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Em Defesa das Mulheres Difíceis

Leia mais sobre Feminismo.
Publicado na Wednesday, 21 May 2008

Post reeditado, de 2005

hilda.jpgA primeira vez que pensei em escrever sobre as “mulheres difíceis” foi na época da eleição da Marta Suplicy, quando ela estava sendo triturada por ser uma mulher “difícil”, autoritária. Cheguei até a prometer esse post aqui.

Hoje, vendo Mike Tyson afirmar que não iria mais lutar, achei tão melancólico, tão derrotado pelo sistema perverso que o criou… que lembrei do quanto simpatizo com “pessoas difíceis”. Homens ou mulheres. E achei que era a hora de compartilhar essas reflexões com vocês.

Da mesma forma que é fácil ser bonita. Acreditem, é muito mais fácil ser boazinha, contida, equilibrada. Também gosto muito de pessoas assim, claro, mas elas passam pela vida com uma vantagem, por isso simpatizo tanto com as intensas e descontroladas.

Durante muitos anos quis ser uma dessas moças que têm a cabeça no lugar, sabem o que querem, não desistem de nada e só dizem a coisa certa na hora certa. Quando casei, pela primeira vez, tinha 20 anos, meu marido 34. Eu, claro, era imatura, insegura e bem maluquinha. Pra que meu marido (que eu adorava) gostasse ainda mais de mim, cismei de virar “adulta” de qualquer jeito.

Comprei uns taillers, uma pastas de executiva, uma caixa de cigarro Charm. Tentei parar de rir demais, tentei ser mais “circunspecta”. Não durou 15 dias. Nunca aprendi a tragar, me sentia ridícula nas roupas e o que é mais importante, por dentro, continuei sendo a mesma pessoa e não convenci ninguém. Desisti da imagem e assumi a minha loucura.

Nunca fui fácil, como muita gente na blogosfera já percebeu. Por isso simpatizo com mulheres diíficeis, que amam demais, que falam tudo que pensam, que não medem as consequências, como Pagu, Hilda Hilst, Frida Kahlo, Camille Claudel, Elis Regina, Courtney Love e até a Daniela Cicarelli.

Sim, querid@s, pasmem, mas eu acho que fui uma das únicas (senão a única) que sempre viu a Daniela com outros olhos. A Daniela é uma de nós. Você pode ver isso nos olhos dela, quando ela fala. Ela tinha o que todo mundo acha que é “tudo” e jogou pro alto por causa de um gênio danado.

Morri de rir da cena que ela fez no “casamento”, botando a outra pra fora. Li em vários jornais e revistas jornalistas analisando o quanto foi pior pra Daniela ter se exposto tanto etc. E eu aqui só rindo… pra nós, mulheres difíceis, não existe isso. Ela fez a única coisa que conseguiria fazer. O que tava na cabeça dela naquela hora, sem pensar nas consequências.

Depois, ela larga o Ronaldo e já está grudada, publicamente, em outro, contrariando todas as regras de bom senso. A empresária dá um chilique. Mas isso é a Daniela e eu acho muito mais interessante (e real, vivo) do que uma Gabriela Duarte da vida, que me dá arrepios e náuseas só de ver abrindo aquela boquinha contida de moça séria. Claro que não estou colocando a pobre Daniela no nível das outras citadas acima, mas ela é, sim, uma de nós, acreditem…

Quanto à Marta Suplicy, é outra história. Ela não é descontrolada. Ela é um outro tipo de mulher difícil. Aquela que é fria nos seus propósitos e faz o que quer. É o que os americanos chamam de “bitch”.

Eu adoro “bitches”. Posso ter outras críticas a Marta, nunca essa. A Marta intimida porque os homens (e muitas mulheres) não estão – ainda – acostumados a mulheres poderosas. Então, o mais fácil é desqualificar tudo nela que seria elogio, se ela fosse um homem.

Aliás, ridicularizar e chamar de loucas as mulheres com personalidade, poderosas e sábias não é novidade. Muitas mulheres queimaram na fogueira, literalmente, por causa disso.

Há algum tempo, li um livrinho interessante, e que aconselho a todo mundo que puder ler em inglês, chamado Bitch – In Praise of Difficult Women” (algo como “em homenagem às mulheres difíceis). Quando vi na livraria, pensei que era feito pra mim.

