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Contra o padrão Barbie!!!

Denise | Auto Estima, Corpo & Saúde | Monday, 13 March 2006

Na coluna da direita, vocês podem ver links para o que eu estava falando há exatamente um ou dois anos atrás, no mesmo dia… hoje fui dar uma olhada e olha só, descobri que há dois anos, ainda vivendo na Suécia, eu contava como as coisas por lá são diferentes em relação à exploração da imagem feminina. Não é de hoje que eu penso nisso…

A ditadura da magreza na veia

Denise | Anorexia & Bulimia, Auto Estima, Corpo & Saúde | Monday, 20 February 2006

cocaine_moss2.jpg

Dia desses estava comentando com uma amiga que as meninas, hoje em dia, bebem muito. Mas é muito mesmo.

Acho mesmo que essa coisa atual de abuso de bebida na adolescência já é parte de uma “moda”, uma “tendência”, um “estilo”. Vem no pacote, e é muito complicado de se lidar porque a garotada bebe muito pra ser aceita em um grupo social. Claro que uma família desequilibrada piora, mas acho que, mesmo nas famílias mais ajustadas, é difícil, hoje em dia, o/a adolescente não beber.

Há algumas semanas, eu estava pesquisando, pra um trabalho que estou fazendo, e encontrei um documento interessantíssimo. Era o relatório “Food for Thought – Substance Abuse and Eating Disorders“, do “National Center on Addiction and Substance Abuse”, sediado na Columbia University.

Ele está sendo considerado o trabalho mais importante já feito sobre o assunto e que estabelece, claramente a relação direta entre o abuso de drogas e álcool e as desordens alimentares. Isso já podíamos imginar, mas eles dão os números (todos relacionaos aos EUA, claro).

Segundo eles, quem faz dieta, pode ter até 5 vezes mais risco de abusar de alcool e drogas ilícitas. Quanto mais severa a dieta que se faz, maior o risco de ser também consumidor de álcool, e outras drogas ilícitas.

Porque 90 a 95% das pessoas com anorexia e 80% com bulimia são mulheres, o estudo concentra-se no caso das meninas.

Segundo o relatório, mesmo meninas entre 10 e 14 anos que afirmaram estar fazendo dieta no mês anterior, ainda que não evidenciem nenhuma patologia, têm quatro vezes mais risco de se tornar fumantes, por exemplo, que as que nunca fizeram dieta.

Traduzi alguns dados encontrados nesse relatório, que devem servir de alerta pra todos nós que convivemos com adolescentes (podem ser filhas, primas, sobrinhas, netas, amigas…)

  • Até 50% das pessoas, com desordem alimentar, abusam de álcool e drogas ilícitas.

  • Indivíduos que têm um comportamento obssessivo de controle de peso costumam ter mais tendência a consumir substâncias tais como cafeína, tabaco, álcool, cocaína, heroína e medicamentos supressores de apetite, diuréticos ou laxantes, como forma de controlar a fome.
  • A cafeína é usada para aliviar a fome e aumentar a energia. Pessoas com desordem alimentar também consomem grandes quantidades de refrigerantes que têm cafeína.
  • Pessoas com desordem alimentar costumam fumar para suprimir o apetite e proporcionar uma satisfação oral, que substitua a comida.
  • O abuso do álcool é comum em pessoas com desordem alimentar, principalmente bulimia. Mulheres bulímicas que são dependentes de álcool têm uma taxa muito maior de tentativas de suicídio, ansiedade, desordem de personalidade e dependência de outras substâncias, que as que não são dependentes de álcool.

    lohan.jpg

  • O uso de drogas ilegais é particularmente comum entre as pessoas com bulimia. Drogas como heroína e cocaína são usadas para facilitar a perda de peso.
  • Pessoas que abusam de álcool e drogas têm 11 vezes mais chance de estar sofrendo de uma desordem alimentar.
  • Garotas com sintomas de desordenm alimentar quase 4 vezes mais risco de usar inaladores e cocaína.
  • 12.6% das meninas no high school (ensino médio) tomam pílula, pós ou líquidos para emagrecer, sem acompanhamento médico.
  • Um número levemente maior de garotas hispânicas afirma ter feito jejum por mais de 24 horas, tomado laxativos ou vomitado (bulimia) em relação às caucasianas, enquanto esse número é significamentemente menor entre as afro-americanas.
  • Na high school, 45% das meninas consomem álcool. Uma em cinco fuma marijuana. Mais de um quarto delas fuma cigarros e 4% usa cocaína, enquanto 4.2% usa inalantes.
  • Indivíduos que começam a beber antes dos 15 anos, têm 4 vezes mais risco de se tornar dependente de álcool que aqueles que começam a beber aos 21.

Não é uma situação fácil de resolver. Como podemos ver, segundo a pesquisa, as hispânicas sofrem ainda mais pressão que as outras meninas. Achei interessante ver que as afro-americanas que têm culturalmente, um aceitação muito maior de mulheres “avantajadas” escapam um pouco mais do problema… já as brasileiras…

Essa relação entre a ditadura da magreza e o consumo de álcool e drogas ilícitas é mais uma bandeira vermelha. Mais um motivo pra gente se preocupar com a loucura em que as meninas e mulheres vivem, hoje, no Brasil. Não é só a sua auto-estima que está em jogo, tem muito mais. E parece que os verdadeiros efeitos dessa “Síndrome de Gisele”, nós ainda estamos pra enfrentar…

A conclusão do estudo, e acho que de todos nós, é que a repressão, pura e simples não resolve nada, precisamos ter diálogo, troca, e eu acrescentaria mais: intimidade. Mas essa intimidade não aparece de uma hora pra outra, ela se forma durante toda a vida da criança e adolescente.

