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    Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Midiática

    Denise | Campanhas Publicitárias,Cidadania,Velha Midia | Monday, 23 May 2011

    Muito bom. Leiam, reflitam e compartilhem, querid@s.

    O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

    1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

    O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

    2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

    Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

    3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

    Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

    4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

    Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

    5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

    A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

    6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

    Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

    7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

    Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

    8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

    Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

    9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

    Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

    10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

    No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

    Fonte: http://www.institutojoaogoulart.org Via: ongCEA

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    Índios Guarani-Kaiowá pedem ajuda

    Denise | Cidadania | Friday, 11 April 2008

    guaranik.jpg


    Excelentíssimo Presidente,

    Estou muito preocupado com a situaçao dos mais de 27500 indígenas Guarani-Kaiowá que habitam o Estado do Mato Grosso do Sul. Estima-se que no estado a desnutrição afeta pelo menos 600 crianças indígenas. Na região de Amambai há 180 crianças com problemas severos decorrentes da insuficiência na alimentação.

    Nos últimos três anos mais de 53 crianças indígenas morreram por desnutrição. Somente no ano de 2007, 43 Guaranis foram assassinados e outros cometeram suicídio, e muitos tornaram-se vítimas de alcoolismo.

    Na raiz desta situação está a omissão do Governo Federal Brasileiro que não garante que a FUNAI realize o trabalho de identificação e demarcação das terras indígena, não elabora políticas públicas voltadas para esta população, não protege adequadamente aos povos indígenas contra a violência, discriminação e criminalização de suas lideranças, e não garantia de acesso aos territórios tradicionais dos povos indígenas, conforme o que está previsto na Constituicão federal.

    As matas, onde os Guaraní-Kaiowà podiam coletar alimentos como as frutas, o mel, caça, pescado e a matéria-prima para fazerem suas casas e utensílios., foram roubadas e destruídas por fazendeiros Esta situação será agravada com a implantação das 30 usinas de cana de açúcar previstas para aquele Estado nos próximos três anos.

    O Brasil como Estado Parte de Pactos Inter-nacionais de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) da Convenção Americana sobre Derechos Humanos, do Protocolo de San Salvador e do Convênio 169 da OIT, assumiu compromissos no âmbito do direito internacional de proteger e respeitar os direitos à terra, à alimentação, à água e em especial à vida das famílias indígenas.

    Portanto solicito respeitosamente que Vossas Excelências adotem medidas garantindo que:

    • A FUNAI faça com extrema urgência a identificação e delimitação de todas as terras Indígenas do Mato Grosso do Sul conforme previsto no CAC, referente ao Procedimento Administrativo MPF/RPM/DRS/MS 1.21.001000065/2007-44. Após o processo de identificação e delimitação que sejam imediatamente homologadas as terras pelo Ministério da Justiça.

    • Seja implementado uma política, a médio e longo prazo, de recuperação ambiental das áreas devastadas, na perspectiva de recompor as condições básicas do modo de ser e de viver dos povos Guarani-Kaiowá, garantindo-se o direito a se alimentar..
    • Enquanto este processo é desenvolvido a alimentação dos povos indígenas deve ser garantida por distribuição regular de cestas básicas que respeitem a cultura alimentar destes povos ou por outros programas que garantam a alimentação adequada.
    • Sejam investigados, com agilidade, os crimes cometidos contra os indígenas, e punidos os responsáveis.
    • Os Guarani-Kaiowás sejam protegidos contra práticas de criminalização de sua luta pela terra e por seus direitos em geral.
      Por favor, mantenha-me informado das medidas que forem tomadas.

      Respeitosamente

      [Sua assinatura]

    ___________________________________________

    A gente se preocupa com os monges do Tibet, com as mulheres queimadas na India, com a mutilação genital africana e será que a gente lembra o suficiente dos nossos índios?

    Peguei a carta no site da FIAN, via Roseane.

    Se se interessar pela questão e quiser ajudar, basta ir nessa página aqui, colocar seus dados e clicar na carta que você deseja mandar (logo abaixo), uma página com a carta já com seus dados aparecerá e você pode imprimir e enviar para os seguintes endereços:

    Luiz Inácio Lula da Silva
    Presidente do Brasil
    Praça dos Três Poderes, Palácio do Planalto – 3º andar
    Brasília – DF – 70150-900

    Patrus Ananias
    Ministro da Desenvolvimento Sicial e Combate à Fome
    Esplanada dos Ministérios, Bloco C – 5° andar
    Brasília – DF – 70046-900

    Paulo Vanucchi
    Secretário Especial dos Direitos Humanos
    Esplanada dos Ministérios, Edifício Sede do Mistério da Justiça
    Brasília – DF – 70064-900

    Tarso Genro
    Ministro da Justiça
    Esplanada dos Ministérios, Bloco T – Edifício Sede
    Brasília – DF – 70064-900

    Confesso que, num mundo digital, o processo parece muito longo e complicado… quem manda carta hoje em dia? Roseane, não daria pra Fian criar um formulário de envio de email automatico, com esses dados, não? quem ainda vai ao correio, hoje em dia? :-(

    Foto: (Andre Penner/AP Photo)

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    Pai de Ayrton Senna é acusado de trabalho escravo na Bahia

    Denise | Cidadania | Thursday, 21 February 2008

    trabalho_escravo_revista.jpg

    De: Thiago Reis (Agência Folha)

    O pai do tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna (que morreu em 1994), Milton Guirado da Silva, é acusado pelo Ministério Público do Trabalho de ter mantido em sua propriedade em Barreiras (BA) trabalhadores em condições análogas à escravidão.

    Silva e os sócios respondem a duas ações civis públicas que pedem indenização para 82 trabalhadores libertados, em ação do grupo móvel do Ministério do Trabalho em fevereiro e março do ano passado, da fazenda Campo Aberto.

    Só agora, um ano depois, as ações devem ser julgadas. Uma delas pede R$ 600 mil “como reparação genérica da lesão causada aos trabalhadores”, que, de acordo com os fiscais, eram submetidos a trabalho degradante.

    Durante a ação dos fiscais, foram lavrados 29 autos de infração. Foram constatadas irregularidades como manutenção de empregados sem registro, falta de descanso semanal de 24 horas consecutivas e de intervalo de uma hora para alimentação, alojamentos sem portas e janelas e local de refeição sem água potável e condições higiênicas.

    “Além de todo quadro de degradação no que atine às exigências no campo da saúde do trabalhador, toda sorte de fraudes na contratação e no curso da contratualidade, com graves lesões aos trabalhadores, ainda presente, no caso, situação de negação do sagrado direito à liberdade”, diz a ação. Leia mais aqui.

