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    O melhor (e o pior) dele

    Denise | Anos 80,Celebridades,Música | Friday, 26 June 2009


    Acordei e fui direto pro Twitter saber o que está acontecendo no mundo. Então, Michael Jackson morreu, liguei a CNN e é só o que se fala, claro. Como muita gente, detesto essa tendência a idealizar os mortos. O puxa-saquismo de olho na audiência é pegajoso e indecente.

    Nunca fui super fã dele mas, dia desses, eu estava numa loja aqui em Seul e ouvi BEN, teve o efeito de uma madeleine, trouxe boas sensações, eu ainda era criança, como ele, quando ouvi a primeira vez. Bom ouvir de novo.

    Quando MJ estava no auge, eu era chatinha e só ouvia MPB, foi o ano de Missa dos Quilombos, de Milton e Cores, Nomes de Caetano Veloso. Depois eu ouvia The Smiths and The Cure, e esnobava MJ, nunca fui além de curiosidade  em relação ao que se dizia que era o Rei do Pop.

    Musicalmente, ele foi resgatado pra mim nas minhas playlists para malhar, especialmente com Billie Jean, que eu acho genial. Acabei descobrindo que ele tinha muita coisa gostosa pra mexer o corpinho.


    O pior dele

    Mas, infelizmente, o que vai ficar no imaginário é a vida de Michael Jackson.

    Ele foi uma pessoa atormentada, sem dúvida, com sérios problemas emocionais, e não é difícil encontrar responsáveis. Sempre achei injusto que acusassem MJ de “querer ser branco”. Num mundo em que alguém se mutila pra pertencer a uma etnia que é privilegiada, desculpem, mas o problema está nesse mundo, não na pessoa. Ele foi só um sintoma.

    Uma pena, já que, durante alguns anos, ele foi um herói para a comunidade negra. Helio Paz retuitou essa mensagem:

    “Eu vivi em uma cidade média, de maioria branca, quando Thriller explodiu. Não fui chamado de “nigger” durante todo aquele ano. Obrigada, Mike” @SeoulBrother

    Muita gente vai escrever sobre ele (daqui a pouco ninguém aguenta mais ouvir falar nisso), então, quero só deixar uma notinha sobre uma aspecto importante, que eu acho que a gente não deve esquecer.

    Mesmo sem nunca ter sido provado que ele era pedófilo, acho que existem indícios suficientes pra gente considerar que ele usava sua fama, carisma e dinheiro para dormir com crianças. Desculpem @s fãs, mas isso é imperdoável.

    Sim, ele também foi vítima, existem teorias peter panescas para sua preferência por crianças, mas, pelo que eu sei, pedófilos quase sempre têm uma história que explica seus impulsos. Mas isso não minimiza o impacto dos seus atos.

    Enfim, sem descontar nem um pouco dos seus erros, dá sim, pena dele ter morrido tão cedo e ter tido uma vida tão atormentada.

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    O karaokê de Duets

    Denise | Anos 80,Música,Vídeo | Wednesday, 17 December 2008


    Cruisin’ – Huey Lewis & Gwyneth Paltrow


    Betty Davis Eyes – Gwyneth Paltrow


    Try a Little Tenderness – Paul Giamatti
    & Andre Braugher


    Free as a Bird – Andre Braugher

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    The Smiths

    Denise | Anos 80,Música | Sunday, 24 August 2008

    How Soon is Now?

    The Boy With The Thorn In His Side

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    Paris Match

    Denise | Anos 80,Música | Wednesday, 26 March 2008

    stylecouncil.jpg

    Com Tracey Thorn.

    Ouça aqui.

    Empty hours
    Spent combing the street
    In daytime showers
    They’ve become my beat
    As I walk from cafe to bar
    I wish I knew where you are
    You sort of clouded my mind
    And now I’m all out of time

    Empty skies say try to forget
    Better advice is to have no regrets
    As I tread the boulevard floor
    Will I see you once more?
    Because you’ve colored my mind
    ‘Till then I’m biding my time

    I’m only sad in a natural way
    And I enjoy sometimes feeling this way
    The gift you gave is desire
    The match that started my fire

    Empty nights with nothing to do
    I sit and think, every thought is for you
    I get so restless and bored
    So I go out once more
    I hate to feel so confined
    Feel like I’m wasting my time

    I’m only sad in a natural way
    And I enjoy sometimes feeling this way
    The gift you gave is desire
    The match that started my fire
    The match that started my fire
    The match that started my fire

    _________________

    Ee-editando esse post, porque essa é, pra mim, a música mais linda do mundo e acordei querendo ouvir again and again and again..

