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Câncer de Mama – Blogagem Coletiva

Denise | Blogagem Coletiva | Tuesday, 31 October 2006

persephone.jpgConfesso que não fui muito feliz na organização dessa blogagem coletiva. Ontem, quando deveria fazer a mobilização, passei o dia todo num seminário (apenas tive os intervalos pra checar os comentários deliciosos no post anterior), me desculpem…

Mas, vamos ver se a gente consegue dar uma boa movimentada, no último dia? como sempre, qualquer pessoa pode participar, postando apenas uma foto, um poema, uma pintura, um depoimento ou um post mais científico. Em blog ou fotolog. Tudo será bem vindo, desde que a gente não deixe de falar nesse assunto tão importante!

E não esqueça de convocar mais pessoas a participar da nossa blogagem, quando fizer o seu post!

Vejam a lista de quem está participando da blogagem coletiva (para incluir seu blog aqui, basta deixar o link):

  • Alline
  • Ana Paula
  • Ana Paula Niederauer
  • Anita
  • Carla
  • Copia Perfeita
  • Flavia Nogueira
  • Lia
  • Lili Bolero
  • Marcia Kawabe
  • Olivia
  • Priscila
  • Regina
  • Renata Matteoni
  • Sandra M
  • Sérgio e Marilena
  • Vanessa

    Pintura: Persephone’s Return, de Joyce Radtke, 1995.

    obs.: querid@s amig@s que não participaram da blogagem, nem se preocupem, foi bem desorganizada mesmo, até eu não estava com muito entusiasmo pra escrever sobre o assunto – depois que pesquisei foi que me empolguei com tanta coisa interessante pra se falar! na próxima faremos as coisas direitinho. Aos que participaram, super obrigada e um grande beijo!

  • Filmes para subir pelas paredes – Nosso papo sobre O Piano.

    Denise | Cinema | Sunday, 29 October 2006

    piano.jpg

    Pra entender esse post, se ainda não tiver lido o que eu escrevi aí abaixo sobre a Sensualidade d’O Piano, comece por lá, depois volte aqui…

    Sobre o que eu escrevi e o filme, Adri deixou um comentário interessante, que me fez pensar mais sobre o assunto e achei que dá pra continuar um bom papo, ela disse:

    “Ai gente, sorry cortar o barato de vcs..rs mas, concordo com a Alline, eu detesto O piano, acho chatérrimo enao vejo nenhuma graça no harvey keytel !!! e acho até meio estereótipo dizer que as mulheres acham esse tipo de filme sensual, etc. eu por ex.. nao consigo achar nem um pouco excitante.
    eu gosto msm é de filmes mais explícitos…hahah q nem homem diria algumas.. essa coisa de filminho meloso é legal pra sessão da tarde, filme “cabeça” q nem o piano é pra pensar.. filme excitante pra mim tem q ser bem mais hardcore…hehehehe”

    opiano6.jpgEu entendo sua implicância com o filme, Adri. Primeiro, é uma questão de preferência mesmo. Eu ADORO Harvey Keitel. Em qualquer filme.

    Acho que ele esteve fantástico em Pulp Fiction e Reservoir Dogs (Cães de Aluguel) e gosto muito dele em Blue In The Face (não lembro o nome em português), filme delicioso de assistir. Gosto da sua cara de homem, castigado, feio, mas que tem um olhar arrasador (minha opinião) e jeito de ser ótimo de cama.

    Entendo muito bem quem acha o filme chato, nem vou discordar. Não é um filme fácil, é pesadão, forte e dramático, mas passa bem longe, na minha opinião, de ser meloso, quem consegue suportar a lentidão dele pode ter ótimas surpresas.

    Mas não entendo o conceito de “cabeça” pra um filme como esse. Não acho que é verborrágico, nem é “filme pra pensar”, muito pelo contrário, se a gente fosse pensar muito iria questionar a imagem de “selvagens X civilizados”… mas a diretora nem dá tempo da gente “pensar”, é um filme sobre sensações, não é sobre nada intelectual, é puramente sobre tesão.

    Quanto à questão do estereótipo, acho que o risco não está no que eu escrevi, mas em estereotipar as mulheres que percebem o erotismo nesse filme. Dizer (num tom de brincadeira, perceba) que os homens não entendem porque tantas mulheres (nao disse todas!) conseguem se sentir excitadas com um filme tão pouco explícito não significa, nem de longe, que não podemos achar interessante uma boa cena de sexo “hardcore”.

    opiano7.jpgSe bem que, até esse conceito de “hardcore” é questionável. Na minha opinião, não precisa ter nenhuma cena fisicamente explícita pra ser um filme “sexual”, e não é porque eu seja “sensível”, Adri, ou tenha algum problema em ver uma cena de sexo nas telas (muito pelo contrário estou querendo assitir Shortbus, o mais breve possível).

    Mas é que eu acho que a tesão, a vontade, a urgência, aquela sensação do corpo doer todo, se não tiver o que deseja, isso pode ser muito mais excitante de acompanhar, que o ato em si. É isso que, de uma forma muito “hardcore”, a neozelandesa explora com extrema habilidade, ainda na minha opinião, claro.

