Não ache que o mundo é grande demais

Você morre.
Acorde para a realidade e aceite-a.
Melhore o seu jeito de conviver, tenha bom senso.
Sinta o instante. Deixe-o te levar, sem expectativas.
Não tente controlar o fluxo da vida.
Você não é dono de nada (apesar de achar que pode
controlar as coisas do mundo).
Você é só parte da paisagem.
Suas propriedades e títulos nada valem.
É a experiência que atrai o ser humano.
Porque perder a vida acumulando coisas?
Ser bem-sucedido?
Que significa isso se todos já estamos mortos?
Faça o que te agrada.
Apenas o que te desperta felicidade.
Ao invés de comprar uma jaqueta, viaje com um amigo para uma cidade próxima.
Faça o que te instigue a curiosidade.
Repita um passeio de um parente mais velho.
Brinque com a vida.
Mas lembre-se: antes disso existem as outras pessoas.
Eles são o que há de mais interessante.
Imaginativas. Engraçadas. Únicas.
Ame-as. Seja amado.
Mas não espere nisso uma troca obrigatória.
Faça a sua parte e procure apostar nas pessoas.
Confie nelas.
Seja transparente para evitar especulações.
O mundo é feito de matéria e informação.
Os únicos átomos de que você precisa são para a sobrevivência do corpo.
Porque preocupar-se além disso?
Compartilhe técnica, ferramentas, matéria-prima.
Todos podemos criar coisas divertidas com elas.
E, ao contrário do que você pensa, tudo é público.
Se mais de uma pessoa pode ter acesso, então é público.
Não se apegue à matéria. Não queira ser o dono.
Ter as coisas é perder tempo.
Para a sua mente, uma experiência é informação pura.
E essa informação flui através de você, te mudando aos poucos.
Com bom senso, você muda pra melhor.
Com amor, você muda pra melhor.
Sem ansiedade, você evolui espontaneamente.
Como fazer tudo isso?
Sonhe.
Use a sua imaginação.
É para isso que você tem uma.
Não se acovarde.
Não ache que o mundo é grande demais.
Mude você e ajude os que estão próximos a mudar.
Sinta-se à vontade dentro de você mesmo.
Somos todos uma coisa só.
Você não estará sozinho.Daniel Pádua, no seu blog, em 25/11/2001.
@dpadua faleceu ontem. Foi um dos meus vários grandes achados no Twitter, um dos que reavivou em mim a vontade de interagir na Internet. Eu o seguia com toda atenção. Trocamos poucas palavras, mas aprendi bastante com ele.
Daniel Pádua foi pioneiro no ativismo digital e, atualmente, trabalhava no Ministério da Cultura e era integrante do Metareciclagem. Era arroz de festa em eventos de software e cultura livre no Brasil. Ajudou a fazer o Blog do Planalto, estave na comunidade brasileira de desenvolvedores do WordPress e do Blogchalk Brasil. Acumulava experiências.
Ele escreveu esse post, acima, muitos anos antes de adoecer e mostra que, apesar de muito jovem, sabia das coisas. Viveu o que realmente interessa: as experiências. Esse post é seu maior legado. Como tudo que ele fez, faz a gente refletir.
Vamos ampliar os horizontes. O que a gente vive, é o que interessa.

“Tecnologia é mato, o importante são as pessoas”, DPádua.
Foto 1: WordPress-br.
Foto 2: De @Emerluis, homenagem a @dpadua no Festival de Cultura Popular, em Brasilia, ontem.







Meus sinceros pêsames para todos os familiares e amigos.
"Você é militante dos direitos humanos?" foi o último post escrito por Jaboticaba Preta, em seu blog, vamos lá dar uma olhada?
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Que texto lindo o dele. Muito mais verdadeiro que qualquer “Filtro Solar” por aí. Uma pena a morte dele, mas é a vida. O que fica são essas coisas que acabei de ler e todo o sentimento deixado por ele que parece ser muita coisa boa. bjbj
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Não sabia que você o conhecia, sempre leio seu blog e não esperava encontrar essa homenagem aqui. Obrigada, acalentou meu coração um pouco, Dpádua é um amigo que fará muita falta na minha vida.
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Li em um outro blog sobre a morte dele e tava escrito “perdeu a batalha contra o câncer”, acho triste falar assim, como se a pessoa não tivesse lutado direito ou algo assim.
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Fiquei interessada em saber o que o levou à morte. Câncer no intestino. Ele me parecia tão jovem na foto ! Geralmente câncer no intestino acomete pessoas mais velhas, pelo que tenho visto.
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Viu, Dê? Não é incri’vel? Eu estou aprendendo muitas coisas; mudei muita coisa q eu achava ruim na minha personalidade e continuo tentando demais pois sofri um bocado depois da morte de meupai e problemas de outra ordem. Esse menino (para mim um menino) era médium intelectual; não me lembro como eles chamam mas é o que passa através da escrita.
Meu pai, Denise, era um homem que chegava a brincar com isso; ele era cético, mas acho que depois começoou a ter um certo medo porque ele mesmo estava mudando! Alguns meses antes de morrer, ele intensificou o que jah era da sua personalidade: a capacidade de doação. Meu pai era iluminado por ser uma pessoa muito boa e i’ntegra mas ninguém é santo, claro. Quero dizer que por ele ter sido muito apegado à matéria, sofreu depois que envelheceu e acho que eu o ajudei nisso, mas de maneira por vezes imatura, porque não desenvolvi minha capacidade. Hoje tudo estah mudando
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delicado, profundo, emocionante e sobretudo sábio.
Muito obrigada por compartilhar este texto tão lindo.
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tenho lido seu blog, mas acho que é a primeira vez que comento.
inflizmente não conheci o dpádua. mas conheço pessoas que o conheciam. li o que ele deixou e só meixou a impressão de que era um cara incrível. e uma amargura de um injustiça de que a vida levou cedo demais alguém com muito, muito a dar ao mundo. porque alguém tão jovem qu escreve o que ele escreveu aí acima, era alguém muito grande e capaz de tocar a gente lá no fundo da alma.
boniat homenagem que vc fez. que o céu receba-o com todas as honras. bj
"As dores de amores" foi o último post escrito por iaiá, em seu blog, vamos lá dar uma olhada?
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Dizia mas não praticava…não dava para copiar nada do Blog dele…
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Triste e bonito. Parecia que adivinhava que ia viver tão pouco. Não o conhecia mas fiquei sentida com sua morte. Tomara que seu ideal de compartilhar técnica, ferramentas e matéria-prima vença.
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