    Alguns vídeos do Style Council:

  • You’reThe Best Thing
  • The Boy Who Cried Wolf
  • Speak Like A Child
  • Homebreakers
  • My Ever Changing Moods
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    The Sweetest Thing

    Denise | Anos 80,Música,Vídeo | Tuesday, 06 November 2007

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    Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente

    Denise | Anos 80,MPB,Música | Wednesday, 11 October 2006

    rrusso.jpgDia desses, através do blog, re-encontrei um amigo muito querido, com quem convivi em 84 e 85. Trocando figurinhas, chegamos à conclusão que vivíamos numa patrulha cultural que não dava folga.

    Nosso grupo de amigos era todo formado por gente muito “esperta’, muito “muderna” e muito “antenada”. Gostar do Paralamas do Sucesso era pecado e poderia significar segregação eterna, ouvir os Abóboras Selvagens, então, só quando não tinha ninguém por perto e se sentindo o mais burro dos mortais.

    Nesse contexto, passei batido pelo Legião Urbana (muitos, que continuam antenados, vão dizer que não perdi nada, mas eu discordo). Na verdade, conhecia uma coisinha ou outra e gostava do cara, mas só fui descobrir mesmo a banda através da minha filha, uns 15 anos depois.

    Como uma das muitas vantagens de ter 42 anos é ter a capacidade de não dar mais a mínima pro que pensam da gente, principalmente em relação às nossas preferências musicais, estou eu aqui hoje, lembrando de Renato Russo e pensando que gostaria de ter aproveitado mais desse cara interessante, que morreu há exatos 10 anos, hoje.

    Como não consegui escolher só uma música pra colcoar pra vocês, vão as minhas preferidas (e mais conhecidas, daquelas que grudam como chiclete) em arquivo de áudio (clique no nome delas) e link pra alguns vídeos (clique nas fotos). Quem gostar, aproveite, quem não gostar, não me encha o saco… hehehehehehe… :-)

    Strani Amori

    Strani amori fragili
    Prigioneri liberi
    Strani amori che non sanno vivere
    E si perdono dentro noi

    youtube_renato_russo_1.jpg

    Para ver o vídeo de Strani Amore,
    clique na foto acima.

    Vento no Litoral (Renato Russo e Cassia Eller)

    Já que você não está aqui,
    O que posso fazer é cuidar de mim
    Quero ser feliz ao menos
    Lembra que o plano era ficarmos bem?

    Indios

    Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
    Entenda – assim pude trazer você de volta prá mim,
    Quando descobri que é sempre só você
    Que me entende do início ao fim
    E é só você que tem a cura para o meu vício
    De insistir nessa saudade que eu sinto
    De tudo que eu ainda não vi.

    O Teatro dos Vampiros

    Sempre precisei de um pouco de atenção
    Acho que não sei quem sou
    Só sei do que não gosto
    E destes dias tão estranhos
    Fica poeira se escondendo pelos cantos
    Este é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante
    E a primeira vez é sempre a última chance.

    Meninos e Meninas

    E eu gosto de meninos e meninas
    Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
    Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
    Estou cansado de bater e ninguém abrir
    Você me deixou sentindo tanto frio

    youtube_renato_russo_2.jpg

    Para ver o vídeo de Meninos e Meninas,
    clique na foto acima.

    Pais e Filhos

    Quero colo
    Vou fugir de casa
    Posso dormir aqui
    Com vocês?
    Estou com medo tive um pesadelo
    Só vou voltar depois das três

    Por Enquanto

    Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
    Que tudo era pra sempre
    Sem saber
    Que o pra sempre, sempre acaba

    Ainda é Cedo

    Uma menina me ensinou
    Quase tudo que eu sei
    Era quase escravidão
    Mas ela me tratava como um rei
    Ela fazia muitos planos
    Eu só queria estar ali
    Sempre ao lado dela
    Eu não tinha aonde ir

    youtube_renato_russo_3.jpg

    Para ver o vídeo de Ainda é Cedo,
    com Legião e Paralamas,
    clique na foto acima.

