Estupro e pornografia
“Eu fui numa loja pornô, coloquei uma moeda e vi um filme pornô, numa máquina. Era apenas um cara vindo por trás de uma garota, a atacando e estuprando. Foi aí qu eu comecei a ter fantasias de estuprar alguém. Quando eu estava vendo esse filme, foi como se ligasse um circuito, desde a minha infância até virar um adulto….Eu apenas fui atrás do que queria, fui lá e estuprei.” (Depoimento do livro “Men on Rape: What They Have to Say About Sexual Violence“)
O que vocês acham?
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Atualização:
Estupro é um assunto que está sendo muito discutido por aqui. Desde o “date rape” (casos em que, por exemplo, o cara convida a menina pra sair, ela bebe, ele coloca “Boa Noite Cinderela” e a estupra) a estupro de mulheres que estão tentando atravessar a fronteira do México e ficam nas mãos dos “atravessadores”. Passando por estupro de marido e mulher, na universidade e por aí vai. E claro que sempre tem um cretino a querer culpar a vítima…
Achei o depoimento desse estuprador interessante. Quando perguntei o que vocês acharam, obviamente, não estava falando do caso acima, até porque não conhecemos sua história, nem temos informações suficientes. Tirar conclusões tão peremptórias é puro exercício de imaginação. Pode ser que a imagem do estupro em um filme visto na infância (e, certamente, repetida milhares e vezes até a vida adulta) tenha a ver com seu ato ou pode ser desculpa esfarrapada.
A questão bem mais ampla, o que estava pensando, ao jogar a questão era se a violência contra a mulher, tão comum em filmes pornográficos, banaliza o ato e estimula a fantasia do estupro em homens, que podem buscar realizá-la, principalmente homens que já podem ter uma tendência à agressividade e misoginia (o que não falta pelo mundo afora).
Segundo o artigo Função da exposição de fantasias de estupro para o estímulo de violência sexual, de Neil M. Malamuth, da Universidade de Manitoba, Canadá e publicado no Archives of Sexual Behavior, homens expostos a filmes com imagens de estupro, posteriormente, descreveram fantasias sexuais mais violentas que aqueles que foram expostos a filmes cujas relações sexuais são consentidas mutuamente.
Segundo o autor do estudo, “o possível papel desse tipo de fantasia provocada por essa mídia no desenvolvimento de atitudes e comportamento antisociais deve ser considerado”.
Quero deixar bem claro que é bem mais complexo do que dizer que sou contra “sacanagem”, apesar de que também não me alinho com os “mudernos”, que acham que é “cool” e muito menos sou especialista no assunto.
O que eu sei é que cada um(a) se relaciona com sua sexualidade como bem entender, e, desde que seja consentido por ambas as partes (realmente consentido, não pressionado, aí é onde eu acho que – como em quaoquer caso de violência contra a mulher – todo mundo deve começar a meter a colher), vale tudo.
Fazem muitos anos que não vejo um filme pornográfico, não tenho nenhum interesse, tenho imaginação de sobra e tô muito bem sem esse tipo de estímulo. Além do mais, Ted pensa igual a mim, ele detesta ver filmes em que as mulheres são sempre prostitutas, estupradas ou tratadas com crueldade. Violência não excita ninguém aqui em casa.
Sei que existem exceções, mas se os filmes, na maioria, tiverem mudado, é novidade pra mim. A minha lembrança desses filmes chamados “adultos” (que me parecem mesmo é muito adolescentes) é que toda a tesão masculina se concentra na relação de submissão da mulher e papel de violência e poder do homem e é isso, não o sexo em si, que eu detesto.
Não tenho nada contra mulher fazer striptease, provocar, se exibir, ao contrário do que muitas feministas escrevem, acho que fazemos essas coisas não como gueixas e vítimas que cedem ao prazer masculino, mas dá prazer se exibir, é um jogo de ambas as partes e que não faz mal a ninguém nem deprecia a mulher. Mesmo as práticas sado-masoquistas têm lá seu nicho, homens e mulheres gostam e e eu não tenho nada contra isso.
Mas, a violência e o estupro na indústria cinematográfica é outra coisa. bombardear a molecada com imagens degradantes, de violência contra a mulher e estupro em filmes pornô, desde seus 12, 13 anos de idade, é outra conversa.
