criança da sua própria cultura e mostrar essa criança como sua, em um ambiente alienígena”.

    Bonito e dá o que pensar, hein?! não estou afirmando que é o caso de Madonna, apesar de que, me parece que a situação ali é bem complicada. Mas, é muito interessante ver esse tipo de adoção com os olhos de quem viveu esse choque cultural. Como ele diz, ser adotado por uma familia que tem dinheiro não é tudo mesmo.

    Continuando a discussão, que está interessantissima (loooooooooooongo):

    madona_filhotes.jpgSe tiver um tempinho (e interesse), não deixe de dar uma olhada nos comentários a esse post, que estão muito bons. Mas, como nem todo mudo lê os comentários, vou desenvolver um pouco mais o assunto, por aqui, explicando melhor a minha opinião sobre o assunto:

  • Eu adoro Madonna. Adoro suas músicas e a estética, acho que foi até revolucionária, em alguns sentidos, 20 anos atrás. Mas, a essa altura, a cantora está virando vítima do seu próprio mergulho numa egotrip sem fim.

    Não estou dizendo que ela não tem boas intenções com essa adoção, não. Acho que peguei pesado quando falei em “jogada de marketing”, na verdade, nem acho que seja algo intencional, mas, parece que a vida de Madonna se transformou numa “grande jogada de marketing” e ela não consegue mais separar as coisas.

    Ir pra um país africano paupérrimo, dançar com a mulherada, sair pulando pra todo lado com a criança nas costas, é o pior começo que posso imaginar para a adoção, porque ela fez um circo (não foi a imprensa que fez, ela apenas regsitrou) e o que está acontecendo, agora, é a consequência disso.

  • Adotar para ajudar. Juro que tentei parar um pouco e ver isso de outra forma. Posso estar errada, mas não tem jeito, ninguém conseguiu me convencer. Acho feio, acho de mau gosto, e acho péssimo pra criança, essas pessoas que adotam dizendo que o fizeram porque queriam “ajudar uma criança pobre”.

    Eu tenho uma amiga que nem é das mais preocupadas em parecer correta (muito pelo contrário), nem em se expressar da melhor forma, mas que sempre teve uma posição que eu admirava muito em relação à história da criança que ela adotou.

    O menininho foi encontrado em situação de extrema pobreza, sabemos disso apenas porque vivíamos perto, quando tudo aconteceu. Ela conseguiu fazer a a adoção e o menino já tá bem grandinho, hoje, é uma coisa linda e muito feliz. Mas, nunca ouvi da boca dessa amiga nada do tipo “queria ajudar esse menino”, “queria salvá-lo porque o futuro dele seria o pior possível”. Ele era o filho dela. Ponto.

    Talvez todos nós pensássemos isso, mas verbalizar que você vai adotar pra ajudar a criança me parece uma postura perigosa para o futuro. Como a criança vai se sentir? como disse o escritor aí acima, a criança terá que ser “grata” pelo gesto? acho que todos filhos biológicos ou adotados devem ter alguma gratidão pelos esforços dos pais, mas isso deve vir no mesmo nível, senão a criança adotada cresce ainda mais confusa, mas devedora e, afinal, a adoção foi uma escolha dos pais que, teoricamente, lhes trouxe muita felicidade também.

    Enfim, na minha opinião, caridade é motivo pra doação de tempo e dinheiro, não pra adoção de uma criança, que é um ato muito complexo, que envolve a vida de outra pessoa e não pode ser visto (e MUITO MENOS dito) como um ato de generosidade, até porque o que existe de gente vaidosa da sua “generosidade”, não é brincadeira. E aí, por melhores que tenham sido as intenções, passa a ser um ato egoísta.

  • Mas, como disse no post anterior, sobre o tema, nem é a adoção que me incomoda mais, quanto a isso, só podemos torcer para o menino ser muito amado e para que ela e a família tenham equilíbrio para criá-lo bem. Mas, ainda pior, eu acho o tal do orfanato criado por Madonna, que se chama “Raising Malawi”.

    Como já disse, “raising” significa criar (no sentido de nutrir, cuidar), mas a Melissinha me lembrou que também pode ser “elevar, erguer”. Eu conheço o conceito e nem citei esse, antes, para não pegar ainda mais pesado, já que me parece ainda pior.

    Acho de uma arrogância impressionante você entrar num país e criar uma organização que se autodenomina dessa forma. Imagina um americano ir pra uma favela no Nordeste brasileiro e criar uma instituição que tenha como nome algo como “Levantando o Brasil”, francamente, não é horrível?!