    La Solitudine

    La solitudine fra noi, questo silenzio dentro me
    E l’inquietudine di vivere la vita senza te
    Ti prego aspettami perché
    Non posso stare senza te
    Non è possibile dividere la storia di noi due

    Faroeste Caboclo

    Aos quinze foi mandado pro reformatório
    Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror
    Não entendia como a vida funcionava
    Descriminação por causa da sua classe e sua cor
    Ficou cansado de tentar achar resposta
    E comprou uma passagem foi direto a Salvador

    Eduardo E Monica

    Eduardo e Mônica eram nada parecidos
    Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
    Ela fazia Medicina e falava alemão
    E ele ainda nas aulinhas de inglês
    Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
    De Van Gogh e dos Mutantes
    Do Caetano e de Rimbaud
    E o Eduardo gostava de novela
    E jogava futebol-de-botão com seu avô

    youtube_renato_russo_6.jpg

    Para ver o vídeo de Nada por mim com Legião Urbana e Paralamas do Sucesso, clique na foto acima.

    ________________________________

    Aviso

    Gente, eu viajo, novamente, em dois dias (para Suécia e Lituânia, lembram?), por isso, ando sumida dos blogs e dos comentários daqui. Desculpem, mas o tempo é curtíssimo pra tanta coisa que preciso resolver antes de viajar (vou ficar duas semanas fora).

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    Asdrúbal Trouxe o Trombone

    Denise | Anos 80,Literatura,MPB,Música,Vídeo | Saturday, 26 August 2006

    asdrubal1.jpg
    Xarabovalha – Parte 1

    “O que tem de engraçado em paz, amor e compreensão?”
    Elvis Costello

    Entre os meus 15 e 17 anos, vivi a minha fase hippie olindense. Usava sapatinho de crochê com lantejoulas bordadas, pintava minhas sapatilhas com luas, arco-íris e estrelas. Tinha uma cabeleira enorme, fazia lindas tranças no cabelo entrelaçadas com fitas de cetim rosa e azul bebê, ou amarrava uma fita branca no cabelo e vestia roupinhas de chita colorida. Frequentava os shows de Don Tronxo e Ave Sangria no quintal do Centro Luis Freire, que era nosso Woodstock. E, claro, fazia teatro com minha querida amiga Verônica.

    Além de Augusto Boal e seu Teatro do Oprimido, eu ADORAVA o Asdrúbal Trouxe o Trombone. Até assisti “A Farra da Terra”, quando eles foram ao Recife. Adorava aquele espírito comunitário, de compartilhar tudo, ver a vida colorida, muita paz e amor…

    O Asdrúbal era uma cooperativa de atores super-hippie que foi criada em 74 e tinha artistas como Regina Casé, Hamilton Vaz Pereira, Luis Fernado Guimarães, Perfeito Fortuna, Nina de Pádua, Evandro Mesquita e Patricia Travassos.

    asdrubal2.jpg

    Xarabovalha – Parte 2

    Numa época de repressão braba, por causa da ditadura militar, quando a arte era pesada e triste, o Asdrúbal trouxe alegria pra garotada e era considerado um grupo de “porra-loucas alienados”. Mas, como se dizia na época, “fez a cabeça” de muitos jovens, cansados de tanta dor.

    Mas nada dura pra sempre e, mais ou menos aos 18, 19 anos entrei na “new wave” e passei a desprezar profundamente tudo que fizesse referência ao movimento hippie. Durante muitos anos tive horror a Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Joe Cocker. Asdrúbal, então, nem pensar… eu acho que é sempre assim, né? a garotada mais descolada, hoje, também detesta o Nirvana, mas cultua o The Doors, que está mais distante.

    A gente se rebela pelo movimento cultural que acabou de passar, mas está mais próximo da gente. Quase como uma representação cultural da rebeldia em casa, com pai e mãe. Vai ver é necessário que seja assim, para que surjam novos movimentos. Enfim, como eu era uma jovenzinha rebelde, em casa e na música, comecei a fazer a linha “kill the hippies”.

