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História do Mês de Conscientização do Câncer de Mama

Denise | Corpo & Saúde,Seios | Monday, 31 October 2005

soulcollage.jpg

Em outubro de 1995, nos EUA, um grupo se reuniu em uma semana de evento que tinha objetivo conscientizar o público sobre a questão do câncer de mama. Os maiores patrocinadores eram a Academy of Family Physicians e CancerCare, Inc., que distribuiu panfletos, deu entrevistas e falou ao Congresso americano sobre a questão crucial de disponibilizar o acesso à mamografia (em junho de 2006, foi instituido pelo senado americano o Dia Nacional da Mamografia: 20 de outubro.)

Fiz uma pesquisa, no Google, mas não consegui descobrir quando esse mês passou a ser celebrado no Brasil. O fato é que, em quase todo mundo, outubro tem servido como um mês para alerta contra essa doença e alerta para a importância da prevenção. Sei que muita gente questiona a existência de “datas comemorativas”, eu acho que são muito úteis e benvindas, porque colocam o tema em pauta e fazem a gente pensar no assunto.

Auto-exame, exame clínico e mamografia

foto_mamografia.jpgEssa é uma doença com ótimos prognósticos, se for detectada a tempo, daí a importância de três ações: auto-exame, exame clínico por um(a) ginecologista e mamografia, não para prevenir (como muita gente pensa), já que ao ser identificado o câncer já existe, mas para garantir a possiblidade do tratamento imediato.

As campanhas que promovem o auto-exame são importantíssimas, já li em algum lugar que é o(a) companheiro(a), muitas vezes, que identifica a presença do caroço no seio. Mas acho que é preciso conscientizar, ainda mais, para que seja feito, sempre, o exame médico na consulta ginecológica.

Criei o site Câncer de Mama – Entre de peito nessa luta depois de chegar de uma consulta na qual tive que pedir à médica que fizesse o exame do seio e ela não deu a mínima atenção. Me senti vulnerável e jurei que não voltaria pra ginecologista que não fizesse exame de mama, voluntariamente., Não dá pra confiar. Se o seu(ou sua), não examinar sua mama, bote a boca no trombone, exija, afinal são alguns minutinhos a mais na consulta, não custa nada!.

Quanto à mamografia, existem divergências em relação a quando devem começar a ser feitas, o INCA – Instituto Nacional do Câncer diz que “toda mulher, entre 50 e 69 anos, deve fazer uma mamografia a cada dois anos. As mulheres com caso de câncer de mama na família (mãe, irmã, filha etc, diagnosticados antes dos 50 anos), ou aquelas que tiverem câncer de ovário ou câncer em uma das mamas, em qualquer idade, devem realizar o exame clínico e mamografia, a partir dos 35 anos de idade, anualmente.”

Já aqui, nos EUA, o National Cancer Institute orienta que as “mulheres de 40 anos ou mais devem fazer mamografias a cada um ou dois anos”. Vários estudos já comprovaram que as mamografias reduzem o número de mortes por câncer de mama, em mulheres entre 40 e 69 anos e, especialmente, daquelas acima de 50 anos.

Então, qual a melhor forma de detectar o câncer de mama precocemente?

Ainda que não seja um cuidado a ser descartado, o auto-exame, sozinho, não contribui muito para a detecção precoce do câncer de mama. Além do auto-exame é fundamental o exame clínico nas consultas com ginecologista e a mamografia.

O exame pelo(a) profissional de saúde me parece que tem sido pouco valorizado, mas pode ser decisivo. Existem tipos de câncer que não podem ser detectados na mamografia, mas o são no exame clínico.

Fatores de risco

quilt_sm.jpg

História na família – o risco aumenta se a mulher tiver a mãe, irmã ou filha vítima do câncer (especialmente se tiver sido diagnosticada antes dos 50 anos de idade). Mas, é importante saber que apenas cerca de 10% dos casos de câncer de mama são relacionados a história familiar.

História pessoal – mulheres que já tiveram câncer de mama, têm mais risco de desenvolver mais um.