E, além disso, construir uma sociedade em que as pessoas sejam julgadas pelo que são e não pela quantidade de quilos que têm, também ajuda…

Atualização: Alguém deixou esse comentário “tenho pena de quem não tem acesso à uma boa terapia…de quem não tem apoio familiar, de quem, apesar de estar passando por problemas, ainda é julgada, em vez de ser ajudada”

Não poderia concordar mais com ela. Estava evitando entrar muito nesse assunto porque o post já está enorme, mas para quem tiver interesse em aprofundar a discussão, queria sugerir a leitura dos posts que escrevi sobre transtornos alimentares: esse, esse e o “Depoimento de uma menina de um blog ‘Pró-Anorexia’”. Repressão, julgamento, não adiantam de nada. Temos que entender e lidar com a situação com a maior calma e realisticamente. Tapar o sol com a peneira também não ajuda. O que vale é compreensão e uma boa ajuda terapêutica, quando possível.

Leia também:

  • Uso de álcool entre adolescentes – Movimento Propaganda Sem Bebida
  • Por que o Brasil tolera o abuso do álcool?

    Fotos: (1) a modelo britânica Kate Moss e (2) a atriz americana Lindsay Lohan, ambas vítimas de anorexia, bulimia e consumo excessivo de álcool e drogas ilegais.

  • Camilla foi jovem um dia

    Denise | Auto Estima, Discriminção | Wednesday, 02 November 2005

    queme.jpg

    Camilla e Charles estão aqui nos EUA. Nesse exato momento, num jantar de gala com o bushento e a esposa. Pra variar, na televisão, os comentários sobre a falta de charme de Camilla e as eternas comparações com Diana. Então, me deu vontade de re-editar esse post que eu gostei muito de ter feito e foi publicado em fevereiro desse ano:

    Camilla linda

    Eu perguntei quem era essa mocinha da foto e a Luciana acertou em cheio. Essa gracinha aí acima é a Camilla Parker Bowles. Já há algum tempo eu vinha pensando em como ela deveria ter sido quando era novinha. Fiz até uma pesquisa no Google, mas só achei fotos atuais.

    Essa foto foi publicada na People (é Gui, eu leio a People… hehehe…), que eu ‘tava olhando no metrô, ontem à tarde. Adorei. Segundo o biógrafo de Camilla, ela era “sexy, corajosa e tinha uma atitude atrevida” (na verdade, devil-may-care attitude)”. Ele ainda diz que “O que ela tinha era chutzpah” (insolência, audácia em ídiche.)

    Achei que ela, além de linda, tinha uma cara de espertíssima, moderna. A primeira coisa que Camila disse a Charles, quando se conheceram, foi: “Minha bisavó e seu bisavô foram amantes… que tal isso?”. Ela tinha 23 anos e ele era um príncipe. Camilla Rocks! Gosto cada vez mais dela.

    E a tão mal falada “mocréia” já foi jovem e bonita…

    Todos nós vamos envelhecer um dia

    Pois é… quer dizer, é o que todos esperamos, porque a outra opção seria muito pior. Portanto, é de uma crueldade e uma burrice sem tamanho se estimular esse ódio (medo) que a nossa sociedade tem pelas transformações de idade, porque um dia todos serão vítimas desse preconceito de que tanto riram aos 20 aninhos.

    Uma vez eu vi a Fernanda Montenegro dizendo que já teve gente que chegou pra ela, com raiva, e disse “mas, como você envelheceu!”, como se ela não tivesse “direito” a isso. Também já vi essa reação, algumas vezes, de pessoas dizendo, com uma certa repulsa, sobre uma pessoa famosa, ou não: “meu Deus, mas ela envelheceu muito!!!”.

    Essa é a ordem natural das coisas. Mas, na verdade, os homens até podem envelhecer, mas nós, mulheres, não… ou corremos o risco de ser tachadas de mocréia ou “lagartixa profissional do sexo”, se algum homem tiver a audácia de querer casar com a gente…

    Continuamos sendo as mesmas pessoas

    Quando eu tinha 20 anos, tive uma conversa com meu ex-marido (que é um sábio), da qual nunca esqueci. Eu tinha horror a envelhecer e dizia que ia morrer de tristeza quando chegasse aos 30 anos (!!!).

    Ele, carinhosamente, disse que eu iria, sim… se acordasse, de um dia pro outro, com 30 anos, mas que a maturidade vai chegando aos poucos, o tempo vai passando e a gente vai vendo que a essência é a mesma e que as transformações do corpo não são tão importantes assim. Nunca esqueci disso, lembrei aos 30, aos 40… ele estava certíssimo.

    Camilla não é nenhuma “mocréia sexy”, “lagartixa profissional de cama” ou está “pelo avesso”, como disse o tal comentarista. Ela é uma mulher de 57 anos, com as marcas do tempo que foi muito bem vivido. Quantas são as mulheres que chegam a essa idade com o corpinho da Vera Fischer? e será que ela é mais feliz por isso?? por favor, temos que ter direito a envelhecer!

    O que Charles vê na Camilla não é uma “máquina de sexo” como querem alguns, mas é o que nós queremos que nossos companheiros vejam na gente, quando a gente tiver 57 anos, 67 anos, 77 anos… a nossa essência, que vai estar sempre lá.

    Aos 40, eu não entrei em nenhuma crise de meia idade. Olho as fotos de 20 anos e acho bonitinhas, mas não tenho nenhuma saudades daquele tempo. Mas vejo que já era eu, aos 20, como sou eu, hoje, e vou ser eu, aos 60, com ainda menos viço, com todas as transformações que a gente passa com a idade, mas o fogo interno, o que eu sou vai continuar.

