Mães amamentando em aeroportos dos EUA
E o seio visto como sagrado e profano


Vocês lembram do post que fiz sobre a Emily Gillette, aquela mãe que foi expulsa do avião por estar amamentando sua filha? pois é, ontem, dezenas de mães em 30 aeroportos dos EUA organizaram um “nurse in”, uma amamentação coletiva nos halls dos aeroportos, pedindo punição à empresa e urgência na votação de uma lei federal de proteção dos direitos civis de proteção ao aleitamento materno.
Ontem, à noite, zapeando, parei num programa de notícias terrível da Fox (canal ultra conservador) e fiquei impressionada com a postura do entrevistador e de alguns entrevistados, afirmando que “ninguém tem de ser exposto a essas práticas” e que as mães precisam amamentar cobrindo a criança com uma manta, sempre.
Uma mãe respondeu que, além de não ser saudável (quem gosta de comer debaixo de um pano?), ninguém consegue cobrir a cabeça de uma criança de dois anos que está sendo amamentada… o cretino aproveitou pra dizer que “nem todo mundo acha que é adequado amamentar uma criança de dois anos”…
É pra morrer de raiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a amamentação deveria ser exclusiva até os seis meses e continuar, com complementos até, pelo menos, a criança ter dois anos de idade.
Uma das mães, Chelsea Clark, presente ao protesto no aeroporto de Burlington, disse ao Washington Post: “Tem a ver com ampliar a consciência sobre a sexualização dos seios, em nossa cultura. A amamentação precisa ser apoiada seja onde e quando for necessária. Os bebês não sabem o significado da palavra “espere”.
Você tem medo de quê?
Para horror de algumas ativistas de amamentação americanas e canadenses (não são todas assim, mas existem exageros em todo lugar), sempre disse que muito me agrada o papel sexual dos meus seios e não abro mão dele.
Não estou falando na exploração da imagem dos seios pra vender cerveja, mas por que teríamos que abrir mão do prazer e da sedução, na qual os seios também têm lugar?
Minha posição é que o seio é meu. O seio é das mulheres, não dos bebês, nem dos companheiros.
Fazemos o que bem entendemos com eles, podem ser fontes de prazer e/ ou de nutrição, cada um na sua hora (ou às vezes até meio mesclado). Mas, a decisão de amamentar ou não, onde, quando e como tem de ser exclusiva da mulher.
Esse pavor de ver mães amamentando, que existe principalmente por aqui e em alguns países europeus, parece estar relacionado com a confusão que é a imagem sagrada da maternidade, com a imagem sexual da sucção ao seio.
Parece que quanto mais reprimido – e ao mesmo tempo extremamente exposto ao sexo – como acontece aqui nos EUA, mais a imagem da amamentação incomoda, pelo medo das suas próprias reações.
No final dos anos 70, Ted trabalhou no Yemen, um dos países árabes mais pobres e com uma sociedade mais “fechada” (ele foi um dos primeiros estrangeiros a ter permissão para trabalhar lá).
Ele fala que as mulheres andavam cobertas da cabeça aos pés, em espécies de burcas, mas essas roupas tinham uma abertura por onde elas amamentavam e tiravam o seio pra amamentar e os deixavam expostos, enquanto Ted fazia entrevistas com elas.
Não quer dizer que, hoje, essas sociedades aceitam a amamentação em público mais que a americana, mas vendo essa foto aí ao lado, feita num país árabe em 1910, temos uma idéia do quanto o seio não era visto como algo “proibido”. A mulher tem a cabeça e boa parte do corpo coberta, mas o seio está à mostra. (Tentei colocar uma imagem de mãe americana amamentando, em 1910, para fazer compparação, mas todas fotografias que achei eram de amas de leite).
Enfim, tudo é uma questão cultural e, pelo jeito, quanto mais o seio é explorado como objeto sexual, mais a imagem da amamentação incomoda… só espero que o que acontece aqui não seja, também, “importado” pelo Brasil.
(Obrigada às várias amigas que me mandaram links pras matérias sobre a manifestação das mães no aeroportos, obrigada por terem lembrado de mim!)
