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A dura vida dos imigrantes e refugiados africanos no Brasil

Denise | Discriminção | Saturday, 31 March 2007

cravo0.jpgAcabei de ler essa notícia sobre um incêndio criminoso em três apartamentos onde viviam estudantes de origem africana, na Casa dos Estudantes da Universidade de Brasília. Estudantes brasileiros, que também vivem na casa, cometeram esse ato abominável.

Agência Lusa:

O atentado ocorreu na madrugada de quarta-feira, quando indivíduos munidos de gasolina atearam fogo na porta de três apartamentos da Casa do Estudante Universitário, na UnB, onde vivem alunos de origem africana.

O fogo atingiu mais um apartamento, mas os 14 bolsistas de origem africana conseguiram escapar ilesos graças à iniciativa de um estudante de Sociologia da Guiné-Bissau, que apagou o incêndio com um extintor antes que as labaredas se alastrassem pelo interior do edifício. (…) A UnB tem 427 alunos estrangeiros, sendo 157 africanos.

JC Online:

As primeiras investigações da Polícia Federal sobre o incêndio criminoso, com suposta motivação racista, dos alojamentos de alunos africanos da Universidade de Brasília (UnB), ocorrido na madrugada de ontem, apontam, além de dano ao patrimônio público, ações de racismo e xenofobia. (…)

Em ação planejada, os agressores incendiaram as portas dos quartos enquanto os estudantes dormiam, esvaziaram os extintores de incêndio e colocaram barreiras de tijolos nas portas dos apartamentos para evitar que eles escapassem. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso. Amanhã serão tomados os depoimentos de testemunhas, seguranças da universidade, professores e alunos para chegar aos responsáveis. Segundo o senador Paulo Paim (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, o fato não é isolado.

Essa é a segunda reclamação envolvendo hostilidade contra os africanos. Meses atrás, as portas dos alojamentos foram pintadas com cruzes vermelhas e houve discussões acaloradas entre brasileiros e africanos. Nos três apartamentos que tiveram as portas incendiadas,

Veja vídeo feito na UNB, com depoimentos de africanos e encontro dos estudantes com o reitor da universidade..

Detalhe:


A secretária de Estado, Condolezza Rice, e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinaram hoje (31/03), em Washington, um memorando de entendimento na área de educação e o acordo de cooperação conjunta dos dois países para o fortalecimento da democracia em Guiné Bissau.

Sei… avisa aos estudantezinhos brasileiros, antes, que eles têm que se comportar…

O que aconteceu em Brasília foi vergonhoso, lamentável, mas não me surpreende. Lembrei desse post, que escrevi em 2004, e resolvi re-editá-lo, porque tem tudo a ver com essa xenofobia, que existe, sim, no Brasil, país de gente que gosta de se auto-denominar “amigável” e que acredita que recebe os estrangeiros com os braços abertos…

_________________________________

Quem vem sempre aqui, sabe que esse assunto de imigração, é recorrente nesse blog, porque eu sou uma imigrante e, como diz Edward Said: “O exílio nos compele, estranhamente, a pensar sobre ele”.

Escrever sobre isso, pelo menos aqui, costuma ser mais polêmico do que falar sobre religião ou política. Portanto, já vou pedindo aos que discordam de mim, que saibam se comportar tão bem quanto os que discutiram suas crenças no post anterior.

Eu amo o Brasil, porque nasci lá, cada vez mais me interesso pelas minhas raízes, minha cultura, adoro nossa música, e o povão é tudo de bom… mas, morando fora, descobri que não existe um lugar perfeito, nem acima, nem abaixo da linha do Equador.

Mas, um dos mitos que tenho visto, pela blogosfera afora, é uma ladainha que “nós somos vítimas de todo tipo de discriminação e isso é uma injustiça, porque o povo brasileiro é cordial, amigo e recebe os estrangeiros de braços abertos”. Claaaaaaaaaro… principalmente se o estrangeiro for loiro e de olhos clarinhos…

Já escrevi sobre isso, antes. Na época, questionava o que aconteceria, no Brasil, se recebêssemos, relativamente, a mesma quantidade de africanos que a Suécia recebe. Não estou falando em termos econômicos, claro que a Suécia tem muito mais recursos para receber refugiados, mas estou falando em termos de choque cultural mesmo. Com uma população de 8,878,085, a Suécia recebeu, apenas em 2003, 25.600 refugiados, sendo mais de 3000 apenas da Somália.

Ampliando para os imigrantes, em geral, 10% da população de Estocolmo é formada por pessoas que vieram de outros países. Algo como, estatísticamente, se o Rio de Janeiro tivesse quase 600 mil pessoas vindas de fora (não estou falando de descendentes, mas de imigrantes mesmo).

Agora, pense que a imensa maioria dessas 600 mil pessoas não é de gringos descolados e loirinhos, mas vêm das mais diferentes culturas, como a Somália, Irã, Afeganistão… com todas suas dificuldades de adaptação, e mais precisando de saúde, educação e empregos.

Será que o povo brasileiro continuaria tão hospitaleiro?

Refugiados no Brasil

mcravo2.jpgA matéria do Estadão veio, apenas, comprovar o que eu já imaginava. Os brasileiros adoram gringos, mas a cordialidade brasileira depende muito da cor da pele do “estrangeiro”.

Segundo o senegalês Alain Pascal Kaly, doutorando em Estudos Internacionais Comparados do Curso de Pós-graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da UFRJ, os “estrangeiros africanos são tratados como africanos, enquanto estrangeiros europeus são tratados com o gentílico de seu país de origem.” (1)

Além dos refugiados, temos muitos estudantes africanos, principalmente de países de língua portuguesa como Cabo Verde e Angola. Mesmo tendo boas condições financeiras e educação, esses estudantes são tratados como criminosos no Brasil.

Ouvi, de uma amiga, o seguinte depoimento: “Eu trabalhei na lojas C&A de roupas por um tempo e lá apareciam muitos angolanos,jamaicanos querendo fazer cartão da loja, mas eram vistos como imigrantes fugitivos…Eles mandavam a gente inventar uma desculpa pra não fazer o cartão da pessoa…era hiper chato!”. Pensa bem se isso iria acontecer com um alemãozinho, morando no Brasil.

Mas, voltando à matéria do Estadão, ficamos sabendo que o Brasil tem, hoje, 3 mil refugiados, a maioria africanos e latino-americanos. Pelo menos mais 6 mil refugiados vivem no Brasil ilegalmente. Segundo a assistente social, Denise Orlandi Collus, que trabalha com essa questão, “O refugiado é quase sempre visto como bandido ou traficante, o que dificulta sua entrada no mercado de trabalho”.

A matéria continua com reclamações que poderiam sair da boca de brasileiros que vivem na Europa:

“A boa formação do refugiado acaba, às vezes, sendo um ponto negativo para a integração. Dificilmente ele consegue exercer no Brasil a profissão que desempenhava antes”.

“A discriminação é outro problema que os Juan enfrentam. Mercedes conta que já teve de ouvir da diretora de um colégio que a prioridade seria dada “aos daqui”. Também reclama das relações pessoais. Para ela, é difícil fazer amigos. “Todos estão sempre na defensiva, ninguém quer se comprometer”, diz.”

“Na Colômbia, trabalhava na Cruz Vermelha. No Brasil, com mulher e quatro filhas, enfrenta o desemprego e a desilusão das filhas provocada pela queda na qualidade do ensino.”

Não estou querendo dizer que o Brasil deveria ter uma solução para uma questão que continua sendo o grande desafio desse mundo globalizado… as migrações. Claro que não. Mas não me venham dizer que o povo brasileiro recebe calorosamente os imigrantes, porque isso não é verdade. Principalmente quanto o desemprego aperta. os primeiros a sofrer com isso são os “de fora”. Aqui e lá.

Outras fontes

cravo4.jpgAí, pesquisando sobre o assunto, encontrei coisas interessantíssimas, na internet, cujos links divido com vocês aí abaixo, sobre a imigração para o Brasil.

