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Enfim, chegou o inverno…

Denise | Washington, dc | Wednesday, 31 January 2007

inverno2007.jpg

Ando tão cansada…

Denise | Me myself and I | Tuesday, 30 January 2007

venus.jpg

  • Quebrei e perdi todos meus óculos, estou vendo o mundo duplicado.

  • Mas em compensação, estou ótima, quase sem dor nenhuma da fibro.
  • Ainda que tenha levado uma queda na escada rolante do cinema e esteja com o joelho e o lado esquerdo do quadril detonados (mas isso não conta).
  • Assisti ao delicioso Vênus. Peter O’Toole arrebenta.
  • Tô trabalhando demais da conta
  • Fazendo cursos interessantíssimos, mas muito cansativos, sem tempo pra mais nada.
  • Mas fazendo yoga, pra equilibrar
  • E viciadíssima em smoothie (uma mistura de suco e raspa-raspa) de morango com blueberries.

…ainda assim, três dias sem postar, pra mim, já parece uma eternidade… prometo que amanhã tem novidades :-)

PS.: Há tempos queria perguntar isso aqui… vocês “fazem a cama” todos os dias? se não, quantos dias por semana? ninguém aqui em casa faz essas coisas – dobrar lençóis, colocar colcha, arrumar os travesseiros – me parece um trabalho tão inútil, né não?

Gente, estou perplexa com vocês! nunca pensei que a esmagadora maioria fizesse a cama todo dia…

O que acontece é o seguinte. Temos vários desses “duvets covers”, esse envelopão que a gente coloca o cobertor dentro. Mas, como eu sou muito agitada dormindo (e acordada hehehehe), temos dois, um pra cada. Então, não funciona a coisa de apenas puxar o tal quando acorda, porque sendo dois nunca fica bem arrumadinho.

Eu também adoro tudo branquinho, Patricia UK, e temos vários travesseiros, tudo braquinho, sempre que possível. Dia desses, comprei uma colcha de cama maravilhosa, indiana, assim cor de gelo, toda bordada (com a mesma cor). Vou tirar uma foto pra mostrar a vocês.

Foi uma promoção incrível. Custava 300 dólares, eu paguei 52, na World Market, porque tava com 75% de desconto e meu enteado tem mais 30% de desconto porque trabalha lá.

O problema é que todo dia quando vejo aquela coisa pesadíssima pra botar numa cama que tem 2,5m por 2,5m (king size sueco, é um pouco maior que o daqui), aí eu desanimo… e quando eu penso que daqui a pouca shoras vai estar tudo fora do lugar de novo, aí é que fica difiícil…

Enfim, gente quando me perguntam como é que eu tenho tempo de fazer tanta coisa, essa é uma das respostas…. hehehehehe… eu lavo roupa raramente (geralmente é tarefa de Ted) quase nunca “passo ferro” (ninguém passa, aqui em casa) , só cozinho quando me dá vontade, arrumo a casa quando preciso descansar do computador … e nunca, nunca, faço a cama.

Interessante, Gugala! Ted, que tem uma asma danada, disse a mesma coisa que você, que era melhor não fazer a cama porquê acumula ácaros… e eu achei que fosse desculpa dele pra não mudar as coisas por aqui… hehehehehe…

Raquel, você nem imagina como eu sinto falta dos meus lençóis bem passadinhos (tinha empregada que fazia isso no Brasil), agora, imagina, quem vai ter tempo, paciência e força pra passar os lençóis aqui de casa? ninguém! mas confesso que faz falta…

Viviana, eu também troco os lençóis uma vez por semana, queria usar o Febreese, adoro cheiros, mas Ted tem uma asma fortíssima e qualquer cheiro, bom ou ruim, deixa ele sufocado :-( por exemplo, eu adoro incenso e só uso quando ele viaja e no começo da viagem, alguns dias antes dele chegar já preciso eliminar todos odores. Perfume, então, nem pensar :-( mas ele é tão fofo, que vale a pena o sacrifício :-)

_____________________________

E continuem respondendo, estou gostando muito das respostas, quem sabe eu me animo?! (Jà volto com a foto da minha cama arrumadinha em homenagem a vocês!)

Marcha Pela Paz em Washington, DC

Denise | Washington, dc | Saturday, 27 January 2007

0marcha2007_5.jpg

Preciso dizer que eu adoro passeatas e manifestações públicas? acho que é um momento de catarse coletiva, quando pessoas – que se esbarram nas ruas, sem se falar e sem saber que pensam a mesma coisa sobre a guerra – viram um grupo só, que se move por um motivo único. Não entendo quem nunca foi a uma e quem diz que não gosta… não sabem o que estão perdendo, a gente sai de lá super energizada!

A passeata de sábado foi uma festança e o céu azul e sol lindíssimo, numa temperatura agradável, contribuiram pra o sucesso da manifestação.

Grupos se reuniram pra organizar as suas alas, como se fosse um desfile de carnaval, fizeram fantasias incríveis, cartazes escritos a mão numa cartolina ou pinturas sofisticadas, tinha de tudo. E as crianças, como sempre, deixaram o lugar ainda mais bonito. É assim que elas aprendem a ser cidadãos e cidadãs que lutam pelos seus direitos, como se pode esperar criar uma geração de pessoas conscientes se os pais não dão o exemplo?

Dá só uma olhada nas fotos:

A presença de artistas nesse evento ajuda porque eles dão ainda mais visibilidade ao evento. O que Angelina e Brad Pitt estão fazendo pelo mundo afora também tem seu papel, mas eu admiro ainda mais artistas que se expõem, se posicionam em questões políticas polêmicas como a guerra no Iraque e ajudam a mobilização do povo.

jane_hanoi.jpgEssa foi a primeira vez que Jane Fonda fez um discurso em uma manifestação contra a guerra em 34 anos. Durante a guerra do Vietnam, a atriz teve uma atuação intensa, e ficou conhecida como “Hanoi Jane”, por ter tirado essa foto, ao lado, com os soldados Vietnamitas e, dizem, por ter declarado que a tropa americana capturada não estava sendo vítima de tortura no Vietnam.

Isso fez dela uma das pessoas mais odiadas pela direita americana e, principalmente, pelos veteranos de guerra, que a consideram uma traidora. Por isso, ela decidiu não fazer mais declarações sobre a guerra, para não prejudicar o próprio movimento. Por isso, essa participação de Jane Fonda, no sábado foi ainda mais importante e um momento histórico.