    Pra quem não viu o filme, Holly Hunt (que levou um Oscar e Palma de Ouro em Cannes, por esse papel) é Ada, uma escocesa que não fala, cuida de uma filha e não pode viver sem seu piano (que vai com ela pra terra nova). Em 1850, vai parar na Nova Zelândia num casamento arranjado, mas se nega a transar com o marido (Sam Neill, maravilhoso), que a espera ansiosamente.

    opiano8.jpgO Piano é todo sobre desejo. Sam Neill (o marido), para castgá-la pela sua resistência em relação a ele, vende seu piano ao vizinho, Harvey Keitel, que começa um jogo de sedução, deixando que ela use o piano, em troca de pequenos “favores sexuais”, que parecem ultrajantes mas, cada vez mais, ela gosta e entra no jogo.

    O filme se desenvolve em torno da tesão: do marido, que nunca consegue uma noite com a mulher; do vizinho, que consegue por meios obscuros; e de Ada, que enlouquece pelo vizinho e pelo piano.

    Com algumas (poucas) cenas até mais explícitas, que o normal, o filme tem uma sexualidade sofisticada, uma bela fotografia. E o que excita (e espero que não seja apenas às mulheres) é essa tesão sem controle, que não se preocupa com as consequências… quem já passou por isso, sabe bem do que estou falando.

    opiano9.jpgOutros filmes que eu achei bem eróticos foram O Último Tango em Paris (Bernardo Bertolucci), claro, Diabo no Corpo (Il Diavolo in Corpo, clássico dos anos 80), Sex and Lucia (Julio Medem), Y Tu Mama También (Alfonso Cuarón) , In the Realm of the Senses (Nagisa Oshima) e Eu te Amo (de Jabor, que é bem explícito).

    Não tenho, absolutamente, nenhum preconceito em relação a qualquer outro tipo de sensualidade, desde que ela seja bem apresentada e surta o efeito desejado, então, fiquei curiosíssima pra saber qual é o filme hardcore que você gosta, Adri, conta pra gente.

    Aliás, fiquei curiosa para saber qual o tipo de filme que excita a mulherada, todo mundo, homens e mulheres, que tal vocês deixarem sugestões, pra gente? vamos fazer uma lista de filmes eróticos que valem a pena assistir?

    Sensualidade n’O Piano

    Denise | Cinema | Sunday, 29 October 2006

    opiano5.jpg

    Nessa última viagem, levei minha caixa com 10 DVDs do seriado britânico Coupling (que foi um belo presente do amigo Guilherme, ex-blogueiro do Ay Caramba) e vi todinho nos ônibus e aviões.

    A série é engraçadíssima, e faz uma gozação com as diferenças entre mulheres e homens e como eles vêem os relacionamentos. Num dos episódios, para surpresa dos rapazes, uma das moças diz que o filme mais erótico que já viu foi O Piano, com o que eu concordo plenamente.

    Essa é uma daquelas coisas incompreensíveis para os homens. Eles devem se perguntar como tantas mulheres conseguem achar O Piano tão sensual, com tão pouca nudez (apesar de que um rápido nu frontal de Harvey Keitel bem que atiça a imaginação…).

    Enfim, se você ainda não viu, minha sugestão para o fim de semana é O Piano, figurinha fácil em qualquer locadora de vídeo. Depois me conta se eu e a moça de Coupling não estamos certas… ;-)

    Veja o trailler de O Piano aqui.

    Blogagem Coletiva – Câncer de Mama

    Denise | Blogagem Coletiva | Saturday, 28 October 2006

    breastcancer_amamentacao.jpg

    Como outubro é o Mês de Conscientizacao sobre Câncer de Mama, estou propondo uma blogagem coletiva, que vai reunir posts publicados, sobre o tema, durante todo o mês.

    Mas eu percebi que, para algumas pessoas, é melhor definir uma data, então, estou sugerindo um “esforço concentrado” no dia 31 de outubro. Farei meu post nesse dia.

    Foto: Essa sueca foi matéria de capa do jornal, em Estocolmo, em outubro de 2002. Apesar da baixa qualidade técnica, essa é uma das mais belas fotos de amamentação, que conheço. Ela tinha feito mastectomia, ainda assim, estava amamentando, apenas em um seio.

    Estocolmo – Suécia

    Denise | Viagens | Saturday, 28 October 2006

    Como prometi… e já volto com mais…

    Ainda sobre Madonna e a onda de “adoção étnica”

    Denise | Celebridades,Comportamento | Friday, 27 October 2006

    madonna_oprah.jpgEntrevista de Madonna

    Acabei de ver, no You Tube, a entrevista de Madonna no programa da apresentadora Oprah. Quem acompanha o blog sabe que sempre adorei Madonna, mas não tem jeito, essa história não me convence.

    Ela parecia nervosa, entendo que deve estar surpresa com tanta polêmica, mas chamou as crianças de “candidatos” (à adoção), tentou justificar, rapidamente, que é assim que eles são chamados, mas não adianta, pegou mal.

    Tinha mais alguma coisa que estava me incomodando e eu ainda não tinha percebido o que era. Na entrevista, eu entendi. Quanto mais Madonna fala, pior fica. Na minha opinião, a adoção não pode ser um ato de caridade, não se adota uma criança para “salvá-la”, para que ela não morra antes dos cinco anos. Adota-se porque se quer um filho ou filha, não é um ato de generosidade, é uma troca, uma coisa extremamente privada e que diz respeito apenas à familia.

