Sabe quando a gente escreve cartas, pros amigos ou pro namorado que mora longe, em nossa cabeca? me peguei escrevendo esse post várias vezes, durante a viagem.
São tantos os amigos que estou fazendo nesse blog, que fico querendo contar pra vocês as coisas que estão acontecendo comigo por aqui, como eu contaria a uma velha amiga. Bacana, né?
Bom, mas o calor não tem me deixado fazer muita coisa… como algumas pessoas já comentaram, o calor aqui é mesmo de matar. Ontem, cheguei em casa (hotel) às 5 da tarde e achava que ia dar pra escrever alguma coisa. Que nada, só conseguia ficar prostrada na cama, com o ar condicionado no máximo… é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito calor…
Bom, ai como eu já acumulei muita coisa, vou arrumar esse post em pedacos e ai vocês vao lendo o que mais lhes interessar
Austin
De San Antonio, onde ficamos alguns dias com familiares de Ted, viemos pra Austin. Essa cidade foi uma surpresa, pra mim. Capital do Texas, com 500 mil habitantes, é um oásis no meio do conservadorismo da terra de Bush.
Austin é uma cidade bem hippie, onde existe muita arte, música e organizacões da sociedade civil – várias delas dedicadas a tirar W da presidência.
Hotel San Jose
Ficamos em um hotel muito especial, o San José, na Congress Street. uma rua bem hippie, também, perto do Rio Colorado. As lojinhas, cafés, clubs e restaurantes ao redor do Hotel são fofas e com muita personalidade.
No estacionamento do San José, encontra-se o Jo’s Café que é o ponto de encontro da esquerda e dos artistas da cidade. às quintas-feiras, têm apresentacões de bandas de música (rock, blues, jazz) e, após, exibicão de um filme em telão.
Book People
Ontem, passamos horas nessa que é a “maior livraria do Texas”, mas o que tem de mais especial mesmo é a resistência ao tratamento impessoal das grandes empresas. Apesar do tamanho, tudo na Book People é muito pessoal, os funcionários são umas gracinhas, tem poltronas por todo lado, convidando a gente sentar e ler o tempo que quiser… foi uma delicia…
Comprei uns livros maravilhosos, que estou devorando, e vou comentar com vocês quando estiver em casa, com mais tempo:
- “Bitches, Bimbos, and Ballbreakers: The Guerrilla Girls’ Illustrated Guide to Female Stereotypes”. Tenho acompanhado o grupo Guerrilla Girls desde que comecei a entrar na Internet. O site dela (veja link acima) é genial e esse livro é divertidíssimo. Nenhum insight mais profundo, mas ótimos textos e fotos sobre os estereótipos impingidos a cada mulher. Em breve escreverei sobre isso também
- “Bitch – In praise of Difficult Women”, sobre como as mulheres boazinhas não fazem história. O livro tem críticas boas e ruins, estou curiosa pra ver o que eu acho.
- “Sacred Voices: Essential Women’s Wisdom Through the Ages”, que é um livro lindo, onde quase 175 mulheres de todas as culturas e tempos deixa suas palavras de sabedoria, comecando com uma prece à deusa Innanna, da Mesopotâmia, 2000 anos antes de Cristo. Aos poucos vou traduzir vários desses textos pra vocês.
Museu de História do Texas
Antes da livraria, fomos pro Museu, que é bem bacana, um prédio lindo, exposicões super bem trabalhadas (fotografei todas as que vi relacionadas a mulher no Texas)… mas fica sempre aquela resistência à chatice do que se considerar a “grandiosidade” texana… Adorei ver e ouvir Buddy Holly e James Dean no filme Giant (Assim Caminha a Humanidade).
Tinha uma exposicão sobre os índios que haviam na região e um vídeo emocionante de uma comanche falando sobre a resistência cultural do seu povo. Bacana. Li tudo meio desconfiada se eles iam “dourar a pílula”, mas não, o massacre tava todo ali.
Vejam aqui as fotos do Museu
Reclamacão
Tava pensando no que escrevi aqui há algumas semanas, sobre não viver reclamando pra não deixar a vida ainda mais amarga… mas olha, tem sido duro não reclamar do calor nessa viagem… não existe nada que me deixe mais irritada no mundo que um sol de rachar, carro pegando fogo (antes do ar condicionado funcionar), quem me conhece sabe disso… ai, ai… dá-me paciência pra aguentar até o dia 28…