História menstrual e reprodutiva – Mulheres que começaram a menstruar antes dos 12 anos, ou que entraram na menopausa depois dos 55 anos, têm maior risco de desenvolver câncer de mama. Mulheres que tiveram primeiro filho após 30 anos, que nunca engravidaram ou nunca amamentaram também estão em sitiuação de risco aumentado.

Terapias de reposição hormonal de longo termo – mulheres que usaram a terapia por mais de cinco anos.

Terapia de radiação (raio X) - Mulheres que tiveram terapias de radiação no peito (incluindo os seios) antes dos 30 anos têm maior risco de desenvolver câncer de mama, em algum momento da vida. Incçluindo as tratadas para doença de Hodgkin. Estudos mostram que, quanto mais jovem tenha sido a mulher ao receber o tratamento, maior o risco de câncer de mama.

Peso – estudos mostram que o risco de desenvolver câncer de mama após a menopausa é maior entre as mulheres que têm sobrepeso ou obesidade.

Atividades físicas – mulheres que são inativas durante toda a vida têm um risco aumentado de ter um cãncer de mama. Ser ativa, pode reduzir o risco de sibrepeso e obesidade.

Álcool – estudos sugerem que quanto mais bebidas alcólicas a mulher consume, maior o risco de câncer de mama.

Idade – o risco aumenta com a idade, com particular perigo após os 60 anos, por isso, se possível a partir dos 40, mas com toda certeza depois dos 50, é fundamental a mamografia anual. Eu faço a minha, todos anos (pra dizer a verdade, fiz até antes dos 40, pra garantir).

Uso de anticoncepcional – é, ainda, uma questão controversa, mas, aparentemente, existe um risco aumentado para certos subgrupos de mulheres como as que usaram contraceptivos orais com dosagens elevadas de estrogênio, por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce, antes da primeira gravidez.

Fontes e outras leituras interessantes:

Ilustrações: (1) Soul Colage, de Anne Marie Bennet; (2) Imaginis; (3) The Mastectomy Quilt, de Suzanne Marshall, 1992.

Love is in the air…

Denise | Sexualidade | Monday, 31 October 2005

jacamarapsique.jpg

Desde a semana passada que quero comentar como a blogosfera anda particularmente inspirada… assim como o Thiago, eu também gosto de blogs que falam de sexo. No meu caso, não exatamente blogs sobre sexo, que aí já acho meio repetitivo, mas gosto de ver gente que eu gosto debatendo, divagando ou poetizando sobre o assunto, que é saudável e faz bem a todo mundo, que já esteja na idade de fazer!

Dia desses, Flavio Prada escreveu, sobre uma mostra do cacete, que está acontecendo em Dresden, na Alemanha: “100.000 anos de sexo”, com um post bem ilustrado e deliciosamente bem escrito, o blogueiro reflete sobre arte erótica e mostra que é tão antiga quanto a humanidade. Dei a Ted esse livrinho, Erotica Universalis, com imagens belíssimas de Matisse, Fragonard, Dali e um ótimo preço, faz bem aos sentidos e é um ótimo presente-surpresa ;)

O Thiago está apaixonado e fez um post lindo, lindo sobre o quanto “ver a intimidade nascendo e o tesão aumentando, com toques, com palavras sussurradas, até o momento em que um não resiste ao outro, é o que há…”. Grande Thiago! tod@s nós concordamos…

A Megui, por sua vez, está encafifada com uma pergunta: “O que fazer quando você ama uma pessoa, que é sua ‘alma gêmea’ (se é que isso existe) mas não se satifaz na cama?”. O problema é com um amigo dela que é casado, adora a mulher, mas não está satisfeito com a quantidade de vezes que transam.

Essa é uma questão complicada, especialmente depois de alguns anos vivendo junto. O ajuste dos desejos. Eu acho que, se ainda existir amor e tesão, conversando, a gente se entende. Só não se pode é deixar pra lá, fazer de conta que nada tá acontecendo, quando existe esse descompasso entre “quantas vezes eu quero e quantas vezes você quer”.