    Acho que a diferença entre a atriz Angelina Jolie e Madonna é que Angelina tratou da doação como algo totalmente privado e até parou de falar com o pai, porque ele divulgou a adoção de Maddox à imprensa. A gente a vê falando da Africa, do seu trabalho com a ONU, mas não mistura isso com a sua vida familiar.

    A impressão que a gente tem é que a cantora está usando a adoção como parte do seu marketing da tal ONG Raising Malawi (o nome, por si já é arrogante, algo como “criando o Malawi”), Na entrevista com Oprah, ela diz que foi aconselhada a adotar uma criança em outro país, que seria mais simples, mas ela “já tinha investido muito” no “Raising malawi”, por isso, queria a criança desse país

    A essa altura, devolver David não me parece uma opção, mas só nos resta torcer muito pra essa criança ser feliz na terra da rainha, mas, francamente, as perspectivas não parecem as melhores.

    Entrevista de Madonna em Oprah:

  • Parte 1
  • Parte 2
  • Parte 3

    lemnsissay.jpg“Crescendo em um
    ambiente alienígeno”

    Pulando de um link para outro, eu tive a sorte de parar num belo depoimento dado pelo poeta e escritor etíope Lemn Sissay, de 39 anos, que conta à BBC News sua experiência de criança africana, adotada por pais ingleses.

    “Quando alguém tira a criança da sua cultura nativa, em si isso já é um ato de agressão. As pessoas dirão, sempre, amor é tudo o que você precisa. Mas, isso não é verdade. Amor sem compreensão é uma coisa perigosa”.

    Sissay foi criado por uma família branca, no norte da Inglaterra. Sua mãe biológica veio, com ele, da Etiópia em 1967 e, com dificuldades financeiras, teve de entregá-lo para “adoção temporária”. Ele acabou ficando com seus pais adotivos por 11 anos.

    O escritor conta que, até os 17 anos, nunca tinha conhecido uma pessoa negra. Somente aos nove anos de idade, teve um pente especifico pro seu cabelo “afro”, até então, sua mãe usava um pente de metal, que feria sua cabeça. Nesse mesmo ano, os pais procuraram ajuda médica porque não entendiam como seu joelho estava ficando “acinzentado”. ”

    “Minha vida era um pouco como um experimento. Como qualquer pessoa olhando para trás sentiria sobre crescer em um ambiente ‘alienígeno’ – o qual o trata como um ‘alien’”.

    Sua mãe costumava dizer “Não olhe para mim com esses enormes olhos castanhos”. Certamente, diz ele, ela não fazia isso negativamente, mas ele cresceu “com medo dos próprios olhos”.

    Como seus pais eram muito religiosos, achavam que não tinha escolhido cuidar dele, mas que Deus havia decidido por eles. Lemn Sissay diz que sempre se sentiu perdido e muito confuso, buscando respostas.

    Aos 11 anos, ele foi devolvido aos cuidados do Estado. Ele tinha se tornado um “cavalo de tróia” que simbolizava tudo de demoníaco. Diziam que ele tinha trazido próprio demônio pra sua casa.

    Ele acredita que a verdadeira razão foi que eles tinham adotado outra criança, e estavam tendo dificuldades finaceiras para sustentar toda familia. Disseram que não iriam escrever e nem vê-lo novamente, mas ele sempre achou que um dia voltaria.

    _42197292_lemn1967_203.jpg

    “Para pais de paises industrializados, que querem adotar uma criança, eu diria que dinheiro não é tudo. Riqueza não interessa. Não me diga que você está adotando uma criança para possibilitar a ela uma vida melhor. A criança vai ficar lhe devendo algo? o quê? vcocê vai esperar que ela lhe pague, de volta, com emoções?”

    E acrescenta, sabiamente:

    “Sua visão de outras culturas e do quanto elas são pobres é a sua visão – isso mostra mais sobre você, do que sobre o lugar onde você está indo para buscar uma adoção.

    Você quer uma criança porque você quer uma vida melhor para você mesmo(a)?”

    Eu não estou invalidando o amor que você quer dar, mas estou colocando os interesses da criança em primeiro lugar.

    Compreenda que é a sua própria experiência que leva você a querer tirar uma criança da sua própria cultura e mostrar essa criança como sua, em um ambiente alienígena”.

    Bonito e dá o que pensar, hein?! não estou afirmando que é o caso de Madonna, apesar de que, me parece que a situação ali é bem complicada. Mas, é muito interessante ver esse tipo de adoção com os olhos de quem viveu esse choque cultural. Como ele diz, ser adotado por uma familia que tem dinheiro não é tudo mesmo.

    Continuando a discussão, que está interessantissima (loooooooooooongo):

    madona_filhotes.jpgSe tiver um tempinho (e interesse), não deixe de dar uma olhada nos comentários a esse post, que estão muito bons. Mas, como nem todo mudo lê os comentários, vou desenvolver um pouco mais o assunto, por aqui, explicando melhor a minha opinião sobre o assunto:

  • Eu adoro Madonna. Adoro suas músicas e a estética, acho que foi até revolucionária, em alguns sentidos, 20 anos atrás. Mas, a essa altura, a cantora está virando vítima do seu próprio mergulho numa egotrip sem fim.