A historiadora Helena Ragusa afirma que já “Na década de 20…Na cidade de São Paulo, uma entidade com os mesmos princípios eugênicos que contextualizavam a política de alguns países do Ocidente, passou a influenciar as elites a pressionarem os poderes públicos contra a entrada de imigrantes de origem asiática, africana e judia no país.” (2)

“Quando cheguei no país, um brasileiro me disse que eu teria que trabalhar muito mais que os brasileiros trabalham, porque dariam preferência ao trabalhador brasileiro. Isso ficou na minha cabeça até hoje”, diz Mohammed Habib.

Hummmm… já li exatamente a mesma coisa, com nacionalidade inversa, vindo de brasileiros que vivem nos países nórdicos…

O escritor Raduan Nassar, autor de Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera, afirma que “Nos primórdios da imigração e por décadas a fio, em sintonia com a propaganda ocidental, que difamava aqueles povos para justificar suas constantes intervenções, o preconceito contra árabes no Brasil era indisfarçável, a ponto de ter levado alguns de seus descendentes a adotar nomes de família latinizados como expediente para desobstruir suas carreiras profissionais” (3)

Nassar escreveu esse artigo no pré-9/11 e acreditava num arrefecimento no preconceito contra os árabes… hoje eu diria que as coisas pioraram consideravelmente, mesmo no Brasil. Aliás, me choca a agressividade de alguns brasileiros que moram for ado Brasil, em relação aos povos árabes.

Conclusão

cravo6.jpgPor favor, não venham reclamar de que estou escrevendo “contra” o Brasil. Adoro o país, mas sei muito o quanto ele pode ser ingrato com os que não tem nada.

Estou apenas esclarecendo a forma como eu vejo a imigração, no Brasil, que não foi e continua não sendo um processo tão simples assim. Especialmente se você não for branquinho de olhos claros.

Estou sugerindo, com isso, que a gente deve se conformar com a discriminação nos países onde vivemos? claro que não! acho que devemos lutar por nossos direitos, nos organizar, mas sempre tendo em mente que não existe paraíso na terra e que o Brasil também não é esse paraíso de cordialidade que se diz por aí.

A questão é que, apesar de todas as leis e tratados, ainda não se descobriu uma forma de revogar uma lei natural: na hora de “dividir o pirão”, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, a tendência é começar pelos de casa.

Leia mais:

  • Estudante africano diz que foi vítima de racismo na UnB
  • Africanos no Brasil: dubiedade e estereótipos (1)
  • A representação do judeu no discurso eugênico brasileiro
    no início do século XX (1920-40)
    (2)

  • A saga dos libaneses (3)
  • Antigas e novas facetas de uma imigração recente
  • Imigrantes sempre despertaram temor, diz acadêmico
  • Imigrantes são submetidos à escravidão em SP – Folha
  • O fenômeno migratório no Brasil

    Sugestões da Malu:

  • Gould, S.J., 1991. A Falsa Medida do Homem. Rio de Janeiro: Martins Fontes.
  • Jeffrey Lesser. A negociação da identidade nacional: imigrantes, minorias e a luta pela etnicidade no Brasil. São Paulo: Editora da UNESP (já vou comprar esse, muito bom!)

    Por curiosidade:

  • Projeto Imigrantes
  • Memorial do Imigrante

    ____________________________

    Fotos: Mario Cravo Neto

  • Ministro da Saúde defende legalização do aborto

    Denise | Corpo & Saúde, Feminismo | Friday, 30 March 2007

    battleground.jpg

    O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu hoje no Rio a legalização do aborto. “Isso é, antes de mais nada, uma questão de saúde pública, porque milhares de mulheres morrem todos os anos submetendo-se a abortos inseguros”, afirmou. “Sei que é uma questão polêmica, que envolve aspectos morais, religiosos, psicológicos, mas diz respeito, fundamentalmente, à política de saúde.” Ele voltou a defender a realização de um plebiscito para que a população decida o assunto.

    “Esta idéia do plebiscito é pessoal, mas está sendo amadurecida dentro do governo”, informou. O ministro estão tão empenhado nesta discussão que se reuniu esta semana com a secretária especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. Hoje, no Rio tratou do assunto com o governador Sérgio Cabral (PMDB), também favorável à legalização do aborto, segundo sua assessoria.

    Temporão também está defendendo outra reivindicação feminina: a ampliação da licença maternidade de quatro para seis meses. “Pedi ao governador Sérgio Cabral que conceda este benefício às funcionárias públicas do Estado”, relatou. Segundo o ministro, Cabral viu “com simpatia” a idéia e prometeu estudá-la.

    Fonte: Agencia Estado

    _______________________________________

    Uau!

    Só não acho que precisaria ter plebiscito. Se é uma questão de saúde pública, como disse o próprio ministro, a decisão deveria ser bancada pelo Governo, como tantas outras… mas, enfim, pelo menos o assunto entrou na agenda do Governo, o que é um enorme passo.

    A batalha, cujo campo é o corpo da mulher, tá só começando.

    _______________________________________

    Legisladores da cidade do México descriminalizam o aborto

    Numa atitude histórica e corajosa – sem nenhum plebiscito – a absoluta maioria dos 66 legisladores da Cidade do Mexico deve aprovar a legalização do aborto em nível municipal, em quaisquer circunstâncias, no primeiro trimestre de gestação. O prefeito da cidade já informou que assinará a lei, assim que ela passar pelo poder legislativo.

    “Mulheres estão morrendo, principalmente mulheres pobres, por causa de abortos inseguros,” disse María Consuelo Mejía, diretora do Grupo Católicas pelo Direito de Decidir. “Nós gostaríamos que essas mulheres nunca tivessem que se confrontar com a necessidade de fazer um aborto, mas nessa sociedade, isso é impossível, no momento. Não existe acesso à informação, a contraceptivos. Nem as mulheres têm poder para negociar o uso de contraceptivos com seus parceiros.”

    Esse será um momento histórico na America Latina, onde apenas em Cuba, Porto Rico e Guiana as mulheres podem interromper a gravidez no primeiro trimestre, sem restrições. No Chile, Nicaragua e El Salvador o aborto foi banido totalmente, sem exceções.

    Fonte: New York Times

    300 – Santoro estréia em Soft Porn Gay Racista

    Denise | Cinema | Thursday, 29 March 2007

    300.jpg

    Imagino que Rodrigo Santoro nem imaginava a confusão em que ia se meter ao fazer o seu novo filme 300, baseado na Graphic Novel de Frank Miller.

    Terrorismo cultural, xenofóbico, racista, misógino, direitista, Crypto-Nazi war porn são alguns dos conceitos aplicados ao filme. Os iranianos (antigos persas, vistos como os “do mal”) pedem um boicote ao filme…

    Um filme sobre guerra, mostrando os persas (lembrem, antigos iranianos), como sanguinários, parece mesmo uma “provocação metafórica” desnecessária nos tempos em que vivemos…

    300_2.jpgDe qualquer forma, não é mesmo meu tipo de filme e eu não vou ver, mas o que achei mais interesssante foi a constatação, em vários artigos, de que é um filme extremamente homoerótico, um soft-porn-gay, com centenas de homens semi nus, musculosos, sem pelo e com óleo pelo corpo. Tanto que estão dizendo que é o primeiro filme pornô gay a fazer 70 milhões no primeiro final de semana, aqui nos EUA.

    Por outro lado, também dizem que o filme é homofóbico. Já está sendo considerado o maior filme homofóbico gay da história. Entre outras coisas por frases como: “Os atenienses não se renderam a eles e se um monte de poetas e amantes de garotos como eles não o fizeram, nós também não vamos nos render”. Usch…

    O videozinho feito pela Alternet mostra um pouco do que falamos aqui… (rs).

    Alguém por aí viu?

    Atualização:

    Eu não vi, nem vou ver o filme, confesso que não tenho muita paciência pro estilo, não vejo muito filmes baseados em quadrinhos, nem fantasia.