Claro que não é todo garoto que passa a vida vendo filme cenas de estupro em filme pornô, que vai ficar fixado e repetir o ato, mas a contínua banalização da violência contra a mulher e do estupro faz com que muito acreditem que o sexo forçado faz parte dos “jogos sexuais”.
Interessante é que, se existissem a mesma quantidade de filmes espalhados pelo mundo e vistos e reproduzidos diariamente, com judeus sendo agredidos por nazistas, seria um escândalo.
Mas estuprar e agredir mulher em filme pornô é algo tão “normal”, que dizer que não queremos filmes onde as mulheres são tratadas como cachorras para deleite de cretinos é quase um crime (contra liberdade de expressão, claro) e eu é sou “puritana”, “conservadora”. Tudo bem, nesse caso, sou mesmo.
Atualização II
Infelizmente, Van, não é verdade que não existem mais tantos filmes pornôs violentos e que mostram cenas de estupro. Numa pequena pesquisa no Google, fiquei horrorizada, é pior que eu pensava. Existe uma indústria de filmes voltados pra estupro e violência contra a mulher. Não vou dar os links aqui, porque não faz sentido, mas basta pesquisar “rape porn movies” e o que a gente encontra é de dar nojo…
Mas, sabe como é, tudo que interessa é a “liberdade de expressão”…
Atenção
Gente, só pra gente se situar na discussão, apesar de ter usado o depoimento do estuprador como “gancho”, é importante que a gente reflita sobre esse tipo de assunto, sempre, de forma “social” e não “individual”. Não é “um filme” que vai fazer “um homem” virar estuprador. O questionamento é se essa cultura da violência contra a mulher e banalização do estupro na indústria de filmes adultos não tem um impacto na imagem que esses jovens que crescem vendo filmes pornôs têm em relação à mulher e como seu comportamento é afetado por isso.
E mais, tenho uma perguntinha.. por que é que a gente acha que tem que proibir, prender, recolher, qualquer tipo de pornografia infantil, fica indignada quando assiste, acha um absurdo alguém trocar fotos, mas quando se trata de filmes em que mulheres são espancadas e estupradas, todo mundo acha que é “normal” e ainda briga pela “liberdade de expressão artística”?
Pensem nisso…
Vejam mais:
Além de culpada, a vítima agora também deve se sentir agradecida pelo estupro
Essa advogada aí ao lado, Shellagh Davies, ao defender uma gangue de jovens estupradores, usou como argumento que a moça, de 16 anos, deveria se sentir agradecida, por ter sido escolhida para ser estuprada:
Quando isso aconteceu (três anos antes), ela era gorda, não o cisne que se tornou agora. Ela deve ter ficado satisfeita pela atenção.
Não, isso não aconteceu aqui nos EUA, que é o bode expiatório de tudo que não presta, mas em Londres (Borat devia fazer um documentário sobre os hábitos e preconceitos dos súditos da rainha).







Não deveria me espantar com o absurdo do comentário da advogada londrina…Mas ainda me espanta! A questão pra mim ainda é a grande tolerância e até aceitação da violência contra a mulher na sociedade ocidental e oriental.
É óbvio que a pornografia não teve qualquer influência no ato do estuprador, e que ele apenas está tentando passar para outrem a culpa que tem.
Um blog triste, realista e tao humano:
http://fromgaza.blogspot.com/
Realmente incrível a declaracao desta advogada. Mas, isso é muito do senso comum mesmo. Acreditar que uma mulher ser estuprada é sinonimo de que ela é desejável.
Concordo com voce que os filmes pornos historicamente colocam a mulher em situacao “inferior” a do homem. No entanto, já nao é de hoje que existe toda uma industria de filmes eróticos, liderada por mulheres, inclusive, estimulando e promovendo a mudanca deste “tipo de enredo”.
Atualmente, acho que tem pra todos os gostos e esses nos quais a mulher é estuprada nem sei se ainda sao muito comuns. Felizmente, a ideia do politicamente correto também já invadiu essa industria. Até mesmo a camisinha já foi introduzida em muitas producoes.
Beijocas,
Essa advogada que defendeu uma gangue de jovens estupradores dizendo que a mulher estuprada deveria se sentir agradecia teria que presa junto com seus clientes! Coisa mais nojenta.
Passado com o que a advogada disse!!!