Susan Sarandon, Sean Penn e Tim Robbins são, no bom sentido, arroz de festa. Essa é a enorme diferença entre eles e uma anta como a Gisele Bundchen. De que adianta tanta beleza, dinheiro e fama se só servem pra vender bronzeador?

Rhea Perlman fez vários seriados, mas ficou mais conhecida como a garçonete de Cheers e Q’orianka Kilcher fez The New World e Pocahontas.

Susan
Sarandon
Tim
Robbins

Jane
Fonda

Sean
Penn

Rhea
Perlmsn

Q’orianka Kilcher

O que me divertiu mais na passeata foi a criatividade do pessoal, muita música, muita gente fazendo o que sabe melhor, seja bambolê, teatro, dança, muitos bonecos gigantes… enfim, como eu já perguntei, quem disse que americanos não são criativos, são imbecis, alienados e sem graça??? poucas vezes me diverti tanto numa passeata como nesse último sábado:

E mais…

As três coisas mais interessantes da passeata, além de Jane Fonda:

Um cabeludo louro (e gato) nos seus 40, que passava hooooooooras na rua, na frente d euma bandeira colorida, e gritando, de vez em quando “os hippies estavam certos! uhuhuhuhuuuuu! os hipies estavam certos!!!” hehehehehehehe…

O grupo de meninas que distribuía abraços com o cartaz “arms are for hugging” (arms, em inglês significa braços ou armas). Fotos acima…

E o melhor de tudo. Já no fim da passeata, esse grupo de jovens estava dançando no meio de uma rua que estava prestes a ser aberta, de novo, ao trânsito. Ao invés dos policiais falarem com a garotada, na boa, pedindo pra eles desocuparem a rua, já chegaram fazendo pose numa fileira horizontal de bloco de motocicletas, querendo empurrar todo mundo (inclusive eu e Ted).

O pessoal sentou na calçada e não tinha quem is tirasse de lá. Na sequência das fotos acima, o momento em que os policiais desistiram e se retiraram com suas motocicletas truculentas e os meninos celebraram. Lindo. Ser jovem é isso. Fiquei morrendo de orgulho deles, que depois sairam, com os policiais pedindo, mas a pé, sem violência.

Um belo exemplo de resistência, num momento mais do que apropriado.

Veja fotos da passeata em San Francisco, no blog da Regina.

O Lino Resende está organizando, hoje, dia 30, uma blogagem coletiva pela PAZ. Não tenho tempo de fazer outro post (estou saindo, correndo, para um curso), mas nada mais apropriado que esse post da passeata… pela PAZ. Então, fico aqui representada!

A Guerra Não é a Resposta

Denise | EUA | Saturday, 27 January 2007

warisnottheanswer.jpg

Mesmo com um frio de rachar (ontem deu – 11 e hoje está dois grauzinhos positivos), estou saindo pra passeata, que não adianta de nada ficar só reclamando na frente do computador.

Breve, fotos, aqui. Foto acima, da passeata de 2005, que com certeza foi muito mais fotogênica, por ter sido no verão… mas, vamos ver….

A Meg não morreu…

Denise | Blogosfera | Friday, 26 January 2007

perelachaise.jpgGente, eu estou PASMA com a informação que circula pela internet, que a Meg Guimarães Rosa, do blog Subrosa, sobre a qual escrevi aqui, há alguns dias, não morreu, foi tudo uma armação. Eu não tinha intimidade nenhuma com ela, apenas trocamos algumas mensagens, mas muita gente chorou, sofreu, escreveu posts comoventes… e era tudo mentira!

Quem a conhecia foi juntando as pecinhas. O “Paulo” que se dizia “marido” dela, deixou até um recado aqui (apaguei os posts, claro!) dizendo que a Meg escreveria pra mim, psicografada pela “Tereza Quetzal”. Essa Tereza, apareceu no dia 23 e disse que era uma pena que a Meg não tivesse tido tempo de se tornar minha amiga… agora, tudo indica que a “Tereza Quetzal” é a própria Meg…

Fiquei mesmo foi com muita pena dela, imagine que vida carente e triste alguém deve ter para precisar criar uma história como essa, como forma de chamar atenção…

Enfim, apesar de achar que foi uma brincadeira de muito mau gosto, não posso deixar de me sentir aliviada, afinal, uma verdade é que ela tem câncer, faz quimioterapia, então, melhor que seja mentira… mesmo todo mundo fazendo papel de otário… resta torcer para ela melhorar. E criar juízo, sempre é tempo.

Enfim, estou escrevendo porque fui uma das que anunciou a sua morte e devia uma explicação pra vocês… é muita loucura nesse mundo – real ou virtual.

Os detalhes dessa história louca estão nos comentários nesse post da Cora Rónai.

Atualização

Quanto mais leio, pela blogosfera afora, mas sinto um embrulho no estômago com a morbidez de tudo isso. Posso entender a revolta de todo mundo, o caso não me afetou tanto porque eu não tinha proximidade com ela, mas engraçado é que, o tempo todo, só lembrava de Guilherme (ex-Ay Caramba), que foi meu amigo e da Meg, por algum tempo. Fiquei preocupada pensando em como ele estaria, se soubesse da morte dela.

Dia desses, eu estava escrevendo sobre a solidão e o quanto a Internet tem ajudado as pessoas (acabei sem postar) e acho que esse é apenas um caso extremo, de alguém desesperada por atenção.

Não consigo ter raiva dela, acho que ninguém faz uma armação dessas por pura maldade ou brincadeira (a não ser que ela não tenha avaliado bem as consequências). Acho que foi solidão demais, desequilíbrio emocional, carência afetiva. Fico pensando em como ela está se sentindo agora, não deve ser fácil. Espero que isso tudo passe logo.

Enfim, descanse em paz, Meg, porque, pelo jeito, pra blogosfera você morreu mesmo. Talvez seja melhor assim, vá cuidar da vida, procurar mais paz, saúde e tranquilidade. Nem sempre blogar faz bem a todo mundo. Torço pra você ficar bem, pode acreditar!

Imagem: Cemitério Pére Lachaise.

Eu queeeeeeeeeero!!!!!!

Denise | Feminismo | Friday, 26 January 2007

burn_sutia.jpg

Vende aqui. E eu vi aqui.

