Eu NÃO GOSTO de Bush – Eu GOSTO dos EUA
Eles têm Bush, eles têm Ku Klux Khan, eles têm Colin Powel, eles têm gente racista, preconceituosa e burra… Mas, eles também têm Gore Vidal, eles têm Susan Sontag, eles têm gente brilhante e legal, eles têm Michael Moore e têm movimentos de resistência a tudo isso ai acima…
Eu estava deixando pra escrever sobre isso quando mudasse pra Washington, mas esse movimento anti-americano do Orkut me deu vontade de escrever agora.
Conheço muita gente legal e inteligente que afirma seu ódio aos EUA. Nunca entendi isso. Me desculpem, mas eu acho que é uma visão estreita e preconceituosa. Tem a mesma dose de intolerância que a gente tanto reclama por parte dos EUA e acho que é um desrespeito com todo um povo que não é homogêneo. Não tem somente gente bacana no Brasil, não tem somente cretinos nos EUA.
Ted é americano, mas vive há 25 anos na Suécia. Quando o conheci ele quase tinha vergonha de dizer que era americano. Fui puxando de volta, pra ele, suas lembranças. Ele nasceu em St. Louis, mas viveu desde pequeno em Chicago e mais outros lugares.
Eu achava muito triste a resistência que ele tinha em reconhecer suas origens. Agora, estamos mudando pra Washington, e tenho certeza que vai ser bom pra ele “voltar pra casa” e eu e Bia encontraremos nosso caminho por lá.
Tenho grandes amigos americanos. Pessoas inteligentes, gentis, tolerantes, que lutam em movimentos sociais, sem nenhum preconceito e com muita vergonha da classe dominante americana. Portanto, acho extremamente injusto colocar todo mundo num pacote e odiar um país.
O próprio país é, como o Brasil, enorme e com grandes diferenças culturais. Conheco Chicago, Los Angeles, Memphis, Washington, Nova York, Houston, além de uma pequena cidade no Colorado e várias outras cidades pequenas ao redor desses lugares e posso garantir que cada um, tem as suas características próprias. Com pessoas mais ou menos conservadoras, com maior ou menos resistência a Bush, mas em todas elas, tem gente legal, também.
Diz-se que “os americanos não têm cultura”. Uma bobagem enorme. Têm uma industria cultural pesada, que empurra seus produtos-lixo goela abaixo da gente, é verdade, mas também têm coisa muito boa… têm a pop art de Andy Warhol, têm o blues divino de John Lee Hocker, têm a poesia de John Donne, têm Martin Scorcese e têm Madonna, que AMO…
Dizem que eles não conhecem nada além das suas fronteiras e ficam irritados porque eles dizem que a nossa capital é Buenos Aires…. É verdade, mas quantos brasileiros podem dizer qual a capital dos EUA ou Canadá? (e vale informar que já encontrei suecos que também pensam que Buenos Aires é a nossa capital!).
Também não me deslumbro, nada, com os EUA, reconheço todos os problemas que têm, detesto seu “american way of life”, baseado em puro consumismo e o “estado mínimo” que resulta em poucos benefícios sociais, pouco espírito de coletivismo… tudo o oposto da Suécia, mas acho que o país não é somente isso e encontro, sempre, os dois lados…
As pessoas que mais falam em tolerância costumam ser as que são mais intolerantes em relação aos EUA. Pra mim, isso é contraditório e muito triste…
Ps.: Acabei de ler que foi criada uma comunidade, no Orkut, chamada: “Odeio baianos”… tsc, tsc, tsc… uma intolerância leva a outra… deprimente, e são essas pessoas que reclamam que são discriminadas pelos americanos…





A fogueira tá queimando ali no arraial, bombas na Turquia, explosões em Bagdá e eu passei a noite lendo sobre a invasão brasileira no Orkut, um mundo virtual que também tá pegando fogo…
1. Temos mesmo que “invadir” o Orkut, mas não pra avacalhar ou se fechar no nosso mundinho, acusando todo mundo de “conspirações pró-americanas” mas sim porque “tá na hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”. 


A noite de Midsommar é, provavelmente, a festa mais popular da Suécia, depois do Natal. É uma celebração pagã, que existe desde a era Viking. É a grande celebração do verão e originalmente, era um rito de fertilidade, tendo o Maypole (mastro na foto ao lado) como o símbolo que “engravida a mãe terra”, numa esperança de boas colheitas no outono.
Você já deve ter ouvido falar na peça de Shakespeare,
Sem dúvidas, as nossas festas juninas têm suas raízes no Midsummer europeu.

“Ser imigrante é pertencer à única espécie de seres humanos libertados das correntes do nacionalismo (sem falar de seu horrível irmão, o patriotismo). É uma liberdade difícil de carregar.”
Queridos amigos, vocês devem ficar pensando como eu consigo ter sempre novidades… é que minha vida é movimentada, mesmo. Não tenho nem idéia do que é rotina. E eu adoro novidades!
É com muito orgulho que escrevo aqui sobre o grande sucesso que foi a “Pride parade” de São Paulo: um milhão e oitocentas mil pessoas reunidas para celebrar a diversidade!
Em Estocolmo, vi várias vezes, casais de mulheres+mulheres e homens+homens passeando de mãos dadas e beijando-se em público. Ano passado, um dono de restaurante, em Estocolmo, foi indiciado e pode passar um ano na prisão, porque expulsou duas mulheres que estavam beijando-se em seu estabelecimento.
Bia acabou de me lembrar que a bandeira de Pernambuco tem um arco-iris (símbolo do movimento gay). E na parada de Recife, o locutor – uma drag queen maravilhosa – lembrava o arco-íris em nossa bandeira o tempo todo, e também dizia: “Discriminação agride… eu não”!!! maravilhosa!!!!!!!!!!