    Não estou dizendo que ela não tem boas intenções com essa adoção, não. Acho que peguei pesado quando falei em “jogada de marketing”, na verdade, nem acho que seja algo intencional, mas, parece que a vida de Madonna se transformou numa “grande jogada de marketing” e ela não consegue mais separar as coisas.

    Ir pra um país africano paupérrimo, dançar com a mulherada, sair pulando pra todo lado com a criança nas costas, é o pior começo que posso imaginar para a adoção, porque ela fez um circo (não foi a imprensa que fez, ela apenas regsitrou) e o que está acontecendo, agora, é a consequência disso.

  • Adotar para ajudar. Juro que tentei parar um pouco e ver isso de outra forma. Posso estar errada, mas não tem jeito, ninguém conseguiu me convencer. Acho feio, acho de mau gosto, e acho péssimo pra criança, essas pessoas que adotam dizendo que o fizeram porque queriam “ajudar uma criança pobre”.

    Eu tenho uma amiga que nem é das mais preocupadas em parecer correta (muito pelo contrário), nem em se expressar da melhor forma, mas que sempre teve uma posição que eu admirava muito em relação à história da criança que ela adotou.

    O menininho foi encontrado em situação de extrema pobreza, sabemos disso apenas porque vivíamos perto, quando tudo aconteceu. Ela conseguiu fazer a a adoção e o menino já tá bem grandinho, hoje, é uma coisa linda e muito feliz. Mas, nunca ouvi da boca dessa amiga nada do tipo “queria ajudar esse menino”, “queria salvá-lo porque o futuro dele seria o pior possível”. Ele era o filho dela. Ponto.

    Talvez todos nós pensássemos isso, mas verbalizar que você vai adotar pra ajudar a criança me parece uma postura perigosa para o futuro. Como a criança vai se sentir? como disse o escritor aí acima, a criança terá que ser “grata” pelo gesto? acho que todos filhos biológicos ou adotados devem ter alguma gratidão pelos esforços dos pais, mas isso deve vir no mesmo nível, senão a criança adotada cresce ainda mais confusa, mas devedora e, afinal, a adoção foi uma escolha dos pais que, teoricamente, lhes trouxe muita felicidade também.

    Enfim, na minha opinião, caridade é motivo pra doação de tempo e dinheiro, não pra adoção de uma criança, que é um ato muito complexo, que envolve a vida de outra pessoa e não pode ser visto (e MUITO MENOS dito) como um ato de generosidade, até porque o que existe de gente vaidosa da sua “generosidade”, não é brincadeira. E aí, por melhores que tenham sido as intenções, passa a ser um ato egoísta.

  • Mas, como disse no post anterior, sobre o tema, nem é a adoção que me incomoda mais, quanto a isso, só podemos torcer para o menino ser muito amado e para que ela e a família tenham equilíbrio para criá-lo bem. Mas, ainda pior, eu acho o tal do orfanato criado por Madonna, que se chama “Raising Malawi”.

    Como já disse, “raising” significa criar (no sentido de nutrir, cuidar), mas a Melissinha me lembrou que também pode ser “elevar, erguer”. Eu conheço o conceito e nem citei esse, antes, para não pegar ainda mais pesado, já que me parece ainda pior.

    Acho de uma arrogância impressionante você entrar num país e criar uma organização que se autodenomina dessa forma. Imagina um americano ir pra uma favela no Nordeste brasileiro e criar uma instituição que tenha como nome algo como “Levantando o Brasil”, francamente, não é horrível?!

    Mas é que quando se fala em Africa (ou pessoas paupérrimas), acho que a gente tem a tendência a achar que qualquer ajuda que vier é boa, já que eles estão são miseráveis, mas nos meus 15 anos de experiência nas comunidades, vi ações “generosas” tornarem a situação muito pior do que o que existia antes.

    Acho louvável a intenção de Madonna “ajudar” a Africa, mas ela está sendo mais criticada do que outras celebridades – como Angelina Jolie, Brad Pitt, George Clooney, Nicole Kidman – não por ser Madonna (até pensei que, no caso da adoção pesava um preconceito contra seu “passado sexual”) mas, porque ela escolheu a pior forma de fazer isso, a mais personalista.

    Todos esses artistas se promoveram, claro, mas o fizeram de forma mais responsável, através da contribuição com um órgão reconhecido e respeitado (a ONU) e sempre tiveram cuidado para não “parecer” que estavam se promovendo. Madonna, por ser Madonna, tinha que criar seu proprio orfanato e impor as suas idéias no país.

    Sempre admirei Madonna, mas não posso deixar de me chocar com todas as besteiras que ela anda fazendo, dessa vez envolvendo muita gente, de verdade, não apenas com a provocação de uma crucificação no palco.