    Não somos outra pessoa porque envelhecemos, é importante as meninas perceberem isso. Amadurecemos, até melhoramos emocionalmente, espiritualmente, intelectualmente, muitas vezes, mas somos a mesma pessoa.

    O que o príncipe quer

    Portanto, pra finalizar à força, por que sou capaz de escrever o dia todo sobre esse assunto, esses comentários jocosos, grosseiros, preconceituosos, machistas sobre a Camilla são, acima de tudo, estúpidos porque ninguém, mas ninguém mesmo, vai ficar linda e jovem a vida toda.

    Ainda acho de uma crueldade sem tamanho rotular a mulher de feia e ainda ganhar dinheiro às custas disso (como o Arnaldo Jabor ou o jornalista alemão que a Ciça citou). Shame on you…

    Quem tem algo a mais na cabeça e no coração olha dentro do olho dela e vê mais além que isso. Eu vejo uma mulher forte, corajosa, espertíssima, que pode ter sido muito louca, ter feito muita besteira na vida, pode até ter sido uma “bitch”, como alguns dizem, mas que tem muito mais a oferecer do que uma carinha bonita.

    E é isso o que o principe quer. E é por um “príncipe” desse tipo que a gente tem que se apaixonar.

    Complemento

    Quando escrevi esses dois posts sobre a Camilla, não estava entrando na questão do triângulo amoroso, com o Charles e a Diana. Vivi bem aqueles anos e lembro como eu detestava a Camila, porque a Diana sofreu tudo de uma forma bem pública. Claro que isso influencia a opinião das pessoas, mas não justifica o preconceito em relação à aparência física da Camilla.

    Realmente, sempre vai haver comparações, mas, francamente, se eu fosse o Charles, iria preferir a Camilla, também.

    Ele foi forçado a fazer um casamento de conveniência, eu lembro bem que todo mundo sabia que ele estava casando forçado, a Diana não casou enganada, mas, como todas nós, achava que ia dobrar o marido (hehehe).

    A Diana era bonitinha (não linda, francamente, era enjoadinha), novinha, mas era completamente sem graça. Ela começou a ficar interessante com o tempo, quando foi amadurecendo, começou trabalhar com causas sociais, mudou aquele corte de cabelo infame, ficou amiga de Elton John (nada como um amigo gay!) e caiu nas baladas. Antes, era uma chata que só queria ser princesa.

    Isso não justifica a traição do Charles, claro, mas eu diria que explica.

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    Comentários comentados

    Estrelas sem Maquiagem – 1

    Denise | Auto Estima, Celebridades, Estrelas sem Maquiagem | Sunday, 21 August 2005

    nomakeup

    O post de hoje vai ser sobre bobagenzinhas, pra gente começar a semana bem relaxadinh@s, depois de tanta intensidade do Bagdad Café… imagino que os meninos não vão ver muita graça, mas tentem ver o aspecto “filosófico” do post :-)

    Como eu já disse aqui, a imprensa americana é extremamente cruel com suas celebridades. Ao mesmo tempo que alimenta a sua vaidade, está sempre pronta pra dar o bote. Posso estar enganada, mas não lembro de ver nada parecido, tão cruel, nas revistas de fofoca brasileiras.

    Elas mostram se as estrelas engordam, mostram se elas emagrecem. E existe uma série que é publicada, sistematicamente, que se chama “Stars Without Make up” ou “Estrelas sem Maquiagem”.

    Eu acho que, nesse caso, existe um benefício pra nós, pobres mulheres mortais, que nunca compreendemos como é que as nossas peles adquirem espinhas, cravos, manchas, rugas, ressecam e Michelle Pfeiffer continua perfeita aos 47 anos.

    Não estou colocando essas fotos aqui pra gente tripudiar com as moças, mas pra gente perceber que sem uma boa maquiagem, produção, iluminação, todas são gente normal, igualzinho à gente…

    nomakeup

    nomakeup1.jpg

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    Bom, todo mundo tem mais é que se cuidar, né? não pra “sair boa na foto”, mas porque o auto-cuidado também ajuda a aumentar nossa auto-estima!

    Eu faço minha parte com meus creminhos, que eu adoro lambuzar pelo corpo todo. Mas o mais importante é que há 15 anos, sol nem pensar! e vocês? o que vocês fazem pra manter a pele saudável???

    Beijocas e ótima semana pra todo mundo!

    Fotos: Revista Star.

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    Comentários comentados

    Ninguém nasce feito

    Denise | Auto Estima, Historinhas | Wednesday, 23 February 2005

    pulpfiction2.jpgEstava refletindo sobre as questões que meus últimos posts, sobre idade, beleza e Camilla, levantaram aqui. Aí pensei que, antes de tudo, não gostaria que ficasse a impressão de que sou “perfeitinha”, porque eu já tive – e até tenho – os meus preconceitos, já que o que a gente aprende ao longo da vida é muito difícil mudar completamente…

    No entanto, é obrigação da gente, na minha opinião, refletir, aprender e crescer com as experiências, senão não terão valido de nada.

    Vou contar três historinhas pra você, bem “demonstrativas” e, pelas quais, vocês já podem até ter passado (eu adoraria saber!). Elas mostram o quanto eu também já valorizei a juventude e beleza, acima de tudo.

    Carentes de Atenção

    pulpfiction3.jpgHá muitos anos, acho que em 1992, fui com uma amiga pra um congresso, no Rio de Janeiro. Numa das noites, eu, minha amiga e mais umas duas moças, caimos na balada do Baixo Leblon (quente, na época). Éramos três mulheres produzidíssimas e uma que seria o que se chama, aqui nos EUA, “tomb-boy”, cabelo curtinho, magrinha, roupa sem graça, mais super divertida, inteligente, esperta. Confesso que tinha pena dela, por ser tão desengonçada.