Fontes:
ps.: Ainda vou responder aos comentários do post aí abaixo… guentai…







Poxa Denise,
vou te dizer que nao entendo esta travacao em ver uma mae amamentando. Ao invéz de sentirem ternura, sentem sexo, invasao de privacidade?
Vc saberia dizer se isso é uma marca dos países protestantes? Eu vivo na Alemanha protestante e posso dizer que jamais vi uma mae amamentar…
beijos,
paola
Adoro esta música, Zumbi.
Esse falso moralismo e essa hipocrisia me irritam profundamente. Pra mim, quem se ofende com uma imagem de amamentação é um doente. Só pode! Adorei o protesto. Espero que o Brasil não chegue a este ponto tb. O maior preconceito que enfrentei foi a surpresa das pessoas “esse menino ainda mama?”, coisa muito comum aqui e que, na época, eu aprendi a driblar com respostas malcriadas. Felizmente, nunca fui impedida de amamentar e tb nunca me pediram pra cobrí-lo.
Oi, Denise.
Ué, esses ativistas da amamentação têm esse tipo de opinião? Ao mesmo tempo que tirar mais esse direito da mulher (e do bebê porque não) é um absurdo, essa imagem ingênua de que o seio não é erótico é tão ilusória quanto a primeira.
Ainda com a pornografia de hoje (que, sinceramente, considero até saudável em alguns casos, pra desafogar homens e mulheres – a prostituição e a degradação da mulher é outro assunto), tudo que remeter seio à sexo está bom na minha sincera visão do mundo e do ser humano. O bebê precisa sugar e o homem adulto e a mulher também, e no caso da mulher, nem precisa ser lésbica; ela transfere para a amamentação ou para o ato narcisista, se olhar, se gostar frente ao espelho ou enfim, aí existe a imaginação pra ser usada, né?
É por essas e outras que disse aquilo no meu outro comentário (no post da moça que foi proibida a amamentar no avião): talvez, se tivesse um filho, tentaria não amamentar em público. Tentaria, digo, mas se não fosse possível, que remédio? Faria no lugar onde estivesse mesmo.
Bjs
Só mais uma opinião: que atire a primeira pedra o homem (ou até a mulher) que não sentiu desejo ou não viu conotação puramente sexual ao ver uma mãe amamentando um bebê. Não estou dizendo que o cara vai voar em cima da mulher, mas me desculpa, se meu namorado ficar olhando uma mulher amamentando e se eu sentir algo de erótico, sexual no olhar dele, por mais que ele tente disfarçar, vou achar normalíssimo. Só não vou achar normal se ele fizer como a personagem de Jim Carrey num filme, quando ele diz que quer “mamar no peito” de uma mulher que está amamentando seu filhinho. É de rolar de rir essa cena e de uma inteligência que vou te contar, de uma sacada que fique de cara. Pena que isso teve somente uma conotação gaiata, pois imagino que se essa conotação vira “algo misterioso”, num filme gênero-drama, o povo pira e nem precisa ser americano. Bastaria ser brasileiro pra desligar a tv ou sair do cinema tendo tiques nervosos moralistas.
)
Ai, que coisa, porque faço comentários interrompidos. Que mania a minha..
O terceiro e último:
Quanto aos muçulmanos (árabes ou não; aliás, não sei se você falou árabe-muçulmano. Acho que sim, né?), creio que a ausência de medo que um homem pule em cima de uma mulher e lhe arranque as tetas ou tenha um ataque cardíaco (hehe), isso não deva ocorrer pelo simples fato de que geralmente, as roupas são diferentes, ainda que seja uma muçulmana com um trabalho (aeromoça, por exemplo) morando na França.
Então, o buraco que é feito pra saída do seio não permite tantas viagens psicodélicas em torno desta parte do corpo da mulher (que a define como mulher, mesmo que seja um seio pequeno). No inconsciente masculino, no caso, ficaria só aquela coisa mãe com vestido grande, abrindo buraco na roupa pra dar de mamar ao seu bebê, ao NOSSO bebê (pois é assim que a família é vista nessa cultura; o bebê pertence a um todo). Mulher ocidental e católica já tem que se preparar inconscientemente e conscientemente se for ter filho com muçulmano, praticante ou não.
