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A dura vida dos imigrantes e refugiados africanos no Brasil

Denise | Discriminção | Saturday, 31 March 2007

cravo0.jpgAcabei de ler essa notícia sobre um incêndio criminoso em três apartamentos onde viviam estudantes de origem africana, na Casa dos Estudantes da Universidade de Brasília. Estudantes brasileiros, que também vivem na casa, cometeram esse ato abominável.

Agência Lusa:

O atentado ocorreu na madrugada de quarta-feira, quando indivíduos munidos de gasolina atearam fogo na porta de três apartamentos da Casa do Estudante Universitário, na UnB, onde vivem alunos de origem africana.

O fogo atingiu mais um apartamento, mas os 14 bolsistas de origem africana conseguiram escapar ilesos graças à iniciativa de um estudante de Sociologia da Guiné-Bissau, que apagou o incêndio com um extintor antes que as labaredas se alastrassem pelo interior do edifício. (…) A UnB tem 427 alunos estrangeiros, sendo 157 africanos.

JC Online:

As primeiras investigações da Polícia Federal sobre o incêndio criminoso, com suposta motivação racista, dos alojamentos de alunos africanos da Universidade de Brasília (UnB), ocorrido na madrugada de ontem, apontam, além de dano ao patrimônio público, ações de racismo e xenofobia. (…)

Em ação planejada, os agressores incendiaram as portas dos quartos enquanto os estudantes dormiam, esvaziaram os extintores de incêndio e colocaram barreiras de tijolos nas portas dos apartamentos para evitar que eles escapassem. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso. Amanhã serão tomados os depoimentos de testemunhas, seguranças da universidade, professores e alunos para chegar aos responsáveis. Segundo o senador Paulo Paim (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, o fato não é isolado.

Essa é a segunda reclamação envolvendo hostilidade contra os africanos. Meses atrás, as portas dos alojamentos foram pintadas com cruzes vermelhas e houve discussões acaloradas entre brasileiros e africanos. Nos três apartamentos que tiveram as portas incendiadas,

Veja vídeo feito na UNB, com depoimentos de africanos e encontro dos estudantes com o reitor da universidade..

Detalhe:


A secretária de Estado, Condolezza Rice, e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinaram hoje (31/03), em Washington, um memorando de entendimento na área de educação e o acordo de cooperação conjunta dos dois países para o fortalecimento da democracia em Guiné Bissau.

Sei… avisa aos estudantezinhos brasileiros, antes, que eles têm que se comportar…

O que aconteceu em Brasília foi vergonhoso, lamentável, mas não me surpreende. Lembrei desse post, que escrevi em 2004, e resolvi re-editá-lo, porque tem tudo a ver com essa xenofobia, que existe, sim, no Brasil, país de gente que gosta de se auto-denominar “amigável” e que acredita que recebe os estrangeiros com os braços abertos…

_________________________________

Quem vem sempre aqui, sabe que esse assunto de imigração, é recorrente nesse blog, porque eu sou uma imigrante e, como diz Edward Said: “O exílio nos compele, estranhamente, a pensar sobre ele”.

Escrever sobre isso, pelo menos aqui, costuma ser mais polêmico do que falar sobre religião ou política. Portanto, já vou pedindo aos que discordam de mim, que saibam se comportar tão bem quanto os que discutiram suas crenças no post anterior.

Eu amo o Brasil, porque nasci lá, cada vez mais me interesso pelas minhas raízes, minha cultura, adoro nossa música, e o povão é tudo de bom… mas, morando fora, descobri que não existe um lugar perfeito, nem acima, nem abaixo da linha do Equador.

Mas, um dos mitos que tenho visto, pela blogosfera afora, é uma ladainha que “nós somos vítimas de todo tipo de discriminação e isso é uma injustiça, porque o povo brasileiro é cordial, amigo e recebe os estrangeiros de braços abertos”. Claaaaaaaaaro… principalmente se o estrangeiro for loiro e de olhos clarinhos…

Já escrevi sobre isso, antes. Na época, questionava o que aconteceria, no Brasil, se recebêssemos, relativamente, a mesma quantidade de africanos que a Suécia recebe. Não estou falando em termos econômicos, claro que a Suécia tem muito mais recursos para receber refugiados, mas estou falando em termos de choque cultural mesmo. Com uma população de 8,878,085, a Suécia recebeu, apenas em 2003, 25.600 refugiados, sendo mais de 3000 apenas da Somália.

Ampliando para os imigrantes, em geral, 10% da população de Estocolmo é formada por pessoas que vieram de outros países. Algo como, estatísticamente, se o Rio de Janeiro tivesse quase 600 mil pessoas vindas de fora (não estou falando de descendentes, mas de imigrantes mesmo).

Agora, pense que a imensa maioria dessas 600 mil pessoas não é de gringos descolados e loirinhos, mas vêm das mais diferentes culturas, como a Somália, Irã, Afeganistão… com todas suas dificuldades de adaptação, e mais precisando de saúde, educação e empregos.

Será que o povo brasileiro continuaria tão hospitaleiro?