    Chegamos num bar e conhecemos um rapaz e mais um casal bem divertidos. Eu e minha amiga estávamos casadíssimas e super apaixonadas, portanto, registre-se que não queríamos nenhum “affair”.

    Mas, sabe como mulher pode ser, né? quer chamar atenção! De repente, o cara esquece que nós – lindas e maravilhosas – existimos e se encanta pela que a gente achava tão sem graça… “mas, como asim???”… ninguém entendia nada. No final, ela saiu com o telefone dele, e os dois não se desgrudaram mais.

    Garotas Ameaçadoras

    pulpfiction4.jpgHá alguns anos, estávamos, eu e Ted, em um Congresso de Aleitamento Materno, como palestrantes. Ele, por vir da Suécia e ter um trabalho fantástico, era o palestrante principal do evento. Mais de 1200 pessoas assistiram à palestra dele deslumbradas. Como nosso público é formado, principalmente por pessoal de enfermagem, nutrição e medicina pediátrica, eu diria que uns 97% eram mulheres.

    Numa das noites, tivemos a famosa festa de confraternização. Quem foi pra congressos sabe como é com palestrante principal… como cantava o saudoso Adoniran Barbosa “Eu sou a lâmpida e as mulher é as mariposa”. Todas aquelas menininhas, estudantes, lindas e uns 10 anos mais novas que eu, praticamente avançaram em Ted. O “poder” é afrodisíaco, já dizia Ulisses Guimarães.

    Nós ficamos sentados na primeira fileira de mesas, de frente pro salão de danças, e eu olhando o povo rebolar… aí fui percebendo que as meninas estavam fazendo tudo que podiam pra chamar a atenção de Ted.

    Dançavam na boquinha da garrafa, rebolavam o tchan e olhavam pra ele pra ver a reação… claro que eu, no começo quase morro de ciúmes (como boa latina de sangue quentíssimo!). Até que eu percebi que ele não tinha olhado pra elas uma única vez (juro por Deus!) e todos os olhos eram somente pra mim. “Mas, como assim???”… não é essa a lógica…

    A Namorada Misteriosa

    pulpfiction1.jpgNo finalzinho de 2001, por eu já ter dito a Ted que não mudava do Brasil de jeito nenhum, pelo menos não naquele momento (e já estava claro que não funcionaria pra ele viver em Olinda), não vimos outra saída a não ser acabar nosso relacionamento.

    Em setembro de 2002, nos re-encontramos no Fórum Mundial de Amamentação, em Arusha, Africa. Ele me disse que estava com uma namorada, há apenas dois meses, que ela estava no evento, mas não podia me dizer quem era, porque ela não queria.

    Gente, imagina a curiosidade. Passei a tentar descobrir, entre as centenas de pessoas do evento, quem seria a tal namorada misteriosa. Ele tinha passado os ultimos dois meses trabalhando em um país específico e a lógica seria que ela fosse de lá.

    Minha primeira reação foi, ter certeza que era uma garotinha super esperta, americana, de uns 20 e poucos anos, linda, loirinha de olhos azuis, que era voluntária na instituição. Ela parecia ser meio estranha comigo, sei lá porque (sabe quando a paranóia bate?)… então, tinha que ser ela…

    Pra piorar, um dia, eu ia passando e ela me ofereceu um pedaço de “chocolate sueco”, com uma cara maliciosa e provocativa (que estava só na minha cabeça, claro). Fiquei furiosa e, pro espanto total da menina eu disse “querida, já comi tanto desse chocolate que enjooei… faça bom proveito dele, agora”. Ela, atônita, respondeu: “OK!”… hahahahahaha…

    Enfim, pra resumir, depois de pagar vários micos desses, acabei descobrindo que a mulher com quem ele estava namorando tinha 46 anos, portanto 8 anos a mais que eu, na época, estava longe de ser bonita pelos padrões tradicionais e o pior, era minha melhor amiga!

    “Mas, como assim???”… isso não se encaixava na minha lógica brasileiríssima. Ninguém “troca” uma mulher por outra mais velha e “mais feia”… ou não?!

    Enfim, o final da história vocês já sabem, redescobrimos que não podíamos viver separados e esse susto me fez decidir mudar, de vez, pra Suécia ou qualquer lugar onde ele estivesse. Rimos muito das minhas previsões furadas… e ele nunca conseguiu entender como eu achava que ele iria se interessar por aquela menininha… (sou brasileira, meu caro!)

    Conclusão

    pulpfiction5.jpgLeva tempo pra gente superar nossos pré-conceitos. Eles estão arraigados demais, são parte da nossa história e são lembrados à gente a cada dia, pelos meios de comunicação, pelos amigos e até pela família. A gente não tem culpa de ter conceitos equivocados, mas isso não é motivo pra não querer crescer, melhorar e aprender.

    Portanto, não tenho, com esses posts, nenhuma intenção de criticar ninguém, mas apenas levantar uma discussão, fazer pensar. Rever os conceitos.

    Imagens: Capas de Livro “Pulp Fiction”.

    Pulp Fiction: literatura barata, publicada em papel vagabundo, nos EUA entre os anos 1920 – 1955 e que virou cult depois do filme de Tarantino.

    A realidade, às vezes, parece Pulp Fiction.

    Beleza Pura

    Denise | Auto Estima | Friday, 14 January 2005

    bpura1.jpg“Não me amarra dinheiro, não
    mas formosura
    dinheiro, não…
    Beleza pura”

    (Caetano Veloso)

    Apesar de tudo, ainda consigo ficar pasma com algumas coisas que se escreve nessa blogosfera. Dia desses, vi uma brasileira, que vive fora, ao voltar ao país, dizer que tinha esquecido o quanto “o povo brasileiro é feio”!

