
Adolescência é uma época difícil. Anos depois, geralmente, nos consideramos sobreviventes dessa fase cheia de inseguranças e dúvidas. É assim para meninos e meninas, mas as meninas, já começam com uma desvantagem. Segundo o jornal canadense Toronto Star, quando fazem 8 anos de idade, muitas das meninas já se consideram cidadãs de segunda-classe. Posso apostar que, no Brasil, a situação não é nada diferente.
Pensando nisso, o Governo de Ontário está lançando uma campanha que custou $1.4 milhões de dólares canadenses, tendo como alvo meninas de 8 a 14 anos, falando sobre situações que elas enfrentam e levantando questões sobre violência no namoro e assédio sexual.
A Ministra de Assuntos da Mulher , Sandra Pupatello diz que ficou surpresa com a precocidade com que as sementes do abuso são plantadas nas crianças, através de auto-imagens negativas.
A campanha, que começou ontem, encoraja o relacionamento igualitário entre meninos e meninas e inclui propagandas de TV e um website interativo. Os vários cenários do site mostram meninos insultando, controlando e ridicularizando garotas e sugerem como as garotas podem responder a isso.
Eu dei uma olhada no site e adorei. Claro que sempre tem algumas coisas que parecem exagero, como sugerir que a menina ligue pro Kids Help Phone se o menino estiver importunando com mensagens de texto por telefone. Mas, no geral, achei a idéia maravilhosa.
Além da dominação por parte dos meninos, a campanha também aborda o bullying por parte de outras meninas, que também são bem cruéis (lembram do nosso papo sobre cabelo afro?).
Não vou nem falar das minhas histórias de adolescência, que foram há tantos anos atrás, mas observando amigas de Bia, aos 14, 15 anos, já era muito claro a maioria dos meninos assumiam essa postura de dominação. Infelizmente, acho que os meninos brasileiros ainda são uns machinhos e são educados pra ser assim… ou vocês acham que não?

No site da campanha tem a clássica estória do namoradinho que faz uma cena e manda a menina trocar de roupa, que está muito provocante e vai chamar atenção de outros meninos (já vi essa história…). Ao final, aparece o texto: “Mesmo que Josh pense que está fazendo o melhor para ela, o que ele está fazendo, na verdade, é danoso. Palavras são uma forma de violência, tanto quanto empurrar as meninas. Josh não tem direito de dizer a ela como agir e o que vestir.”
Parece bobo, mas eu acho que existe uma aceitação, por todo mundo, desse tipo de comportamento dos meninos que se acham “donos das namoradas”. Crescem pensando assim e depois, fazemos campanhas contra violência doméstica…
“É inacreditável pensar que meninas de 8 anos de idade pensem que são ‘apenas garotas’ e, portanto, estão destinadas a ter menos importância num relacionamento.” disse a Ministra da Mulher. “Precisamos mudar essa imagem que, em última instância, vai definir o tipo de relacionamentos você vai ter em toda sua vida. Historicamente, os governos lidam com a questão da violência doméstica depois de ocorrido. Se não formos até a raiz do problema, não conseguiremos nunca resolvê-lo.”

Clique na imagem acima para ver o spot de televião da campanha e acompanhe a tradução abaixo:
Em uma lanchonete de fast-food uma garota se prepara para fazer seu pedido.
Vendedor da lanchonete (simpático): Posso ajudá-la?
Adolescente: Hun…
Vendedor da lanchonete (irônico, grosseiro) : Hun, hun… o quê? não consegue decidir?
Adolescente: Sim, eu estava apenas…
Vendedor da lanchonete (olhando pra ela, de cima a baixo, sarcástico) : – não, não, não… a última coisa que você precisa é de um hamburger…
A garota olha perplexa pra um garoto na fila, atrás dela.
Vendedor da lanchonete: hey, eu disse que você poderia olhar pra ele?
A garota dá um olhar pra ele tipo “tá louco?” e vai pro caixa seguinte, onde pede um double-cheeseburguer enquanto o vendedor babaca grita: “Hey, não saia de perto de mim”!
Mensagem escrita:
Não é legal que isso aconteça aqui.
Também não é legal que isso aconteça com seu namorado.