    Agora, a minha pergunta é… e a Viviane Senna, com seu famoso Instituto Senna, dando cursos de “Desenvolvimento Humano para Jornalistas”, não sabia de nada?

    Dei uma pesquisada e vi que outras pessoas também lembraram do Instituto Ayrton Senna, como Lúcio Lambranho, no artigo Acusação de trabalho escravo contra pai de Senna. Segundo ele, Leonardo Senna, irmão de Viviane Senna, presidente da ONG criada em 1994, em entrevista à revista Dinheiro Rural em janeiro de 2006, disse:


    “Nós, que defendemos práticas socialmente eficazes na Fundação Ayrton Senna, não podemos deixar de dar o exemplo em nossas empresas”,.

    Pelo menos nisso, nós concordamos.

    ____________________

    Com essa novela horrorosa falando sobre a ONG “da condessa”, deve ter gente entendendo cada vez menos o que uma ONG séria é. A melhor referência, na minha opinião, é o site da ABONG. Mais recentemente, foi criado o Portal das Plataformas Nacionais de ONGs, em quatro idiomas.

    Nesses aí, eu confio.

    Fotos: Campanha contra trabalho escravo da OIT – Brasil.

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    Vocês têm uma boa idéia de trabalho social?

    Denise | Cidadania | Wednesday, 05 December 2007

    brazilfoundation.jpg

    Seleção de Projetos da BrazilFoundation

    O Processo de Seleção da BrazilFoundation busca identificar iniciativas sociais nas áreas de educação, saúde, direitos humanos, cidadania e cultura. Está aberto a todas as organizações de direito privado, interesse público e sem fins econômicos, de todas as regiões do país, que atendam aos objetivos e critérios da BrazilFoundation.

    Critérios para seleção de projetos:

    As propostas serão avaliadas de acordo com os seguintes critérios de seleção:

  • Alinhamento da proposta apresentada com a missão da instituição proponente;
  • Comprovada capacidade técnica e operacional da instituição de desenvolver o projeto proposto;
  • Adequação da intervenção social proposta às necessidades impostas pela realidade social da comunidade ou público diretamente beneficiado;
  • Apresentação de abordagens diferenciadas em relação a outras iniciativas da mesma área de atuação em seu estado ou região;
  • Implantação de um modelo de atuação eficaz que possa gerar mudanças sociais e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade ou do público diretamente beneficiado;
  • Apresentação de uma estratégia clara de continuidade do trabalho.
  • Legitimidade da instituição em sua área de atuação.

    Sobre o Financiamento:

    A BrazilFoundation oferece apoio financeiro de até R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) durante um ano. A doação será feita em Reais (R$) e em duas parcelas. Os orçamentos deverão ser discriminados em Reais (R$) na planilha anexa ao Formulário. Não serão aceitas propostas com orçamentos preenchidos em outro modelo de planilha, contudo, detalhamentos em planilhas auxiliares poderão ser acrescentados caso seja julgado necessário. Apenas serão aceitas propostas com orçamentos dentro do limite estabelecido pela BrazilFoundation (R$ 25.000,00).

    Prazos

    Data limite para postagem de projetos: 14 de dezembro de 2007.
    Divulgação dos projetos finalistas: 28 de abril de 2008.
    Divulgação dos projetos aprovados: 28 de julho de 2008.
    Repasse da 1ª parcela dos recursos: Agosto de 2008.

    Site para ler o edital completo e copiar os formulários para preenchimento e envio:

    BrazilFoundation

    Dúvidas

    Telefone (21) 2532-3029 às terças e quintas-feiras, das 14 às 18 horas.

    Petrobras abre inscrições para projetos sociais

    petrobras.jpg

    Até 11 de janeiro de 2008 estarão abertas as inscrições de projetos sociais no processo de seleção pública do programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras 2008. Serão destinados R$ 27 milhões no total e cada instituição poderá solicitar até R$ 690 mil para implantação e desenvolvimento do projeto pelo período de um ano, possibilidade de estender o apoio por até 24 meses.

    Serão aceitos projetos sob responsabilidade de organismos governamentais, não governamentais e comunitários, legalmente constituídos no Brasil e que atuem no Terceiro Setor.

    Cada organização poderá inscrever até três projetos, mas só poderá ser contemplada em um. Poderão candidatar-se propostas em andamento ou em fase de planejamento, que tenham como foco uma das seguintes linhas de atuação:

  • Geração de Renda e Oportunidade de Trabalho;
  • Educação para a Qualificação Profissional;
  • Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente.

    Dentro dessas linhas de atuação, os critérios de seleção vão considerar quatro temas transversais:

  • gênero,
  • igualdade racial,
  • pessoas com deficiência,
  • pescadores e outros povos e comunidades tradicionais.

    No site Desenvolvimento & Cidadania, as instituições têm acesso ao passo-a-passo para elaboração do(s) projeto(s) e às inscrições, que são gratuitas.

    O envio do material deve ser feito em um volume único lacrado, contendo quatro vias encadernadas separadamente em formato A4, acompanhados dos sumários dos formulários de inscrição e demais documentos requeridos. O encaminhamento por via postal deve ser feito por correspondência registrada e com aviso de recebimento, segundo normas dos Correios, para: Caixa Postal 29143 – CEP: 20540-970.

    A divulgação pública dos resultados do processo seletivo será feita até o final do mês de maio de 2008, pela imprensa e pela internet, no mesmo endereço eletrônico. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 0800-789001.

    Fonte: RITS

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    GAP, NUNCA MAIS!

    Denise | Cidadania | Friday, 02 November 2007

    gap_right.jpg

    Vocês devem ter ouvido falar sobre um relatório publicado no Observer, jornal inglês, há alguns dias, que denunciou o uso, não só de trabalho infantil, mas trabalho infantil escravo, na India, pela descolada GAP.

    As crianças, algumas com 10 anos de idade, eram marcadas com uma tatuagem, como gado, forçadas a trabalhar até 19 horas por dia, alimentadas por um arroz coberto de mosquitos, vivendo em meio a esgotos e usando latrinas entupidas. Os que trabalhavam mais lentamente, exaustos, apanhavam com um tubo de borracha, e se chorassem tinha um pedaço de tecido plastificado enfiado na boca…

    Uma das crianças disse ao Observer: “Nossas horas de trabalho são duras e a violência é usada contra nós, se a gente não trabalha forçado o suficiente. Tem um grande pedido de fora do país, eles ficam dizendo isso pra gente. Semana passada, nós passamos quatro dias trabalhando do amanhecer até uma da manhã do dia seguinte. Eu estava tão cansado que me sentia doente”

    gap_dotheredthing.jpgIronicamente, a tal encomenda era para a GAP Kids, uma coleção de roupas para crianças bordadas, que seriam vendida nos EUA e Europa, antes do natal (a GAP diz que destruiu todas). Ou seja, pra saciar a desejo desenfreado de consumo de produtos bons e baratos no fim do ano, no chamado primeiro Mundo, as crianças indianas pagavam caro.

