Em Pernambuco, Dilma tem 71% contra 17% de Serra. Lembrando que Jarbas é um dos poucos que não esconde Serra na campanha (Via @maria_fro) 3 days ago
Tô pronta pra yoga e não consegui sair pra ficar vendo o #emmyawards eu sei, uma perda de tempo, mas é tão divertido pra quem vê as séries!. 3 days ago
#emmyawards YES! adorei! Ela está divina em Nurse Jackie. Se vocês não assistem, baixem todos episódios! =) 3 days ago
“Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa”
Essa coisinha deslumbrante é Soo Bin, filha de nossos amigos Song e Hye-Ock. As fotos foram feitas em um estúdio, há poucos dias atrás. Eles foram fundamentais na ajuda que deram pra gente se organizar por aqui, sem eles nem sei como teríamos conseguido montar nosso apartamento.
Já tinha feito esse post sobre eles, onde contei que Song fez milhares de estrelinhas em origami para a (na época) namorada, enquanto estava no exército. Não é super fofo? eles são um casal lindo (e aqui, nossa cantoria num karaokê).
Fomos visitá-los no final de semana, porque agora Soo Bin já tem 4 meses e está liberada para receber visitas. Gravidez, parto e pós-parto é uma novela, por aqui, cheios de rituais. Nos primeiros 100 dias do bebê (que é comemorado como se fosse festa de um ano), ele não sai de casa e ninguém pode visitá-lo, fora os avós (nem ti@s e prim@os!).
Ela é tão linda, que deu vontade de agarrar e sair correndo com ela =) adoro as crianças coreanas, são tão lindas. Quando são maiorezinhas, as que estudam inglês (maioria) adoram dizer “HI” pra gente. Acho que Soo Bin deu uma estimulada no meu lado maternal!
Agora, acho que posso lamber a cria, né? aliás, ela só deixou eu fazer esse post porque eu apelei: “é meu presente de Dia das Mães”, porque, ao contrário de mim, Bia é discretíssima e faz tudo que pode pra não aparecer.
O fato é que essa garotinha aí, amor da minha vida, vai se formar em Sociologia, pela Universidade de Maryland (mesma em que estudaram os criadores do Google, por exemplo ) e vai ser Summa cum Laude (com a maior das honras). Essa é um reconhecimento dado a pouquíssimos estudantes (cerca de 1%, nos EUA). Ela está se formando com GPA máximo: 4.0.
Apesar de eu estar explodindo de orgulho, os méritos são TODOS DELA. Sério. Foi ela quem sacrificou 4 anos da vida estudando MUITO, ao mesmo tempo em que trabalhava e tentava manter um mínimo de vida social. Eu sempre apoiei, mas nunca cobrei nada. Todo esse esforço foi iniciativa própria, responsabilidade, vontade de fazer as coisas certo e levar a carreira – que ela adora – a sério.
Tem muita coisa pra falar da minha Bia, sou sua fã por esse Summa cum Laude mas também por ela ser politizada, generosa, independente, corajosa e muito mais. Mas, se ficar pensando e escrevendo, acabo chorando então é melhor deixar quieto. Estou MUITO feliz e esse foi o melhor presente de Dia das Mães que eu poderia ganhar.
Aproveito pra desejar a minha mãe, que também é maravilhosa e a todas as mães que visitam o blog, um lindo dia, com muito amor, alegrias e paciência (tem coisa que a gente precisa mais com essas criaturinhas? hehehe).
Beijos eufóricos!!
Foto: Minha cidadã do mundo, que está se preparando pra voltar pra onde ela mais ama (pelo menos por um tempo).
(veja a tradução no final do post, feita muito gentilmente pela Maffalda)
Tenho muitas coisas a escrever sobre ninho vazio, pressão para perfeição, culpa, delícias da maternidade, mas sempre que chega esse Dia das Mães, penso mais nas mulheres que sofrem com essa pressão estúpida para ser mães. Aí, como tem muita gente escrevendo pras mães, vou escrever para as não-mães.