    Muitos anos depois, distanciada disso tudo e menos rebelde (pelo menos em relação à geração anterior :-) estou voltando a ver com outros olhos as coisas que eu gostava tanto na minha fase pré-Smiths.

    asdrubal.jpgNo natal passado, meu irmão me deu o livro “Asdrúbal Trouxe o Trombone: Memórias de uma Trupe Solitária de Comediantes que Abalou os Anos 70″. Lindo. Lindo. Lindo.

    Eu sempre gostei de tudo que a autora Heloisa Buarque de Holanda escreve e nesse livro ela tem a matéria prima perfeita pra uma leitura agradável, com uma bela programação visual, cheia de fotografias (apesar de que algumas páginas com papel muito escuro ficam ruins de ler).

    O livro vem com um DVD, que é um documentário feito pelo grupo na época. É delicioso, com cenas das peças de teatro costuradas com depoismentos dos atores bem novinhos e ingênuos. Imperdível.

    Digitalizei o vídeo e vou deixar à disposição de vocês por um período curto, apenas pra vocês se deliciarem um pouco. Quem não pode pagar os 49 reais pra comprar o livro, pelo menos terá a oportunidade de ver o grupo em ação.

    Quem tiver as 49 pilas (como se dizia na época), não deixe de adquiri-lo, antes que saia de catálogo. Em 10 anos, esse livro será uma raridade preciosa e parte importante da história cultural brasileira.

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    Essa musiquinha grudou que nem chiclete…

    Denise | Anos 80,Música | Monday, 01 August 2005

    Ouça aqui. (Ted A-D-O-R-A essa!)

    “Hey now, hey now
    Don’t dream it’s over
    Hey now, hey now
    When the world comes in
    They come, they come
    To build a wall between us
    We know they won’t win”

    Sixpence None The Richer

    E essa também:

    Ouça aqui.

    “And when I get excited
    My little China Girl says
    Oh baby just you shut your mouth
    She says… shh…”

    David Bowie

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    Boy Who Cried Wolf

    Denise | Anos 80,Música | Wednesday, 27 July 2005

    Style Council

    clipsc1.jpg

    Você pode capturar aqui o lindíssimo clip de Boy Who Cried Wolf
    (O arquivo tem 37mb e só estará disponível até o dia 31 de julho)

    Ouça a música aqui.

    As the rain comes down, upon this sad sweet earth
    I lie awake at nights and – think about me
    All those usual things like what a fool I’ve been
    I curse the awful way – that I let you slip away

    For what was forged in love, is now cooling down
    With only myself to blame for playing that stupid game
    I thought I need only call and you would run
    But that day you never showed honey – well I sure learnt -

    That it seems I need you more each day
    Heaven knows why that it goes that way -
    Now it’s far too late – an’ I’ve lost this time -
    Like the boy who cried wolf

    An’ yes – I know it’s far too late
    To ever win you back -
    No tale of nightmare’s at my gate -
    Could make you turn -
    My lost concern

    And now the night falls down, upon my selfish soul
    I sit alone and wonder – where did I go wrong?
    It always worked before you kept the wolf from my door
    But one day you never showed and honey – now I’m not so sure -

    That is seems I need you more each day
    Heaven knows why that it goes that way -
    Now it’s far too late – an’ I’ve lost this time -
    Like the boy who cried wolf

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    Os Meus Anos 80 – Parte II – A Música

    Denise | Anos 80,Música | Sunday, 24 July 2005

    dolores.jpg

    Aviso: esse post, além de longo (pode ser lido apenas partes :) , não pretende ser um apanhado da época, mas é apenas fruto das minhas lembranças, sem nenhuma pesquisa bibliográfica, portanto, todas as datas e fatos podem estar embaralhadas na minha mente…

    Depois desse post, vou voltar pra Letônia… já foi uma overdose de anos 80 pra todo mundo… hehehe…

    A Pré-história

    Em janeiro de 1980, eu tinha 15 aninhos, mas já saindo de uma super overdose de MPB. Desde bem novinha, fui apaixonada por música. Dia desses, encontrei o ingresso amassado de um show histórico que fui do Jards Macalé e Moreira da Silva, no Projeto Pixinguinha, no dia 20 de julho de 1978… eu ainda nem tinha feito 14 anos!

