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Doce Veneno – Aspartame – Parte 3 – Porque a gente pode engordar consumindo produtos Diet

Leia mais sobre Corpo & Saúde.
Publicado na Monday, 17 July 2006

O caso dos refrigerantes diet e o chapeleiro maluco de Alice

alice_tea.jpg

“- Tome mais um pouco de chá”, ofereceu a Lebre de Março para Alice, com um ar sério.
” – Mas eu ainda não tomei nada”, replicou Alice em um tom ofendido, “portanto eu não posso tomar mais”.
” – Você quer dizer que não pode tomar menos”, disse o chapeleiro, “é mais fácil tomar mais que nada”.

Alice no País das Maravilhas

Mês passado, oito anos de dados coletados foram apresentados pela Sharon P. Fowler, MPH, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas no encontro anual da Associação Americana de Diabetes. Segundo o estudo, paradoxalmente, quanto mais refrigerante diet a pessoa consome, maior o seu risco de ter sobrepeso ou se tornar obesa.

A Dra. Sharon Fowler lembra que teve um “insight” quando viu essa cena da Alice no País das Maravilhas, porque o chapeleiro lhe oferece chá, mas não dá nenhum. Então, Alice acaba servindo-se sozinha.

Segundo a Dra. Fowler, Isso deve ser o que acontece em nossos corpos, quando nós “oferecemos” o gosto doce dos refrigerantes diet, mas não damos nenhuma caloria.

“Se você oferece, ao seu corpo, alguma coisa que tem um gosto como algo cheio de calorias, mas elas não estão ali, seu corpo será alertado para a possibilidade de que alguma coisa está ali e ele vai procurar pelas calorias prometidas, mas não entregues,” diz Fowler. “talvez nossos corpos sejam mais espertos do que nós pensamos”.

“As pessoas pensam que podem enganar o corpo. Mas, talvez, o corpo não esteja sendo enganado,” ela disse. “se você não está dando ao seu corpo essas calorias que prometeu, talvez seu corpo irá retaliar buscando mais calorias. Algums estudos feitos com refrigerantes diet sugerem que eles estimulam o apetite.”

Segundo ela, para cada lata de refrigerante diet consumido por dia, a pessoa teria um aumento de 41% no risco de obesidade.

Os professores Terry Davidson e Susan Swithers, ambos do Departamento de Ciências da Psicologia, da Purdue University descobriram que essa habilidade do corpo para contar calorias baseado na “doçura” dos alimentos pode estar sendo danificada pelo uso dos adoçantes e isso pode explicar o aumento enorme de pessoas obesas nos EUA.

O estudo, A Pavlovian approach to the problem of obesity, publicado no International Journal of Obesity, foi feito oferecendo açúcar e adoçantes artificiais aos ratos. Aqueles que receberam adoçantes, buscaram muito mais produtos calóricos que os que receberam açucar.

No fundo, a gente já sabia disso. Já é até piada @s gordinh@s, que se entopem de produto diet. Aqui nos EUA, a gente vê pessoas com mais de 200 quilos e o carrinho cheio de produtos diet (claro que nenhuma fruta, vegetal, legumes).

Como não poderia deixar de ser, cada vez mais está sendo feita essa relação, aqui nos EUA, entre o consumo de adoçante e o aumento de peso da população. Na revista dos Vigilantes do Peso, dessa semana, saiu uma matéria sobre isso.

Mas essa dúvida é antiga, já em 86, foi feita uma pesquisa que avalia a mudança de peso, durante um ano, em 78.694 mulheres entre 50 e 69 anos que faziam parte de um estudo sobre mortalidade. Aquelas que usavam aspartame ganharam mais peso que as que não usavam o produto, independente do peso inicial. Segundo o pesquisador, “os dados não apóiam a hipótese de que o consumo de adoçantes artificiais a longo prazo ajudem a perder peso ou previnam o ganho de peso”.

diet_fat.jpg

Aparentemente, em sua ação sobre o cérebro, o aspartame faz com que a pessoa sinta mais desejo de comer carboidratos — farinhas, açúcares, amido — e, assim, acaba engordando.

Forma-se um círculo vicioso: a pessoa toma aspartame para emagrecer; mas passa a ingerir mais carboidratos, e aí engorda; logo, adota ainda mais alimentos com aspartame e fica presa neste círculo vicioso, cada vez mais vulnerável aos efeitos da droga.

Segundo o psicólogo Daniel C. Stettner, existe uma outra forma de engordar por causa do consumo de produtos diet. “A indústria de alimentos joga com o açúcar, a gordura e o sal,” diz ele, “é como um jogo de esconde-esconde.”

