Deu no New York Times… sobre a mudança nos padrões de beleza da mulher brasileira

Resolvi publicar esse artigo, porque ele levanta algumas questões que discutimos sempre aqui, mas queria fazer algumas observações:
- Não vamos esquecer que o tal do Larry Rohter é aquele que escreveu sobre a “garota de Ipanema” estar se tornando obesa e publicou uma foto de turistas tchecas no New York Times. Também foi o que escreveu um artigo bem imbecil sobre Lula ter problemas com bebidas.
- Não é verdade que “atualmente é que os ricos no Brasil são magros e os pobres são gordos”. A obesidade é um problema nas classes desfavorecidas, que consomem doses cavalares de macarrão, que é mais barato e, eles acham que, enche mais a barriga, mas a classe média e os tais ricos também sofrem com obesidade.
- Apesar de ter algumas colocações interessantes, o artigo tem uma postura preconceituosa, defendendo o antigo padrão da mulher brasileira, “cheia de carne”, como se fossemos peças de alcatra a ser escolhida, e o autor prefere filé.
- “há também relatos de um boom na cirurgia plástica entre mulheres com 80 anos ou mais.”… e, pelo artigo, mulheres de 80 anos não tiveram 20, 30, 40: não vivem a pressão por beleza e juventude eterna e deveriam estar se preparando pra morrer (aproveito pra dizer que não tenho nda contra cirurgia plástica, se faz bem a quem se submete a ela, qualquer dia escrevo sobre isso)
- “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recentemente se submetido um tratamento cosmético nos dentes”… e daí, presidente ex-metalurgico não pode cuidar dos dentes? o que isso tem a ver com a história? não é forçar a barra demais pra criticar Lula até num artigo desses?
- “Todo ano segue o mesmo padrão: as matrículas em academias de ginástica caem à medida que o inverno se aproxima e aumentam no último trimestre do ano, à medida que as mulheres tentam preparar seus corpos para ter uma bela aparência nas praias durante o verão.”… guess what??? aqui é igualzinho… e na Suécia e acho que em muito lugar do mundo… é verdade que sofremos uma pressão fora do comum, mas essa pratica de abandonar academias no inverno não é só das desequilibradas mulheres brasileiras, nao…
- Finalmente, eu acho que a idéia de que “Os homens ainda resistem e claramente preferem o tipo mais rechonchudo, mais carnudo. Mas as mulheres querem ser livres e poderosas, e uma forma de rejeitarem a submissão é adotarem estes padrões internacionais que não têm nada a ver com a sociedade brasileira.” é totalmente equivocada, além de etnocentrista.
Primeiro, considerar a magreza um “padrão internacional”, é ignorar a existência, ainda, de padrões de beleza diferentes no Oriente Médio, Asia e Africa. Se contar essas populações, ainda tem muito mais gente no mundo com um “padrão de beleza” bem mais voluptuoso que a imagem anoréxica ocidental.
E eu discordo que, ao rejeitar a submissão aos padrões de beleza ideais para o homem brasileiro (carnuda e popozuda), a mulher esteja se rebelando, buscando ser “livres e poderosas”.
Como sempre, a mulher está fazendo seu jogo de sobrevivência, num país em que as meninas têm tão poucas expectativas de sucesso acadêmico e profissional, encontrar um marido ou vencer pela sua beleza e atributos físicos parece ser a solução considerada mais fácil e seguir o padrão de beleza ocidentalmente aceito como ideal, a mulher branca, magra e frágil, só é uma forma cruel de fazer o mesmo jogo.
O tal artigo aí abaixo:
Na terra da beleza ousada, um espelho confiável quebra

Por Larry Rohter, no Rio de Janeiro, para o New York Times
Como rei do Carnaval, o corpulento Rei Momo supostamente personifica toda a alegria, carnalidade e excessos associados ao mais brasileiro dos bacanais. Assim, quando o monarca reinante do evento se submete a uma cirurgia para redução do estômago, perde 68 quilos e dá início a um programa de exercícios, você começa a se perguntar o que está acontecendo.
E quando seis mulheres jovens morrem de anorexia em uma rápida sucessão – duas nas últimas duas semanas – a pergunta se transforma em perplexidade. O Brasil pode ter a sociedade mais consciente do corpo no mundo, mas tal corpo sempre foi um corpo confiantemente brasileiro – não norte-americano nem europeu.
