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Propaganda coreana

Denise | Campanhas Publicitárias, Coreia do Sul | Sunday, 31 August 2008

Mais um creme embranquecedor, comum por aqui…   :-(

Furacão na Jamaica

Denise | Bia | Sunday, 31 August 2008

Quando “Ignorance is a bliss”

Bia cismou de ir pra Jamaica no auge da temporada de furacões no Caribe. Eu nem disse nada a mamãe sobre esse pequeno “detalhe” da viagem, por que ela não iria dormir e as mãozinhas iam fazer calo de tanto rezar o terço pra proteger a neta maluquinha.

Eu e Ted dissemos que era loucura viajar agora, mas fazer o quê? ela vai enfrentar um período de muito estudo, em breve, e eu sei como é isso, ela não faz mais nada, merecia um descanso.

Até a última vez em que conversamos por telefone, na véspera da minha viagem pra cá, ela estava feliz da vida, porque tinha tido muito sol e praia. E eu só poderia mesmo torcer para que continuasse assim.

Não sou das mães mais calmas, de vez em quando me desespero se não souber onde ela anda, mas se não tiver nada que eu possa fazer, prefiro nem pensar no assunto e olha que consigo mesmo.

Foi essa minha total e absoluta “ignorance” e alheiamento a jornais, blogs e notícias desde que chegamos aqui (envolvidos em coisas que conto já)  o que me salvou de entrar em pânico.

Enfim, Bia deveria estar de volta aos EUA ontem. Claro que lembrei disso, mas estava super ocupada e não quis ligar pra ela, deixei quieto. Hoje deu aquela agoniazinha, vontade de saber onde anda a cria com quem não falo desde a terça.. Liguei pro celular dela e nada. Mesma coisa pro de Simon (que ficou em DC).

Mais tarde, tentei de novo, e consegui falar com Simon. Muito tranquilamente, ele comentou que ela ainda não tinha chegado…

“- Como assim???!!!!”

Pra surpresa dele, eu não sabia de nada sobre o Gustav, que atingiu o país como tempestade tropical, na última quinta feira, deixando – até agora – 12 mortos, 100 estradas bloqueadas, metade dos quase 3 milhões de habitantes da ilha sem eletricidade e uns 2 mil desabrigados.

Os vôos, claro, foram cancelados e Bia deveria sair de lá na na sexta-feira de manhã. Pra meu alívio, Bia está no aeroporto, provavelmente sofrendo o pão que o diabo amassou, mas faz parte… no pain, no gain

Tá tentando conseguir um vôo pra segunda-feira (quando ela começa a faculdade)… ela e centenas de outros turistas que ficaram presos na ilha, já que o furacão continua no caminho pros EUA e não dá pra voar pra lá , por enquanto, né?

Eu acho que os pais e mães nunca vão poder impedir que os filhos passem por todo tipo de agonia (principalmente filhos aventureiros como a minha), por isso, eu acho que quando não dá mesmo pra gente fazer nada, o melhor é também nem saber o que está acontecendo (agora mesmo, estou morrendo de pena da bichinha passando esse sufoco, mas pelo menos tá salva…)

Gente, se eu tivesse lido sobre esse furacão, sem ter contato nenhum com ela, sem saber onde ela anda… tinha tido um troço!

_________________________________________________

E eu tô aqui, feliz da vida e apaixonada pela Coréia e os coreanos, já com mil coisas pra contar pra vocês, mas essa história de Bia mudou meu eixo de atenção. Amanhã conto pra vocês sobre a nossa nova vida!

Pessoal do brechó… daqui a pouco escrevo pra todo mundo…

É amanhã

Denise | Coreia do Sul | Monday, 25 August 2008

Às 8 e meia da manhã, o vôo sai de Washington, DC para Seul, carregando nossas cinco malas e quatro caixas. Minhas últimas horas por aqui estão sendo absolutamente enlouquecidas, ainda falta embalar muita coisa e tenho revisão pós cirúrgica agorinha… nervos à flor da pele.

Penélope Cruz e Vicky Cristina Barcelona

Denise | Cinema | Monday, 25 August 2008

Fui ver o novo filme de Woody Allen, semana passada. Gostei muito e é engraçado ver Scarlet Johansson dizendo coisas de um jeito que poderiam ser ditas por Woody.