Já as mulheres vestidas normalmente (digo, calça jeans, top, etc, etc) vai, com certeza lembrarão aquela mulher que certa vez, eles viram num site pornográfico balançando suas t… pra galera. Enfim. Na minha opinião é simples o negócio. Acho que eu nem preciso da ajuda do psicanalista. Hehe
Bjs.
Denise, como coloquei em um dos meus posts, fico muito consolada em saber que a mente humana ainda está em evolução. Porque não vejo uma explicação razoável para essa mentalidade tacanha de uma parte da sociedade americana.
que eu não presencie nunca um segurança de shopping ou aeroporto reprimindo uma mãe amamentando, pois se isto acontecer, Denise, nem sei viu… ficaria doida, acabaria com a raça do cara e ainda indicaria um advogado pra mãe processar a administração do lugar…
Olá
Para mim amamentação e seios é o sinal da fonte da vida.
Ah, mas vai explicar isso.
Abraços
Alessandra
Eu nao me conformo com essa hipocrisia e falso moralismo desse pais. Essa questao da amamentacao me irrita tanto, que eu nao vejo a hora de chegar a minha vez de amamentar. Com certeza vou participar dos protestos.
Amamentei meu filho. Entretanto sentia-me mal ao ver uma mãe dando de mamar na minha sala de aula de segunda série a um bebê de um ano de idade. As crianças ficavam zuretadas pra olhar pra ela em vez de prestar atenção na aula.
Pra minha surpresa, minhas alunas do curso de Enfermagem, que teoricamente deveriam ser paladinas da amamentação, tb se colocam, em sua maioria dentro da visão que se “choca” quando vê uma mulher amamentando.
Uma delas argumentava que é um momento íntimo, entre o bebê e a mâe e que deveria ser feito no ãmbito privado.
Eu só pude argumentar que, a princípio, ela até tinha razão…entretanto, ela mesma se alimentava na sala de aula, porque vinha direto do trabalho…não seria melhor, mais adequado, realizar suas refeições em casa, na mesa, com a família?Pois é, a idealização diz uma coisa e a realidade outra.
Nesse caso, as mulheres que tem seus bebês teriam que ficar encarceiradas até que eles estivessem desmamadinhos? hum, creio que não…
Outra dizia que o seio poderia ser objeto de desejo de algum homem que estivesse perto.
Na boa…e dai?
Deixar de amamentar porque um fulano qq pode te olhar assim ou assado? mas isso da pra impedir?
Isso é tão absurdo que não sei nem o que dizer…
Eu sinto que nao consegui participar do protesto, pois eu moro em Vermont, 1 hora e meia de distancia de onde o incidente aconteceu!
Mas acredito que depois de todo este bafafa as companhias aereas vao ter mais cuidado.
Adorei que as mamaes foram protestar! Ta certo!
Melissa
Olá Denise,
Faz um bom tempo que não comento, mas sempre passo por aqui. Acho muito interessante ler seus posts porque tenho uma imagem do mundo por olhos totalmente diferentes dos meus. E isso me dá uma compreensão maior do mundo. Às vezes penso que somos água e óleo, porque na maior parte das vezes, nossas opiniões são totalmente diferentes. E diferente nem sempre é ruim, são duas visões, duas perspectivas sobre a mesma realidade, não é?
Então resolvi comentar sobre esse tópico, que é tão polêmico. Engraçado você comentar sobre a naturalidade de amamentar. Minha mãe tem a mesma opinião que você e, sabe se lá porquê ver alguém amamentando em público me causa um enorme constrangimento. Eu entendo que a amamentação é importante e, especialmente entre as classes mais baixas, ela passa a ser essencial, porque nem sempre a mãe terá condições de realizar uma higienização da mamadeira (e o leite materno além de conter os nutrientes e anticorpos necessários, vem de um ambiente completamente limpo). Compreendo também que, incentivar a amamentação em qualquer lugar facilita a que ela ocorra na prática. Se a mãe se sentir livre para amamentar quando e onde quiser, a criança vai ser privilegiada e a mãe não cai na tentação de substituir o seio pela mamadeira.