Para as mulheres daqui isto significava ter um pouco mais de carne, distribuída de forma diferente para enfatizar o traseiro em vez do peito, os contornos de um violão em vez de uma ampulheta, e certamente não um palito. A anorexia, apesar de há muito associada a países industrializados mais ricos, era uma aflição praticamente desconhecida no Brasil.
Mas isto foi antes dos avanços da estética Barbie, modelos celebridades, televisão por satélite e cirurgias plásticas deixarem claro quão longe algumas noções importadas de beleza, necessidade e saúde invadiram os ideais brasileiros antes considerados invioláveis.
Ao “‘atualizar’ para os padrões internacionais de beleza”, disse Mary del Priore, uma historiadora e co-autora de “História da Vida Privada no Brasil”, o país está abandonando sua crença tradicional de que “rechonchudez é um sinal de beleza e magreza deve ser temida”. O resultado contraditório, ela disse, “atualmente é que os ricos no Brasil são magros e os pobres são gordos”.
Há uma geração, o tipo ideal aqui era o de Martha Rocha, a Miss Brasil de meados dos anos 50. Ela ficou em segundo lugar no concurso de Miss Universo supostamente porque seu corpo era um pouco generoso demais no quadril, traseiro e coxas, mas como tais características eram altamente valorizadas no Brasil, como sugerido pelos cartuns e a popularidade dos desenhos pornográficos de Carlos Zéfiro que circulavam, era o gosto do restante do mundo que era questionável.
Mesmo a famosa “garota de Ipanema”, imortalizada na canção de bossa nova composta em 1962, ilustrava as diferenças culturais que predominavam na época: apenas na letra em inglês é que ela é “alta e bronzeada, jovem e adorável”. Na versão original em português, a ênfase é dada no “doce balanço” dos seu quadril e traseiro, descrito como “mais que um poema, é a coisa mais linda que eu já vi passar”.
Hoje, em um profundo contraste, o sinônimo de beleza é Gisele Bündchen, a top model cujo enorme sucesso internacional inspira milhares de meninas brasileiras que sonham em imitá-la a se inscrevem em cursos e concursos de modelo. Mas muito pouco no corpo de Gisele -alta e loira, esguia mas peituda- a associa a auto-imagem tradicional de sua terra natal.
“A dela é uma beleza globalizada que não tem nada a ver com o biótipo brasileiro”, disse a dra. Joana de Vilhena Novaes, autora de “O Intolerável Peso da Feiúra -Sobre as Mulheres e Seus Corpos” e uma psicóloga daqui. “Ela tem pouco quadril, coxas ou traseiro. Ela é uma Barbie”, uma cujos pais são de descendência alemã.
A dra. Novaes e outros notaram que durante os anos 60 e 70, as meninas brasileiras brincavam com uma boneca local chamada Susi, que, refletindo a estética nacional, era mais escura e mais carnuda que suas equivalentes do exterior. Mas nos anos 70 a Barbie chegou, e em meados dos anos 80 a produção das bonecas Susi diminuiu, apesar de ter sido retomada nos últimos anos em uma espécie de reação.
Mas até recentemente, ninguém aqui falaria com admiração em ter uma figura como ampulheta como a da Barbie, muito menos o físico esfomeado das passarelas internacionais. Em vez disso, o ideal era conhecido como “um corpo de violão”; isto é, como o da Susi, mais cheio na cintura, coxa e traseiro.
Um indicador de quão rapidamente os valores estão mudando pode ser visto em um estudo do governo divulgado em novembro, pouco depois da primeira das mortes por anorexia, a de Ana Carolina Reston, uma modelo de 21 anos. Segundo a pesquisa, o percentual da população tomando medicamentos para suprimir apetite tinha mais que dobrado entre 2001 e 2005, tornando o Brasil o campeão mundial no consumo de pílulas para dieta.
“Os motivos são puramente estéticos, não médicos, especialmente para as mulheres”, que representam pelo menos 80% do mercado, disse o dr. Elisaldo de Araújo Carlini, um professor da Universidade Federal de São Paulo e que foi o autor do estudo. “Elas querem ficar magras a qualquer custo, tudo por causa das imagens do norte do Equador. É uma imposição cultural cruel sobre as mulheres brasileiras.”