  • Por fim, não acho que dinheiro e amor sejam suficientes, quando se fala em adoção de crianças por pessoas de diferentes etnias. É preciso, também, muita maturidade, muito juízo, muito bom senso para compreender e saber lidar não apenas com a reação das outras pessoas em relação à familia multi-racial, mas também com as diferenças culturais que vão existir dentro de casa, sem isso, por mais amor que se tenha, a criança vai continuar se sentindo um “alien” naquela sociedade.
  • Ah e pra terminar, nem sempre a miséria é a miséria que vemos com nossos olhos. Vi muita criança feliz, nas favelas, crianças com pais que não tinham nenhuma renda, vivendo em condições miseráveis, sem saneamento básico, sem comida… é difícil a gente ver os outros com seus próprios olhos. Não estou dizendo que a miséria é aceitável, de jeito nenhum, mas que nem sempre tirar as crianças dos seus países é a melhor opção para elas.

    Se é pra ajudar, existem outras formas muito mais eficientes e generosas que a adoção.

    Leia mais:

  • Uma virada imprevista: o”fim” da adoção internacional no Brasil
  • Madonna se supreendeu com polêmica da adoção
  • Vilnius – Lituânia

    Denise | Lituânia,Viagens | Friday, 27 October 2006

    Por que Lituânia?

    falei bastante sobre a Lituânia, mas queria só contar, um pouquinho, porque decidi visitar esse país.

    reds_filme.jpgQuando eu tinha 16 anos, li o livro Os 10 Dias que Abalaram o Mundo (lançado na série pocket da LPM), de John Reed, que inspirou o filme Reds com Diane Keaton e Warren Beatty (foto).

    Ele conta a história de um jornalista americano e sua esposa, que estão na Rússia em 1917, durante a revolução bolchevique e vêem o evento com o idealismo, que esperam trazer pros EUA. A história é linda, épica, misturando tudo que uma garotinha de 16 anos pode querer: idealismo, esperanças, dramas sentimentais.

    Assisti a Reds no belissimo cine São Luis, gazeando aula do colégio e em companhia de um militante do MR-8 por quem eu era apaixonadíssima, na época. Muito novinha, me imaginava naquelas reuniões comunistas bolchevique e era totalmente deslumbrada com a revolução do proletariado.

    Achava que os países que faziam parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, entre eles a Lituânia, estavam reunidos por livre e espontânea vontade, como forma de defender o comunismo.

    Aos poucos, claro, minha ilusão foi se dissipando e eu fui entendendo a relação de poder e violência da Russia em relação aos países da USSR, acompanhei a queda do comunismo no Leste Europeu (a Lituânia foi o primeiro país a se insurgir contra a Russia). Por isso, sempre tive curiosidade de conhecer um pouco o resultado de uma história que foi parte importante da minha adolescência.

    Um pouco da história

    downgate.jpgDesde o início da sua história, lá pelo século XI, a Lituânia tem sido vítima de invasões pela Suécia, Polônia, Alemanha e a Russia, e sempre lutou por sua autonomia, tendo poucos anos de independência. Isso resultou em pobreza e, claro, tem relação com a falta de belas construções, como existe em Estocolmo, por exemplo. Somente o centro histórico de Kaunas, foi destruido e reconstruido 13 vezes.

    Essa foto ao lado, mostra o Gates of Dawn, que é um local de peregrinação de católicos do Leste Europeu. Vilnius tinha nove portões, que foram destruídos. Esse se manteve, integralmente, porque acredita-se que Santa Maria apareceu aqui e, por ser um local sagrado, nenhum inimigo se atreveu a destruí-lo. Foi construido em 1503-1522.

    Em 39, Hitler e Stalin dividiam o controle da Lituânia, através do pacto Molotov-Ribbentropp. Entre 41 e 44, mataram 200 mil judeus, 94% de toda a comunidade judaica da Lituânia. A partir de 7 de julho de 1944, a Lituânia foi reincorporada à USSR. No período em que esteve subjugada à União Soviética, um quarto de sua população foi enviada para os Gulags da Sibéria.

    Diz-se que, no dia 23 de agosto de 1989 um número estimado de dois milhões de lituanos, estonios e letões deram-se as mãos, numa corrente humana de 650km que ia de Tallin (capital da Estonia) a Vilnius (capital da Lituânia), num protesto ao 50o aniversário do pacto Molotov-Ribbentropp.

    No dia 11 de março de 1990, a Lituânia foi o primeiro país a declarar independência da União Soviética. As últimas tropas partiram em 93, mas Moscou impôs um boicote econômico à Lituânia, que tinha sido, até então, totalmente dependente da União Soviética e teve que enfrentar a pobreza e a reconstrução da sua estrutura econômica.

    Em 91, o país foi reconhecido pelas Nações Unidas e em 2004, foi integrado à União Européia, mas foi o primeiro país a ter negado o direito de adotar o euro, por ainda ter uma inflação elevada para os padrões da UE.

    A situação atual

    lituanas.jpg

    Apesar do crescimento econômico pós-União Soviética, a pobreza, do país é visível por todos os lados, não apenas nos subúrbios, mas mesmo no centro histórico (que foi reconehcido patrimônio histórico da humanidade, pela Unesco). Visitando alguns foruns de discussão sobre a Lituânia (antes de viajar), percebi algumas similaridades com o que se fala do Brasil.