    Segundo ativistas, podem ser mais de 55 milhões de crianças trabalhando na India e 20% da economia do país dependeria de crianças menores de 14 anos.

    Isso me lembrou o que li, dia desses, no blog da Isabella, sobre o quanto algumas coisas são incrivelmente baratas por aqui. É verdade. Depois que comecei a fazer minhas bolsas passei a prestar mais atenção nos preços e é impressionante como é possível vender uma bolsa de couro, toda trabalhada, cheia de detalhes por 20 dólares. Parece impossível.

    Da mesma forma que os americanos estão se conscientizando em relação aos custos de saúde pras suas próprias crianças dos brinquedos chineses, tá na hora deles (e de todos nós) entenderem que não existe mágica, as coisas não podem ser tão baratas impunemente, alguém está pagando por isso.

    Bhuwan Ribhu, advogado e ativista do Global March Against Child Labour resumiu:“‘Empregar mão de obra barata sem auditoria séria e investigação dos fornecedores inevitavelmente significa que crianças estão sendo usadas em algum lugar desse processo. Isso pode não ser o que eles querem ouvir, quando pegam as roupas fresquinhas de prateleiras limpas em lojas do Ocidente, mas compradores deveriam estar se perguntando: ‘Como eu estou pagando somente 30 libras por uma blusa bordada à mão? Quem fez isso a tão baixo custo? não estaria essa blusa manchada com o suor de uma criança?’ isso é o que eles deveriam estar se perguntando”.

    gapslaves_2.jpg

    A representante da GAP já se pronunciou, quase aos prantos, indignada e jurando que não sabia de nada. Claro… é tudo culpa dos indianos.

    Ainda bem que o coordenador do programa de eliminação de trabalho escravo da OIT, Geir Myrstad, não aceitou a balela de que é difícil monitorar os fornecedores. “Se as empresas são capazes de supervisar a qualidade de seus produtos, também deveriam ser capazes de monitorar sua produção.”, segundo ele.

    Agora, só falta Gisele Bundchen aparecer novamente pra dizer que a culpa é das famílias (que vivem em extrema pobreza, vendendo seus filhos por 30 dólares para os donos dessas fábricas), afinal, a indústria da moda é sempre tão inocente…

    (RED)

    Não é a primeira vez que a GAP é acusada de usar trabalho infantil, por isso, tanto investimento em sua imagem com a mega campanha (RED), em conjunto com Bono Vox. Por isso, sempre digo que não é todo tipo de “ajuda” que vale a pena aceitar.

    Sou cismada com essa história de “responsabilidade social” de empresas e instituições do chamado Terceiro Setor, “tão bem intencionadas”, mais ainda quando se trata de grandes marcas como a GAP.

    Bono Vox só se meteu em uma grande roubada. Afinal, doar para a Africa 50% do lucro conseguido por uma empresa que explora crianças indianas não me parece, nem um pouco, uma boa estratégia…

    Fontes:

    Atualização

    criancas_trabalhando.jpg

    Mais 75 crianças, entre 7 e 15 anos foram retiradas de uma fábrica de bordados de saris.

    Pelo menos para isso o nome famoso da GAP serviu… pra chamar atenção para o drama dessas crianças. Tomara que dure.

    Fonte: 75 Child Labourers Rescued from Zari Sweatshops

    ______________________

    Clique aqui para ver o relatórios da situação de fornecedores para grandes marcas como H&M, Adidas, Nike, Liz Clairbone, Asics, Puma e outros, segundo a Fair Labor Association.

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    O direito humano à água, o que a Nestlé está fazendo em São Lourenço e o que o Fome Zero tem a ver com isso

    Denise | Cidadania,Corpo & Saúde,Meio Ambiente | Monday, 15 October 2007

    boycot_bottle.jpgHá uns dias, eu li esse post do Allan e ele me lembrou de uma vez que fui a um encontro de amamentação, em 1993, em Camaquã (RS) e passei dois dias morrendo de sede e tomando refrigerantes porque não encontrava água mineral pra vender em lugar nenhum, Até que perguntei e me disseram que a gente podia beber água da torneira. Acho que foi minha primeira vez :-)

    Em Recife, e em muitos lugares do Brasil, sei que tomar água da torneira é um perigo. Aqui em Washington, o gosto da tap water, como na Itália, é horrível, então compramos aqueles botijões de água, iguais a Indaiá. Mas estou pensando em rever essa prática. Simon disse que sempre bebeu água de torneira, por aqui, talvez seja só uma questão de hábito.

    E eu confesso que, em cafeterias ou restaurantes, se não me oferecem, peço “tap water”, até por economia, mesmo, uma garrafinha d’água nesses lugares é sempre uma fortuna. Aliás, isso me lembra uma história engraçada, que aconteceu na China, onde a água mineral é uma fortuna nos restaurantes. Um dia, fomos eu e Ted a um restaurante maravilhoso, com serviço tipo buffet. Comemos muito bem, por cerca de 25 dólares, incluindo sobremesa… mas uma garrafinha de 200ml de água custava quase 5 dólares!

    Aí, tô eu comendo minha melancia (sobremesa light) e Ted diz: “Já percebeu que melancia tem tanta água que é quase como beber o suco?”.. e eu “é verdade, adoro melancia”… isso sem entender as segundas intenções. Pouco tempo depois, ele percebe que minha garrafinha d’água acabou e diz: “Não quer uma melanciazinha, não?” hahahahaha… quase morremos de rir… então, na falta da água mineral, tem sempre uma melanciazinha…

    Água glamurizada

    smartwater.jpgOutra coisa que eu não engulo são essas águas com sabor, que estão espalhadas por aqui e percebi que já viraram mania em Recife também. Eu não gosto e acho mais fácil espremer um limãozinho no copo d’água, né, não? Ted costuma jogar pedaços de limão na jarra d’água. Fica uma delícia.

    No começo do ano, por aqui, a grande notícia era essa campanha publicitária da Jennifer Aniston (fotografada por Mario Testino) para a Smart Water… com “eletrólitos”.

    Jennifer fica mais esperta, engordando sua conta bancária em vários milhões, mas a realidade é que muita gente e principalmente o planeta, perde com essa mania de água engarrafada.

    É a glamurização da água, direito humano negado a muitos outros.

    E o efeito disso é que:

    • Nos EUA, 1 em cada cinco pessoas bebe apenas água engarrafada (sem necessidade).