Mulheres em países de todo mundo estão sujeitas a tais pressões, é claro. Mas os brasileiros argumentam que a situação aqui é mais extrema: aqui é, afinal, um país tropical no qual, muito mais do que nos Estados Unidos, Europa ou Japão, as pessoas vivem suas vidas ao ar livre, freqüentemente, por questão de conforto, com roupas parcas que exibem as glórias e defeitos do corpo.
Um resultado é uma cultura de vaidade que parece não conhecer limites. Neste verão, a nova onda é, segundo o noticiário local, lipoaspiração nos dedos do pé e há também relatos de um boom na cirurgia plástica entre mulheres com 80 anos ou mais.
Os homens não estão imunes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recentemente se submetido um tratamento cosmético nos dentes, e mesmo o chefe de uma tribo indígena na Amazônia se submeteu a cirurgia plástica porque, como colocou de forma franca, “eu estava me achando feio e queria ficar bonito de novo”.
Mas grande parte das queixas daqui sobre a tirania da cultura da beleza vem das mulheres. Todo ano segue o mesmo padrão: as matrículas em academias de ginástica caem à medida que o inverno se aproxima e aumentam no último trimestre do ano, à medida que as mulheres tentam preparar seus corpos para ter uma bela aparência nas praias durante o verão.
Mas os hábitos alimentares dos brasileiros não facilitam o processo. Se a emblemática refeição americana consiste de frango frito, espiga de milho e uma torta de maçã, seu equivalente brasileiro é arroz e feijão, batatas, massa, pão, salada e um bife com farofa.
A dieta brasileira é muito mais rica em carboidratos e baixa em proteínas do que o recomendado, disse Cláudia Carahyba, uma nutricionista em São Paulo que tem como clientes agências de modelos, que querem acabar com os maus hábitos de suas garotas. “Isto é particularmente verdadeiro entre os pobres”, ela disse. “Como a proteína custa mais, eles a trocam por mais carboidratos como mandioca, que é mais barata e faz você se sentir satisfeito.”
Na verdade, o novo paradigma tem entrado mais lentamente nas regiões mais pobres da Amazônia e do Nordeste, onde a fome ainda é disseminada e a idéia de “fartura” é particularmente valorizada. Lá, os homens em particular se orgulham em exibir esposas e filhos cujos corpos são mais rechonchudos, como um sinal de que são bons provedores.
“Ser gordo costumava ser considerado maravilhoso no Brasil, porque mostrava que você comia bem, o que é importante para os brasileiros”, disse Roberto da Matta, um antropólogo e colunista de jornal que é um importante comentarista social. “Fazer três refeições por dia e comer feijoada, calmamente, à mesa com amigos e parentes, significa que alguém está cuidando bem de você.”
Especialistas também concordam que os homens brasileiros, independente de classe ou raça, têm sido mais lentos em aceitar magreza como sinal de beleza feminina. Quando procuram por uma parceira sexual, os homens brasileiros são consistentes e claros em dizer que preferem mulheres mais carnudas no traseiro – “popozuda” é a gíria que usam aqui- e com curvas pronunciadas.
No passado, tal padrão era tão firmemente estabelecido que algumas mulheres brasileiras recorriam a cirurgia para redução de seio ou aumento do traseiro, às vezes até mesmo transferindo tecido de cima para baixo.
Mas à medida que o padrão internacional se estabeleceu, os gostos passaram a mudar. “Aqueles seios imensos que você vê nos Estados Unidos, como na ‘Playboy’, sempre foram considerados ridículos no Brasil”, disse Ivo Pitanguy, o mais renomado cirurgião plástico do país. “Mas agora há uma tendência maior do que antes para querer seios um pouco maiores -não torná-los imensos, mas mais proporcionais como parte de um corpo que é mais esbelto e mais atlético.”
Apesar de tais padrões globalizados de beleza se originarem nos bairros ricos, de maioria branca, eles estão gradualmente se espalhando pelo restante do país e ultrapassando fronteiras raciais por atrizes e modelos que vivem aqui e atuam nas populares telenovelas. Academias de ginástica podem ser encontradas em favelas e os jornais notaram que a mais recente vítima de anorexia era uma adolescente de pele morena de um subúrbio operário do Rio, que sonhava se tornar uma modelo.