Refugiados no Brasil

mcravo2.jpgA matéria do Estadão veio, apenas, comprovar o que eu já imaginava. Os brasileiros adoram gringos, mas a cordialidade brasileira depende muito da cor da pele do “estrangeiro”.

Segundo o senegalês Alain Pascal Kaly, doutorando em Estudos Internacionais Comparados do Curso de Pós-graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da UFRJ, os “estrangeiros africanos são tratados como africanos, enquanto estrangeiros europeus são tratados com o gentílico de seu país de origem.” (1)

Além dos refugiados, temos muitos estudantes africanos, principalmente de países de língua portuguesa como Cabo Verde e Angola. Mesmo tendo boas condições financeiras e educação, esses estudantes são tratados como criminosos no Brasil.

Ouvi, de uma amiga, o seguinte depoimento: “Eu trabalhei na lojas C&A de roupas por um tempo e lá apareciam muitos angolanos,jamaicanos querendo fazer cartão da loja, mas eram vistos como imigrantes fugitivos…Eles mandavam a gente inventar uma desculpa pra não fazer o cartão da pessoa…era hiper chato!”. Pensa bem se isso iria acontecer com um alemãozinho, morando no Brasil.

Mas, voltando à matéria do Estadão, ficamos sabendo que o Brasil tem, hoje, 3 mil refugiados, a maioria africanos e latino-americanos. Pelo menos mais 6 mil refugiados vivem no Brasil ilegalmente. Segundo a assistente social, Denise Orlandi Collus, que trabalha com essa questão, “O refugiado é quase sempre visto como bandido ou traficante, o que dificulta sua entrada no mercado de trabalho”.

A matéria continua com reclamações que poderiam sair da boca de brasileiros que vivem na Europa:

“A boa formação do refugiado acaba, às vezes, sendo um ponto negativo para a integração. Dificilmente ele consegue exercer no Brasil a profissão que desempenhava antes”.

“A discriminação é outro problema que os Juan enfrentam. Mercedes conta que já teve de ouvir da diretora de um colégio que a prioridade seria dada “aos daqui”. Também reclama das relações pessoais. Para ela, é difícil fazer amigos. “Todos estão sempre na defensiva, ninguém quer se comprometer”, diz.”

“Na Colômbia, trabalhava na Cruz Vermelha. No Brasil, com mulher e quatro filhas, enfrenta o desemprego e a desilusão das filhas provocada pela queda na qualidade do ensino.”

Não estou querendo dizer que o Brasil deveria ter uma solução para uma questão que continua sendo o grande desafio desse mundo globalizado… as migrações. Claro que não. Mas não me venham dizer que o povo brasileiro recebe calorosamente os imigrantes, porque isso não é verdade. Principalmente quanto o desemprego aperta. os primeiros a sofrer com isso são os “de fora”. Aqui e lá.

Outras fontes

cravo4.jpgAí, pesquisando sobre o assunto, encontrei coisas interessantíssimas, na internet, cujos links divido com vocês aí abaixo, sobre a imigração para o Brasil.

A historiadora Helena Ragusa afirma que já “Na década de 20…Na cidade de São Paulo, uma entidade com os mesmos princípios eugênicos que contextualizavam a política de alguns países do Ocidente, passou a influenciar as elites a pressionarem os poderes públicos contra a entrada de imigrantes de origem asiática, africana e judia no país.” (2)

“Quando cheguei no país, um brasileiro me disse que eu teria que trabalhar muito mais que os brasileiros trabalham, porque dariam preferência ao trabalhador brasileiro. Isso ficou na minha cabeça até hoje”, diz Mohammed Habib.

Hummmm… já li exatamente a mesma coisa, com nacionalidade inversa, vindo de brasileiros que vivem nos países nórdicos…

O escritor Raduan Nassar, autor de Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera, afirma que “Nos primórdios da imigração e por décadas a fio, em sintonia com a propaganda ocidental, que difamava aqueles povos para justificar suas constantes intervenções, o preconceito contra árabes no Brasil era indisfarçável, a ponto de ter levado alguns de seus descendentes a adotar nomes de família latinizados como expediente para desobstruir suas carreiras profissionais” (3)

Nassar escreveu esse artigo no pré-9/11 e acreditava num arrefecimento no preconceito contra os árabes… hoje eu diria que as coisas pioraram consideravelmente, mesmo no Brasil. Aliás, me choca a agressividade de alguns brasileiros que moram for ado Brasil, em relação aos povos árabes.

Conclusão

cravo6.jpgPor favor, não venham reclamar de que estou escrevendo “contra” o Brasil. Adoro o país, mas sei muito o quanto ele pode ser ingrato com os que não tem nada.

Estou apenas esclarecendo a forma como eu vejo a imigração, no Brasil, que não foi e continua não sendo um processo tão simples assim. Especialmente se você não for branquinho de olhos claros.

Estou sugerindo, com isso, que a gente deve se conformar com a discriminação nos países onde vivemos? claro que não! acho que devemos lutar por nossos direitos, nos organizar, mas sempre tendo em mente que não existe paraíso na terra e que o Brasil também não é esse paraíso de cordialidade que se diz por aí.