    Agora, que fique claro que eu não estou defendendo a posição de ninguém, a não ser relatando a polêmica que ele tem causado aqui. Até agora, não vi uma única crítica que não dissesse que o filme é racista. Vai ver é coisa de crítico americano… sei lá.

    A única coisa que eu acho é que é provocação fazer um filme desses, que pode causar algum melindre, num momento em que as relações com o Irã sao tão delicadas e eles se consideram, sim, os antigos persas. Não interessa muito se a gente nem lembra disso, porque eles lembram.

    Estava pensando que, talvez, vocês que vivem fora dos EUA, não tenham a mesma sensação de que estamos sentados num barril de pólvora. As relações com o Irã são extremamente perigosas e delicadas, democratas e até alguns republicanos estão segurando Bush pra não começar uma guerra no Irã, mas muita gente aposta que não vai ter jeito e ele vai fazer a loucura de invadir o país.

    Nesse contexto, não interessa aos iranianos se a guerra aconteceu há 2.500 anos ou se algumas pessoas acham que “não cabe dentro da interpretação do filme dizer que se trata dos persas malvados e dos gregos como representantes dos americanos”. Nossa opinião não interessa, o que interessa é que eles, que se consideram representantes vivos dos persas mostrados no filme (pelo que li) como monstros sanguinários, acham que o filme americano é uma p… provocação. Ponto.

    Mas também não tô dizendo que o 300 não era pra ser feito, de jeito nenhum. Só não dá pra achar que a polêmica em torno do filme é “ridicula”. É bom saber o que se fala sobre o filme e tentar entender melhor o que está acontecendo no mundo. Aliás, eu conheço muitos adoradores de Frank Miller que não devem estar nada contentes com isso, mas é a famosa “liberdade de expressão”….

    Quanto ao filme ser gay, é hiper gay. Mas, isso não é problema nenhum, na verdade é a única coisa que me faria vê-lo :-)

    300_3.jpg

    Vou deixar aqui a tradução (tosca, eu sei!) de alguns trechos de um dos ótimos artigos sobre esse filme:

    300: Uma batalha perdida em mais formas que 1

    A teoria da grandiosidade espartana argumenta que os espartanos pagaram com sangue para possibilitar que outros exércitos de cidades-estado gregas pudessem escapar e lutar um outro dia e, eventualmente, triunfar. Assim, o frágil florescer do que chamamos de civilização ocidental pôde sobreviver no espinhoso solo ático.

    E assim, nós falamos Inglês e não Farsi, e levamos nossos governos de volta à vizinhança de Esparta. O argumento também dramatiza uma realidade contínua nas sociedades democráticas segundo a qual, ainda que seja bom ter atenienses por perto para inventar o governo, teatro e as sandálias, de vez em quando é necessário arrancar uns espartanos para chegar perto e detonar os bad guys.

    (…) 300 infelizmente e para sua vergonha não tem argumento nenhum. É, inteiramente, um documento visual pomposo com QI menor que 20.”

    (…) No conceito de Snyder (o diretor), os persas representam a decadência efeminada. Xerxes (Rodrigo Santoro) parece Geoffrey Holder numa foto de Helmut Newton. Existe uma qualidade andrógina em todos eles, como se sua missao secreta fosse embaçar os sexos e tranformar os garanhões espartanos em mulheres; é (uma estratégia) inquietante e sem dúvida eficiente, embora isso, provavelmente, traga um sorriso aos lábios de Ann Coulter” (a pior e mais nojenta direitista americana).

    Quanto aos espartanos, eles poderiam ser jogadores da Liga de Futebol Americana. Mas… oh, interminável, fascinante turbilhão da vida! – eles também são meio gays. O filme tem uma inconfundível tendência homoerótica, madura como o cheiro do suor nos vestiários masculinos.” (…)

    Artigo de Stephen Hunter – Washington Post

    Leia mais:

  • Blogueiros iranianos protestam contra o filme 300
  • 300′: A Losing Battle in More Ways Than 1
  • Iranian exiles see film ‘300’ as an attempt to vilify Persians
  • Go tell the Spartans – How “300″ misrepresents Persians in history

    Minha conclusão final: Concordo que se os iranianos não tivessem reclamado, ninguém ia nem saber quem são os persas, no filme. Mas cada um sabe onde seu calo aperta e, na minha opinião, tudo o que nós não precisamos, no mundo de hoje, é de mais tensão com os povos muçulmanos. E menos ainda de obras que perpetuem sua imagem de terroristas ou sanguinários.

  • Estou chocada com essa notícia…

    Denise | Celebridades | Thursday, 29 March 2007

    sobel.jpg

    O presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP), rabino Henry Sobel foi preso em Palm Beach, após roubar cinco gravatas na loja da Louis Vuitton. Estou passada e triste por ele, que pode sofrer de algum problema psicológico pra fazer isso… e logo numa loja da Louis Vuitton, que eu acho detestável!

    free_winona.jpg

    Me lembrou o caso da Winona Ryder, que tirou umas coisinhas de uma dessas lojas carésimas e foi presa. Mas teve até uma campanha pública pra deixarem a atriz em paz…e ela ainda posou com a camiseta: “Free Winona” (foto acima).

    1. Não acho que apenas “ricos” são cleptomaníacos, mas sempre tive uma ótima impressão do rabino e considerava que ele não tinha razões fincanceiras para roubar, por isso minha avaliação que era um problema médico.

    2. Sendo um caso clínico, acho que não é pra ir pra cadeia, não, mas a pessoa precisa ter um bom tratamento, seja quem for.

    3. Agora, estou PASMADA com as informações de vocês, nunca imaginei que o rabino fosse do tipo de tentar enrolar pra ficar na primeira classe em vôo, essas posturas já vão mudando tudo que eu disse aí acima.

    __________________________________________________

    Atualização:

    Renato, do Tordesilhas, deixou esse comentário e eu achei tão importante que estou colocando aqui no post, para que todo mundo possa ler. Faço questão de reconhecer meus erros e, nesse post, apesar de ter iniciado com compreensão e a admiração que sempre tive pelo rabino, fui tomada muito rápido pelo espírito de “vai ver ele não era bem isso que a gente pensava”.

    Não lembrava da participação fundamental de Henry Sobel na época da ditadura militar, da sua intervenção enterro de Wladimir Herzog, infelizmente, às vezes, minha memória também é bem curta. Me penitencio pela superficialidade com que escrevi sobre algo tão grave e obrigada, Renato, por trazer a gente de volta ao que realmente interessa.

    missa_herzog.jpg
    Cerimonia ecumenica, em homenagem a Herzog, na Catedral da Sé

    O que me deixa puto mesmo é como certos setores da mídia estao aproveitando este fato para tentar destruir (ou “descontruir”) a reputaçao de Henry Sobel. Acho do fundo do coracao que qualquer que tenha sido a motivacao para ele furtar as tais gravatas (e eu particularmente acredito na tese de algum problema psicológico/neurológico), isso é insignificante perto do que ele fez na sua vida em defesa do diálogo entre religioes edos direitos humanos, sobretudo nos anos mais negros da ditadura militar.

    Quando o jornalista Vladimir Herzog morreu na prisao, “por suicidio” segundo os milicos que o custodiavam, por ser judeu em tese ele teria, segundo a lei judia, de ser enterrado fora dos muros do cemitério. Em uma atitude extremamente corajosa e sem precedentes, Henry Sobel decidiu enterrá-lo em uma área nobre do cemitério desafiando abertamente nao apenas parte da comunidade judia como principalmente a ditadura militar, que defendia a tese do “suicídio”.

    Uma semana depois, Henry Sobel, o pastor James Wright e o Cardeal Paulo Arns celebraram juntos a cerimonia ecumenica de 7 Dias da morte de Herzog na Catedral da Sé, em outro ato de desafio aberto aos militares.

    Foram eventos que ajudaram a botar a pá de cal na Ditadura. Ou seja, honestamente é possível comparar a trajetória de toda uma vida com eventos bisonhos como este das gravatas?