Na verdade, todas as seis mulheres que morreram de anorexia viviam ou no Rio ou em São Paulo, os Estados mais cosmopolitas do país e os centros da indústria de moda brasileira. A morte que se seguiu a de Reston foi a de uma estudante de moda de 21 anos. Também ocorreu a de uma estudante e funcionária de escritório de 23 anos, que tinha uma página de Internet e dava aulas de inglês.
Del Priore, a historiadora, apontou para outras mudanças fundamentais, que ela disse que levaram a uma rebelião contra o machismo e a estrutura patriarcal que ela acredita que persistem aqui.
“Esta mudança abrupta é uma decisão feminina que reflete mudanças de papel” à medida que as mulheres saem de casa e trabalham fora, ela disse. “Os homens ainda resistem e claramente preferem o tipo mais rechonchudo, mais carnudo. Mas as mulheres querem ser livres e poderosas, e uma forma de rejeitarem a submissão é adotarem estes padrões internacionais que não têm nada a ver com a sociedade brasileira.”
Tradução: George El Khouri Andolfato (Folha de São Paulo)
Leia também: O que essas mulheres têm em comum?







Eu tenho uma dificuldade enorme em entender essa última afirmação da Mary del Priore. Com a mídia toda dizendo que tem de ser magra, loira e jovem, e controlar obsessivamente o corpo pra ser livre e poderosa, fica meio estranho dizer que aí não tem um componente de submissão patriarcal. O machismo continua, mas se antes é declarado pelos meninos, agora está diluído pela uniformização do discurso de auto-controle da mídia.
Não sei se você já viu, Denise, mas as meninas do Feministing também repercutiram esse artigo. E agora eu vou dormir, estou tonta de sono, e espero que meu comentário faça algum sentido amanhã
Também estou morrendo de sono e corro o risco de não fazer sentido… mas também não entendo a atitude da mulher brasileira em adotar o corpo magro como uma rebelião ao sistema patriarcal. A mulher quer assimilar o padrão de beleza dominante,i.e., o q elas assistem nas novelas, vêm nas revistas, na internet, etc. A mulher não fica mais magra para o homem, ela fica mais magra para ela mesma. A minha filha de 11 anos quer muito emagrecer e, obviamente, não se trata de um desafio. Ela quer ser como as “meninas bonitas”, que p/ ela, e para a maioria das meninas aqui no Brasil, é ser magra. Magra não, magérrima.
bjs
Denise,
Li os teus comentários sobre o artigo e concordo com vc qto à visão preconceituosa do autor.
Acho que ele foi infeliz ao usar o termo “internacional” (padrão de beleza internacional). Agora, vc não acha que seria melhor usar “padrão dominante” do que “padrão ocidental”? Acho meio complicado usar a dicotomia ocidente x oriente, como se fossem categorias isoladas.
Ele levantou um questão bem interessante (q tem me feito pensar bastante) – que a anorexia tem se alastrado p/ a população de baixa renda. É terrivel mas acho que é verdade…
bem, agora fui mesmo.
bjs
He he he, a sua crítica à matéria do Rohter está perfeita!
Denise,
Excelente a sua critica!
Eu tb nao entendi esse lance da mulher querer ser magra como forma de se rebelar contra o patriarcado. Para mim nao fez sentido algum. Concordo com o que a Cris falou 100%.
Bjs.
Regina
Sobre sua observação sobre o Lula, eu gostaria de acrescentar que qualquer coisa que ele faça será objeto de críticas. A imprensa brasileira (e pelo visto a estrangeira tb) sempre acha um jeito…
Por que será que é assim? Essa crítica do tratamentod entário é tão imbecil, por que perder tempo e gastar papel com isso? Não me lembro de o FHC ser alvo de tantas críticas.
Denise, esse cara tem fixação no Lula. Tem de tratar isso.
Sobre o assunto no geral, concordo contigo também. E como falei nos seus posts de anorexia, não acho que a mesma tenha a ver com a “desnutrição da mulher como dominação naqueles outros clãs”. Mantenho aquela minha opinião sobre a “androginia” que seria mais a responsável por essa “epidemia”, diferindo então desta de “dominação pela desnutrição”. Talvez ambas se encontrem no fim do discurso. E no mais, é isso, a anorexia é um “fenômeno” mundial, de longa data, claro, mas está acontecendo mais agora e também temos o acesso rápido à informação hoje em dia.