Super marcha pela Paz em Washington, DC

Denise | EUA | Thursday, 25 January 2007

mandateforpeace.jpg

“No dia da eleição, @s american@s escolheram um dramático, inconfundível, mandato pela paz.

codepink2.jpgAgora, é tempo de ação. No dia 27 de janeiro, nós vamos convergir, de todos os cantos do país, para Washington, D.C. para dar uma mensagem forte e clara para o Congresso e a administração Bush: As pessoas desse país querem o fim da guerra e da ocupação do Iraque e queremos as tropas de volta pra casa.

Esse é um momento crucial para ir a DC. Bush acabou de fazer a sua declaração anual “State of the Union” e o novo congresso, liderado pelos democratas, está começando seus trabalhos. Membros do congressional members e ajudantes nos disseram que esse é o momento de ir para as ruas e para os escritórios dos congressistas, para manter a pressão.

No momento em que Bush anuncia que vai mandar mais milhares de soldados ao Iraque, precisamos pressionar o Congresso para que pare de financiar essa guerra. (…) No dia da eleição, os eleitores tiveram uma ação individual, no dia 27, vamos marchar para Washington, para assesgurar que o Congresso entenda a urgência do momento”. Codepink

A partir de hoje, até terça-feira, mesmo com milhões de outras coisas a fazer, estarei ao lado do Codepink – Women for Peace, como voluntária na organização e realização da super passeata que acontecerá no dia 27, sábado, aqui em Washington, DC. Hoje eu vou participar de um encontro pra discutir como vamos trabalhar nesses dias.

walkinhershoes.jpgAmanhã, estarei com o pessoal montando uma instalação, nos gramados do Mall, que se chama Walk in Their Shoes. Espalharemos milhares de sapatos, simbolizando @s mort@s no Iraque. Eu vou levar três sapatos femininos (usados) nos quais colocarei o nome e idade de:

  • Rabha Rekaad, 16 anos, morta em tiroteio, em Makr al-Deeb.
  • Isra Qaisar, 29 anos, morta por um foguete, em Bagdad.
  • Dina Mohammed Hassan, 38 anos, jornalista de TV, morta em tiroteio em Adhamiya, Baghdad.

    No sábado, dia da super passeata, o grupo Codepink se encontrará, às 10 da manhã, no Navy Memorial, 7th Street and Pennsylvania NW e, às 11, sairá pra se encontrar com o grupo maior no Mall entre a 3rd e a 7th streets.

    A passeata sai à uma da tarde e já tem confirmados Jane Fonda, Susan Sarandon, Sean Penn, Rhea Perlman, entre outros.

    À noite, pra celebrar os nossos esforços e levantar recursos pro movimento, uma festinha (com Sean Penn, lembrei da Meg!). @s voluntári@s entram de graça :-)

    marchapaz1.jpgNo domingo, vou participar do workshop Peace is a Feminist Issue, organizado pelo NOW – National Organization for Women e depois participar de uma sessão onde vão nos informar como andam as coisas no Iraque, em relação à legislação americana, e fazer um treinamento sobre lobby e mobilização. De noite tem outra festinha, mas duvido que eu aguente e Ted queira ir :-)

    Na segunda-feira, será o Educate Congress Day, quando vamos fazer lobby junto aos congressistas.

    E pra finalizar, na terça-feira, teremos outra mobilização no Congresso pedindo que tragam as tropas de volta para casa.

    Alguém, que está aqui em Washington, DC, topa participar de algum desses eventos comigo? ao invés de apenas reclamar, vamos fazer alguma coisa?

    marchapaz2.jpg

    Em 2005, participei da Marcha Pela Paz e Contra a Guerra do Iraque, aqui em DC. Fiz algumas fotos que mostram o quanto os americanos podem ser – ao contrário do que reza a lenda – muito criativos e cheios de humor, mesmo num momento tão grave. Outras fotos, como essa acima, das mulheres que perderam seus filhos ou companheiros na guerra, são muito comoventes. Vejam as fotos aqui.

    _____________________________________

    Americano é alienado?

    Depois de ler o excelente post da Andrea N, me deu vontade de complementar, aqui também.

    É verdade que eu moro numa das regiões mais politizadas do país, claro. Mas fiquei pasma, dia desses, ao fazer uma pesquisa procurando Fundações que financiam projetos sociais na cidade onde eu vivo (que é fronteira com Washington, e é bem pequena) e encontrei OITENTA E OITO fundações, que apoiam projetos de saúde, alfabetização, etc. Tá bom, estamos muito próximos de Washington, mas é uma cidadezinha minúscula… com oitenta e oito Fundações!!!

    Tenho feito muitos cursos e lido muito sobre “fundraising” (captação de recursos) e o que eu vejo é que, em todo o país, não apenas aqui, existem centenas de milhares de instituições que investem na comunidade, grandes ou pequenos projetos. E a maior parte dessa verba vem de doação individual d@ american@ médio que os brasileiros adoram chamar de imbecil e alienad@. E isso acontece em todo país, do Alabama à California.

    Claro que existe um desconto no importo de renda para que as doações sejam feitas, mas acho que aí no Brasil também existem benefícios fiscais para doações, não? se não existe, devíamos lutar por isso.

    Talvez por, geralmente, não ter família morando por perto, as pessoas têm uma cultura de se reunir em comunidades, clubes de leitura, associações. Onde está o famoso “individualismo americano”? Na Suécia, por exemplo, isso era muito, muito mais raro de encontrar e as pessoas viviam muito mais isoladas. E no Brasil?

    A minha experiência é que, a idéia de coletividade, no Brasil, passa pela família e, eventualmente, alguns amigos. E para por ai. Você raramente vê alguém doando dinheiro pra alguma coisa. Partem sempre do princípio que a entidade vai roubar seu dinheiro.

    As pessoas não gostam de passeatas, sindicatos e não participam nem de reunião do condomínio – depois ficam dando escândalo no hall do prédio, reclamando de mudanças que foram discutidas por um pequeno grupo de pessoas que deixaram de ver a novela pra participar da reunião.

    O único lugar em que eu vi um verdadeiro espírito de coletividade, no Brasil, foi nas favelas, onde estão lutando pelos direitos básicos. Quantos de vocês vivem em bairros de classe média que têm uma organização comunitária?