    • Em 2002, as empresas gastaram $93.8 milhões pra convencer as pessoas a tomar água engarrafada, ao invés de água de torneira (quase sempre segura, aqui).
    • A cada ano, quatro bilhões de garrafa PET são jogadas no lixo
    • Em todo mundo, consumidores gastaram cerca de 100 bilhões de dólares apenas no ano de 2005, com água engarrafada.

    Além da poluição de plástico espalhado pelo mundo, desnecessariamente, esse luxo dos que preferem água engarrafada, tendo a opção da água de torneira é conseguido às custas da exploração das águas e destruição de fontes naturais.

    Nestlé mata as águas minerais de São Lourenço (MG)

    nesteleboicite.jpgEu recebi esse email numa lista de discussões séria, de um morador de São Lourenço, que preferiu não se identificar, mas todas essas informações são confirmadas:

    Há alguns anos, a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões.

    As águas minerais, de propriedades medicinais, e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, curam a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.

    Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde, desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição.

    Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras, a PureLife é uma água química.

    A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos desconhecidos.

    O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido. Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação. Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades.

    eritree.jpg

    Durante anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual. E finalmente obteve essa licença no início de 2004. Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça, para interpelar a empresa criminosa.

    A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ong verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça. Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço.

    No dia seguinte, o governo de Minas (PSDB), baixou portaria que regulamentava a atividade da Nestlé. Ao invés de multas, uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada de histórico duvidoso.

    Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão.

    Em uma dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do Governo Federal (PT), para calar a boca. Teria sido avisado de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço.

    Nestlé e o Fome Zero

    sanfrancisco_brigade.jpgDiga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro. A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero.

    E qual é a real participação da Nestlé no programa? A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento. Sim, a famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores para a substituição de leite materno por produtos Nestlé, em um dos maiores crimes contra a humanidade.

    A vendedora de leites e papinhas substitutos estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação.

    Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização parcial das águas. O que é isso? Como será regulamentado?

    Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar a tal desmineralização parcial ? Além do que, parcial, integral a desmineralização é combatida por cientistas e pesquisadores de todo o mundo. E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé?

    O que nós cidadãos e cidadãs ganhamos com isso?

    Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, Unilever, Kraft Foods… estão no mesmo caminho ou pior do que a Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água.
    É para essas empresas que o governo governa?

    Colabore. Transmita estas informações para outras pessoas.

    Boicote os produtos Nestlé e de todas as “Transnacionais Involutivas”!

    Não aceite patrocínio dessas empresas!

    Seja consciente e ético e não deixe que elas se aproveitem do seu ideal para lavarem a imagem de sua marca.

    Veja um video, no Youtube, sobre os crimes contra o aleitamento materno cometidos pela Nestle na Africa (em inglês).

    Sobre a Nestlé, veja o vídeo “Fórmula para Desastre” (inglês):

  • Formula for Disaster – Parte 1
  • Formula for Disaster – Parte 2
  • Formula for Disaster – Parte 3
  • Formula for Disaster – Parte 4
  • Formula for Disaster – Parte 5

    Outra notícia sobre a Nestlé, em vídeo (português):

    Nutricionistas reprovam merenda escolar da Nestlé

    Leia também:

  • A fábula & a farsa – ou de como um ministério deu uma rasteira em outro ministério para proteger a indústria de águas minerais
  • Blog Faça a sua parte

    thinkoutsidethe%20bottle.jpg

    Imagens: (1) O texto diz: “A água de torneira é, em média, 500 vezes mais barata que a engarrafada. Boicote a garrafa”, poster produzido por CowGummy, (2) Jennifer Aniston na campanha da Smart Water, (3) logotipo do boicote, Baby Milk Action, (4) Eritree Canada e Centro Cultural de la Raza, San Francisco Poster Brigade e (5) Campanha “Think Outside the Bottle”.

    __________________________________________

    Esse post faz parte da iniciativa Blog Action Day.

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    Como ajudar a Leila a salvar outros gatinhos como esses

    Denise | Cidadania,Meio Ambiente | Sunday, 29 April 2007

    400gatinhos.jpg

    Leia, ouvindo A História de Uma Gata, de Os Saltimbancos.

    A Leila é uma amiga aqui da nossa pracinha, de vez em quando tá participando das nossas discussões e bate-papo.

    Hoje, quando fiz esse post aí abaixo, dei um pulo lá no SOS gatinhos pra pegar o link e vi que ela está em apuros, com dificuldades pra cuidar sozinha dos gatinhos abandonados.

    Através do SOS Gatinhos, a Leila já ajudou a encontrar casa para mais de 400 gatos, em São Paulo. Eu acho um trabalho impressionante. Agora, ela tá precisando da gente, veja o que ela diz que podemos fazer:

    “O sosgatinhos precisa de ajuda. Se você quer ajudar o sosgatinhos, para que não acabe, veja como:

  • As doações de ração ou areia podem ser feitas por telefone com pagamento em cartão de crédito ou depósito em conta na loja Fauna e Flora, tel. 11 5845-0969. Fale com a vendedora Helaine que é uma doação para o SOSGATINHOS. Ela conhece a marca de ração e areia que os gatinhos usam. A entrega é feita direto aqui. Por favor clique aqui e mande um mail avisando de sua doação, é importante avisar para nosso controle. (comentário meu: acho que essa é uma forma bem prática de ajudar de qualquer lugar do mundo!)
  • Adotando um de nossos gatinhos
  • Ajudando a cuidar dos gatinhos, uma ou duas vezes por mês
  • Se quiser doar dinheiro, por favor clique aqui e mande um mail, mandarei os dados da conta.

    leona.jpgDesde 2002 o sosgatinhos conseguiu novos bons lares para cerca de 400 gatos. Eu, Leila, agora estou sozinha para cuidar do projeto, dos gatos, das adoções, do site e da divulgação, é muita coisa. Os gastos e o trabalho são enormes.

    Não dou conta de tudo, dar remédios, fazer curativos e a limpeza da casa de 250 m2. O que ganho não dá para pagar o aluguel, ração, veterinário e remédios e as contas da casa. É preciso achar uma nova sede para o sosgatinhos, com o aluguel mais em conta. A ração em estoque acaba esse mês.

    Agradeço aos amigos que escreveram, ajudaram com ração, dinheiro, remédios, areia e material de limpeza. Agradeço aos voluntários que vieram ajudar na limpeza e cuidado com os gatos. Graças a todos conseguimos sobreviver aos meses de fevereiro e março. Houve uma epidemia de panleucopenia e perdemos muitos gatinhos. Foi muito duro não conseguir salvá-los. Eu também fiquei doente, tive que fazer uma cirurgia. Sem o apoio dos amigos não sei o que teria acontecido. Muito, muito obrigada.”