Tenho alguns comentários a fazer sobre o filme, mas agora não dá mesmo. Só adianto que, às vezes, parece mais um filme de americana-enlouquecendo-nas-férias-na-Europa, sendo que, claro, é bem mais sutil e muito mais sofisticado. Ainda assim…

Sempre achei que a Penélope tem assim uma cara de “ema”, já pensaram nisso? cabeça pequena, pescoço enorme, mas ela está lindíssima e eu adoro seu sotaque forte, falando inglês, merece Oscar desse ano.

Mais sobre Vicky Cristina Barcelona aqui.

The Smiths

Denise | Anos 80, Música | Sunday, 24 August 2008

How Soon is Now?

The Boy With The Thorn In His Side

20 Coisinhas sobre vocês…

Denise | Listinhas | Thursday, 21 August 2008

Que tal, agora, vocês deixarem aqui na página de comentários umas 20 coisinhas (ou mais ou menos, vocês decidem) sobre vocês?  vamos adorar ler!  podem começar!

Licença-Maternidade, Licença-Paternidade e Creches

Denise | Maternidade | Thursday, 21 August 2008

Pra mim, esse não é, exatamente, o melhor momento pra escrever um post mais complexo e que merece uma ampla pesquisa e muito menos pra começar algum debate, já que tenho apenas QUATRO dias pra resolver minha vida por aqui e embarcar pra Coréia.

Pra complicar, estou com uma infecção no olho operado e fui parar na Emergência ontem à noite. Estou OK, mas com algumas dores, tomando antibiótico. Nada agradável.

Mas, enfim, não dava pra deixar esse assunto, que tanto me interessa, passar em branco. Então, vou jogar o post aqui e convido vocês a trocar idéias sobre o assunto, quero espiar o que vocês acham.

Como vocês já devem saber, mesmo depois de alguma pressão do Mantegua, Lula decidiu que não vai vetar o projeto que amplia a licença-maternidade para seis meses (O cartaz acima é material da campanha que a Sociedade Brasileira de Pediatria e OAB lançaram desde 2005).

Confesso que não tenho acompanhado tudo muito atentamente, já que minha vida por aqui anda pra lá de movimentada, mas não posso deixar de considerar essa uma ótima notícia. Dois meses a mais, vai ajudar algumas mães a manter a amamentação por tempo exclusivo nos seis primeiros meses, o que é, sem dúvida o ideal.

(Aliás, acabei de ver, pelo vídeo do Skype, as duas gêmeas fofíssimas do filho de Ted, Kasper, que completaram hoje seis meses e foram amamentadas exclusivamente ao seio e hoje receberam o primeiro alimento…. na colherinha, nada de mamadeira. Bacana, né? Pedi uma foto delas mamando e vou colocar aqui, em breve)

Mas, acho importante que a gente lembre que esse projeto de lei não se transformará num direito automaticamente adquirido por todas as brasileiras. Pra começar, quantas têm carteira assinada?

No 8 de Março desse ano, por exemplo, o IBGE divulgou um estudo sobre a situação das mulheres no mercado de trabalho que nos mostra que, entre as trabalhadoras brasileiras, apenas 37,8% tinham carteira assinada em empresa do setor privado. Entre os homens, o índice era de 48,6%. No geral, cerca de metade das mulheres brasileiras têm carteira assinada.

Quanto mais pobre e com menos anos de escolaridade, menor chance de fazer parte do sistema formal de emprego. Segundo estudo da OIT, divulgado em abril desse ano, 75,6% das mulheres negras que trabalham como empregadas domésticas não têm carteira assinada. Esse mesmo índice é de 69,6% entre as mulheres brancas. Mesmo entre as que têm carteira assinada, quantas trabalham em empresas que vão participar do Programa Empresa Cidadã?

Enfim, não estou dizendo que sou contra a lei, de jeito nenhum. Acho que será maravilhoso para muitas mulheres e crianças e discordo de quem acha que os dois meses adicionais são desnecessários, pelo contrário, o ideal seria que todos tivessem direito a eles.

Mas, para mim, existem duas outras questões importantíssimas, sobre as quais não podemos nos esquecer:  a ampliação da licença paternidade e disponibilização de creches de qualidade para todas as crianças de 0 a 4 anos.

