China – Pequim & Xangai 2

Apesar de ter como mantra a ideia de que que reclamar nao adianta de nada e vale a pena tentar viver seja la’ onde for, aceitando as diferencas e tentando se irritar o minimo possivel, devo dizer que entendo o pessoal que mora em um pais tao diferente e nao para de reclamar, viver num pais que parece outro planeta nao e’ facil mesmo.
Entre uma coisa e outra, consegui botar na telinha algumas das minhas reflexoes e conclusoes sobre a China e os chineses. Nao se esgota aqui, claro. Em breve colocarei mais fotos e, se voce tiver alguma duvida, basta perguntar.
Como eles sao

Ainda nao consegui identificar “o povo chines”, e desconfio que com bilhoes de pessoas de diversas culturas, costumes, etnias, rural e urbana, rica e pobre, e’ impossivel defini-los homogenicamente. No geral, acho que os chineses sao amigaveis, mas nao se engane, podem ser quase violentos na rua, se nao quiserem ser fotografados (apesar de ser raro, no geral, posam pras fotos ou as ignoram).
Dizem que, com a politica de filhos unicos, sao todos uns bebezoes mimados. Nao sei se e’ verdade, mas que os pais morrem de orgulhos dos seus filhos, isso ta’ na cara e, ao contrario de outros paises ocidentais – onde o pavor em relacao a pedofilia faz com que fotografar criancas pareca algo perigosissimo – eles adoram quando voce pede pra tirar fotos de suas crias (que sao as coisas mais fofas do mundo!).
Existem enormes diferencas entre Xangai e Pequim, mas nao concordo com tudo que li no meu livro guia das cidades. La’, dizem que os habitantes de Pequim sao mais arredios e em Xangai o povo e’ mais cordial, quase submisso aos turistas, por ser uma cidade mais moderna e mais direcionada ao lucro e perceberem a importancia do turismo.
Nao sei porque, mas minha impressao foi o oposto, achei o pessoal em Pequim muito mais gentil e os xangainenses mais arrogantes, mais duros, as poucas situacoes em que senti alguma animosidade foi em Xangai, nao em Pequim.
De qualquer forma, a briga Pequim x Xangai rende. O mais engracado e’ quando voce provoca, perguntando a um e a outro, quais as vantagens de sua cidade… um de cada vez, claro.
Mas, resumindo, minha experiencia com chineses e’ otima, a questao e’ tentar entender o povo com seus olhos, nao os nossos, eles podem parecer rispidos, desconfiados, ou extremamente gentis e atenciosos, como o pessoal com que eu estou trabalhando e o pessoal da equipe de Ted. Acho que, sao mesmo e’ diferentes da gente. So’ isso.
Historinha sobre privacidade

A questao da falta de privacidade e’ bem interessante. Um dia, ao descer para o cafe’ da manha, fomos levados pela hostess – em um restaurante quase vazio – para uma mesa colada a outra onde estavam duas senhoras americanas, gentilmente pedi pra nos indicar outra mesa, pra alivio das duas.
Ai Ted contou uma historia de uma aluna de doutorado, que ele orientava em Estocolmo, que entrou num metro completamente vazio e sentou na cadeira ao lado de uma sueca que, obviamente, deve ter entrado em panico e desceu na proxima parada… hehehehe… nao posso pensar em duas culturas mais opostas, a “zona de conforto” sueca e’ enorme, quanto mais longe, melhor.
Para os chineses, isolamento nao e’ opcao, e’ quase castigo.
O ritmo deles