    Adorava Caetano, Chico, Gal (Vapor Barato!), Elis Regina, Moraes Moreira, Geraldinho Azevedo, Francis Hime, Fatima Guedes, Angela Rôrô, Zizi Possi, Jackson do Pandeiro, Adoniran Barbosa, Cartola, Kid Moringueira… Raul Seixas, Rita Lee (cuja música Ovelha Negra eu ouvia como mantra…) e os geniais Mutantes…

    Mas, a minha impressão é que era tudo dolorido demais, fruto de anos de repressão da ditadura militar, que, claro, também influenciava o comportamento das familias. Faltava música brasileira pra os jovens daquela época…

    Como tudo começou

    blitz.jpgAté que, um dia, eu estava de farda, gazeando aula do São Bento, ali na Praça do Carmo e um amigo de São Paulo (olheiro do MR-8, na minha escola, longa e interessantísima história, que fica pra outro post… hehehe…), por quem eu era apaixonadissima, falou de uma banda que cantava algo como:

    “Amor, pede mais uma porção de batata frita… OK… você venceu batata frita…”

    Corri pra Disco 7, comprei o disco da Blitz e, em 1982, entrei nos meus anos anos 80. Foi uma pequena revolução pra mim.

    New Wave

    Com a banda carioca, eu, e mais milhões de brasileiros jovenzinhos encontramos alguém que falava a nossa língua. A partir daí, fomos descobrindo que tinha um monte de coisa sendo feita e que a gente nem sabia… Gang 90 e as Absurdettes, Lobão e os Ronaldos, Kid Abelha, Barão Vermelho, Legião Urbana, Ira, Capital Inicial, Sempre Livre, Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso, Titãs…

    Gente, era muuuuuuuito bom ouvir algo assim, despretensioso, e que, falava exatamente do que a gente estava sentindo, depois de toda a “profundidade” dos anos 70!

    “Eu tenho o gesto exato, sei como devo andar, aprendi nos filmes pra um dia usar, um certo ar cruel de quem sabe o que quer, tenho tudo planejado pra te impressionar. Luz de fim de tarde, meu rosto em contra-luz, não posso compreender, não faz nenhum efeito, minha aparição será que errei na mão, as coisas são mais fáceis na televisão…”

    lobao3.jpgDessa turma, o que conseguiu se superar, sempre, foi o Lobão*, que é gênio… mantém a mesma postura honesta em relação à sua música, atualmente discute a música digital e pirataria e não tem medo de pegar briga com peixe grande. Além de tudo isso, foi ele quem fez essa musiquinha que eu adoro:

    “Você está me conquistando, menina quer brincar de amar…”

    Na verdade, depois dessa, ele nem precisava ter feito mais nada.

    Fora Lobão, que era o meu preferido absoluto, eu gostava muito do Paralamas, Kid Abelha e Barão vermelho na época de Cazuza e, claro… Cazuza muito e sempre. O grande poeta da minha geração.

    A Inglaterra no Recife

    “Love, love will tear us apart again…”.

    closer.jpgMas, como tudo muda muito rápido, nessa fase da vida da gente, entrei na faculdade de Sociologia da Federal, conheci Jô e nós ficamos amigas de Fred Zero 4 e Renato L, uns meninos estranhos que andavam com alfinetes de segurança na roupa e falavam de umas bandas da Inglaterra.

    Na época, meu irmão, ainda Zé Carlos, que tinha somente uns 12 aninhos, começou a ir pra Universidade comigo, ficou amigos dos punks de Candeias (Renato e Zero 4), virou H.D. Mabuse e começou a produzir, com Renato, o programa de radio Década, na 99.9 FM de Recife. E assim, meio que caí fora do cenário de rock nacional e fui introduzida à famosa cena britânica dos anos 80.

    Abre parêntesis. Quase 10 anos depois, esses dois meninos da faculdade, junto com Mabuse e um amigo dele ali de Rio Doce, Chico Science, viriam a criar o Manifesto Caranguejos Com Cérebro e, com o Movimento Mangue Bit, causaram uma pequena revolução na música brasileira (papo pra outro post!). Fred é vocalista do Mundo Livre S/A. Fecha parêntesis.