A questão é que, apesar de todas as leis e tratados, ainda não se descobriu uma forma de revogar uma lei natural: na hora de “dividir o pirão”, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, a tendência é começar pelos de casa.

Leia mais:

  • Estudante africano diz que foi vítima de racismo na UnB
  • Africanos no Brasil: dubiedade e estereótipos (1)
  • A representação do judeu no discurso eugênico brasileiro
    no início do século XX (1920-40)
    (2)

  • A saga dos libaneses (3)
  • Antigas e novas facetas de uma imigração recente
  • Imigrantes sempre despertaram temor, diz acadêmico
  • Imigrantes são submetidos à escravidão em SP – Folha
  • O fenômeno migratório no Brasil

    Sugestões da Malu:

  • Gould, S.J., 1991. A Falsa Medida do Homem. Rio de Janeiro: Martins Fontes.
  • Jeffrey Lesser. A negociação da identidade nacional: imigrantes, minorias e a luta pela etnicidade no Brasil. São Paulo: Editora da UNESP (já vou comprar esse, muito bom!)

    Por curiosidade:

  • Projeto Imigrantes
  • Memorial do Imigrante

    ____________________________

    Fotos: Mario Cravo Neto

  • Ministro da Saúde defende legalização do aborto

    Denise | Corpo & Saúde,Feminismo | Friday, 30 March 2007

    battleground.jpg

    O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu hoje no Rio a legalização do aborto. “Isso é, antes de mais nada, uma questão de saúde pública, porque milhares de mulheres morrem todos os anos submetendo-se a abortos inseguros”, afirmou. “Sei que é uma questão polêmica, que envolve aspectos morais, religiosos, psicológicos, mas diz respeito, fundamentalmente, à política de saúde.” Ele voltou a defender a realização de um plebiscito para que a população decida o assunto.

    “Esta idéia do plebiscito é pessoal, mas está sendo amadurecida dentro do governo”, informou. O ministro estão tão empenhado nesta discussão que se reuniu esta semana com a secretária especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. Hoje, no Rio tratou do assunto com o governador Sérgio Cabral (PMDB), também favorável à legalização do aborto, segundo sua assessoria.

    Temporão também está defendendo outra reivindicação feminina: a ampliação da licença maternidade de quatro para seis meses. “Pedi ao governador Sérgio Cabral que conceda este benefício às funcionárias públicas do Estado”, relatou. Segundo o ministro, Cabral viu “com simpatia” a idéia e prometeu estudá-la.

    Fonte: Agencia Estado

    _______________________________________

    Uau!

    Só não acho que precisaria ter plebiscito. Se é uma questão de saúde pública, como disse o próprio ministro, a decisão deveria ser bancada pelo Governo, como tantas outras… mas, enfim, pelo menos o assunto entrou na agenda do Governo, o que é um enorme passo.

    A batalha, cujo campo é o corpo da mulher, tá só começando.

    _______________________________________

    Legisladores da cidade do México descriminalizam o aborto

    Numa atitude histórica e corajosa – sem nenhum plebiscito – a absoluta maioria dos 66 legisladores da Cidade do Mexico deve aprovar a legalização do aborto em nível municipal, em quaisquer circunstâncias, no primeiro trimestre de gestação. O prefeito da cidade já informou que assinará a lei, assim que ela passar pelo poder legislativo.

    “Mulheres estão morrendo, principalmente mulheres pobres, por causa de abortos inseguros,” disse María Consuelo Mejía, diretora do Grupo Católicas pelo Direito de Decidir. “Nós gostaríamos que essas mulheres nunca tivessem que se confrontar com a necessidade de fazer um aborto, mas nessa sociedade, isso é impossível, no momento. Não existe acesso à informação, a contraceptivos. Nem as mulheres têm poder para negociar o uso de contraceptivos com seus parceiros.”

    Esse será um momento histórico na America Latina, onde apenas em Cuba, Porto Rico e Guiana as mulheres podem interromper a gravidez no primeiro trimestre, sem restrições. No Chile, Nicaragua e El Salvador o aborto foi banido totalmente, sem exceções.

    Fonte: New York Times

    300 – Santoro estréia em Soft Porn Gay Racista

    Denise | Cinema | Thursday, 29 March 2007

    300.jpg

    Imagino que Rodrigo Santoro nem imaginava a confusão em que ia se meter ao fazer o seu novo filme 300, baseado na Graphic Novel de Frank Miller.

    Terrorismo cultural, xenofóbico, racista, misógino, direitista, Crypto-Nazi war porn são alguns dos conceitos aplicados ao filme. Os iranianos (antigos persas, vistos como os “do mal”) pedem um boicote ao filme…

    Um filme sobre guerra, mostrando os persas (lembrem, antigos iranianos), como sanguinários, parece mesmo uma “provocação metafórica” desnecessária nos tempos em que vivemos…

    300_2.jpgDe qualquer forma, não é mesmo meu tipo de filme e eu não vou ver, mas o que achei mais interesssante foi a constatação, em vários artigos, de que é um filme extremamente homoerótico, um soft-porn-gay, com centenas de homens semi nus, musculosos, sem pelo e com óleo pelo corpo. Tanto que estão dizendo que é o primeiro filme pornô gay a fazer 70 milhões no primeiro final de semana, aqui nos EUA.