É preciso tirar das costas da mulher a responsabilidade total pela criação dos filhos. Está mais que provado que a o empoderamento das mulheres e sua inclusão no mercado de trabalho são fatores decisivos para tirar as famílias da linha de pobreza e que influem diretamente até na saúde e nutrição das crianças.

Falando nisso, no começo do mês, a Rede Brasileira de Homens pela Equidade de Gênero e o Instituto PAPAI lançaram a campanha “Dá licença, eu sou pai!”:

A iniciativa tem como objetivo estimular os homens a exercerem o direito de cuidar, solicitando a Licença Paternidade em caso de nascimento ou adoção de um filho, assim como, promover uma mobilização pública em prol da ampliação do período, de 5 dias para 1 mês, conforme prevê projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados. (…)

Leia mais sobre a campanha no site do Instituto PAPAI.

Aproveito pra divulgar o 5o. Seminário Nacional Homens, Gênero e Políticas Públicas, de 22 a 24 de outubro, em Recife. Mais informações, aqui.

E vocês, o que acham?

Debate sobre o assunto na Globonews:

O que rola por aqui…

Denise | Diversos | Tuesday, 19 August 2008

Fiz essa foto na última sexta-feira, no jantar que Bia e Simon ofereceram pra gente, pra celebrar nossos aniversários (o de Ted foi no dia 15).

A gente tinha saído no dia anterior pra comprar uma coisinhas e eu dei esse vestido a ela, que achei lindo, bem curtinho, assim justinho em cima, com a saia mais soltinha. Lindo. E com uma cor que contrasta perfeitamente com a tatuagem.

Quando ela decidiu colocar meu nome lá, disse que esse era o único amor que tinha certeza que nunca  mudaria e que iria durar pra sempre. Sim, mesmo longe, estarei sempre ali, grudadinha nela. E foi duro não chorar cada vez que pensava nisso.

Ontem, ela me escreveu da Jamaica, dizendo que está tudo maravilhoso. Muita praia e muito sol (estava preocupada com umas chuvas que poderiam cair por lá. Que nada, maior solzão. Adorei saber que ela está se divertindo mooooooooooooooooooooito e tento nem pensar nela pulando de praia em praia, menina danada… só falta chegar aqui com rastafari  :-)

Obrigada pelas mensagens carinhosas que vocês deixaram pra essa super mãe de coração dramaticamente latino e ninho desfalcado. Sabem que nem chorar posso? lembram da minha cirurgia? ainda não fez nem um mês.

Pois bem, sou muito, muito chorona, mas ainda bem que lembrei dos meus recém-operados olhos e segurei o rio de lágrimas. Ainda assim, no domingo acordei com os olhos super inchados e com dores, que foram piorando. Hoje fui ao médico e tem uma inflamaçãozinha, tô colocando um colírio de corticóide e antibiótico. Então, nem chorar posso. Melhor assim.

A mudança pra Coréia

No mais, as coisas por aqui continuam caóticas. Finalmente, hoje, Ted recebeu o número que precisava pra ir na Embaixada tirar o visto e está conformado, viajamos na próxima terça-feira, dia 26 de agosto. Deu um friozinho na barriga. Agora é pra valer.

Quero MUITO ir, estou morrendo de curiosidade e tenho certeza que serei muito feliz por lá. Mas nem quero pensar na saudade que vou ter desse meu apartamento e da minha vidinha aqui em Washington. Fui feliz demais por aqui. Antes de ir embora, vou escrever um post com dicas bem práticas de coisinhas que descobri nesses 4 anos em DC, para quem vem passear ou morar aqui. Aguardem.

Agora, preciso cuidar da vida, terminar de mandar o que falta do brechó e empacotar as coisas que vamos levar pra Coréia. O tempo é curtíssimo pra tudo que tenho que fazer. Espero voltar a ser uma boa blogueira quando chegar e me instalar em Seul. No momento, não consigo mais ler nem um postzinho dos meus blogs favoritos.