A autora, jornalista da “Rolling Stones”, fala sobre mulheres como Sylvia Plath, Elisabeth Taylor, Simone du Beauvoir, Dalila (de Sansão), Patti Smith e outras que não se comportam como a sociedade espera que se comportem. A autora explora a força criativa dessas mulheres e a importância que elas têm pra abrir espaço para as boazinhas.

Houve uma época em que se falava muito de “inteligência emocional”. lembram? e eu tive uma conversa com uma amiga, a uruguaia Cecilia sobre isso. Eu dizia que se todos nós nos educássemos para desenvolver essa tal “intelgência emocional”, onde estariam os Leonardo da Vinci, as Frida Kahlo e os Charles Bukowski da vida? ficaria tudo muito chato… pra mim, nem pensar… prefiro cultivar meu caos emocional…

Eu tenho muito mais medo das contidas e que medem suas palavras. Essas são métodicas e podem ser perigosas (nem todas são, claro!). As que falam o que pensam só fazem marola, barulho, mas, geralmente, não fazem mal a ninguém, só a elas mesmas.

Atualmente ando mais “calma”. Pois é, queridas mulheres difíceis, podem acreditar que até nós ficamos um pouco mais boazinhas com o tempo.

fridamonkey.jpgNo meu caso, ajuda que eu e Ted temos uma sintonia tão grande que nunca brigamos, o que é quase um milagre. Eu e Bia também temos uma relação super tranquila. Isso me dá uma paz danada. Ainda assim, dia desses andei aprontando uma que vocês nem imaginam…

Não se confiem muito na aparência, não… fora dessa minha área afetiva, sou caótica, desorganizada e descontrolada…

Nós, mulheres difíceis, incomodamos porque saímos da rota esperada, porque somos imprevisíveis e contraditórias. Porque as pessoas não sabem lidar com o que não é “normal”. Mas é exatamente isso que nos faz mulheres tão interessantes ;)

Por isso, defendo até o fim o direito de todas as “mulheres difíceis” serem o que são e continuarem botando fogo nesse mundo…

Adendo1: A Becca me lembrou algo importantíssimo… não se iludam que tem muita “mulher difícil” em pele de “mulher boazinha” hehehe… valeu, Becca!

Adendo2: Gente, esse post não é nenhuma crítica às meninas certinhas e boazinhas, OK? na verdade, essas costumam ser, sim, ótimas amigas e companhaieras e também podem ser grandes mulheres, claro… é que essas não precisam de defesa…

Adendo3: Como a Su lembrou bem, existem nuances, existem momentos, algumas pessoas não são totalmente boazinhas, nem totalmente difíceis. Mas estou falando de mulheres que são realmente difíceis e quando você é uma delas, não tem nuances. Você pode se controlar um pouquinho, mas não por muito tempo… quem é, sabe disso… :)

Adendo4: Atenção, hein?!… ser “difícil” não é sinônimo de se “barraqueira”, de jeito nenhum… é mais sutil que isso…

Me ajudem a escrever esse post… deixem aí, na caixa de comentários, o nome de “mulheres difíceis” que vocês admiram…

Mulheres difíceis no cinema:

Pensei que vocês gostariam de assistir esses filmes, com mulheres difíceis e maravilhosas, se alguém quiser contribuir com mais sugestões de filmes, fique à vontade:

Nossa lista de mulheres difíceis e maravilhosas, sugeridas por vocês. Alguémn quer acrescentar outras poderosas??

Atrizes e cantoras

angelaroro.jpg
Vocês conseguem imaginar
alguém mais difícil que a
Angela Rô Rô?

  • Alanis Morrissete
  • Angela Rô
  • Angelina Jolie
  • Ann Margret
  • Bibi Vogel
  • Billie Holiday
  • Cássia Eller
  • Chiquinha Gonzaga
  • Chrissie Hynde, do Pretenders
  • Courtney Love
  • Darlene Gloria
  • Debbie Harry, do Blondie
  • Debra Winger
  • Dercy Gonçalves
  • Elis Regina, a
    Pimentinha.
  • Elizabeth Taylor
  • Elizabeth Taylor
  • Isadora Duncan (bailarina)
  • Janis Joplin
  • Joan Crawford
  • Judy Garland
  • Leila Diniz
  • Liza Minelli
  • Luana Piovani
  • Madonna
  • Maria Callas
  • Marilyn Monroe
  • Nana Caymmi
  • Nina Hagen
  • Nina Simone
  • Patti Smith
  • Shirley Maclaine
  • Sinead O’Connor
  • Sonia Braga
  • Sylvia Plath
  • Tori Amos
  • Vera Fischer
  • Yoko Ono