    “Yesterday I got so old I felt like I could die, yesterday I got so old, it made me want to cry, go on, go on, just walk away, go on, go on, your choice is made”

    Nos anos 80, eram os Smiths, Cure, Joy Division e Bauhaus que traduziam a nossa dor de crescer, lá nos trópicos. Mas a gente também penava ao som do Killing Joke, Siousxie and the Banshees, Sisters of Mercy, Talking Heads, David Bowie, Echo & the Bunnyman, Danse Society, Psychodelic Furs.

    style.jpgMas, de todas, nenhuma banda foi mais importante pra mim que o Style Council. Acho que eu não sofria o suficiente pra ir ao fundo do poço com os Ians Curtis e McCulloch. O Style Council era mais elegante, light, suave e engajado politicamente, o que eu adorava.

    “Whenever honesty persists, you’ll hear the snap of broken ribs, of anyone who’ll take no more, of the lying bastards roar, in Chile, in Poland, Johannesburg, South Yorkshire, a stones throw away: now we’re there.”

    Na linha so Style Council, um pop mais “relaxado”, também gostava demais de Sade Adu e do Everything But the Girl que era o que alguns rotulavam de “new bossa nova”.

    As tribos musicas dos anos 80

    Como eu casei em 85, com 20 aninhos, com um homem bem mais velho, que achava aquilo tudo ridículo, minha impressão é que fui obrigada a “amadurecer” (o que deu, né? hehehe) muito rápido. Me tornei algo como uma “Garota Interrompida”. Nunca fiz parte de tribo nenhuma. Ainda bem, né? porque olhando, de longe, era muito engraçado mesmo.

    Começando pelos “darks”.

    bauhaus.jpg

    Darks eram legiões de adolescentes pálidos, vestidos de preto, cultuando Baudelaire e ouvindo o Bauhaus cantar “Bella Lugosi is Dead… I’m dead, I’m dead, I’m dead…”… isso num Recife coloridíssimo e pegando fogo… hehehe… algo, vagamente, como os atuais seguidores de Marylin Manson…

    E os punks de Recife? espalhavam alfinetes de segurança pela roupa, mas só depois de sair de casa, pra mãe não brigar… sempre muito revoltados com o sistema e ouvindo London Calling. (Perdão, Renato! hehehe…)

    As outras tribos sempre foram meio incomprensíveis pra mim. Agradecerei muito se alguém puder me ajudar a explicar o que eram os pós-punk, pós-psicodélicos, punk pós-industrial, positive punk etc… eu não tenho a mínima idéia.

    Outros sons

    bauhaus.jpgAinda nos 80, comecei a explorar outros sons. Foi quando descobri Laurie Anderson e seu Superman, em Big Science, sobre quem já escrevi aqui, quando fui pro seu show, ano passado.

    “‘Cause when love is gone,
    there’s always justice.
    And when justice is gone,
    there’s always force.
    And when force is gone,
    there’s always Mom. Hi Mom!

    So hold me, Mom, in your long arms.
    So hold me, Mom, in your long arms.
    In your automatic arms.
    Your electronic arms.”

    Nessa época também descobri coisas como Erik Satie, John Cage, Ryuichi Sakamoto, mas Laurie Anderson era imbatível.

    E depois…

    Por um lado, acabei virando uma mulher ocupada demais pra pensar nessas coisas, que eu acho são fundamentais na nossa vida, como música… tava sempre trabalhando, cuidando de Bia ou viajando. Por outro, a gente está sempre negando o passado recente, por isso, de certa forma, andei dando uma apagada de algumas coisas dos anos 80 da minha vida.

    Mas agora, que está mais distante, posso ver tudo com mais bom humor e, com o emule, estou capturando muita coisa que não tinha, da época.

