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China – Pequim & Xangai 2

Denise | China,Pequim,Viagens,Xangai | Tuesday, 29 April 2008

china_2008_a.jpg

Apesar de ter como mantra a ideia de que que reclamar nao adianta de nada e vale a pena tentar viver seja la’ onde for, aceitando as diferencas e tentando se irritar o minimo possivel, devo dizer que entendo o pessoal que mora em um pais tao diferente e nao para de reclamar, viver num pais que parece outro planeta nao e’ facil mesmo.

Entre uma coisa e outra, consegui botar na telinha algumas das minhas reflexoes e conclusoes sobre a China e os chineses. Nao se esgota aqui, claro. Em breve colocarei mais fotos e, se voce tiver alguma duvida, basta perguntar.

Como eles sao

IMG_1398.jpg

Ainda nao consegui identificar “o povo chines”, e desconfio que com bilhoes de pessoas de diversas culturas, costumes, etnias, rural e urbana, rica e pobre, e’ impossivel defini-los homogenicamente. No geral, acho que os chineses sao amigaveis, mas nao se engane, podem ser quase violentos na rua, se nao quiserem ser fotografados (apesar de ser raro, no geral, posam pras fotos ou as ignoram).

Dizem que, com a politica de filhos unicos, sao todos uns bebezoes mimados. Nao sei se e’ verdade, mas que os pais morrem de orgulhos dos seus filhos, isso ta’ na cara e, ao contrario de outros paises ocidentais – onde o pavor em relacao a pedofilia faz com que fotografar criancas pareca algo perigosissimo – eles adoram quando voce pede pra tirar fotos de suas crias (que sao as coisas mais fofas do mundo!).

Existem enormes diferencas entre Xangai e Pequim, mas nao concordo com tudo que li no meu livro guia das cidades. La’, dizem que os habitantes de Pequim sao mais arredios e em Xangai o povo e’ mais cordial, quase submisso aos turistas, por ser uma cidade mais moderna e mais direcionada ao lucro e perceberem a importancia do turismo.

Nao sei porque, mas minha impressao foi o oposto, achei o pessoal em Pequim muito mais gentil e os xangainenses mais arrogantes, mais duros, as poucas situacoes em que senti alguma animosidade foi em Xangai, nao em Pequim.

De qualquer forma, a briga Pequim x Xangai rende. O mais engracado e’ quando voce provoca, perguntando a um e a outro, quais as vantagens de sua cidade… um de cada vez, claro.

Mas, resumindo, minha experiencia com chineses e’ otima, a questao e’ tentar entender o povo com seus olhos, nao os nossos, eles podem parecer rispidos, desconfiados, ou extremamente gentis e atenciosos, como o pessoal com que eu estou trabalhando e o pessoal da equipe de Ted. Acho que, sao mesmo e’ diferentes da gente. So’ isso.

Historinha sobre privacidade

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A questao da falta de privacidade e’ bem interessante. Um dia, ao descer para o cafe’ da manha, fomos levados pela hostess – em um restaurante quase vazio – para uma mesa colada a outra onde estavam duas senhoras americanas, gentilmente pedi pra nos indicar outra mesa, pra alivio das duas.

Ai Ted contou uma historia de uma aluna de doutorado, que ele orientava em Estocolmo, que entrou num metro completamente vazio e sentou na cadeira ao lado de uma sueca que, obviamente, deve ter entrado em panico e desceu na proxima parada… hehehehe… nao posso pensar em duas culturas mais opostas, a “zona de conforto” sueca e’ enorme, quanto mais longe, melhor.

Para os chineses, isolamento nao e’ opcao, e’ quase castigo.

O ritmo deles

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Nao sei porque, mas, dessa vez, o ritmo chines, nas ruas, me incomodou mais. Nao e’ que sejam mais lentos, como a gente pensa, e’ um ritmo totalmente individualista, que cria um caos numa rua entupida de gente. Apesar dos chineses estarem sempre acompanhados, a ideia de pensar nos seus movimentos em termos de “coletivo” parece desconhecida por aqui.