    E o pior é que já tivemos de ouvir amigos nossos dizendo barbaridades do tipo: “eu sempre desconfiei desse judeuzinho arrogante que se recusava a aprender a falar portugues corretamente…”. Fuck off… Fuck off…

    Perdao, Denise, pelo palavrao no seu blog. Mas é que realmente fico indignado quando a mídia arma o seu circo romano e muita gente boa, como estes amigos, vai atrás.

    Enfim, espero que sejá lá o que esteja passando com Henry Sobel seja superado e que a sua biografia registre este fato como uma dessas bisonhices inexplicáveis que todos os seres humanos cometemos de vez em quando.

    Um abraco,

    Renato

    Perguntinha sobre cinema (para homens e mulheres)

    Denise | Cinema | Wednesday, 28 March 2007

    fem_miso_filmes.jpg

    Quais os filmes que vocês assistiram mais feministas (ou que apresentam uma imagem positiva e forte das mulheres) e quais os mais misóginos (ou que têm uma imagem negativa da mulher)?

    Pessoal, amanhã vou passar boa parte do dia fora e saio cedo, então não vou ter nem tempo pra comentar os deliciosos filmes que vocês estão sugerindo aqui, a não ser que não chegue cansada demais e ainda tenha pique pra escrever, vamos ver.

    Então, vou deixar algumas das minhas sugestões (depois coloco mais):

    Fimes com mulheres legais, fortes, espertas, que inspiram (desculpem, alguns deles não sei o nome dado no Brasil):

    • Volver, Tudo Sobre Minha Mãe, Mulheres à beira de um Ataque de Nervos e quase todos os filmes de Almodovar

    • Jackie Brown, Tarantino
    • Kill Bill, Tarantino
    • Little Miss Sunshine
    • Colcha de Retalhos
    • Inch’Allah Dimanche
    • A Excêntrica Família de Antônia
    • O Casamento de Muriel
    • Thelma and Loise
    • O Piano
    • The Magdalene Sisters
    • Secret and Lies
    • Bend It Like Beckham
    • Comme une Image
    • Pão e Rosas
    • Run, Lola, Run
    • Frida
    • Fargo
    • Whale Rider
    • Clube da Felicidade e da Sorte
    • Real Women Have Curves
    • Minha Mãe é uma Sereia
    • Tomates Verdes fritos
    • Bagdad Cafe
    • Hard Candy
    • Fucking Amal
    • Romy and Michelle’s High School Reunion
    • Puccini for Beginners
    • Carlota Joaquina
    • Central do Brasil
    • Y tu mamá también
    • Alien
    • Cría Cuervos
    • Fire, de Deepa Mehta
    • Mamma Roma
    • Quatro Amigas e um Jeans Viajante
    • Chocolate
    • Chá com Mussolini

    Desculpem, mas agora estou caindo de sono, não vai dar pra listar os filmes que têm uma péssima imagem da mulher, na minha opinião, mas vou citar, por cima, três que eu detesto:

    • Hustle & Flow
    • Pretty Woman
    • Pocahontas
    • Black Snake Moan (acabou de sair aqui, é horrrível!)

    Amanhã escrevo mais. Vão deixando as sugestões de vocês aí…

    unchain.jpg

    Outdoor em Los Angeles, das Guerrilla Girls:

    “Libertem as Mulheres Diretoras!
    As mulheres dirigiram apenas 7% dos top 200 filmes de 2005
    Nenhuma mulher diretora ganhou um Oscar, até hoje.
    Apenas três foram indicadas”.

    Atualização

    Eu adoro que esse blog tenha tantas cabeças pensantes, que sempre façam análises maravilhosas de tudo, mas o mais engraçado é que toda vez que estou super ocupada e tento jogar um post assim bem rapidinho, despretensioso, que não exija muita reflexão da minha parte (tipo aquele da Angelina), o efeito acaba sendo o contrário.

    Meninas, se a gente for conceitualizar o que é feminismo, o que é cinema feminista, a diferença entre cinema de cineasta homem ou mulher e por aí vai, cinema de mulher e cinema de mulher feminista… não vou fazer mais nada, a não ser responder a cada uma dessas questões que são, em são livros ou cursos inteiros na universidade.

    Estou adorando ler toda a polêmica que se criou em torno da questão, mas, realmente, não tenho tempo pra aprofundar nada. No dia 10 de abril vou viajar pra outro país, a trabalho, ficar quase duas semanas por lá, e estou preparando todo material do curso que, ainda por cima, dessa vez tem de ser em espanhol. Meu tempo é mínimo.

    Não estava pensando nada demais quando propus uma listinha de filmes e tive cuidado de colocar em parêntesis “ou que apresentam uma imagem positiva e forte das mulheres”, justamente pra evitar o questionamento do que é “filme feminista”. Apenas achei que podíamos dar boas sugestões de filmes pra outras mulheres.Adoro que vocês teorizem sobre o assunto, mas, dessa vez não posso ajudar muito.

    Cris S. quando você diz que “filmes feministas não são aqueles que mostram mulheres fortes. Essa era um tendência da ’second wave.’”, eu discordo completamente, na minha opinião, filme feminista pode ser um de 1920, pré-primeira-onda – quanto mais os tradicionais filmes dos anos 70, expressão da chamada segunda-onda – até porque o feminismo considera que as ondas devem ser acumuladas, não eliminadas, isso daria assunto que não acaba mais, um dia vira post aqui.

    Além do mais, leio muito sobre a terceira onda e me considero bem mais antenada com ela, que surgiu quando eu estava começando a entrar no movimento em meados dos anos 80 e garanto que o que essa mulherada continua querendo ver são filmes “que apresentem uma imagem positiva e forte das mulheres”. Já a complexidade dos personagens sempre foi benvinda, seja nos anos 70,. 80, 90 ou 2000. Nem todo mundo precisa ver Real Women Have Curves, mas acho que é muitissimo benvindo pras meninas de 16 anos.

    Enfim, vão falando aí, que eu vou lendo, mas aprofundar a discussão nesse nível, não é possível pra mim, nesse momento.

    Maharani, você tem toda razão, vi Whale Ryder anos atrás, quando saí, não lembrava bem da história, foi uma péssima sugestão, lembro que detestei a história da menina, também!

    ps.: Caso não tenha ficado claro, estou adorando ytoda essa conversa sobre os filmes, apenas escrevi isso porque eu não posso participar, mas volto aqui de vez em quando pra dar uma lida. Continuem à vontade…

    Dirigir embriagad@ mata…

    Denise | Campanhas Publicitárias | Wednesday, 28 March 2007

    copo.jpg

    Esses “descansos de copo” foram feitos em Mumbai, na India, com uma tinta vermelha invisível que aparece quando em contato com líquidos. Eles foram distribuidos nos bares e, depois de alguma cerveja (ou outra bebida), o “suor” do copo vai deixando uma tinta vermelha no rosto da moça (e de um rapaz), que parece sangue.

    Nele, está escrito: “Só um lembrete: dirigir embriagad@ mata”. Muito bom.

    Veja aqui a foto ampliada.

    Via I Believe in Ads

    A violência contra a mulher pelo mundo

    Denise | Violência | Wednesday, 28 March 2007

    Jovem tem rosto desfigurado por não ceder a assédio

    kamilat.jpgA etíope Kamilat Mehdi, de 21 anos, vinha sendo perseguida por esse homem há pelo menos 4 anos, não contou à família nem denunciou à polícia. Uma noite, ela voltava do trabalho com as irmãs quando ele encurralou as três numa rua escura e jogou ácido no rosto de Kamilat.

    60% das mulheres na Etiópia são vítimas, em algum momento da vida, de violência. Em algumas áreas rurais ainda é comum o sequestro de meninas de 10, 11 anos, e essa prática é responsável por 92% dos casamentos, nas regiões.

    Via BBC

    Para juíza, na Alemanha, violência doméstica entre muçulmanos é “cultural”

    marroquina.jpg

    Uma juiza, na Alemanha, se recusou a agilizar o divórcio, pedido por uma marroquina que sofria abusos físicos do marido, alegando que as mulheres muçulmanas deveriam estar acostumadas a isso.