Publiquei esse vídeo em maio do ano passado, alguns dias depois desse outro post, em que comentava o abominável livro da Maria Mariana, lançado nessa época. Lembram da criatura afirmando que pra ser feliz era preciso casar e ter filhos? rendeu muuuuuita conversa aqui no blog.
Naqueles dias, por coincidência, assisti a dois episódios da série In Treatment (HBO) que me deixaram muito emocionada.Mia, uma mulher madura, independente financeiramente, que construiu uma carreira de sucesso e tinha perdido uma gestação quando era jovem (não lembro se foi aborto voluntário ou não), fica descompensada com a esperança de estar grávida. Pra mim, o trecho mais importante é esse:
“Eu sei que todo mundo diz, sabe, você fica grávida e tudo muda, mas sabe, é verdade mesmo! … Tem essa pré escola no meu quarteirão que eu sempre evito porque, sabe, tem mães, com suas caminhonetes e carros de bebê atravancando todo mundo, como se tivessem privilégios porque procriaram… agora eu passo sorrindo (…) Eu me senti transformada por algumas semanas, como se eu tivesse um propósito real, e fosse uma pessoa diferente… Mas era eu. Uma pessoa tem um bebê e as pessoas param de fazer perguntas. ‘O que há de errado com ela?’, ‘Ela é tão ambiciosa, patética, ou estranha. É fácil, ela é uma mãe, isso responde um monte de perguntas.“
Já vimos essa história, não? ela precisa mesmo se repetir no século XX!?
Faz tempo que não vejo nenhuma delas (lembrem que fora do Brasil vejo os programas, mas não os comerciais), mas sei bem como é essa época de Dia das Mães. Propagandas ultra-sentimentais, mostram toda a beleza da maternidade e a imagem sagrada da mulher não-egoísta, que abre mão dos seus desejos para suprir a família. Ninguém fala em dividir as tarefas com ela, no dia a dia, mas as imagens ajudam como nunca a vender mais um eletrodoméstico pra sua cozinha.
Não é em vão que existe tanta pressão pela maternidade e não apenas no Dia das Mães. Ser mãe é como uma declaração de que você é “normal”, que está “nos eixos”.Além do mais, as mães são uma fabriquinha maravilhosa de consumo. Vejam bem, não tem aí nenhuma crítica individual, nada contra comprar desde óleos anti-estrias ao computador mais moderno pro seu filho universitário. O problema não é o que a mãe quer consumir (curtam, sem culpa, please!), mas a pressão que se cria para que toda mulher em idade reprodutiva passe por essa fase (e, consequentemente, consuma também).
Nem preciso dizer que eu adoro minha filha, mas o que tentei passar pra ela, desde pequenininha, foi que a maternidade não é um destino inexorável. Sim, acho que ela vai adorar ser mãe, se isso acontecer, mas existe vida além disso e se ela não engravidar, terá muitas outras realizações e alegrias. Ela não precisa ser mãe.
Tanta coisa pode acontecer que leva a mulher não engravidar (sendo hetero ou gay). Pra começar, ela pode simplesmente não ter vontade. Pode não encontrar a pessoa certa pra dividir a tarefa e não querer ter filhos sozinha. Pode preferir viver a vida a dois, sem uma terceira pessoa na família. Pode perceber que não tem condições financeiras pra criar uma outra pessoinha. Pode ter algum problema biológico e preferir não adotar. Tanta coisa. Fazer cobranças para que toda mulher seja mãe é de uma crueldade e estupidez sem tamanho.
E aí eu fico com muita, muita raiva das pessoas – como a Maria Mariana – que dizem que quem não casa – ou não é mãe – não é uma mulher completa, não evolui, é egoísta. Conheço muita gente que não casou ou não teve filhos e tem uma vida muito agradável e cheia de realizações.