E não eram só as brasileiras que sonhavam em ter as “polegadas a mais” da Martha Rocha. O mundo inteiro tinha Marilyn Monroe como ideal de beleza. Não entendi o que ele quis dizer nessa parte do texto.. Claro que a mania atual tem a ver com querer copiar o padrão europeu e americano, mas até aí isso não é “privilégio” das brazucas.
Bjs
Denise,
Apesar da falta de tempo, não resisti (hehe, aposto que vc já imaginava!) e publiquei um post sobre o que me intriga na anorexia.
bjs,
Cris
Adorei o artigo, e confesso que reparei muito nisso na minha ultima viagem ao Brasil (setembro do ano passado).
Eu que sempre fui a amiga magrela, que era alvo de gozacao na escola por minhas pernas finas, e cresci sem jamais sair de casa de saia e admirando as meninas que eram “cheinhas”, e que eram consideradas bonitas e “gostosinhas” no colegio e faculdade.
Era a perna de uma, a bunda da outra. Sempre foi assim no Brasil e isso nao eh novidade pra ninguem.
Depois que sai do brasil esse “Auto-preconceito” que eu tinha com meu corpo aos poucos foi passando, pq na Europa eu realmente me sentia confortavel porque me enquadrava no “padrao” de beleza local. E inclusive passei a comprar saias e vestidos sem medo! hahahahah
Pois bem, na minha ultima visita ao Brasil, com todas as saias e vestidos que tenho direito na mala, e principalmente sem me preocupar nem um pouco com o padrao de beleza ou a opiniao local, me supreendi com amigas (as “gostosas” de alguns anos atras) se torturando com dietas mirabolantes e invejando as minhas pernas finas e compridas.
Juro que isso foi uma coisa que chamou MUITO minha atencao, pois pela primeira vez na vida, sai de casa no Rio de janeiro sem achar que todo mundo estava reparando que minha perna nao era “grossa e malhada”.
Mas ainda concordo com artigo quando afirmam que isso eh uma tendencia que esta acontecendo entre as mulheres brasileiras, pois os homens ainda preferem as popozudas.
A primeira vez que ouvi a palavra anorexia foi em 1973, aos 5 anos de idade, minha mae falando com minha tia sobre uma amiga/vizinha q tinha se separado do marido… a classe pobre(nordestina) brasileira quase nao tem o que comer, além da farinha de mandioca, nao existem nem mesmo a possibilidade de variacao. Muitas vezes os nenens recebem papa feita de farinha com água, pela falta de leite (ou de dinheiro para comprá-lo).
Nao existe uma realidade brasileira, e sim várias, o que é válido para Rio/SP nao é válido em Goiás/Bahia. Mesmo com toda a influência da mídia e revistas!
E o q é q os dentes de Lula tem a ver com anorexia? Q homem louco, meu!
Denise: vc foi muito feliz no seu depoimento…realmente as pessoas andam muito preocupadas em seguir padrões impostos…e muito menos do que deveriam estar…com a própria realização!!!Beijos de boa noite pras vc.
Peço desculpas a você pois só li o pedaço de sua autoria.O resto não perdi meu tempo.Alguns pedaços de frases foram suficientes.
Concordo com muitas de suas colocacoes. Além disso, tenho uma profunda implicancia com o Larry Rother e costumo sequer ler, quanto mais levar a sério, o que ele escreve sobre o Brasil.
Sem dúvida, ele incorreu em várias bobagens. Mas, acho que no geral, o artigo faz reflexoes interessantes e pertinentes sobre o fenomeno da anorexia no Brasil.
Outra coisa é que a frase: “atualmente é que os ricos no Brasil são magros e os pobres são gordos” nao é dele sim da historiadora Mary del Priore, que co-escreveu “História da Vida Privada no Brasil”.
E essa máxima parece mesmo fazer parte do senso comum, já que outros estudiosos tem afirmado isso também, ainda que ricos e de classe média também enfrentem problemas de obesidade.
De qualquer maneira, o tom do Larry Rother é sempre muito cínico e super irritante. As colocacoes sobre o Lula sao absolutamente ridiculas.