Como alguém tem coragem de dizer e de pensar uma coisa dessas? Não entendo.
Denise, como sempre voce aborda em modo brilhante um assunto difícil como o estupro. Nao creio que exista relação direta entre o estímulo de uma mídia e um ato criminoso. Essa é uma questão enorme, muito antiga e sem conclusões convincentes seja para o sim, influencia, que para o não, como penso eu. Claro que por um lado a exposição maciça à determinados modos de comportamento possa levar à imitação, é também verdade que o que determina finalmente meus limites são meus freios morais, ou seja, aquilo penso seja o certo e o errado. Quero dizer: ainda que veja centenas de filmes onde são cometidos assassinatos, posso passar minha vida toda sem ter nem imaginado matar quem quer que seja, porque isso me é impossível, por um limite que me foi imposto. Pela educação, pela familia, por mim mesmo, não importa, mas faz parte de mim. O problema está, no meu ponto de vista, na confusão que se faz hoje com o cenceito de liberdade. Em nome de uma suposta liberdade, fajuta, excluiu-se conceitos como ética, moral, respeito, cidadania e muitos outros. Porque veja bem, cinquenta anos atrás, em muitos lugares onde se era supostamente mais machista, ai de quem tocasse em uma mulher. Hoje nestes mesmos lugares, a violencia contra as mulheres é rotina e algo banalizado. Cresceu também a oferta de imagens e estimulos sim, mas encontrou terreno cada vez mais fértil nessa flouxidão moral que se instalou por tudo. Antes que alguém me chame de moralista, o que prego é o exato oposto. O moralista em geral é hipócrita. O que digo é que a moral é nescessária, mas subordinada à ética e à cidadania.
Pra finalizar: No ano passado aqui na Itália um juiz emitiu uma sentença aliviando a pena do estuprador, alegando que a vítima, por não ser mais virgem, teria sofrido menos se o fosse. A corte suprema depois anulou tudo, mas veja, até juiz relativizando o estupro é dose.
Denise,
Achei interessante o comentário do Flávio, mas acho que há uma relação direta entre a ‘domesticação’ da pornografia e o crescente número de estupro. Essa questão já foi objeto de muitos estudos sérios. Quanto mais a mídia glorifica a violência contra a mulher, de formas insidiosas, supostamente “glamourosas”, como as propagandas que você mostra aqui, mais aumenta a violência. Há uma relação direta entre a violência que a mídia transmite como sensual e charmoso e o que as pessoas introjetam. Os estudos socioconstrucionistas mostram como somos ‘construídos’ por essas representações. Desta ótica, é claro que a pornografia tem um papel importante. É claro que certos indivíduos são mais capacitados para questionar e racionalizar essas questões; mas a maioria não é, infelizmente.
Acho um perigo tudo isso.
Bjs
hoje eu estava aqui assistindo a um programa na BBC2 e vi a situaçao das mulheres no afeganistao…incrível como estes assuntos sao correlatos… a mulher lá é tratada como um nada…nao pode isso, nao pode aquilo…nao pode nem aparecer na televisao…agora chego aqui e leio sobre esta advogada…incrível como em diferentes esferas as vítimas somos sempre nós, mulheres. horrível pensar que temos um caminho tao longo pela frente. acho que hoje estou um pouco desiludida.
…veja bem, ao lado das propagandas idiotas que glamourizam a violência contra a mulher e das propagandas que incentivam a idiotificação do homem (nas propagandas “para homens” eles aparecem estúpidos, infantis e sempre prontos a mentir ou ter atitudes idiotas para se livrar da fúria das mulheres)existe toda um cultura que glorifica o homem como a polícia da moral feminina. Eles são os guardiãos (guardiões?) de nossa “pureza” e nossa “honra”(sempre conceitos discutíveis), e alimentamos isso sem cerimônia. Esse é o primeiro ponto que devemos atingir.
Claro que a pessoa que diz que um filme de estupro no passado é o responsável pelo estupro que ele comete no presente não entende nada de responsabilidade, ou de seus desejos e mecanismos eroticos.
Claro que uma mulher que tem a cara de pau de defender estupradores com argumentos como o da dra. Davies nem merece um comentário.