Personagens

lucy.jpg
Lucy

  • Ana Karenina
  • Annie Hall
  • Baby Jane (“O que terá acontecido com…”)
  • Beatrix de “Kill
    Bill”
  • Becky Sharp, de
    “Vanity Fair”
  • Brenda, de “Six
    Feet Under”
  • Carmen, de Bizet
  • Carrie, a Estanha
  • Catarina, “a Megera”
    Domada
  • Catherine Linton
    d’”O Morro dos Ventos Uivantes”
  • Clementine Kruczynski
    do “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”
  • Christina Ricci
    (personagem dela) em “Anything Else” de Woody Allen.
  • Darlene de “Eu,
    Tu, Eles”
  • Emilia, do “Sitio
    do Pica-Pau Amarelo”
  • Helga do desenho
    “Ei, Arnold”
  • Lucy do “Charlie
    Brown”
  • Medéia
  • Mia, de “Pulp Fiction”
  • Miss Piggy, dos “Muppets”
  • Mônica, do Maurício de Souza
  • Mrs. Smith do filme Mr and Mrs. Smith
  • Nazaré de
    “Senhora do Destino”
  • Rosemary, a do
    Bebê.
  • Scarlett O’Hara
    de “E o Vento Levou”
  • Thelma & Louise
  • Todas as mulheres de Almodovar

Escritoras e artistas plásticas

wolf.jpg
Virgínia Wolf

  • Ana Cristina César
  • Anais Nin
  • Camile Paglia
  • Camille Claudel
  • Frida Kahlo
  • Gabriela Mistral
    (poetisa chilena, primeira latino-americana a ganhar um Nobel)
  • Geninha da Rosa
    Borges
  • Hilda Hilst
  • Lou Andreas Salomé
  • Pagu
  • Tarsila do Amaral
  • Virginia Wolf
  • Zelda Fitzgerald

Personalidades e políticas

martas.jpg
Marta

  • Anita Garibaldi
  • Cleópatra
  • Dalila
  • Dona Beija
  • Dolores Ibarruri
    (La Pasionaria) morreu velhinha, mas todos lembram do seu “No Pasaran”
    aos fascistas comandados pelo Franco)
  • Fátima Oliveira
    (feminista)
  • Haydée Santamaria
    (lutou na Sierra Maestra ao lado de Che, Fidel, Raul e Camilo)
  • Heloisa Helena
  • Hillary Clinton
  • Iara Iaveberg (companheira do Lamarca morreu na luta armada)
  • Inês Ettiene
    Romeu (militante tb da luta armada e única sobrevivente a reconhecer
    anos depois o seu torturador)
  • Joana d´Arc
  • Luciana Genro
  • Luciana Santos
    (atual prefeita de Olinda)
  • Luizianne Lins
    (prefeita de Fortaleza)
  • Marquesa de Santos
  • Maria Madalena
  • Marta Suplicy
  • Princesa Diana
  • Rose Marie Muraro
    (feminista)
  • Stephanie de Monaco
  • Xica da Silva

Observação.: Tenho algumas dúvidas em relação a algumas pessoas citadas (outras, não conheço). É preciso ter em mente que ser corajosa ou pioneira, nem sempre é o mesmo de ser “dificil”. A Denise Frossard, por exemplo, é um exemplo de mulher forte e corajosa, mas acho que muito bem centrada, nada “enlouquecida”… estamos falando de mulheres difíceis meeeeeeeeeeesmo…

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ritanahistoria.jpg

Olhem só a contribuição maravilhosa que eu recebi. Minha queridíssima amiga Rita Carvalho (que não é nada difícil!), mandou essa foto linda que tirou, especialmente pra mim, na saída do show do Seu Jorge (Inveja!!!), em Nova York… o adesivo do carro diz: “Mulheres bem comportadas raramente fazem história”… ahuahauhauhauhauahua…. valeu, Rita! um beijo!

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Comentários comentadosFotos: Hilda Hilst, Pagu, Camille Claudel e Frida Kahlo.

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