    Segundo o New York Times:

    Em Janeiro, a juíza negou a solicitação de uma mulher para que seu divórcio fosse acelerado, alegando que o comportamento do marido não era insensato, já que os dois são marroquinos. “Nesse background cultural,”, ela escreveu, “não é raro que o marido use de punição física contra a esposa”.

    A juíza foi afastada do caso e a gente percebe que certos ocidentais só defendem o “respeito às diferenças culturais” quando lhes convém.

    Via Feministing. Veja também essa matéria, em português, sobre o assunto. Dica da Carol M.

    Já são 77 Mulheres assassinadas, esse ano, em Pernambuco

    violencia_recife_1.jpgCom mais duas mulheres mortas neste fim de semana – uma grávida de cinco meses e outra morta a pauladas – chega a 77 o número de mulheres assassinadas este ano no Estado de Pernambuco.

    O Fórum de Mulheres de Pernambuco voltou às ruas na tarde deontem para realizar uma vigília contra a violência sexista e contra a impunidade, que acontece todo final de mês.

    Para o assessor do governo na área de segurança pública, o pesquisador e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) José Luiz Rattón, uma combinação de fatores explica a maioria dos homicídios no Estado: a cultura da honra, da masculinidade, aliada à alta disponibilidade de armas de fogo e surgimento de grupos criminosos associados ao tráfico de drogas.

    Via Agência Estado

    Eu fui uma das fundadoras do Fórum de Mulheres de Pernambuco e é muito bom saber que já conta com a participação de mais de 60 entidades. Eu me pergunto, também, se o altíssimo número de mortes de mulheres em Pernambuco não tem a ver, também, com o fato de que, tendo o Fórum, temos também um melhor registro e divulgação desses abusos físico e mortes de mulheres.

    Na sexta feira, dia 30, às 13:15h, haverá um chat no site 360 graus com a psicanalista Mabel Cavalcanti, sobre as consequências físicas e psicológicas da violência contra a mulher.

    OMS pede circuncisão gratuita para ajudar na luta contra AIDS

    Denise | Corpo & Saúde | Wednesday, 28 March 2007

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    Com todo respeito aos outros, eu confesso que sempre achei os circuncisados mais simpáticos :-) não sou especialista no assunto, nem quero brigar com os que condenam a prática, mas essa notícia, considerando essa intervenção cirúrgica uma das medidas contra a AIDS deveria ser um bom momento pros rapazes pensarem no assunto.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, estudos indicam que removendo o prepúcio (aquela pelezinha que cobre a glande do pênis), o risco de contrair o HIV diminui em cerca de 60% – uma percentagem maior que qualquer vacina criada até hoje. Especialmente em regiões como a Africa, onde a epidemia está sem controle, essa pode ser uma medida fundamental, podendo prevenir, apenas nesse continente, 5.7 milhões de novas infecções, nos próximos 20 anos.

    O anúncio, feito hoje pela OMS, diz que deve-se estimular a circuncisão gratuita ou subsidiada e elas devem fazer parte de programas de prevenção que também incluam aconselhamento, teste de HIV e distribuição de camisinhas. O alvo principal não são as crianças, mas homens adultos que tenham uma vida sexual ativa.

    A circuncisão fazia parte das tradições africanas, mas com a modernização, pasou a ser vista como uma intervenção ultrapassada e foi abandonada pelos grupos.

    Aqui nos EUA e acho que no Brasil também, existem grupos que divulgam essa cirurgia como cruel e traumática pras criança. Vi, recentemente, um filme que mostrava uma cena de uma circuncisão feita numa celebração na rua, em uma criança de uns seis anos (não consigo lembrar qual foi o filme) e a cena é, mesmo, chocante.

    Se eu tivesse um filho, talvez não fizesse a circuncisão nele pequeno, mas acho que iria convencê-lo a fazer depois dos 12, 13 anos, com anestesia, é tudo diferente, e é uma segurança a mais.

    Importante: A circuncisão não substitui, de forma nenhuma, a absoluta necessidade do uso da camisinha!

    Mas, pode ser uma segurança a mais, quando ela não é usada. Sabemos da dificuldade das mulheres exigirem o uso da camisinha no casamento, mesmo que desconfiem da infidelidade do parceiro e essa é uma das principais causas da transmissão do HIV para mulheres. Além do mais, em namoros longos, a gente sabe que quase todo mundo para de usar a camisinha, por isso, acho que é um fator de proteção a mais, que deve ser considerado.

    Leia mais:

  • WHO and UNAIDS announce recommendations from expert consultation on male circumcision for HIV prevention – documento oficial da OMS (Ingles)
  • Male circumcision in HIV prevention – pagina da OMS da OMS (Ingles)
  • Circuncisão a tradição do corte
  • Perguntas mais freqüentes
  • Cuidado e Problemas

    Fonte: Washington Post

    Imagem: Tumba de Ankhmahor, em Saqqara (cerca de. 2400 A.C.).

  • Reflexões Sobre o Feminismo

    Denise | Feminismo | Wednesday, 28 March 2007

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    No começo do mês, celebrando o Dia Internacional da Mulher, o excelente blog Mulheres de Olho publicou uma série de entrevistas coletadas em grandes jornais, sobre o movimento feminista.

    Reflexões sobre o feminismo

    A jornalista Laura Greenhalgh – editora do Estado de S. Paulo – publicou essa entrevista com a historiadora e professora emérita da Universidade Paris 7, Michelle Perrot, que reflete sobre o nascimento e crescimento do feminismo contemporâneo, e os desafios que se apresentam nos diferentes continentes.

    Reflexões sobre o feminismo II

    No Caderno Mais!, da Folha de S.Paulo, saiu com a tradução de uma entrevista provocativa com a historiadora Yvonne Knibiehler, publicada no jornal Le Monde. O Mulheres de Olho afirma que “Comparando esta entrevista com a que foi publicada ontem neste blog (acima), verifica-se claramente que as percepções sobre o feminismo não são homogêneas. Há uma controvérsia em pauta que não é nova, mas cujo debate pode, e deve, ser renovado.”

    Reflexões sobre o feminismo III

    Artigo da jornalista Laura Capriglione, da Folha de S. Paulo, publicado hoje no caderno especial para o Dia da Mulher.

    Recomendo a leitura dos três artigos para quem quiser entender melhor o movimento de mulheres atual.

    Foto: Cena do vídeo Hand in Glove, dos Smiths.

    BALADABOA: Projeto de Redução de Danos Para o Uso de Ecstasy

    Denise | Corpo & Saúde | Tuesday, 27 March 2007

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    “O projeto Baladaboa não encoraja nem promove o uso de ECSTASY.
    Nosso objetivo é incentivar comportamentos menos arriscados já que o consumo de ECSTASY pode trazer problemas. Algumas pessoas escolhem correr esse risco, e não pretendemos julgar ou criticar essas pessoas. A liberdade de escolha de cada um deve ser respeitada, mas ela só é realmente livre quando consciente.

    Um princípio básico do projeto Baladaboa é a transmissão de informações comprovadas baseadas na ciência e não em ideologias morais ou políticas. Somente de posse de informações fidedignas usuários de ecstasy poderão assumir com responsabilidade as conseqüências de suas escolhas pessoais.”

    Se você usa ecstasy, conhece alguém que usa ou tem filhos na idade de usar, ao invés de enfiar a cabeça na terra como avestruz, leia os excelentes flyers do Projeto Baladaboa, coordenado pelo Laboratório de Psicofarmacologia e Instituto de Psicologia da USP.

    Os folhetos, produzidos com a participação de usuários de ecstasy, informa a composição química dos comprimidos e dá outras informações importantes como os efeitos fisiológicos do ecstasy:

  • Aumento da temperatura corporal: atingindo altos graus, há risco de coma e morte.
  • Elevação do hormônio antidiurético, somada à ingestão exagerada de líquidos, pode causa grave distúrbio no equilíbrio orgânico de água e sódio.