Afe… esse ano tem sido uma montanha russa. É muita emoção pra uma pessoa só.

ps.: Estou aparvalhada com a quantidade de museus que tem em Seul. O máximo. Esqueci de contar no post anterior, mas eu ADORO robôs, principalmente aqueles antiguinhos. Pois não é que eu descobri que em Seul tem o Museu dos Robots?! aguardem muitas fotos  :-)

Agora, vou ver Vicky Cristina Barcelona, com Ted. Assim que der, continuo minha listinha abaixo…

Outro Parto

Denise | Bia, Familia, Familia, Me myself and I | Saturday, 16 August 2008

Tô indo dormir, Bia acabou de se despedir de mim. Amanhã. ela viaja pra Jamaica e, quando voltar, não estarei mais aqui. Depois de 21 anos, hoje foi o último dia vivendo na mesma casa que ela.

Sei que estava na hora, sei que ela vai ficar muito bem (e isso ajuda muito!), foi educada pra bater asas e ser livre. Sei que hoje em dia, o mundo é pequeno, vamos nos falar e nos ver de vez em quando.

Mas – por mais que eu tenha passado esses 21 anos me preparando pra o dia de hoje – só quem passou por ele pode ter uma idéia do que é ver o ninho, finalmente, vazio.

Tenho muitas coisas pra dizer sobre esse momento, principalmente a outras mães, mas não agora.  Agora, vou fazer de conta que nada aconteceu e ela só vai viajar mais uma vez e eu também, vou dormir e acordar amanhã pensando no futuro interessante e cheio de descobertas que me espera na Coréia.

Porque parar pra pensar no que significa a ausência física dessa criatura que é a coisa mais importante do mundo pra mim, dói como um outro parto. Desculpem a ausência, mas estou de resguardo.

Níver leonino

Denise | Celebrando, Me myself and I | Wednesday, 13 August 2008

A vida por aqui anda incrivelmente movimentada. Tenho muitas, muitas coisas pra contar aqui no blog, mas absolutamente nenhum tempo.

A gente está esperando o visto pra decidir a data da mudança pra Seul, mas deve ser o mais breve possível, talvez na próxima semana… conseguem imaginar o que isso significa?

Depois de enviar 98 caixas enormes e vários móveis pro Brasil, ainda temos que separar o que restou em (1) o que vai pra Coréia (2) o que vai pro apartamento de Bia (3) o que Ted vai levar amanhã pra casa de Felix (o filho dele, que mora a duas horas daqui).

Pra completar, Bia já tinha marcado uma viagem que não deu pra mudar e em poucos dias, a fofa-sortuda-que-sabe-aproveitar-a-vida está se mandando pra Jamaica.

Enfim, minha vida está de cabeça pra baixo. Mas, como eu adoro receber parabéns pelo meu aniversário (adoro fazer aniversário!!), precisava lembrar a vocês que o meu é amanhã HOJE :-)   :-)   ;-)   e contar que já nem lembro minha idade…

Dia desses estava comentando com Ted: “Puxa, já vou fazer 45 anos! o tempo voa!!!” e ele: “Denise, você vai fazer 44″… “Sério?!  uhuhuhuhhh… (fazendo as contas) é mesmo!!! e eu poderia jurar que era 45!”.

Como é costume na Suécia, quando faço aniversário, já incorporo a idade seguinte. Então, faz tanto tempo que eu me sinto com 44 que já estava pensando que amanhã eu ia completar 45  heheheh… a vantagem é que fiquei felicíssima por ganhar um aninho a mais  :-)

Estou feliz e me sentindo ótima com meus 44, se der, em algum momento escrevo mais sobre isso, amanhã.

Agora preciso voltar ao trabalho, que Ted já tá olhando meio agoniado pra mim aqui no laptop com a casa num pandemônio…

PS.: quem enviou emails encomendando algo do brechó ou está esperando algum pacotinho que ainda não chegou, pleeeeeeeeeease, tenha um pouquinho de paciência que já escrevo de volta. Não vou deixar de mandar nenhuma encomenda antes da mudança, podem ficar tranquil@s.

Para o mundo que eu quero descer!

Denise | Campanhas Publicitárias | Wednesday, 13 August 2008

Tá lá na chamada do You Tube:

Na Ecko Manufacturing nós fazemos as coisas de uma forma diferente — nós fazemos jeans com amor.

E olha só nossas funcionárias! Isso é produção em um novo nível. Nós apenas contraramos as mulheres mais sexies do planeta porque, como todo mundo sabe, garotas gostosas fazem ótimas roupas.”

