Propaganda coreana
Mais um creme embranquecedor, comum por aqui…

Ouça Comigo:
Quando “Ignorance is a bliss”

Bia cismou de ir pra Jamaica no auge da temporada de furacões no Caribe. Eu nem disse nada a mamãe sobre esse pequeno “detalhe” da viagem, por que ela não iria dormir e as mãozinhas iam fazer calo de tanto rezar o terço pra proteger a neta maluquinha.
Eu e Ted dissemos que era loucura viajar agora, mas fazer o quê? ela vai enfrentar um período de muito estudo, em breve, e eu sei como é isso, ela não faz mais nada, merecia um descanso.
Até a última vez em que conversamos por telefone, na véspera da minha viagem pra cá, ela estava feliz da vida, porque tinha tido muito sol e praia. E eu só poderia mesmo torcer para que continuasse assim.
Não sou das mães mais calmas, de vez em quando me desespero se não souber onde ela anda, mas se não tiver nada que eu possa fazer, prefiro nem pensar no assunto e olha que consigo mesmo.
Foi essa minha total e absoluta “ignorance” e alheiamento a jornais, blogs e notícias desde que chegamos aqui (envolvidos em coisas que conto já) o que me salvou de entrar em pânico.
Enfim, Bia deveria estar de volta aos EUA ontem. Claro que lembrei disso, mas estava super ocupada e não quis ligar pra ela, deixei quieto. Hoje deu aquela agoniazinha, vontade de saber onde anda a cria com quem não falo desde a terça.. Liguei pro celular dela e nada. Mesma coisa pro de Simon (que ficou em DC).
Mais tarde, tentei de novo, e consegui falar com Simon. Muito tranquilamente, ele comentou que ela ainda não tinha chegado…
“- Como assim???!!!!”
Pra surpresa dele, eu não sabia de nada sobre o Gustav, que atingiu o país como tempestade tropical, na última quinta feira, deixando – até agora – 12 mortos, 100 estradas bloqueadas, metade dos quase 3 milhões de habitantes da ilha sem eletricidade e uns 2 mil desabrigados.
Os vôos, claro, foram cancelados e Bia deveria sair de lá na na sexta-feira de manhã. Pra meu alívio, Bia está no aeroporto, provavelmente sofrendo o pão que o diabo amassou, mas faz parte… no pain, no gain…
Tá tentando conseguir um vôo pra segunda-feira (quando ela começa a faculdade)… ela e centenas de outros turistas que ficaram presos na ilha, já que o furacão continua no caminho pros EUA e não dá pra voar pra lá , por enquanto, né?
Eu acho que os pais e mães nunca vão poder impedir que os filhos passem por todo tipo de agonia (principalmente filhos aventureiros como a minha), por isso, eu acho que quando não dá mesmo pra gente fazer nada, o melhor é também nem saber o que está acontecendo (agora mesmo, estou morrendo de pena da bichinha passando esse sufoco, mas pelo menos tá salva…)
Gente, se eu tivesse lido sobre esse furacão, sem ter contato nenhum com ela, sem saber onde ela anda… tinha tido um troço!
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E eu tô aqui, feliz da vida e apaixonada pela Coréia e os coreanos, já com mil coisas pra contar pra vocês, mas essa história de Bia mudou meu eixo de atenção. Amanhã conto pra vocês sobre a nossa nova vida!
Pessoal do brechó… daqui a pouco escrevo pra todo mundo…

