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Ditabranda – Era só o que faltava!

Leia mais sobre Brasil, Política.
Publicado na Thursday, 05 March 2009

Eu tava por fora. Foi o Davidson Maurity quem me deu o toque. Quer dizer que a “Falha” (como dizia o Guilherme) anda propagando que a nossa ditadura não foi tão dura assim.

Trecho do editorial:

“Mas, se as chamadas “ditabrandas” – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso”.

Quero ver esses FDP convencerem a família desse menino (da foto abaixo), Edson Luís Lima Souto, que foi morto em um confronto com a polícia militar, durante uma manifestação política no Rio de Janeiro, no dia 28 de março de 1968.

A ditadura militar brasileira foi carniceira, sádica, monstruosa. Ponto. Não importa se teve menos vítimas que a Argentina. As nossas vítimas foram bem reais e muitos que sofreram ainda estão por ai  pra contar a história.

Está sendo organizado um ato de repúdio a esse absurdo cometido pela Folha, no editorial do dia 17.

O povo vai se reunir na  frente do prédio da FSP (na rua Barão de Limeira), no próximo sábado, dia 07, às 10 da manhã.

Não deixemos que a história seja apagada e re-escrita, é preciso que todas as novas gerações saibam de tudo que aconteceu, tim-tim-por-tim-tim.

O torturador José Vargas, fala sobre o  quanto era uma ditabranda:

“Partindo das duas bases, fizeram um cerco aos moradores e guerrilheiros. Entrando de casa em casa, os militares colecionaram prisões de camponeses.  ‘Em cada cabana que entrávamos prendíamos o chefe da família e, se este tivesse filho homem na idade de lutar, também ia preso’, recorda Vargas. ‘Deixamos só as mulheres e crianças para trás’. Nas bases militares, os camponeses eram submetidos a todo tipo de tortura. ‘Eles eram colocados descalços em pé em cima de latas, só se apoiando com um dedo na parede, tomavam ‘telefones’ – tapas nos ouvidos – e choques elétricos’, conta o militar.  ‘Prendi mais de 30′,  contabiliza. ‘Um deles eu coloquei nu em um pau-dearara, com o corpo lambuzado de açúcar, em cima de um formigueiro. Quando as formigas começaram a subir pelo corpo, o camponês contou tudo o que sabia sobre os comunistas’ .  – A Tropa do Extermínio, Isto É

Muy branda…

Quem, como eu, estiver longe e não puder participar da manifestação contra a Folha, pode ajudar divulgando o ato e o fato.  E, pra quem ainda tiver dúvidas sobre o quanto a ditadura foi criminosa, eu sugiro a leitura do clássico livro Brasil Nunca Mais – Um Relato para a História (link com livro na íntegra, para download).


Veja também:


E assine a petição  REPUDIO E SOLIDARIEDADE

Ante a viva lembranca da dura e permanente violencia desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repudio a arbitraria e inveridica revisao historica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime politico vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direcao editorial do jornal insulta e avilta a memoria dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratizacao do pais. Perseguicoes, prisoes iniquas, torturas, assassinatos, suicidios forjados e execucoes sumarias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no periodo mais longo e sombrio da historia política brasileira. O estelionato semantico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisao historica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensao das liberdades e direitos democraticos no pos-1964.
Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redacao, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razoes ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrarios e irresponsaveis a atuacao desses dois combativos academicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insolitas criticas pessoais e politicas contidas na infamante nota da direcao editorial do jornal.
Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fabio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.

Assine aqui.

Ilustração: Latuff.

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