É um assunto difícil porque estupro é pra mim um dos crimes mais hediondos perdendo apenas para a tortura. Ao mesmo tempo acho fácil culpar uma cultura visual pra se eximir da culpa, como se a perversidade não morasse nos olhos de quem vê.
Se alguém se suicida e culpa uma música do Judas Priest ou se alguém mata outros e culpa o filme Matrix, conseguimos entender perfeitamente a diferença mas em se tratando de estupro essa diferença fica mais confusa porque nos ofende o ato e também a industria pornô que glorifica o ato, sem que isso signifique, necessariamente, que essa industria estimule e pregue o estupro.
Acho que adultos deviam parar de querer encontrar desculpas pra se eximir das responsabilidades de suas ações. Não sou do tipo que curte filme pornô, mas não me incomoda que algumas pessoas curtam. Num mundo civilizado adultos deviam ser capazes de exercitar suas fantasias por mais que eu pessoalmente ache nojento ou deplorável. O catch está em ser capaz de identificar a falha, o que está errado na publicidade, nos filmes, no mundo, sem necessáriamente banir o outro. Educar discutindo e não proibindo.
Isso tudo no mundo ideal, claro. Poderia elocubrar por horas sobre o assunto.
Pois é, Mani, dá até desânimo, mesmo, mas é importante ouvir e entender o que uma barbaridade dessas significa.
Marcus, você, como sempre, tem uma certeza absoluta em relação a tudo, inclusive coisas que centenas de pesquisadores continuam discutindo e ainda não conseguiram chegar a uma conclusão… mas você acha que é “óbvio”… hehehehe… bom, quanto ao caso desse estuprador ai, eu não posso dizer nada, nem é o que interessa discutir, mas acredite que gente que estuda esse tema por décadas ainda acredita que existe um impacto em relação à degradação da mulher e o estupro. Se estupra quem é desumanizada e quem não “merece respeito”, e os filmes adultos estão cheios disso…
Obrigada pela dica, Luah.
Pois é, Van, por isso deixei bem claro que não tenho nada contra filmes adultos que podem ser muito bons, legal saber que tem mulheres fazendo isso, fico curiosa pra ver se a diferença realmente existe em relação aos feitos por brucutus que eu vi, anos atrás. Infelizmente, pelo que vi, pesquisando no Google, a indústria de filmes “eróticos” de estupro está cada vez maior, provavelmente com o impulso da internet. E também acho MUITO bom que tenha camisinha em alguns filmes, é uma forma muito boa de divulgar sexo seguro. Beijocas!
Também acho, Túlio, uma vergonha!
Pois é, José Renato, é difícil de entender!
É verdade, Flávio, é uma questão antiga e complexa. O maior problema é que as pessoas analisam sempre os casos individualmente. Também não acho que o processo é “o homem vê uma cena de estupro num filme sai de casa e estupra a moça na esquina”. Nem acho que seja uma questão de “imitação”, é uma questão mais de desumanização da figura estuprada.
Claro que, em nível individual, cada pessoa tem sua história, seus valores, seus freios. Mas, quando se critica um estímulo, ele existe no coletivo, ele existe em cenetenas de imagens durante décadas de vida, onde a mulher é sempre um objeto a ser usado de qualquer jeito. Estuprar uma “vagaba” não é nada mais do que fazer algo que parece banal…
Não é todo homem que vai estuprar mas, na minha opinião, os que já têm uma tendência a violência e são bombardeados com essas imagens, pode ter mais um impulso pra cometer o ato.
Quanto a “liberdade”, você disse tudo e eu ainda acrescentaria outra distorção, que é a defesa enlouquecida da “liberdade de expressão”, todo mundo dá piti para garantir o direito de todo mundo fazer e falar o que quiser… até quando você reclama das baixarias e violência contra mulher, aí, você é que não tem mais direito a “liberdade de expressão” nenhuma e é uma chata radical… um SACO…
Quanto ao caso do juiz que emitiu uma sentença aliviando a pena do estuprador, alegando que a vítima, por não ser mais virgem, teria sofrido menos se o fosse… infelizmente, cada vez vemos mais barbaridades em relação ao estupro, mundo afora…
Pois é, Cris, eu concordo com você, é como eu escrevi pro Flavio, o problema é se buscar uma “causa-efeito” imediata… a situação é muito mais complexa, a mulher é “desconstruída”, desumanizada e esses filmes contribuem para banalizar o estupro. Beijos!