Stettner diz que, quando os industriais diminuem a quantidade de açúcar nos alimentos, geralmente aumentam a gordura ou sal, para compensar a falta de gosto. Por exemplo, os sorvetes “sugar-free” são feitos com altos índices de gordura.

“Alimentos livres de açúcar podem ainda ser altamente calóricos, e isso pode causar o aumento de peso” diz o Dr. Daniel C. Stettner, especialista em questões de peso no Centro de Saúde Northpointe em Berkley, Michigan.

Outra forma, mais indireta, de sabotagem da dieta, com o uso do aspartame pode ser que se consome muito mais calorias, ao se considerar que o uso do aspartame está aliviando a “culpa”. Se usamos aspartame (ou outro adoçante), sempre achamos que estamos liberadas pra comer um pouco mais…

Eu mesma, cansei de comer uma torta de chocolate maravilhosa, com Diet Coke e vi muitas amigas fazendo o mesmo. Minha mãe tem sempre chocolate no quarto, mas coloca adoçante no café.

Enfim, o fato é que, com a quantidade astronômica de aspartame consumido nesse país, deveríamos ter menos obesidade, mas, como eu mostrei na semana passada, nos últimos 20 anos, esse índice só aumentou…

Dá o que pensar, não é não?

Eu parei de consumir produtos diet há mais de um mês. Agora como o que não comia antes, mas moderando um pouco em tudo. Não emagreci, mas também não aumentei nem uma grama. Desconfio que perdi boa parte dos prazeres da vida, nos últimos 20 anos, sem que isso tivesse ajudado em nada. Muito pelo contrário.

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Doce Veneno – Aspartame – Parte 2 – Ciência & Incertezas

Leia mais sobre Corpo & Saúde.
Publicado na Wednesday, 05 July 2006

skull_aspartame.jpg

Eu juro que fiz um esforço enorme, no meu último post sobre o assunto, pra não parecer alarmista. Sei que o exagero é o maior inimigo de qualquer “ativista” e tenho consciência de que é por isso que as informações sobre o aspartame são tão desconsideradas e vistas como “lenda urbana”, ainda que estejam respaldadas por referências científicas. Mas não resisto à imagem acima.

É que sou passional e não conseguiria falar sobre um assunto que me choca tanto, com imparcialidade. Sendo assim, tentei, nesse post juntar minha paixão pelo assunto, com uma pesquisa feita apenas em artigos de instituições científicas e que tenham credibilidade. Existem dezenas de sites ativistas que contam os horrores do aspartame, basta escrever a palavra no Google. Mas, para evitar críticas, vou deixar esses sites de lado, por enquanto.

Lembrando que, no meu post anterior, deixei bem claro que estava falando apenas da minha experiência e nele eu já dizia que num post futuro falaria mais sobre as pesquisas existentes sobre o assunto, não tinha a pretensão de oferecer nenhuma informação científica. Se vocês lerem bem, não fazia nenhuma afirmação do tipo “o aspartame causa câncer” ou “aspartame causa fibromialgia”. Falei da experiência que eu tive e da opinião do meu médico, apenas.

Mas, e dá pra confiar, tão cegamente, na Ciência?

Desde que comecei a pesquisar sobre aspartame e fibromialgia, tenho todo cuidado em avaliar bem as minhas fontes. Mas isso também não significa que confio piamente em tudo que é publicado nos famosos jornais médicos.

Ano passado, o British Medical Journal, conceituadíssimo, publicou um editorial defendendo a segurança do uso do aspartame. Interessante é que eu percebi que a sua primeira referência é do Aspartame Information Center, site do “The Calorie Control Council”, associação internacional que representa a indústria de bebidas e alimentos diet e de baixa caloria.

Não parece que existe aí um imenso “conflito de interesses”? desde quando a indústria tem credibilidade para ser citada num editorial que defende produtos produzidos por ela?

Em carta, também publicada no British Medical Journal com o título de Aspartame e seus efeitos na saúde – Estudos financiados independentemente encontraram potenciais efeitos adversos , o Dr. John Briffa critica o editorial do BMJ:

“Essa revisão é particularmente preocupante porque mostra que, enquanto 100% dos estudos financiados pelas indústrias (integral ou parcialmente) concluiram que o aspartame é seguro, 92% dos estudos financiados independentemente encontraram potenciais efeitos adversos”, afirma Dr. John Briffa. Antes que digam que esse médico não é respeitável, vale informar que ele tem artigos publicados pelo próprio BMJ, adorado pelos defensores da “Ciência acima de tudo”.