    Por outro lado, também dizem que o filme é homofóbico. Já está sendo considerado o maior filme homofóbico gay da história. Entre outras coisas por frases como: “Os atenienses não se renderam a eles e se um monte de poetas e amantes de garotos como eles não o fizeram, nós também não vamos nos render”. Usch…

    O videozinho feito pela Alternet mostra um pouco do que falamos aqui… (rs).

    Alguém por aí viu?

    Atualização:

    Eu não vi, nem vou ver o filme, confesso que não tenho muita paciência pro estilo, não vejo muito filmes baseados em quadrinhos, nem fantasia.

    Agora, que fique claro que eu não estou defendendo a posição de ninguém, a não ser relatando a polêmica que ele tem causado aqui. Até agora, não vi uma única crítica que não dissesse que o filme é racista. Vai ver é coisa de crítico americano… sei lá.

    A única coisa que eu acho é que é provocação fazer um filme desses, que pode causar algum melindre, num momento em que as relações com o Irã sao tão delicadas e eles se consideram, sim, os antigos persas. Não interessa muito se a gente nem lembra disso, porque eles lembram.

    Estava pensando que, talvez, vocês que vivem fora dos EUA, não tenham a mesma sensação de que estamos sentados num barril de pólvora. As relações com o Irã são extremamente perigosas e delicadas, democratas e até alguns republicanos estão segurando Bush pra não começar uma guerra no Irã, mas muita gente aposta que não vai ter jeito e ele vai fazer a loucura de invadir o país.

    Nesse contexto, não interessa aos iranianos se a guerra aconteceu há 2.500 anos ou se algumas pessoas acham que “não cabe dentro da interpretação do filme dizer que se trata dos persas malvados e dos gregos como representantes dos americanos”. Nossa opinião não interessa, o que interessa é que eles, que se consideram representantes vivos dos persas mostrados no filme (pelo que li) como monstros sanguinários, acham que o filme americano é uma p… provocação. Ponto.

    Mas também não tô dizendo que o 300 não era pra ser feito, de jeito nenhum. Só não dá pra achar que a polêmica em torno do filme é “ridicula”. É bom saber o que se fala sobre o filme e tentar entender melhor o que está acontecendo no mundo. Aliás, eu conheço muitos adoradores de Frank Miller que não devem estar nada contentes com isso, mas é a famosa “liberdade de expressão”….

    Quanto ao filme ser gay, é hiper gay. Mas, isso não é problema nenhum, na verdade é a única coisa que me faria vê-lo :-)

    300_3.jpg

    Vou deixar aqui a tradução (tosca, eu sei!) de alguns trechos de um dos ótimos artigos sobre esse filme:

    300: Uma batalha perdida em mais formas que 1

    A teoria da grandiosidade espartana argumenta que os espartanos pagaram com sangue para possibilitar que outros exércitos de cidades-estado gregas pudessem escapar e lutar um outro dia e, eventualmente, triunfar. Assim, o frágil florescer do que chamamos de civilização ocidental pôde sobreviver no espinhoso solo ático.

    E assim, nós falamos Inglês e não Farsi, e levamos nossos governos de volta à vizinhança de Esparta. O argumento também dramatiza uma realidade contínua nas sociedades democráticas segundo a qual, ainda que seja bom ter atenienses por perto para inventar o governo, teatro e as sandálias, de vez em quando é necessário arrancar uns espartanos para chegar perto e detonar os bad guys.

    (…) 300 infelizmente e para sua vergonha não tem argumento nenhum. É, inteiramente, um documento visual pomposo com QI menor que 20.”

    (…) No conceito de Snyder (o diretor), os persas representam a decadência efeminada. Xerxes (Rodrigo Santoro) parece Geoffrey Holder numa foto de Helmut Newton. Existe uma qualidade andrógina em todos eles, como se sua missao secreta fosse embaçar os sexos e tranformar os garanhões espartanos em mulheres; é (uma estratégia) inquietante e sem dúvida eficiente, embora isso, provavelmente, traga um sorriso aos lábios de Ann Coulter” (a pior e mais nojenta direitista americana).

    Quanto aos espartanos, eles poderiam ser jogadores da Liga de Futebol Americana. Mas… oh, interminável, fascinante turbilhão da vida! – eles também são meio gays. O filme tem uma inconfundível tendência homoerótica, madura como o cheiro do suor nos vestiários masculinos.” (…)

    Artigo de Stephen Hunter – Washington Post

    Leia mais:

  • Blogueiros iranianos protestam contra o filme 300
  • 300′: A Losing Battle in More Ways Than 1
  • Iranian exiles see film ‘300’ as an attempt to vilify Persians
  • Go tell the Spartans – How “300″ misrepresents Persians in history

    Minha conclusão final: Concordo que se os iranianos não tivessem reclamado, ninguém ia nem saber quem são os persas, no filme. Mas cada um sabe onde seu calo aperta e, na minha opinião, tudo o que nós não precisamos, no mundo de hoje, é de mais tensão com os povos muçulmanos. E menos ainda de obras que perpetuem sua imagem de terroristas ou sanguinários.