    Enfim, eu detesto esse estereótipo anti-americano tão difundido no Brasil. Aqui também tem coisas boas e uma delas é esse participação em organizações sociais. Tá na hora do pessoal olhar o próprio rabo, ver que antes de reclamar tanto do “egoísmo americano”, precisamos repensar os nosso conceitos por aí mesmo…

  • Mais uma história de amamentação salvando vidas

    Denise | Amamentação | Thursday, 25 January 2007

    kat kim

    Muita gente nos EUA acompanhou a história dessa família que se perdeu no Oregon, no meio de uma nevasca, no feriado de Thanksgiving. Uma péssima sinalização e um mapa inadequado os deixou no meio do nada.

    Familia KimDepois de andarem perdidos por muito tempo, mantiveram-se no carro, usando toda gasolina para se aquecer. Os celulares não funcionavam e as várias tentativas de contato foram em vão. Ficaram mais de uma semana perdidos.

    Quando Kati e as duas filhas foram, finalmente, encontradas por um helicóptero (foto), o pai e marido James Kim (editor do site de tecnologia CNet, na foto ao lado) tinha deixado o carro para procurar ajuda. Foi encontrado morto, por hipotermia, alguns dias depois.

    Kati Kim salvou as duas filhas – Penélope, de 4 anos e Sabine de 7meses – amamentando-as. Além de nutrir, o leite materno hidrata e a amamentação acalma, o que foi fundamental para o controle do stress da mãe e as duas crianças, perdidas e sem esperanças.

    Essa história me lembrou a lenda da Difunta Corrêa, na Argentina.

    Muito triste.

    Mais fotos aqui.

    Fonte: SFGate

    Video game que ajuda a perder peso

    Denise | Cybercultura | Wednesday, 24 January 2007

    nintendo_wii.jpgOs pais costumam ficar preocupados com o sedentarismo dos filhos jogando video game, que tem sido considerado um dos motivos do aumento de peso da garotada.

    Pois bem, o americano Mickey DeLorenzo fez uma experiência. Ele não mudou sua dieta, nem nenhuma das suas atividades, mas passou a jogar o novo Nintendo WII meia hora por dia, durante seis semanas. E perdeu 4 quilos.

    O novo Nintendo tem jogos sensíveis aos movimentos e ele jogou, principalmente boliche e boxe, virtuais, claro, mas o exercício foi bem real.

    Claro que não é a mesma coisa que se exercitar com outras pessoas, falta a socialização etc. mas, enfim, não tenho nada contra video games, acho que eles podem ser muito bons pra desenvolver a capacidade de estratégia e rapidez de raciocínio, sempre fiz tudo pra Bia gostar de jogar SimCity. O importante é evitar os excessos.

    E agora, com a possibilidade (que parece que já existia em outros games) de se “mexer” jogando, melhor ainda!

    O moço conta sua experiência e mostra um vídeo jogando os tais games em seu blog.

    Gisele e sua “contribuição” para a questão da anorexia

    Denise | Anorexia & Bulimia | Wednesday, 24 January 2007

    gbundchen1.jpgEstou totalmente sem tempo, trabalhando demais da conta, portanto, vai ser difícil pra mim, comentar os comentários, mas precisava escrever isso. Usem a página de comentários para complementar e dizer o que pensam!

    Que me perdoem @s fãs, mas eu DETESTO Gisele Bundchen. Acho que ela é uma patricinha extremamente arrogante e deslumbrada. Como brasileira, não tenho um pingo de orgulho do sucesso dela, que é uma moça elitista, fora da realidade, alienada, que não consegue articular um pensamento coerente numa entrevista, e quando resolve dar opinião, fala besteira.

    Essa sua declaração “puxa-saco da indústria da moda”, culpando as famílias pelos casos de anorexia das meninas que querem ser modelo foi uma das coisas mais insensíveis e desinformadas que já ouvi sobre o assunto. Sem falar no egoísmo e na crueldade em relação às famílias que acabaram de perder suas filhas para a anorexia.

    Colocar nas costas da família a responsabilidade pela anorexia, pra mim, foi uma iniciativa muito bem orquestrada e combinada com grupos organizados da indústria da moda, parte de uma campanha desencadeada para se abster da responsabilidade em relação aos distúrbios alimentares.

    Nunca vi um único profissional de saúde afirmando que as famílias são responsáveis pelo aumento nos casos de anorexia.

    Ainda que existam famílias desestruturadas, por acaso a loura acha que essa instituição “família”, é algum tipo de entidade extraterrestre, que não sofre também o efeito da pressão social pela beleza e magreza??? seriam os pais e mães seres sobrehumanos?

    As mães que incentivam as meninas a perder peso e tentar carreira de modelos são, elas também, vítimas dessa pressão causada pela imagem de poder e sofisticação da magreza, tão incentivada pela moda.

    Obviamente, eu não fui a única a ficar revoltada com a declaração da modelo. Acabei de ler um artigo com declarações de pesquisadores dos EUA e Canadá, criticando, seriamente, as bobagens que ela disse, vou deixar os especialistas falarem por mim:

    Dr. Allan S. Kaplan, da Universidade de Toronto:

    “Uma opinião desinformada, como a de Bundchen, provoca danos em diversos níveis. Contribui para o estigma, fazendo com que pessoas que sofrem desses problemas escondam-se e criando obstáculos para que procurem ajuda. Prejudica as tentativas dos que lutam contra o problema e fere os pais que estão lutando, desesperadamente, pela recuperação das suas filhas.”

    Walter H. Kaye, M.D., professor de psiquiatria da Escola de medicina da Universidade de Pittsburgh:

    “Nossas pesquisas mostram que os genes parecem ter um papel substancial na determinação de quem é mais vulneravel para desenvolver uma desordem alimentar. No entanto, a pressão social não é irrelevante; pode ser que o catalizador ambiental desencadeie o risco genético que aquela pessoa tem. (…) As famílias não devem ser culpadas por causar anorexia. De fato, elas são, constantemente, devastadas e sofrem em consequência dessa doença.”

    Dra.Cynthia Bulik, Ph.D. da Universidade da Carolina do Norte:

    “Precisamos compreender todos os fatores que influenciam as desordens alimentares, genética e ambientalmente, e encontrar caminhos para atuar, de forma a prevenir que as pessoas desenvolvam essa condição potencialmente fatal. (…) compreender como os genes e o meio ambiente interagem, tanto para aumentar o risco das desordens alimentares, quanto para proteger as pessoas que são geneticamente vulneráveis de desenvolver a doença, vai requerer a cooperação de profissionais do campo de desordens alimentares, a mídia, e as indústrias da moda e de entretenimento. Apenas cooperativamente, vamos poder avançar na direção da eliminação dessas doença.”