    As lindas mulheres lituanas são, muitas vezes, vistas pelos outros europeus como “caça-gringos”. Num desses fóruns um imbecil britânico (pois é, não é apenas por aqui, não), dizia que as mulheres lituanas são fáceis e fazem o que eles querem, mas que os rapazes devem tomar cuidado, porque o que elas querem é arrumar alguém que as tire do país e leve para um lugar mais “rico”. Triste de ler e um conceito bem familiar à gente.

    Enfim, é um país em reconstrução, são apenas 15 anos de independência, não é nada em termos históricos. Estou torcendo por eles.

    Algumas curiosidades sobre a Lituânia:

    karaliaus.jpg

  • Karaliaus (pronuncia-se Karalhos) significa REI em lituano… hehehehe… (Pintura: Karaliaus Mindaugo)
  • Ainda assim, é o pais do mundo com maior índice de suicídio masculino 81.9 para cada 100.000 pessoas (Brasil tem 4.6 por cada 100 mil).
  • Numa dessas pesquisas esquisitas sobre níveis de felicidade, a Lituânia é o quarto mais mais infeliz (antes dele apenas Letônia, em “primeiro lugar”, seguido de Slovakia e Estonia. Segundo essa pesquisa maluca, o Brasil é 27o país mais feliz e o mais feliz é a Venezuela…
  • Fotos de cima para baixo, da esquerda para direita:

    1. Subačiaus vartai. Um dos portões medievais da cidade.

    2. Adoro essas plaquinhas de algumas lojas de cidades européias.

    3. Reflexo da torre de uma igreja, na janela do Gates of Dawn.

    4. Mais uma igreja

    5. Carimbos-Arte, por toda parte

    6. Belíssimo colar com âmbar e pedras locais.

    7. Cepelinai (Zepellin), prato típico da Lituania, duas bolinhas de batata, recheadas com carne com molho de queijo, manteiga, especiarias, pedacinhos de bacon. Como diz a Cris, é de comer rezando. No melhor restaurante da cidade, no centro histórico, custou 10 litas, ou cerca de 8 reais.

    8. Adorei essa figa, estrategicamente colocada uma das janelas de uma casa do centro histórico, onde todo mundo dá uma espiada quando passa.

    9. Eu, no centrão histórico.

    10. Essa estátua é linda e tem um estilo que lembra as estátuas do realismo soviético, fica do llado de mais uma igreja (sorry, não guardei o nome de nenhuma delas), por onde eu passava todos dias, vindo do ou para o hotel.

    11. Como falei, os carros são velhos e coloridésimos. Destaque pro Lada (russo) verde limão.

    12. Feirinha de artesanato com lindos colares de âmbar (o produto mais típico da região) é o que não falta. Comprei um pra mim e um pra mammys.

    13. As ruas têm muitos arcos como esses, que dão para outras ruas, o que faz um belo labirinto.

    14. Vista panorâmica de parte da cidade, do Subačiaus vartai, que fica numa colina.

    15. Muita pobreza. Essa casa me lembrou as favelas brasileiras, e não são raras construções como essa, que encontrei entrando por um desses arcos, em pleno centro histórico. Imagine essas casas de madeira, num frio de -24, sem aquecedor.

    16. E a rainha Elizabeth, da Inglaterra, também esteve em Vilnius, pela primeira vez, no mesmo dia que eu. Vi seu chapelão, de longe, mas nada de fotos. O povo estava todo nas ruas. Como tinha show de Seal no mesmo dia, ao chegar na praça principal, pensei que podia ser ele até perceber bandeirinhas britânicas por toda parte. A cidade tava uma alegria só. A rainha estava nos países báticos lançando um prêmio internacional para jovens.

    17. Fofo esse menininho tocando (mal) nas ruas por umas moedas, coisa comum por toda Europa. Adoro.

    18. Bom, e essa é a foto mais esperada por algumas amigas. Essa é a famosa rua onde ficava meu hotel. Como vocês podem ver, do lado direito, tem uma fábrica enorme, desativada, com portas e janelas quebradas e abertas. Do outro lado, um matagal. Nenhuma luz. E eu, voltando pra casa com tanto medo que quase tenho um ataque de tanto correr, sem conseguir nem respirar direito. Preciso melhorar minha forma física urgentemente.

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    Os Porões da KGB

    Genocido1.jpg

    O Museu das Vítimas de Genocídio foi o momento mais emocionante da viagem a Vilnius. Fica num prédio onde, entre 1940 e 1991, se encontrava a KGB, a famosa polícia soviética e nos seus porões, entramos em celas onde os prisioneiros políticos e judeus eram torturados e executados. É de arrepiar.

    Nas fotos, algumas coisas que me chamaram mais atenção.

    1. As roupas de camuflagem branca (por causa da neve), feitas pelos próprios soldados lituanos, que tentavam lutar contra a invasão russa e alemã. Na foto maior, de fundo, um casal de soldados lituanos brinca. Morreram poucos dias depois, em batalha.

    2. Várias mulheres lutavam no front.

    3. Um oficial, posando com uma flor, na chegada da primavera, em plena guerra… “sem perder a ternura jamais”.

    4. Uma farda.

    5. Uma das mulheres lutando na resistência.

    6. Já no porão, as celas, com portas abertas. Essa primeira é impressionante, vocês podem ver que tem um alcochoado amarronzado na porta, ele cobre toda a parede da cela, que era usada para as torturas quando o prisioneiro ou prisioneira gritava muito, para impedir que se ouvisse seus gritos.