Claro que tem dias que a gente tá cansad@, tá com preguiça, quer fazer outra coisa, mas eu sempre acho que o desejo se desperta. Às vezes a gente começa não tão entusiasmad@, mas se @ parceir@ souber fazer a coisa certa, em pouco tempo, pega fogo.

E apesar de concordar que a qualidade é mais importante que a quantidade, acho que existem limites. Pouco sexo pode significar, também, menos intimidade. Continuo achando que a regrinha fundamental, especialmente pros casais que estão juntos há muito tempo, é pensar em sexo sempre. No trabalho, no carro, no caminho pra casa. Afinal, desejo não é uma coisa que se liga e desliga, precisa de um certo “cultivo”…

E por falar em cultivar o desejo e despertar as emoções, não é só Drummond que coloca a poesia a serviço das almas mais assanhadas, não, aqui mesmo, na nossa blogosfera, também temos poetas prontas a botar fogo na coisa… a Lena conta como seu amado faz pra que ela se transforme em “fera” e a Vanessa faz as confissões de alcova mais secretas.

Finalmente, eu, que sou muito musical, tenho pensado… “quais as músicas ideais para uma noite (ou dia) especialíssima?”

Primeiro, deixa explicar que, pra mim, música em português dispersa, fico prestando atenção na letra, não dá… hehehe… portanto, é por isso que estão fora da minha sex playlist todas as músicas brazucas.

Nessa área, eu acho que a Sade Adu é imbatível, dá pra colocar os setes cds dela e passar a noite toda… com destaque pra Is it a Crime?. Mas, como eu adoro fazer listinha… segue aí uma seleção que é pra incendiar qualquer lençol (Ted aprova quase todas):

  • Glory Box, com Portishead;
  • Into Dust, Mazzy Star;
  • Paris Match, com Tracey Thorn e Style Council;
  • Seekers Who Are Lovers, com Cocteau Twins;
  • Strange Love, com Depeche Mode;
  • Turn me On, com Norah Jones;
  • Whiter Shade of Pale, com Procul Harum.
  • The Man I Love, com Billie Holiday;
  • Crazy, com Seal;
  • Light my Fire, com The Doors;
  • Let’s Get It On, com Marvin Gaye;
  • Just the Way you Are, Barry White.

    Bom, além disso, muito Miles Davis, Count Basie, Sam Cooke, Otis Redding, John Coltrane, Joe Cocker, Lou Reed e mais Billie Holiday…

    Claro, acima de tudo, precisa ser levado em consideração se a outra pessoa gosta das músicas, senão não adianta de nada… também não pode ser nada triste demais. Adoro Nina Simone, mas tenho uma certa dificuldade em encontrar uma música que garanta que a coisa não vai desandar. Pra mim, nessas horas, não dá pra ouvir “Ne Me Quitte Pas”, por exemplo.

    E vocês? têm sugestões pra nossa “sex playlist”? me ajudem a fazer uma lista, para todos os gostos!

    Atualização:

  • I’m on Fire, com Bruce Springsteen
  • I put a spell on you, com Nina Simone (ok, não podia faltar…)

    Pintura: “Amor e Psiqué”, de João Câmara, óleo sobre tela montada – 180 x 240cm – 1990.

    _________________________________________

    Comentários comentados

  • Halloween em Madam’s Organ

    Denise | Carpe Diem,Fotografia,Washington, dc | Sunday, 30 October 2005

    Ouvindo People Are Strange, do The Doors, com Echo & the Bunnymen.

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    Comentários comentados

    EMBRIAGUEM-SE

    Denise | Literatura | Sunday, 30 October 2005

    cbaudelaire.jpgCharles Baudelaire

    É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

    Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

    E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: “É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso”. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

    ___________________________________________________

    Lia, relia e adorava esse texto do Baudelaire, anos atrás. Lembrei dele ao ver a versão em inglês no blog do Thiago e achei essa versão em português aqui.