As pessoas andam na sua frente numa lentidao de matar (nada me irrita mais nas ruas). Por outro lado, se tiverem pressa, passam por cima de voce, sem do’ nem pena. Ando muito mal acostumada com a enorme cordialidade dos americanos (sim, eles tem virtudes, tambem!) nos lugares publicos, onde dizem “excuse me” ate’ se voce encostar o cabelo neles. Aqui, tenho sido arrastada pra um lado e pro outro e isso me da’ nos nervos.

Hierarquia

IMG_1096.jpgChineses sao seriamente hierarquicos – coisa dificil pra mim – e reverenciam as autoridades. Na nossa tour para as Muralhas teve um momento daqueles inesqueciveis. Ted perguntou ao nosso guia:

- Quem foi mesmo o cara (guy) que construiu a Cidade Proibida?

A gente viu os olhinhos apertados do chines dando mil voltas e uma fumacinha de incompreensao saindo da sua cabeca, antes dele responder:

- Nao foi um “cara”…

Na pausa que ele fez pra respirar antes de continuar solenemente, Ted disse que pensou: “Como assim? foi uma mulher??”

O guia continuou, com toda pompa:

“- …foi um imperador!!!”

Gente, foi o momento mais fofo dessa viagem!

Turistas chineses

sm_IMG_0649.jpgQuando a gente le sobre evitar horarios de pico nas principais atracoes das cidades, por causa da enorme quantidade de turistas na China, pensa nos americanos de camisa florida e camera fotografica pendurada no pescoco.

Bom, e’ verdade que e’ preciso evitar o meio da tarde, senao a gente nao consegue nem andar. Mesmo tendo uns ocidentais aqui e ali, esse mundo de gente que invade Pequim e Xangai (pelo menos fora do periodo das Olimpiadas) e’ todo chines mesmo!

Sao centenas, milhares de chinesinhos, muitos deles bem velhinhos, geralmente vestidos todos com um colete e bone da mesma cor. A/O guia empunha uma enorme flor de veludo colorida, que deve ser seguida, para que nao se percam (nao sei como diferenciam a flor de um guia da flor de outro, ja’ que esse instrumento de identificacao e’ vendido nas ruas, a quem quiser e nao sao muitas as opcoes…

sm_IMG_0640.jpgOs turistas chineses, em si, sao uma atracao, se voce tiver boa vontade e paciencia. Principalmente porque nas duas vezes em que pude observa-los, estava de saida e eles estavam chegando, portanto nao me incomodaram nada. Achei bonito de ver a admiracao e emocao do velhinho chines, que parece bem pobrezinho e deve ter vindo de uma vila distante, diante do trono do imperador na Cidade Proibida.

Nos somos iconoclastas, sacaneamos com o museu do imperio la’ em Petropolis, e contamos historias de arrepiar da nossa familia real (claro, ela nem era nossa, por isso a diferenca…), os ingleses fazem piada da rainha, mas na China, a historia e’ reverenciada, mesmo apos a revolucao Cultural que tentou apaga-la (ou exatamente por causa disso). A visita dos chineses a Cidade Proibida e’ um espetaculo a parte, na minha opiniao.

Transporte publico – Metro

IMG_1179.jpg

E’ possivel e baratissimo andar de metro pra quase todo lado, por aqui. A estrutura de metro em Xangai e Pequim (assim como em Guangzhou) e’ boa, em Pequim, a malha foi renovada, algumas linhas sao excelentes, sofisticadas, ar condicionado agradavel (pra mim) e muito, muito barato. Vai mudar, mas agora, com 2 RMB (1 US$ = 7 RMB) pode-se ir pra todo lado.

So’ tem um problema… os chineses. Sinto muito a afirmacao tao preconceituosa, mas nao existe outro momento em que eu tenha menos paciencia com os chinseses que no metro. Eles nao respeitam a fila pra comprar os tickets, correm pra passar na sua frente, nao esperam voce sair pra entrar no trem.