  • Você também pode ajudar fazendo um post como esse, divulgando o trabalho e a necessidade de apoio. Também estou colocando o selinho do site na minha coluna da esquerda ai abaixo, essa é outra forma fácil e sem custos de divulgar a iniciativa da Leila.

    Ah, e as camisetas dela são imperdíveis, para adoradores de gatos… ótimo presente pro Dia das Mães ;-)

    Vamos dar uma forcinha pra ela?

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    As Crianças no Peru

    Denise | Cidadania | Wednesday, 14 March 2007

    criancasperuanas.jpg

    Vanessa, do Inconfidência Mineira, blogueira brasileira vivendo no Peru, fez um post muito comovente sobre a situação das crianças no país.

    Estive no Peru duas vezes e foi um dos países que mais gostei no mundo. As cores, a cultura popular, os museus, os artesanatos, a natureza, a música, a comida, é tudo deslumbrante. Na época, usava 25 mil milhas da Varig e tava lá. Não sei como estão as coisas hoje, mas é um roteiro milhões de vezes mais interessante, pra quem tá no Brasil, do que ir pra Miami.

    As crianças eram um espetáculo de bonitas, apesar da pobreza, que nos entristece, e da insistência monocórdica por uns trocados, não dava pra não ficar fascinada olhando pra elas.

    criancasperuanas2.jpgEspecialmente nas ruínas, nos sítios históricos, onde elas se vestem com flores e muitas cores, para pedir dinheiro aos turistas, elas têm uma imagem mágica, lúdica, parecem saídas de uma peça teatral, como nessa foto ao lado.

    Na primeira vez, fui a Lima a trabalho, para fazer uma palestra sobre amamentação, a convite de minha amiga Nair Carrasco do Cepren.

    A amamentação tem sido tradição no Peru, que foi o país onde eu encontrei mais estátuas de mães amamentando, trabalhando, com o companheiro, de todos os tipos. Voltei com a mala carregada. E são imagens feitas por artesãos, sem nenhum objetivo educacional, apenas porque a mãe amamentando enquanto vende choclo (milho) sempre foi uma imagem típica.

    Infelizmente, esse quadro está mudando e as mães, espelhando-se na classe média peruana que é tão ou mais elitista que a brasileira, está cada vez mais usando a mamadeira desde cedo. Com isso, vem mais desnutrição infantil e mais pobreza.

    Enfim, o post da Van está excelente e mostra sua aguçada percepção das transformações que a infância está passando no país e dá alguns tristes resultados do projeto ““Niños del Milênio”, coordenado pela Save the Children. Vale a pena conferir.

    Fotos: (1) Feita por mim, na Fortaleza de Písac, em Cusco, o menorzinho não parece um bonequinho? e (2) eu, numa feira perto de umas ruínas incas. Reparem nas flores na cabeça da menininha e a maiorzinha carregando um bichinho, como se fosse um bebê. Parecem saídas de um “Sonhos de Uma Noite de Verão” peruano…

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    Inglaterra – não os EUA – é o pior país “rico” para as crianças

    Denise | Cidadania | Tuesday, 20 February 2007

    _42569255_child_bbc203.jpgEstamos acostumados a ouvir sobre as mazelas do mundo chamado “em desenvolvimento”, mas o Unicef acaba de divulgar esse relatório sobre a situação das crianças nos paises ricos e descobriu que ainda tem muita coisa a ser feita por aqui. Nenhum país alcançou nota máxima em todos os tópicos analisados.

    Para desapontamento dos muitos anti-americanos, o pior país para as crianças, no chamado “mundo desenvolvido” (segundo 40 indicadores analisados entre 2002 e 2003, incluindo saúde, educação, relação com a família, pobreza etc), não são os EUA, mas a Inglaterra.

    Isso me lembrou os que, na semana passada, citaram a Inglaterra como exemplo, por punir criminalmente crianças de 10 anos de idade… parece que os súditos da rainha não são exatamente o melhor exemplo a ser seguido quando se trata de cuidados com as crianças.

    Alguns dados do relatório:

    • A pobreza entre as crianças dobrou no reino Unido desde 1979. 16% delas vivem em famílias que têm menos de metade do salário mínimo nacional e apenas 43% avaliam que seus colegas são gentis e ajudam uns aos outros.

    • Não existe relação óbvia entre bem estar da criança e a riqueza do país. A República Tcheca, por exemplo, teve um índice geral mais alto que muitos países muito mais ricos.
    • Mortalidade infantil vai de 3 por cada 1.000 nascimentos no Japão e Islândia a 6 por 1,000 na Polônia e EUA. (No Brasil é de 22,5 em cada mil, indo de 13.9 no Distrito Federal a 47.1 em Alagoas)

    Vejam abaixo a lista completa do relatório do Unicef:

    01. Holanda
    02. Suécia
    03. Dinamarca
    04. Finlândia
    05. Espanha
    06. Suiça
    07. Noruega
    08. Itália
    09. Irlanda
    10. Bélgica
    11. Alemanha
    12. Canadá
    13. Grécia
    14. Polônia
    15. República Tcheca
    16. França
    17. Portugal
    18. Austria
    19. Hungria
    20. EUA
    21. Reino Unido

    Relatório, na íntegra, aqui.

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    “Nâo está acontecendo aqui, mas está acontecendo agora.”

    Denise | Artes Plásticas,Campanhas Publicitárias,Cidadania | Monday, 19 February 2007

    anistia internacioinal

    Sensacional essa campanha da Anistia Internacional, da Suíça. Veja essa foto ampliada aqui e outros cartazes aqui.

    E por falar em interferência nas ruas, vocês conhecem o trabalho de Bansky?

    Ele faz uma espécie de “guerrilha artística”, espalhando sua arte com grafitti, estêncil ou carimbos pelas grandes cidades ou até dentro de museus. Uma vez, entrou na área onde fica os elefantes, no zoológico de Londres e escreveu “Quero sair daqui. Esse lugar é muito frio, cheira mal. É monótono, monótono, monótono.”

    bansky1.jpg

    bansky2.jpg

    bansky3.jpg

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    bansky4.jpg

    E, há uns meses atrás, colocou um boneco vestido como prisioneiro de Guantanamo nos jardins da Disneilândia, onde ficou até que funcionários do parque perceberam que tinha algo “destoante” na paisagem….

    bansky_disney.jpg

    Super Bansky… muito bom. Veja vídeos das suas ações aqui.

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    Você pode ajudar uma escola de refugiados na Africa

    Denise | Cidadania | Sunday, 21 January 2007

    refugiados_grace.jpgGrace Olsson lançou uma bela iniciativa.

    Ela esteve no paupérrimo Campo de Refugiados de Maratane, ao norte de Moçambique e voltou pensando em procurar ajuda para construir as paredes da escola local, que é toda cercada apenas com lonas.