    Todo mundo tem direito a escrever o que quiser em seus blogs, não tenho nem dúvidas sobre isso. Não estou querendo polemizar, nem identificar essa pessoa, mas pensei em citar o que li, apenas como um exemplo do quanto nós, brasileiros, podemos ser “colonizados” e ter esse ridículo complexo de inferioridade, em relação aos nórdicos.

    Já fiz as minhas críticas ao Brasil. Especialmente ao Brasil da violência e à sua elite burra e preconceituosa. Mas, o povo brasileiro é resultado de uma mistura que deu num povo lindão!

    O povo pode perder seus dentes, por falta de educação e cuidados preventivos… pode ser desnutrido e obeso pela mesma razão… somos um povo castigado pelo descaso de décadas, que não pode se resolver em poucos anos, mas isso não significa que somos um povo feio!

    Já comentaram, aí abaixo, que os gringos e gringas chegam no Brasil e ficam abismados com a beleza do povo brasileiro e eu concordo plenamente. Mas, muitas vezes, alguns brasileiros teimam em se achar melhor que os outros, talvez como uma forma de “vingar” em alguém o seu próprio sentimento de inferioridade, perante os nórdicos.

    meninacomunidade4.jpgComo alguns de vocês já sabem, eu trabalhei muitos anos em favelas de Pernambuco e, garanto, sempre encontrei meninas e meninos lindíssimas nessas comunidades. Muitos nem sabem que são bonitos, vítimas que são desse padrão de beleza sórdido que invadiu o país.

    Há alguns anos, fizemos um encontro de mulheres num hotel na beira da praia. Tive uma idéia, na hora… chamei as mulheres e tirei uma foto de cada uma, sozinha, em close, caprichando na luz e com o mar ao fundo. Uma coisa tão pequena, mas que surtiu um efeito impressionante pra auto estima dessas mulheres. Muitas nunca tinham nem tirado uma foto antes. Todas se afirmaram surpresas e disseram que não sabiam que podiam ficar tão bonitas.

    Nunca foi fácil ser adolescente, e sempre buscamos ideais, mas, como já disse aqui, na minha geração de adolescente, nós, meninas, queríamos ser “Gabriela“. Apesar de eu ter sido sempre um pouco branquinha demais, pelo menos nunca tive problema com as minhas coxas grossas, bumbum grande e cabelo ondulado. E essa base, na adolescência, ajudou a garantir minha auto-estima até hoje.

    Mas, hoje em dia, todas as meninas querem ser Gisele Bundchen, o que é impossível (e, na minha opinião, nem desejável)… já que a maioria das mulheres brasileiras é mesmo morena, de cabelos crespos, ancas largas e pernas grossas.

    Eu acredito que todos nós temos um papel nisso. Claro que a força da mídia é enorme e difícil de lutar contra. Mas, sempre que eu posso, converso com Bia e as amigas dela sobre o quanto esses padrões de beleza são ridículos e o quanto podem ser dolorosos.

    meninacomunidade1.jpgBonito é a diversidade, é a diferença, aceitar todas as cores e formas… nós temos, também, as loirinhas, as ruivas, as orientais, as negras, as índias e as morenas, que são, mesmo a maioria… todas lindas… Bonito é o respeito e a possibilidade de você ser o que é e ser feliz com a sua imagem.

    Num país onde não se pode engordar ou envelhecer, o sofrimento em busca de um ideal absolutamente nórdico – peito grande, quadril estreito e pernas finas!!! – está começando cada vez mais cedo.

    Vamos lutar contra isso, a partir das nossas famílias e amigos. Converse com uma adolescente, mostre o quanto ela é bonita, com seu cabelo ondulado e “opulência”. Vamos fazer isso antes que se forme uma geração de brasileiras frustradas porque não podem ser alemãs…

    bpuralogo.jpg

    E por falar em tomar iniciativas… queria deixar, pra vocês, uma dica de um site que eu adoro! é o Beleza Pura, um site do portal Viva Favela, que se propõe a ser um portal feminino que discute saúde, comportamento, sexualidade, violência contra a mulher, dá dicas práticas de receitas com ingredientes baratinhos, máscaras caseiras de beleza, maquiagem para mulheres negras, e ainda tem uma agência de modelos que vivem nas favelas cariocas.

    O grande diferencial é que o site é feito com a participação das mulheres e meninas que vivem nas comunidades, todas as fotos utilizadas são de meninas das próprias favelas e fala sobre coisas que interessam a elas. Vale a visita, pelos textos que esão interessantíssimos e pra ver o quanto as meninas brasileiras são lindas!!!

    Não me amarra dinheiro não
    Mas formosura
    Dinheiro não
    A pele escura
    Dinheiro não
    A carne dura
    Dinheiro não
    Moça preta do curuzu
    Beleza pura
    Boca do Rio
    Beleza pura
    Dinheiro não
    Quando essa preta começa
    a tratar do cabelo
    É de se olhar
    Toda a trama da trança
    a transa do cabelo
    Conchas do mar
    Ela manda buscar pra botar
    no cabelo
    É de se olhar
    Toda a trama da trança
    a transa do cabelo
    Conchas do mar
    Ela manda buscar pra
    botar no cabelo
    Toda minúcia
    Toda delícia
    Não me amarra dinheiro não
    Mas elegância
    Não me amarra dinheiro não
    Mas a cultura
    Dinheiro não
    A pele escura
    Dinheiro não
    A carne dura
    Dinheiro não
    Moço lindo do Badauê
    Beleza pura
    Do Iê Aiyê
    Beleza pura
    Dinheiro yeah
    Beleza pura
    Dinheiro não
    Dentro daquele turbante
    do Filho de Ghandi
    É o que há
    Tudo é chique demais, tudo
    é muito elegante
    Manda botar
    Fina palha da costa e que
    tudo se trace
    Todos os búzios
    Todos os ócios
    Não me amarra dinheiro não,
    mas os mistérios

    (Caetano Veloso)

    Fotos: sites Beleza Pura e Grupo Origem.