Nao sei porque, mas, dessa vez, o ritmo chines, nas ruas, me incomodou mais. Nao e’ que sejam mais lentos, como a gente pensa, e’ um ritmo totalmente individualista, que cria um caos numa rua entupida de gente. Apesar dos chineses estarem sempre acompanhados, a ideia de pensar nos seus movimentos em termos de “coletivo” parece desconhecida por aqui.
As pessoas andam na sua frente numa lentidao de matar (nada me irrita mais nas ruas). Por outro lado, se tiverem pressa, passam por cima de voce, sem do’ nem pena. Ando muito mal acostumada com a enorme cordialidade dos americanos (sim, eles tem virtudes, tambem!) nos lugares publicos, onde dizem “excuse me” ate’ se voce encostar o cabelo neles. Aqui, tenho sido arrastada pra um lado e pro outro e isso me da’ nos nervos.
Hierarquia
Chineses sao seriamente hierarquicos – coisa dificil pra mim – e reverenciam as autoridades. Na nossa tour para as Muralhas teve um momento daqueles inesqueciveis. Ted perguntou ao nosso guia:
- Quem foi mesmo o cara (guy) que construiu a Cidade Proibida?
A gente viu os olhinhos apertados do chines dando mil voltas e uma fumacinha de incompreensao saindo da sua cabeca, antes dele responder:
- Nao foi um “cara”…
Na pausa que ele fez pra respirar antes de continuar solenemente, Ted disse que pensou: “Como assim? foi uma mulher??”
O guia continuou, com toda pompa:
“- …foi um imperador!!!”
Gente, foi o momento mais fofo dessa viagem!
Turistas chineses
Quando a gente le sobre evitar horarios de pico nas principais atracoes das cidades, por causa da enorme quantidade de turistas na China, pensa nos americanos de camisa florida e camera fotografica pendurada no pescoco.
Bom, e’ verdade que e’ preciso evitar o meio da tarde, senao a gente nao consegue nem andar. Mesmo tendo uns ocidentais aqui e ali, esse mundo de gente que invade Pequim e Xangai (pelo menos fora do periodo das Olimpiadas) e’ todo chines mesmo!
Sao centenas, milhares de chinesinhos, muitos deles bem velhinhos, geralmente vestidos todos com um colete e bone da mesma cor. A/O guia empunha uma enorme flor de veludo colorida, que deve ser seguida, para que nao se percam (nao sei como diferenciam a flor de um guia da flor de outro, ja’ que esse instrumento de identificacao e’ vendido nas ruas, a quem quiser e nao sao muitas as opcoes…
Os turistas chineses, em si, sao uma atracao, se voce tiver boa vontade e paciencia. Principalmente porque nas duas vezes em que pude observa-los, estava de saida e eles estavam chegando, portanto nao me incomodaram nada. Achei bonito de ver a admiracao e emocao do velhinho chines, que parece bem pobrezinho e deve ter vindo de uma vila distante, diante do trono do imperador na Cidade Proibida.
Nos somos iconoclastas, sacaneamos com o museu do imperio la’ em Petropolis, e contamos historias de arrepiar da nossa familia real (claro, ela nem era nossa, por isso a diferenca…), os ingleses fazem piada da rainha, mas na China, a historia e’ reverenciada, mesmo apos a revolucao Cultural que tentou apaga-la (ou exatamente por causa disso). A visita dos chineses a Cidade Proibida e’ um espetaculo a parte, na minha opiniao.
Transporte publico – Metro

E’ possivel e baratissimo andar de metro pra quase todo lado, por aqui. A estrutura de metro em Xangai e Pequim (assim como em Guangzhou) e’ boa, em Pequim, a malha foi renovada, algumas linhas sao excelentes, sofisticadas, ar condicionado agradavel (pra mim) e muito, muito barato. Vai mudar, mas agora, com 2 RMB (1 US$ = 7 RMB) pode-se ir pra todo lado.
So’ tem um problema… os chineses. Sinto muito a afirmacao tao preconceituosa, mas nao existe outro momento em que eu tenha menos paciencia com os chinseses que no metro. Eles nao respeitam a fila pra comprar os tickets, correm pra passar na sua frente, nao esperam voce sair pra entrar no trem.
Por outro lado, mesmo quem nao vai descer do trem, nem tao cedo, prosta-se na frente da porta e nao arreda o pe’, quando a porta abre. Nao adianta dizer um inutil “excuse me” ou dar a entender que precisa descer, tem que fazer como eles e passar por cima (coisa que me deixa muito constrangida!).
Alem disso, tem mais dois probleminhas, o cheiro de alcool e’ absurdo. Nunca tinha percebido antes, mas num trem lotado o odor de bebida e’ quase insuportavel. E mais, eles escarram no metro. A palavra e’ meio dura, mas o que eles fazem nao e’ bem “assoar o nariz”, e’ escarrar mesmo, com todo barulho possivel. Vi garotas de 17 anos fazendo isso no metro. Campanhas estao sendo feitas pra evitar que cuspam nas ruas, mas pelo jeito esse habito de milenios nao vai ser maquiado nessas olimpiadas.
A delicada relacao motorista de taxi e passageiro
Como em qualquer lugar do mundo, pegar um taxi e’ uma aventura. Eu e Ted viemos em voos separados, ele chegou algumas horas antes de mim. Chegamos no mesmo aeroporto e fomos pro mesmo hotel. Assim que eu entrei no taxi pedi, com firmeza que ele ligasse o taximetro (gesticulando). Ele fez cara feia, enrolou, eu fiz que ia descer. Ele ligou o meter. Eu pague 79RMB. Ted pagou 450RMB. Que meu maridinho me perdoe, mas em taxis, “mane’ e’ mane’ e malandro e’ malandro”.
Ainda assim, em Hanoi, peguei um taxi com um taximetro tao enlouquecido que pedi pra descer antes da hora. Tem tambem, claro, a estrategia de dar mil voltas, o que eu faco e’ abrir um mapa na cara do motorista e tento – ou dou a entender que estou – identificando onde estou… enfim, acho essa relacao tao estressante que, ainda que o taxi seja baratissimo (ontem fui do hotel ao centro historico por 19RM), acabo preferindo metro.
Pra quem pretende ir a China e andar de taxi (ou mesmo se for de outros meios), a dica e’ SEMPRE ter os nomes dos lugares pra onde quer ir em chines. Naqueles sinais locais mesmo, nao adianta de nada dizer que quer ir pra “Forbidden City”, muito provavelmente, ninguem vai entender o que voce quer dizer. Mesmo nos taxis que ficam em frente aos melhores hoteis.
Eu nao falo ingles, posso ir pra China?
Sem duvida nenhuma. Pensa bem, se eles nao falam ingles quase nenhum, qual a diferenca? Eu fui ao Nepal ha’ 12 anos atras, com um ingles pobrinho e estava sozinha, fiz uma tour num carro com dois nepali que me levaram pra Kathmandu, Bakhtapur e Phokara. Eles nao me contaram nada da historia do pais, mas eu tambem nao ia entender
eu diria que e’ quase menos estressante ir pra China sem falar ingles do que ir pra Inglaterra. Definitivamente, e’ muito mais facil do que ir pra Franca, sem falar frances.
O unico problema e’ ter em maos, sempre, os enderecos de onde voce pretende ir em mandarim (como dise ai acima, procure nos sites e imprima direto de la’). Eu deixei de ir a dois mosteiros aqui porque nao teve jeito de encontra-los.
Comida para quem precisa