    Fatores agravantes:

  • Falta de hidratação (mas, ATENÇÃO, meio litro de água a cada hora é uma quantidade suficiente.)
  • Calor ambiente
  • Falta de ventilação
  • Uso de roupas quentes
  • Exercício físico intenso e sem pausa.

    Para mais informações sobre o uso do ecstasy, visitem o Baladaboa e divulguem!

  • Como foi o fim de semana de vocês?

    Denise | Blogosfera | Monday, 26 March 2007

    Estive pensando nisso, eu falo, falo, falo… queria ouvir mais, conta aí, pra gente, o que vocês fizeram no fim de semana? e não precisa responder apenas os que tiveram super programas, não, estou curiosa pra saber de todo mundo…

    E, respondendo à Van, decidi contar o meu fim de semana, também:

    findemarco.jpg
    Melhor foto do meu fim de semana. Uma menininha deslumbrada
    com a instalação “Electronic Superhighway: Continental US, Alaska and Hawaii”, 1995, Nam June Paik.

    Sexta-feira à noite

    Íamos pro cinema, mas acabei saindo pra malhar tarde (estou viciada) e quando terminei já eram umas 7 da noite. Ted passou por lá, e me pegou (a pé, claro… hehehe) pra irmos juntos pra casa. Passamos a noite assistindo Lost. Ele, na TV vendo a segunda temporada e eu, no laptop vendo a terceira), mas juntinhos.

    Sábado

    findemarco3.jpgAcordamos tarde, fizemos um lanchinho rápido e saímos. Caminhando pro metrô, eu estava tão feliz, o dia estava tão perfeito, com um solzinho leve, um friozinho, que eu adoro. Parei, na entrada do metrô e disse a Ted: “a gente devia parar, agradecer, ter consciência de que esses são alguns dos dias mais felizes das nossas vidas”.

    Acho que a gente não pensa muito nessas coisas, mas daqui a alguns anos, os filhos não estarão mais por perto, a gente pode ter mudado desse lugar que nós adoramos, coisas não tão agradáveis contecem pra todo mundo. Parece piegas, mas acho fundamental ter essa consciência do quanto somos felizes e agradecer por isso, de vez em quando. Como diz Vinícius:

    A felicidade é uma coisa boa e tão delicada também, tem flores e amores de todas as cores, tem ninhos de passarinhos, tudo de bom ela tem e é por ela ser assim tão delicada, que eu trato dela sempre muito bem

    Continuando nesse clima, fomos pra Chinatown, passeamos um pouco, tinha muitas crianças na rua porque tem um circo no Verizon Center. Parei na Urban Outfitter e desejei ter muito dinheiro. Tinha uns vestidinhos de verão… ainda assim comprei aqueles oclões por apenas 14 dólares pra Bia, mas eu também uso :-)

    Depois fomos pro Museu de Arte Americana (tá tudo, com fotos nesse post lá embaixo). Delícia. A foto aí acima foi feita num mapa antigo que mostrava Pernambuco… minutos antes de levar uma bronca da funcionária por que eu estava tocando numa peça do museu…

    Passamos quase 4 horas lá e coomo estou de regime, ando com uns queijinhos embrulhados individualmente e castanhas. Fizemos um lanchinho na cafeteria do museu, Ted comeu tabule com pita e eu tirei meu “farnel” da bolsa na maior cara de pau.

    Na volta paramos na Corner’s Bakery, que é uma lanchonete bem simples. Ted comeu um sanduiche e eu com um chili. Depois chegamos em casa e tome mais Lost… Enquanto assistia, de novo, à segunda temporada, com Ted, arrumava as fotos e preparava o post sobre o Museu.

    Comentamos que, se não fossem as comprinhas (que foram “achados”), o passeio teria sido baratésimo. O museu tem entrada gratuita e gastamos pouquíssimo em lanchinhos, somos um casal econômico na diversão, nunca precisamos de nada muito sofisticado e caro pra ficar muito bem.

    Domingo.

    Acordei, li meus emails e soube da morte do Gerô. Fiquei emocionada, triste e escrevi o post abaixo. Voltei pra cama e li um pouco do livro sobre Zapatistas que Bia comprou pra um trabalho da faculdade (Estou adorando ler os livros dela, tadinha, gasta uma fortuna com eles!), enquanto esperava Ted acordar. Visitando o site da RITS achei as dicas que coloquei aqui no blog.

    Ted acordou e começou a ver Lost (estamos fazendo uma maratona pra tentar “emparelhar” com o novo episódio da terceira temporada, que passa na quarta). Enquanto isso, eu fiquei do ladinho dele, navegando na intrnet e fazendo um relatório com os detalhes que um cliente precisa verificar no seu site pra que a gente possa finalizar o trabalho.

    findemarco1.jpgÀs duas da tarde Ted e Felix foram pro Satsang (cerimônia de meditação do Science of Spirituality, caminho hindu que ambos seguem) e eu fui pra academia malhar. Foi ótimo. Consegui fazer mais de uma hora de exercícios, coisa não muito comum desde a fibromialgia, mas estou entrando em ótima forma, me sentindo forte e disposta, novamente.

    Voltei pra casa e lavei três máquinas de roupa. Aprendi a lavar roupa com Ted e adoro, me distrai. Quando Ted chegou fomos pra sala, ele passou ferro em todas suas camisas, enquanto vimos os três últimos episódios de L Word, que ele tinha perdido quando estava no Brasil e o mais recente. Eu ia fazendo umas coisinhas no computador e assistindo ao mesmo tempo (esse último episódio de L Word foi ótimo!). No final do dia tava com saudades da minha mãe, que não vi no MSN nenhuma vez…

    Esse foi meu fim de semana. Pelo menos a parte permitida para publicação em blog dele ;-)

    Agora, contem os de vocês, que estou adorando saber de todos (não se preocupem em resumir demais, adoro os detalhes!)…

    E, gente, como se come no fim de semana, hein?! eu, fico só “sofrendo” ao ler as coisinhas que vocês andaram consumindo nos últimos dias… hehehehe… mas conta aí…

    Gerô, Ali, minorias e privilégios inconscientes no Brasil

    Denise | Racismo | Sunday, 25 March 2007

    identification_manual.jpg

    “O teste mais garantido, pelo qual podemos julgar se um país é realmente livre, é o nível de segurança de que desfrutam as suas minorias”. Lord Acton

    Vi esse tríptico no American Art Museum, ontem. A frase, acima, faz parte dele, assim como imagens de marchas pelos Direitos Civis, e outras referências à tensão entre brancos e afro-americanos no país.

    Me fez lembrar a impunidade concedida aos que cometem crimes contra gays no Brasil, como o caso do professor Ali. Ou a violência contra as mulheres, que nem minoria são, mas são empurradas para a margem…. qual a segurança que as minorias têm no Brasil?

    Também não podemos dizer que, no Brasil, os negros são minoria (como são nos EUA), mas na terrinha que adora dizer que é uma mistura de raças, com igualdade racial e sem discriminação, eles são tratados com os mesmos “privilégios” do Ali, ou bem pior porque o que carimba seu futuro é bem mais visível, é a cor da pele.

    Li chocada a notícia de que, na última quinta feira, o ator, compositor e repentista maranhense, de 46 anos, Gerô (Jeremias Pereira da Silva) foi preso, espancado e torturado por ser preto e, consequentemente, confundido com um assaltante. Um laudo preliminar apontou que ele teve várias costelas quebradas, perfurações nos rins e hemorragia. Um delegado assisitiu a tudo.

    Por “medidas” como essa podemos dizer que o Brasil um país livre? ou melhor, quem é livre no Brasil pra ir e vir, sem correr o risco de ser espancado até a morte?

    A classe média “branca” vive aterrorizada com a violência, e eu compreendo perfeitamente, essa foi uma das minhas razões para decidir sair do país, com uma filha adolescente chegando em casa às 6 da manhã, três vezes por semana, meu coração não ia aguentar.