Dá pra acreditar?

Confira todos os vídeos aqui.

A L’Oreal embranqueceu a Beyoncé… racismo ou não?

Denise | Campanhas Publicitárias, Racismo | Tuesday, 12 August 2008

A polêmica sobre se a L’Oreal embranqueceu a Beyoncé está por todos os lados. Quem ainda não leu, ou quer ver o que eu escrevi antes sobre o caso (e mais um exemplo, de uma capa da Time), clique lá embaixo, nesse post, onde está escrito “Tem mais… clique aqui para continuar lendo”.

Então, ainda nem terminei de comentar a campanha da Lilica sobre a qual escrevi ai embaixo (juro que ainda vou falar mais sobre isso) e já tem mais essa pra gente discutir aqui, então vamos por partes: Preparem-se que o post é longo.

Pra começar, não acredito que alguém possa ser ingênuo ao ponto de achar que Beyoncé não está mais clara do que o que ela é nessa foto. Pra mim não importa o instrumento usado, se foi luz, maquiagem ou manipulação digital, o fato é incontestável, ela está mais branca. Portanto, a empresa escolheu deliberadamente, colocar uma afro-americana embranquiçada na sua campanha de tintura de cabelo. Certo?

Os motivos pra L’Oreal ter feito isso, podem ser vários:

  • A “espertíssima” equipe de produção achou que o cabelo louríssimo não “fotografa bem” em uma mulher de cor escura (o que é pura arrogância, já que muitas mulheres negras, aqui, comprarm as tintas da empresa pra ficar loirésimas). Sabe como é quando elas dizem que só querem modelos magérrimas por que “fotografa bem”? a mesma coisa.
  • A empresa precisava colocar mais mulheres negras em suas campanhas, já que acabou de ser condenada por racismo na França e tem outro processo corrrendo na Califórinia por ter demitido uma mulher por ela ser “escura demais” (já conto essa história com mais detalhes).
    Isso, sem falar nas acusações – com provas – de ter sido beneficiada durante o nazism, assim como muitas outras empresas e até países (vide Suécia), por isso é que é tão rica, hoje. Tinham que ter pelo menos umazinha mulher negra numa campanha publicitária, pra parecer mais “sensível à questão de diversidade”. Mas aí, botam uma negra “pero no mucho”.
  • Mesmo na comunidade afro-americana, existe preconceito contra as mulheres que são “mais negras que as outras”, como mostrou Spike Lee em Febre da Selva. Então, fotografar uma mulher que é negra, mas fazendo com que pareça ainda “menos negra” que as outras é uma forma de “matar dois coelhos”…

Um dos comentários deixados aqui nesse post foi esse:

Sou publicitária e sei que essas escolhas têm a ver com a imagem que a empresa deseja passar ao seu público consumidor. Ao que me parece, a L’Oreal acredita que seu público se identifica mais com brancas, louras de olhos claros. Sendo assim não vejo nenhum mal em escolher as personalidades que a representam.”

É verdade que a L’Oreal e boa parte do mundo – ocidental e até, cada vez mais, oriental – tenta se identificar com essa padrão caucasiano, porque esse é o padrão dominante, não porque é naturalmente mais bonito, porque é uma preferência geneticamente adquirida ou que surgiu, como costumo dizer, de uma “combustão espontânea”.

Acho que todo mundo que vem aqui no blog sabe que a cultura branca ocidental, apesar de minoria, continua tendo um enorme influência colonizadora, pelo mundo afora. Vide propagandas pra embranquecer as mulheres na India e China. Infelizmente, as mulheres querem, cada vez mais, ser magras, brancas e com uma cabeleira lisa.

Numa teoria meio sacana de um mundo capitalista, a empresa “pode tudo que quiser”. Mas, cada vez mais, tem gente pelo mundo afora pensando que não precisa engolir tudo que lhe é empurrado goela abaixo, existe resistência contra isso. Eu sugerir que vocês evitem comprar L’Oreal (não falei em boicote!) não muda nada, mas décadas de boicote internacional à Nestlé, por exemplo, acreditem, tem seus resultados.

Veicular uma propaganda como essa, na minha opinião, é muito pior do que não colocar nenhuma mulher negra como “porta-voz” de seus produtos.