  • Estou chocada com essa notícia…

    Denise | Celebridades | Thursday, 29 March 2007

    sobel.jpg

    O presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP), rabino Henry Sobel foi preso em Palm Beach, após roubar cinco gravatas na loja da Louis Vuitton. Estou passada e triste por ele, que pode sofrer de algum problema psicológico pra fazer isso… e logo numa loja da Louis Vuitton, que eu acho detestável!

    free_winona.jpg

    Me lembrou o caso da Winona Ryder, que tirou umas coisinhas de uma dessas lojas carésimas e foi presa. Mas teve até uma campanha pública pra deixarem a atriz em paz…e ela ainda posou com a camiseta: “Free Winona” (foto acima).

    1. Não acho que apenas “ricos” são cleptomaníacos, mas sempre tive uma ótima impressão do rabino e considerava que ele não tinha razões fincanceiras para roubar, por isso minha avaliação que era um problema médico.

    2. Sendo um caso clínico, acho que não é pra ir pra cadeia, não, mas a pessoa precisa ter um bom tratamento, seja quem for.

    3. Agora, estou PASMADA com as informações de vocês, nunca imaginei que o rabino fosse do tipo de tentar enrolar pra ficar na primeira classe em vôo, essas posturas já vão mudando tudo que eu disse aí acima.

    __________________________________________________

    Atualização:

    Renato, do Tordesilhas, deixou esse comentário e eu achei tão importante que estou colocando aqui no post, para que todo mundo possa ler. Faço questão de reconhecer meus erros e, nesse post, apesar de ter iniciado com compreensão e a admiração que sempre tive pelo rabino, fui tomada muito rápido pelo espírito de “vai ver ele não era bem isso que a gente pensava”.

    Não lembrava da participação fundamental de Henry Sobel na época da ditadura militar, da sua intervenção enterro de Wladimir Herzog, infelizmente, às vezes, minha memória também é bem curta. Me penitencio pela superficialidade com que escrevi sobre algo tão grave e obrigada, Renato, por trazer a gente de volta ao que realmente interessa.

    missa_herzog.jpg
    Cerimonia ecumenica, em homenagem a Herzog, na Catedral da Sé

    O que me deixa puto mesmo é como certos setores da mídia estao aproveitando este fato para tentar destruir (ou “descontruir”) a reputaçao de Henry Sobel. Acho do fundo do coracao que qualquer que tenha sido a motivacao para ele furtar as tais gravatas (e eu particularmente acredito na tese de algum problema psicológico/neurológico), isso é insignificante perto do que ele fez na sua vida em defesa do diálogo entre religioes edos direitos humanos, sobretudo nos anos mais negros da ditadura militar.

    Quando o jornalista Vladimir Herzog morreu na prisao, “por suicidio” segundo os milicos que o custodiavam, por ser judeu em tese ele teria, segundo a lei judia, de ser enterrado fora dos muros do cemitério. Em uma atitude extremamente corajosa e sem precedentes, Henry Sobel decidiu enterrá-lo em uma área nobre do cemitério desafiando abertamente nao apenas parte da comunidade judia como principalmente a ditadura militar, que defendia a tese do “suicídio”.

    Uma semana depois, Henry Sobel, o pastor James Wright e o Cardeal Paulo Arns celebraram juntos a cerimonia ecumenica de 7 Dias da morte de Herzog na Catedral da Sé, em outro ato de desafio aberto aos militares.

    Foram eventos que ajudaram a botar a pá de cal na Ditadura. Ou seja, honestamente é possível comparar a trajetória de toda uma vida com eventos bisonhos como este das gravatas?

    E o pior é que já tivemos de ouvir amigos nossos dizendo barbaridades do tipo: “eu sempre desconfiei desse judeuzinho arrogante que se recusava a aprender a falar portugues corretamente…”. Fuck off… Fuck off…

    Perdao, Denise, pelo palavrao no seu blog. Mas é que realmente fico indignado quando a mídia arma o seu circo romano e muita gente boa, como estes amigos, vai atrás.

    Enfim, espero que sejá lá o que esteja passando com Henry Sobel seja superado e que a sua biografia registre este fato como uma dessas bisonhices inexplicáveis que todos os seres humanos cometemos de vez em quando.

    Um abraco,

    Renato

    Perguntinha sobre cinema (para homens e mulheres)

    Denise | Cinema | Wednesday, 28 March 2007

    fem_miso_filmes.jpg

    Quais os filmes que vocês assistiram mais feministas (ou que apresentam uma imagem positiva e forte das mulheres) e quais os mais misóginos (ou que têm uma imagem negativa da mulher)?

    Pessoal, amanhã vou passar boa parte do dia fora e saio cedo, então não vou ter nem tempo pra comentar os deliciosos filmes que vocês estão sugerindo aqui, a não ser que não chegue cansada demais e ainda tenha pique pra escrever, vamos ver.