Por outro lado, mesmo quem nao vai descer do trem, nem tao cedo, prosta-se na frente da porta e nao arreda o pe’, quando a porta abre. Nao adianta dizer um inutil “excuse me” ou dar a entender que precisa descer, tem que fazer como eles e passar por cima (coisa que me deixa muito constrangida!).

Alem disso, tem mais dois probleminhas, o cheiro de alcool e’ absurdo. Nunca tinha percebido antes, mas num trem lotado o odor de bebida e’ quase insuportavel. E mais, eles escarram no metro. A palavra e’ meio dura, mas o que eles fazem nao e’ bem “assoar o nariz”, e’ escarrar mesmo, com todo barulho possivel. Vi garotas de 17 anos fazendo isso no metro. Campanhas estao sendo feitas pra evitar que cuspam nas ruas, mas pelo jeito esse habito de milenios nao vai ser maquiado nessas olimpiadas.

A delicada relacao motorista de taxi e passageiro

IMG_1425.jpgComo em qualquer lugar do mundo, pegar um taxi e’ uma aventura. Eu e Ted viemos em voos separados, ele chegou algumas horas antes de mim. Chegamos no mesmo aeroporto e fomos pro mesmo hotel. Assim que eu entrei no taxi pedi, com firmeza que ele ligasse o taximetro (gesticulando). Ele fez cara feia, enrolou, eu fiz que ia descer. Ele ligou o meter. Eu pague 79RMB. Ted pagou 450RMB. Que meu maridinho me perdoe, mas em taxis, “mane’ e’ mane’ e malandro e’ malandro”.

Ainda assim, em Hanoi, peguei um taxi com um taximetro tao enlouquecido que pedi pra descer antes da hora. Tem tambem, claro, a estrategia de dar mil voltas, o que eu faco e’ abrir um mapa na cara do motorista e tento – ou dou a entender que estou – identificando onde estou… enfim, acho essa relacao tao estressante que, ainda que o taxi seja baratissimo (ontem fui do hotel ao centro historico por 19RM), acabo preferindo metro.

Pra quem pretende ir a China e andar de taxi (ou mesmo se for de outros meios), a dica e’ SEMPRE ter os nomes dos lugares pra onde quer ir em chines. Naqueles sinais locais mesmo, nao adianta de nada dizer que quer ir pra “Forbidden City”, muito provavelmente, ninguem vai entender o que voce quer dizer. Mesmo nos taxis que ficam em frente aos melhores hoteis.

Eu nao falo ingles, posso ir pra China?

IMG_1219.jpgSem duvida nenhuma. Pensa bem, se eles nao falam ingles quase nenhum, qual a diferenca? Eu fui ao Nepal ha’ 12 anos atras, com um ingles pobrinho e estava sozinha, fiz uma tour num carro com dois nepali que me levaram pra Kathmandu, Bakhtapur e Phokara. Eles nao me contaram nada da historia do pais, mas eu tambem nao ia entender :-) eu diria que e’ quase menos estressante ir pra China sem falar ingles do que ir pra Inglaterra. Definitivamente, e’ muito mais facil do que ir pra Franca, sem falar frances.

O unico problema e’ ter em maos, sempre, os enderecos de onde voce pretende ir em mandarim (como dise ai acima, procure nos sites e imprima direto de la’). Eu deixei de ir a dois mosteiros aqui porque nao teve jeito de encontra-los.

Comida para quem precisa

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Como ja’ devo ter dito aqui, da ultima vez, nem pensem que vai ser moleza porque voces “adoram comida chinesa”. Nada mais equivocado, a comida chinesa no Ocidente foi totalmente adaptada aos sabores locais, o que a gente tem aqui e’ uma coisa – pra mim – muito dificil de engolir. Claro que, nos grandes centros, tem restaurante de todo canto (inclusive varias churrascarias brasileiras), mas se voce esta’ no meio da rua, num Hutong ou centro historico, se nao quiser se render as McDonalds (as vezes, nao tem nem isso), nao tem muitas opcoes.