    _____________________________

    E é porque eu não vou nem falar na outra declaração irônica e “eugenista”, segundo a qual apenas algumas poucas meninas “geneticamente favorecidas” (leia-se, magérrimas) têm direito de desfilar em passarelas. Meninas normais, com corpos e imagem bem brasileiras não têm nenhuma chance.

    ps.: minha tradução da matéria foi beeeeeeeeeem livre e caindo de sono…

    Mais reflexões sobre o aborto – – Blog for Choice Day

    Denise | Corpo & Saúde | Monday, 22 January 2007

    sad_woman.jpgA Daniele deixou um comentário muito gentil, sobre essa questão do aborto, que me deu, também, oportunidade para falar mais sobre os meus pontos de vista em relação a esse tema tão complexo.

    Gostaria muito de saber o que vocês pensam, e terei todo respeito por qualquer comentário que for colocado com a mesma gentileza e educação que a Daniele teve (para ver o comentário dela, na íntegra, vejam no post abaixo).

    “Quando eu era adolescente eu sempre achei que aborto deveria ser legal porque era uma opcao da mulher. Lembro de uma aula no colegial onde eu fiz parte de um debate a favor do aborto. Eu apresentei muitos fatos e falei muito mesmo sobre os pontos bons do aborto.”

    Daniele, como toda adolescente, você tinha uma visão imatura da questão, certamente, não encontramos “pontos bons” em relação ao aborto. Ninguém vê o aborto como uma “boa opção”, mas, em algumas situações, como a única. Por isso, sou totalmente a favor do direito da mulher decidir se vai fazer interromper a gravidez ou não, o que é muito diferente. Sou contra tapar o sol com a peneira e fazer de conta que as mulheres não estão morrendo por abortos clandestinos.

    “Porem, com o tempo eu comecei a aprender mais o que o aborto significa realmente. Aprendi um pouco sobre as tecnicas e como o feto eh descartado. Seria interessante se esse lado tambem tivesse sido mostrado em sua pesquisa. Eh muito triste e desumano. Eu acredito que o feto eh uma pequena vida dentro da mulher e nao apenas um bando de celulas.”

    Eu não tenho nenhum problema em abordar os aspectos técnicos da cirurgia para interrupção da gravidez, apenas isso não tinha nenhuma relação com o meu post. Mas, posso dizer que o que você disser e o que eu disser será baseado, exclusivamente em nossas crenças, já que a ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre quando começa a “vida” no útero. Eu só sei que a mãe está bem viva e negar o direito ao aborto a ela não é nem um pouco “pró-vida-da-mulher”.

    “Acho que ao inves de tratar o problema da gravidez indesejada com o aborto seria melhor investir em programas pra evitar a gravidez em primeiro lugar.”

    Mas, Daniele, NINGUÉM discorda disso, claro que nós estamos carecas de saber que é preciso investir em programas de contracepção e são as feministas as que mais defendem isso e mais lutam e dedicam suas vidas a buscar anti-concepcionais seguros e disponíveis para todas as mulheres. Não ficamos apenas defendendo o aborto, não, sabemos que ele é uma última opção.

    “Temos muitos metodos hoje em dia de contraconcepcao como a pilula, a injecao, o patch, o ring, e ate a pilula do dia seguinte. E claro nao podemos esquecer tambem da camisinha. Porque nao incentivamos meninas e meninos a usa-los? Se isso fosse feito, nao haveria necessidade de um aborto. Acho que seria bem melhor.”

    Sem dúvida, em um mundo perfeito isso seria a única coisa que precisaríamos fazer. Infelizmente, o assunto é muito mais complexo e existem pessoas e grupos lutando pelos direitos reprodutivos e defendendo o uso de todos esses métodos há décadas.

    Claro que incentivamos nossas meninas a usá-los. Infelizmente, nem todo mundo é como eu que cheguei já até a ir à minha ginecologista encomendar o ring pra Bia, quando ela estava muito ocupada trabalhando. A maioria das mães e pais ainda fazem de conta que a filha ou filho não tem relações sexuais e quando ela engravida acha que a culpa é da menina e do menino.

    Além da falta de cosnciência e informação, existem mil outras razões que levam adolescentes a engravidar. As mais pobres não têm nenhuma cesso a todos esses métodos que você citou ai, e muitas vezes elas engravidam até porque, sem nenhuma perspectiva de vida – profissional ou acadêmica – acham que esse é um caminho pra vida adulta, formar uma família… até cair na real que o cara sumiu e elas têm de cuidar de um filho, numa casa de favela que tem um cômodo e 8 pessoas… e aí?

    Daniela, tudo isso que você falou, eu tenho pensado há quase vinte anos. Infelizmente, a solução não é tão simples, passa por profundas mudanças estruturais da sociedade e, enquanto isso, as mulheres estão morrendo nas mãos das curiosas.

    “Muitas pessoas hoje em dia, veem sexo como algo banal cuja funcao eh apenas o prazer fisico individual. Porem, essa nao eh a unica funcao. Nas aulas de biologia, eu sempre aprendi que sexo eh um meio de procriacao tambem.”

    Me desculpe, mas eu acho que sexo é sexo, pode ser “profundo” ou “banal” e eu defendo o direito de homens e mulheres fazê-lo do jeito que lhes aprouver. Sexo enquanto “meio de procriação” é algo que existe apenas numa pequena fase da vida da mulher e do homem, todo o resto do tempo sexo deve ser visto como puro prazer e expressão de amor, carinho e intimidade e espero que a mulherada aproveite bem essa fase, transando muito ou pouco, com muitos ou poucos, com homens ou mulheres, como cada uma quiser.

    Sem falar que muitas vezes essa fase de procriação nem existe, porque muitas mulheres e homens hetero ou homossexuais não pretendem procriar de jeito nenhum, vão fazer sexo a vida toda, sem ter a gravidez como objetivo. Pra você ver como essas coisas são complicadas, sexo é uma coisa, e procriação é outro departamento.

    “Conheco uma moca que fez um aborto tambem, ela estava tendo relacoes com um homem casado e nao estava tomando anticoncepcional ou usando camisinha. Como ela mora nos EUA, ela foi em uma clinica e fez o aborto sem problemas.