    Então, vou deixar algumas das minhas sugestões (depois coloco mais):

    Fimes com mulheres legais, fortes, espertas, que inspiram (desculpem, alguns deles não sei o nome dado no Brasil):

    • Volver, Tudo Sobre Minha Mãe, Mulheres à beira de um Ataque de Nervos e quase todos os filmes de Almodovar

    • Jackie Brown, Tarantino
    • Kill Bill, Tarantino
    • Little Miss Sunshine
    • Colcha de Retalhos
    • Inch’Allah Dimanche
    • A Excêntrica Família de Antônia
    • O Casamento de Muriel
    • Thelma and Loise
    • O Piano
    • The Magdalene Sisters
    • Secret and Lies
    • Bend It Like Beckham
    • Comme une Image
    • Pão e Rosas
    • Run, Lola, Run
    • Frida
    • Fargo
    • Whale Rider
    • Clube da Felicidade e da Sorte
    • Real Women Have Curves
    • Minha Mãe é uma Sereia
    • Tomates Verdes fritos
    • Bagdad Cafe
    • Hard Candy
    • Fucking Amal
    • Romy and Michelle’s High School Reunion
    • Puccini for Beginners
    • Carlota Joaquina
    • Central do Brasil
    • Y tu mamá también
    • Alien
    • Cría Cuervos
    • Fire, de Deepa Mehta
    • Mamma Roma
    • Quatro Amigas e um Jeans Viajante
    • Chocolate
    • Chá com Mussolini

    Desculpem, mas agora estou caindo de sono, não vai dar pra listar os filmes que têm uma péssima imagem da mulher, na minha opinião, mas vou citar, por cima, três que eu detesto:

    • Hustle & Flow
    • Pretty Woman
    • Pocahontas
    • Black Snake Moan (acabou de sair aqui, é horrrível!)

    Amanhã escrevo mais. Vão deixando as sugestões de vocês aí…

    unchain.jpg

    Outdoor em Los Angeles, das Guerrilla Girls:

    “Libertem as Mulheres Diretoras!
    As mulheres dirigiram apenas 7% dos top 200 filmes de 2005
    Nenhuma mulher diretora ganhou um Oscar, até hoje.
    Apenas três foram indicadas”.

    Atualização

    Eu adoro que esse blog tenha tantas cabeças pensantes, que sempre façam análises maravilhosas de tudo, mas o mais engraçado é que toda vez que estou super ocupada e tento jogar um post assim bem rapidinho, despretensioso, que não exija muita reflexão da minha parte (tipo aquele da Angelina), o efeito acaba sendo o contrário.

    Meninas, se a gente for conceitualizar o que é feminismo, o que é cinema feminista, a diferença entre cinema de cineasta homem ou mulher e por aí vai, cinema de mulher e cinema de mulher feminista… não vou fazer mais nada, a não ser responder a cada uma dessas questões que são, em são livros ou cursos inteiros na universidade.

    Estou adorando ler toda a polêmica que se criou em torno da questão, mas, realmente, não tenho tempo pra aprofundar nada. No dia 10 de abril vou viajar pra outro país, a trabalho, ficar quase duas semanas por lá, e estou preparando todo material do curso que, ainda por cima, dessa vez tem de ser em espanhol. Meu tempo é mínimo.

    Não estava pensando nada demais quando propus uma listinha de filmes e tive cuidado de colocar em parêntesis “ou que apresentam uma imagem positiva e forte das mulheres”, justamente pra evitar o questionamento do que é “filme feminista”. Apenas achei que podíamos dar boas sugestões de filmes pra outras mulheres.Adoro que vocês teorizem sobre o assunto, mas, dessa vez não posso ajudar muito.

    Cris S. quando você diz que “filmes feministas não são aqueles que mostram mulheres fortes. Essa era um tendência da ‘second wave.’”, eu discordo completamente, na minha opinião, filme feminista pode ser um de 1920, pré-primeira-onda – quanto mais os tradicionais filmes dos anos 70, expressão da chamada segunda-onda – até porque o feminismo considera que as ondas devem ser acumuladas, não eliminadas, isso daria assunto que não acaba mais, um dia vira post aqui.

    Além do mais, leio muito sobre a terceira onda e me considero bem mais antenada com ela, que surgiu quando eu estava começando a entrar no movimento em meados dos anos 80 e garanto que o que essa mulherada continua querendo ver são filmes “que apresentem uma imagem positiva e forte das mulheres”. Já a complexidade dos personagens sempre foi benvinda, seja nos anos 70,. 80, 90 ou 2000. Nem todo mundo precisa ver Real Women Have Curves, mas acho que é muitissimo benvindo pras meninas de 16 anos.

    Enfim, vão falando aí, que eu vou lendo, mas aprofundar a discussão nesse nível, não é possível pra mim, nesse momento.