No entanto, apesar de compreender tudo isso, ver uma mulher amamentando livremente, com o seio exposto, me constrange profundamente. E, quando o seio materno não está exposto, o fato dela estar amamentando não me incomoda de forma alguma. É um ato bonito, mas eu não quero ver o seio exposto. Eu ficaria morta de vergonha se o meu seio ficasse exposto, seja lá porque motivo, então ver o seio de outra mulher exposto me causa o mesmo tipo de constrangimento. Talvez seja uma questão da educação que eu recebi, porque apesar de minha mãe ser muito aberta, a familia do meu pai é totalmente européia (meu pai veio para o Brasil aos dois anos de idade), mas a verdade é que eu consigo compreender a proibição, a “censura”. Não sei se é hipocrisia, é uma questão absolutamente pessoal mesmo.
De qualquer modo, não postei aqui para criar nenhuma polêmica, tenho um profundo respeito por você e apenas quis mostrar um outro lado, o meu lado, que não é exatamente um lado nefasto, é apenas uma diferença, provavelmente cultural, portanto, talvez seja até melhor se você não postar este meu comentário. Fica uma conversa só entre nós!
beijinhos e parabéns pelo blog, sempre tão atual!!
Nas duas vezes em que minha mulher engravidou, fiz um acordo com ela. Ela se ocuparia do nenê durante o dia e à noite era comigo. E assim, de duas em duas horas eu pegava a menina no berço, levava ao nosso quarto, deixava ela tomar o milk shake dela e depois fralda, arrotinho, nana nenê, caminhar pra lá e pra cá até passar a cólica, colocar de bruços, tirar do berço por que não dormiu e começou a chorar, nana nenê outra vez e caminhar pelo quarto dela sem acordar a mãe cansada no outro quarto. Depois, voltava pra minha cama, cochilava cinco minutos e recomeçar a rotina. Dormir, mesmo, só enquanto a menina mamava. Já pensou se fosse na mamadeira?
Dê, não estou conseguindo ver as fotos no meu computador…
Só um comentário a Sam: você não está sozinha na sua visão. Eu tenho tentado transmutar isso em mim um pouco, porque um dia, espero, serei mãe. Tenho tentado me colocar no lugar de uma mãe, mas compreendo a sua opinião. Abraços
Oi! Lembrei de quando eu era pequena, uns 10 anos, e minha tia estava dando o peoto pro meu recem-nascido priminho. Fiquei chocada! Na miha casa, nao somos tao liberais de andar pelado, ou de ver os peitos da minha mae… ja vi, mas foram raras vezes. Achei meio esquisito, e fiquei com ciumes de ter meu pai la perto, pela minha mae! Achei minha tia meio abusada de mostrar os peitos pra familia toda! Hoje ja sei que nao foi a intencao, que e normal… ainda nao tive filho, mas nao sei se vu ter cara de amamentar em publico… assim cmo nao vou trocar fralda na frente de todo mundo, ne… Vai da cabeça de cada um, e da criação… e isso da pano pra manga!
Uma coisa é falar sobre amamentacao antes de ser mãe. Depois de ter um filho nos braços, é outra coisa totalmente diferente. Como diria minha pequena, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa (rs).
Eu respeito quem falou aqui nos comentarios que amamentaria em um lugar discreto, de maneira intima e ressalto que é isso que todas nós buscamos. Mas quando seu bebê, ali indefeso, chora de fome (fome!!!) não dá para pensar em outra situacao a nao ser saciar aquela dor do seu pequeno. Amamentar é instinto. Voce nao pensa em que roupa esta vestindo, quem esta ao redor e onde voce esta, só pensa que ali há um ser que tem fome e voce tem o poder de saciar.
Sim, amamentar é poder.
Eu amamentei minhas filhas, gemeas. E em grande partes das vezes, amamentava as duas ao mesmo tempo. Com os dois peitoes pra fora. Nao tinha como ser discreta e eu nunca me preocupei com isso. Qual a diferenca de amamentar e ir a praia com um biquini minusculo? Os bicos. Pois eles estavam devidamente “escondidos” na boca das minhas pequenas.
