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Os Meus Anos 80 – Parte I – Os Livros

Leia mais sobre Literatura.
Publicado na Friday, 22 July 2005

claracrocodilo.jpg“Preciso de uma chance de tocar em você, captar a vibração que sinto em sua imagem, fecho os olhos pra te ver você nem percebe, penso em provas de amor, ensaio um show passional…”

Entre um projeto e outro, resolvi ripar uns CDs e arrumar meus MP3. Acabei sendo sugada pra um revival dos anos 80, absolutamente delicioso, que está sendo ainda mais aprofundado com essa troca de idéias com o Guilherme, do ¡Ay, Caramba!, que me fez o favor de lembrar até dos “darks” de Brasilia e Recife.

A partir daí, fui ouvindo as músicas, olhando as fotos e arrumando, na cabeça, o que foram os meus anos 80. Já tinha pensado em escrever sobre isso, antes…

“O que você precisa é de um retoque total, vou transformar o seu rascunho em arte final”

Se tem gente, na blogosfera, que fica se consumindo porque acha que eu sou exibida e tenho um ego inflado (leonina, né? já expliquei aí abaixo! hehehe…), imagine se tivessem me conhecido aos 19, 20 anos… teriam uma síncope! hehehe… eu era uma garotinha muito atrevida. Por isso, adoro essas meninas saindo da adolescência.

Existe uma urgência de viver tudo, com muita pressa, uma certeza de que já sabe tanto, uma certa arrogância juvenil, porque, afinal, elas têm, mesmo, o mundo pela frente… mas acabam aprendendo que a coisa é bem mais complicada…. ou não. O que importa? o que interessa é estar feliz e ainda bem que essa tesão pela vida eu conservo até hoje!

“É melhor viver dez anos a mil, do que mil anos a dez…”

Mas, enfim, os meus anos 80 foram assim… cheios de esperança, desejo, vontade de ganhar o mundo e mais livros, muitos livros, filmes, música, paixões e um certo estilo.

Lendo nos 80

breton.jpgEu lia muito e adorava frequentar livrarias e sebos, como já disse aqui. A Livro 7 era, pra mim, o que é o Shopping Center, hoje, pras meninas. Adorava borboletear entre as estantes, fazer um ar blasé e ler tudo o que podia por lá mesmo.

Nessa época, a Editora Brasiliense era a maior e que trazia mais novidades. A gente ficava esperando, ansiosamente, as resenhas da Ilustrada com os novos lançamentos e foi através dessa editora que eu me apaixonei pelos beatniks como Bukowski, Ginsberg, Kerouac, Burroughs e Gregory Corso, que eu devorava ao som do The Doors e sonhando em botar o pé na estrada americana.

Quem viveu os mesmos anos 80 também vai lembrar da coleção Circo de Letras que tinha Jean Cocteau, Alfred Jarry, John Fante, Andre Breton… e uma série de livros de romance noir, que me introduziram nos mistérios de Dashiell Hammet, David Goodis, Raymmond Chandler e Boris Vian.

artaud.jpgE, claro, os anos 80 são, pra mim, a Coleção Primeiros Passos, com Marilena Chauí me confundindo ainda mais, enquanto tentava explicar “O que é Dialética” ou Antonio Bivar atiçando a curiosidade sobre Londres com “O que é Punk”.

Tinha ainda a coleção Encontro Radical, onde descobri a vida de Marcel Duchamp, Flavio de Carvalho e Emma Goldman.

E Tudo é História, que dava outra versão aos fatos dos nossos livros escolares ainda saindo da ditadura militar.

Esses livrinhos me ensinaram a pensar.

“E desejo o desejo do perigo de um novo jeito… um mar de lava incandescente faz de repente ver que eu quero esse mistério sempre…”

Quem já lia, nessa época, vai lembrar, também, da L&PM, que lançava coisas deliciosas como “O Assassinato Como uma das Belas Artes” de Thomas de Quincey ou TUDO de Ginsberg.

tiresia.jpgE, só pra fechar, tinha a Editora Max Limonad, com livros de design lindo como “O Teatro e seu Duplo” de Artaud e “As Mamas de Tirésia” de Apollinaire (ele, mais uma vez).

Eu comecei a descobrir o mundo com esses livros, que me fascinaram, me provocaram, me fizeram sentir pequenininha e gigante e me deram muito mais fome de viver.

Nos anos 90, as coisas mudaram. Eu tava cuidando de Bia e investindo tudo na minha vida profissional. Minha literatura passou a girar em torno de oxitocina, prolactina, fisiologia, direitos da mulher, direitos humanos, marketing social, dinâmicas de grupo…

Ultimamente ando voltando ao começo e relendo os livros que acalentaram meus sonhos nos 80… e me re-apaixonando por eles e tem sido uma re-descoberta tão boa… são os mesmos livros, mas com outros olhos.

“A cidade enlouquece sonhos tortos, na verdade nada é o que parece ser, as pessoas enlouquecem calmamente, viciosamente, sem prazer…”

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Aguardem outros posts sobre a música, o cinema, o estilo e as paixões nos anos 80…

E a Letônia??? ah… sei lá… vai chegar, prometo que escrevo em breve, mas cada coisa na sua hora… cheguei da Letônia e entrei num tunel do tempo :) enquanto isso, vocês vão comentando e concorrendo aos bonequinhos que prometo sortear na próxima semana :)

Post costurado com o Kid Abelha e Lobão, clique nos trechos pra ouvir a música.

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Foto: Em 1985, na exposição “Como Vai Você, Geração 80?”, no Parque Laje, Rj. Com uma mochila lilás, da Company, do lado… hehehe…

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