Às 8 e meia da manhã, o vôo sai de Washington, DC para Seul, carregando nossas cinco malas e quatro caixas. Minhas últimas horas por aqui estão sendo absolutamente enlouquecidas, ainda falta embalar muita coisa e tenho revisão pós cirúrgica agorinha… nervos à flor da pele.
Fui ver o novo filme de Woody Allen, semana passada. Gostei muito e é engraçado ver Scarlet Johansson dizendo coisas de um jeito que poderiam ser ditas por Woody.
Tenho alguns comentários a fazer sobre o filme, mas agora não dá mesmo. Só adianto que, às vezes, parece mais um filme de americana-enlouquecendo-nas-férias-na-Europa, sendo que, claro, é bem mais sutil e muito mais sofisticado. Ainda assim…
Sempre achei que a Penélope tem assim uma cara de “ema”, já pensaram nisso? cabeça pequena, pescoço enorme, mas ela está lindíssima e eu adoro seu sotaque forte, falando inglês, merece Oscar desse ano.
Mais sobre Vicky Cristina Barcelona aqui.

Que tal, agora, vocês deixarem aqui na página de comentários umas 20 coisinhas (ou mais ou menos, vocês decidem) sobre vocês? vamos adorar ler! podem começar!
Pra mim, esse não é, exatamente, o melhor momento pra escrever um post mais complexo e que merece uma ampla pesquisa e muito menos pra começar algum debate, já que tenho apenas QUATRO dias pra resolver minha vida por aqui e embarcar pra Coréia.
Pra complicar, estou com uma infecção no olho operado e fui parar na Emergência ontem à noite. Estou OK, mas com algumas dores, tomando antibiótico. Nada agradável.
Mas, enfim, não dava pra deixar esse assunto, que tanto me interessa, passar em branco. Então, vou jogar o post aqui e convido vocês a trocar idéias sobre o assunto, quero espiar o que vocês acham.
Como vocês já devem saber, mesmo depois de alguma pressão do Mantegua, Lula decidiu que não vai vetar o projeto que amplia a licença-maternidade para seis meses (O cartaz acima é material da campanha que a Sociedade Brasileira de Pediatria e OAB lançaram desde 2005).
Confesso que não tenho acompanhado tudo muito atentamente, já que minha vida por aqui anda pra lá de movimentada, mas não posso deixar de considerar essa uma ótima notícia. Dois meses a mais, vai ajudar algumas mães a manter a amamentação por tempo exclusivo nos seis primeiros meses, o que é, sem dúvida o ideal.
(Aliás, acabei de ver, pelo vídeo do Skype, as duas gêmeas fofíssimas do filho de Ted, Kasper, que completaram hoje seis meses e foram amamentadas exclusivamente ao seio e hoje receberam o primeiro alimento…. na colherinha, nada de mamadeira. Bacana, né? Pedi uma foto delas mamando e vou colocar aqui, em breve)
Mas, acho importante que a gente lembre que esse projeto de lei não se transformará num direito automaticamente adquirido por todas as brasileiras. Pra começar, quantas têm carteira assinada?
No 8 de Março desse ano, por exemplo, o IBGE divulgou um estudo sobre a situação das mulheres no mercado de trabalho que nos mostra que, entre as trabalhadoras brasileiras, apenas 37,8% tinham carteira assinada em empresa do setor privado. Entre os homens, o índice era de 48,6%. No geral, cerca de metade das mulheres brasileiras têm carteira assinada.
Quanto mais pobre e com menos anos de escolaridade, menor chance de fazer parte do sistema formal de emprego. Segundo estudo da OIT, divulgado em abril desse ano, 75,6% das mulheres negras que trabalham como empregadas domésticas não têm carteira assinada. Esse mesmo índice é de 69,6% entre as mulheres brancas. Mesmo entre as que têm carteira assinada, quantas trabalham em empresas que vão participar do Programa Empresa Cidadã?
Enfim, não estou dizendo que sou contra a lei, de jeito nenhum. Acho que será maravilhoso para muitas mulheres e crianças e discordo de quem acha que os dois meses adicionais são desnecessários, pelo contrário, o ideal seria que todos tivessem direito a eles.
Mas, para mim, existem duas outras questões importantíssimas, sobre as quais não podemos nos esquecer: a ampliação da licença paternidade e disponibilização de creches de qualidade para todas as crianças de 0 a 4 anos.
É preciso tirar das costas da mulher a responsabilidade total pela criação dos filhos. Está mais que provado que a o empoderamento das mulheres e sua inclusão no mercado de trabalho são fatores decisivos para tirar as famílias da linha de pobreza e que influem diretamente até na saúde e nutrição das crianças.