    Poderia continuar citando dezenas de grupos que eu também ouvia naquela época… Kraftwerk, Madonna, Cindy Lauper, Police, Lou Reed, Boy George, Nina Hagen, Huey Lewis and the News, Blondie, Frankie Goes to Hollywood, Eurythmics, Cabaret Voltaire, New Order, Pretenders, Simnple Minds, UB40… mas agora eu quero mesmo é saber quais as músicas que embalaram os seus anos 80…

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    Imagens: (1) Dolores Descartável, quadro de Adir Sodré, da Exposição “Como Vai Você Geração 80?”, (2) capa do primeiro disco da Blitz, (3) Lobão, (4) Joy Division, (5) Style Council, (6) Peter Murphy, do Bauhaus, cantando “Bella Lugosi is Dead” no filme super cult “Fome de Viver” e (7) Laurie Anderson, cantando “Superman”…
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    * Puxe aqui uma entrevista genial de Lobão pra Playboy. Gentil contribuição do Guilherme, do ¡Ay, Caramba!
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    Mensagem de Amor

    Denise | Anos 80,Música | Sunday, 24 July 2005

    alexvallauri1.jpg

    Ouça aqui.

    Os livros na estante
    Já não têm mais
    Tanta importância
    Do muito que eu li
    Do pouco que eu sei
    Nada me resta

    A não ser
    A vontade de te encontrar
    E o motivo eu ja nem sei
    Nem que seja só para estar
    Ao teu lado só pra ler
    No teu rosto
    Uma mensagem de amor

    A noite eu me deito
    Então escuto
    A mensagem no ar
    Tambores rufando
    Eu ja não tenho
    Nada pra te dar

    A não ser
    A vontade de te encontrar
    E o motivo eu ja nem sei
    Nem que seja só para estar
    Ao teu lado só pra ler
    No teu rosto
    Uma mensagem de amor

    No céu estrelado
    Eu me perco
    Com os pés na terra
    Vagando entre os astros
    Nada me move
    Nem me faz parar

    A não ser
    A vontade de te encontrar
    E o motivo eu ja nem sei
    Nem que seja só para estar
    Ao teu lado só pra ler
    No teu rosto
    Uma mensagem de amor

    Música: Paralamas do Sucesso (1984), por Lucas Santanna.

    Imagem: Alex Vallauri, que também participou da exposição “Como Vai Você, Geração 80?”.

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    Nada Tanto Assim

    Denise | Anos 80,Música | Friday, 22 July 2005

    Ouça aqui.

    Só tenho tempo pras manchetes no metrô
    E o que acontece na novela
    Alguém me conta no corredor
    Escolho os filmes que eu não vejo no elevador
    Pelas estrelas que eu encontro
    Na crítica do leitor
    Eu tenho pressa
    E tanta coisa me interessa
    Mas nada tanto assim
    Só me concentro em apostilas
    Coisa tão normal
    Leio os roteiros de viagem
    Enquanto rola o comercial
    Conheço quase o mundo inteiro
    Por cartão postal
    Eu sei de quase tudo um pouco
    E quase tudo mal
    Eu tenho pressa
    E tanta coisa me interessa
    Mas nada tanto assim…

    Kid Abelha

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    Essa música resume minha adolescência. Muita água rolou de lá pra cá, mas continuo sabendo de quase tudo um pouco e quase tudo mal.

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    Your Love is King

    Denise | Anos 80,Música | Saturday, 14 May 2005


    Your love is king,
    crown you in my heart.
    Your love is king,
    never need to part.
    Your kisses ring,
    round and round and round my head.
    Touching the very part of me.
    It’s making my soul sing.
    Tearing the very heart of me.
    I’m crying out for more.

    Your love is king,
    crown you in my heart.
    Your love is king.
    You’re the ruler of my heart.
    Your kisses ring,
    round and round and round my head.
    Touching the very part of me.
    It’s making my soul sing.
    I’m crying out for more.
    Your love is king.

    I’m coming up, I’m coming.
    You’re making me dance, inside.

    Your love is king,
    crown you in my heart.
    Your love is king,
    you never need to part.
    Your kisses ring,
    round and round and round my head.
    Touching the very part of me.
    It’s making my soul sing.
    It’s tearing the very heart of me.
    I’m crying out for more.

    I’m crying out for more.
    Your love is king.

    Touching the very part of me.
    It’s making my soul sing.
    I’m crying out for more.
    Your love is king.

    This is no blind faith
    This is no sad and sorry dream.
    This is no blind faith
    Your love…
    your love is real…
    never, never need to part,
    never letting go,
    never letting go,
    never going to give it up.
    I’m coming, I’m strong
    your love is real…

    Música: de Sade Adu em cover de Will Young da trilha sonora de “Bridget Jones – A Idade da Razão”.

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