    Mas acontece que milhões de pessoas já vivem, há muito tempo, nesse terror cada vez que saem de casa porque além dos bandidos, elas precisam temer – e muito – também a polícia. Coisa que nós “privilegiados na cor”, pensamos bem menos.

    Regina, do blog Always por um triz, fez esses dois posts excelentes sobre o assunto, recentemente. Num deles ela traduziu 10 de uma lista de 50 “privilégios” que são tidos como naturais por pessoas brancas e que foram elencados no artigo “White Privilege: Unpacking the Invisible Knapsack” (Privilégio Branco: Desfazendo a Mochila Invisível) de Peggy McIntosh professora universitária americana, crítica feminista e branca (ou, como se diz por aqui, “caucasiana”).

    É material pra gente pensar, alimento para a mente (as observações, em itálico, são minhas):

    privileges.jpg

    1) Se eu tiver que me mudar posso estar segura que vou conseguir alugar ou comprar uma casa numa área que eu tenha condições de pagar e onde eu queira morar.

    (Isso é porque ela vive nos EUA, onde vários afro-descendentes têm alto poder aquisitivo. No Brasil, a desconfiança com um novo inquilino negro, num bairro um pouco mais privilegiado, é muito maior.)

    2) Poderei estar segura que os meus vizinhos agirão de maneira neutra ou amigável em relação a minha pessoa.

    3) Posso fazer compras sozinha em qualquer lugar e estar segura que ninguém estará me seguindo ou perturbando.

    4) Posso ligar a televisão ou abrir o jornal e ver pessoas da minha raça bem representadas.

    (Dia desses, vi um filme apenas com atores e atrizes negros, coisa comum por aqui. Confesso que me incomodou um pouco, porque parecia artificial… aí percebi o que é, para toda a população negra, ver apenas pessoas brancas em centenas de programas de TV e filmes, coisa que parece natural pra gente. A falta de representação de negros e gays é um problema muito mais grave do que a gente pode imaginar.)

    5) Quando falam sobre a nosso patrimônio nacional e sobre “civilização” mostram o quê as pessoas da minha raça alcançaram.

    6) Estou segura que os meus filhos estudarão um currículo que reflete a existência da raça deles.

    (não sei como andam os currículos escolares no país, mas acho que, se não for pra falar, muito por cima e com muitos equívocos, da escravatura, a história brasileira parece ter sido feita apenas por homens e brancos)

    7) Se eu usar cheques, cartão de crédito ou dinheiro tenho certeza que a cor da minha pele não sera associada à irresponsabilidade financeira.

    (Lembro de uma amiga que comentou aqui, uma vez, que quando trabalhava na C&A a orientação era para não liberar crédito para angolanos e outros africanos)

    8) Eu não tenho que educar os meus filhos para estarem alertas ao perigos do racismo para que eles possam se proteger.

    (Gerô é apenas um exemplo, entre muitos que são vítimas mortais do racismo, imagine o que é viver pensando que um deles pode ser seu filho?)

    9) Eu não tenho que me preocupar com a atitute de professores e outras pessoas em relação à raça dos meus filhos.

    10) Estou segura que se eu pedir para falar com uma autoridade estarei falando com uma pessoa da minha raça.

    A Dança dos Privilégios

    Interessante é que o movimento migratório é responsável por um fenômeno que é uma “dança de privilégios”. Quem viveu a vida toda como branco e privilegiado, no Brasil, pode passar, rapidinho, para o lado dos marginalizados, ao mudar para um país nórdico. Nunca vou esquecer a amiga paulista que me disse, na Suécia: “o problema é que aqui, eu sou a paraíba!”

    Dia desses, estava com um americano (progressista, de esquerda, gente boa) indo pra um cinema em Silver Spring, região onde vivem muitos latinos e brasileiros. Ele foi estacionar o carro e nós fomos comprar os ingressos. Quando chegou no cinema ele disse: “interessante, passei por um shopping center e não vi uma única pessoa branca”…

    Acontece que eu passei pelo mesmo caminho e quase todas as pessoas, pro nosso padrão brasileiro, eram branquíssimas… só que de origem latinas. E provavelmente, algumas delas, até que bem racistas em seu país de origem.

    Por isso, como digo sempre aqui, os brasileiros brancos são os que mais sofrem com a discriminação em outros países. Vejam bem, não estou dizendo que são os mais discriminados, mas são os que têm mais dificuldade em lidar com a nova realidade, se reprogramar e aprender a viver, como milhões de brasileiros, sem os privilégios citados acima.

    Tríptico: Identification Manual, 1964, Larry Rivers.

    Você tem uma boa idéia?

    Denise | ONGs | Sunday, 25 March 2007

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    Fundo Ângela Borba lança novo edital de projetos

    O Fundo Ângela Borba aceita, até 16 de abril, inscrições para seu 7º Concurso de Projetos. Nesta edição, serão selecionadas ações de grupos de mulheres que beneficiem outras mulheres, com atuação no Rio de Janeiro e em São Paulo. A iniciativa deve promover oportunidades de trabalho e independência econômica. Edital completo e mais informações estão disponíveis em www.angelaborbafundo.org.

    Edital 2007 da Fundação O Boticário

    A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza divulga anualmente dois editais de apoio a projetos. E o edital para o primeiro semestre deste ano já abriu inscrições. O prazo termina em 31 de março. O formulário está disponível em www.fundacaoboticario.org.br e deve ser encaminhado pelo próprio sistema eletrônico ou por correio, com a data do carimbo do correio valendo como comprovante de envio.

    Podem concorrer ao financiamento propostas de todo o Brasil desenvolvidas por organizações não-governamentais ou por organizações governamentais representadas por suas fundações. Os recursos para os projetos aprovados serão liberados a partir de agosto.

    3º Concurso Causos do ECA

    Estão abertas as inscrições para o 3º Concurso Causos do ECA, promovido pela Fundação Telefônica por meio do portal Pró-Menino. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), visa incentivar o público a contar histórias verídicas sobre como a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente é capaz de melhorar a vida de meninos e meninas. O texto pode ser escrito pelos próprios protagonistas da experiência ou por pessoas que a tenham acompanhado de alguma forma. Informações e inscrições em www.promenino.org.br. O prazo termina no dia 28 de maio.

    Seleção de documentários sobre cidades latino-americanas

    Com o objetivo de estimular o pensamento e o conhecimento sobre as cidades contemporâneas e contribuir para uma comunicação mais crítica, construtiva e engajada, a convocatória Ciudoc financiará cinco documentários sobre cidades da América Latina. Ciudoc é uma iniciativa do Observatório das Relações da União Européia e América Latina e da Casa América Catalunha. Cada documentário selecionado receberá 4 mil euros. Os projetos devem ser enviados para proyectos@ciudoc.net até 30 de junho. Mais informações em www.ciudoc.net ou pelo correio eletrônico correo@ciudoc.net.

    Governo financia projetos para público GLTB

    O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de DST e Aids, abriu duas seleções de projetos comunitários a serem executados por organizações da sociedade civil que construam respostas sociais frente à epidemia de HIV/aids. Um deles contempla projetos de assessorias jurídicas e o outro apóia projetos com ações de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, promoção da saúde e defesa dos direitos humanos durante as comemorações do Dia do Orgulho Gay. Os editais estão disponíveis em www.aids.gov.br, no link “Organizações da Sociedade Civil/Apoio Técnico e Financeiro/Seleção Pública”. Mais informações pelo correio eletrônico uad1@aids.gov.br. Inscrições vão até o dia 2 de abril.

    Bolsa para jornalistas do sexo feminino

    A fundação norte-americana Elizabeth Neuffer Fellowship está oferecendo bolsas, pagas pela International Women’s Media Foundation, para jornalistas do sexo feminino, em universidades da região de Boston. Existe ainda com a possibilidade de estágio nos jornais The Boston Globe e The New York Times. Reportagens, estudos e pesquisas realizados durante o período da bolsa serão necessariamente focados nos temas de direitos humanos e justiça social.