    United States of Leland

    Denise | Cinema | Saturday, 29 October 2005

    leland.jpgLeland: .”Isso foi uma coisa que uma amiga minha me disse: ‘Você precisa acreditar que a vida é mais que a soma das partes, kiddo.’ (…) Mas, quando eu penso sobre o que ela disse, a mesma coisa sempre vem à minha cabeça: E se você não conseguir colocar os pedaços juntos, em primeiro lugar?”

    Eu sou meio chatinha com cinema porque tem filme demais pra gente assistir, pra perder tempo com coisas ruins. Assisti Kinsey dia desses, é OK, mas não acrescentou nada à minha vida. United States of Leland, que vi ontem à noite, ao contrário, me emocionou, me fez pensar e é isso é o que eu espero de um filme.

    Num subúrbio de uma cidade americana, Leland, um garoto pra lá de pacato, de 16 anos, mata o irmão autista da sua ex-namorada a facadas, chocando todo mundo na cidade. No reformatório juvenil o professor tenta entrar no “Mundo de Leland” (título do filme no Brasil) e descobrir o porquê.

    Apesar do tema, o filme não é violento, é lento, é contemplativo e eu achei maravilhoso. Aos poucos, você vai entrando no mundo de Leland, através da sua própria narrativa e vai conhecendo os personagens como o pai, escritor famoso e ausente que nunca o viu desde os seis de idade (Kevin Spacey, brihante!) e a namorada viciada em drogas pesadas e vai formando o quebra-cabeça, pra, no final, entender um pouco mais porque ele matou o garoto.

    Claro que o dele foi imperdoável, mas Leland lembra à gente que todo mundo comete erros, que nem sempre existe uma explicação pra eles e que, não é porque o erro não vai ser descoberto que deixa de ser um erro. Interessante de refletir, depois de eu ter escrito, ontem mesmo, sobre culpa…

    Todos os atores e atrizes estão perfeitos. Além do genial Kevin Spacey, tem a super atriz sueca Lena Olin e o garoto, que fez o papel de Leland P. Fitzgerald, Ryan Gosling, já é considerado um queridinho da nova geração.

    Junto com Crash, esse foi um dos melhores filmes que assisti, ultimamente. Saiu no Brasil em DVD, deve ter em muitas locadoras e eu recomendo!

    Observação: Apesar de todos os elogios, tenho uma crítica… acho que a visão do professor, negro (o maravilhoso ator Don Cheadle, de Hotel Rwanda), é muito condescendente e deslumbrada em relação ao garotinho branco de classe média e viajado. Me pergunto se ele teria algum interesse num “United States of Pablo”… se alguém assistir ao filme, adoraria discutir o que achou disso.

    ___________________________________________

    Cena que merece virar “cult”:

    O pai de Leland (Kevin Spacey), escritor famoso e insuportável, está num avião, vindo encontrá-lo, quando soube que ele foi preso. Vê uma senhora lendo um jornal USA Today que tem uma foto e matéria sobre ele mesmo e pede à senhora, pra dar uma olhada…

    - “Aren’t you an actor?” (“Você não é um ator?”)

    - “Aren’t we all, dear?” (“Não somos todos, querida?”)

    ___________________________________________

    Ouçam a belíssima “Ballroom Dancing” de Jeremy Enigck, versão raríssima, já que a trilha sonora de United States of Leland não foi lançada nem aqui, nos EUA. Presente do SdeE pra vocês.. ;)

    E vejam o trailer do filme aqui.

    Chega ao Brasil novo gibi de “Asterix”

    Denise | Cartuns | Saturday, 29 October 2005

    asterixeobelix.jpg

    Eu queeeeeeeeeeeeeero!!! mamãe, não esquece de comprar o meu, antes que acabe… corram tod@s para as bancas…

    “Havia quatro anos não saía um gibi inédito do Asterix. A França, fanática por ele como por Zidane, fez uma edição de colecionador: 3.178.000 álbuns numerados, únicos. No resto do mundo, estão sendo colocados à venda 8 milhões de gibis em 27 países, para se ter uma idéia da popularidade desse baixinho…” (Continua aqui)

    Asterix foi criado em 1959, na França, por Albert Uderzo e René Goscinny e é, absolutamente genial! com o falecimento de Goscinny, Uderzo deu continuidade ao trabalho, com a colaboração de Anna, sua filha. Tá bom que as histórias nunca mais foram as mesmas, mas Asterix inédito é, sempre, imperdível…

    Vamos colocar as culpas num saco enorme
    e queimar ali no terreno da esquina?