É verdade, Jamine, tem muita coisa a se fazer pelo mundo afora, e ainda acham que é “radicalismo” da gente…
Rosinha, veja bem, um “adulto” não é um ET que caiu de outro planeta, nem é uma pessoa que cresceu dentro de uma bolha, isolada do mundo. Claro que cada adulto tem que assumir a responsabilidade pelos seus atos. Talvez colocar o depoimento lá em cima, como gancho pro post tenha sido um erro porque, aparentemente, diluiu tudo mais que eu escrevi depois. A questão não é julgar o que um estuprador diz. Aliás, depoimento fora do contexto, a gente sem sabe o que mais ele disse no resto da entrevista que tá no livro linkado lá em cima.
Acontece que estuprador, assassino, pedófilo, necrófilo, diretor de filme pornô, todo mundo foi criança, adolescente e sofreu influências por todo lado. Claro que numa mesma casa dois irmãos sofrem as mesmas influências e são diferentes, mas, pensando em termos de sociedade, existem situações que perpetuam um comportamento geral.
Quando uma pessoa é racista, ela aprendeu isso em algum lugar, ela tem que pagar pelo seu crime de preconceito, tem de ser responsável pelos seus atos, mas o que estamos tentando fazer aqui não é buscar os responsáveis, mas entender o que leva um grupo de pessoas (sem freios morais) a cometer esses crimes.
Eu não só disse que não tenho nada contra quem gosta de pornô, mas também disse que não tenho nada contra a comunidade S&M. Todo mundo tem fantasias e , na minha opinião, devem exercitá-las, sempre que possível, desde que seja feito com consentimento de ambos.
Estupro não é a mesma coisa. Ninguém considera normal filme com pedofilia e proibe, recolhe, prende. Porque filme com estupro é “normal” e “permitido”?
Beijocas, querida!
Denise, qual é o problema de ter certeza? Até agora, não vi nada que desmentisse a minha afirmação. O estudo do dr. Malamuth, pelo que vi, não estabelece qualquer correlação entre a pornografia e casos concretos de violência.
Sou contra qualquer censura à pornografia, e eu sei que esse discurso estabelecendo relações não comprovadas entre ela e a violência tem como objetivo censurá-la.
A questão da pedofilia é bem diferente. É impossível produzir um filme pedófilo sem agredir aquela criança que seria usada como modelo. Mas existem filmes que usam garotas de 18 anos passando-se por “lolitas”. Vamos censurá-los também?
Eu escrevi uma longa resposta pra você e perdi, Marcus. Agora, só amanhã, que estou de saída pra ver um filme e jantar fora, com Ted.
Quero apenas dizer que não tem problema nenhum você sempre ter tanta certeza de tudo e usar termos como “óbvio” com a maior facilidade, eu apenas acho o que eu disse…engraçadíssimo… hehehehe…
Quando puder, respondo ao resto.
Denise, infelizmente parece mesmo que eu estava enganada em relacao a producao de filmes que usam o estupro como gancho na relacao erótica. De qualquer maneira, acho interessante, dentro do contexto, ter outros tipos de filme sendo produzidos e ganhando forca (leia-se forssa!) no mercado. Serve como contraponto, pelo menos.
Acho que voce levantou questoes hiper pertinentes aqui, especialmente quando destaca que nao é um filme influenciando um homem, mas toda uma historia de producoes (mesmo as nao-pornográficas, como os CSI da vida, que coloca a questao sexual com muita enfase) nas quais as mulheres sofrem situacoes extremamentes violencias e que podem influenciar o inconsciente coletivo.
O caso é que assim como nao podemos afirmar con certeza que a mídia e o cinema exercem influencia sobre as pessoas, tampouco podemos afirmar o contrário. Isso ainda é terreno nebuloso.
Mas, uma coisa a gente pode ter certeza, quando a mulher é vitima e o crime é atroz, as producoes parecem vender mais e intressar mais o público. E isso por si só já é assustador.
Beijos,
van
Quer saber… eu acho que deveria ser banido esse tipo de material da internet, video locadora e em todos os lugares… assim como os videos de pedofilia… é um absurdo aceitarmos esse tipo de coisa…
É ridiculo apoiarmos a “liberdade de expressão” para esse tipo de material… isso só incentiva…
Outra coisa que me irrita profundamente quando ouço (incluindo mulheres) que a vitima é culpada, pois usando mini saia provoca os homens…
Estupro é um dos crimes mais baixos que consigo imaginar, pois é muito fácil usar da força para se dar prazer… mas e a outra pessoa????