    O período da bolsa vai de setembro deste ano a maio de 2008. Para se candidatar, a jornalista precisa estar trabalhando há mais de três anos em meio impressos, TV ou internet e estar comprometida com a cobertura de temas relacionados a direitos humanos e justiça social. Também é fundamental ter domínio completo do inglês escrito e falado. Profissionais free-lancers também serão aceitos. Mais informações em www.iwmf.org/programs/neuffer/fellowship.php.

    Programa Novos Brasis: inscrições até 24 de abril

    O Oi Futuro, ex-Instituto Telemar, abriu inscrições para o programa Novos Brasis, de apoio e parceria com organizações sociais. Os projetos devem ter como foco principal a transformação social de comunidades vulneráveis, beneficiando, principalmente, crianças e jovens. Este ano, a seleção dos projetos terá foco no desenvolvimento de soluções sociais que ofereçam possibilidade de replicação e produzam impactos relevantes nas localidades atendidas. As regras para participação estão disponíveis até 24 de abril em www.oifuturo.org.br, onde também podem ser feitas as inscrições. O montante destinado aos projetos de 2007 será de R$ 1,5 milhão.

    Fonte: Rits

    Chinatown & American Art Museum

    Denise | Artes Plásticas, Carpe Diem, Fotografia, Washington, dc | Saturday, 24 March 2007

    1. Nosso metrô chegando…

    2. O pai de Ted é fissurado em tudo que diz respeito à guerra civil americana. No próximo mês, Ted vai passar um final de semana com o pai e está lendo tudo que pode sobre o assunto pra poder trocar idéias e ficar mais próximo a ele, que já tá bem velhinho. Eu estou lendo sobre zapatistas.

    3. Estação de Chinatown, acho lindo esse leque chinês de luzes na saída.

    4. Arco de Chinatown com placa que conta sobre os pontos históricos da região.

    5. Comidinha chinesa, mas eu, que tô numa dieta pra lá de necessária (perdi sete quilos! depois conto mais pra vocês), passei direto…

    6. Urban Outfiters, é daquelas lojinhas descoladas, com roupinhas e coisinhas lindas e criativas, que seria minha preferida, se eu tivesse dinheiro. Ainda assim, dei uma entrada, olhei tudo e comprei uma blusinha, em promoção, pra Bia :-)

    7. Um som de percussão com baldes plásticos, na rua.

    8. Chinês pintando um quadro e uma menininha de boca aberta com sua habilidade.

    9. Ótimo som de sax, pertinho do metrô…

    10. Esse museu fica pertíssimo do metrô de Chinatown e é fantástico. Faz parte do Smithsonian, portanto, a entrada é gratuita. Eu tinha estado lá com a mãe de Simon – Shelly – e, há tempos, planejava voltar. Passamos quase quatro horas nele (fecha às 7 da noite) e não deu pra ver nem a metade.

    Por coincidência, tinha uma exposição de arte sobre a tal guerra civil, já viu onde Ted ficou a maior parte do tempo, né?

    Eu fui pensando em fotografar a folk art que achei genial quando estive lá, antes, mas acabei entrando em outras salas e deixei essa parte para outro dia.

    O museu tem 3 andares e um mezzaninno! Fotografei muita coisa, mas achei melhor ir colocando aos poucos. A parte de Arte Contemporânea é incrível, mas vale um post específico, assim como a arte popular e a parte de afro-americanos.

    Hoje, vou mostrar apenas algumas obras, algumas do impressionismo americano, que eu acho meio conservador, “decorativo demais”, mas achei essas mulheres muito bonitas, foram alguns dos quadros que me chamaram a atenção.

    11. Corredor do museu, com a exposição American Now, que pretende ser um contraponto aos portrait do século passado, com enormes fotos de gente de todos backgrounds que vive aqui, latinos, árabes, indianos, Lindo, mas proibido de fotografar (porque as fotos não são do acervo do museu, mas emprestadas).

    12. Nude seated at her dressing table, 1909, Frederick Carl Frieseke. Essa garota não é o máximo? linda, redonda, confiante.

    13. An Interlude, 1907, William Sergeant Kendall. Adoro pinturas de mães e filhas, essa me lembrou as muitas horas de muitos livros que li pra Bia, antes dela dormir.

    14. The Mirror, 1910, Robert Reid. Mulher com espelho.

    15. The Purple Dress, William Glackens. Além das cores, adoro o ar atrevido dessa mulher, encarando o pintor e os tornozelos à mostra.

    16. The Spinet, 1902, Thomas Wilmer Dewing. (Spinet é esse tipo de piano).

    17. Angel. 1887, Abbott Handerson Thayer.

    18. Spring Dance, 1917, Arthur F. Mathews. Esse é um detalhe de um mural feito pelo pintor, num esforço, com um grupo de californianos de reconstruir os espaços públicos de arte de San Francisco, após o terremoto que destruiu a cidade.

    19. The Necklace, 1907, Thomas Wilmer Dewing.

    20 e 22. Piano (hiper-kitsch) produzido no cinquentenário da empresa Steinway & Sons e presenteado ao Presidente Theodore Lincoln, em 1903, com nove musas pintadas por Thomas Wilmer Dewing.

    21. No Café do Museu, que fica no primeiro anda, por trás dos painéis que aparecem na foto 10.

    23. Ted lendo… adivinha o quê? hehehehe…

    24. Eu não fiquei parecendo a “formiga atômica” com esses óculos gigantescos e a cabeça enorme? é a luz e a perspectiva, gente… hehehehe…

    25 e 26. A história dessa escultura é interessante. Segundo está escrito lá no museu, Clover Adams, a esposa do escritor Henry Adams, cometeu suicídio em 1885, bebendo produtos químicos usados para revelar fotografias. Adams contratou o escultor Augustus Saint-Gaudens uma escultura que expressasse a idéia budista do nirvana, um estado além do prazer e do sofrimento. No círculo de amizades de artistas, frequentado pelo escritor, os dogmas cristãos estavam em descrédito, logo após a violência da guerra civil, início da industrialização dos EUA e divulgação da teoria da Evolução de Darwin. A escultura é ambígua, e reflete a procura por novos insights em relação a vida e a morte.

    27. Corredor do museu.

    Esse foi meu sábado. Aguardem que, em breve, mostrarei outras coisas que vi lá nesse museu.

    America’s Next Top (Dead) Model

    Denise | Campanhas Publicitárias, Televisao | Friday, 23 March 2007

    Quando a gente pensa que o mundo da moda já chegou ao máximo da misoginia e vai começar a melhorar, aparecem coisas como essa…

    Eu nunca vi esse programa, mas é tipo um reality show, que escolhe, entre várias meninas, a que vai ser a Top Model do ano. Elas precisam fazer fotos de moda de todo tipo e a “tarefa” dessa semana foi essa maravilha aí acima.

    Inspirada na sofisticação e glamourização da mulher violentada, espancada e morta (que não é novidade, como sempre lembra a Cris), cada uma das concorrentes fez um ensaio com roupas sofisticadas, um editorial de moda, com imagens de mulheres mortas de várias formas e, pelo jeito, quanto mais violento melhor.

    Pra completar, os comentários dos jurados sobre as fotos:

    Nigel: A expressão no seu rosto está simplesmente extraordinária. Muito bonita e morta. (foto 1)

    Nigel: Eu concordo que essa é uma fotografia de moda, mas você não parece morta pra mim. Parece que ainda está morrendo. (foto 2)

    Nigel: Essa é uma grande foto. A morte se tornou você, young lady. (foto 5)

    Miss J: O que é maravilhoso nessa foto é que você também parece bonita na morte. (foto 6)

    Miss J: Essas são bonecas quebradas. Elas são marionetes… (foto 7)

    E depois a Tyra Bank, modelo que produz esse American Model vem falar em “girl power”, em aceitar o corpo como é, em tolerância e diversidade num programinha diurno que ela faz. bullshit!

    Impressionante pensar a que ponto se trata essas modelos como objetos descartáveis… e a gente achava que os concursos de miss eram o fim. Incrível como pode ser cada vez pior.

    Via Feministing.

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