Essa foto de Beyoncé é tão danosa quanto as propagandas de cremes clareadores, porque ambas minam a confiança das meninas negras, que são lindas do jeitinho que são, mas que quase nunca se vêem nas propagandas, capas da revista e meios de comunicação.

Aí, quando elas vêem uma mulher negra, que faz sucesso, que é um símbolo e que é parecida com elas (descontando as plásticas e alisamento de cabelo), essa mulher é modificada, manipulada, clareada para parecer mais “aceitável ao público”.

A mensagem é que uma mulher afro-americana pode até conseguir fazer sucesso e ser exemplo de beleza, mas pra isso, ela precisa não parecer tão negra assim. Precisa ter nariz afilado, olhos claros, cabelos lisos e… ser “mais clarinha”.

Ao invés de ter modelos de mulheres de sucesso, no qual podem se espelhar, as meninas afro-americanas (e brasileiras também, claro) aprendem desde cedo que antes elas vão precisar ser clareadas, re-esculpidas, passadas a ferro.

Outra amiga aqui do blog disse que:

Acho essa polemica muito besta, esta foto da Byonce foi feita photoshop como todas as fotos de qualquer artista na capa da revista ou para uma propaganda, acho que tem muita gente que nao tem nada pra fazer e fica criando polemica, se a loreal e uma empresa racista porque simplesmente nao contrata uma branquela? porque uma negra que precisa ser clareada ao invez de colocar logo a Nicole Kidman ou uma Scarlet Jhonhansen? ou tantas outras brancas famosas.

(1) Qualquer polêmica, que faça a gente parar pra pensar em como o mundo roda, nunca é “besta”. Se você pensar que não estamos discutindo “apenas uma propaganda”, e analisar o fato dentro de contexto social, é até bem importante.

(2) É verdade que “photoshopar” é uma prática mais que comum, como eu já mostrei aqui várias vezes, mas convenhamos, não é porque isso está se tornando norma, que a gente tem que aceitar.

(3) Sim, a L’Oreal é uma empresa racista porque, mesmo vivendo do dinheiro de milhões de mulheres negras que usam seus produtos, quase que nega a elas qualquer representação, afinal, se elas não forem brancas, elas “não merecem”.

(4) A L’Oreal já contrata muitas e muitas e muitas “branquelas”, não só como modelos, mas como funcionárias da empresa. Como eu já disse lá em cima, eles precisam, sim, “clarear uma negra” ao invés de colocar a Scarlet Johansson (que já está em outras propagandas da empresa, por sinal) porque precisam maquiar o racismo que está cada vez mais comprovado em diversos processos pelo mundo afora.

Continuando, o Dudu disse:

Continuo dizendo que às vezes a gente fica maníaco demais com esse negócio de racismo e preconceito. O mundo vai ficando chato, as pessoas vão perdendo liberdade e tudo é motivo pra confusão.”

Eu acho engraçado o que as pessoas, às vezes, usam como motivo pra não questionar o mundo: “é falta do que fazer”, “é pessimismo”, “é triste” e, principalmente, “deixa o mundo chato e sem graça”…

“O mundo vai ficando chato” pra quem? às vezes, esse nosso mundo já é muito chato pra muita gente, que é negra, gay, deficiente, nordestina, pobre, imigrante, mulher etc etc etc

Imigrantes brasileiros brancos, hetero e de classe média são um bom exemplo. No Brasil, muitos deles costumavam ridicularizar “paraíba”, fazer piada com gay, pensar que todo pobre é ladrão, mulher é burra e, principalmente, achar que todo mundo que critica quem se comporta desse jeito é “um mala politicamente correto”.

Quando se mudam pra fora do Brasil, essas mesmas pessoas passam a espernear por serem tratados como cidadãos de terceira categoria; por não serem atendidos, nas lojas, com a mesma reverência que eram acostumados; por não conseguirem os mesmos bons empregos dos nativos; por serem chamados de “hispânicos” (hummm… mas quando um pernambucano achava ruim ser chamado de “paraíba” não era bobagem, “afinal, é tudo a mesma coisa” ?).

A minha reação ao ler esses chiliques é sempre a mesma: “bem vindos ao mundo chato de verdade”, assim é que vivem milhões de brasileiros, é melhor aprender a sobreviver nele rapidinho.