A pressão por que passa Mia, do seriado é o que muitas mulheres vivem.Vamos fazer a nossa parte, incorporando a idéia de que nem toda mulher tem que ser mãe pra ser feliz, evitando perguntar “e quando vem o bebezinho?”, deixando cada uma ser feliz à sua maneira. Mãe ou não.
Tradução do vídeo
Mas, isso foi na semana passada, agora tudo mudou. Como? Por que isso? Porque estou grávida. Isso… Isso… é uma grande novidade! 20 anos atrás você estava tendo sua primeira criança e eu estava perdendo a minha. Você tem pensado sobre aquela época? É diferente. É diferente desta vez. Eu sei que todo mundo diz, sabe, você fica grávida e tudo muda, mas sabe, é verdade mesmo!
Meu corpo está diferente e eu parei de fumar. Tem essa pré escola no meu quarteirão que eu sempre evito porque, sabe, tem mães, com suas caminhonetes e carros de bebê atravancando todo mundo, como se tivessem privilégios porque procriaram… agora eu passo sorrindo… Então voce foi de invejosa a se sentir como parte do clube?
(…) E como se sentiu? Eu me senti transformada por algumas semanas, como se eu tivesse um propósito real, e fosse uma pessoa diferente… Mas era eu. Uma pessoa tem um bebê e as pessoas param de fazer perguntas. “O que há de errado com ela?” “Ela é tão ambiciosa, patética, ou estranha”. É fácil, ela é uma mãe, isso responde um monte de perguntas. Parece que você mesma tinha um monte de perguntas semana passada. Ok, talvez tenha fraquejado, mas eu ainda queria ter um bebê. O ridículo é que agora eu posso fumar e eu nem quero. Então talvez você tenha mudado. Boa tentativa. Sabe, Mia, tem outros jeitos de ser mãe, se é o que você realmente quer. Você diz competir por um casal de suburbanos jovens, o bebê de uma grávida adolescente? Eu não consigo me imaginar escolhendo esperma de universitários num catálogo, para descongelar e espirrar. Você não quer adotar, não quer um doador, no entanto você tem certeza de que você queria um bebê. Não é só ser uma mãe como você disse a semana passada, você também queria ter o futuro perfeito. Eu fiquei esperando conhecer o cara certo, mas ele não apareceu…
… Ele fez uns testes e me disse que… eu não perdi o bebê porque eu nunca estive grávida. E eu contei a ele sobre (?) e ele disse que eu provavelmente nunca ficaria. Depois ele continuou e disse que ele vê esse tipo de coisa uma vez por semana. Mulheres como eu, bem sucedidas, sem crianças, minha idade, vêm convencidas de que estão grávidas e ele tem que dizer a elas que elas… não estão. Então. Então você não fez o teste antes. Não. Por que não? Não sei. Eu pensei que ia esperar, eu tinha uma consulta pra esta semana, então meu médico.. eu tinha tanta certeza! Eu estava errada, e você está errado, eu não tenho que ficar de luto por uma criança que eu nunca tive.
Mia, a semana passada, você falou sobre a nova vida que você sentia dentro.
Não estava lá. De certa maneira estava. A força, o desejo de criar vida nova.
ps.: Se não conseguirem ver no blog, tentem esse link direto no You Tube.
Ontem, não vi a final do BBB, porque o site da Globo estava fora do ar, mas acompanhei pelo Twitter. Uma das coisas mais irritantes foram as dezenas de piadas e comentários maldosos sobre o excesso de peso da Ivete Sangalo.
Ai, gente, francamente, quando Bia nasceu, há quase 23 anos, emagrecer em poucas semanas, ou mesmo meses, era a última coisa que me preocupava e não lembro de sofrer nenhuma pressão pra isso.
Agora, as celebridades, com suas imagens ridiculamente manipuladas digitalmente pela mídia de fofocas, estão criando um ideal quase impossível de se alcançar. A foto da Kourtney Kardashian, com uma photoshopada tosca, mostra que a realidade é bem diferente.