    Maharani, você tem toda razão, vi Whale Ryder anos atrás, quando saí, não lembrava bem da história, foi uma péssima sugestão, lembro que detestei a história da menina, também!

    ps.: Caso não tenha ficado claro, estou adorando ytoda essa conversa sobre os filmes, apenas escrevi isso porque eu não posso participar, mas volto aqui de vez em quando pra dar uma lida. Continuem à vontade…

    Dirigir embriagad@ mata…

    Denise | Campanhas Publicitárias | Wednesday, 28 March 2007

    copo.jpg

    Esses “descansos de copo” foram feitos em Mumbai, na India, com uma tinta vermelha invisível que aparece quando em contato com líquidos. Eles foram distribuidos nos bares e, depois de alguma cerveja (ou outra bebida), o “suor” do copo vai deixando uma tinta vermelha no rosto da moça (e de um rapaz), que parece sangue.

    Nele, está escrito: “Só um lembrete: dirigir embriagad@ mata”. Muito bom.

    Veja aqui a foto ampliada.

    Via I Believe in Ads

    A violência contra a mulher pelo mundo

    Denise | Violência | Wednesday, 28 March 2007

    Jovem tem rosto desfigurado por não ceder a assédio

    kamilat.jpgA etíope Kamilat Mehdi, de 21 anos, vinha sendo perseguida por esse homem há pelo menos 4 anos, não contou à família nem denunciou à polícia. Uma noite, ela voltava do trabalho com as irmãs quando ele encurralou as três numa rua escura e jogou ácido no rosto de Kamilat.

    60% das mulheres na Etiópia são vítimas, em algum momento da vida, de violência. Em algumas áreas rurais ainda é comum o sequestro de meninas de 10, 11 anos, e essa prática é responsável por 92% dos casamentos, nas regiões.

    Via BBC

    Para juíza, na Alemanha, violência doméstica entre muçulmanos é “cultural”

    marroquina.jpg

    Uma juiza, na Alemanha, se recusou a agilizar o divórcio, pedido por uma marroquina que sofria abusos físicos do marido, alegando que as mulheres muçulmanas deveriam estar acostumadas a isso.

    Segundo o New York Times:

    Em Janeiro, a juíza negou a solicitação de uma mulher para que seu divórcio fosse acelerado, alegando que o comportamento do marido não era insensato, já que os dois são marroquinos. “Nesse background cultural,”, ela escreveu, “não é raro que o marido use de punição física contra a esposa”.

    A juíza foi afastada do caso e a gente percebe que certos ocidentais só defendem o “respeito às diferenças culturais” quando lhes convém.

    Via Feministing. Veja também essa matéria, em português, sobre o assunto. Dica da Carol M.

    Já são 77 Mulheres assassinadas, esse ano, em Pernambuco

    violencia_recife_1.jpgCom mais duas mulheres mortas neste fim de semana – uma grávida de cinco meses e outra morta a pauladas – chega a 77 o número de mulheres assassinadas este ano no Estado de Pernambuco.

    O Fórum de Mulheres de Pernambuco voltou às ruas na tarde deontem para realizar uma vigília contra a violência sexista e contra a impunidade, que acontece todo final de mês.

    Para o assessor do governo na área de segurança pública, o pesquisador e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) José Luiz Rattón, uma combinação de fatores explica a maioria dos homicídios no Estado: a cultura da honra, da masculinidade, aliada à alta disponibilidade de armas de fogo e surgimento de grupos criminosos associados ao tráfico de drogas.

    Via Agência Estado

    Eu fui uma das fundadoras do Fórum de Mulheres de Pernambuco e é muito bom saber que já conta com a participação de mais de 60 entidades. Eu me pergunto, também, se o altíssimo número de mortes de mulheres em Pernambuco não tem a ver, também, com o fato de que, tendo o Fórum, temos também um melhor registro e divulgação desses abusos físico e mortes de mulheres.

    Na sexta feira, dia 30, às 13:15h, haverá um chat no site 360 graus com a psicanalista Mabel Cavalcanti, sobre as consequências físicas e psicológicas da violência contra a mulher.

    OMS pede circuncisão gratuita para ajudar na luta contra AIDS

    Denise | Corpo & Saúde | Wednesday, 28 March 2007

    circumcision.jpg

    Com todo respeito aos outros, eu confesso que sempre achei os circuncisados mais simpáticos :-) não sou especialista no assunto, nem quero brigar com os que condenam a prática, mas essa notícia, considerando essa intervenção cirúrgica uma das medidas contra a AIDS deveria ser um bom momento pros rapazes pensarem no assunto.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, estudos indicam que removendo o prepúcio (aquela pelezinha que cobre a glande do pênis), o risco de contrair o HIV diminui em cerca de 60% – uma percentagem maior que qualquer vacina criada até hoje. Especialmente em regiões como a Africa, onde a epidemia está sem controle, essa pode ser uma medida fundamental, podendo prevenir, apenas nesse continente, 5.7 milhões de novas infecções, nos próximos 20 anos.

    O anúncio, feito hoje pela OMS, diz que deve-se estimular a circuncisão gratuita ou subsidiada e elas devem fazer parte de programas de prevenção que também incluam aconselhamento, teste de HIV e distribuição de camisinhas. O alvo principal não são as crianças, mas homens adultos que tenham uma vida sexual ativa.

    A circuncisão fazia parte das tradições africanas, mas com a modernização, pasou a ser vista como uma intervenção ultrapassada e foi abandonada pelos grupos.