Meus cunhados, tios, primos e o que mais houver de genero masculino em casa, ja me viram na praia, entao nao houve diferença, espanto, rejeição. Antes de qualquer coisa, eu conversei com o meu marido. Pois pra mim nao havia problemas, mas poderia haver pra ele, não da para saber exatamente o que se passa na cabeça desses homens
. Mas o querido, foi mais querido ainda, e me disse que o que ele via era uma mae amamentando duas filhas, e quem quer que visse qualquer coisa diferente, nao era digno de estar ao nosso lado. Graças a Deus nao precisamos nos afastar de ninguem.
O lado playground dos seios só se tornava completo com os demais brinquedos do parquinho. Por que ca entre nos, peito por peito, nao da para fazer muita coisa ne.
Mas parabens para essa mulherada que com muito peito enfrentaram esses conservadores que no minimo, nao devem ter tido esse prazer quando pequenos.
Um beijo
Thais
Denise, é realmente estarrecedor esse falso moralismo. Seu blog cumpre um importante papel social em estimular o debate. Também achei muito interessantes suas colocações sobre o papel sexual dos seios. Grande abraço de seu fiel leitor.
Denise:
O que é chocante, no meio disto tudo, é que a exposição do seio para vender cerveja não provoca metade da polémica. Portanto, o seio como fonte de prazer erótico não é considerado particularmente chocante, mas como veículo de vida (alimento) já é. E isso é que é estranho.
Eu respeito todas as opiniões mas o que me intriga também é saber porque algumas pessoas se chocam com seios amamentando e não se chocam com propagandas sugestivas ou explícitas. Alguém já viu alguém desligar a tv quando passa a Globeleza dançando? Essa diferença que me perturba. Desculpe, não lembra quem de vocês escreveu que os seios amamentando podem ser objetos de desejo dos homens mas, pelo menos no Brasil, os homens estão sujeitos a desejar seios e bundas o tempo todo. Se formos analisar este lado, eu vejo diariamente mulheres vestidas mais sexualmente do que mães amamentando. Isso tb não me constrange, apesar de eu me vestir muito discretamente. O que eu acho, é que isso desvaloriza a própria mulher, o que não acontece com a mulher que amamenta.
Quanto a amamentação ser coisa para pobres, eu discordo mas, infelizmente, é uma visão muito comum.
Desculpe Thais, mas seu marido disse isso pra te confortar, porque ele mesmo não domina o próprio inconsciente. Se ele o fizer, me diga qual a receita!
) E já ouvi muito de mães dizendo “ah, você é mãe”? Tenho o ótimo costume de argumentar sobre tudo que quiser na vida sem “ser essa coisa” e sem precisar “entender muito sobre o assunto”. Experessão da liberdade é isso.
Mulher de biquine não está de roupa e tem às pampas e está num contexto, na praia, máquina de fotocópia, todas iguais. O que excita o homem é justamente cobrir e revelar, cobrir e revelar, cobrir e revelar (isso é o básico do básico) e não há nada mais “femme” do que o seio de uma mulher, assim como a anca que é de onde sai o rebento que vai mamar e repetir o processo “da cama”, do “íntimo”, do erótico. Vivemos numa sociedade dita civilizada e é só por isso que seu marido e os outros não voam em cima de nós. Mas nem todos são assim, não? Nem precisa ler os jornais.
E eu expliquei exatamente que se viesse a ser mãe um dia, ia experimentar na pele isso, amamentaria o bebê em qualquer lugar, no entanto, ainda que eu fosse mãe, não mudaria meu pensamento. Poderia estar lá amamentando e pensando duplamente, por quê não?
Abraços!
Aliás, por que é tão difícil pra uma mulher entender isso? E especialmente as ocidentais?