    Decidiu então sortear uma bonequinha africana entre os que fizerem uma doação de R$ 20,00. Veja os detalhes do sorteio aqui.

    Vamos ajudar a criançada que está precisando muito!

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    Nestlé, Instituto Ethos & Mandela
    A lenda viva ensina o que é Responsabilidade Social

    Denise | Amamentação,Cidadania | Saturday, 13 January 2007

    nasty.jpg

    Eu sei que o assunto é pra lá de polêmico e eu não tenho tempo pra desenvolver muito, agora, mas é que não pude me controlar… sabe que me dá até arrepios quando eu ouço o termo “responsabilidade social”, no Brasil?

    Sou do tempo de ONGs “históricas”, que trabalhavam sem nem saber que a ONG era uma ONG e vejo com extrema desconfiança essas novas ONGs criadas na onda do “Terceiro Setor” e “empresas com responsabilidade social”. Sei… não vou dizer que empresas não podem ser parceiras, mas na maioria das vezes apenas usam as entidades como canal de marketing barato e eficiente. É preciso muito cuidado, pra não dar bobeira.

    “Compre que eu dôo… só não digo quanto”

    biotherm_stop.jpg

    Por exemplo, acabei de ler que a Biotherm (empresa da L’Oreal, por sua vez, empresa da Nestlé) vendeu dois produtos (Aquasource e Source Therapie) dizendo que parte das vendas seria destinada a projetos sociais na China.

    Ao final do ano, com apoio do Unicef, a empresa doou pouco mais de 20 mil dólares para melhorar a qualidade das águas de uma escola em Beijing (Hummmm… justamente águas… será que tem alguma coisa aí, Luciana?)

    Francamente, esse é um valor totalmente irrisório, claro que não tenho os dados, mas posso apostar que o que eles ganharam, aumentando a venda desses produtos com essa maquiagem de “responsabilidade social” é muitas vezes maior do que o que eles doaram à escola chinesa.

    Já falei sobre isso, aqui, em relação aos produtos “pink”, que são vendidos prometendo ajudar a cura do câncer de mama.

    Instituto Ethos & Nestlé

    Estou escrevendo sobre esse assunto porque esbarrei no site do Instituto Ethos, que promoveu, ano passado, uma conferência internacional sobre empresas e responsabilidade social… com apoio da Nestlé! detalhe, o tema da conferência era: “O papel da empresa socialmente responsável em uma sociedade sustentável”. Fala isso pro pessoal lá de São Lourenço.

    Duvido que eles – tão preocupados com responsabilidade social – não saibam que essa empresa está sofrendo um boicote internacional há 30 anos, por causa das suas práticas predadoras de promoção dos seus alimentos artificiais para bebês, que foram um dos principais motivos do declínio da amamentação, em todo mundo.

    E não somos apenas nós, defensores da amamentação, que criticamos a Nestlé, o Movimento Amigos do Circuito das Águas Mineiro, de São Lourenço (MG), denuncia, em seu excelente site, a destruição do meio ambiente e danos à comunidade local provocados pela Nestlé.

    A Nestlé e as águas do mundo

    public_water.jpg
    “O bombeador de água não funciona porque algum vândalo quebrou… mas, veja!!!”

    Pra não puxar a brasa pra nossa sardinha, nem vou falar nas críticas históricas à Nestlé como empresa que prejudica a amamentação, em todo mundo. Vamos falar sobre águas. Segundo o Grupo de São Lourenço, o grupo de ativistas ATTAC, da França, organiuzou uma manifestação contra a Nestlé, que pleiteava a privatização de uma fonte de água na cidade de Bevaix.

    As leis daquele país, ao contrário das brasileiras, são claras: esse tipo de exploração é impossível porque a água é considerada um bem comum, inalienável e não comercializável. A água, assim como a terra e o ar, ainda são patrimônio da humanidade nos alpes suíços.

    No evento, o ATTAC divulgou esse documento:

    “Um outro mundo é possível. Não o da ganância financeira em detrimento do cidadão. Não aquele do sobe e desce das bolsas em detrimento ao respeito à vida e aos povos, sobretudo os mais pobres. Queremos um mundo de justiça, baseado no respeito e na distribuição das riquezas. Ganhando contra a Nestlé, os cidadãos do nosso país e do mundo inteiro compreenderão que é possível fazer recuar os gananciosos de qualquer espécies. Dessa forma, protegeremos o nosso futuro e o de cada ser humano vivo. A água é um bem insubstituível e, por isso, não deve ser considerada como produto e objeto de exploração econômica e apropriação privada.

    A água está se tornando um produto caro e corre o risco de desaparecer daqui a alguns anos. Tememos que a Nestlé, dentro de 30 a 50 anos, se aproprie progressivamente da maioria das reservas de água existentes no mundo. Tem-se que evitar, a qualquer custo, o monopólio da água potável. Tal situação seria uma fonte de desigualdade entre os indivíduos. A água deve ser gerenciada por serviços coletivos e públicos. Só assim poderemos assegurar uma gestão imparcial e durável dos recursos naturais.” (Leia mais aqui)

    E ai? alguém acha que a Nestlé tem crédito para apoiar uma conferência sobre “responsabilidade social”?

    Vai ver que é por isso que o Origem vive as dificuldades atuais, quase fechando, mas não abrimos mão da nossa integridade.

    Mandela dá aula de responsabilidade social

    mandela_aids.jpgNelson Mandela recusou uma doação da Nestlé. Há alguns anos, um intermediário da empresa tentou convencer Mandela a receber, pelo menos, meio milhão de dólares (alguns dizem que foi um milhão) para seu programa “Aids Orphan Appeal”, que atende crianças õrfãs da AIDS.

    O tal intermediário teria dito que “eles (Nestlé) estão desesperados para consertar as coisas erradas que fizeram no passado e eles, como milhões de outros, vêem Mandela como um herói”.

    Mandela que não é otário – nem oportunista – e não vende sua reputação, recusou qualquer apoio da Nestlé e afirmou que: “dado o fracasso das ações da Nestlé em relação à questão das mães infectadas com HIV/Aids, que promove campanhas promovendo o leite artificial em oposição ao leite materno e divulga, publicamente, desvantagens da amamentação, o Nelson Mandela Children’s Fund rejeita a doação.”

    Isso, sim, é a tão falada “responsabilidade social”. Baseada nesses fatos, acho que o Instituto Ethos está precisando de umas boas aulas com os nossos amigos sul-africanos, antes de pretender ensinar ao mundo o que é responsabilidade social.