    ____________________________

    Obs.: Eu tinha escrito esse post com algumas diferenças, mas ao salvar, após pequenas alterações, deu um problema no servidor e perdi quase tudo… tive que re-escrevê-lo e, claro, nunca fica igual, né?!

    A Mulher na Propaganda

    Denise | Auto Estima, Campanhas Publicitárias, Suécia | Monday, 12 April 2004

    lindex2.jpg

    Semana passada, quando fui fazer as minhas compras de Páscoa, encontrei esses banners em uma loja de roupas bem conhecida daqui, a Lindex, parei e fiquei admirando. Achei muito lindo. Uma senhora idosa, vestida de uma forma moderna e bem light… Não era uma senhora idosa cheia de botox e lifting, mas uma mulher com suas rugas e cabelos brancos, mostrando, com orgulho, a beleza da idade que tem. O texto da loja diz “50 anos celebrando a mulher”.

    Outro dia, passei na frente da Åhlens, uma loja também muito tradicional daqui, e percebi que alguns dos manequins da vitrine, que mostravam as roupas, eram bem “cheinhas”, mas bem cheinhas mesmo…

    Li, dia desses uma entrevista com o dono da Hennes & Mauritz que dizia do cuidado da empresa em não vender roupas sensuais e provocantes para crianças e em não colocar frases com conotação sexista em suas roupas.

    Tem modelos magérrimas aqui? tem, inclusive na Hennes & Mauritz, apesar dos protestos das feministas. Mas também tem iniciativas que tentam melhorar um pouco a situação. Fico feliz por viver em um país que se preocupa com isso. Infelizmente, no Brasil, ainda estamos muito influenciados pela cultura americana, e a única empresa que eu conheço que veicula belas campanhas é a Natura, não lembro de nenhuma outra empresa que mantenha essa postura.

    A imagem da mulher na propaganda, na maior parte do mundo, ainda é a pior possível. Ai do lado direito, nos meus links para sites e blogs que eu gosto, tem o link da About Face, um grupo feminista que monitora as campanhas publicitárias e que tem, um site maravilhoso, onde mostra a galeria das piores propagandas.

    Essa abaixo é da Dior, sobre ela, o site About Face diz que “Três técnicas básicas usadas pelo sistema para estabelecer a superioridade ou poder são tamanho, atenção e posição. As pessoas que comandam suas vidas, tipicamente, se apresentam eretas e alertas e prontas para se relacionar com o mundo (como as três mulheres na propaganda sueca). Em contraste, o corpo dobrado demonstra despreparo e submissão (Goffman, 1976). ”

    dior.jpg

    Nossas filhas, sobrinhas, amigas e nós mesmas, somos atacadas por propagandas o tempo todo. Cabe a nós fazer a leitura do que elas significam e decidir se elas são o que queremos para nossas vidas.

    No caso das meninas e adolescentes é mais complicado por que elas não têm, muitas vezes, condições de julgar e é ai onde está o papel da família e educadores, de questionar o que se “vende” para nossas meninas.

    Com qual dessas mulheres você se identifica mais e qual você acha que é imagem para as meninas?

    Explicação posterior… meninas, eu não tenho nada contra pintar cabelo, malhar muito, passar creme e até botox, lipo, silicone etc… “cada um sabe do seu cada qual”, como se diz na minha terra… sou contra a supervalorização disso, pela mídia.

    Olha que sou super vaidosa, me cuido muito e só não pinto o cabelo por que tenho tão poucos brancos que posso ir arrancando um a um… hehehe… acho que viver na Europa está me dando mais tranquilidade com minha aparëncia, longe do ideal, mas não quer dizer que sou “largada”, não. Nem as suecas são, elas se cuidam, e muito. Se alimentam bem e fazem muitos exercícios!

    Agora, Márcia-SP, quando perguntei com quais das mulheres você se identifica, não estava citando a senhorinha de 70 anos, não hehehe… por que a maioria da gente aqui ainda não está nessa idade, estou falando da postura dela e das menininhas da propaganda sueca… do ar de confiança e auto-estima que elas passam. Nada a ver com os cabelos brancos e as ruguinhas… que, na verdade, um dia serão inevitáveis e aí eu espero ser como ela!

    Clique aqui para ver imagem aumentada da propaganda sueca

    “Eu me amo… não posso mais viver sem mim…”

    Denise | Auto Estima | Tuesday, 16 March 2004

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    Vocês lembram dessa música do Ultraje a Rigor? Eu acho ótima. É isso que falta pra gente. Auto-estima.

    Nos comentários do meu post contra a ditadura da beleza e magreza no Brasil, algumas pessoas lembraram que essa cobrança parte, muitas vezes das próprias mulheres. Eu concordo.

    A maioria dos comportamentos são ditados culturalmente. As mulheres aprendem a ser assim e é toda uma cadeia de formação equivocada de homens e mulheres que precisa ser quebrada.

    Simone de Beauvoir dizia: “A gente não nasce mulher… torna-se mulher”…

    Um dia vi uma camiseta que eu adorei: “Stop Playing Barbie”… “Pare de brincar de ser Barbie”… As mulheres aprendem a ser mulheres brincando de bonecas, observando suas mães, tias, avós, as amigas da sua mãe, enfim, as mulheres ao seu redor.