Ah, a expressão certa (no meu caso ao menos) não é “se chocar”, porque isso seria absurdo. Vocês do “outro lado” é que estão chocadas com o que eu estou dizendo. A expressão certa ao ver uma mulher amamentando em público é: “ficar meio sem graça”. Meu consciente (embalado pelos esquemas lá do fundo..) imediatamente “vê uma mãe amamentando” e pensa “que lindo, quero ter um baby” e também vem esse (droga, não é minha culpa, cacilda!): “nossa, peito, homem, mulher, sexo, erotismo, sexualidade”. Nada de tão grave; é assim que funciona. Só isso. É que sou sincera e digo mesmo. Evidente que não vou dizer isso pra “mãe sagrada” e nem pra quem está perto.
Veja um exemplo da realidade dos fatos e não da ilusão que todas as mães gostariam que fosse o mundo em que vivemos: outro dia, minha prima amamentava o seu filho durante uma festa e falou brincando consigo mesma e com o bebê (eu ao lado dela), falando carinhosamente: “ei, filho, você não está mais com fome ou não estava? Quer ficar brincando no peito da mamãe? Ah, agora a mamãe vai se cobrir, porque ela não quer que todo mundo fique olhando pro peito dela! Amor da mamãe..” E cobriu ele de beijos.
Fico calada, observo, acho uma maravilha da natureza o fato de eu mesma, na liberdade de “ma pensée” poder associar o erotismo à maternidade. Me sinto leve, humana e feliz..
Denise, repasso o comentário de minha amiga Fernanda Medeiros:
dauro, falar nisso, a autora do site é tua amiga? é que lá tem uma alusão a uma entrevista da lygia fagundes telles na tpm. na matéria, a cretina diz a seguinte frase: “É deprimente essa vontade de se exibir. Até mulheres grávidas gostam de mostrar a barriga de nove meses… por que tenho de ver a barriga dela? São coisas íntimas. ”
essa declaração, claro, não tá no site (embora haja link) e tvz a moça tenha colocado lá sem ler a entrevista toda né? se é tua amiga, podias avisá-la. não dá para um site que defende a amamentação deixar isso no ar só porque se trata de uma imortal.
Denise, nem sempre comento, mas volta-e-meia te visito. Que revista deliciosa é teu blog. Parabéns.
Eu concordo um pouco com Lygia Fagundes Telles e, vejamos, ela é uma grande escritora. Isso não saiu da mente de uma imbecil. E, por sinal, uma de suas amigas era Hilda Hilst, uma que morreu sem parir. Pode até ser que haja uma espécie de frustração por trás desse comentário de Lygia, mas que ela tem um fundinho de razão, ah, isso tem! Acho que o adjetivo “cretina” é muito forte pra se definir uma profissional da tarimba de madame Fagundes.
E o que é pior é o seguinte: nem todas têm a “cara lavada” e a coragem da Leila Diniz que fez isso numa época conturbada da história brasileira e tinha todo uma simbologia; ela fez isso não pra se exibir e sim pra “empurrar na goela dos milicos” uma verdade e uma força. A maternidade como arte. Viva Leila! Abaixo a “didatura da maternidade.” E olha que sou louca pra ter rebentos, mas infelizmente não sou casada ainda (não que isso seja necessário mas é melhor!) e não tenho a mínima condição financeira. Quem sabe isso vai mudar. Abraços a todos!
Gi,
toda a liberdade de expressao do mundo !
Voce pode e deve opinar sobre todos os assuntos mesmo que nao tenha vivenciado alguns deles. Eu tambem faço isso. Só quis dizer que é muito diferente opinar no caso da amamentacao, nao disse que é melhor e nem pior, mas é diferente sim. Ser mãe é uma coisa estranha e que por mais racionais que queiramos ser, nao da para explicar o quanto esse fato é capaz de mudar nossos sentimentos e conceitos.
O marido falou de sâ consciencia sim, ate porque nao somente falou, como demosntrou em atos, o que é mais valioso pra mim. Mas eu sei que nem todos sao assim.
Um beijo
Oi, Thais, imagino mesmo que mude tudo e isso deve ser maravilhoso. Estou acostumada a viver grandes mudanças interiores na minha vida (Sol em Áries na casa 8), perdas e renascimentos simbólicos e reais difíceis de serem verbalizados e mostrados. As pessoas nem entendem. A experiência da maternidade talvez será muito boa pra mim, até porque estou cansada de ser mãe dos meus amigos. Este é outro aspecto grande no meu mapa-astral que nem vou falar aqui senão o povo vai me achar maluca. hehe Até pensei que colocaria um lencinho na cabeça ao amamentar. Imagine, tampar a cara toda não dá pra respirar!