    Veja mais:

  • Site do Boicote à Nestlé
  • Lista de produtos Nestlé a serem boicotados.
  • Comunidade do boicote à Nestlé, no Orkut

    Ilustrações: (1) Baby Milk Action, (2) site chinês da Biotherm, (3) World Waters e (4) Nelson Mandela Children’s Fund.

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    Aquecimento global

    Denise | Cidadania | Monday, 15 May 2006

    seca.jpgSegundo o relatório “The climate of poverty: facts, fears and hope”, da Christian Aid, divulgado hoje, o absurdo número de 182 milhões de pessoas, na regão do Sub-Saara africano podem morrer de doenças diretamente relacionadas às mudanças climáticas, até o final do século. Muitos milhões mais, pelo mundo afora, podem morrer por causa da devastação causada por tragédias induzidas pelo clima: inundações, fome, seca e conflitos.

    Enquanto isso, no Texas, na última vez que fui lá, vi vários carrões enormes (SUV) com a ignição ligada e ninguém dentro. Ted me explicou que, por causa do calor, essas criaturas deixam o carro ligado, para manter o ar condicionado frio e vão se divertir e fazer suas compras… Não é um asburdo??? com a gasolina aumentando estupidamente queria saber se ainda fazem isso…

    Ecologia é como a história do “politicamente correto”, que ainda vou voltar a discutir aqui. Acho que houve uma super exposição, nos anos 80, virou assunto que todo mundo acha chato, coisa de radical do “greenpeace”. Só que as consequências já estão atingindo todo o mundo.

    Estão disponíveis, na Internet, algumas calculadoras para que você possa avaliar o quanto está contribuindo para as mudanças climáticas do planeta. Dê uma olhada, é bem interessante e surpreendente:

  • Ecological Footprint (opção em Português)
  • Carbon Footprint Calculator
  • Carbon Footprint calculator (apenas alguns países)
  • The CO2 Calculator
  • Safe Climate Calculator
  • Calcular Emisiones
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    Pois é, MV Bill, você está famoso

    Denise | Cidadania | Wednesday, 05 April 2006

    (Parece que eu não sou MESMO a única a pensar isso)

    mvbill_rovai.jpg

    Por Renato Rovai

    MV Bill é um rapper que parece ter saído de um filme de Hollywood. Deve ter mais do que 1,90 m, é forte, anda com roupas estilosas e é cheio de presença. Não parece em nada com a grande maioria dos seus manos de perifa. Sorte dele. E quiçá toda a negritude brasileira pudesse ter esse perfil. Pudesse ter um orgulho negro que lhe fizesse andar de igual para igual numa sociedade construída para brancos.

    Tive a oportunidade de cruzar com ele na Feira Literária de Paraty (Flip), evento anual de literatura. Ele dividia uma das mesas principais com Arnaldo Jabor. O graaannde Arnaldo Jabor…. Aquele que apareceu com uma banana no Jornal Nacional saudando o golpe na Venezuela e dizendo que agora sim, agora estavam desbananizando a América Latina.

    Pois é, o arremedo de Paulo Francis fez um discurso estapafúrdio que, entre outras coisas, achincalhava a política de cotas para negros na universidade pública. Na minha inocência, contava com a palavra indignada de MV Bill. Quando o microfone foi para ele, nada. Fez um discursinho meia-boca e se associou a Jabor na questão das cotas, com uma frase fajuta do tipo: “os manos não querem cotas, não precisam de cotas, queremos ter condições de igualdade”. Então tá, né?

    Após a palestra, vi Bill dando autógrafos para um grupo. Esperei a “sessão” terminar, me apresentei e tentei engatar uma conversa sobre a necessidade de se debater o assunto das cotas a partir de uma dívida histórica. Ele fez uma cara de “tô me lascando pra isso” e saiu andando. Tudo bem, há muita gente séria e intelectualmente honesta que ainda cai nesse conto do vigário de que lutar por cotas e brigar por migalhas etc. e tal. Mas talvez, no caso de Bill, seja outro o lance.

    Não vi e não gostei do documentário Falcão, que, segundo Ferrez, em artigo ontem (5 de abril) na Folha de S. Paulo ocupou 58 minutos do dominical Fantástico, da Rede Globo. Aliás, esse texto de Ferrez chamava a atenção para o fato de só a tragédia ter sido contada. Uma frase tocante do artigo de Ferrez: “Meu povo não é só aquilo, imagens borradas, desesperança em todas as quebradas. Somos mais, muito mais.” Ferrez tem razão. Aliás, há uns 10 anos fiz uma reportagem na Favela de Heliópolis e meu mote, já naquele tempo, era de falar da favela escondida da mídia. Contar a história daquele povo que está na batalha do dia-a-dia e que nos finais de semana joga pelada nas pequenas vielas, bate laje, conserta o carro com a ajuda do vizinho etc etc. MV Bill, isso faz mais de 10 anos. Dez anos, colega.

    Pois é, mas o artigo de Ferrez de ontem era só o começo. Eu não tinha idéia de que o tal MV Bill fosse desfilar suas preocupações na Villa Daslu. Foi uma reportagem da sempre atenta Laura Capriglione, que a divide com Uirá Machado, na Folha, que me fez escrever esse texto.

    Entre outros, a reportagem traz os seguintes trechos:

    1: Negros, pobres e favelados entraram, enfim, pela porta da frente no paraíso do consumo. Foi no lançamento do livro “Falcão – Meninos do Tráfico”, do rapper global MV Bill, ontem, na Villa Daslu, a loja multimarcas da chiqueria paulistana, quando cerca de 30 deles, na condição de convidados, subiram ao 4º andar do prédio.”

    2: “Os 250 convidados ouviram Bill lançar a “culpa” pela miséria dos meninos do tráfico no passado escravocrata do país: ‘Eu não quero identificar culpados. Quando os negros vieram para cá, seqüestrados da África, a sociedade se partiu. Criou-se o estigma, a raiva e o ódio que persistem até hoje’, disse.

    3: “Na platéia, havia quem chorasse. No final do encontro, veio a pergunta fatal: “O consumismo é uma das causas dessa tragédia. Estamos no templo do consumo. Isso aqui é responsável. Se eu lembrar do país e da desigualdade em que vivemos, esse local é uma violência”. Enquanto a pergunta era feita, o público começou a se agitar. Um estalava o dedo, outro comentava com quem estava ao lado, outra enrolava o cabelo.

    MV Bill ouvia, impassível, sentado no trono branco em que foi instalado pela organização do evento. Lucia Pinheiro, 52, líder do Projeto Travessia, ONG que cuida de crianças de rua, prosseguiu: “Para satisfazer o sonho de consumo de comprar um tênis, quem está na favela às vezes tem de matar. Mas não para comprar um tênis da Daslu, porque aí ia ter de matar muito mais.” E então, um gigantesco “xiiiiiiii” levantou-se na sala e a pancadaria começou. O empresário Francisco Ventura, proprietário das Óticas Ventura, atacou: “Pergunta logo!”. Alguém acrescentou: “Cala a boca.” Um garoto no fundão saiu em defesa de Lúcia: “Deixa ela falar”, ao que Ventura respondeu: “Cala a boca você, seu tapado.”