Beijos,
Van,
1. Eu escrevi “Apesar de ter algumas colocações interessantes”, portanto, concordo com voce que “o artigo faz reflexoes interessantes e pertinentes”
2. Eu nao disse que a frase “atualmente é que os ricos no Brasil são magros e os pobres são gordos” era do Larry, mas fazia parte do artigo.
3. Nunca vi nenhum estudo que afirmasse que os “ricos sao magros”, muito menos acho que isso faz parte do senso comum. O que muito se fala e’ sobre o enorme indice de obesidade dos pobres, que e’ real e eu confirmei no post. Eu teria todo interesse em ler sobre um estudo que afirmasse que os “ricos” estao mais magros.
Denise,
de fato, a afirmativa de que os ricos estao mais magros é absoluta demais. Tampouco li alguma coisa a respeito.
O que tenho lido muito é que os mais pobres estao apresentando um quadro de obesidade maior que os mais ricos. O que nao quer dizer, obviamente, que os mais ricos estejam mais magros.
Minha percepcao de que talvez isso seja verdade é absolutamente empirica, baseada no que ando vendo, tanto aqui no Peru quanto no Brasil.
Provavelmente, veio daí a minha confusao. Citei a frase como sendo da historiadora porque, imaginei, ela tenha dados a respeito para confirmar tal coisa. Ao contrário do Larry Rother, que costuma afirmar coisas sem fundamento.
Beijocas,
Ah, que bom que deu para você usar o artigo.
Quando o Rother fala em “padrão internacional” acho que ele exagera, mas… veja o caso da China, do Japão, da Índia (onde a Aishwarya Rai é considerada a mulher mais linda e espetacular, “concidentemente”, tem olhos verdes e pele branquíssima). Canso de ler reportagens sobre como as mulheres desses países querem cada mais se encaixar no padrão ocidental e como isso acaba influenciando mulheres em países “periféricos” àqueles.
Claro que não dá para generalizar, ainda há muitos lugares onde o padrão local resiste, mas tenho minhas dúvidas por quanto tempo.
Discordo que os ricos são magros e os pobres gordos, há gordos nos dois lados, a diferença é que o primeiro grupo tem condições de comprar e preparar alimentos mais saudáveis, o segundo come dois joelhos e um refri por R$ 3 porque é o que o dinheiro dá. Obesidade é epidemia mundial, inclusive em países onde os pobres são poucos.
Bjs
Saiu uma entrevista com a Gisele Bundchen sobre o tema da anorexia:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u67701.shtml
Segue aqui um trecho:
Folha – Existe hoje uma grande preocupação com os distúrbios alimentares no meio da moda. O que você teria a dizer às novas modelos quanto a isso?
Gisele Bündchen – É uma situação muito delicada. Você não pode generalizar e dizer que todas as modelos têm anorexia, assim como não dá para dizer que todos os jornalistas ou advogados são assim ou assado. É óbvio que, na moda, é preciso ser mais magra do que a média, isso faz parte do trabalho das modelos, e as roupas dos designers caem melhor nestas pessoas mais magras. Mas eu diria também que é muito importante as pessoas serem saudáveis.
Eu comecei com 14 anos e sempre me alimentei superbem, até demais. Algumas pessoas vão além dos limites, pois se sentem inseguras e, principalmente, não têm apoio familiar. Acredito que esses distúrbios são provocados por falhas na educação familiar.
Folha – Na carreira, você chegou a ser pressionada para emagrecer?
Gisele – Nunca. Eu obviamente já vi isso acontecer. Quando fazia desfiles havia meninas que não comiam. Mas nem todo mundo é assim. Mas, quando comecei, chegavam para mim e falavam: “Você tem um nariz ridículo, nunca vai ser capa de revista”. O que eu poderia fazer?
Ficar chorando ou fazer uma plástica? Não fiz nada disso, pois meu pai falou para mim: “Gisele, quem tem personalidade tem nariz grande. Você tem muita personalidade”. E eu toquei a vida pra frente. Os princípios, a educação: tudo vem da família. É a educação que te dá segurança. Nem todo mundo nasceu para ser Marisa Monte, com aquela voz linda e aquele talento todo. Se eu não sou Marisa Monte, não é por isso que vou me deprimir. Vou continuar a minha vida.