    As vezes eu fico pensando em todas as razoes pelas quais as mulheres fazem aborto… Escolha da mulher, nao eh verdade? Talvez a escolha seja nao ter relacoes com homem casado, or usar camisinha, or usar algum metodo anticoncepcional antes de ter relacoes.”

    Sem dúvida a mulher E O HOMEM, devem escolher usar camisinha, ou outro método anti-concepcional, sempre.

    Agora, escolher se vão namorar uma pessoa comprometida ou não, aí foge totalmente do meu alcance e nível de interesse e é uma questão puramente moral. Não faço julgamentos desse tipo porque não sei o que está acontecendo na vida dessas duas pessoas.

    Seria muito, muito bom, se a vida da gente fosse toda arrumadinha, corretinha, do jeito que a gente pensa que vai ser quando a gente é criança ou menininha. Mas não é. A vida, os sentimentos, os acontecimentos, podem ser muito mais caóticos do que a gente espera e suas consequências podem ser desastrosas, mas cabe a cada pessoa assumi-las e não ao Estado punir quem não se “comporta bem”.

    “Nossa sociedade hoje em dia, nao acredita muito em responsibilidade pessoal. Eh sempre a culpa de alguem e nao a nossa. Estamos sempre procurando justificativas pelo meio mais facil de resolver o problema. Nao queremos mudar, enfrentar o problema ou tomar responsabilidade sobre nada que acontece conosco.”

    Daniele, acho que sempre foi assim, se a gente pensar nas épocas passadas, era até bem pior, as pessoas simplesmente dizimavam grupos inteiros, como os judeus, ou tornavam outros escravos, não acho que nossa sociedade é pior. Agora, sem dúvida, falta solidariedade e compromisso e é isso que estamos propondo. Ao invés de condenar, ser solidários.

    Além do mais, nunca diga que o aborto é uma solução mais fácil pra resolver o problema, porque não é, às vezes é a única solução, só isso.

    “E nao adianta culpar religiao, porque se aborto fosse uma coisa boa, pessoas que ja passaram por isso nao sofreriam de tristeza, culpa, ou remorso.”

    Ninguém disse que aborto é uma coisa boa, repito, mas as pessoas que eu conheço que fizeram um aborto não sentem “remorso ou culpa”, sentem uma profunda tristeza por ter feito algo que poderia ter sido diferente, não preciariam ter passado por tanto sofrimento, por mil razões, mas o fato é que, precisaram fazer e estão vivas… quantas morreram por isso?

    “Respeito a opiniao de todos e desculpe se ofendi alguem, mas acho que a legalizacao do aborto e tapar o sol com a peneira.”

    Também tenho todo respeito pela sua opinião, especialmente pela forma gentil como foi colocada, mas se você tentar ver a questão com mais objetividade, quem está tapando o sol com a peneira são os que acreditam que são pró-vida, sem ter nenhum compromisso com a vida da mulher.

    Ilustração: Levanovich.

    O Aborto na História – Blog for Choice Day

    Denise | Blogagem Coletiva, Corpo & Saúde, Feminismo, Sexualidade | Monday, 22 January 2007

    munchabortion2.jpg

    Ninguém faz um aborto por prazer. É uma decisão dolorosa, mas quase sempre irreversível, porque muito mais dolorosas seriam as consequências de uma gravidez indesejada levada a termo.

    Trabalhando em comunidades marginalizadas percebi que quando a mulher não pode ter filho, ela faz o aborto de qualquer forma, usando agulhas de tricô para perfurar o colo do útero, no banheiro de casa, ou com “curiosas” que ajudam das formas mais precárias.

    Também as mulheres que têm uma situação mais privilegiada se encontram em situações nas quais não podem levar adiante uma gestação. A diferença é que essas, muitas vezes, têm condições de pagar por serviços que não colocam suas vidas em risco.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, 20 milhões dos 46 milhões de abortos realizados mundialmente, todos os anos, são feitos de forma ilegal e em péssimas condições, resultando na morte de, aproximadamente, 80 mil mulheres, por ano, vítimas de infecções, hemorragias, danos uterinos e efeitos tóxicos de agentes usados para induzir o aborto.

    Quando grupos apresentam-se “pró-vida”, não estão considerando a enorme quantidade de mulheres que morre todos os anos. A criminalização do aborto é cruel, porquê não muda a situação em que essas mulheres vivem, apenas as culpabiliza ainda mais e as faz correr risco de vida, especialmente as mulheres pobres.

    É importante aprender com a história, pra entender o que se passa hoje. “Verdades” que parecem absolutas vêem sendo alteradas com o passar do tempo, mudando conforme mudam as conjunturas políticas e econômicas. Tendo sempre como principal vítima, a mulher.

    O Aborto na História.

    A decisão de interromper a gravidez não é coisa de mulheres modernas, sobrecarregadas com as obrigações da maternidade, trabalho e estudos. Aparentemente, desde que o mundo é mundo, as mulheres se vêem em situações em que não desejam – ou não podem – levar uma gestação à frente. Já entre 2737 e 2696 a.C., o imperador chinês Shen Nung cita, em texto médico, a receita de um abortífero oral, provavelmente contendo mercúrio.(1)

    Também não é novidade que interesses políticos, econômicos e religiosos têm prevalecido, em relação ao direito da mulher decidir sobre o próprio corpo. Da mesma forma que se quer proibir, hoje, já se quis obrigar o aborto em diversos momentos da história.

    aphrodite.jpgNa antiga Grécia, o aborto era preconizado por Aristóteles como método eficaz para limitar os nascimentos e manter estáveis as populações das cidades gregas. Por sua vez, Platão opinava que o aborto deveria ser obrigatório, por motivos eugênicos, para as mulheres com mais de 40 anos e para preservar a pureza da raça dos guerreiros.