Como ja’ devo ter dito aqui, da ultima vez, nem pensem que vai ser moleza porque voces “adoram comida chinesa”. Nada mais equivocado, a comida chinesa no Ocidente foi totalmente adaptada aos sabores locais, o que a gente tem aqui e’ uma coisa – pra mim – muito dificil de engolir. Claro que, nos grandes centros, tem restaurante de todo canto (inclusive varias churrascarias brasileiras), mas se voce esta’ no meio da rua, num Hutong ou centro historico, se nao quiser se render as McDonalds (as vezes, nao tem nem isso), nao tem muitas opcoes.
Na volta da Muralha da China, paramos em um restaurante ainda mais original, com comidinha totalmente tipica da regiao. Estavamos eu e Ted e um casal de suecos. Quase morremos de rir, porque a unica solucao, com a mesa cheia de pratos diferentes, foi comer muito arroz com molho de soja e uma verdura verde mais identificavel. A foto ao lado (em breve) mostra a galinha que nos foi servida. Por sorte, esqueceram nosso porco, imagina se viesse assim tao, er… digamos “explicito”!
Tentei, mais uma vez, comer os famosos e badalados dumplings. O primeiro foi suportavel, apesar de ter um recheio de porco doce. No dia seguinte, fui sorteada com um recheio de peixe pavoroso.
Enfim, nao sou a pessoa mais sofisticada em termos gastronomicos, mas mesmo os nossos amigos suecos, refinadissimos nao conseguiram comer nem o famoso pato laqueado.
Nesses dias, comemos muito no hotel, fazemos nosso farnel no supermercado, o trivial pao e queijo, biscoitinhos e nozes. Comi galinha ao curry, pizza, comida tailandesa, desisti da chinesa de vez. A boa surpresa foi um picole’ de leite com pedacos de fruta com um desenho de uma vaquinha na embalagem. Comi a primeira vez na Cidade Proibida e agora estou viciada.
Hoje, vamos a um jantar oferecido pelo pessoal (chines, claro) com quem estou trabalhando. Nessas horas, apelo pra “sou vegetariana”, assim, ao menos escapo das carnes esquisitas. na ultima vez, nos levaram a um restaurante vegetariano que mimetiza todas as comidas carnivoras. Assim, comemos pato ‘a Pequim totalmente vegetariano. Melhor assim.































































Com 480 metros (de norte a sul) e 20 saloes (que nao podem ser fotografados por dentro), o templo e’ belissimo Cada salao tem um nome daqueles so’ os asiaticos sabem dar, como Yongyoudian (Salao da Protecao sem Fim), Falundian (Salao da Roda da Lei) e Wanfuge (Pavilhao das Dez Mil Felicidades)
Dia 22 é o Dia da Terra e o
Mamadeiras, bicos e demais acessórios são feitos de plástico, vidro, borracha e silicone, geralmente reutilizáveis, mas raramente reciclados ao final de sua vida útil. A nova idéia de vender leite pronto em mamadeira, por vezes já com o bico, significa que jamais será reutilizado.
Ao preparar o leite artificial, a mãe deve esterilizar a água e os utensílios.
Seriam necessárias 135 milhões de vacas leiteiras para substituir o leite de mulheres só da Índia. Cada vaca precisa de cerca de 10.000 m2 de pasto, o que significa dedicar 43% da área da Índia à pastagem (uma área equivalente a 6 vezes o tamanho da Grã-Bretanha) para substituir o leite materno.
A maior partes dos leites artificiais é leite de vaca pasteurizado e convertido em pó. O leite é desnatado, filtrado e aquecido entre 95 a 105ºC durante 14-20 segundos, homogeneizado, resfriado e secado com 5 jato de aproximadamente 73ºC e borrifado em um ambiente de 160ºC. A fabricação do leite de soja é semelhante.

Engraçado é que acabei de perceber que nunca sonho com Bia como ela é hoje, quase sempre, em meus sonhos ela está desse tamainho aí dessa foto ao lado. (hehehe… tadinha de pochete!)
A escritora Gloria Perez vai fazer uma novela relacionada com a India (e Dubai) e esteve por lá, fazendo pesquisa. Gente, que saudades da India. Adoro ver gente escrevendo sobre esse país, principalmente quando é com muito respeito e buscando entender a cultura do povo tão absurdamente diferente da nossa.