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Não ache que o mundo é grande demais

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Publicado na Saturday, 21 November 2009

dpadua

Você morre.
Acorde para a realidade e aceite-a.
Melhore o seu jeito de conviver, tenha bom senso.
Sinta o instante. Deixe-o te levar, sem expectativas.
Não tente controlar o fluxo da vida.
Você não é dono de nada (apesar de achar que pode
controlar as coisas do mundo).
Você é só parte da paisagem.
Suas propriedades e títulos nada valem.
É a experiência que atrai o ser humano.
Porque perder a vida acumulando coisas?
Ser bem-sucedido?
Que significa isso se todos já estamos mortos?
Faça o que te agrada.
Apenas o que te desperta felicidade.
Ao invés de comprar uma jaqueta, viaje com um amigo para uma cidade próxima.
Faça o que te instigue a curiosidade.
Repita um passeio de um parente mais velho.
Brinque com a vida.
Mas lembre-se: antes disso existem as outras pessoas.
Eles são o que há de mais interessante.
Imaginativas. Engraçadas. Únicas.
Ame-as. Seja amado.
Mas não espere nisso uma troca obrigatória.
Faça a sua parte e procure apostar nas pessoas.
Confie nelas.
Seja transparente para evitar especulações.
O mundo é feito de matéria e informação.
Os únicos átomos de que você precisa são para a sobrevivência do corpo.
Porque preocupar-se além disso?
Compartilhe técnica, ferramentas, matéria-prima.
Todos podemos criar coisas divertidas com elas.
E, ao contrário do que você pensa, tudo é público.
Se mais de uma pessoa pode ter acesso, então é público.
Não se apegue à matéria. Não queira ser o dono.
Ter as coisas é perder tempo.
Para a sua mente, uma experiência é informação pura.
E essa informação flui através de você, te mudando aos poucos.
Com bom senso, você muda pra melhor.
Com amor, você muda pra melhor.
Sem ansiedade, você evolui espontaneamente.
Como fazer tudo isso?
Sonhe.
Use a sua imaginação.
É para isso que você tem uma.
Não se acovarde.
Não ache que o mundo é grande demais.
Mude você e ajude os que estão próximos a mudar.
Sinta-se à vontade dentro de você mesmo.
Somos todos uma coisa só.
Você não estará sozinho.

Daniel Pádua, no seu blog, em 25/11/2001.

@dpadua faleceu ontem. Foi um dos meus vários grandes achados no Twitter, um dos que reavivou em mim a vontade de interagir na Internet. Eu o seguia com toda atenção. Trocamos poucas palavras, mas aprendi bastante com ele.

Daniel Pádua foi pioneiro no ativismo digital e, atualmente, trabalhava no Ministério da Cultura e era integrante do Metareciclagem. Era arroz de festa em eventos de software e cultura livre no Brasil. Ajudou a fazer o Blog do Planalto, estave na comunidade brasileira de desenvolvedores do Wordpress e do Blogchalk Brasil. Acumulava experiências.

Ele escreveu esse post, acima, muitos anos antes de adoecer e mostra que, apesar de muito jovem, sabia das coisas. Viveu o que realmente interessa: as experiências. Esse post é seu maior legado. Como tudo que ele fez, faz a gente  refletir.

Vamos ampliar os horizontes.  O que a gente vive, é o que interessa.

imaginario

“Tecnologia é mato, o importante são as pessoas”,  DPádua.

Foto 1: Wordpress-br.

Foto 2: De @Emerluis, homenagem a @dpadua no Festival de Cultura Popular, em Brasilia, ontem.

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