Falando nisso, no começo do mês, a Rede Brasileira de Homens pela Equidade de Gênero e o Instituto PAPAI lançaram a campanha “Dá licença, eu sou pai!”:
A iniciativa tem como objetivo estimular os homens a exercerem o direito de cuidar, solicitando a Licença Paternidade em caso de nascimento ou adoção de um filho, assim como, promover uma mobilização pública em prol da ampliação do período, de 5 dias para 1 mês, conforme prevê projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados. (…)
Leia mais sobre a campanha no site do Instituto PAPAI.
Aproveito pra divulgar o 5o. Seminário Nacional Homens, Gênero e Políticas Públicas, de 22 a 24 de outubro, em Recife. Mais informações, aqui.
E vocês, o que acham?
Debate sobre o assunto na Globonews:

Fiz essa foto na última sexta-feira, no jantar que Bia e Simon ofereceram pra gente, pra celebrar nossos aniversários (o de Ted foi no dia 15).
A gente tinha saído no dia anterior pra comprar uma coisinhas e eu dei esse vestido a ela, que achei lindo, bem curtinho, assim justinho em cima, com a saia mais soltinha. Lindo. E com uma cor que contrasta perfeitamente com a tatuagem.
Quando ela decidiu colocar meu nome lá, disse que esse era o único amor que tinha certeza que nunca mudaria e que iria durar pra sempre. Sim, mesmo longe, estarei sempre ali, grudadinha nela. E foi duro não chorar cada vez que pensava nisso.
Ontem, ela me escreveu da Jamaica, dizendo que está tudo maravilhoso. Muita praia e muito sol (estava preocupada com umas chuvas que poderiam cair por lá. Que nada, maior solzão. Adorei saber que ela está se divertindo mooooooooooooooooooooito e tento nem pensar nela pulando de praia em praia, menina danada… só falta chegar aqui com rastafari
Obrigada pelas mensagens carinhosas que vocês deixaram pra essa super mãe de coração dramaticamente latino e ninho desfalcado. Sabem que nem chorar posso? lembram da minha cirurgia? ainda não fez nem um mês.
Pois bem, sou muito, muito chorona, mas ainda bem que lembrei dos meus recém-operados olhos e segurei o rio de lágrimas. Ainda assim, no domingo acordei com os olhos super inchados e com dores, que foram piorando. Hoje fui ao médico e tem uma inflamaçãozinha, tô colocando um colírio de corticóide e antibiótico. Então, nem chorar posso. Melhor assim.
A mudança pra Coréia
No mais, as coisas por aqui continuam caóticas. Finalmente, hoje, Ted recebeu o número que precisava pra ir na Embaixada tirar o visto e está conformado, viajamos na próxima terça-feira, dia 26 de agosto. Deu um friozinho na barriga. Agora é pra valer.
Quero MUITO ir, estou morrendo de curiosidade e tenho certeza que serei muito feliz por lá. Mas nem quero pensar na saudade que vou ter desse meu apartamento e da minha vidinha aqui em Washington. Fui feliz demais por aqui. Antes de ir embora, vou escrever um post com dicas bem práticas de coisinhas que descobri nesses 4 anos em DC, para quem vem passear ou morar aqui. Aguardem.
Agora, preciso cuidar da vida, terminar de mandar o que falta do brechó e empacotar as coisas que vamos levar pra Coréia. O tempo é curtíssimo pra tudo que tenho que fazer. Espero voltar a ser uma boa blogueira quando chegar e me instalar em Seul. No momento, não consigo mais ler nem um postzinho dos meus blogs favoritos.
Afe… esse ano tem sido uma montanha russa. É muita emoção pra uma pessoa só.
ps.: Estou aparvalhada com a quantidade de museus que tem em Seul. O máximo. Esqueci de contar no post anterior, mas eu ADORO robôs, principalmente aqueles antiguinhos. Pois não é que eu descobri que em Seul tem o Museu dos Robots?! aguardem muitas fotos
Agora, vou ver Vicky Cristina Barcelona, com Ted. Assim que der, continuo minha listinha abaixo…