Putz… deixa a mulherada engravidar, parir, curtir os primeiros tempos da maternidade (tempos já pra lá de complicados) sem já entrar direto nessa pressão do corpo perfeito. Que saco, não escapa ninguém..
Sei que o post abaixo foi bem rapidinho, mas é que ainda me sinto fraca com a gripe, vou voltando aos poucos, além do mais, já falei bastante desse assunto na categoria “Maternidade”.Mas, retomando o assunto um pouco, e respondendo a algumas de vocês, vou dar mais uns pitacos.
Não acho que tem regra. Não ter filhos, só ter um ou ter um monte, vale tudo. Mas, pra mim, ter somente uma filha foi opção consciente e ADORO.
1. Não concordo com o ditado de que “quem tem um, não tem nenhum”. Eu poderia ter 10, mas Bia seria insubstituível, se eu a perdesse, nenhum outro filhos acomodaria a dor (toc, toc, toc não gosto nem de pensar nisso).
2. Fui uma mãe ansiosa (aprendi a deixar de ser, quando percebi que ela tava criada), não acho que mais filhos aliviariam, acho que multiplicariam a preocupação com febres, meningites, escolha da escola certa, vacinas, alimentação etc.
3. Ter filho é caro e, nesse sentido, fui muito prática. Não sou rica, se eu tivesse dois filhos, mudasse pra Suécia, depois EUA… seria tudo mais complicado, mais passagens aéreas, apartamentos maiores, mais despesas. Além disso, Bia viajou muito (aos 22 anos, foram 23 países!), se fosse dois filhos ou mais, seria muito mais difícil ajudá-los a fazer tudo que eu gostaria que fizessem.
4. Filho único não precisa ser manhoso e dependente. Bia é – e sempre foi – independente. Quando era pequena, fazia artesanato pra vender. É super econômica, detesta sair para fazer compras e shopping centers. Hoje, trabalha duro, como já disse aqui – algumas vezes, 10 horas por dia. Estuda e se diverte. Tudo com muita maturidade, responsabilidade.
5. Nem precisa ser egoísta. Bia é generosa. Desde pequena, preciso ter cuidado pra ela não dar tudo que tem. Quando ela era pequena, nós tínhamos um motorista (eu não dirijo) e ela dizia na escola que ele era o tio dela, porque tinha vergonha de ter motorista =) ela é o máximo.
6. Nem sempre irmãos são companhia pra vida toda. Canso de ver casos de irmãos que, francamente, não têm o mínimo interesse em relação à vida dos irmãos e amigos muito mais próximos e solidários.
7. Bia aprendeu a conquistar amigos, porque não gosta de estar sozinha. Todo mundo adora Bia, ela fez grandes amigos por todo lado. Até aqui, na Coreia, deixou pessoas que adoraram ela e mantém contato. É uma habilidade preciosa, que vai ajudá-la, por toda vida.
Enfim, não estou dizendo que é melhor só ter um filho, mas que, se essa for sua opção, não ligue pro que dizem os outros – o povo adora dar palpite – ter apenas um(a) pode ser gratificante e funcional =)
Sobre ter mais filhos, de vez em quando adoro aperrear Ted, dizendo que quero adotar um coreanozinho. Ele entra em pânico, mas é só brincadeira, me arrepio só de pensar em ser responsável por outra criaturinha… já fiz o que tinha de fazer, agora só curto filhos dos outros!
Ainda estou me recuperando da gripe (A e fortíssima), por isso, os posts vão devagar, quase parando. Pra não parar, pensei em compartilhar um assunto que andei matutando depois que vi uma leitora falando que está tentando engravidar, aos 42 anos.
Vocês, com mais de 40 anos, de qualquer idade, andam com vontade de ter (mais) filhos?