    Denise | Comportamento | Friday, 28 October 2005

    Seca

    “‘Quanto mais ando, querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago…’ – foi o que pensei na ocasião. De pensar assim me desvalendo. Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; que, quando notei que estava com dor-de-cabeça, e achei que por certo a tristeza vinha era daquilo, isso até me serviu de bom consolo. E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia.” Grande Sertão:Veredas, Guimarães Rosa

    De todos os fantasmas com os quais eu brigo, todos os dias, pra acordar e me manter feliz, a culpa é o maior e mais presente.

    Desde pequenininha a gente aprende que tem culpa por tudo. É a base da nossa educação cristã. Acho que a primeira grande culpa é a de não ser uma boa filha. Não atender às expectativas, quase sempre irreais, dos pais. Não é boa aluna, não se comporta direitinho, não quer pentear o cabelo, nem sabe o que quer. Um dia quer ser bailarina, no outro quer jogar volley.

    Depois, a gente vai crescendo, fica mocinha e se sente culpada por estar virando mulher e despertando desejos em homens indesejáveis. Ao mesmo tempo, vem a culpa terrível por começar a sentir tanto desejo e precisar fazer alguma coisa pra aliviar aquela tensão. Sozinha ou acompanhada.

    Mas aí a gente também se sente culpada se o menino que a gente gosta não gosta da gente ou por não ser a namorada que o namorado queria e a história continua…

    Culpa porque não soube escolher a profissão certa, porque não está dando tudo que podia no trabalho ou porque podia estar fazendo algo de mais útil pra esse ser um mundo melhor… tanta fome, tanta miséria e eu aqui, tão feliz, como é que pode? não pode.

    Tantos amigos que precisaram de mim e eu não estive presente ou não tive a palavra que eles precisaram, ainda que meus pensamentos estivesse com eles.

    E a maternidade? essa então, é um poço de culpas. Aliás, a gente só não tem mais culpa por não ser boa filha, porque a culpa por não ser boa mãe é maior e não deixa.

    A gente se culpa se não tiver parto natural, se não amamentar, se sair pra trabalhar e deixar filho chorando, se ele adoecer e a gente não puder estar do lado (aliás, a gente se culpa somente por ele adoecer).

    A filha cresce e a gente se culpa se ela não for boa aluna, não se comportar direitinho, não pentear o cabelo e não souber o que quer ser (bailarina ou jogadora de volley?) e assim a culpa se perpetua e passa de geração a geração…

    Se o casamento vai mal, a gente se sente culpada, se o sexo não for bom, a culpa é nossa, claro, e se a gente olha do lado e sente desejo por outro homem, aí então, a culpa é dilacerante. O casamento acabou? claro, a gente sempre acha que a gente é que podia ter feito melhor…

    E tem a culpa por dizer a palavra errada, na hora errada e estragar tudo. Culpa porque tudo podia ser diferente, porque a gente podia ter feito tudo melhor.

    Essas são algumas das culpas que a gente carrega na vida real. Nem sempre todas, nem sempre ao mesmo tempo, mas todas temos uma boa chance de conviver com a maioria delas.

    Agora, com essa nova “vida virtual”, uma série de novas culpas estão aparecendo.

    A gente se sente constantemente culpada por não conseguir responder a todos os emails que recebe, ou se não comentar todos os comentários, não visitar todos os blogs amigos e, se visitar mas estiver cansada demais pra deixar uma mensagenzinha…

    Culpa por não lembrar de linkar algumas pessoas que estão visitando o blog, ou por não dar a devida atenção a cada uma delas… e tem ainda os scraps do Orkut, os recados no Multiply, os amigos que se sentem abandonados no MSN ou Skype…

    Ah, não, gente… pára tudo… não aguento mais tanta culpa, já me sinto tão cansada e fugindo de todas as que me acompanharam até hoje.