Eu não sou a única que questiona a “verdade definitiva” das pesquisas cientificas. Uma revisão feita pelo epidemiologista John Ioannidisa, em 49 estudos altamente citados (portanto considerados excelentes referências), resultou que 14 deles foram contraditos ou relativizados por pesquisas posteriores, como divulgado na revista Discover.

Como os pacientes podem lidar com essa confusão? “Nós deveriamos mudar nosso modo de pensar sobre resultados significantes estatisticamente, para o que eu chamaria de um resultado com credibilidade,” disse Ioannidis. “Não há nada demais em afirmar que as pesquisas publicadas nos jornais médicos não são 100% corretas. Não existe pesquisa perfeita.”

Ioannidis orienta seus pacientes a protegerem-se mantendo uma postura crítica em relação aos conselhos dados por seu/sua médico(a). “Pergunte não apenas ‘isso é bom pra mim?’ mas ‘qual a certeza disso’?”

Quase todo mundo sabe sobre o desastre que foi o uso da talidomida. Recentemente, o Vioxx foi recolhido. O Ambien, um tranquilizante extremamente usado, por aqui, pode fazer as pessoas virarem sonâmbulas, ao ponto de entrar no carro e dirigir. Todos esses medicamentos, em certo ponto, tiveram pesquisas cientificas, garantindo sua segurança, por isso foram liberadas. Assim como o aspartame, atualmente.

Não estou dizendo que não se pode confiar na ciência, senão voltaríamos aos tempos de Galileu. Mas apenas lembrando que devemos sempre ser críticos em relação a qualquer afirmação que vá interferir tão gravemente em nossas vidas, mesmo quando vinda das fontes mais seguras.

É onde entra o bom senso em relação ao “custo benefício”. Eu não posso garantir que o aspartame foi o agente catalizador da minha fibromialgia. Mas, considerando que existe uma possibilidade e que, eu não acordo uma único dia sem sentir alguma dor em algum lugar do corpo… se pudesse voltar no tempo, eu jamais arriscaria. Por isso, me interesso tanto em divulgar esse tema e até criei mais um blog, apenas para divulgar artigos sobre aspartame.

Claro que, se você tem diabete e precisa de um adoçante, essa pode ser sua única opção. Não sei, e esse é outro universo enorme a ser pesquisado, não teria tempo para isso. Mas, mesmo sabendo que todos adoçantes têm contra-indicações, eu conversaria com meu/minha médico(a) sobre a possibilidade de usar outro produto.

Mas, o que é o aspartame?

aspartame_molecula.jpg

O aspartame é uma neurotoxina, ou seja, uma droga que ataca o sistema nervoso. Sua molécula é dividida em três componentes: ácido aspártico, fenilalanina e metanol.

Sabe-se que o ácido aspártico, em grande quantidade, pode causar lesões cerebrais, segundo experiências feitas com animais.

A fenilalanina, existente no aspartame, também é neurotóxica, quando isolada dos outros aminoácidos das proteínas. Bloqueia a produção de serotonina, que é uma das substâncias, no cérebro, responsáveis por regular o sono. Quando a gente tem baixos níveis de serotonina, pode ter insônia, depressão, angústia, mau humor e até sintomas de paranóia. Uma das características comuns aos pacientes com fibromialgia (que não é uma doença apenas psicossomática), são os baixos índices de serotonina, como afirma o site fibromialgia.com.br, apoiado pela Sociedade Brasileira de Reumatologia. Pura coincidência?!

Finalmente, o metanol converte-se, depois de ingerido, em formaldeído e ácido fórmico (principal componente do veneno da picada das formigas) e é conhecida como uma substancia cancerígena.

Quem consome a quantidade certa?

Aparentemente, essas substâncias, nas quantidades máximas indicadas, não fazem mal. Acontece que, com o uso do aspartame em mais de 3.000 produtos, se a gente passa a usar tudo “diet”, é difícil saber a quantidade ingerida diariamente.

Isso se essa informação fosse disponível, né? há poucos dias, o IDEC divulgou um estudo que alerta para consumo excessivo produtos diet e light. Analisando amostras de 24 adoçantes, 25 bebidas dietéticas e quatro sucos em pó, o IDEC descobriu que nenhum deles informa o limite máximo de consumo por dia, chamado de Ingestão Diária Aceitável (IDA).

Outra questão a se considerar é a interação entre vários produtos. Alguns cientistas acreditam que o aspartame, sozinho, pode não ser tóxico, mas ele é sempre usado com uma grande quantidade de outros aditivos e aí, quem conhece os efeitos dessas interações?

Portanto, é fácil dizer que o aspartame isolado e nas quantidades ideais é seguro, ainda mais quando a indústria financia a maioria das pesquisas… dá pra arriscar?

