
Foto do curso de “Mamãe Noel” no parque Everland, mais fotos, aqui.
Muita gente tem me perguntado como é o natal, aqui na Coreia. Cheguei até a receber um convite da produção do Fantástico para falar sobre nosso natal, no programa, o qual eu declinei gentilmente, não é minha praia. Mas, dá pra fazer um postzinho sobre isso =)
Bom, como já falei, aqui no blog, o cristianismo está tomando conta da Coreia. Me perdoem os cristãos, mas eu acho isso uma pena. Pra quê essa invasão acachapante dos países asiáticos, mudando de forma tão radical suas tradições e introduzindo uma cultura tão diferente? deviam ficar por aí mesmo.
Dos que se declaram religiosos, metade já se diz cristão aqui na Coreia do Sul, e são, principalmente os mais jovens, talvez por identificar a religião com a “modernidade” do Ocidente. Não sabem da missa, um terço (no pun intended).

Naundeamun Market, ontem à tarde. Heavy xmas!
Por isso, apesar de não ser a festa mais importante, o natal já é bem celebrado por aqui… principalmente pelos comerciantes, que abusam da decoração tradicional (igualzinha a de grandes cidades dos EUA ou Brasil), na esperança de estimular a compra de presentes – por aqui ainda é mais comum dar dinheiro nesses eventos.
Eu confesso, eu ADORO compras de natal. Não de gastar fortunas, que eu não tenho, mas de passar horas procurando coisinhas especiais, inusitadas, que são “a cara” da pessoa. Já dei os presentes no Brasil, mas não resisti e sai pra comprar mais uma lembrancinhas pros meus queridos e para os sorteios que vou fazer aqui no blog e no brechó.
Aproveitei o dia gelado e ensolarado (como eu gosto) e fui a duas áreas, Namdaemun Market (da foto acima) é mais popular e onde se encontra de tudo, desde produtos ocidentais e do exército contrabandeados a ginseng e ervas locais, eletrônicos, brinquedos, jóias, óculos, uma espécie de “Saara”, coreano. Mas, lá fica também uma Shinsegae, que é uma espécie de loja de departamentos de luxo, caríssima, com Tiffany’s, Prada, Dior, etc., literalmente tem-de-tudo.
De lá, fui caminhando para Myeongdong, que é uma região mais ocidentalizada, com lojas Swarovski, Guess, Gap e até Forever XXI (onde eu comprei um gorrinho de tricô com… lantejoulas! sim, me internem! hehehe).




Num impulso consumista – e influenciada por TODO mundo, que não para de falar em cores de esmaltes – comprei meu primeiro kit de manicure da vida! incluindo um esmaltezinho AZUL hehehe… odeio sair pra fazer as unhas, mas quem sabe eu me animo e brinco de pintar as minhas em casa, mesmo? vamos ver.
Ainda não decidimos o que vamos fazer no Natal (Ted, americano que é, sempre celebrou a manhã do dia 25, não a noite do 24, como eu, assim, festejamos nos dois dias – adoro natal hehehe), mas estamos pensando em procurar uma cidadezinha perto de Seul – de preferência com neve – com um hotelzinho barato e simples. Se rolar, conto aqui no blog, mas o mais provável é que a gente fique em casa, mesmo.
E vocês? quais são os seus planos pro natal?
Bafão religioso no natal coreano

A árvore de natal de Seul, que fica no centrão, existe desde o final dos anos 60 mas, em 2002, a prefeitura entregou a tarefa para uma rede de igrejas conservadoras protestantes, que resolveu trocar a tradicional estrela por essa cruz. Isso está causando a maior polêmica por aqui.
Os budistas a vêem como um exemplo do poder que o governo (de presidente cristão, que disse que vai “entregar Seul a Deus”, quando era prefeito da cidade) tem dado a organizações dessa religião. E os católicos aproveitam pra reclamar dos protestantes.
Eu acho super cafona.
Dia desses, vi alguém, no Twitter, achando ridículo que, nos EUA, não se diz mais “feliz natal”, mas “boas festas”. Eu acho que quem tem um mínimo de conhecimento da diversidade das crenças (e não crenças), entende que isso faz sentido e é muito mais civilizado.
Há anos que eu descobri que o natal cristão não é universal, tá na hora de todo mundo perceber isso e respeitar quem vê a árvore (com uma estrela) apenas como mais uma forma de celebração de união, paz, harmonia, mudança de ano… afinal não é isso o que realmente importa?
E se a gente ainda tinha alguma dúvida que o natal chegou com tudo na Coreia…