(ATENÇÃO -Eu NÃO tive, absolutamente, nenhuma intenção de dizer que as pessoas quie discordaram de mim nesse post deram chilique… não deram não,  de jeito nenhum.  estava realmente falando de outra coisa, sobre a qual já escrevi aqui antes, de como alguns brasileiros acham que ser “politicamente correto” é um saco, mas quando é com eles, quando o calo aperta, aí entendem que merecem ser respeitados. Por favor, Fernanda, Dudu e Edila, não tem nada a ver com vocês!!!)

Continuando…

Além do mais, gente, pensar, analisar, afiar seu senso crítico, nada disso é chato, pode ser até triste perceber o quanto o quanto tem de coisa pra gente combater, mas é instigante, é intelectualmente estimulante e é um exercício cerebral :-)

Enfim, tem muito mais coisa o que dizer, mas esse post está ficando gigantesco, eu sei. Outra hora voltamos ao assunto.

Antes de finalizar, queria apenas lembrar que

1. Em momento nenhum eu critiquei a Beyoncé. Apesar de não gostar muito dela – acho que é ultra deslumbrada e a música é insuportável -, acho que a moça é lindíssima, assume suas generosas curvas, coxas, bunda, coisa rara nas celebridades daqui. Acho que ela pisou na bola, mas se não fosse ela, seria outra. Não estou interessada em debater a ambição e falta de bom senso dela, o que interessa é o efeito que essa e muitas outras propagandas vêm causando.

2. Não tenho nada contra mulheres negras pintarem e manipularem o cabelo, como disse o Eduardo, se as brancas podem, por que elas não? o que me incomoda não é o ato individual, mas quando isso se torna um padrão de beleza estimulado pela mídia e corporações.

3. Não propus nenhum “boicote”, não sou delirante ao ponto de achar que eu conseguiria organizar algo desse tipo, ainda mais no Brasil. Mas, acho que faz bem à gente ser uma consumidora consciente. A Nestlé, a Gap, a L’Oreal podem não sofrer nada porque não consumo seus produtos, mas me faz bem pensar que posso ter outras opções e evitar o que me faz mal. isso é só o que me interessa.

Finalmente, não tenho absolutamente nada contra quem não concorda comigo, não acho que todo mundo tem de ter visão crítica das coisas e respeito a opção de achar isso tudo muito chato e querer ficar de fora.

Escrevo esses posts apenas porque me dá prazer organizar as minhas idéias e botar no blog, por que ADORO ler as opiniões de vocês e aprendo muito com o que leio, além do mais esse post é um espaço para um debate que é sempre interessante.

Acho maravilhoso quando recebo (isso acontece de vez em quando) mensagens de leitoras dizendo que passaram a prestar muito mais atenção às coisas à volta e perceber as mensagens subliminares, após ler o meu blog. É o máximo.

Mas, é só isso, não estou propondo nenhuma revolução, só botar os neurônios pra funcionar e trocar idéias :-)

Food for thought (ou alimento para o cérebro):

  • Já perceberam que além de pouquíssimas mulheres negras na propaganda, as que aparecem são todas jovens? A L’Oreal tem campanhas pra conquistar o público de mais idade com Diane Keaton, jane Fonda, mas negra de meia idade, nem pensar.
  • Já perceberam que a imensa maioria das campanhas com modelos negras têm como objetivo vender produtos pra “consertar” seu cabelo? Já vi algumas modelos negras vendendo também maquiagem, mas quantas vezes a gente vê uma modelo negra vendendo perfume de luxo, como os da Lancôme (também da L’Oreal)? (a não ser as que vendem sua própria linha, com o Iman)
  • Já vi muita gente falando das afro-americanas que adoram alisar o cabelo. Mas nada acontece por acaso, né?  Achei essa foto (ao lado), de uma campanha publicitária da L’Oreal de 1978. Ela diz, mais ou menos, assim: “L’Oreal sabe exatamente o quanto belo o cabelo ‘black’ pode ser”.

(Continue lendo aqui)

Escultura de sereia amamentando – Netsuke

Denise | Amamentação, Brechó | Monday, 11 August 2008

Eu e Ted estamos sempre procurando novas esculturas de amamentação pra nossa coleção. Quando descobri essa Netsuke (pronuncia-se netski) fiquei deslumbrada, principalmente por ser a imagem de uma sereia (que eu adoro) amamentando.