    Mas é que quando se fala em Africa (ou pessoas paupérrimas), acho que a gente tem a tendência a achar que qualquer ajuda que vier é boa, já que eles estão são miseráveis, mas nos meus 15 anos de experiência nas comunidades, vi ações “generosas” tornarem a situação muito pior do que o que existia antes.

    Acho louvável a intenção de Madonna “ajudar” a Africa, mas ela está sendo mais criticada do que outras celebridades – como Angelina Jolie, Brad Pitt, George Clooney, Nicole Kidman – não por ser Madonna (até pensei que, no caso da adoção pesava um preconceito contra seu “passado sexual”) mas, porque ela escolheu a pior forma de fazer isso, a mais personalista.

    Todos esses artistas se promoveram, claro, mas o fizeram de forma mais responsável, através da contribuição com um órgão reconhecido e respeitado (a ONU) e sempre tiveram cuidado para não “parecer” que estavam se promovendo. Madonna, por ser Madonna, tinha que criar seu proprio orfanato e impor as suas idéias no país.

    Sempre admirei Madonna, mas não posso deixar de me chocar com todas as besteiras que ela anda fazendo, dessa vez envolvendo muita gente, de verdade, não apenas com a provocação de uma crucificação no palco.

  • Por fim, não acho que dinheiro e amor sejam suficientes, quando se fala em adoção de crianças por pessoas de diferentes etnias. É preciso, também, muita maturidade, muito juízo, muito bom senso para compreender e saber lidar não apenas com a reação das outras pessoas em relação à familia multi-racial, mas também com as diferenças culturais que vão existir dentro de casa, sem isso, por mais amor que se tenha, a criança vai continuar se sentindo um “alien” naquela sociedade.
  • Ah e pra terminar, nem sempre a miséria é a miséria que vemos com nossos olhos. Vi muita criança feliz, nas favelas, crianças com pais que não tinham nenhuma renda, vivendo em condições miseráveis, sem saneamento básico, sem comida… é difícil a gente ver os outros com seus próprios olhos. Não estou dizendo que a miséria é aceitável, de jeito nenhum, mas que nem sempre tirar as crianças dos seus países é a melhor opção para elas.

    Se é pra ajudar, existem outras formas muito mais eficientes e generosas que a adoção.

    Leia mais:

  • Uma virada imprevista: o”fim” da adoção internacional no Brasil
  • Madonna se supreendeu com polêmica da adoção
  • Se gostar, compartilhe:

    O desapontamento da Blogueira Astronauta

    Denise | Ciências,Comportamento,Feminismo | Tuesday, 03 October 2006

    Anousheh Ansari


    “Foi preciso esperar 45 anos para que uma mulher civil subisse ao espaço, munida de uma ferramenta de publicação instantânea como o blog, para poder compartilhar, através de palavras simples e sinceras, o verdadeiro sentimento do mundo”Ricardo Anderáos

    Mas, aparentemente, é mais fácil fazer uma viagem espacial do que aturar as grosserias e frustrações que pululam na blogosfera. Vou contar uma histórinha muito interessante sobre isso…

    Anousheh Ansari, iraniana, vivendo no Texas, 40 anos, acaba de se tornar a primeira mulher a ir até a Estação Espacial Internacional (ISS), pagando do próprio bolso. Também foi a primeira iraniana a fazer uma viagem espacial privada e a primeira mulher muçulmana no espaço.

    Numa coletiva à imprensa, em Zvyozdnyi gorodok, Russia, Ansari disse esperar que mulheres e meninas das mais remotas partes do mundo ouçam falar sobre seu vôo espacial e acrescenta que “em muitos países, mulheres não são encorajadas a seguir carreiras em Ciência e Tecnologia, mas elas deveriam escolher o que realmente querem fazer e seguir seus sonhos”.

    Desde criança, Anousheh Ansari já era apaixonada por ciências e o espaço. Após a revolução conservadora iraniana, seus pais decidiram mudar para os EUA, para que ela, na época com 16 anos e sem falar uma palavra de inglês, pudesse se dedicar aos estudos na área. A astronauta se formou em Engenharia da Computação e Eletrônica, virou mestra em Engenharia Elétrica e agora está fazendo outro mestrado em Astronomia.