Esse carnaval natalino aí em cima é dentro de um ônibus em Seul! e não é a companhia que enfeita, não, cada motorista tem a liberdade de decorar seu ônibus como quiser… esse meteu o pé na jaca =) ele ainda reservoiu um lugarzinho pras pessoas deixarem mensagens com post-it. Mais fotos lá no ótimo Send me to Korea.
É por essas e outras que eu adoro a Coreia =)
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Para tudo, acho que vocês não entenderam o que eu disse
Dri, eu sei que posso ser muito contraditória, mas dessa vez, acho que você (e o Dieguito) não entenderam o que eu estava falando.
1. Eu não disse que sou “contra a árvore de natal coreana” (adoro árvore de natal, tem uma aqui em casa e acho um símbolo que, por não ser religioso não exclui ninguém), disse que acho a cruz que colocaram lá em cima, ao invés da tradicional estrelinha (bem mais simpática e alto astral) , cafona. Disse que a cruz gerou uma polêmica e entendo como os que são contra a cruz lá em cima se sentem.
2. Obviamente não sou contra a Coreia celebrar o natal, acho super bacana essa mistura, o que me incomoda é a força com que as igrejas entram nesses países, passando por cima de milênios de história, como um trator. É globalização, mas no que pode existir de pior na palavra.
3. Eu sou a pessoa mais aberta para a globalização cultural, aqui no blog já mostrei minhas experiências de jantar Pessach (judeu) a festas Dwali (indiana). Adoro experimentar de tudo. Mas existe uma diferença enorme – e fico surpresa por vocês não perceberm isso – entre a integração e participação em diversas culturas religiosas e o massacre, a lobotomia que é realizada pelas igrejas, especialmente evangélicas, pelo mundo afora.
Quando trabalhei na Suazilândia (África), amigos comentavam a tristeza que era o povo pobre dando o pouco dinheiro que tinham pra igrejas evangélicas importadas, inclusive do Brasil. Acho um absurdo olhar da minha janela e ver 12 – DOZE – cruzes vermelhas, mostrando onde ficam igrejas cristãs. É uma invasão acachapante!
Quando você vai a uma festa Dwalli, ninguém tenta lhe transformar em hindu, quando vai a um templo budista ninguém tenta lhe convencer a mudar sua religião, mas a influência cristã na Ásia está tendo efeitos assustadores.
A maior parte do atual governo federal coreano é formada por cristãos e eles têm um poder político que exclui e isola os budistas tradicionais. Eu acho isso um horror.
Multiculturalidade é uma coisa, colonialismo religioso é outra bem diferente.
4. Quanto ao “Boas festas X Feliz Natal”, eu acho que é uma questão de gentileza com milhões de pessoas que não celebram o natal e a quem nós também desejamos felicidades nessa época. Nos EUA, o Hanukkah, festa judaica, acontece na mesma época que o natal (esse ano, entre os dias 11 e 19 de dezembro). Bia namorou um judeu por três anos, Simon, e ele me dizia que sempre se sentiu excluído nos natais, mas hoje as coisas estão mudando.
Sei lá, acho que digo “Feliz Natal” pra quem eu sei que celebra dessa forma, e “Boas Festas” a desconhecidos (just in case) ou amigos ateus, budistas etc. Acho que não custa nada. Não acho que devemos destruir as tradições (adoro toda aquela coisa cafona de natal, ADORO, mas não acho que todo mundo tem que ser como eu.)
5. Finalmente, sempre que penso no que significa essa resistência cultural X abertura para novas cultras dos imigrantes, lembro que a prefeitura de Olinda criou uma lei que proibia que as casas colocassem axé em auto-falantes nas ruas da cidade durante o carnaval =)
Se lá em Olinda, a gente tenta sobreviver à “invasão cultural” do estado vizinho, imagino a reação dos suecos em relação a culturas muito mais diferentes da sua. Migração é um tema realmente muito complicado e eu não tenho resposta nenhuma pra isso.