Aí, descobri, ainda por cima, que ela tem uma história interessante. Netsukes são mini-esculturas de madeira, que começaram a ser usadas no Japão no século XII, especialmente no Período Edo (1603 to 1868), como uma peça utilitária, mas que também diferenciava os japoneses da elite.

Os kimonos tradicionais japoneses não tinham bolsos, por isso, as mulheres guardavam seus pertences dentro das mangas e os homens usavam uma espécie de caixinha/bolsa (inro) pendurada na faixa (obi). Os netsukes, pequenas obras de arte, esculpidas na madeira ou marfim, têm dois buraquinhos (que ficam embaixo da sereia), e por onde passava um cordão de seda, prendendo a bolsinha à faixa do kimono.

Os netsukes eram feitos de diversos materiais como marfim, âmbar, bambu ou carâmica, mas o material mais tradicional era mesmo a madeira, em geral “boxwood” (como essa da foto). Também existem vários tipo de netsukes, esse é um katabori.

Hoje em dia, os netsukes não são mais usados, mas continuam sendo produzidos por artesãos e são disputados por colecionadores.

O único site brasileiro onde encontrei netsukes à venda foi o Mercado Livre, que tem netsukes em formato de diversos animais por até R$ 320,00.

Essa escultura linda, delicada, valiosa e rara (demorei bastante pra conseguir achar essa da sereia amamentando) é nova, feita em boxwood, um tipo de madeira bem resistente, utilizada na produção de instrumentos musicais e está à venda lá no Brechó.

Fonte de informações: International Netsuke Society.

Milton Santos – O mundo global visto pelo lado de cá

Denise | Brasil, Cinema, Política, Vídeo, Ética | Sunday, 10 August 2008

Veja os primeiros 11 minutos do filme aqui:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=ZXdDkDwTUxc[/youtube]

E o filme, na íntegra, no site do Internet Archive.

Fiz o que chamo um panfleto necessário sobre a globalização. Nestes tempos de consumo voraz apresentei um diagnóstico do processo civilizatório que, segundo o escritor uruguaio Eduardo Galeano, um dos entrevistados no filme, ‘está consumindo o planeta’. O filme discute ainda ética, justiça e democracia. Proponho através da ótica cinematográfica ajudar a construir uma outra ética para a humanidade. Ë ver para crer. O cinema pode ser, como diz o professor Milton Santos, outra coisa”. Silvio Tendler (diretor do filme).

Desde quando eu estudava Sociologia, lá na Federal, que eu tenho uma enorme admiração pelo mestre baiano Milton Santos. A Isabela disse tudo:

Denise, como Geógrafa não poderia deixar de agradecer por você divulgar esse cientista social e ser humano incrível que foi Milton Santos. Meu contato com ele se deu pelas dezenas de livros por ele publicados e que infelizmente poucos tomam conhecimento, entre eles “Por uma outra globalização”. Milton Santos foi reconhecido no mundo inteiro por seu papel como pensador em todo sentido da palavra e infelizmente aqui ainda é pouco utilizado. Mais uma vez como geógrafa de formação e coração agradeço muito por essa lembrança e pela divulgação das idéias tão antigas e tão atuais desse geógrafo lindo! Beijos!


Pra quem não conhece, uma pequena biografia de Milton Santos:

Folha de São Paulo

Um dos intelectuais mais importantes do Brasil, o geógrafo Milton Santos acumulou numerosos títulos honoris causa pelo mundo. Foi o único intelectual fora do mundo anglo-saxão a receber, em 1994, o prêmio Vautrin Lud, o “Nobel” da geografia.

(Continue lendo aqui)

Luis Buñuel

Denise | Cinema, Vídeo | Sunday, 10 August 2008

Ótimo documentário sobre o diretor surrealista de filmes como A Bela da Tarde, Um Cão Andaluz, Este obscuro objeto do desejo, Anjo Exterminador, Tristana,  O Discreto Charme da Burguesia, que morreu há 25 anos, no dia 29 de julho de 83, na cidade do México.

Tem cenas dos filmes, entrevistas com Buñuel, Dali, Carlos Fuentes e outras feras. Veja logo, antes que a Globonews o tire do ar. Tem 21minutos.

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