    Quando saiu da faculdade, convenceu o marido e o cunhado a usar todas as economias e resgatar os fundos de aposentadoria, para fundar, com ela, a Telecom Technologies, Inc.. Era um momento de explosão das telecomunicações nos EUA, ela sabia o que fazer, registrou patentes e eles ficaram milionários.

    ansari3.jpgNa liderança da Telecom, ganhou vários prêmios. Depois, vendeu a empresa por 550 milhões de dólares e, entre outras coisas, vem investindo em apoio a ONGs que promovem a ciência, exploração espacial e educação de meninas, como a Ashoka.

    Pois bem, como se não fosse pouco, mais um pioneirismo dessa mulher interessantíssima foi escrever um blog lá das estrelas.

    Não é a primeira vez que um blog é escrito do espaço, antes dela, outras oito pessoas já fizeram isso. Mas foi a primeira vez que se abriu a caixa de comentários e que os posts foram escritos com a sensibilidade dessa mulher que foi contando o que acontecia nos 10 dias em que esteve no ar, de forma compreensível e agradável, sem jargões técnicos.

    No dia 21, três dias depois do lançamento da nave espacial, ela faz um post contando como foi o dia do “embarque”. Conta que tomou café, ligou pra avó e assinou seu nome na parede do quarto, do lado do nome do “primeiro astronauta brasileiro, Mario Pontes” e dá detalhes engraçados dos últimos minutos antes de entrar no foguete:

    “Aí fomos acompanhados de volta ao ônibus, enquanto acenávamos para a multidão e os repórteres. A próxima tradição foi uma parada para os garotos fazerem xixi ;-) isso, aparentemente, também é uma tradição iniciada por Gagarin, que continua, hoje… felizmente, fui dispensada desse ‘exercício’ e pude apenas participar mentalmente”.

    Continua, falando sobre suas primeiras reações no espaço:

    Finalmente pude olhar para fora e ver a Terra pela primeira vez. Lágrimas rolaram pelo meu rosto. Minha respiração ficou descompassada. Só de pensar nesse momento me enche novamente de lágrimas. Aqui está esse lindo planeta girando graciosamente ao redor de si mesmo, sob o calor dos raios do Sol. Tão pacífico, tão cheio de vida, sem sinais de guerras, sem sinais de fronteiras, sem sinais de problemas, apenas pura beleza.

    Como eu gostaria que todas as pessoas pudessem experimentar esses sentimentos em seu coração, especialmente aqueles que estão à frente dos governos em nosso planeta. Talvez essa experiência desse a eles uma nova perspectiva e ajudasse a trazer paz ao nosso mundo.

    Acho que por ora é suficiente. Vou contar o que está acontecendo aqui em cima na próxima nota. Estou com fome de comida espacial, falo novamente com vocês na próxima órbita. Estamos sobrevoando o Oceano Pacífico e nos aproximando do México.

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    Apesar da imprensa ter tentado transformá-la em uma fútil “turista espacial”, ridicularizando seu comentário sobre o cheiro do laboratório na órbita (“era estranho… algo como biscoito de amêndoas queimado”), Ansari é uma cientista, com mestrado em engenharia e que fez fortuna em telecomunicações, graças à sua competência técnica e de administradora.

    Ainda assim, ela não teve medo de se expor em seu blog e escrever mostrando suas vulnerabilidades, suas emoções e seu deslumbramento com as pequenas coisas que também fazem a viagem espacial. Graças à sua forma coloquial e pessoal de escrever, acabamos nos interessando por um tema que é, muitas vezes, árduo demais, e esse era seu objetivo, como deveria ser o de qualquer boa(bom) blogueira(o)!

    Talvez por ter simpatizado tanto com tudo que ela escreveu, me senti ainda mais solidária e triste ao ler seu último post, publicado ontem, já depois de sua volta à terra (na última sexta-feira) e que tem o título: “Não consegui Dormir”… bem vinda à blogosfera, fia…

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    Ela diz:

    “Eu ainda não escrevi no blog, sobre a última parte da minha viagem porque me distrai lendo todos os comentários postados. Eu estava recebendo apenas alguns deles, mais encorajadores, por email, quando estava em órbita, mas não tinha tido oportunidade de ler tudo.

    Quando comecei a lê-los, ia de feliz e orgulhosa, a triste, chorando por me sentir tão desapontada e magoada… tem sido uma montanha russa emocional para mim e isso é exaustivo…

    Os que me conhecem dizem que eu tenho as emoções na cara. Eu não sei como fingir e, como alguns de vocês podem ver, pelo que eu escrevo, eu falo direto do coração… (…)

    Quando eu decidi compartilhar minha experiência, para ser honesta com vocês, eu nunca esperei ter a atenção que o blog tem recebido. Eu não sou uma escritora profissional e tenho um vocabulário limitado, mas sabia que pooderia fazer o melhor possível. (….)