Algumas pesquisas sobre aspartame

Não é por causa delas que eu parei de consumir esse produto, mas pela minha experiência própria. Por ter observado uma grande piora nos meus sintomas de fibromialgia, quando consumia esses produtos e por ter sido advertida pelo meu médico (que atua na área há 40 anos), que o aspartame pode desencadear crises de fibromialgia, sim.

Mas, não custa nada mostrar que, ao contrário do que se afirma, também existem pesquisas que mostram riscos do consumo desse produto.

  • Aspartame induces lymphomas and leukaemias in rats (Centro de Pesquisas sobre o Câncer, Fundação Européia de Oncologia e Ciências Ambientais, Bolonha, Itália)

    Esse estudo causou uma enorme reação por parte da indústria de adoçantes e por causa dele, foi escrito o editorial do BMJ (sobre o qual falei acima), defendendo o produto.

    Depois de estudar 1,8 mil ratos, durante oito anos, a equipe de pesquisadores italianos concluiu que o aspartame pode ter efeitos cancerígenos. O estudo foi anunciado em julho do ano passado e publicado em março de 2006, na revista Perspectivas de Saúde Ambiental do Departamento de Saúde dos Estados Unidos.

    Veja a entrevista “O aspartame é cancerígeno, sim”, em português, com o cientista responsável por esse estudo, na revista Terramerica, apoiada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

  • Aspartame ingestion and headaches: a randomized crossover trial (Estudo do Departmento de Epidemiologia da Escola de Saúde Pública e Medicina Comunitária da Universidade de Washington, Seattle e publicado pela Academia Americana de Neurologia)

    Esse experimento eferece evidências de que algumas pessoas são particularmente suscetíveis a dores de cabeça causadas por aspartame e deveriam limitar o seu consumo.

  • Aspartame as a dietary trigger of headache (Publicado no “Jornal de Dores de Cabeça e Face”)

    Numa avaliação de 171 pacientes, 49.7% creditam sua dor de cabeça a uso de álcool, 8.2% ao consumo de aspartame e 2.3% a carboidratos. Os pesquisadores concluiram que “o aspartame pode ser um importante ativador dietético de dor de cabeça em algumas pessoas”.

  • The Effect of Aspartame on Migraine Headache (Publicado no “Jornal de Dores de Cabeça e Face”)

    Esse estudo controlado, onde foi oferecido placebo e aspartame, encontrou um “significante aumento na frequência da enxaqueca”, naqueles que consumiram aspartame.

  • Synergistic interactions between commonly used food additives in a developmental neurotoxicity test (Departamento de Anatomia Humana & Biologia celular e Departamento da Terapia e Farmacologia da Universidade de Liverpool, Inglaterra)

    A exposição a aditivos em alimentos não nutritivos durante momentos críticos do desenvolvimento tem sido considerado como fator de indução e agravamento de desordens de comportamento como transtorno de atenção e hiperatividade. Ainda que se acredite que o uso de um único aditivo ailmentar nas concentrações regulamentadas seja relativamente seguro, em termos de desenvolvimento neurológico, o efeito das suas combinações continua desconhecido. Nesse estudo, percebeu-se que a interação de aditivos químicos, entre eles o aspartame, pode ter efeitos neurotóxicos.

  • The effect of aspartame metabolites on human erythrocyte membrane acetylcholinesterase activity (Departamento de Fisiologia Experimental, Escola Médica da Universidade de Atenas, Grécia.)

    Concluiu-se que o consumo de produtos com baixas concentrações de aspartame pode ser seguro, mas sintomas neurológicos, inclusive de aprendizagem e memória podem estar relacionados a concentrações altas ou tóxicas de adoçantes artificiais.

Atualização: Que liberdade a ignorância traz??

ignorance_freedom.jpg

Meu desejo de divulgar as informações a que tenho acesso sobre o aspartame não tem nada a ver com “paranóia” e nem sou nem um pouquinho menos “feliz” por me preocupar com as consequências do que estou ingerindo, pra minha saúde. Muito pelo contrário. Tomar um pouco mais de controle do meu corpo é empoderador.

Isso se chama consciência. Ainda que nem sempre consiga, estou tentando evitar enlatados, comer o máximo de orgânicos, cortar os adoçantes. Tudo sem estresse. Mas sem ignorância também. Descobri que não adianta brincar de “faz de conta que não faz mal”.

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E essa história não pára por aqui… em breve, farei um post sobre os sintomas do aspartame e porque você acaba engordando ainda mais usando esses produtos diet, segundo as últimas pesquisas… aguardem…

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