    Tem dias que comento dezenas de comentários que deixaram aqui no blog. E faço isso com o maior prazer, porque adoro essa comunicação. Mas, às vezes, não dá pra fazer mais que isso, ou nem isso.

    Francamente? cansei de culpa, de todas elas. Reais e virtuais. Tô colocando todas num saco enorme e queimando ali no parquinho da esquina.

    Vamos fazer uma cartarse coletiva? vamos queimar todas as nossa culpas e começar tudo do zero, fresquinhas e prontas pra uma vida real, na qual todo mundo sabe que ninguém é perfeito e não precisa se culpar por isso. Apenas continuar fazendo um esforço danado pra ser uma pessoa melhor, isso basta. Sem culpas.

    Atualização: Não quis entrar em detalhes, para que todo mundo se identificasse com o post mas, sem dúvidas, como disse a Vanessa, morar fora do Brasil é uma das maiores fontes de culpa pra que todo mundo que toma essa opção, principalmente por estar longe da família, não participar do crescimento das crianças, não dar o apoio emocional que a mãe e o pai sempre precisam e morrer de medo de algo acontecer por lá, enquanto a gente está longe… é barra pesada.

    Culpa de Estimação

    Denise | Música | Friday, 28 October 2005

    Com Cazuza
    De Cazuza e Roberto Frejat

    Por onde eu ando
    Levo ao meu lado
    A minha namorada
    Cheirosa e bem tratada

    Não sei se o nome dela
    É Eva ou Adão
    É religiosa por formação
    A minha culpa de estimação

    Se alguém me ama
    Ela diz que não
    Se nem me notam
    Ela diz: “Por que não?”

    É a minha companheira inseparável
    Sua fidelidade é incomparável
    E me perdoa por não ter razão
    A minha culpa de estimação

    E me aceita o pior dos tarados
    Um ser mesquinho tropeçando no nada
    Guarda segredo e diz que não é chantagem
    Que ninguém vai saber das minhas bobagens
    Me dá um calmante e diz que é pra eu ser bom
    A minha culpa de estimação
    (Ela é de estimação)

    _____________________________________________

    Se alguém tiver essa música e puder me mandar, ficarei eternamente grata e colocarei aqui no blog, pra que todo mundo possa ouvir. Já procurei com todos programas de compartilhamento de música e não consegui achar.

    Mas, não se preocupem…

    Denise | Me myself and I | Friday, 28 October 2005

    … apesar do post meio “pesado”, estou com um ótimo astral!

    Hoje, me dei feriado. Tô saindo agora pra malhar e depois vou até um shopping center, bater perninhas e ver as coleções de outono, depois um filminho de arte e um jantar num restaurante etíope (minha nova mania)… portanto, não vou visitar nenhum blog, hoje, nem dá pra responder aos comentários dos posts e, mamãe, só falo com você mais tarde…

    (Oooops… olha a minha culpa aparecendo aí de novo… xô, culpa!!!! )

    Beijos e tenham um lindo final de semana, sem culpas!!!

    Quase morri com uma bala SOFT

    Denise | Orkut | Thursday, 27 October 2005

    balasoft.jpg

    Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!

    Essa, eu precisava contar pra vocês… é por causa de comunidades como essa que eu não saio do Orkut:

    Quase morri com uma bala SOFT

    Descrição: “É impossível alguém não ter se engasgado com uma bala Soft. Ela era bem gostosa, mas foi feita para matar as crianças… rs… ela tinha o tamanho da laringe… era toda escorregadia… e quando vc menos esperava ela descia pela sua garganta como um tijolo seis furo, te arranhando todo!!..rs..”

    Número de integrantes, hoje: 33214 vítimas da bala Soft!!!

    Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!

    Genial! claro que eu “quase morri com uma bala soft”, quem, da minha geração nunca se engasgou com uma?

    Ps.: Encontrei essa comunidade lá no Orkut da Maitezoca.

    _________________________________________

    Comentários comentados

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