Por que eu, AMO minha filha, mas depois dela, nunca tive vontade de engravidar, novamente e, hoje em dia, jamais pensaria em cuidar de criança, adotada ou não. Foi muito bom ter Bia, curti muito todas as fases, não me arrependo de uma noite sem dormir, mas nem imagino a trabalheira novamente. Agora, só os netos!
A única Casa de Parto do RJ (SUS) foi fechada por lobby do CREMERJ que não aceita um modelo de assistência ao parto normal que não seja acompanhado por médicos e sim por enfermeiros obstetras (graduados e especializados em obstetrícia), e que segue um modelo de parto humanizado para gestantes de baixo risco.
Caso haja alguma complicação a gestante é transferida de ambulância em 8 minutos para uma maternidade de referência. Esse modelo é utilizado em muitos países e desde 1999 vêm sendo implantado no Brasil (existem algumas casas de parto nesse modelo em SP), com ótimos resultados e grande satisfação por parte das mães.
Quando eu vi a entrevista na Folha, tentei ignorar porque, pra mim, as barbaridades que essa moça diz e escreve são só jogada de marketing pra vender livro. Tudo muito bem planejado pra polemizar e ter seu nomezinho esquecido de novo na mídia. Me deu muita preguiça e vontade nenhuma de botar mais água no feijão.
Mas depois eu recebi a entrevista que ela deu à Época (que tem o título “Deus quer o homem no leme”) numa lista de discussão sobre amamentação (e via email, de muitas amigas, obrigada, queridas) e percebi que muita gente estava incrivelmente bem impressionada com o que ela disse.
Aí, a coisa muda, eu não dou a mínima pra o fato de estar “promovendo” o livrinho irresponsável em questão, a gente tem de parar pra pensar e discutir o que significa o que ela disse. Sei que muita gente boa já fez isso (veja links abaixo), mas agora eu também quero dar meu pitaco. Desculpem o longuíssimo texto, talvez um dos meus posts mais longos, mas eu poderia ficar aqui escrevendo sobre isso por dias…
O problema das bobagens que a Maria Mariana disse não está nos detalhes, não é a cueca jogada no chão (aqui quem deixa a calcinha sou eu e é Ted quem apanha, na boa), isso não tem importância, mas é a monumental arrogância de mulher privilegiada financeiramente que se acha no direito de dizer o que as outras devem fazer e a defesa de uma filosofia de vida arcaica, que não pode trazer nada de bom pra ninguém, nem pra mulher, nem pra os filhos, nem pro seu companheiro.
Claro que é fundamental, acima de tudo, que toda mulher tenha direito de decidir o que é melhor pra ela e, sem dúvidas, parar de trabalhar e ficar em casa, cuidando dos filhos, é uma opção que deve ser respeitada. Adoro ver blogs de mães com bebês pequenos e lembrar dessa época. Francamente, no primeiro ano de Bia, nada, NADA, me interessava mais que ela. E foi muito bom. Mas é uma fase.
Acho que a entrevista dela faz tanto sucesso, em alguns meios, porque existe mesmo uma certa falta de compromisso de algumas pessoas (pais e mães) na criação dos filhos. Não vou escrever sobre isso agora, mas existe uma tendência a procurar o caminho mais fácil para a paternidade e maternidade. O problema é que a solução que a Maria Mariana oferece é retrógrada e coloca toda a responsabilidade nas costas da mulher. Quem ganha alguma coisa com isso, além dela que está vendendo seu livrinho?
(Vim procurar, aqui no blog, o que eu estava fazendo há três anos pra postar na meme do Twitter, e acabei encontrando esse post que decidi re-editar, já que temos pensado tanto em maternidade, ultimamente – e pleeease, não riam da minha cabeleira bem 80s hehehehehe…)
Escrito originalmente no dia 15 de maio de 2006
Meu Dia das Mães passou meio enrolado, com várias atividades, por isso nem pude vir aqui deixar um post pra minha mãe, nem visitar as blogueiras mamães. Mas todo mundo tá cansado de saber da admiração enorme que tenho pela minha mãe, sobre a qual já falei nos posts do Dia das Mães de 2005 e 2004. Sem sombra de dúvida, Bia e minha mãe são as duas mulheres mais importantes da minha vida.