Na volta da Muralha da China, paramos em um restaurante ainda mais original, com comidinha totalmente tipica da regiao. Estavamos eu e Ted e um casal de suecos. Quase morremos de rir, porque a unica solucao, com a mesa cheia de pratos diferentes, foi comer muito arroz com molho de soja e uma verdura verde mais identificavel. A foto ao lado (em breve) mostra a galinha que nos foi servida. Por sorte, esqueceram nosso porco, imagina se viesse assim tao, er… digamos “explicito”!

Tentei, mais uma vez, comer os famosos e badalados dumplings. O primeiro foi suportavel, apesar de ter um recheio de porco doce. No dia seguinte, fui sorteada com um recheio de peixe pavoroso.

Enfim, nao sou a pessoa mais sofisticada em termos gastronomicos, mas mesmo os nossos amigos suecos, refinadissimos nao conseguiram comer nem o famoso pato laqueado.

Nesses dias, comemos muito no hotel, fazemos nosso farnel no supermercado, o trivial pao e queijo, biscoitinhos e nozes. Comi galinha ao curry, pizza, comida tailandesa, desisti da chinesa de vez. A boa surpresa foi um picole’ de leite com pedacos de fruta com um desenho de uma vaquinha na embalagem. Comi a primeira vez na Cidade Proibida e agora estou viciada.

Hoje, vamos a um jantar oferecido pelo pessoal (chines, claro) com quem estou trabalhando. Nessas horas, apelo pra “sou vegetariana”, assim, ao menos escapo das carnes esquisitas. na ultima vez, nos levaram a um restaurante vegetariano que mimetiza todas as comidas carnivoras. Assim, comemos pato ‘a Pequim totalmente vegetariano. Melhor assim.

Patriotismo

Denise | China | Tuesday, 29 April 2008

bandeiras_china.jpg

Acabei de ver no blog da Juliana, aqui de Pequim (queria tanto ter ligado pra ela, mas dessa vez, nao deu pra encontrar ninguem, tenho compromissos o tempo todo), sobre essas bandeiras espalhadas nos dormitórios dos estudantes do Instituto de Tecnologia de Pequim (que fica aqui perto). Esta’ explicado porque o dia amanheceu com bandeiras por todo lado e esse moco ai, todo enfatiotado, parou um pouco pra descansar antes de espalhar mais um pouco de patriotismo pela cidade.

off-topic – papo cabeça

Denise | Me myself and I | Tuesday, 29 April 2008

Interrompendo um pouco o papo chines, como algumas de voces perceberam e comentaram, finalmente, cortei as madeixas!

Meninas, o cabelereiro cortou muito mais do que eu pedi, mas sabe que, no final, adorei? se ele nao tivesse feito isso, eu nao ia mudar nunca, ia sempre cortar “so’ um pouquinho”.

Como nao dava pra ver bem como a cabeleira ficou, nas fotos que fiz pela cidade, tentei fazer umas fotos aqui no quarto do hotel, hoje de tarde, pra voces terem uma ideia, afinal esse corte de cabelo foi anunciadissimo.

Ok, ok… antes que um troll venha me encher o saco, eu sei que esse assunto nao interessa a ninguem, mas e’ papo das miguxas e blog tambem e’ pra isso, ne’?

Tambem tentei fotografar o brinco LINDO, feito por MIM :-)

Pequim & Xangai 2008

Denise | China,Pequim,Viagens,Xangai | Monday, 28 April 2008

Estou super ocupada. Apenas umas fotinhas, pra voces terem uma ideia do que andei vendo por aqui, assim que puder, escrevo mais.

Templo Tibetano em Beijing

Denise | China,Diversos | Thursday, 24 April 2008

Nao estava muito animada pra vir pra ca’, dessa vez. Ando cansada, com muito trabalho que acumula quando eu viajo, precisando cuidar mais de mim, malhar, fazer regime de verdade, criar uma rotina. Alem do mais, essa situacao Tibet X China, que nao e’ novidade, mas piorou com os ultimos incidentes, me deixou ainda um pouco mais “melancolica” pra vir pra ca’. Mas, em chegando aqui, fiquei felicissima da vida. Eu adoro a Asia.