    Bom, o blog tem muito sucesso e com o sucesso, vem o julgamento e escrutínio. Eu acho que tudo isso é bom Eu acredito que as pessoas têm direito de dar sua opinião e as ouço e tento ver seu ponto de vista. Mas eu tenho uma fraqueza. Eu não consigo suportar alguém com raiva de mim. Isso me incomoda por dentro… Eu sei que não posso fazer todo mundo feliz… mas isso nunca me impediu de continuar tentando (…)

    Eu não vou entrar num diálogo ‘um-a-um’ para tentar convencê-los a ver as coisas do meu jeito. Eu sempre acreditei que o que conta, no final do dia, são os resultados. Não estou fazendo isso para ganhar popularidade e aprovação. (…)

    Eu vou continuar meu blog por enquanto, até que eu me sinta exaurida demais pela negatividade, para poder escrever… “

    Impressionante o quanto os vampiros emocionais da blogosfera estão por toda parte. Pessoas que vivem de sugar a energia dos que estão produzindo, escrevendo, compartilhando. Tem todo tipo de gente circulando pelas blogosfera. Mas um tipo comum é aquele que não tem coragem pra “peitar” o marido (ou a esposa), @ chefe, os vizinhos, a família, e vem descarregar suas neuroses anonimamente em nossos blogs.

    Nem uma blogueira escrevendo lá do espaço escapa, quanto mais eu, aqui do meu bloguinho… por isso, decidi que, a partir de agora, os comentários passarão a ser, permanentemente, moderados. Abaixo vampiros, trolls, imbecis e invejosos… que vão sugar energia em outros lugares…

    Complementando – sobre o machismo da imprensa

    ansari6.jpgOs comentários de vocês estão interessantíssimos, vou comentá-los, assim que tiver um tempinho.

    Eu não tinha visto nada sobre ela, na semana passada, porque estava em Seattle. Não vi televisão, nem li jornais todos os dias, mas quando me deparei com as notícias sobre Anousheh Ansari, ontem à noite, fiquei boba com o machismo ridículo como tudo era apresentado.

    Impressionante o disparate do que se falou na imprensa e a história dela, como uma mulher imigrante (em sua roupa espacial tinha as bandeiras do Irã e EUA), batalhadora, que conseguiu tanto sucesso com seu próprio esforço e que tem, como objetivo, o estímulo das mulheres e meninas para que considerem carreiras nas áreas de ciências e tecnologia e exploração espacial. A relação de Ansari com a Ashoka (veja o site da instituição, em Português), é sua melhor referência, pra mim.

    Perdemos uma excelente oportunidade de ter esse aspecto de incentivo às mulheres e jovens para a Ciência ressaltado, ao invés, o que se viu foi um festival de bobagem machistóide. Posso apostar que ali tinha muito preconceito não apenas por ser mulher, mas uma mulher imigrante iraniana (considerada cafona pelos padrões americanos), bonita e que resolveu expor sua experiência de uma forma compreensível e emocional.

    Li, em algum lugar, um homem dizendo que há 25 anos acompanha os relatos de pessoas que vão ao espaço e só agora teve a sensação de entender um pouco mais o que é essa viagem, graças à forma que ela descreveu em seu blog. Mas, os jornais preferem ridicularizá-la, pinçando trechos do blog, como quando explica como se lava o cabelo), como se isso fosse a única coisa que a preocupasse na viagem espacial.

    Pra fechar, a CNN diz que Ansari não teve permissão de levar maquiagem mas, na opinião dos seus colegas, mesmo sem “cosméticos decorativos” ela é muito atraente e fotogênica. Sei… alguém já viu a imprensa “séria” comentar os atributos físicos de algum dos homens que fez uma viagem espacial?!

    Veja Também:

  • Site Oficial de Anousheh Ansari
  • A Terra é azul
  • Boldly sledding on the far side
  • Tourist’s blog gives taste of outer space
  • Space Blog Inspires Thousands
  • Blogs in space another first for Soyuz tourist
  • U.S.: Iranian-American To Be First Female Civilian In Space
  • Vale a pena dar uma espiada no Flickr da astronauta.

    PS.: Aviso logo, antes que joguem pedras, que a tradução é tosca, feita às 3 da manhã, mas o suficiente pra vocês entenderem do que eu esotu falando…

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