    Não está determinado geneticamente que nós, latinas, somos “calientes”. Mas somos criadas para agradar aos homens. Vejam bem, não estou dizendo que isso é de todo ruim, acho que existe um jogo de sedução no mundo, desde que o mundo é mundo e não tem nada de ruim nisso.

    Mas, gente, o problema é quando passa-se a viver pra isso. E essa é a impressão que eu tenho da maioria das mulheres no Brasil. E o pior é que as novas gerações parece que estão ficando ainda piores. Quando eu era adolescente, eu prezava e muito minha formação cultural. Eu tinha muito mais orgulho de ter assitido o último filme de Fassbinder do que da minha cinturinha fina.

    Os padrões de beleza dos anos 80 também eram bem mais democráticos. Claro que a gente sempre sofreu por ter alguma coisa a mais ou a menos, mas ao menos era mais realista. Bonita era Sônia Braga, com pouco peito, muita bunda e cabelo crespo… ou seja, bem brasileira.

    Hoje, é de fazer pena as meninas tentando ser iguais a Gisele Bundchen que só é brasileira pro um acaso, mas nasceu de uma família absolutamente européia.

    Enfim, nós, mulheres brasileiras não estamos enlouquecidas por essa busca da beleza perfeita por algum desvio genético, não. Somos vítimas de uma cultura machista e de uma massiva propaganda indiscriminada e desrespeitosa.

    Aí, quando as feministas tentam fazer alguma coisa e criticam o uso da imagem da mulher em campanhas publicitárias de cerveja, por exemplo, são chamadas, rapidinho de “radicais”, chatas e mal amadas.

    Todo mundo ridiculariza as que queimaram soutiens em praça pública, mas ninguém lembra que, se não fosse por elas, a gente ainda estaria muito pior. Tenho o maior respeito por essas mulheres e acho que é disso que precisamos, de mulheres que “radicalizem” mais ainda.

    Como disse no meu outro post, e muita gente concordou, viver na Europa é um alívio para nossa mente cansada de tantos peitos e bundas perfeitos, sempre comparados com os nossos, que teimam em não desafiar a força da gravidade.

    Observo uma coisa interessante na Suécia. A geração de mulheres que está com seus 50, 55 anos é a que quebrou a maior parte das barreiras. Essas são mulheres mais duras, que nós, com nossa cultura latina consideramos as mais “masculinizadas”. Foram elas que tiveram que “radicalizar” para que as mulheres suecas estivessem nas condições que estão hoje. Tiveram que pagar um preço por isso.

    As novas gerações já são mais “leves”. Já se permitem mais sensualidade e mais beleza. Mas, sem voltar à uma posição submissa em relação aos homens.

    As mulheres suecas são independentes, sem dúvida. Não se vestem, exclusivamente, para atrair homens por que casar é apenas uma das muitas etapas da sua vida, e não a mais importante.

    O que é que elas têm que nós não temos? auto-respeito.

    Acredito, firmemente, que a gente só vai conseguir ser mais feliz no Brasil com nosso próprio corpo quando formos ensinadas desde pequenininhas que existimos por nós mesmas, temos um papel na sociedade e não estamos indo pra escola apenas pra passar o tempo enquanto encontramos o príncipe encantado que vai nos levar ao altar.Lembro de colegas da escola dizerem que não iam estudar Nutrição, na faculdade, por que é um curso que só tem mulheres!

    Infelizmente, do jeito que as coisas estão, com o Brasil liderando índices de cirurgia plástica e venda de próteses de silicone, acho difícil ver muita mudança nessa geração. E essa é uma das razöes pelas quais eu decidi mudar pra cá com minha filha de 16 anos. Quero que ela tenha muito mais na cabeça do que um improvável príncipe encantado.

    É difícil mudar esse quadro, a curto prazo, mas, acho que dá pra cada uma de nós fazer a sua parte. Já disseram que eu sou ingênua e idealista, coisa que, além de engraçada e petulante, achei até positiva. Prefiro ser chamada, pejorativamente, de idealista a ser egoísta e aceitar as coisas como elas estão.

    Nos EUA, uma organização de mulheres criou um programa de “mentoras”. Você sempre vai ter acesso a meninas e adolescentes, primas, sobrinhas, filhas de amigas, irmãs. Esse grupo propõe que cada uma de nós comece dando o exemplo. Conversando com essas meninas sobre auto-respeito, auto-estima.

    Seja “mentora” de uma menina, mostre que ela vale muito mais do que dois belos seios e uma bunda empinada. Indique bons livros, bons filmes. Se você estiver em um país onde as mulheres ocupam um papel importante na sociedade, mostre pra elas que nem em todo lugar as coisas são como no Brasil e que tudo pode ser diferentes.

    Não sei sobre ser ingênua, mas idealista eu sou. Eu acredito que a gente pode fazer alguma diferença na vida das pessoas. Senão, pra que estamos aqui?

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    Há alguns anos, traduzi o site Expect the best of a Girl. That’s what you will get. Se quiserem perdoar a má tradução, que está sendo revisada agora, dêem uma olhada no site “Celebrando as meninas”.

    Contra o padrão Barbie!!!

    Denise | Anorexia & Bulimia, Auto Estima | Saturday, 13 March 2004

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    Na minha busca por coisas positivas sobre a Suécia, descobri mais uma.

    Ontem fui pra academia, fazer ginástica. Adoro malhar e faço isso com o maior prazer, desde os meus 14 anos, com algumas interrupções, é claro. As academias aqui são interessantes. Mas, depois falo sobre elas, hoje eu queria comentar outra coisa.