Vai ver que, pra compensar, o primeiro passeio que fiz aqui em Beijing, foi a um Templo Tibetano, que nao tive tempo de ver da ultima vez. Esse foi um lugar que de uma paz tao grande, que foi como um recarregador de baterias para os dias que tenho pela frente.

Yonghégong – Templo Lama da Harmonia e da Paz

Tem muita coisa que nao tive tempo de ver na viagem anterior, por isso fiquei feliz com a nova oportunidade. Comecei devagarinho, com um dos maiores e mais importantes templos tibetanos fora do Tibet, o Yonghégong, que fica a apenas tres estacoes de metro do nosso hotel e cuja passagem custou CNY 2 (Yuan Renminbi) ou R$ 00,47.

O templo comecou a ser construido em 1694, durante a Dinastia Qing, inicialmente era moradia de principes e imperadores, mas em 1744, se tornou um “lamasterio”, uma escola de monges Geluk (de chapeu amarelo), uma linha do budismo tibetano (seguida pelo Dalai Lama cuja foto, por motivos obvios nao esta’ em nenhuma das suas paredes).

Tambem conhecido como o Palacio da Harmonia e da Paz, foi fechado, mas escapou da destruicao durante a Revolucao Cultural (que definia os “quatro velhos”, “velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e velhos habitos”) e foi reaberto ao publico em 1981. Hoje, vivem cerca de 70 monges por la’.

Com 480 metros (de norte a sul) e 20 saloes (que nao podem ser fotografados por dentro), o templo e’ belissimo Cada salao tem um nome daqueles so’ os asiaticos sabem dar, como Yongyoudian (Salao da Protecao sem Fim), Falundian (Salao da Roda da Lei) e Wanfuge (Pavilhao das Dez Mil Felicidades)

Esse ultimo, tem tres mezzaninnos e dezenas de milhares de estatuas de Buda. E’ onde fica uma estatua de Buda de 23 metros, com uma plaquinha do Guiness Record ao lado, atestando que e’ a maior escultura de Buda do mundo feita de madeira de uma unica arvore, sandalo branco (trazida do Tibet!). Mesmo sem ser permitido, nao resisti e fiz essa fotinha ao lado, pra voces terem uma ideia da grandiosidade desse Buda.

Esse templo nao estava nem no meu livro guia de Beijing/Shanghai, mas foi uma das coisas mais bonitas e interessantes que eu vi por aqui. Fiquei a tarde toda por la’, lagarteando num friozinho delicioso com um sol bem agradavel. Gosto muito de ver a fe’ das pessoas, acendendo seus incensos e se curvando diante dos saloes (nao e’ permitido levar incenso para dentro, onde ficam as imagens, entao, as pessoas reverenciam de fora mesmo).

Os chineses do povao sao umas gracinhas, gostam de turistas, riem, alguns tentam se comunicar, me sinto muito bem em Beijing (claro que morar aqui deve ser outra coisa…)

A entrada custa CNY 25 (R$ 6,00) e fica aberto todos os dias entre 9 da manha e quatro da tarde. O templo fica do lado da estacao de metro, ou pode ser acessado de onibus pelas rotas 13, 18, 44, 62, 116, 407 e 807.

(Gente, a Denise continua sem acesso. Assim que, quem publicou este texto fui eu, Vanessa, que ela me mandou por e-mail).

Notícias da China

Denise | China | Tuesday, 22 April 2008

Gente, aqui é a Vanessa, do Inconfidência Mineira.

A Denise não está conseguindo acessar o próprio blog (imaginem que angústia!) e por isso me pediu pra avisar que chegou bem, mas que não sabe quando vai conseguir publicar outro post e fotos da viagem.

Ela espera que no domingo, já em Shanghai, as atividades do Síndrome de Estocolmo voltem ao normal.