    A reportagem como um todo merece ser lida e relida. As partes aqui citadas dão uma idéia do que parece ser a lógica MV Bill de chamar a atenção para os dramas do povo negro e favelado do país. Mas o texto como um todo é arrasador.

    Lúcia Pinheiro é uma mulher branca, de origem classe média e, como a conheço, sei que muito educada. Não quis aparecer. Aliás, seria melhor para ela ter ficado quieta, pois a entidade que coordena, o Projeto Travessia, além do apoio de alguns sindicatos conta com recursos substanciais do Banco de Boston. Mas ela falou. Aliás, falou por mim, também branco, e por muitos negros e negras que não aceitariam nunca um convite para ir a Daslu fazer papel de bibelô de bacanas.

    E não adianta vir com aquele papinho sem-vergonha de que é preciso atingir todos os segmentos da sociedade. Isso é desculpa esfarrapada de quem quer justificar o fato de estar virando os olhinhos para o enredamento natural do glamour e de seus aperitivos. Ir à Daslu fazer onda é aceitar que esses 100 mil potenciais compradores da loja existam, tendo o que tem e sendo da forma que são.

    Sabe quem são eles, MV Bill? São os que se contrapõe a tudo que possa sinalizar para alguma mudança na estúpida concentração de renda no país. São os que sonegam não só impostos, mas qualquer possibilidade de que o país possa ter algum projeto de inclusão real. São os que andam de carros blindados. São os que escravizam homens e mulheres (negros ou brancos) nas suas fazendas rincões afora. São os que impedem uma reforma agrária que poderia mudar o destino de milhões de miseráveis no campo e na cidade. São mais, muito mais. Aliás, em geral, são racistas. Talvez não odeiem negros, mas os desprezam. Aceitam-nos por perto quando podem subjugá-los pela lógica do trabalho ou então quando se trata de alguém que esteja famoso e que os aceite assim, do jeitinho que são. Pois é, MV Bill, você está famoso.

    Fonte: Revista Forum

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    “Papai Noel, eu fui uma boa menina, por isso,
    quero um modelito da Daspu nesse natal!”

    Denise | Cidadania | Friday, 09 December 2005

    DASLU

    Essa foi a melhor notícia que eu li nos jornais brasileiros, nos últimos tempos. Se a perua for presa, esse país ainda tem jeito…

    Daslu no Carandiru

    “O Ministério Público Federal ofereceu denúncia à Justiça contra Eliana Tranchesi, dona da butique de luxo Daslu, e mais seis pessoas. Todos eles são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, descaminho aéreo consumado –importação de produtos lícitos feita de maneira irregular–, descaminho aéreo tentado e falsidade ideológica.

    No caso de Eliana Tranchesi, a soma das penas mínimas dos crimes pelos quais ela é acusada chega a 21 anos de prisão(…)

    Um par de sapatos Gucci que era comprado por Tranchesi por US$ 80 a US$ 100 no atacado, e que é vendido no mínimo a R$ 2.000 no Brasil, constava para as autoridades como se tivesse custado apenas US$ 4.

    ‘A sensação de impunidade fez com que descuidassem e a situação ficou escancarada’, afirma Magnani (o procurador da República Matheus Baraldi Magnani).”
    FSP, 08/12/2005 – 21h25

    DASPU

    prof_sexo1.jpgEnquanto isso as mulheres profissionais do sexo que fazem parte do grupo Davida, produzem, elas mesmas, as roupas da griffe de moda pra “batalha”, pra festas e básicas, que acabam de lançar com a marca DASPU.

    Talvez pensando na deusa Madonna, a secretária-executiva do Davida, Gabriela Leite, afirmou que: “Há muito tempo que a nossa moda ultrapassou as áreas de batalha. Nós sempre fizemos moda e inspiramos estilistas e outras mulheres. Chegou a hora de produzir também”.

    As integrantes do Davida desfilaram, pela primeira vez, com camisetas da grife Daspu, no ensaio de seu bloco carnavalesco Prazeres Davida, dia 05, na Praça Tiradentes, no Rio.

    A Daslu já ameaça processar ONG da grife Daspu, mas a Gabriela lembra que quem tem problema com a justiça é a Daslu, que enfrenta acusações de sonegação fiscal… (agora, mais que nunca… hehehe…)

    Mesmo que sejam forçadas a mudar o nome, as meninas da DASPU já saem ganhando, porque colocaram a griffe e a sua voz na mídia.

    As prostitutas são um grupo que tem sido vítima da hipocrisia da sociedade brasileira. Tod@s querem que elas sejam invisíveis. Mas, se elas existem, é porque existe uma demanda, que não acaba nunca.

    prof_sexo2.jpgElas são parceiras fundamentais nos programas de saúde do governo, sem elas, o Brasil não seria um exemplo pro mundo no combate à AIDS.

    Elas participam, com diversas ONGs, de trabalhos educativos, não só na área de saúde, mas também com cidadania, educação e, ainda que contraditoriamente, para alguns, contribuem, dessa forma, para um país melhor.

    Já registrei, aqui, meu orgulho pelo Governo Lula ter rejeitado 40 milhões do Governo Bush, para a campanha contra AIDS, porque existia a exigência de assinar um documento condenando a prostituição. Não assinaram, porque elas são parceiras.

    A invisibilidade que querem infligir às profissionais do sexo é cruel e só as deixa mais vulneráveis à exploração, aos abusos e maus tratos. Por isso, apóio iniciativas como essa da Daspu, dou a maior força pras meninas e, se alguém souber como eu posso comprar uma camiseta do bloco Prazeres Davida, me avise que eu quero uma… já pedi a papai noel, mas desconfio que ele não vai me dar…

    daspu1.jpg

    Obs.: A griffe completa só será lançada em março, por enquanto, elas estão vendendo, no site da Daspu, apenas três camisetas. Cada uma custa 25 reais.

    Leia Mais:

  • Daspu
  • Davida
  • Boletim Beijo da Rua
  • Rede Brasileira de Prostitutas
  • Em defesa Daspu
  • Grife de prostitutas Daspu não abre mão do nome

    Imagens: (1) Kibe Loco, (2) e (3) da campanha “Sem vergonha, garota. Você tem profissão”, do Ministério da Saúde e (4) Modelo da Daspu no desfile da Praça Tiradentes (foto Reuters).

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