Tédio, pleeeeeeeeeeeeease!!!!!
Meu primeiro marido costumava dizer que, comigo, ele poderia morrer de raiva, nunca de tédio. E ontem, Ted (que foi casado com uma sueca) disse que saiu de um filme de Bergman pra entrar num filme de Almodovar… hehehehe… que ele adora, claro!
As familias latino americanas são mesmo muito movimentadas, não sei se a minha é pior, mas sempre tem um drama ou comédia acontecendo.
Vou contar só um milésimo do que se passou nesse fim-começo de ano com a família Arcoverde.
Como todos os anos, Bia foi pro Brasil pouco antes do natal. Nessa época, as passagens são caríssimas, então, o pai dela pagou o trecho Washington/Caracas/Washington e eu consegui milhas da Varig para Caracas/Recife/Caracas.
Em Caracas, ela ficou hospedada na casa de uma amiga venezuelana muito querida, de muito tempo, do movimento de amamentação. Saiu de lá exatamente na noite de natal.
Como sempre, acostumada a pagar tudo com o cartão do banco, e pra não correr o risco de perder dinheiro na viagem, ela tinha poucos dólares na carteira. Ao parar na imigração, foi informada que tinha que pagar US$ 70.00 pra deixar o país, senão não embarcava. Eu nunca tinha ouvido falar nisso, vocês já? sabem se outros paises cobram essa taxa?
Enfim, ela tentou pagar com cartão, tinha de ser cash. Foi procurar um caixa eletrônico… nada. Entrou em pânico, começou a chorar, e nada, eles seguiam irredutíveis, sem pagar a taxa, ela ficaria no país de Chavez e perderia uma série de vôos, causando danos quase irreparáveis.
Ela chorou, chorou tanto que uma mulher que estava na fila ficou com pena e pagou os US$ 70.00. Bia perguntou o nome dela, endereço, disse que mandaria o dinheiro, ela não quis, não disse nem o nome, disse apenas que era um “presente de natal”.
Não é maravilhoso que ainda exista gente assim? minha mãe disse que cada vez que conta essa história a alguém, chora. Claro que ela acha que foi um anjo, na noite de natal. Eu só consigo imaginar a venezuelana como uma daquelas mulheres de Almodovar.
Nesse momento, Bia está num avião, voltando pra casa (dela) em Washington. E eu acordei cedíssimo, ansiosa, e torcendo pra ela mandar um recadinho dizendo “cheguei”, preciso urgentemente de um pouquinho de tédio e menos emoções!





Eu tinha começado a escrever essa meme, há meses, mas parei no numero 73. Aí, hoje, Bia me etiquetou no Facebook, pedindo que eu escreva 25 coisas sobre mim.







