Eu fiz esse post há três anos, ele é o mais visitado de todo o blog. Como ando sem tempo pra escrever, achei que valia a pena re-editá-lo, pra quem está chegando ao blog agora. Foi muito emocionante, pra mim, receber o email dessa menina. Como a dela, recebi várias outras mensagens de meninas que diziam gostar de como eu falava do assunto, sem julgá-las, nem condená-las. Não vou nem revisar, porque preciso sair agorinha mesmo.

Há pouco mais de um mês escrevi esse post aqui sobre a existência de blogs pró- anorexia e pró-bulimia. Estava chocada não só com o fato de tantas meninas estarem sofrendo com distúrbios alimentares, mas também com a rede silenciosa que estava se formando, não no sentido de apoiar as meninas, mas de apoiar a anorexia e bulimia como “estilos de vida”.
Como tratei do tema com todo respeito e seriedade sem, em nenhum momento, considerar o fato uma futilidade ou culpar essas meninas pela situação em que estão vivendo, consegui sua confiança, e passei a me comunicar com algumas delas.
Recebi um email que me emocionou muito, com esse depoimento de uma das meninas que não quer se identificar, mas que pediu que eu publicasse aqui no blog, como uma forma de ajudar as pessoas a entender melhor o drama que elas estão vivendo.
Publico o depoimento dela, na íntegra a seguir… (quando ela se refere a “ana”, é anorexia ou meninas que vivem com anorexia)
As pessoas não sabem ajudar e na verdade nem sei se a intenção delas é esta mesmo. Na verdade todas nós estamos precisando de muita ajuda, ninguem aqui tá pirada o suficiente para acreditar que ficar sem comer até nos saltarem os ossos é uma coisa normal, mas é um desejo nosso, entende?
Por muitos motivos, cada uma de nós tem um motivo diferente da outra, outras tem motivos iguais, mas você nem imagina quantos motivos existem além da futilidade!
O meu por exemplo é minha mãe que sempre disse que tinha vergonha da minha gordura, que quando eu era modelo (magérrima) eu tinha mais sucesso nas coisas que ela me investia.
Nessa época de modelo eu parei com as dietas pq me tornei anoréxica, fui parar no hospital com um problema sério de muitos leucócitos no meu sangue, fiz tratamentos e engordei tanto que resolvi procurar apoio na bulimia e depois fiquei buscando a ana novamente até encontrar…
Até hoje ela ainda me cobra quando eu abro a geladeira e vou tomar um suco que esteja com açúcar: “Esse suco está muito adoçado com açúcar, quer ser uma balofa horrorosa novamente?”
Minha mãe fecha os olhos pra qualquer risco que eu esteja correndo, diz que na minha idade pesava 45 quilos e que eu pesando mais do que isso quando tiver a idade dela não estarei passando mais na porta. Enfim, o problema principal nem é ela, mas sou eu mesma, só digo a você que a gente sofre pressão até dentro de casa.
Tem meninas com problemas mil vezes piores que os meus e as pessoas não poupam ninguem. Todas nós estamos precisando de palavras leves. Quando eu mencionei certa vez bem no início do blog que eu usava manequim 40 me chamaram de gorda, acabaram comigo nos comentários e por email também, depois disso eu perdi 12 quilos. Mas a cada quilo perdido é uma junção de medo, alegria, pavor, descontrole que desaba sobre nós. Não sei mais se estou gorda ou magra, nem quero saber. Só é muito ruim quando as pessoas colaboram para que afundemos mais ainda.
Estou contando tudo isso a você devido a aquele post em teu site, você fez pesquisas sobre a anorexia mais faltou uma coisinha: a nossa versão “verídica”, por que é bem assim que acontece. Sinto que você ficou mal depois do transtorno que isso causou a nós em nossos blogs por conta da divulgação dos nossos links e fico feliz em ver que você não quis contribuir com essa situação desagradável retirando os links da página e tentando ao menos contornar a situação.
Talvez agora a sua pesquisa esteja bem mais completa com meu depoimento, mas ainda falta o que nós anas e mias ainda não conseguimos saber : a solução pra isso tudo.
Todo ano são 5 ana’s dos blogs que morrem, em média, é o que ficamos sabendo. Eu mesma ja perdi 3 amigas assim e todas sabem que a qualquer momento pode acontecer com uma de nós. Na maioria das vezes essas anas que morreram ja tentaram se tratar da doença ( em silêncio). Nenhuma de nós temos a coragem de adimitir isso.
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