    7. Cela para quatro prisioneiros. Francamente, não pude evitar a comparação com as prisões brasileiras. Essa aí é um hotel cinco estrelas, se comparado com as nossas prisões. Uma cela dessa teria, no mínimo 10 vezes mais gente.

    8. Cela com a farda do prisioneiro e seus utensílios para se alimentar.

    9. Fotos de prisioneiros mortos nesse local.

    10. Câmara de execução, onde mais de 100 pessoas foram executadas, um terço dessas pessoas por resistirem à ocupação soviética.


    Prédio durante a ocupação soviética

    Rosário feito de pão, num campo de concentração

    PS.: Aproveite, e dê uma olhadinha nas fotos que eu fiz no Museu da Ocupação da Letônia, que fiz em Riga, ano passado. Segundo o Museu, a Letônia perdeu 550 mil pessoas durante a ocupação alemã e soviética, um terço da população.

    Televisão na madrugada

    Denise | Televisao | Friday, 27 October 2006

    Para “Marta”, homem que é homem arrebenta a mulher

    marta_alex.jpgAinda vítima do jet lag, acordei às 4 da manhã e fui dar uma navegada pela internet. Aí botei a novela pra ficar ouvindo, ao fundo. Só pra ter raiva, né?

    Eu já tinha jurado que não assistia mais, mas acabo, sempre, dando mais uma olhada porque quero ver a que ponto isso vai chegar. Não tem um capítulo que não tenha uma bobagem ou coisa muito pior.

    Dia desses foi a conversa de três médicos, dois homens e uma mulher, enquanto os médicos-homens discutiam “coisas sérias” (o efeito da AIDS para a dermatologia), tudo que a médica (Elisa Lucinda) queria era falar sobre os novos creminhos cosméticos e ainda ficou irritada porque eles “cortaram o barato dela com esse papo sério”… ai, meu Deus…

    Aí tem o detestável Greg dizendo que tem que transar com a insuportável Sandra porque é obrigação dele, como homem; Helena a marcar cesariana; todas as mulheres são burras ou infantilizadas.

    Gente, é um festival de machismo e baixaria.

    Mas, dessa vez, o Manoel Carlos se superou. No capítulo de quinta, a Marta e Alex estão brigando e saem com essa:

    Alex: “Não quebro a sua cara porque você é mulher” (ou algo do tipo)

    Marta: “Não é porque eu sou mulher que você não me arrebenta, Alex, é porque você não é homem.”

    Francamente, às vezes fico pensando se o autor está sofrendo com algum tipo de problema mental, porque isso não é normal. Num país com os impressionantes índices de violência doméstica como o Brasil, tudo que a gente não precisa é de uma mulher, na televisão, dando a entender que homem que é homem arrebenta a companheira…

    Pela Internet na madrugada

    27_CHC_capa_gemeos02.jpg

  • Adorei a história dos gêmeos branco e negro, na Inglaterra, mas paree que aqui, por causa da miscigenação é até mais “comum”. Só hoje vi o caso desses dois fofos no Rio e mais dois em Recife. Essa é a verdadeira United Colors.
  • Negras são discriminadas no parto. A proporção de gestantes que deixaram de ser atendidas na primeira maternidade pública procurada no Rio foi de 31,8% entre as negras e de 28,8% entre as pardas. Entre as brancas foi de 18,5%
  • A dica é do Renato, do Tordesilhas, uma matéria fantástica na Revista National Geographic (em português), sobre “A Poluição Interior”.
  • Segundo o Le Monde, Geraldo Alckmin mostra-se crispado antes do segundo turno frente a Lula. Tava na hora, não aguentava mais o risinho da cria do Opus Dei, pós-segundo turno.

    ( Ainda vou mostrar as fotos e falar sobre a minha passagem por Estocolmo e os ótimos encontros com a mulherada brasileira que vive por lá, vamos mudar só um pouquinho de assunto.)

  • Algumas observações sobre a minha viagem e a volta pra casa

    Denise | Viagens | Thursday, 26 October 2006

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    Esculturas nos jardins do Mudeu de Arte
    Moderna de Estocolmo

    Fibromialgia na estrada

    Estou me sentindo como se tivesse passado por um “liquidificador de borracha”, muito, muito, muito cansada (não dormi nem cinco horas). Lembrem que essa que vos fala é uma “fibromiálgica” que enfrentou 21 horas de viagem, depois de quase duas semanas fora de casa.

    Minha estratégia é fazer de conta que “não é comigo”, esquecer totalmente que existe fibromialgia, e continuar andando, lidando com cada dor que aparece, como se fosse algo que todo mundo tem de enfrentar, nada especial. Em mim, as dores são, especialmente, nas costas, com uma dor aguda no lado esquerdo; atrás do ouvido esquerdo; no pé e joelho direito, na face externa da batata da perna, nos cotovelos… não adianta tomar analgésico, não tomo nada, é só esperar que melhora.