Bom, mas, pegando o embalo da data, tive uma conversa interessante numa das minhas listas de discussão. A questão foi levantada por uma das nossas amigas, cujo filhinho já tem cinco anos, e começa aquela famosa cobrança pelo “segundo filho”.
Já escrevi nesse post aqui, sobre o quanto detesto essa ideía de que todas as mulheres têm de ser mães. Acho que existem várias formas de realização e a maternidade não é a única. Ainda que se ache que “não existe nada melhor que ser mãe”, acho uma profunda falta de respeito se cobrar isso de outras mulheres, até porque, às vezes, não engravidar não é uma escolha, mas uma contingência da vida.
Mas, hoje, queria mesmo era falar um pouco sobre a segunda fase da cobrança… “você não pode ter filho único”. Parece até que é uma praga. A criança vai crescendo e já começam os comentários: “mas vai ficar só nessa?”, “quando vão encomendar o outro?”, “ela vai ficar insuportável, se for filha única”.
Mamãe, eu, Bia e D.Emília, a outra avó de Bia (que já se foi). Vinte anos atrás. Três mães corujíssimas.
Imagino que já está todo mundo de saco cheio de ouvir falar de Dia das Mães, mas, tenham paciência, que a minha vai ler o blog agora de manhã e preciso mandar um recadinho pra ela.
Deixando de lado as questões ideológicas (Dia das Mães é uma data comercial, detesto a sacralização da maternidade, a propaganda da Claro é asquerosa, a gente não tem que ser mãe pra ser completa, etc.), pensando rapidinho, vem à minha mente algumas coisas que eu desejo às mulheres com filhos ou não:
que curtam esse dia com muita alegria e tranquilidade;
que os filhotes se comportem bem e deem uma folga;
que eles percebam que mãe não é perfeita, nem incansável, nem sagrada, nem infalível;
que os companheiros compartilhem as delícias e agruras da p/maternidade com vocês;
que não façam nada que não tem vontade, para agradar os outros;
que vocês não esqueçam de vocês mesmas;
que joguem toda a culpa do mundo num buraco sem fundo e deixem lá;
que nunca mais uma idiota como a Gisele Bundchen declare que anorexia é culpa da mãe;
que não acreditem que tem de se sacrificar pela família, porque a vida é curta e você tem de cuidar da sua também (I hate Claro);
mas, por outro lado, que aproveitem cada minutinho com os filhos (porque, acreditem em quem já tá com o ninho vazio, essas fotos de aniversário, um dia, ainda vão dar uma saudade danada);
que nenhuma mulher precisa morrer de parto ou por ter de fazer um aborto ilegal;
que nenhuma mulher precise se sentir pressionada a ter filhos;
ou a não ter filhos;
que não seja reduzida a ser uma “mãezinha”, como insistem alguns profissionais de saúde;
que sua sabedoria seja respeitada e levada em consideração com seriedade;
que as avós tentem se meter menos nas suas decisões e deixem que as mães cometam todos erros inevitáveis;
mas que a sabedoria das avós seja respeitada, também;
que sua saúde reprodutiva seja completa e totalmente responsabilidade dela e seu único e inalienável direito de decidir o que fazer com seu corpo;
que as mães que perderam um filho consigam ter paz e harmonia, apesar da dor que sentem hoje e sempre;
eu adorei ser mãe, mas desejo com toda força, que não ter filhos não seja, nunca, jamais, visto como um problema ou como se faltasse um pedaço. Existe vida, sim, e muito interessante, além da maternidade.