    Fiquei observando as roupas do mulherio na academia (coisa bem brasileira!!). Elas usavam umas coisas que, no comeco me pareceram muito “esquisitas”. Todas com uns camisetões e umas calças muito sem graça. Aqui, ninguém se destaca, mesmo as mais saradas. E olha que as mulheres aqui são lindas tem corpos muito bonitos… aí fiquei pensando nisso…

    Não existe, aqui, a cultura de se expor, de se sobressair, as pessoas são o mais discretas que podem. A igualdade de gênero no trabalho, na política, também causou profundas mudanças na sociedade. As mulheres, de uma forma geral, têm muito cuidado em não se colocar como objetos sexuais. Ok, Ok, a gente pode até achar que isso é muito sem graça, com a nossa sensualidade latina, a gente gosta de carregar nas tintas. Mas, será que vale a pena carregar o peso e a angústia que a maioria de nós, mulheres normais, carrega por não alcançar esse padrão de beleza perfeito durante toda a vida?

    As mulheres acreditam piamente, aqui, que não devem ser usadas pra vender produtos. Comercial de cerveja com mulher pelada? nem por sonho. Há alguns anos atrás, as feministas chegaram a fazer uma campanha contra os comerciais de calcinha e soutien da Hennes & Mauritz que estavam espalhados pelas ruas da cidade por considerar que despertavam angustia nas mulheres com corpos normais.

    Também não existem nunca, em lugar nenhum, propagandas do tipo “Kate Moss”, com modelos anoréxicas e com cara de doentes. As modelos são lindas, mas com corpos saudáveis e circunferência de braço bem maior que as desnutridas da mídia brasileira e americana. (Meu marido é nutricionista e sempre comenta, quando vê as modelos na televisão ou em revistas: “mas elas estão sofrendo de desnutrição crônica, isso é sério, onde estão os pais dessas meninas???”… hehehe…)

    Ai eu fui percebendo uma coisa. Como eu estou muito mais feliz comigo mesma, aqui. Como eu não me sinto pressionada a seguir o padrão Gisele Bundchen (o que seria, diga-se de passagem, impossível hehehe…). Mais do que isso, como eu, simplesmente, nem penso nisso….

    No Brasil, a cada esquina você se depara com uma gostosona pelada em outdoor, as bancas de revista inundadas bundas e peitos, cada vez maiores. E tem as novelas (perceberam como a Claudia Abreu está esquelética???), comerciais de cerveja, shows da Kelly Key… tudo bem, é legal essa nossa famosa sensualidade brasileira. Mas, convenhamos, quem de nós tem e consegue manter aquele padrão “Julaina Paes” por toda a vida? e o que acontece com o resto das mulheres que nasceram “diferentes”? ou as que envelheceram? sim, por que isso acontece, e é inevitável!

    Cria-se uma histeria coletiva pela juventude e pela magreza.

    Eu fui uma adolescente magra, depois da gravidez virei “yoyo”… emagreço-engordo, como a maioria de nós, brasileiras. Atualmente estou “ligeiramente acima do peso” hehehehe… mas estou feliz, me sentindo ótima e mais gostosa que nunca! mas quando eu estou no Brasil tem sempre alguém ou alguma coisa pra me lembrar que eu não sou mais a mesma dos 20 aninhos e me derrubar…

    Tem sempre uma tia pra perguntar se engordei na Europa ou uma amiga que não via há muito tempo pra me encarar feito uma pessoa com alguma doença contagiosa… é exatamente isso que eu sinto no Brasil… inadequação. Uma vez, vi a Fernanda Montenegro dizendo que as pessoas falam com ela, com raiva: “mas você envelheceu muito!”, como se ela não tivesse o direito de envelhecer. A gente näo tem o direito de não ser linda, no Brasil.

    Ter mais de 70kg e 35 anos então, é um pecado mortal que deve ser expiado com muita lipo-aspiracão, injeção na testa e peeling que tiram sua pele viva… dignos de tortura medieval. Ninguém pode, simplesmente, estar satisfeito com seu corpo, tem que estar sempre buscando mais.

    Encontrei muita menina de 15 anos sofrendo horrores por que não tem peito ou por que o cabelo não é liso como aqueles aquecido a ferro das modelos. Gente, o Brasil precisa acabar com isso! A auto-estima das nossas mulheres nunca vai melhorar se a mídia não ajudar e a sociedade não pressionar, como fez a sociedade sueca!

    Enfim, claro que continuo passando meu DMAE todos os dias, ácido retinóico toda noite (sob os olhares chocados do meu marido hehehe), muita ginástica e uma dietinha de leve. Mas, tudo isso sem pressão, sem sofrimento, sem a busca de um modelo inalcançável. Gosto dos meus quilinhos a mais, eles são acolhedores. E as ruguinha são prova de que ri muito na vida e chorei também. Enfim, tive emoções. Mas, com certeza, me sinto muito mais feliz aqui por que me sinto no direito de ser o que eu sou.

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    Algun Fatos:

    • Se a Barbie fosse uma mulher real, teria que andar de quatro, por causa da proporção do seu corpo
    • Colocadas em fila, todas as barbies vendidas desde a sua criação iriam dar 7 voltas ao mundo.
    • Uma geração atrás as modelos pesavam 8% menos que uma mulher média, hoje, elas pesam, pelo menos, 23% menos.
    • In 1995, um estudo psicológico mostrou que três minutos olhando fotos de modelos em revistas femininas causava sentimentos de depressão e culpa em 70% das mulheres pesquisadas.
    • Muitas vezes essas modelos são tão magras que param de menstruar.

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    Agora, pra se divertir, tente o joguinho “Feed the model” ou “Alimente uma modelo” hehehe… nesse link aqui.

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