
Fiquei sabendo, através do Gilberto Pavoni Jr (via Twitter), que o Harvey Pekar morreu hoje. =( Lembrei desse post que fiz quando o encontrei numa noite de autógrafos em Washington DC (em setembro de 2005) e como vocês podem ver eu gostei demais dele. Então, taí, re-editado pra vocês verem ou reverem. R.I.P. Pekar.
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MA-RA-VI-LHO-SO!!!
Momento tietagem absoluta, algumas horas atrás… alguém adivinha quem é? (Gui, não vale você, hein?!)
Quem é a figura
Bom, não sou a maior fã de quadrinhos. Gosto de apenas três: Crumb, Sampé e Wollinski. Todos por influência do meu ex-marido que era cartunista. (Não estou contando Charlie Brown, Mafalda e Calvin & Harold, claro…). Mas de todos, pra mim, Crumb é o mais interessante.
Entao, quando o namorado de Bia me avisou que Harvey Pekar, roteirista de algumas histórias de American Splendor, ilustradas por Crumb, estaria na livraria Barnes and Nobles, ontem à noite, fui correndo tietar.

Na verdade, “conheci” o Pekar por causa de Crumb, mas ele é um gênio por ele mesmo, seja com que ilustrador for, perfeito ao retratar as coisas mais banais. E foi essa vida “banal” de funcionário público e roteirista de quadrinhos que virou o filme super premiado American Splendor.
No filme, que eu acho que foi lançado no Brasil com o título ridículo de “O Anti-Herói Americano”, os diretores misturam depoimentos do próprio Pekar com histórias suas, vividas pelo genial ator Paul Giamanti, de Sideways. Mesmo se você não for super fã de quadrinhos, não deixe de ver American Splendor, é criativo, divertido e emocionante.
Ao vivo, o Pekar é exatamente igual ao filme. Um cara comum, com as sobrancelhas revoltadas e uma camisa colada estilo 70s, que está super na moda de novo e ele nem sabe.
Ele foi muito legal, disse que estava lá pra gente fazer o que quiser com dele, “podem tirar fotos, perguntar o que quiser, assino os livros e se quiser vir falar comigo, no final, nem precisa comprar os livros”.
Contou que ainda vive em Cleveland, na mesma casa “que já tá paga”, desde 1990… “pra que mudar? não vou mais conseguir comprar outra por 70 mil dólares”… perguntado se já visitou o Museu do Rockn’Roll que tem em sua cidade ele disse que não, porque “fica no centro da cidade e é difícil encontrar estacionamento por lá”.
Falou do câncer, que teve, e de como contou com a ajuda da mulher, Joyce (que estava lá, literalmente, tricotando), pra superar a doença, cuja experiência virou um livro, “Our Cancer Year”, escrito pelos dois.
Comentou a entrevista com David Letterman (passa no filme), em que ele detonou com o jornalista direitóide. Disse que, quando o filme saiu, alguns jornais desafiaram Letterman a chamá-lo de novo, pra outra entrevista… claro que nunca houve o convite…
Perguntado sobre o que acha de anime e mangas ele disse que acha coisa pra criança com aquele pessoal de olhos enormes e que quando estava no Japão teve muita dificuldade pra encontrar cartoons pra adultos (hehehe… os amantes do gênero me perdoem, mas concordo com ele).
Sobre o filme, disse que ainda acha incrível que os caras tenham conseguido fazê-lo e vender para a HBO. Sobre como o Paul Giamatti conseguiu incorporar tão perfeitamente o papel dele, disse que o ator viu alguns vídeos seus, mas não ficava no pé dele, analisando como ele anda e fala, apenas saíram algumas vezes, como amigos, e já perto do filme ser produzido. Falou de um dia que foram a um enorme sebo de livros em Cleveland e ficaram o dia perdidos por lá… viram, não sou só eu, não… hehehe…
Enfim, foi uma noite deliciosa, eu ri muito de cara com uma lenda viva. Tietei mesmo, fotografei, comprei livros pra ele autografar (inclusive pro ex-marido, porque somos civilizados, né? hehehe…) e ainda assumi que sou fãzoca dele e da mulher (a filha também tava lá com ar entediado de filha de famosos…).
Não percam o filme, esse eu GARANTO que vão adorar!
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