Por enquanto, continuem comentando no post abaixo (cujo enfoque é realmente genial).

Beijos a tod@s!

Amamentar é um Ato Ecológico!

Denise | Amamentação,Meio Ambiente | Monday, 21 April 2008

LOGOS4.gifDia 22 é o Dia da Terra e o Allan me convidou pra participar da blogagem coletiva sobre meio ambiente. Sei que esse post é manjadíssimo, mas em poucas horas estarei embarcando pra Beijing (Saio de casa de manhã cedinho) e não dá pra escrever outro, vai esse mesmo e sempre tem o pessoal que ainda não leu…

Uma das coisas que me apaixonaram na amamentação foi a sua complexidade e as diversas formas de se trabalhar com esse tema.

Apesar de parecer um ato solitário, apenas entre a mãe e o bebê, a amamentação envolve muito mais – garantia de direitos humanos e trabalhistas, gênero, educação, luta contra promoção indiscriminada de alimentos infantis e… ecologia.

Impacto Ambiental da Alimentação por Mamadeira

Desperdícios

Se todo bebê norte-americano recebesse mamadeira, quase 86.000 toneladas de alumínio seriam usadas nas 550 milhões de latas de leite descartáveis. Se as latas tiverem rótulos de papel, somam-se outras 1230 toneladas de papel às enormes quantidades de papel brilhante usadas na propaganda do produto. Embora algumas latas sejam reutilizadas, grande parte do metal e papel seria jogada fora e raramente reciclada.

Os leites para bebês vêm sendo, crescentemente, comercializados na forma de alimento pronto-para uso, em caixas feitas a partir de uma mistura de materiais e, conseqüentemente, impossíveis de serem recicladas.

alatas.gifMamadeiras, bicos e demais acessórios são feitos de plástico, vidro, borracha e silicone, geralmente reutilizáveis, mas raramente reciclados ao final de sua vida útil. A nova idéia de vender leite pronto em mamadeira, por vezes já com o bico, significa que jamais será reutilizado.

Em 1987, somente no Paquistão, 4 milhões e meio de mamadeiras foram vendidas. O número de mamadeiras por bebê é bem maior em países industrializados (a maioria dos bebês nos EUA usa pelo menos 6).

Todos estes produtos desperdiçam recursos naturais (estanho, papel, vidro, etc), causam poluição desnecessária na sua produção e empacotamento e proporcionam um problema de lixo.

Os plásticos representam uma preocupação especial, pois a maioria deriva do petróleo, um recurso chave, e sua produção causa poluição. São raramente reciclados pela ausência de equipamentos adequados e dificuldade em separar os diversos tipos. São virtualmente indestrutíveis e permanecem como poluentes quando jogados fora.

O nome dos chamados plásticos biodegradáveis é errado, pois apenas um dos seus elementos é orgânico e se biodegrada deixando pedaços muito pequenos como poluentes – pelo menos os plásticos “não biodegradáveis” podem ser removidos e reciclados ou destruídos adequadamente. A fumaça resultante de sua incineração pode conter dioxinas e outros tóxicos.

Água

acozinha.gifAo preparar o leite artificial, a mãe deve esterilizar a água e os utensílios.

Água e energia para fervura são facilmente disponíveis no mundo industrializado,
mas não é uma razão para desperdício.

A energia geralmente vem de usinas convencionais e nucleares que poluem o meio ambiente.

A falta de água não é comum nos países desenvolvidos, mas em 1975 a OMS estimava que 60% das pessoas em países menos desenvolvidos não tinham acesso a água suficiente. Não é raro que, em algumas partes da África, as mulheres gastem 5 horas por dia buscando água. Um bebê de 3 meses alimentado por mamadeira necessita de 1 litro de água por dia para adicionar ao leite e outros 2 para ferver bicos e mamadeiras15. Além disso, deve-se somar a água necessária para lavar e enxaguar.

A lenha também é um recurso precioso em alguns países em desenvolvimento e tem sido usada em rítmo alarmante. Gasta-se 200g de madeira para ferver 1 litro de água. Assim, em um ano, uma criança alimentada artificialmente consumiria pelo menos 73 kg de valiosa madeira.