Outro post que você poderia fazer a esse respeito é sobre as vitimas de estupro… o que esse ato causa as meninas e mulheres…
Oi Denise,
Quando comecei a ler seu post estava realmente pensando sobre esse caso aqui da Inglaterra, que deixou todo mundo chocado com as barbaridades que essa advogada falou.
Estupro eh um problema social serissimo na inglaterra, e tratado muito a serio com varias campanhas de concientizacao etc. Quase todos os bares “modernos” tem cartazes de prevencao ao estupro no banheiro feminino, os trailers de cinema de filmes “chick flick” tem trailers super chocantes sobre estupro etc.
Ai vem essa troglodita e fala essa barbaridade…
Essa advogada é uma total BITCH. Me desculpe, mas que vaca! Como é que um ser humano (não vou nem entrar na discussão de gênero) tem a coragem de falar um absurdo desses publicamente? Se fosse a filha de 13 anos dela (sim, a vítima era uma adolescente de 13 anos), ou a sobrinha, ela também ia achar bom a “atenção” que a menina “recebeu”?
Eu espero sinceramente que essa idiota receba uma reprimenda pública da OAB de lá ou o que for, espero também que perca clientes e seja repudiada pelos vizinhos e amigos.
Bjs
Pelamordedeus Denise, me expressei mal.
Não acho que é normal ou que pode ser permitido, é a mesma coisa com aqueles filmes que dizem que existe (nunca ouvi uma fonte confiável uma confirmação) de gente matando outra de verdade.
Acho deplorável sim. Acho que tem que recolher e que se for num contexto S&M tem que avisar bem grande antes de cada filmeinho que aquele sexo é consensual entre dois adultos, claro.
Me expressei mal talvez porque estou meio desconfiada com essa história de dizer que fez isso por que quando era criança viveu aquilo, essa visão meio determinista da formação da personalidade, sabe? Só queria me pronunciar contra esse determinismo psicológico, porque tá na cara que nem todo mundo que foi abusado sexualmente na infância vira pedófilo, assim como nem todo mundo que assiste filme pornô de estupro vira estuprador, assim como nem todo mundo que tem a fantasia de se exibir na rua vira exibicionista.
Não acho que é aceitável filminho erotico de estupro, assim como depedofilia, ou de gente transando com bicho. Mesmo aquele tipo de comédia que a gente vê na tv (tem uma chamada Married with Children que é de passar mal)supostamente inocente mas que tem uma mesagem machista, racista, ignorante sobre o mundo e especialmente sobre a mulher. Mas que precisa parar de existir, precisa, nesse mundo cão que a gente vive é preciso um mínimo de responsabilidade da indústria de filmes “adultos”(adoro esse eufemismo). Aliás essa indústria da objetificação da mulher é maior e mais sutil e muito mais irresponsável que muitas vezes a gente imagina. Trabalho com uma menina de dezoito anos que usa ropitchas da marca Playboy e reclama por que os meninos só querem saber de “brincar” com ela (trocadilho infame, eu sei). Roupas incômodas, apertadas, muito curtas, pouco práticas e feias, mas tem aquele carimbo “sexo” implicito e eu não sei se ela entende direito isso, me dá a impressão que não, não porque é novinha mas porque é mesmo boba.
E mesmo a sexualidade feminina é toda voltada para essa imagem “playboy” de ser. O erotismo em volta do homem, o conceito de ser sensual a partir de uma idéia masculina, as meninas todas sendo educadas em torno da sexualidade para o homem, para o pênis.
Ai, às vezes esqueço que esse negócio de escrever é perigoso, desculpe o mau jeito. é que eu comentei sem pensar, sem elaborar, pensando em coisas que venho conversando com amigos já tem um tempo, e acabou saindo um comentário pouco claro e meio torto. Ainda bem que eu voltei aqui e vi sua resposta.
Um beijo
Oi Denise!
Bem eu queria participar da discussao sobre a fantasia sexual de sexo forcado. Nunca ouvi falar de filmes com violencia tipo pancada, dominacao e estupro. Na verdade quase nao vi porn na vida. Enfim.