    Quando comecei a sentir mais dores, esse ano, e recebi o diagnostico de “dor crônica”, meu maior medo era não aguentar longas viagens, mas depois dessa dá pra ver que tiro de letra, além disso, foi mais uma prova de que essa “condição” não tem nada de doença psicossomática, como alguns ainda imaginam.

    Mesmo feliz da vida, tranquila, relaxadíssima, nem lembrando da danada, tive uma crise braba de fibromialgia, provavelmente provocada pela chegada da TPM (acontece com toda mulher, sempre piora nesse período) e pela exaustão física mesmo. Mas, enfim, estou bem melhor e não foi nada que tirasse o brilho da minha viagem, não. As dores já estão incorporadas à rotina e não me derrubam :-)

    enskededalen.jpg
    Crianças brincando, vistas da janela do apartamento,
    em Estocolmo

    Voltando pra casa

    Mas, esse não é um post só de reclamações, não. Estou feliz, muito feliz. A única coisa melhor que fazer uma linda viagem, como essa, é voltar pra casa e encontrar a filha feliz da vida, namorando, estudando, trabalhando. Tudo na mais perfeita ordem, tudo na mais santa paz.

    A casa até que não estava tão desarrumada e tinha comida na geladeira. E dormir na minha cama é bom demais. Só falta Ted, que ficou em Genebra, participando de uma reunião, mas chega já.

    estocolmo_linda_1.jpg
    Estocolmo, linda, linda, linda…

    Por que eu viajei/viajo tanto?

    Pouco antes de voar pra Estocolmo, alguém (gentilmente) me deixou essa pergunta, aqui no blog (desculpe, não consegui encontrar o o nome da pessoa, mas foi um homem). Não estava tendo tempo pra nada, por isso deixei pra responder quando voltasse.

    Já fiz um post sobre isso aqui, porque sempre que querem me agredir e, infelizmente, isso acontece mais do que eu gostaria, um dos ataques preferidos é dizer que só viajo por causa do meu marido. Por isso, listei os países que eu conheço: Alemanha, Argentina, Bangladesh, Bélgica, Brasil, Canadá, Escócia, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Finlândia, França, Holanda, India, Inglaterra, Irlanda, Italia, Letônia, Lituânia, Malásia, México, Nepal, Peru, Portugal, Singapura, Suecia, Suíça, Tailandia, Tanzania, Turquia, Uruguai, Venezuela.

    Depois de casada, de novos países, apenas a India, Turquia, Finlândia, Letônia e Lituânia e o único caso de viagem internacional, minha, por causa do trabalho de Ted foi a India. Para a Finlândia nós fomos porque o filho dele morava lá. Para a Turquia, Letônia e Lituânia, eu nem fui com ele e conheci usando as minhas milhas ou comprando passagem super barata, usando minhas economias.

    Todos os outros países conheci antes de casar, algumas vezes usando milhas da Varig, mas na maior parte dos casos, foi a trabalho mesmo. E trabalhando muito, não era só de brincadeira não, mas sempre ficava uns dois ou três dias depois de cumprir as minhas obrigações.

    Entre 1992 e 2002, trabalhei com uma rede internacional de amamentação e, nesse período, participei de todas as suas reuniões internacionais, organizei algumas, viajei muito por isso.

    Desde que mudei pra Suécia e EUA, tenho viajado muito menos, como já disse aqui, no começo não quis deixar Bia sozinha num país estranho e agora, me afastei desse trabalho, tenho outras prioridades.

    Mas, sempre que posso, viajo mesmo, e seja como for, não vejo absolutamente nenhum problema em aproveitar a viagem do marido pra passear mais um pouco, já que pagamos as minhas despesas. Todo mundo faz isso, mas quando eu faço sempre aparece um mala pra dar opinião…

    PS.: Gente, tem muita gente invejosa, mesquinha e mala, mas o rapaz que fez essa pergunta, acho que foi na boa, ele apenas queria entender como é que eu tinha conseguido viajar tanto, pelo menos não me pareceu nada mal intencionado, tô só aproveitando porque, por outro lado, sempre tem os malas me criticando por eu ter ido UMA VEZ à India acompanhando meu marido, que foi trabalhar… como diria Cazuza “pessoas de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas, querendo sempre aquilo que não têm”.

    Lagerhaus

    Denise | Suécia,Viagens | Thursday, 26 October 2006

    Cheguei em casa. Uma viagem longa e cansativa, saí de Estocolmo às 8 da manhã e cheguei aqui às 11 da noite (cinco da manhã, no horário de lá), ou seja 21 horas de viagem! estou cansadissima, amanhã conto um pouco como foi.

    Essa tabelinha, eu fiz no aeroporto, são fotos da Lagerhaus, que é uma das minhas lojas preferidas em Estocolmo, cheia de tranqueira de todo tipo. Engraçadíssima a série de produtos Dallas, pra lá de kitsch. Esse sapo-príncipe é um aguador de plantas e essa sacola amarela Let’s Talk Dirty é para guardar roupas sujas. Fofos, né?

    A Lagerhaus não é cara e tem sempre novidades, não comprei quase nada, mas se pudesse trazia uma mala cheia de coisinhas totalmente inúteis, mas imprescindíveis…

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