Líquidos esterilizantes comercializados são comumente usados para limpar a maioria das mamadeiras e bicos em muitos países industrializados. A maioria deles usa como base água sanitária clorada e a produção de ácido clorídrico está relacionada à emissão de dioxinas.

A Indústria Leiteira

numvacas.gifSeriam necessárias 135 milhões de vacas leiteiras para substituir o leite de mulheres só da Índia. Cada vaca precisa de cerca de 10.000 m2 de pasto, o que significa dedicar 43% da área da Índia à pastagem (uma área equivalente a 6 vezes o tamanho da Grã-Bretanha) para substituir o leite materno.

Para criar pastagens é preciso desmatar, o que leva, conseqüentemente, à erosão e exaustão do solo, ao aumento de gases que contribuem para o efeito estufa, além da redução de flora e fauna decorrente da mudança do solo. Para se produzir um quilo de leite para bebê, gasta-se no México, 12.5 m2 de floresta tropical.

As vacas liberam metano, gás importante para o fenômeno estufa, através de flatus e fezes aumentando a poluição atmosférica. O gado produz 100 milhões de toneladas anuais de metano, 20% do total. A eliminação do excremento é um problema por si só e geralmente causa poluição de rios e do subsolo.

A criação de gado contribui também para a formação da chuva ácida. A amônia dos currais reage com o dióxido de enxofre (presente no ar em países desenvolvidos) produzindo sulfato de amônia que ataca as folhas e se converte em ácidos nítrico e sulfúrico quando atinge o solo. A criação intensiva de gado, comum nos países onde a maior parte do leite artificial é produzida, exacerba este problema.

Os fertilizantes nitrogenados muito solúveis usados na produção de ração para vacas leiteiras podem contaminar os lençóis de água. Um milhão e meio de pessoas na Grã-Bretanha bebem água com níveis de nitrato acima dos estipulados pela Comunidade Econômica Européia.

Fertilizantes nitrogenados e detritos animais são as duas principais causas do excesso de plantas em lagos e rios (o lago ou riacho
se torna rico em nutrientes causando crescimento excessivo das plantas). Sua decomposição consome todo o oxigênio da água, causando mau cheiro e matando a vida existente. Estima-se que o custo para limpar águas poluídas por nitrato, de apenas uma região da Grã-Bretanha, será de 200 milhões de libras.

Processamento e Transporte

aenergia.gifA maior partes dos leites artificiais é leite de vaca pasteurizado e convertido em pó. O leite é desnatado, filtrado e aquecido entre 95 a 105ºC durante 14-20 segundos, homogeneizado, resfriado e secado com 5 jato de aproximadamente 73ºC e borrifado em um ambiente de 160ºC. A fabricação do leite de soja é semelhante.

A energia necessária para atingir as temperaturas e os procedimentos mecânicos adequados causam poluição do ar (chuva ácida e efeito estufa), bem como a utilização de recursos naturais como combustível. O leite ou soja, ingredientes principais dos leites infantis artificiais, são misturados a um coquetel de substâncias
industrializadas.

O leite geralmente viaja distâncias consideráveis antes de ser processado e a lata, o papel, as mamadeiras, etc, também devem ser transportados.

Depois de empacotado, o leite é levado ao consumidor. O Equador, por exemplo, importa leite dos EUA, Irlanda, Suiça e Holanda. Outros países exportadores incluem o Japão, França, Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha e Nova Zelândia; a maioria dos países importa leite de lugares distantes. Não há dados exatos sobre a poluição causada por este transporte desnecessário, que é sem dúvida considerável.

(Texto de Andrew Radford, leia mais aqui.)

Atenção:

Não pretendo, com essas informações, colocar nos ombros das mulheres mais um peso e responsabilidade pelo “futuro do planeta”. Minha mensagem não é que, porque a amamentação é um ato ecológico e o uso de mamadeiras é prejudicial ao meio ambiente, as mulheres devem amamentar.