    Sócrates aconselhava às parteiras, por sinal profissão de sua mãe, que facilitassem o aborto às mulheres que assim o desejassem (1)

    No livro História das Mulheres – A Antiguidade, Georges Duby e Michelle Perrot afirmam que “se as mulheres desejavam limitar os partos, tinham de recorrer aos abortivos, cujas receitas são muito abundantes (…) O primeiro risco era, portanto, o da ferida de um útero ainda imaturo devido à juventude das esposas romanas; nese caso os médicos recomendavam mesmo o aborto, inclusive por meios cirúrgicos (sondas)”.(5)

    É importante lembrar que, mesmo nas sociedades em que o aborto não era tolerado, na antiguidade, não se via aí como o direito do feto, mas como garantia de “propriedade do pai” sobre um potencial herdeiro.(2)

    Mesmo no Cristianismo, o aborto não foi, sempre, uma questão tratada como nos dias de hoje, São Tomás de Aquino, com sua tese da animação tardia do feto, contribuiu para que a posição da Igreja com relação à questão fosse bem mais benevolente, naquela época. (1)

    Foi apenas em 1869 que a Igreja Católica declarou que a alma era parte do feto desde a sua concepção, transformando o aborto em crime. (3)

    No século XIX, a prática de proibição do aborto passou a expandir-se com toda força, por razões econômicas, já que a sua prática nas classes populares podia representar uma diminuição na oferta de mão-de-obra, fundamental para garantir a continuidade da revolução industrial.

    postersovietico1.jpgEssa política anti-aborto continuou forte na primeira metade do século XX, com exceção da União Soviética onde, com a Revolução de 1917, o aborto deixou de ser considerado um crime. Mas, na maioria dos países europeus, por causa das baixas sofridas na Primeira Guerra Mundial, o aborto continuava não sendo tolerado.

    Na verdade, com a ascensão do nazifacismo, as leis antiabortivas tornaram-se severíssimas nos países em que ele se instalou, com o lema de se criarem “filhos para a pátria”. O aborto passou a ser punido com a pena de morte, tornando-se crime contra a nação, a exemplo do que ocorreu em certo momento no Império Romano.

    Após a Segunda Guerra Mundial, as leis continuaram bastante restritivas até a década de 60, com exceção dos países socialistas, dos países escandinavos e do Japão (país que apresenta lei favorável ao aborto desde 1948, ainda na época da ocupação americana) (1)

    Na década de 60, em muitos países, as mulheres passaram a se organizar em grupos feministas que começaram a exercer uma pressão no sentido de permitir à mulher a decisão de continuar ou não uma gravidez.

    A primeira conquista histórica aconteceu nos Estados Unidos, há exatos 34 anos (por isso a blogagem do Naral, hoje, em celebração à data). O julgamento do caso Roe x Wade (ROE v. WADE, 410 U.S. 113 [1973]) pela Suprema Corte Americana que determinou que leis contra o aborto violam um direito constitucional à privacidade, que a interrupção da gestação no primeiro trimestre apresenta poucos riscos à saúde materna e que a palavra ‘pessoa’ no texto constitucional não se refere ao ‘não nascido’. Essas decisões liberaram a prática do aborto na América. (4)

    Hoje em dia, 26% dos países não permite o aborto legal, justamente os que têm maior número de mulheres pobres e marginalizadas. No Brasil, existem leis que garantem o direito ao aborto em casos especiais, mas sabemos que o processo é tão longo que, muitas vezes, as mulheres desistem de esperar e acabam recorrendo ao aborto clandestino.

    No gráfico abaixo, podemos ter uma idéia da situação legal do aborto no mundo, atualmente:

    mapadoabortonomundo.gif
    Fonte: Center for Reproductive Rights

    Percebam que os países do Norte, a maioria mais industrializados, têm uma legislação muito menos restritiva e nem por isso existiu nenhum aumento no númro de abortos nesses países.

    O movimento feminista brasileiro tem se organizado para garantir o direito das mulheres ao aborto legal há décadas, especialmente através da Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos, que tem tido as suas ações potencializadas pelas Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.

    Para isso, entre muitas outras coisas, precisamos ainda, sim, e muito, do movimento feminista, que não é anacrônico, como ouvimos algumas vezes, mas que está atuando junto às questões vitais para as mulheres.

    É preciso acabar com a hipocrisia. Mulheres estão morrendo e a única forma de acabar com isso é através da descriminalização do aborto, que apenas possibilita as mulheres o acesso aos cuidados de saúde que elas merecem e necessitam. Isso é lutar pela vida.

    (1) O Aborto: Um Resgate Histórico e Outros Dados, Néia Schor e
    Augusta T. de Alvarenga, Faculdade de Saúde Pública de São Paulo.
    (2) Contraception and Abortion from the Ancient World to the Renaissance, John M. Riddle, Harvard University Press, 1992.
    (3) Abortion in History, Sunshine for Women
    (4) Roe x Wade, Suprema Corte e Brasil, Roberson Guimarães.
    (5) História das Mulheres – A Antiguidade, “A Política dos Corpos: entre procriação e continência em Roma”, Georges Duby e Michelle Perrot, pp.364-366.

    Outras leituras importantes:

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    Palavra de Mulher

    “Foi um sofrimento terrível, que vivi, pois a hipocrisia, que ronda este universo do aborto, é que não tolero. Os médicos, alertavam, que eu não sobreviveria, mas tambem, não podiam opinar, por ser ilegal.

    Tentei, então, procurar especialistas, que me encaminhariam, a um hospital, já que eu não queria morrer aos 21 anos de idade, e com uma criança, pra criar.

    Todos os médicos fugiram…pra não se comprometer. Teve um famoso aqui…que usou esta expressão: ‘você está assim…se correr o bicho pega, se deixar o bicho come’.

    Eu estava sozinha, pois meu ex-marido, tomou uma posição passiva, de que eu teria que decidir. E eu decidi, ir fazer o aborto, numa clínica no Rio de Janeiro. Todos, com muita frieza, e claro que eu tambem corria riscos, pra fazer esta agressão….que é um aborto.

    Então, desde lá, penso, que deveria ser legalizado em vários casos…como o meu, em caso de estupros…e tantos outros, que convem a mulher decidir…”

    Juci

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    Esse post foi publicado, a primeira vez, no dia 28 de setembro de 2005, como parte da blogagem coletiva organizada pelo Nós na Rede. E está sendo re-editado como parte da blogagem promovida pelo grupo americano NARAL, no movimento Blog for Choice Day. Veja os outros blogs que estão participando aqui (role a barra até embaixo).

    Leia mais: Conselho de Medicina regulamenta uso da pílula do dia seguinte

    Aqui no Brasil, também participaram da blogagem coletiva do NARAL: Cynthia Semiramis, Karina, Bárbara, Lucia, Leila e Sofia.