Bjs!
Oi Denise
Essa questão da sexualidade na amamentação é muito interessante. A dupla função erótica e alimentar dos seios deixa muitos homens e mulheres confusos. A esse respeito, leia o meu artigo que saiu na Revista Estudos Feministas, intitulado justamente “Amamentação e Sexualidade”. Ele pode ser acessado pelo site http://www.scielo.br . Basta fazer busca pelo meu nome.
Beijos!
Poxa, acho que sou a única aqui que não sou chegada a ver uma mãe amamentando. Dependendo de como ela o faz na minha frente, me sinto agredida sim. Não sou puritana, hipócrita, reprimida, nada disso. Só acho que se quiser amamentar o nenê, a mãe deveria ir pra um lugar privado, não fazer isso em público. Concordo até com a construção de quisques próprios pra isso. Não curto mesmo a mulherada botando o peito pra fora na cara dura do meu lado na rua, no avião, no restaurante… seja pra amamentar um bebê ou qualquer outro motivo. Eu jamais obrigaria alguém ou espulsaria com respeito ao bebê, que não tem nada com isso, mas que eu fico puta eu fico. É isso.
Adorei o artigo da Gilze; li todo. E ela fala da tribo dos Sambia e isso me fez lembrar do livro “Observando a Imaginação Erótica” do psicanalista americano Robert J. Stoller, já falecido. Ele fez uma pesquisa de campo com essa tribo durante um tempo, mas o objeto de estudo dele era outro: homossexualismo.
Conheci e fui jantar duas vezes na casa de uma família marroquina na França e a mãe dessa moça “dividia” o marido, portanto, ela tinha várias irmãs; cerca de 17. Mas o engraçado é que eles não seguem todos os preceitos, enfim. Estão na França e fica mais difícil. Mas a família deles vive no Marrocos e é bem, digamos, tradicional. Não sei o número de muçulmanos que ainda fazem isso. Mas que fica no inconsciente, na história deles, ah isso fica. Mas ainda acho que entre 4 paredes não existe tabu e me parece que a visão “ocidental” sobre esse povo é muito cheia de ilusões.
Muito bem lembrado o trecho em referência a Freud. E a mãe que tem um seio “para cada função” é caso a ser tratado no divã!
Por essas e outras que eu acho que é preciso se libertar disso, mas aceitar que existe sim essa relação e não fazer como os EUA, que escondem o “Escorpião manipulador sexual” na casa 12 e saem punindo todo mundo. Bom, é que eu vi o mapa-astral dos Estados Unidos. Sei lá se é verdadeiro.;-))
Bjs Denise
Denise minha filha tem a idade da filha de mulher que foi advertida no avião
Ela tb mama, e ama mamar!!
Tenho fé de que inha filha tenha mais apoio para amamentar meus netos
Olá Denise,
sempre leio seu blog mas nunca comentei. Na verdade queria te fazer uma pergunta e não fazer um comentário.
Já ouvi dizer que a amamentação é desaconselhável depois que nascem os dentes da criança pois isso poderia afetar sua dentição.
Isto tem fundamento?
Muito obrigada
Ana
Engracado isso, uma mae amamentar nao pode, agora essas meninas ficarem mostrando os peitos em festas pode, menina beijar menina tb pode, meninos chuparem os peitos das q os mostram nas festas tb pode, nunca vou entender esse conceito do q pode e nao pode.
olá Denise, com atraso, vim ao seu blog, (que leio constantemente), porque tinha c e r t e z a de que encontraria sua opinião sobre essa aberração, nessa sua terra de moradia, mas não, creio, de adoção, realmente somente uma mente doentia e pervertida, por uma falsa religiosidade, poderia ocasionar tal disparate. Gostei de confirmar seu protesto e sua postura consentânea com a ética que adotou. Parabéns a você e ao Ted pela conduta oral e ativa quanto aos problemas que abordam. Beijos, Ceres