O que quero deixar registrado é mais um argumento para que toda a sociedade apoie as mulheres, para que possam amamentar com prazer e tendo garantidos todos seus direitos. Amamentar não é um dever, mas é um direito da mulher.

Campanha Internacional

achute.gif

A primeira vez que ouvi falar no impacto ambiental do abandono da amamentação foi na Eco 92, quando a IBFAN Rio organizou uma série de eventos pra divulgar esse tema.

Em 1997, a pedido da WABA (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno), coordenei, em nível internacional, uma campanha de esclarecimento sobre esse tema, na Semana Mundial da Amamentação.

Foi minha primeira experiência de trabalho, verdadeiramente “globalizado”. Organizamos um pequeno grupo de trabalho, em Porto de Galinhas, que contou com uma venezuelana (Antonieta Hernandez), uma uruguaia (Cecilia Muxi), três brasileiros (eu, Lígia e Marcus Renato de Carvalho) e um inglês (Andrew Radford, autor do trabalho Impacto Ecológico da Alimentação por Mamadeira).

Esse grupo elaborou um esqueleto para o “folder de ação”, que foi redigido por Andrew e revisado por pessoas de todos continentes. Meu ex, Paulo Santos, bolou com o cartunista Libório, toda produção gráfica e criamos um software educativo, para crianças; uma cartilha eletrônica; uma cartilha impressa e um livrinho para colorir. Todo material foi impresso na Malásia, em diversos idiomas e distribuído de lá mesmo, para quase 100 países.

Esse foi um trabalho do qual me orgulho muito, porque é uma forma fantástica de trabalhar a questão da amamentação com crianças e adolescentes que ainda não têm interesse nenhum em relação aos cuidados com bebê. Não adianta falar sobre os benefícios do leite materno, mas eles entendem muito bem e se preocupam bastante com nosso meio ambiente.

Leia mais sobre o assunto:

21 Anos

Denise | Bia | Sunday, 20 April 2008

21anos_1.jpg

Hoje, ela fez 21 anos. A primeira foto, acima, foi a primeira foto que fizemos dela, uns 3 ou 4 dias depois do parto. Ainda com o olhinho inchado, a boquinha tão fofa… JURO que parece que foi hoje!

21anos_2.jpgEngraçado é que acabei de perceber que nunca sonho com Bia como ela é hoje, quase sempre, em meus sonhos ela está desse tamainho aí dessa foto ao lado. (hehehe… tadinha de pochete!)

Sinal de síndrome do ninho vazio batendo aqui em casa? pode ser. Não é brincadeira, não… quem tem seus bebezinhos nem imagina como o tempo vai passar rápido. Aproveitem!

Por isso, nunca reclamei e aproveitei cada um de todos os fins de semana quando a levava pro teatrinho, parque, cinema, pracinha dos peixinhos. Beijei, abracei a apertei muito. Botei muito no colo, dormi no mesmo quarto, fiz muito dengo e manha.

Bia_no_marrocos_1b.jpg

A poderosa no Marrocos (não esqueci, quando eu voltar eu boto as fotos de viagem dela, aqui), independente, como eu sempre soube que ela ia ser.

“Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão”

Os Retornados – II

Denise | Televisao | Sunday, 20 April 2008

“No segundo e último programa da série sobre os ex-escravos que voltaram para a África, veja a marcante presença brasileira na arquitetura, na culinária, na língua e nas festas populares do Benim.”

Gloria na India

Denise | India,Televisao | Sunday, 20 April 2008

gloria_sari.jpgA escritora Gloria Perez vai fazer uma novela relacionada com a India (e Dubai) e esteve por lá, fazendo pesquisa. Gente, que saudades da India. Adoro ver gente escrevendo sobre esse país, principalmente quando é com muito respeito e buscando entender a cultura do povo tão absurdamente diferente da nossa.

Confiram lá no blog dela, as fotos e os posts interessantíssimos!

Com certeza, vai ser uma novela muito colorida :-)

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