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    Imagem: (1) Edvard Munch, “Consolação”, 1907, óleo sobre tela, 89×108 cm. Munch-museet, Oslo. (2) Afrodite (Vênus) de Doidalsas (Paris, Louvre) meados do século III AC (3) Poster de propaganda soviético “What the October Revolution has given to working and peasant women”, 1920, litografia, 106×73 cm, na imagem, uma mulher mostra uma biblioteca, um clube de trabalhadores, uma escola para adultos e uma casa para mãe e bebês e (4) gráfico do Center for Reproductive Rights.

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    Comentários comentados

    Feito criança em loja de doces…

    Denise | Me myself and I | Monday, 22 January 2007

    presentinhos_200607.jpg

    Tô parecendo criança na noite de natal. Presentinhos que mandaram, do Brasil, pra mim. Mamãe, Luís, Tia Leda, Mabuse, Haideé, Marcinha e Carla. Obrigada querid@s, vocês acertaram direitinho, adorei tudo!

    Bia voltou do Brasil!

    Denise | Comida | Monday, 22 January 2007

    tapioca2007.jpg

    E eu estou aqui, lambendo a cria e me acabando de comer tapioca… ;-)

    Let is snow, let it snow, let it snow…

    Denise | Washington, dc | Monday, 22 January 2007

    letitsnow.jpg

    Dá pra ter saudade da juventude?

    Denise | Celebridades | Monday, 22 January 2007

    jovens.jpg

    No geral, a gente vai ficando muito melhor…

    Você pode ajudar uma escola de refugiados na Africa

    Denise | Cidadania | Sunday, 21 January 2007

    refugiados_grace.jpgGrace Olsson lançou uma bela iniciativa.

    Ela esteve no paupérrimo Campo de Refugiados de Maratane, ao norte de Moçambique e voltou pensando em procurar ajuda para construir as paredes da escola local, que é toda cercada apenas com lonas.

    Decidiu então sortear uma bonequinha africana entre os que fizerem uma doação de R$ 20,00. Veja os detalhes do sorteio aqui.

    Vamos ajudar a criançada que está precisando muito!

    Sutiã para amamentação super sexy!

    Denise | Amamentação | Saturday, 20 January 2007

    Sempre achei aqueles sutiãs de amamentação horrendos. A maternidade recente é algo que já esgota, geralmente, nossas forças. Passar a noite acordada, todas as inseguranças dos primeiros dias, não é a coisa mais excitante pro casal e ainda com aqueles sutiãs… além do mais, acho péssimo a imagem assexuada da maternidade. Somos tudo, ao mesmo tempo, não apenas “mãezinhas”, como chamam alguns profissionais de saúde.

    Por isso, adorei essa coleção da Cassandra, que faz lingerie para amamentação, prática, mas também linda e sensual. Deviam arrumar alguém para revender a marca aí no Brasil, apesar de ser caríssimo, bem que ia fazer sucesso (adorei o detalhe dos brinquedinhos nas fotos). Acho que podem ser adquiridos através do site da empresa.

    Mais sobre sutiãs de amamentação, aqui.

    Celulite por todo lado

    Denise | Anorexia & Bulimia, Auto Estima | Saturday, 20 January 2007

    A
    capa da revista

    Uma
    Thurman

    Cristina
    Aguillera

    Nicollette
    Sheridan

    Maria
    Sharapova

    Cindy
    Crawford

    Eu vi essa revista no supermercado e até pensei em comprar pra colocar as fotos aqui no blog, ainda bem que não gastei meus poucos dolarezinhos com esse lixo. Mas achei ótimo ter encontrado essas fotos escaneadas em um blog de fofocas.

    O que eu gosto nelas fotos é que elas lembram à gente que a perfeição que a gente vê nas revistas e nos filmes, tem uma boa dose de luz bem feita um retoques em photoshop.

    Alguém escreveu aqui, uma vez, que essas fotos das artistas “reais” também podem ter os defeitos agravados por Photoshop. É possível, mas acredito que o mais provável é que elas sejam, a gente é que nunca vê os defeitinhos. Nunca vi ninguém processando a revista por que adulterou fotos colocando mais gordurinhas e celulites. É flagra mesmo.

    Eu não sou diferente da maioria das mulheres brasileiras, talvez tenha um pouco mais de consciência, hoje, mas ainda assim, já tive meus momentos de total paranóia no combate à celulite, chegando a fazer tratamento de mesoterapia, com centenas de injeções com um líquido extremamente dolorido.

    Mas se até a hiper musculosa e magra tenista Maria Sharapova tem uma certa dose do tal “aspecto de casca de laranja”, que as revistas feministas nos ensinam a temer, como o diabo foge da cruz, imagine eu?!

    Ainda assim, mesmo hoje, às vezes vejo um filme como o “Prime”, em que Uma Thurman aparece com pouca roupa e me pego pensando “Caramba, que mulher perfeita! é muita sorte!”… Ela não deixa de ser linda, mas vê-la com a bunda caída e com celulites puxa a gente pra real.

    Essas e outras fotos, ampliadas, estão aqui.

    Com saúde, é muito melhor

    Denise | Anorexia & Bulimia | Saturday, 20 January 2007

    Um dos eternos argumentos, que todo mundo repete, pra justificar um padrão anoréxico nas passarelas, é que as roupas “caem melhor” nas mulheres magérrimas.

    Eu sempre achei essa história furada. primeiro porque é propaganda enganosa, se os estilistas fazem roupas que só caem bem em mulheres que têm um tipo físico específico… quer dizer que você vê uma coisa lá e quando compra, é outra totalmente diferente. Será que não era o caso de fazer roupas pra gente como todo mundo? assim a gente olha as passarelas e sabe como aquelas roupas vão “cair” de verdade?

    Enfim, independente disso, essas fotos mostram, na minha opinião, como as roupas podem ficar bem mais bonitas em corpos mais dentro de um padrão considerado saudável. Especialmente na Halle Berry, o vestido ficou muito mais bonito.

    Estilistas também repetem que o objetivo é não chamar atenção para a modelo, mas para a roupa, mas acho que, hoje em dia, essas modelos magérrimas chocam tanto que ninguém nem olha mais para ao que ela está vestindo, só repara nos ossos à mostra…

    Enfim, tá mais que na hora de ter modelos que representem a nossa diversidade.

    Fotos: Celebrity Terrorist, veja fotos ampliadas por lá.

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