Me ajudem no post, me digam o que vocês desejam para as mulheres/mães brasileiras?
“Eu assino embaixo de todos os desejos de mais licença-maternidade e o fim da discriminação, mas também gostaria que as mães se comprometessem a não reproduzir preconceitos. A gente tem força pra mudar o mundo a partir da educação!”
Luciana Ferreira
“Eu desejo que mães, filhos das mães, mães de filhos de outras mães, sogras das mães, chefes das mães, as que querem ser mães, as que não querem ser mães, se entendam, se respeitem e sejam felizes.”
Lizandra
“Eu desejo para todas as mães brasileiras sabedoria, amor e paz para educar os seus filhinhos.”
“Que toda mãe brasileira tenha o direito de ver seu filho crescer saudável, de vê-lo homem ou mulher feito sem que esse direito seja interrompido por algum mal social.”
“Eu assino embaixo de todos os desejos mencionados acima. Desejo também que nenhuma mãe seja sujeita à violência doméstica ou a qualquer outro tipo de violência contra si mesma ou contra seus filhos”.
“Eu concordo com os votos por uma licença-maternidade longa (quem sabe igual a do Canadá que é de um ano?) e pela extinção de empregadores preconceituosos que preferem contratar mulheres solteiras a mães.A todas as mulheres brasileiras que ainda não são mães, eu desejo que a maternidade chegue na hora certa, se esta hora para elas existir. Desejo que a maternidade deixe de ser uma obrigação e a única via de realização feminina que elas conhecem. Para todas nós mulheres e mães do mundo, eu desejo que possamos sempre inserir amor e compaixão por onde passamos, que possamos mudar a vida de quem nos cerca porque simplesmente somos capazes de ouvir e sentir a dor do outros! Desejo que sejamos mulheres e mães!”
“Eu desejo que todas as mães que estão longe de seus filhos (assim como estou longe da minha mãe, no meu primeiro dia das mães sem ela) tenham a certeza de que apesar da distância o amor e a saudade não diminuem nem um pouquinho!”
“Eu desejo que as mães, mas principalmente as que desejam ser mães que tenham a consciência da importância de se criar e educar um filho. Ensinar bons comportamentos não é a primeira e principal obrigação da escola. A base da criança começa com a educação dada pelos pais.”
“nao sou mae nem pretendo ser tao cedo, mas amei seu post!! chega de todo mundo perguntando pra quando eh o filho!!! chega das suas amigas q tiveram filhos ficarem falando q vc so vai ser completa qdo for mae!!!!”
“Eu desejo que toda mãe possa sustentar seu filho, ao lado do pai da criança. Desejo que nenhuma precise passar pelo sofrimento de ver seus filhos com fome, pedindo um alimento que ela não pode comprar. E desejo que todas sejam felizes, cada uma com sua maneira especial”
“Espero que toda mãe brasileira seja dignamente apoiada em sua maternagem.
Que mães possam ser apoiadas através de leis, que possam ser apoiadas através do AMOR de familiares, profissionais…
Uma mãe apoiada: uma criança acolhida!”
“Eu queria que as mulheres parassem de pressionar as mulheres que não são mães por opção ou por outro motivo. Mesmo assim eu desejo um feliz dia das mães pra as mulheres que são mães, mãedrastas e maezonas sem filh@s. “
A Renata tinha comentado aqui e deixado o link. Hoje fui dar uma olhada. Achei lindo, tá certo que o objetivo é a venda, mas como dizem os meninos no ônibus “eles podiam estar roubando ou matando”… hehehe… no caso, “eles poderiam estar mostrando as conhecidas imagens de mulheres anoréxicas ou desfalecidas”.
Eu achei fantástico mostrar o parto natural e domiciliar de uma forma tão tranquila e positiva, e me deu v0ontade de ter um colchão daquele, essa é uma propaganda eficiente
ps.: percebam que o bebê vai ao seio logo que nasce, como deve ser.