Tô indo dormir, Bia acabou de se despedir de mim. Amanhã. ela viaja pra Jamaica e, quando voltar, não estarei mais aqui. Depois de 21 anos, hoje foi o último dia vivendo na mesma casa que ela.
Sei que estava na hora, sei que ela vai ficar muito bem (e isso ajuda muito!), foi educada pra bater asas e ser livre. Sei que hoje em dia, o mundo é pequeno, vamos nos falar e nos ver de vez em quando.
Mas – por mais que eu tenha passado esses 21 anos me preparando pra o dia de hoje – só quem passou por ele pode ter uma idéia do que é ver o ninho, finalmente, vazio.
Tenho muitas coisas pra dizer sobre esse momento, principalmente a outras mães, mas não agora. Agora, vou fazer de conta que nada aconteceu e ela só vai viajar mais uma vez e eu também, vou dormir e acordar amanhã pensando no futuro interessante e cheio de descobertas que me espera na Coréia.
Porque parar pra pensar no que significa a ausência física dessa criatura que é a coisa mais importante do mundo pra mim, dói como um outro parto. Desculpem a ausência, mas estou de resguardo.

A vida por aqui anda incrivelmente movimentada. Tenho muitas, muitas coisas pra contar aqui no blog, mas absolutamente nenhum tempo.
A gente está esperando o visto pra decidir a data da mudança pra Seul, mas deve ser o mais breve possível, talvez na próxima semana… conseguem imaginar o que isso significa?
Depois de enviar 98 caixas enormes e vários móveis pro Brasil, ainda temos que separar o que restou em (1) o que vai pra Coréia (2) o que vai pro apartamento de Bia (3) o que Ted vai levar amanhã pra casa de Felix (o filho dele, que mora a duas horas daqui).
Pra completar, Bia já tinha marcado uma viagem que não deu pra mudar e em poucos dias, a fofa-sortuda-que-sabe-aproveitar-a-vida está se mandando pra Jamaica.
Enfim, minha vida está de cabeça pra baixo. Mas, como eu adoro receber parabéns pelo meu aniversário (adoro fazer aniversário!!), precisava lembrar a vocês que o meu é amanhã HOJE
e contar que já nem lembro minha idade…
Dia desses estava comentando com Ted: “Puxa, já vou fazer 45 anos! o tempo voa!!!” e ele: “Denise, você vai fazer 44″… “Sério?! uhuhuhuhhh… (fazendo as contas) é mesmo!!! e eu poderia jurar que era 45!”.
Como é costume na Suécia, quando faço aniversário, já incorporo a idade seguinte. Então, faz tanto tempo que eu me sinto com 44 que já estava pensando que amanhã eu ia completar 45 heheheh… a vantagem é que fiquei felicíssima por ganhar um aninho a mais
Estou feliz e me sentindo ótima com meus 44, se der, em algum momento escrevo mais sobre isso, amanhã.
Agora preciso voltar ao trabalho, que Ted já tá olhando meio agoniado pra mim aqui no laptop com a casa num pandemônio…
PS.: quem enviou emails encomendando algo do brechó ou está esperando algum pacotinho que ainda não chegou, pleeeeeeeeeease, tenha um pouquinho de paciência que já escrevo de volta. Não vou deixar de mandar nenhuma encomenda antes da mudança, podem ficar tranquil@s.