    Aqui nos EUA e acho que no Brasil também, existem grupos que divulgam essa cirurgia como cruel e traumática pras criança. Vi, recentemente, um filme que mostrava uma cena de uma circuncisão feita numa celebração na rua, em uma criança de uns seis anos (não consigo lembrar qual foi o filme) e a cena é, mesmo, chocante.

    Se eu tivesse um filho, talvez não fizesse a circuncisão nele pequeno, mas acho que iria convencê-lo a fazer depois dos 12, 13 anos, com anestesia, é tudo diferente, e é uma segurança a mais.

    Importante: A circuncisão não substitui, de forma nenhuma, a absoluta necessidade do uso da camisinha!

    Mas, pode ser uma segurança a mais, quando ela não é usada. Sabemos da dificuldade das mulheres exigirem o uso da camisinha no casamento, mesmo que desconfiem da infidelidade do parceiro e essa é uma das principais causas da transmissão do HIV para mulheres. Além do mais, em namoros longos, a gente sabe que quase todo mundo para de usar a camisinha, por isso, acho que é um fator de proteção a mais, que deve ser considerado.

    Leia mais:

  • WHO and UNAIDS announce recommendations from expert consultation on male circumcision for HIV prevention – documento oficial da OMS (Ingles)
  • Male circumcision in HIV prevention – pagina da OMS da OMS (Ingles)
  • Circuncisão a tradição do corte
  • Perguntas mais freqüentes
  • Cuidado e Problemas

    Fonte: Washington Post

    Imagem: Tumba de Ankhmahor, em Saqqara (cerca de. 2400 A.C.).

  • Reflexões Sobre o Feminismo

    Denise | Feminismo | Wednesday, 28 March 2007

    handinglove.jpg

    No começo do mês, celebrando o Dia Internacional da Mulher, o excelente blog Mulheres de Olho publicou uma série de entrevistas coletadas em grandes jornais, sobre o movimento feminista.

    Reflexões sobre o feminismo

    A jornalista Laura Greenhalgh – editora do Estado de S. Paulo – publicou essa entrevista com a historiadora e professora emérita da Universidade Paris 7, Michelle Perrot, que reflete sobre o nascimento e crescimento do feminismo contemporâneo, e os desafios que se apresentam nos diferentes continentes.

    Reflexões sobre o feminismo II

    No Caderno Mais!, da Folha de S.Paulo, saiu com a tradução de uma entrevista provocativa com a historiadora Yvonne Knibiehler, publicada no jornal Le Monde. O Mulheres de Olho afirma que “Comparando esta entrevista com a que foi publicada ontem neste blog (acima), verifica-se claramente que as percepções sobre o feminismo não são homogêneas. Há uma controvérsia em pauta que não é nova, mas cujo debate pode, e deve, ser renovado.”

    Reflexões sobre o feminismo III

    Artigo da jornalista Laura Capriglione, da Folha de S. Paulo, publicado hoje no caderno especial para o Dia da Mulher.

    Recomendo a leitura dos três artigos para quem quiser entender melhor o movimento de mulheres atual.

    Foto: Cena do vídeo Hand in Glove, dos Smiths.

    BALADABOA: Projeto de Redução de Danos Para o Uso de Ecstasy

    Denise | Corpo & Saúde | Tuesday, 27 March 2007

    baladaboa.jpg

    “O projeto Baladaboa não encoraja nem promove o uso de ECSTASY.
    Nosso objetivo é incentivar comportamentos menos arriscados já que o consumo de ECSTASY pode trazer problemas. Algumas pessoas escolhem correr esse risco, e não pretendemos julgar ou criticar essas pessoas. A liberdade de escolha de cada um deve ser respeitada, mas ela só é realmente livre quando consciente.

    Um princípio básico do projeto Baladaboa é a transmissão de informações comprovadas baseadas na ciência e não em ideologias morais ou políticas. Somente de posse de informações fidedignas usuários de ecstasy poderão assumir com responsabilidade as conseqüências de suas escolhas pessoais.”

    Se você usa ecstasy, conhece alguém que usa ou tem filhos na idade de usar, ao invés de enfiar a cabeça na terra como avestruz, leia os excelentes flyers do Projeto Baladaboa, coordenado pelo Laboratório de Psicofarmacologia e Instituto de Psicologia da USP.

    Os folhetos, produzidos com a participação de usuários de ecstasy, informa a composição química dos comprimidos e dá outras informações importantes como os efeitos fisiológicos do ecstasy:

  • Aumento da temperatura corporal: atingindo altos graus, há risco de coma e morte.
  • Elevação do hormônio antidiurético, somada à ingestão exagerada de líquidos, pode causa grave distúrbio no equilíbrio orgânico de água e sódio.

    Fatores agravantes:

  • Falta de hidratação (mas, ATENÇÃO, meio litro de água a cada hora é uma quantidade suficiente.)
  • Calor ambiente
  • Falta de ventilação
  • Uso de roupas quentes
  • Exercício físico intenso e sem pausa.

    Para mais informações sobre o uso do ecstasy, visitem o Baladaboa e divulguem!

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