Eu só queria comentar que é muito comum mulheres terem fantasias do tipo de serem subjulgadas sexualmente. Isso só tem a ver com repressao sexual, mais nada. Eu mesma já tive muito, mas na prática quando partimos pro joguinho com o namorado nao tem graca nenhuma. Mas estas fantasias, de ser prostituta, ou subjulgada sexualmente sao muito comuns. Nao sei como seria um filme erótico voltado para o público feminino, nem mesmo como sao os já no mercado. Mas na minha opiniao deveriam ser sensurados os filmes onde (se é que há) espancamento e vitimizacao explícita da mulher ou homem. Ou seja, sem concentimento e onde a pessoa nao demonstre prazer em nenhum momento, mas terror, medo e humilhacao. Isso deveria ser confiscado geral!
beijos
Querida Denise, no fundo no fundo concordamos, como quase sempre. Mas eu chamo a atenção para algo que havia mencionado indiretamente. Desde que um certo liberalismo desenfreado tomou conta de todas as esferas da existência, associado a um consumismo também sem limites e regras- e estas duas coisas são casadas – tudo se transformou em mercadoria e bem de consumo. Inclusive a pornografia e de consequencia a mulher, aquela que históricamente se submete. Acho que voce teria mais elmentos do que eu para embasar o que vou dizer e que para mim é um achismo: mas a imagem da mulher passou pela história de musa inspiradora, a imagem daquela que dá a vida e portanto vai protegida, àquela que ameaça a hegemonia masculina e portanto deve ser subjulgada e até ridicularizada se possível. Mas voltando ao liberalismo, o que ocorreu e ocorre, é uma putificação da vida. Tudo pode ser vendido e em troca de dinheiro tudo é legítimo. O discurso de liberdade de expressão eu vejo inserido nesse contexto. Se a gente associa os dois fenômenos, a estética da violência é uma expressão do quanto podre pode ser essa moral liberal. Se antes, como acredito, a mulher era mais submissa, penso que a violencia era menor. Como disse, eu acho, nao tenho documentos. O problema é que se substituiu a moral baseada na religião, por uma moral baseada no mercado. Quando tivermos a ética dando o ritmo da orquestra, vamos estar se não bem, ao menos, melhor.
De resto, só aqui encontro temas desses tratados com essa profundidade e leveza. Essa a estética que pode iluminar o mundo! Beijos.
Denise,vim aqui expressamente para lhe fazer uma pergunta porque pra mim você é confiável e deve saber de que se trata:em que consiste um tal de teste de virgindade que existe e parece que está aumentando na África do Sul?Li no noticiário mas não entendi do que se trata.Ah,e você continua ótima em abordar assuntos polêmicos e que dão o que pensar.Dá raiva,pena,dor,encarar uma menina de 11,12 anos vítima de padrastos,primos,tios,etc.E tenho que ver isso de vez em quando no meu trabalho.A violência contra a mulher é uma chaga aberta na nossa chamada civilização.Beijo.
Nao sei se vc chegou a ler um artigo do Pedro Doria no site nominimo. Lá ele cita um dos estudos do biologo evolucionista Randy Thornhill, da Universidade do Novo México. Vou copiar a parte do texto que concerne…
“Thornhill têm dois trabalhos importantes no currículo. O primeiro é a confirmação de que o macho da espécie humana tem, sim, uma predisposição à violência sexual. Como outros primatas, diga-se e, em nosso caso, a cultura é antídoto. É a confirmação científica do que muitas feministas sempre disseram. Outra de suas observações é que, também como muitos mamíferos, é uma certa simetria corporal que define beleza e atrai humanos uns aos outros.
Thornhill fez circular um extenso questionário para ver se havia indício no histórico pessoal que indicasse para que lado do flanco ideológico alguém cairia. Descobriu que sim: quem vem de famílias amorosas e estáveis, tenderá a ser conservador e tradicionalista; quem encontrou instabilidade na infância estará mais aberto a mudanças. A explicação poderia estar em algum gene de defesa que todos possuímos e que, perante uma infância conturbada, poderia ser ativado.
Talvez é, decididamente, um estudo controverso. Outro, publicado no ano passado, decidiu que é exatamente o contrário.”
site: http://weblog.nominimo.com.br/
xero